domingo, 14 de agosto de 2011

Resgate do "espaço do sujeito" na organização

As gestões participativas, com seu discurso de transparência, organograma hierárquico horizontal e programas de formação de lideranças, mudou a forma de interações na empresa. A demanda atual clama por novas leituras e interpretações do capital humano.

Projetos programáticos, planejamentos estratégicos e logísticas operacionais passam a ter por meta : impedir a queda das produções interativas, o despencar das ações humanas no bloco das bolsas das equipes, e o enfraquecimento de seus pesos atitudinais e valores morais.

Crises de estabilidade advém das mudanças estruturais ocasionadas pela alteração do tradicional eixo de hierarquia vertical (chefias/subordinados) para o eixo horizontal das gestões participativas (lideranças/colaboradores) e das equipes formando times. Convém ter sempre presente que qualquer mudança estrutural no trabalho representa uma ameaça real, risco de demissão ou remanejamento de funções e locais; e, também, perigos fantasiosos, ampliados por desvalias e inseguranças pessoais, gerando muitas fofocas e uma rede de intrigas. Essas futricas danosas, que a má fé e o mau caráter se incumbem de espalhar, em mãos de "perversos, narcisístas e maquiavélicos", travam o fluxo de informação e ocasionam a distorção na comunicação e na percepção da realidade.

Comunicação truncada, falta de coerência intencional nas mensagens, embotamento afetivo, ansiedades persecutórias, sensação constante de ameaça à integridade do prestígio funcional, posturas vingativas e "puxadas de tapete" baseadas em fantasias subjetivas, reações agressivas e impulsivas sem medir consequências morais: eis o início da descapitalização do patrimônio humano na empresa, e da maquiavélica manipulação "psicotizante" . Distanciado dos princípios racionais da realidade e próximo dos delírios (alterações nos juízos) e das alucinações (alterações nas percepções), o "sujeito" dentro de cada pessoa, independente de seu lugar no organograma institucional, perde seu espaço.

Ante a realidade, cindida e embaralhada, muitos para a própria sobrevivência psíquica e preservação no quadro organizacional, passam a desconsiderar dados racionais e sequências de fatos reais. É o apego a sua razão e valorização pessoal interna, que podem mantê-los com o pé na realidade da situação vivida. É alto o custo para se preservar íntegro, conviver pacíficamente e sobreviver psíquicamente num ambiente onde predominam mensagens ambivalentes do tipo "Faça o que eu mando, mas não o que faço"; "Estou indo, já passei meu cartão (na entrada ou na saída, ou em ambas), mas você não me viu!"; "Não alterei o horário de 9:00h, mas mande a mensagem que a reunião de diretoria passou para o período da tarde, pois, como assessora, não quero a presença dele".

Não se pode ocultar que grande dificuldade, quanto a limites na empresa, reside na ignorância sobre a competências de ações do próprio cargo, falta de conhecimento que interfere na seleção de profissionais. Engenheiros montam "desenhos operacionais" voltados a padronizações e robotizações, priorizando a validação produtiva para a empresa (seu patrão) e obedecendo suas diretrizes. Considerar o espaço de sujeitos é com recursos humanos? Esquecem que organizações dependem dos fenômenos sistêmicos e demandam uma visão holística para sua compreensão como um todo de partes interdependentes em constante dialéticas, trocas que podem alterar substancialmente a produtividade da empresa e a fidelidade da clientela, se suas influências negativas não forem detectadas precocemente. Por exemplo, um mau atendimento de um porteiro pode afetar emocionalmente um cliente, influenciando seu modo de interagir com o ascensorista, se estendendo a recepcionista... e nessa sequência interferindo até na escuta aberta em reuniões e importantes tomadas de decisões.

No esquema de autoridade vertical, a meritocracia é de quem impõe suas ordens e obriga seguidores a obedecer. Quer maior fator desmotivador para uma colaboração voluntária ? Na transparência da gestão participativa, o mérito recai sobre a competência do colaborador em determinada função e para isso tem que haver a preservação de seu espaço como "sujeito", abertura para sua individualidade criativa e inovadora, reconhecimento real e gratificante do seu desempenho na solução do problema empresarial.

Como atuar então?
Investir diretamente contra chefia, ou por meio de queixas formais?
Vai cair na avaliação de inadequação e rebeldia a figuras que representem autoridade; sem programas de treinamento poderá passar a remanejamento ou afastamento direto da empresa.

Como fazer para resgatar éticamente o "espaço do sujeito" na organização?

