domingo, 28 de junho de 2009

Reflexões sobre a abrangência de uma supervisão

Reflexões sobre esse tema me propiciaram retornar a um projeto de 1998, voltado a importância de uma supervisão em Psicologia em Hospital Geral, estando esse em processo de mudança, portanto, se constituindo em foco de ameaça e ataque entre os profissionais, nas mais diferentes funções, dentro dessa instituição. Insegurança e medo permeiam as fantasias, desequilibrando a rede de interações humanas e fortalecendo a emergência de conflitos desestruturantes do sistema produtivo.

Hoje em dia, é reconhecido que modificações estruturais numa organização, que visa transparência e boa administração de recursos humanos, sua mais valiosa matéria prima, ocorrem de uma maneira dialética, com trocas e alterações comportamentais (individuais e grupais). Focam a arte de dialogar e negociar, a capacidade de convencer e persuadir - e excluem imposições burocráticas e pressões hierárquicas. Considerando o movimento sistêmico organizacional, essas mudanças operacionais devem ser consideradas como processos funcionais complementares.

Uma organização é um organismo vivo, como o corpo humano, com seus elementos interagindo entre si e com o exterior. Sendo assim, qualquer preocupação logística não pode fugir de diagnósticos sob várias perspectivas e análises em termos integrativos e não exclusivistas.
Qualquer estratégica planejada sob o foco unilateral e manutenção do "status quo" da gerência administrativa, e não inclusão de uma gama representativa de colaboradores nas equipes, a longo prazo não conseguirão manter resultados eficientes e eficazes. A preocupação administrativa com a união desses aspectos atualmente já faz parte de qualquer processo logístico e planejamento estratégico, no entanto, são grandes as resistências para a implantação de projetos sob esse prisma, principalmente quando atinge benefícios pessoais e interesses outros que não os institucionais.

Ainda é pouco conhecida função do psicólogo hospitalar como agente unificador e suas intervenções propiciadoras de alívio de ansiedades, particularmente as oriundas desse período de instabilidade. O espaço de atuação de um psicólogo hospitalar vai além do desempenho de sua função clínica com pacientes, familiares e cuidadores. A rede de relações na instituição hospitalar também demanda por ajuda, devendo a própria organização ser observada e analisada como um grande grupo. As intervenções, nesse sentido, visam o grupo como um todo. Embora cada um atue, embasado numa teoria específica, de acordo com suas leituras e interpretações, suas características pessoais, possibilidades e formas de agir individuais, não se pode deixar de estar disponível para a compreensão holística do contexto hospitalar e para a interpretação da gama de motivações que mobilizam determinadas ações humanas.

Tal reflexão me traz à lembrança que contra fatos não há argumentos e, na época desse projeto, dentre cinquenta e três psicólogos, fui a única a defender a adoção de uma postura eclética em reuniões para definir o perfil do profissional na área hospitalar. Como conseqüência, grandes críticas, não às idéias que propunha, mas discriminação maciça, até assédio moral por desqualificações várias, buscando atingir minha credibilidade profissional e até mesmo pessoal. Tal fato deixava claro para mim o pouco amadurecimento e despreparo para o cargo da maioria das lideranças, e devidas assessorias, para enfrentar o tipo de gestão participativa que estava sendo implantada.

Durante os dezessete anos que atuei nessa Instituição, as cartas de pacientes , encaminhadas a Ouvidoria durante esse período, reconhecendo e agradecendo meu desempenho profissional, é que me serviram de grande incentivo e suporte a esses ataques pessoais anti-éticos e desumanos.

Hoje, o fato de ter bancado minha opinião e sobrevivido a uma perversa exclusão grupal, tornou-se para mim em motivo de orgulho, como ser humano e como profissional, pois é fato comprovado que uma visão abrangente e dinâmica é uma das características que define um empreendedor e inovador, colaborador tão procurado pelas organizações desenvolvimentistas desse novo milênio. Por outro lado, não há nada, dinheiro ou "status", que valha a perda da dignidade, da tranquilidade interna e do respeito próprio.

Isso vale como desabafo e aqueles que me perguntam o que ocorreu nesses anos, respondo que eu optei por me aposentar, para me livrar das pressões e assédios, e muitos cujos feitos foram citados acima, não sobreviveram dentro da instituição, ou do cargo que exerciam: não se enquadravam mais ao perfil de profissional dessa qualidade transparente de gestão.

Acredito que o obstáculo mais difícil , no momento, está na adaptação às normas institucionais dessa gestão participativa, que envolve maior engajamento individual e quebra de regras burocráticas irracionais, maior capacidade criativa, iniciativa, autocrítica e autonomia responsável.

Nesse sentido, um grande desafio na elaboração de um modelo de supervisão para um psicólogo hospitalar, que possa servir de modelo de referência, pode residir na divergência teórica e na necessidade da busca dos conceitos básicos comuns a esses profissionais, que lidam com o ser humano mais fragilizado pela condição hospitalar.

