domingo, 13 de setembro de 2009
Chegou 13 de setembro, com direito a parabéns!
Data que não dá para esquecer.
Minha mãe foi do dia 12. Uma de minhas filhas é do dia 14.
E ainda tem o dia 10 de setembro!
Fizemos parte da torcida pelo saudável nascimento de um neto.
Aproveito para felicitar um avô por seu primeiro ano nessa função.
Agora, pense no som vibrante e envolvente de Mozart.
Serenade nº 13 in G Major, K.525; 1st mvt: Allegro
(Slovak Philharmonic Orchestral/Libor Pesek, Conductor)
E receba, sob essa vibração, meu abraço afetuoso
Nesse "seu" dia no ano de 2009.
Aurora Gite
sábado, 12 de setembro de 2009
Solidão, vontade e liberdade
No entanto, esse é o destino psíquico de todos nós, para iniciarmos a escalada de subida visando o fortalecimento de nosso mundo interior. A vivência com essa fragilidade e mesmo vulnerabilidade é que nos mobiliza para o resgate de nossa potência como ser humano.
A percepção que não somos tão limitados e impotentes, por si só, já nos revigora e transmite sensação impactante de alegria e regozijo indescritível, antes não sentidos. Representa a passagem, já abordada por mim, do "eu existo" para o "eu sou", que tende a alcançar o "quero ser e tornar-me eu". É o movimento que Platão bem representou em seu "Mito da Caverna", sendo esta o símbolo de nossa própria existência em nosso mundo interior, como coloca Hannah Arendt (Entre o Passado e o Futuro, 2007).
Gosto de, saindo dos lugares teóricos comuns de muitos psicoterapeutas, analisar meus pacientes sob o prisma do tipo de governo interno que adotam na interação entre os dois mundos (subjetivo e objetivo) , da qualidade de regência de seus recursos psíquicos e do controle sobre a administração das estratégias que utilizam. Quantos não ficariam surpresos ao perceberem a forma tirana e o governo totalitário que adotam no domínio e fiscalização das próprias forças psíquicas. Muitos se revelam verdadeiros déspotas ante o rigor das exigências e autocobranças.
Já localizei em posts anteriores o papel que desempenha Hannah Arendt e minha admiração por suas articulações. É uma pena que não tenha fugido de, como bem provam os dados históricos referentes a muitos pensadores, ter um maior reconhecimento de sua obra e melhor compreensão de suas idéias, após sua morte. Comprovo muitas de suas hipóteses sobre o ser humano por meio dos dados através de observações advindas da área clínica. Expresso um pouco isso no texto abaixo.
Vou focar nesse post três fenômenos humanos constantes e universais, nomeados como: solidão, vontade e liberdade. Três conceitos difíceis de serem analisados racionalmente, pois englobam outras dimensões do ser humano. E, se concebermos o mundo psíquico dentro de uma totalidade sistêmica semelhante ao corpo humano, inclusive com duas vias circulatórias de energia psíquica, podemos observar suas atuações em ambas. Vamos encontrá-las no mundo dos valores (forças) morais, e no mundo das virtudes (princípios inspiradores voltados ao Bem), expressos pelas ações deles decorrentes.
Acredito ser importante pontuar que a virtude não é racionalizada, não pode ser ensinada ou aprendida, seu entendimento decorre de uma compreensão superior, mas tão vital ao organismo psíquico no que diz respeito à integração das dimensões humanas psíquicas mentais com as espirituais. Sob esse termo, me refiro a dimensões mais elevadas, características do ser humano mais amadurecido psíquicamente, mais sereno e livre em suas ações voltadas a momentos de autoaconchego e plenitude interior.
Ao se reportar ao fenômeno da solidão, Arendt considera o "homem solitário não mais um, e sim dois em um", pois, no momento em ocorre a "interrupção entre mim e meu próximo, tem início o relacionamento entre mim e mim mesmo".
Complicado?
Vamos verificar o que torna essa assertiva mais difícil de ser entendida?
Eis alguns obstáculos:
-A maioria das pessoas não aprendeu a pensar, refletir e analisar a aplicabilidade prática do que lê. Buscam enquadrar o outro para validar teorias, lidas superficialmente sem grandes introspecções, sobre seus significados.
-Para muitos, é mais comodo não se individualizar. O se tornar indivíduo demanda empenho, esforço e responsabilidade pelo bem-estar do ser único que se tornou.