Ante esse quadro situacional e motivacional eis dois mapeamentos que podem servir se procura também esse resgate. Em ambos pode-se observar a coleta de sugestões e a implicação do sujeito resgatando sua história dentro da empresa e seu cuidar da empresa que o acolhe.

Vou transcrever sem a formatação estética e espaços que tal mapeamento demandaria. Em ambos espaços, na parte superior da folha, para os dados referentes a: data, serviço, setor, cargo, tempo de serviço, sexo, idade, estado civil, escolaridade, religião.

* Questões para um MAPEAMENTO SITUACIONAL

1- Cite 3 (três) características pessoais importantes para o funcionário que ocupa este cargo e 3 (três) que atrapalhariam seu bom desempenho.

2- Apresente 2 (duas) sugestões, ou mais, possíveis de serem implantadas nesse momento, que poderiam facilitar o serviço de quem exerce esse cargo. Justifique.

3- Segundo você, o que poderia dificultar sua implantação, no momento atual?

4- Defina com uma palavra o que "um trabalho" representa para você.

5- Cite uma imagem que represente o "seu trabalho atual" e justifique a escolha.


**Questões para um MAPEAMENTO MOTIVACIONAL


I -"Eu trabalho nesta empresa porque..."
( Marque os pontos mais importantes do motivo de trabalhar nesta empresa. Escolha até no máximo 5 (cinco) alternativas, numerando por ordem de importância.)

( ) 1- Tenho chancer de crescer na empresa.
( ) 2- Tenho estabilidade no emprego.
( ) 3- Por falta de opções.
( ) 4- Tenho muitos amigos aqui.
( ) 5- O ambiente físico do trabalho é bom.
( ) 6- O ambiente humano do trabalho é bom.
( ) 7- O trabalho que faço é interessante.
( ) 8- O salário é bom.
( ) 9- Os benefícios são bons.
( )10-Tenho liberdade para apresentar sugestões.
( )11-Gosto do que faço.
( )12-Porque me dá prestígio.
( )13-Porque seria difícil conseguir um emprego melhor.
( )14-Porque o mercado não está favorável a mudanças.
( )15-Por outro motivo. Qual?

II- Sem ser aumento de salário, cite 3 benefícios importantes para você.

Vai se surpreender com os dados que vai obter!

Sobre essa base poderão ser construídos programas mais eficazes e mobilizadores da motivação dos colaboradores dentro de uma gestão participativa. Agora é mãos a obra e enquadrar a investigação do capital humano de sua empresa nesse esquema, priorizando os aspectos específicos, que caracterizam sua organização: perfil, valores e missão, política interna e externa.


Boa sorte em seu empenho por essa conquista em prol de um social mais humano! Aurora Gite

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Fábulas? Ora fábulas...

Muitos se perguntariam o que são fábulas? Para que servem essas pequenas estórias?
Procurando nos dicionários vão encontrar: "curtas narrativas que nos brindam com lições morais".
Pesquisem agora "La Fontaine", esquecido pelo tempo ou afastado na memória de muitos, conheçam suas fábulas, que dão vozes aos animais e nos trazem tantos ensinamentos, muitos de grande ajuda em dinâmicas de grupo.

Eis uma de suas fábulas, qualquer semelhança com chefias manipuladoras e autoritárias, ávidas de poder e prestígio, é mera coincidência. As metáforas, que contém, possibilitam tratar pacíficamente temas delicados para muitas organizações particulares ou institucionais. Essas expressões figurativas, que permitem substituição por analogias, podem ser recurso de grande valor. Para exemplificar, lembram da frase "forte como um leão"? Na fábula abaixo, volto a enfatizar, será mera coincidência quaisquer comparações com a postura ditatorial de muitos diretores de grupo, que me permito não chamar de líderes de equipes? Analogias... ora analogias!


"A novilha, a cabra, a ovelha e o leão"

Três animais muito pacatos - a novilha, a cabra e a ovelha - fizeram certa sociedade com um feroz leão, o rei daquela floresta.
Pelo acordo feito entre os quatro animais, quaisquer lucros ou prejuízos de um deles deveriam ser partilhados pela sociedade.
Logo depois de celebrado o trato, a armadilha da cabra conseguiu apanhar um veado, e o animal imediatamente mandou chamar seus sócios.
Todos apresentaram-se, e o leão, deixando aparecer suas afiadas garras, disse: - "Somos quatro a partilhar a presa".
Era uma afirmação desnecessária, mas o rei fez questão de fazê-la para demonstrar que ele presidiria a partilha.
Esquartejando rapidamente o veado, com sua longa prática, o leão tomou a primeira parte para si e disse:
- "Não há dúvida de que o primeiro bocado é meu, porque me chamo leão e sou o rei da floresta. E creio também que nada poderão dizer contra a decisão de pertencer também a mim o segundo pedaço, pois é pelo direito do mais forte. Exijo também o terceiro, porque todos sabem ser eu o mais valente. E aquele que tocar na quarta porção será dilacerado por meus dentes."