O linguajar psicanalítico restringe a comunicação e afasta a área médica. Muitas informações em reuniões multidisciplinares ficam prejudicadas em seu entendimento sobre a melhor forma de ajuda no aqui e agora do paciente. Por outro lado, só traria mérito a qualquer Divisão de Psicologia se os dirigentes pudessem fazer uma leitura psicanalítica da organização sistêmica aplicada em seu grupo específico. Muitos ficariam assustados com o resultado dessa análise e devida interpretação dentro dessa linha teórica. O que fazer quando no final de um processo seletivo vem a ordem: " A. passou, mas não se classificou; por ordem da direção, vai ter que ser aprovada, e sem contestação. É filha de diretora do setor ..." . Ou "O pai de fulana é médico, seus horários são flexíveis, bem como todos que fazem parte da diretoria, assessores e chefias." "Seu projeto está ótimo. Como coordenadora da equipe, vou apresentá-lo na próxima reunião de chefias." E aí, o que fariam?

Respondo aqui também a outro questionamento constante, que me fazem. Nesse período de transição social, analisando o grupo institucional, é fácil diagnosticar a patolologia sociopata ou psicopata por sua sintomatologia. A perversão é expressa na falta de auto-crítica e bom-senso; na ausência de limites e de auto-controle de impulsos; não observância de regras e preservação do coletivo; frieza ou faltas de vínculos afetivos onde predominam a indiferença e desinteresse pela pessoa do outro; sem auto-culpas, com violentas reações pessoais vingativas, do tipo "olho por olho, dente por dente". Daí decorrem: "Me aguarde para ver do que sou capaz!";"Ele me paga!", ou então "Ele é que se vire, vou tratar é de cuidar do meu"; diferente da submissão ao esquema do "Vejo tudo, mas preciso do emprego". Não é mais um "não saber lidar" com o impulso agressivo. Envolve uma dose de prazer ante a desdita alheia, até a manipulação perversa para a destruição da integridade psíquica e até física do outro, a "puxada de tapete " ou o controle que envolve coações e submissões humilhantes e desrespeitosas à pessoa do outro.

Quando me pedem para apontar a forma de enfrentar essa doença social, respondo com o exemplo trazido por um supervisor: - Durante um grupo de supervisão de profissionais graduados na área médica e afins, um residente, não obedecendo a um dos limites contratuais estabelecidos a priori, resolve atender seu celular interrompendo a sessão supervisiva, pois as atenções se voltaram para ele. Após breves respostas, desliga o celular e diz ao supervisor que, quando tocar o dele, ele poderá atender tal qual o fizera. E tem como resposta: "Eu? Não. Não sou eu que vou me rebaixar a você. Se quiser continuar no grupo, cresça profissionalmente e suba ao meu nível ético como ser humano, que preza o respeito entre as pessoas."

Um mapeamento de funções está sempre atrelado à investigação da expectativa do desempenho desse profissional dentro do quadro organizacional, com suas políticas e diretrizes específicas.
O que fazer quando essas mudanças culturais organizacionais envolvem resgates filosóficos e éticos, ensombrecidos por anos de operacionalização mecanicista?

A ênfase no valor profissional e humano, como fator preponderante no desenvolvimento e produtividade de uma instituição, é recente. O reconhecimento da importância de seu papel ainda não conseguiu sobrepujar o peso burocrático de regras funcionais e normas pré-estabelecidas, bem como a rigidez administrativa em sua hierarquia verticalizada e coercitiva.

É dupla a função da supervisão psicológica hospitalar, formativa e informativa. Podemos considerar como fazendo parte do ato de supervisionar as seguintes ações:
* propiciar ao supervisionando uma aplicação prática de teorias, que se supõe assimiladas em sua formação acadêmica;
* abrir espaço físico para uma aprendizagem prática;
* favorecer sua integração dentro de equipes multidisciplinares;
* orientar leituras pertinentes a atuações específicas, possibilitando a correlação e interação da teoria com a prática;
* supervisionar as atuações do estagiário no setor.

A supervisão, nesse sentido, deve contribuir para que o estagiário possa:
* amplificar sua capacidade de observação, independente da teoria professada;
* desenvolver um tipo de ação específica, uma escuta adequada ao paciente e à própria equipe;
* adquirir maior agilidade na percepção dos aspectos transferenciais e contra-transferencias que permeiam toda relação humana;
* melhor lidar com as inseguranças e angústias oriundas da atuação a nível hospitalar, onde a doença, a dor, o sofrimento, as deformações e a morte são fatores ansiógenos constantes.

Aqui já ocorre algo mais que o confronto com uma ética supervisiva, que envolve o respeito a divergências teóricas e a necessidade de obtenção de clareza e objetividade nos critérios referenciais para auxiliar a formação do psicólogo, que decide por essa área hospitalar de atuação.

O que mobilizou o estagiário para essa escolha vocacional?

Não deveria existir uma ética profissional atrelada a qualquer escolha vocacional e a mesma ser devidamente avaliada nos processos seletivos de um aprimoramento hospitalar?

Existem características éticas essenciais ao profissional psicólogo, que envolve sua decisão de atuar, em função do contexto hospitalar em que busca se inserir. Na prática tudo é tão diferente, e são muitas as variáveis que podem derrubar a ética humanista dentro de um sistema organizacional, ainda mais quando envolve uma área como a da saúde. O questionamento passa a recair não só na identidade profissional, mas em sua postura como ser humano.