-Para alguns, ainda, falta o hábito de entrar em contato com esse lado psíquico, se permitindo acompanhar a dinâmica de forças atuantes, ou o movimento das idéias que se entrelaçam nesse diálogo interno. Para isto é preciso coragem, determinação e perseverança. São viagens em mundos desconhecidos dentro de nós, a meu ver, de grande fascínio, mesmo as sofridas que nos espelham o que não gostaríamos de ter, mas que podemos, a partir daí, optar por não mais ter.
-Não é fácil o confronto com um "quero e não-quero", "quero e não-posso", "sei-mas-não-quero", como bem coloca Arendt. Existe sempre o subterfúgio do "não sei", "acho que", "tento e não consigo", que a tudo mascara, com as pessoas esquecendo que o "autocontrole corresponde à virtude política onde "quero" e "posso" se afinam", e a "coragem é uma das virtudes políticas cardeais, representando o bem supremo para se tornar um indivíduo".
Sempre me questionei muito sobre essa energia psíquica e sua forma de distribuição dentro do ser humano, que, como ocorre dentro de um caleidoscópio, basta ligeira movimentação para que séries de desenhos de funcionamentos psíquicos se delineassem, demandando leituras específicas para seu entendimento.
Para uma melhor compreensão desses fenômenos muito contribuíram tanto a Física Quântica, quanto as propostas de Arendt, sobre a "pluralidade de perspectivas inerentes ao ser humano em sua unicidade" e "articulações que levam as experiências a uma esfera do esplendor que não é a do pensamento conceitual", a observação da imprevisibilidade do efeito da ação humana independente da motivação interna e do princípio causal que rege o mundo exterior.
Parte de um quebra-cabeça era montado dentro de mim, e novas inquietudes surgiam, impulsionando novas indagações e novas buscas investigativas. Sendo o homem soberano para atuar em seu mundo interno, até onde iria essa liberdade? Como atuaria o fenômeno da liberdade tão sonhada e almejada? Vontades genuínas e vontades criadas, como discriminá-las mais prontamente? Como unir, com mais exatidão, a faculdade intuitiva com as capacidades de sentir e pensar, obtendo ações mais coerentes e consistentes, visando melhor qualidade de vida para o ser humano, assim mais autorealizado e autovalorizado? Como possibilitar sua maior integração ao social, ou ao público, preservando sua individualidade?
Hannah Arendt, no livro citado acima, lança a hipótese sobre a possibilidade da liberdade começar onde a política (coisa pública ) termina". Para ela a liberdade, na área da política, é oposta à liberdade no espaço íntimo do sentir-se livre, pois esse espaço pertence ao ser apolítico.. "O homem é livre e aplica a ciência do viver, desde que saiba distinguir entre o mundo estranho, sobre o qual não possui poder, e o eu, do qual ele pode dispor como achar melhor... ser escravo no mundo e ainda assim ser livre."
O fenômeno da liberdade não surge na esfera do pensamento ( das idéias) nem é vivenciado no diálogo consigo mesmo. Resgata as citações de Epicteto: " É na morada interior que o conflito consigo mesmo irrompe e a vontade é vencida, que o homem é senhor absoluto... Livre é aquele que vive (em seu mundo psíquico) como quer... livre dos próprios desejos."
Paradoxal? Nem tanto.
Complexo para se entender? Muito.
Vamos , então, tentar compreender seguindo as associações estabelecidas por ela, e buscando confirmação, observando os movimentos psíquicos que ocorrem dentro de cada um de nós?
Não é fácil para a maioria das pessoas, perceber essa dinâmica interna.
Prefere substituir por movimento, energia, atividade ? Tudo bem.
Lembra do caleidoscópio? Então tente verificar os desenhos, ou imagens mentais, que suas idéias formam ao se associarem.
Muitos, inclusive, não estão nem afim de se aproximar de conceitos abstratos, se prendendo a uma realidade concreta com sua utilidade prática imediata e visível. É tudo questão de perspectiva, de tempo e de escolha.
O encontro com nossa interioridade está marcado, bem como o confronto com o sentido da vida. Em algum momento de sua existência, as pessoas não vão só se questionar sobre os "porquês", mas buscar responder à pergunta: "Para que tudo isso?"
Como essa ação depende de forte vontade interna, eis o fenômeno introduzido neste texto.
Volto a Arendt: "A ação sendo livre, não se encontra nem sob a direção do intelecto, nem debaixo dos ditames da vontade ... Existem motivos e objetivos, mas a ação é livre ao ser capaz de transcendê-los."