Quem não se confrontou, no organograma hierárquico, com o balançar de um crachá marcando território? Quem não se deparou, impotente, com projetos de equipe sendo esquartejados e partes sendo divididas em benefício de chefias, que tomam posse do projeto e da equipe, e assumem a autoria pelo poder que o cargo e o mau caráter lhe outorgam? E quem não ousou se rebelar e se viu dilacerado profissional e pessoalmente? Estão de prontidão, para dar o bote, o assédio moral, a calúnia e o baú com estoque de represálias, que dilaceram inescrupulosamente a posição, e até a moral, dos indivíduos perante a equipe e a empresa.

Leis... ora leis! Evidências são evidências, plantadas ou forjadas: ora...ora... é melhor deixar como está e agir com inteligente logística estratégica "não ir contra, mas obedecer as ordens, de quem está no poder"! Nem pensar em questionar quem é o dono da organização e fazer valer seus direitos, mesmo porque danos morais são difíceis de se provar. E a justiça de nossos tribunais precisa de fatos, de provas legais, que constem das leis transcritas, elaboradas por homens da nossa sociedade. Não votou nos vereadores, deputados e senadores? Eles são os políticos que cuidam da "coisa pública", ou deveriam cuidar.
Transparências nas ações políticas... ora... ora... tá lá no papel e nos discursos por votos!
Transparências em gestões participativas... ora transparências!

E tem mais, para abrir qualquer ação jurídica é preciso dinheiro... advogado sai caro, sabia? E se a negociação não der lucro, vem o famoso: "Aconselho a deixar tudo como está!" e o sábio vaticínio (profecia) "Vai ter mais aborrecimentos, pode acreditar!"
Justiça... ora Justiça!
Verdade... ora Verdade em sociedades, humanísticas e democratas, de mentirinha!

E a pergunta que não quer calar: " O que fazer?"
A resposta vem da esperança que brota do peito, querendo explodir: "Tem que haver um jeito, tem que ter algo a se fazer, para não ser enterrado vivo e sucumbir renascendo como mera peça dessa engrenagem social deteriorada".


domingo, 7 de agosto de 2011

Gerações perdem o "olhar da ternura"?

Outro dia folheando a revista Psique me deparo com uma crônica de Rubem Alves, que logo me despertou o interesse. Como sempre faço, procurei saber quem era: escritor, educador e psicanalista. Depois busquei ler outras crônicas do autor, para verificar se o impacto se repetia em mim como leitora. Senti o mesmo prazer, o mesmo gozo ante a observação de uma sincronicidade de idéias. Senti meu coração alegre, ao me ver comovida por uma sensação de felicidade, ante a constatação de sua grandiosa simplicidade poética, sua facilidade de expressá-la e sua coragem de se expor.

Esses são os encontrões significativos da vida. Sincronicidade de idéias e vivências aproximando duas pessoas físicamente distantes e estranhas. Duas mentes que se entrelaçam no mundo abstrato e invisível do pensamento, na metamorfose do momento pelo dinamismo da energia emitida por um escritor e captada por um leitor, aberto à leitura e assimilação da mensagem expressa em palavras. Ops! Não sou uma mera leitora, busco o mundo de significações atrás desses símbolos gráficos e estabelecer uma vinculação afetiva, com quem escreve, pelo sentido oculto pelas representações.

A primeira crônica que li desse autor me fez escrever esse tweet:
"A troca de vivências com significados semelhantes é um dos fatores que traz proximidade e aconchego nas interações humanas".

Alves abordava a errônea expectativa que avós e pais depositam em ser compreendidos, esquecendo que novas gerações farão recortes, leituras e interpretações diferentes das deles. Por mais que recebam educação familiar semelhante, o desenvolvimento de seu potencial inato depende das interações com os grupos sociais e das aprendizagens históricas advindas da cultura e época vivida.