Uma coisa é "saber-se" um psicólogo, outra coisa é "tornar-se um psicólogo hospitalar"- a diferença é muito grande. Acresce o fato de que a má postura do profissional pode desvalorizar a própria Psicologia e enfraquecer sua área de atuação.

Muitos "psicólogos psicanalíticos" preferem omitir sua primeira formação como psicólogos. Daqui decorrem dois grandes riscos: especialização em Psicanálise está aberta a pessoas de cursos superiores, das mais variadas profissões, que podem fazer parte do contexto hospitalar ou não; e consequentemente, pode ocorrer a invasão de outros profissionais, atuando em áreas restritas dos psicólogos, como a aplicação de testes e análises das devidas avaliações, ou mesmo em terapias breves, e tudo em prol das pesquisas (?).

Outro fato comprovado é a má formação acadêmica atual dos profissionais, que afetam a atuação dos profissionais que buscam essa área delicada e que exige controle adequado da própria saúde mental. Não se pode atribuir à supervisão a função de suprir essa carência. É o estagiário que deve se posicionar como autodidata e sanar essas lacunas. Não é fácil estimular a iniciativa, autônoma e responsável, ante tal grau de dependência e imaturidade de muitos recém formados.
No aproveitamento do período de estágio, um grande obstáculo está na expectativa e idealização do papel e dos limites de um supervisor. Muitas vezes, esse é colocado erroneamente, no lugar daquele que detém um saber absoluto, e o certo e o errado é buscado. Muitos estagiários, por aspectos intrínsecos de sua personalidade, adotam uma postura passiva, se impedindo de se instrumentalizar para desenvolver o próprio potencial, esperam encontrar modelos prontos, que possam ser copiados, esquecendo que os seres humanos são dinâmicos e interagem de acordo com sua unicidade e contexto relacional.

A imaturidade emocional do estudante, embora formado, remete a função do supervisor centrada inicialmente no ensino do"aprender a aprender", visando a aplicação dos conhecimentos teóricos na prática clínica; posteriormente ampliada ao ensino do "pensar como psicólogo" para "saber fazer acontecer" e atuar como tal.

Técnicas e métodos mudam, conforme o avanço tecnológico e a quebra de paradigmas que sustentam teorias. A maturidade profissional pode ser observada pela flexibilidade em não buscar enquadrar pacientes em molduras ideológicas disfuncionais ao ser humano em si, mas buscar a teoria que permita observar o fenômeno emocional e melhor ajudar o paciente a equilibrar suas ansiedades. Para tal, sua formação básica deve estar consolidada na auto-confiança, senso crítico e discernimento interno.

Esse encontro, ou reforço, da própria identidade profissional também deve ser propiciado pela supervisão clínica. A inserção valorizada do estagiário em sua função, abrangendo o âmbito científico, se une a motivação para um crescimento pessoal e profissional pós-estágio. Porém
aqui a supervisão hospitalar esbarra em seu ponto nodal: a grande barreira entre regras organizacionais e a responsabilidade de cada psicólogo por seus atos perante um paciente, ou mesmo perante a instituição de saúde voltada a prestar serviços a seres humanos debilitados e submetidos a normas irracionais de atendimento e regras burocráticas que retardam procedimentos terapêuticos. É grande o número de profissionais que se dirigem a outras áreas de atuação posteriormente.

Persiste a grande questão ética, que envolve a formação do ser humano livre e autônomo, com um sistema de valores subjetivos e sociais a serem respeitados, em prol da conquista da própria felicidade individual: "Como preservar a integridade interna, condição humana natural a ser alcançada dentro da vivência grupal, se ocorre a tentativa implacável de bloquear o julgamento valorativo; discriminar atuações individuais em prol de ações padronizadas mais fáceis de controle; hierarquizar ações pessoais interesseiras em detrimento de atitudes selecionadas pelo bom senso e reforçadas por uma capacidade crítica; abafar potenciais criativos e inovadores que não encontram meio de expressão dentro do organograma hierárquico do sistema organizacional?" Como existir uma ética supervisiva nesse quadro institucional que premia posturas perversas de atuação, ou estimula atitudes psicóticas discrepantes com a busca da integridade mental das equipes, mas necessárias à sobrevivência do profissional no sistema e no confronto com a onipotência de muitas autoridades operacionais?

Minha esperança vem de observar que as transformações desse quadro se aceleram ante a invasão arrasadora da cultura digital, com sua interatividade e interconexão imediatista, sua transparência e rapidez na disseminação de novas informações; seu deslocamento do poder de cargos e salários para a sabedoria de incorporação de um conhecimento funcional, sempre passível de reciclagem e novas atualizações, visando o momento presente e aplicações inovadoras voltadas para as sociedades como um todo.

Relembro as idéias de Prestes Motta e Bresser Pereira em seu livro "Introdução à Organização Burocrática": Será que podemos pensar em "utopia" como "projetos revolucionários que apontam o caminho da história" e não mais como "projetos distantes e irrealizáveis" ?
Que tal lhe parece essa idéia? Vamos acreditar, sonhar e concretizar nossos sonhos?
Aurora Gite

sábado, 27 de junho de 2009

Um presente que transformou meu presente.