E aí, o que é o fenômeno da vontade? O que é a vontade para você?
É uma faculdade humana, onde existe o livre arbítrio, "existe uma liberdade de escolha que arbitra e decide"? É um sentimento que incita alguém a atingir o fim proposto por esta faculdade?
"Para Nietzsche era o impulso fundamental inerente a todos os seres vivos, que se manifesta na aspiração sempre crescente de maior poder de dominação." Para Schopenhauer é o princípio norteador da vida humana. Para ele, "a vontade corresponde à Coisa-em si, ela é o substrato último de toda realidade."
Arendt chama a atenção para outra perspectiva de escolha voluntária, quando impera uma necessidade, estando em jogo a própria vida. Toda vontade, segundo ela, implica em uma vontade de poder que, como nesse caso, se transforma em vontade de opressão, que nos coloca sob o jugo de outrem, de um governo maior que somos obrigados a acatar e nos adequar para sobreviver.
Nosso foco não recai sobre a vontade direcionada por essa exigência, mas sobre a liberdade da vontade, e nesse momento nosso objetivo é uni-la a uma Ética Superior, mais além do bem e do mal, e bem mais além da moral , com seus costumes temporários e suas regras para uma boa convivência. Citando Schopenhauer, a compreensão da Vontade faz aparecer todos os entes desde seu caráter único, o que leva, necessariamente a um sentimento de fraternidade e a uma prática de caridade e compaixão. E assim se expressa ainda: " A máscara do pensamento dissimula a vontade... A suprema felicidade somente pode ser conseguida pela anulação da vontade (querer mundano)". Como diferenciar o que é criado por nosso pensamento do que é a expressão de nossa alma, de nosso ser autêntico e verdadeiro, que habita bem lá dentro de nós?
Refletindo sobre nossas vivências, podemos verificar que "A ação da vontade, sobre nós, tem um prazo de validade, e seu vigor se exaure". No entanto, existe uma área em nosso mundo interno, onde a ação brota de um "princípio inspirador", expresso no ato realizador, que não perde seu vigor nem sua validade, que não se prende a nenhuma pessoa ou grupo em especial. Onde "ser livre" e "agir" são uma mesma coisa. O querer, o tesão sentido, o grau de satisfação alcançado, pertencem a outra dimensão humana. A sensação de leveza e de alegria são de outras grandezas, não nomeadas, e indescritíveis.
Que espaço é esse?
Esse é o nosso espaço interior destinado às virtudes. Você pode ler a palavra e analisar sob o aspecto formal ( letras, sílabas, sons, etc), com também pode verificar seu significado em um dicionário (força moral, valor; disposição firme e constante voltada para o bem), mas pode ir pelo caminho da obtenção de conhecimento por uma autoinvestigação. É estar aberto ao novo. É estar flexível a prováveis mudanças de convicções. É soltar o peso dos preconceitos acumulados, das crenças e conceitos disfuncionais ao seu bem-estar. É se libertar. É sentir-se livre. Como?
Eis uma dica: Já percebeu a leveza que vem ao pensar na frase sem julgamentos prévios: "Fazer o melhor que puder e ser o melhor"? Sinta o conteúdo da mensagem! Verifique se não percebe que "a perfeição está no próprio desempenho e se torna independente da ação", e que "a presença da liberdade é vivenciada em completa solidão". Reconheça dentro de você o espaço onde o homem aproxima sua vontade do conhecimento ético intuitivo , onde ele "sabe" o que é certo e se impede com prazer de fazer o contrário, onde ocorre uma alegre e serena renúncia interna por amor... por amor a si mesmo, como ser humano valorizado e vitorioso na conquista de sua dignidade pessoal.
Lembra de dois posts : "Otimizando recursos em tempo de crises" (outubro/2008) e "Você quer receber um presente meu?" (novembro/2008) ? Fica meu convite para revisitá-los.
Aurora Gite
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Agora sim uma verdadeira "nona"
Após ter sua escadinha de quatro filhas, com intervalo de menos de 2 anos entre elas, na hora da chegada dos netos, a proximidade sequencial não poderia ser muito diferente.
Seu primeiro neto foi do sexo masculino e isso há 18 anos. Luis Felipe já no colegial participava das publicações na revista da escola, abrindo seu espaço como cidadão. Aos 17 anos alegrava a família com sua entrada no mundo dos "economistas" , passando no vestibular de uma renomada universidade.