Desde pequena, com incentivo familiar que se uniu a uma personalidade introspectiva e ávida por "sabedoria", sempre considerei os livros meus grandes amigos. Com o tempo, me aproximei de Bacon confirmando sua afirmação: "Ler é conversar com os sábios". Por isso, considero como presente - " Os 10 Mandamentos do livro" - e , com satisfação, compartilho com vocês.


Os 10 Mandamentos do livro

1- Não me abras por simples curiosidade.

2- Não umedeças as pontas dos dedos para voltar as minhas páginas, não tussa nem espirres sobre elas, nem me pegues com as mãos sujas.

3- Não faças sinal nem anotações em minhas páginas, nem com pena, nem com lápis. Depreciarias o meu valor material.

4- Não me levantes por uma das folhas da capa e, quando me leres, não te apoies em mim com os cotovelos, nem com os braços. Isto me causará dano.

5- Nunca me deixes aberto, nem voltado para baixo, com as folhas de encontro à mesa ou à cadeira.

6- Não coloques entre as minhas folhas, um lápis ou outro objeto qualquer mais espesso que uma folha de papel. Prejudicaria a minha lombada.

7- Se, ao suspenderes a leitura, temes não recordar a página em que a deixaste, não dobre a folha na ponta, como faz muita gente. Usa, como marca, um cartão, um pedacinho de papel ou fitinha, que são sinais inofensivos.

8- Lembra-te de que não devo permanecer em teu poder mais tempo que o necessário, pois solicitam a minha companhia e os meus conselhos outros leitores.

9- Pense que de novo nos poderíamos encontrar e que te envergonharias ao ver-me envelhecido, manchado ou roto.

10- Procura conservar-me limpo e da melhor maneira possível. Em troca, eu te pagarei esses cuidados ajudando-te a ser feliz e proporcionando-te armas na luta pela vida!

Autor desconhecido.
(transcrito como foi enviado)
Agradeço a quem me encaminhou.
Aurora Gite

Recado a um amigo, também amante dos livros :

Não foi em vão sua "Considerações sobre a Música". A nova coleção "Grandes Compositores da Musica Clássica", me facultou completar o que buscava. Ao final do conteúdo sintético da vida e obra de cada autor, os livros-CD trazem um "Guia de Audição exclusivo", para o acompanhamento e aproveitamento ao máximo de cada faixa do CD, "identificando instrumentos e detalhes das músicas".

Esse blog foi escrito sob o som de Bach (5º volume). Aos poucos vou conseguindo melhor identificar a entrada e o instrumento, bem como visualizar seu lugar na orquestra.

Para quem se interessar em conhecer é acessar o site abaixo, que vai pode ouvir trechos das músicas dos 40 CDs da Abril coleção: http://www.grandescompositores.com.br/

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Revirando o baú de Andréa

Andrea em sua adolescência


Ao meu pai

Eu nem me lembro como éramos
você saiu de casa e eu era tão pequenininha,
tão frágil sem entender nada.

Sei que muitas vezes sou injusta contigo,
mas além de pai
eu queria um amigo.

Sei também que fui eu que não deixei isso acontecer
fiz eu e você sofrer,
mas eu te amo e quero o passado esquecer.

Porque perguntas de mim para os outros?
nós não nos falamos
apenas nos olhamos.
Fala comigo,
se não quer ser meu amor,
seja pelo menos meu amigo.




Por que estou tão só?
Por que tanta gente só?
Quantas pessoas por fora estão felizes
Mas por dentro estão tristes.
Quantas pessoas por fora são sinceras
E por dentro mentem até pra si próprias.
Quantas pessoas por fora são bonitas
E por dentro estão tão feias.
Quantas pessoas por fora são adultas
E por dentro são simples crianças.
Quantas pessoas por fora são especiais
E por dentro não passam de pessoas...
Essas pessoas não estão só,
Mas se elas mostrassem o que realmente são,
Estariam como eu

Apenas só...


Só de amor

Eu preciso crescer
aprender a dizer não
mesmo para as coisas que vem do coração,
como o amor e a paixão.

Mas até agora eu só sei dizer sim
para as coisas que são boas e ruins para mim,
algumas que só me fazem sofrer,
pois só de amor eu sei viver.


Esquecer e sofrer

Você vem no meu pensamento
e vai nas ondas do vento.
Só com teu sorriso já me contento
mas te esquecer eu tento.

Eu não quero mais sofrer
e, entre sofrer e esquecer,
o melhor é esquecer.

Pois eu sofro,
e só de pensar em sofrer,
mas não é de amor que quero morrer.

Biografias e mais biografias

Não conhecia a Editora Martin Claret e ao saber de sua missão tive vontade dela me aproximar : "Nossa missão é oferecer aos leitores brasileiros uma alternativa de leitura - altamente qualificada e de fácil acesso." Ao fazê-lo descobri a coleção "A obra-prima de cada autor" e me atraiu a sua descrição, humilde ao revelar um grande ideal: "Em formato de bolso, com periodicidade semanal, com alta qualidade gráfica, e a preços acessíveis, esta série de livros vem preencher uma lacuna editorial..." Continua o editor " Pelas nossas pesquisas de campo constatamos que, apesar de crises e turbulências econômicas, o brasileiro atualmente está lendo mais." Termina com o que computo como slogan: "Revolucione-se culturalmente: leia mais para ser mais." Aí me cativou por completo.

Eis-me, como faço habitualmente, consultando os balcões de grandes livrarias, no caso a "Cultura" e me deparo com um livro da Coleção acima citada, "composto e impresso na primavera de 2007" . Gosto de saber quando os livros foram escritos. Vejo na capa uma imagem conhecida e em sua testa impressa a fórmula "E=mc2". Traduzo para alguns: "A energia é igual à massa multiplicada pelo quadrado da velocidade da luz." E agora, já sabem a quem me refiro?

No Prefácio do Editor consta: "Este é um dos livros mais lidos do filósofo e educador Huberto Rohden...A abordagem do livro é filosófica e não apenas científica. Rodhen se preocupou mais em apresentar uma biografia de idéias e em analisar os processos criativos do grande gênio do século XX... principalmente mostrando o paralelismo que existe entre a "visão de mundo" einsteniana e a "Filosofia Univérsica", cujos fundamentos foram construídos quando Rohden estava em Princeton, com Einstein." Vale a pena investigar as outras obras desse autor.

"Einstein: o Enigma do Universo" (1975) me trouxe muito mais do que esperava. Lá me vi caminhando com Rodhen através de um bosque, em Princeton, em companhia de um "homem solitário e taciturno, cabeleira desgrenhada, barba por fazer, sapatos sem meias, todo envolto em um vasto manto cinzento, com olhar longínquo de esfinge em pleno deserto, mas cuja mente habitava nas mais remotas plagas do cosmo, ou no centro invisível dos átomos". Segundo Rohden, Einstein, exímio matemático, era um homem místico-cósmico e ético-humano, embora sendo considerado ateu por teológos dogmáticos. Era um homem religioso, sem professar nenhuma religião, sem se prender a nenhum dogma. Sua mente se harmonizou com a "suprema Realidade do Cosmo, com o invisível UNO que permeia todos os VERSOS visíveis do UNIVERSO."

Você se lembra de meu post intitulado "Quer receber um presente meu"? Seu conteúdo é baseado em vivência pessoal e no acompanhamento do trilhar de muitos pacientes. Compare com essas afirmações de Einstein : " O mundo dos fatos não conduz a nenhum caminho para o mundo dos valores, porque os valores vêm de outra região"... "O valor é uma captação cósmica, é a própria Realidade captada ou conscientizada pelo homem. Esta captação cósmica é uma intuição, inspiração, revelação. O homem não fabrica os valores, mas recebe-os por captação intuitiva - suposto, naturalmente que tenha os canais abertos para a invasão dos valores cósmicos"... Processo da verdadeira mística. "Tenho que subir laboriosamente do VERSO ao UNO, até que o UNO venha ao meu encontro. E depois dominar gloriosamente o Verso pelo poder do Uno."

Rohden aborda que "nos últimos decênios a ciência ultrapassou o campo da simples Física e entrou nas regiões da Metafísica". O ego-intelectual só conhece o primeiro ( base inferior da minha ampulheta), mas o eu-cósmico ( base superior da ampulheta) sabe também do segundo.

Einstein em muitos trechos se reporta a experiência do Deus Cósmico. "Não creio em um Deus que se preocupe com as nossas necessidades pessoais... Sinto a presença de um Poder Supremo, considerado a alma do Universo por Spinoza, deixado no anonimato por Buda, chamado de Pai por Jesus, denominado de Tao ou Realidade por Tao-Tsé, e por mim de Lei, de Natureza, Deus é Voz da Natureza." Para ele, é a consciência da paternidade única de Deus que produz a Ética da Fraternidade Universal dos homens, a consciência, o espírito de solidariedade universal. Assim a ciência trata apenas dos fatos ( finitos) e cabe a religião (re-ligar) tratar dos valores (infinitos). "A moralidade é fabricação humana- a Ética é uma invasão cósmica da mística... Somente uma plenitude mística transbordante em ética pode prometer melhores dias à humanidade."

Suas certezas não dependiam de provas, porque eram obtidas via intuição de um Universo que para ela consistia em "um sistema lógico de absoluta precisão". Afirma que a intensa concentração mental, a plenitude do silêncio mental, a diuturna focalização no Uno do Universo, isto é, na Causa ou Fonte, pode revelar todo o mundo do Verso, dos Efeitos ou Canais. Segundo ele, a Intuição Cósmica, o puro raciocínio, vai do Uno ao Verso. É priori-dedutivo e não posteriori-indutivo. É conhecida sua frase: " Eu penso 99 vezes, e nada descubro; deixo de pensar e mergulho no silêncio - e eis que a verdade me é revelada."