Depois duas meninas Polyana e Gabriella que, com seus 15 anos, diferem em meses uma da outra.
O terceiro seria gêmeo. Imperou, lutou e ganhou a parada rumo à vida. E aí está ele... Gustavo. Sua missão é especial. E já dribla como poucos meninos!
Quantos são até agora?
Mais uma menina chega para o encanto de todos, Giovanna.
E não é que depois de poucos anos, mais uma menina, Isabella, veio se agregar ao grupo dos netos. Sempre fez juz ao nome!
Agora, espaço maior, e lá chega Rodrigo e logo após Rafael. O empate estava consumado. Quatro netos do sexo masculino e quatro do sexo feminino.
Missão cumprida como avó?
Não!!!!!!!!!!!
Eis que ainda esse ano, chega um temporão, Luis Cláudio, caracterizando seu papel de "nona".
Será que o quadro familiar já pode ser pendurado na parede?
Ou será que ainda vai emplacar ser a "nota 10"?
É a pergunta que se permite deixar "no ar", ou entregar a Camila, relembrando com emoção, os três dias, em que fez parte do retrato familiar.
E quando lhe perguntam seu signo, se orgulha de dizer:
" Sou uma aquariana com ascendente em câncer, que se inebria com a sensação de liberdade cósmica e fraternidade universal, e sente um prazer enorme de abraçar a família mundo e aconchegar maternalmente sua própria família."
Ops! E acrescenta: " Sem superproteção e quando se tem condições de aproximação convivendo respeitosamente com as diferenças. Eu preciso ter sempre em mente que sou apenas "o arco que impulsiona as flechas". Para onde vão, e como vão, foge de meu alcance... até de vislumbrar esse horizonte".
Todo esse preâmbulo é incentivador, para divulgar o filhote do blog "comentandocomentado".
Nasceu recentemente o "crescercomentando". Já fui visitar. É um "bebê" lindo! Uma curtição!
Acredito que as crianças lá encontrem espaço para serem "reconhecidas" e "escutadas" como pessoas. Vão conferir! E não esqueçam de escrever seus nomes na lista de presença, ou até de deixar mensagens em seu álbum de comentários.
Esse "bloguinho" nasceu forte e tem tudo para dar certo na vida. Já me tornei fã!
Aurora Gite
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Viva Memória de Roda Viva
Vocês pensam que é o passado que influencia o nosso presente?
Ledo engano!
O que foi, foi. Não tem retorno, por mais que tentemos reavivá-lo. Por mais que queiramos mantê-lo vivo em nossa imaginação, já faz parte de um mundo ilusório.
Nosso presente é determinado pelo futuro. Sabia disso?
Estranho?
Pois é o que pretendemos fazer, "de" e "com" as nossas vidas, nossos planos e projetos futuros, que vão nos dar a qualidade da vivência em nosso mundo real.
Vou ilustrar o que afirmo acima trazendo duas estrelas em seu profissionalismo, que podem iluminar o caminho de quem quiser refletir com o transmitido em suas palestras, e que podem servir de referências por suas opções de vida... por coincidência, dois Robertos.
O primeiro é Professor de Ética e Filosofia da Unicamp, Roberto Romano, que em entrevista dada ao vivo, no programa Roda Viva (04/06/2007), assim colocava sua posição no mundo:
"Eu acho que, do ponto de vista pessoal, a minha posição é defender a vida política, a dignidade da vida política acima de tudo, contra esse tipo de ação absolutamente corrosiva dos nossos corruptos que tem seus foros privilegiados... Eu acho que o outro ponto essencial é a liberdade, é a luta pela liberdade do indivíduo e dos grupos... Eu acho que um elemento fundamental no Brasil é você lutar pela liberdade de imprensa. Eu acho que a cada vez que a imprensa traz a consciência pública sobre esses escândalos que existem sincronicamente, me parece que é uma oportunidade de o povo brasileiro deixar de ser menor de idade. Eu acho que isso é um ponto importante."
A íntegra dessa entrevista pode ser lida no site:
www.rodaviva.fapesp.br/materia/114/entrevistados/roberto_romano_2007.htm
Realço alguns tópicos para reflexão, pedindo atenção para a data da entrevista, pois a temática é atual. Expõe seus pontos de vista fazendo uma retrospectiva e análise histórica da formação estrutural do Estado Brasileiro:
* O ponto mais difícil, quando se trata da questão de ética é que "os costumes, justamente porque se transformaram em algo automático e quase natural, são os mais difíceis de serem modificados... Então você tem uma sociedade onde impera o favor, onde impera o compadrio, onde impera a violência face a face, essa sociedade não é tão facilmente modificada... esta ética da política, muitas vezes hedionda, vem em cima dessa base."