Segundo Rodhen, Einstein "recorria frequentemente à música - piano e violino -talvez para lançar uma ponte sobre o abismo entre a concentração mental e a intuição cósmica. Matemática, Metafísica e Mística são, no fundo, a mesma coisa e parece que estes 3 MMM necessitam do quarto M da Música, não da música moderna, dispersiva, mas de certas músicas profundamente concentrativas. Einstein preferia Bach, Mozart, Beethoven. São muito interessantes as considerações do autor sobre a deficiência auditiva e a capacidade de ouvir uma música internamente.

Voltando a Einstein eis o exemplo de alguns questionamentos que o intrigaram inicialmente:
"Como trabalha um poeta?"
"Como lhe vem a idéia de um poema?"
"Como é desenvolvida esta idéia?"
Depois passa a associar com os processos criativos, com os fenômenos que ocorrem dentro
de um cientista:
"A mesma coisa se dá com o cientista. O mecanismo do descobrimento não é lógico e intelectual. É uma Iluminação Súbita, quase um êxtase. Em seguida, é certo, a inteligência analisa e a experimentação confirma a Intuição... Além disso, há uma conexão com a Imaginação... É uma visão de dentro ( essência) e não uma invasão de fora (existência) . É entrada em uma dimensão diferente".

Para reflexão sob essas "novas/velhas" perspectivas, realço os trechos relacionados abaixo:

Max Planck (alemão) , Niels Bohr (dinamarquês) e outros da equipe atômica, equipararam a relatividade do Cosmo à do próprio átomo. Segundo Rodhen, para eles, o átomo não é uma partícula definida, mas é uma função indefinida do Cosmo; não é uma partícula material, mas é um processo funcional do Universo. O determinismo, de acordo com eles, é válido para a matéria, mas não para o não-material.

E mais: "Nenhum átomo, nenhuma célula tem ordem extrínseca de se portar assim ou assim; cada um deles é uma entidade autônoma, uma autarquia ou autocracia, cujo governo reside dentro dessa própria entidade."

"A ciência atômica avançou rumo à matemática, metafísica e mística; ultrapassou o Verso e se aproxima do Uno do Universo."

Rohden, Huberto. "Einstein, O Enigma do Universo". Coleção a Obra-Prima de Cada Autor.
São Paulo - SP . Editora Martin Claret, 2007 .

Vale a pena ser lido!
Aurora Gite

domingo, 31 de maio de 2009

Educação do Afeto no Terceiro Milênio

É amplamente reconhecido que a "educação" é o único fator de transformação, abrangente e consistente, dos indivíduos e de suas sociedades. Seu foco, porém acaba atendendo a interesses específicos e pessoais, se perdendo o prisma do afeto e da convivência coletiva voltada ao "bem".

Para se estabelecer "laços de afeto" na convivência diária intra e interpessoal é preciso se educar para o afeto. Que pedagogia é essa, que considera o "educar" como sendo o "encontrar respostas para o enigma de existir"? Que didática utiliza, que envolve o amadurecimento integral do "ser"?

Técnicas de sensibilização são conhecidas e muito usadas em dinâmicas, que envolvem integração grupal e comprometimento colaborativo dos participantes. Educações alimentares são amplamente divulgadas para melhor preservação do organismo físico e psíquico. Muitos programas e projetos, no entanto, se embasam em intenções especulativas e maniqueístas.

No livro "Laços de Afeto", a autora lança a proposta de uma "Pedagogia do Ser", envolvendo o desafio do "existir humano". Propicia um vislumbre mais esperançoso do combate à violência e à indiferença social, à corrupção e negação do outro, que se alastram cada vez mais; bem como às convivências patológicas consigo mesmo e com os demais seres humanos, desintegradoras do bem social e harmonia do coletivo.

Considerando o afeto como "a força da alma, a fonte de nutrição espiritual, necessário à instalação do clima amoroso na convivência voltada ao bem coletivo", para uma educação do afeto, sob essa perspectiva, são resgatados os passos de uma reforma interior e lançados, ainda, os alicerces de uma aprendizagem voltada ao "pensar com o sentir intuitivo", sempre enfatizando a busca de sintonia com o bem, a abertura para a fé interna, advinda do coração, e para o encontro com o "potencial divino", inato em cada ser humano.

Sendo assim me parece que o capítulo intitulado "Educação do Afeto" traz o núcleo central do fortalecimento de Centros Espíritas, implicados realmente com as aplicações práticas dos conteúdos da teoria doutrinária da ciência espírita; com o comprometimento mais autêntico das equipes espiritualizadas; com o crescimento espiritual que envolve a evolução e a construção do "Ser"; com a dignificação da honestidade moral, da sensibilidade e do afeto como caminho para o "Ser Feliz" - expansão da alma se contextualizando na realidade.

Será que não está na hora da sociedade atual abandonar preconceitos, ultrapassar abordagens retrógradas, e analisar os fenômenos da realidade sob o foco dos novos conhecimentos quânticos e tecnológicos e buscar aproximação com ciências mais espiritualistas?

Será que ainda não existe condição para o homem abandonar o orgulho e pretensão, se desnudar e se proteger sob a vestimenta da humildade, necessária para a aquisição da compreensão do que realmente ocorre em nosso universo espiritual?

As existências de universos paralelos já estão sendo comprovadas. E aí? Vão ficar parados no tempo e fixados em paradigmas já ultrapassados? Eu não!

Para quem quiser me acompanhar, indico dois livros a serem vistos sob a perspectiva das novas descobertas, embora estivessem a nossa disposição há tanto tempo.

"Evolução em Dois Mundos", de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, ditado pelo espírito André Luiz. Departamento Editorial da Federação Espírita Brasileira. Rio - RJ, 1989. (Copyright 1958).

"Laços de Afeto", Ermance de La Jonchére Dufaux: (psicografia de) Wanderley Soares de Oliveira - Belo Horizonte: SED, 2002.

É se recordar, depois de lê-los, que sempre há tempo para "novos começos"... e o terceiro milênio aí está!

Aurora Gite

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Um mero rascunho e depois um "post".

"Vai reformar sua casa? Quer algumas dicas?"
Esse era o título inicial desse post. Ao terminar de ler, vai entender o porquê de sua alteração.

Os parágrafos que se seguem fazem parte das idéias iniciais que me vieram. É estranho como, ao escrever, sempre me vem a lembrança a cena de abertura de um filme chamado "Júlia": o esboço da pintura de um quadro, numa tela já calcada por traços, demonstrativos de desenhos anteriores terem sido ali previamente esboçados.

Eis as imagens que retive, bem como as associações que as tornaram significativas para mim: "Num lago, ao entardecer de um dia - ou de uma vida - uma mulher, após tantos e tantos anos passados, se põe a recordar o que lhe ocorreu. Se põe a pensar como, de repente, mediante as circunstâncias impactantes de suas vivências, o entrecruzamento de novas experiências, a rede das emoções advindas das interrelações que mesclaram sua vida, tenta apagar esse esboço inicial sem consegui-lo totalmente. E, surpresa e resignada, vai observando que um novo desenho vai surgindo sobre a sombra do anterior já calcado sobre aquela tela. Nova pintura vai se delineando na mesma tela... da mesma vida... da mesma artista... sem ela mesma saber qual será a definitiva. A única certeza é que nela está o poder de alterar seus traçados e suas metas."

Rascunhos de ideais, esboços de sonhos... como irão se concretizar ante uma realidade tão marcada pelas recordações impressas na memória?
Foi aí que mudei a intenção inicial deste post.
Mudei de rumo e resolvi devolver a você o rascunho que delineava, pois estava interferindo em algo que não me pertence. Esse quadro - é seu território - só depende de você. É do resgate de suas habilidades internas, que vai depender a arquitetura da reforma de sua vida atual.

Quer ver como começou o rascunho que acabou virando esse post?
Pois bem, eis o seu começo, coloquei entre aspas intencionalmente:

"Vai reformar sua casa? Quer algumas dicas? Ao abordar esse tema, penso na reforma de sua casa mental e, de maneira geral, pontuo algumas dificuldades iniciais.
Como realizar uma transformação pessoal botando abaixo atitudes disfuncionais, ou paredes rachadas e portas carunchadas? Com um leve tranco seus limites poderão ser invadidos.
Como abandonar a ilusão das aparências superficiais, ou a fragilidade dos móveis atingidos por cupins? A vulnerabilidade é tamanha que sua segurança pode ter sido afetada.
Como substituir posturas arrogantes, que, como espelhos embaçados, não mais refletem uma verdadeira imagem, mas distorções? Se não mais refletir sua autoconfiança, pode ter havido o comprometimento de sua auto-estima.


Quer saber, acho que posso ajudá-lo assim mesmo.
Primeiro me diga seu objetivo e daí passamos a falar sobre seu projeto e esboçar o desenho da nova construção.

Percebe como só a lembrança dele o faz se sentir mais forte interiormente? Bem, vamos lá! Você se reporta a um antigo ideal de "ser feliz" e me traz como capital a sua "valorização pessoal". Traz a dificuldade de conseguir se conceder um crédito pessoal, para começar seu empreendimento. Acredito já ter dados que me possibilitem fazer um esboço dos degraus que precisa subir em sua ascensão interna, e listar o material que vai precisar adquirir.

Para o primeiro pilar precisa do material mais difícil de ser alcançado, conhecido pelo nome de "humildade". Está em falta no mercado, além de esbarrar em uma grande resistência provocada pelo "orgulho". E é essa postura arrogante que pode dificultar qualquer vedação eficiente, impedindo que haja o confronto com suas limitações e vulnerabilidades. Sendo assim, a estabilidade de sua construção ficará abalada com o tempo.

Para o segundo vai necessitar de material de forte liga, e muitas vigas, para manter firme sua "vontade". Isso pode ser conseguido com trabalho braçal , disciplina, esforço contínuo e muita paciência. Forças de uma auto-motivação proveniente de um "querer muito realmente", necessitam também de injeções de ânimo, advindas das recordações dos sonhos e lembranças das esperanças de um vir-a-ser."

Nesse ponto cliquei o "Salvar como Rascunho" e adiei a publicação da postagem.

Hoje solto para que seja postado, sob novo foco.
Nesse movimento eu tirei a minha lição.
Será que você tirou a sua?

Espero que consiga seguir por você, buscando concretizar suas reformas de vida conforme seus ideais, sabendo adequar os pilares dessa nova construção a seu perfil pessoal atual?