* Ao se referir ao combate à corrupção: " Veja, a Constituição de 88 deu um instrumento muito bom para a sociedade que é justamente a autonomia do Ministério Público...Desde então o MP tem cumprido com sua função de uma maneira admirável com algumas exceções gravíssimas... "
* "Mas o problema está na estrutura inteira do Estado brasileiro, que dá ao executivo prerrogativas quase que ainda mantendo as prerrogativas do poder moderador. Então é como se você tivesse um imperador que a cada período é eleito, quase sempre censitariamente, ele é consagrado por milhões de votos..."
* O chefe do Estado representaria um poder neutro, que teria por função "evitar os choques e as diferenças dos três poderes... Aqui, em 1824, ele foi colocado como um poder superior, e continua até hoje essa idéia de que o chefe do Estado tem essa supremacia na estrutura inteira do Estado. Isso é fonte de todas as crises, que no meu ver, se dão no Estado brasileiro".
* Mas quem é o responsável? Quem responde por...? Pontua o perigo da perda de capacidade de representação no Estado. O Governo não é o Estado, mas é visível esta confusão.
*A impunidade, ou melhor "a questão da punibilidade está ligada, no meu entender, ao outro lado, que é (a questão) da responsabilidade. Se nós analisarmos o surgimento do Estado moderno, Estado democrático moderno no século XVII... a idéia era de "accountability", de prestação de contas. Se o rei , ou a pessoa que mantém o cargo público não responde na hora ao povo soberano, perde, não tem manutenção do cargo." A impunidade também está ligada segundo ele a uma questão técnica de direito e a necessidade de reformas, considerando a prevalência do poder executivo como um perigo ao Estado brasileiro... mas os problemas vão além.
*Como fazer para exercer o direito como cidadão? "Eu acho que o problema é de ordem técnica, é de ordem jurídica e é de ordem cultural."
*Responde a questão sobre quem vai dar um jeito no Brasil, realçando o erro do "apoliticismo" e o poder dos eleitores, o "poder das urnas". Aponta a necessidade de uma reforma política com a valorização dos partidos e apresentação de programas e propostas para o país..." não tenho respeito por partido que vende voto e que se vende... Poucos têm uma idéia de sociedade, uma idéia de Estado, um projeto para modificar e melhorar o Estado... mas quando chegam ao poder, o programa onde està?... Se o partido tem um programa, se ele tem compromissos, ele tem que responder por essa corrupção, ele tem que responder por tudo isso. E nós temos na Constituição, os elementos que nos conferem esse direito. Isso, me desculpem, isso aí é letra morta. Se os partidos não se responsabilizam, evidentemente, você não vai ter mudança nenhuma."
*A moralização depende da população... O Brasil adoece de realismo político..."
Mais detalhes? É chegar ao site que contém a "memória viva" do programa Roda Viva.
Vale a pena!
E eu pergunto a vocês: " E aí? O que fazemos após ler essas considerações? Vamos catalogá-las como "letra morta", ou vão nos servir para alguma coisa? "
Para Que?
Só "en passant" lembro Arendt e sua diferenciação entre a coisa privada e a pública. A política faz parte da segunda. Envolve a rede de convivência e o bem coletivo. Sendo assim trago o exemplo de Roberto Shinyashiki.
Shinyashiki é médico psiquiatra e doutor em Administração de Empresas, se destacando como consultor empresarial, escritor e conferencista. Participa ativamente de projetos sociais que envolvem a solidariedade mundial. É citado como referência para palestras sobre carreira e sucesso, liderança e equipe, autoconstrução como ser humano feliz e autorealizado. Também busca transformar a realidade e abrir seu espaço na sociedade por seu próprio mérito e esforço.
Seu site: http://shinyashiki.uol.com.br/index.php/artigos
Transcrevo um trecho de seu artigo "O líder desperta o desejo de influência", que acredito conter novas perspectivas sobre esse tema liderança, podendo melhor direcionar programas de desenvolvimento e treinamento dentro de modelos participativos de gestão, que vão envolver a preservação da dignidade e a realização pessoal, o convívio político e diplomático no jogo das negociações, e a integração harmônica das equipes para melhor conviver respeitosamente com as diferenças individuais.