Aurora Gite
( postado em 10 de junho, às 20.00 horas)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Um contraponto quântico

Ontem tive a oportunidade de assistir a outro documentário sobre "Universos Paralelos" e levei um susto quando, ao final, alguns físicos teceram esses comentários:

"Ao final desta longa busca, a ciência descobriu que o Universo, que buscava explicar, talvez não seja tão especial. Não é nada mais do que um infinito número de membranas, apenas um de muitos universos, que compõem o multi-universo."

"A Física está preparada para o último vôo da imaginação: criar seu próprio universo sem qualquer mistério ou qualquer dúvida...criar um universo em seu laboratório... Na verdade é muito seguro criar um universo em seu porão...um universo exclusivo e isolado, crescendo a proporções cósmicas sem desalojar qualquer território que nós atualmente temos direito."


A essas afirmações contraponho algumas citações de Danah Zohar, cientista - física e filósofa - retiradas de seu livro "O Ser Quântico", Editora BestSeller, 2008, embora "copyright" datado de 1990 ( já comentei dele em posts anteriores) :

" A cosmovisão quântica transcende a dicotomia entre mente e corpo, entre interior e exterior, revelando-nos que as unidades básicas constitutivas da mente (bósons-campos de energia- unidades constituintes da consciência - fótons, grávitons) e as unidades básicas contitutivas da matéria (férmions - por exemplo elétrons e prótons) brotam de um substrato quântico comum, o vácuo ( - agora visto com uma "sopa" borbulhante de partículas virtuais - antipartículas, o vácuo quântico não é vazio, contém em si todas as potencialidades, mas só pode realizar tais potencialidades através das flutuações em seu interior, excitações que conduzem ao nascimento de partículas e seus relacionamentos. Em nós, tais excitações dão origem aos pensamentos), e ( essas unidades) estão empenhadas num diálogo mutuamente criativo, cujas raízes remontam ao próprio cerne da criação da realidade. Em outros termos, a mente é relacionamento e a matéria é aquilo que é relacionado. Nenhuma delas, sozinha, poderia evoluir ou expressar algo. Juntas, elas nos darão os seres humanos e o mundo." ( Um observador por si só não interfere em nada, mas um observador consciente sim, e isto nos remete à importância do papel da consciência)

"O diálogo criativo entre "mente" e "matéria" é a base física de toda a criatividade do Universo e é também a base física da criatividade humana. O ser quântico não experimenta dicotomia entre exterior e interior porque os dois, o mundo interior da mente (de idéias, valores, noções de bondade, verdade e beleza etc) e o mundo exterior da matéria (dos fatos) dão origem um ao outro.

A visão de mundo quântica transcende a dicotomia entre indivíduo e relacionamento revelando-nos que os indivíduos "são o que são" sempre dentro de um contexto. Eu sou meus relacionamentos - meus relacionamentos com os subseres dentro de meu próprio ser, meu passado e meu futuro, meus relacionamentos com os outros e meus relacionamentos com o mundo em geral.

Eu sou eu, singularmente eu, porque sou um padrão totalmente único de relacionamento e, no entanto, não posso separar este eu que sou daqueles relacionamentos. Para o ser quântico, nem individualidade nem relacionamento são primários, pois ambos brotam simultaneamente e com igual "peso" do substrato quântico. No caso de pessoas enquanto indivíduos e seus relacionamentos, esse substrato é um condensado de Bose-Einstein no cérebro; no caso de partículas individuais e seus relacionamentos, esse substrato é um condensado de Bose-Einstein no vácuo quântico."

"Analogamente, a cosmovisão quântica transcende a dicotomia entre a cultura humana e a natureza e, na realidade, impõe a lei natural à cultura.

A física da consciência que dá origem ao mundo da cultura - arte, idéias, valores, éticas e mesmo religiões - é a mesma física que nos dá o mundo natural. Em ambos os casos é uma física impelida pela necessidade de manter e aumentar a coerência ordenada numa franca reação ao ambiente. O ser quântico, pela própria mecânica de sua consciência é um ser natural - um ser livre e reativo - e seu mundo, em última análise, refletirá o mundo da natureza. Quando isso não ocorrer, esse mundo fracassará."

Aí me ponho a pensar:

O homem não está separado do Universo.

Sua evolução depende da integração de todos os conhecimentos que lhe estão chegando aceleradamente, e da conquista de uma coerência sintônica entre seu agir, pensar, sentir e intuir, para alcançar outros estados de consciência.

A saída de sua alienação está ligada a sua reintegração no Universo como ser pessoal, ser social e ser espiritual, estabelecendo a ligação cósmica entre "elétrons e prótons" e "fótons, grávitons"

E já existem grupos buscando equações para "aprisionar o universo em seus porões"...

Que bom que a expansão de nossa consciência quântica, nos possibilita melhor discernimento e seleção do que é funcional para a coerência harmônica da nova humanidade que está sendo formada.

Eis porque afirmei em post anterior que, neste milênio, a Psicologia, entendida como ciência que estuda a relação do homem consigo mesmo, e com o mundo que o cerca, teria um lugar de destaque.

Aurora Gite