"A energia moral vem da capacidade em despertar respeito e admiração da equipe."
Isso altera a idéia clássica de liderança e do líder ser necessariamente extrovertido e comunicativo ...
Shinyashiki cita três habilidades hoje indispensáveis ao líder, por se constituírem em fatores que originam o "desejo do outro ser influenciado" :
-conhecimento ( as pessoas querem ouvir e seguir quem tem conhecimento),
-experiência ( há sempre a ânsia do novo, mas hoje é importante se cercar de gente que já fez o que você vai fazer),
- resultados ( pessoas que obtêm resultados são sempre uma excelente referência, têm o que dizer, e seus colaboradores desejam ouvi-las, porque querem trilhar um caminho de resultados).
Mais sobre ele?
É visitar o seu site.
Recomendo seu texto "A Grande Obra Prima" (publicado em 16/04/2007), pois talvez lhe ajude a responder o "Para que?".
E se quiser lê-lo, com fundo musical, é digitar:
http://www.comentandocomentado.blogspot.com/
e pesquisar os posts de 03/09/09.
Estou me habituando a dar uma passagem diária por esse blog. Nossa, como trabalham! Mas é visível a autosatisfação da equipe. E isso é incentivador.
Daí vem a pergunta: "E nós, estamos nos autorealizando com o que fazemos, como ser humano?"
Aurora Gite
Postado em 04/09/09, às 20:40 h)
sábado, 29 de agosto de 2009
Lembrar o que não pode ser esquecido
Frase publicada in "comentandocomentado.blogspot.com" (29/agosto/2009).
Vale a pena ver, também nesse blog, a imagem onde é esboçada uma "mulher" com seu corpo dobrado. Pode-se observar não só a figura agachada, mas sua cabeça inclinada para baixo, uma das mãos sobre os "olhos" e a outra segurando uma tira que parece ser uma "venda" ( dic. : "faixa usada para cobrir os olhos"). No chão, ao léu ( dic. : "à toa" ), a representação de uma "balança", e de uma "espada" que, ainda está de pé, embora inclinada.
A meu ver, esse blog prima pela "transparente pertinência temática" na seleção de suas imagens. Confira essa assertiva!
Hoje, não posso deixar de citar Augusto Nunes e sua coluna em veja.com.
A Seção é "Direto ao Ponto" e assim é apresentada:
" Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido."
No dia 27 de agosto de 2009, o colunista acima postou:
" Foram escancarados, nesta 5ª feira, alguns traços perversos da alma do país: a verborragia, a arrogância, o farisaísmo, a demagogia carnavalesca, a Justiça injusta, a erudição pernóstica, o cinismo, a hipocrisia, a desconversa farsesca, a esperteza, a miopia malandra. Viu-se a alma e viu-se a cara, em sua sórdida inteireza, do Brasil que absolve os "Paloccis" e castiga os "Francenildos"."
http://veja.abril.uol.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto
Parabéns, Augusto Nunes!
Talvez tenha conseguido dar novas forças para que a "mulher", citada no início deste texto, se erga novamente.
Aurora Gite
(postado em 29/08/09, às 13:10)
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Sobre o papel da Psicologia no novo milênio
Algumas considerações de Danah Zohar, física e filósofa - casada com o psiquiatra, psicoterapeuta e escritor, Ian Marshall - retirados de seu livro “O Ser Quântico" (já citado em posts anteriores de 2008)
“Uma psicologia da pessoa, baseada na natureza quântica do ser, enfatiza todos os relacionamentos e assenta o indivíduo, em virtude de sua própria natureza, no mundo do ser. Para tal indivíduo, cujo compromisso com os outros, com a natureza ou com valores espirituais está na essência de sua existência, não poderá haver uma base para distúrbios narcisistas de solidão, vazio, alienação ou envolvimento consigo mesmo...Estar envolvida consigo mesma é, pela própria natureza do ser, estar envolvida com os outros".
"Numa psicologia quântica, não há pessoas isoladas. Existem indivíduos, que possuem identidade, significado e propósito, mas, como as partículas, cada um é uma breve manifestação de uma particularidade. Essa particularidade está em correlação não local com todas as outras particularidades e, em certo grau, entrelaçada a elas".
"Apenas responsabilidade dá significado e valor a nossa existência. Mas em que medida podemos fazer face a ela? Se uma psicologia do compromisso e da responsabilidade quiser ter algum valor em si mesma, deverá levantar a questão da liberdade humana, a questão do grau em que qualquer um de nós é livre para se comprometer como quiser ou assumir a responsabilidade que é nossa por natureza. Portanto, uma psicologia quântica dever adotar alguma posição quanto à realidade e eficácia da escolha".
"Estou convicta de que temos hoje na física quântica os fundamentos de uma física sobre a qual podemos basear nossa ciência e nossa psicologia, e que através de uma comunhão da física e da psicologia também poderemos viver num Universo conciliado, um Universo em que nós e a nossa cultura seremos plena e significativamente parte do esquema das coisas".
Zohar, Danah.O Ser Quântico: uma visão revolucionária da natureza humana e da consciência baseada na nova física. 17ª edição. Rio de Janeiro: BestSeller, 2008.
“ Uma obra sobre a vitalidade da nova física e seu poder de combater a alienação e a fragmentação da vida moderna, substituindo-as por um modelo de realidade em que o próprio universo possui uma consciência – e a humanidade é somente uma de suas muitas expressões.”
Aurora Gite
(postado em 25/08/09, às 17:30h)
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Orwell e seu "1984" tão atuais assim?
Esse foi o processo interno desencadeado pela visão desses arames farpados, semelhantes aos colocados em campos de concentração, agora também fazendo parte de minha residência. Quando mudei os dez metros de largura do terreno eram delimitados por portões baixos de alumínio. Depois tive que trocá-los por grades e portões de ferro altos e com lanças nas pontas superiores. Recentemente acima das lanças fui obrigada a colocar "concertinas", que em nada contribuem a um "conserto" social, mas que isolam um cidadão pacífico e o inserem na fragilidade e violência moral das ilhas humanas. Ainda me recuso a vedar total e eletronicamente meu contato com o mundo.
Tenho que me fazer acompanhar em meu "cooper" mental por Kant que, segundo Hannah Arendt, uniu a questão "Que devo fazer?" a duas questões metafísicas: "Que posso saber?" e "Que posso esperar?" ; forma encontrada por ele para não se perturbar tanto quanto Marx e Nietzsche. E sem querer voltei a me relacionar com a realidade relembrando depois a solução proposta por Hegel . Para ele , a reconciliação dos homens com a realidade dos problemas humanos envolvia o engajamento com coisas que devem sua existência exclusivamente aos homens.
Ao mesmo tempo trouxe para esse grupo George Orwell. A transformação da realidade é o tema principal de seu livro "1984". Foi escrito em "1948", mas por pressão dos editores teve seu título invertido. Pela época pode-se observar que é uma crítica às alianças políticas da época, principalmente ao pacto de Hitler e Stalin. No entanto, se observarmos o quadro atual das relações entre países como os EUA e os do Oriente Médio, não fugimos da comparação entre semelhantes "apoios logísticos e bélicos e fabricação de nações amigas ou inimigas, conforme interesses governamentais".
A estória de Orwell é uma ficção. Retrata uma sociedade, sob um regime totalitário, controlada por um Partido que, em sua fiscalização, se utiliza de "teletelas", que possibilitavam total domínio sobre as ações humanas. Um forte controle midiático exaltava repetitivamente o sistema de governo, não permitindo o esquecimento da onipresença e magnanimidade do Grande Irmão (do Big Brother). Parece um recurso atual do governo? Não, não é mera coincidência ter-me recordado dessa estória!
O livro traz a história de Winston Smith, funcionário do Partido, que, fazendo parte do "Ministério da Verdade", exerce função não diferente de alguns jornalistas e historiadores atuais. Fazia parte de seu ofício, reescrever e alterar dados, ou seja, transformar a realidade conforme o interesse partidário. Sendo assim, ele adulterava a própria história da época, chegando a jogar os comprovantes fatuais originais, que pudessem contradizer as "verdades do partido", em um incinerador chamado de "Buraco da Memória". No entanto, Winston sempre se questiona sobre a opressão que o Partido exercia sobre os cidadãos. Inicialmente o faz adotando uma postura silenciosa, solitária, e até medrosa pela grande ameaça partidária. Chega um momento, no entanto, em que suas críticas "à fabricação da verdade pela mídia e a manipulação para a ascensão e queda de ídolos de acordo com alguns interesses", são descobertas. É preso, torturado, drogado, passando por programas de adaptação ( que consiste em aprender, entender e aceitar ) e posterior estágio de reintegração.
Eterno processo pavloviano de condicionamento psicológico, onde suas respostas à vida e luta por uma autonomia e integridade psíquica deveriam ser extintas, gradualmente. Para isso foram empregados perversos reforços punitivos, ou represálias atrozes e aterrorizantes, torturas psíquicas provocadoras de reações internas angustiantes e desagregadoras do mundo mental, como o encostar de uma gaiola com roedores famintos em seu rosto, mais precisamente em seus olhos.
A única saída para situações como essa, reside na auto-traição, no abandono das próprias convicções e valores, na desqualificação desrespeitosa das próprias sensações. O foco era a substituição da capacidade de senso crítico e do suporte autoreferencial - básicos para a formação de uma identidade pessoal -por outro comportamento mais padronizado, submisso e automatizado, voltado mais para um "viver estando morto como pessoa, vivo como mais um dentro da massa social". O resultado foi atingido. A autoridade sobre si mesmo foi extinta e a aceitação da dependência ao Partido sem questionamentos foi assimilada.
A busca desse objetivo e o mau uso da autoridade não fogem muito da realidade atual. Não é só a tortura física que ameaça a nossa sociedade, mas a extensão do assédio moral por um lado e da depressiva impotência ou indiferença humana por outro são assustadores. A transformação social é visível, tanto quanto a robotização pode ser observada na frieza e falta de sentimentos humanos. Notícias diárias de brigas com socos e pontapés entre os homens, envolvendo mulheres, adolescentes e crianças - ou bicadas e mordidas até a morte entre animais - são presenciadas com tesão e prazer. Até onde irá essa "crise de identidade humana"?
Os clones robotizados já existem. Próteses com capacidade de reprodução facial de expressões humanas também. Vamos mesmo permitir situações semelhantes aos filmes "Eu, robô." ou "Inteligência Artificial"? Uma certeza eu carrego dentro de mim. Não sou um Winston Smith e não quero ser. Para isso fortaleço minha auto-estima, aumento meu cacife pessoal com as fichas de valores que me são significativas, e procuro me bancar em minhas apostas vivenciais. Como?
Posso dar algumas dicas de atitudes vivenciais que muito me ajudam. Trago sempre presente na memória reações situacionais das quais me orgulho e que reforçam minha valorização pessoal. Procuro sempre manter essas lembranças funcionais. Vou dar um exemplo. Há alguns anos, estive conhecendo os cassinos de Las Vegas (EUA). Foi uma experiência singular, única. Consigo revê-la com detalhes. Logo na entrada se é tomado por um estado de extase. Sente-se o entusiasmo tomar conta de todo o corpo. Como é fácil o se envolver com esse mundo artificial com suas máquinas viciadas e crupiês comandados, com a convivência de poder fantasiosa e inebriante através da vitória conseguida em um jogo fabricado, com a aproximação e beleza aparente e fugaz, com o contato com relações humanas superficiais e fictícias! A partir daí não é difícil se deixar levar pela fumaça embriagante de conquista de status e poder, que baixam nossa guarda sobre a vaidade e libertinagem de nossos impulsos. Por outro lado, como também são prazerosos tanto a difícil retomada do autocontrole, como o consequente retorno do autogerenciamento de nosso mundo interno. O tesão pela sensação de liberdade e bem-estar consigo mesmo é de uma grandiosidade única e inesquecível.
Abrir mão de benefícios e privilégios, fatuais e hipotéticos, não é tão simples ao ser humano, ainda mais quando sabe que existirão outras pessoas prontas a recebê-los em seu lugar, dando continuidade ao processo histórico corrompido; quando tem noção que sua passagem histórica será anulada e cairá no esquecimento; quando sabe que, se lutar para que o registro social de sua história de vida não seja apagado, poderá correr o risco de ter sua participação e integridade distorcidas. É ou usar máscaras para se proteger, ou se bancar ante a manipulação histórica. Nesse caso, recordações de como conseguimos manter nossa integridade psíquica, ante situações desequilibrantes, como em momentos de crises, têm um papel importante.
Qual é o sistema de governo interno que pretende aceitar dentro de seu mundo interno?
Qual é o campeão interno que quer construir e se orgulhar de si mesmo?
Como ser humano, a que tipo de grupo social você quer pertencer?
É tudo uma questão de escolha, até a opção de se permitir ser um "vivo-morto", um zumbi da vida.
Aurora Gite
( postado em 24/08/09 - às 22.10 h )