Ah, mal-estar da civilização! Quanta barreira, enjaulando a espontaneidade e autenticidade!
Ah, atual avanço tecnológico e rapidez na velocidade das informações, afastando ainda mais as gerações e dificultando a inserção de pais e avós no mundo digital e robotizado dos jovens!
Ah, como está cada vez mais difícil o encontro da sensibilidade do poeta, da coragem do herói para saber se expressar e ser reconhecido, correndo o risco de ousar se expor num mundo que lhe é adverso, como império da racionalidade padronizada de "logísticas estrategistas"!

E, de repente, surge um desconhecido em suas crônicas, que nos diz ao ouvido como num sussurro, assim preferimos escutar suas palavras, para que o vento não as leve no mundo descartável de hoje:

"Vou falar mal do telefone celular. Faz tempo, comprei um, daqueles pesadões, hoje elefantes se comparados aos mais modernos, pequenos beija-flores que se seguram delicadamente com o indicador e o polegar. Sinto-me humilhado pela comparação. (...) O meu, neste momento em que escrevo, não sei onde está. Também não adianta. Está sempre desligado. Acho que não quero ser encontrado. Psicanalista, tenho o costume de ficar interpretando os objetos. (...) O simples ato de atender ao pequeno aparelho pode ser, na visão psicanalista, a expressão que a pessoa faz do seu próprio poder"... muitas se colocando desrespeitosamente "no centro de sua bolha narcísica" ao atender e conversar em meio a palestras, por exemplo.

Os valores e limites racionais entre as gerações estão cada vez mais caóticos. Está cada vez mais difícil de se encontrar um sentido humano na linguagem expressa pelo social atual, com o aumento da violência e a banalização da vida, com o mérito atribuído à competitividade não digna e à submissão destrutiva do outro para abrir um espaço nessa "selva de pedra".

E, de repente, um psicanalista que se diz sensível, a ler fascinado metáforas, que envolvem ternura e "tanta alegria, tanta saudade, uma eternidade inteira num grão de areia", as transformando em crônicas:

"O amor dos dois surgira na adolescência.(...) Aconteceu com a jovem o que seus pais sugeriram: ela se casou. E ele também se casou (...) Quando ele tinha 76 anos ficou viúvo. Quando ela tinha 76 anos e ele 79, ela ficou viúva.(...) Ela não resistiu. Foi à sua procura. Encontraram-se. Resolveram se casar. Os filhos protestaram. Os filhos, todos os filhos, não suportam a ideia de que os velhos também amem. (...) Viveram um ano de amor intenso que provocou metamorfoses: ele se descobriu poeta, começou a escrever poesia."

Acham estranho ou bizarro? Talvez esse juízo surja nos que Alves chama de "analfabetos no olhar". Ele relembra Nietzsche que dizia que a "primeira tarefa da educação é ensinar a ver". Na crônica "A Arte de Viajar" escreve: "Quem sabe ver está sempre viajando, mesmo que não saía de casa. (...) Não é necessário escolher o destino certo, desde que se saiba apreciar o momento."

É se permitir sentir a "pureza singular da ternura" que, segundo Alves, flerta entre as dores do amor e a ardência sexual da paixão. O amor começa quando colocamos uma metáfora poética no rosto do amado ( da mulher amada)... quando observamos olhos, que nos fitam e dizem: "Como é bom que você existe..." Não há tédio, ou egoísmo depressivo, que resista a esse chamado, se não houver clausura voluntária no egocentrismo.

Cito outra crônica de Rubem Alves intitulada "A Ternura". Que pena que essa geração de interações digitais, marcadas pela distância interpessoal e mascarada pelo biombo da tela de um computador, nem saiba o que é cativar.

Termino com a resposta de Rubem Alves sobre o que é cativar, que cita uma de minhas obras favoritas "O Pequeno Príncipe" de Saint Exupéry ( e, para quem não leu ainda, indico A Arte de Amar, de Erich Fromm):

A raposa pediu que o Pequeno Príncipe a cativasse.
"- O que é cativar?" perguntou o Pequeno Príncipe.
" - Cativar é assim", explicou a raposa. "Eu me assento lá longe e você se assenta aqui. Eu olho para você e você olha para mim. No dia seguinte nos assentamos mais perto. Eu olho para você e você olha para mim. Até que nos assentamos juntos. Se você me cativar eu pensarei em você, conhecerei o ruído dos seus passos e sairei da minha toca quando você chegar..."
Aconteceu então que o Pequeno Príncipe cativou a raposa. O tempo passou e chegou um dia em que ele disse à raposa:
"- Preciso ir..."
A raposa disse: " - Vou chorar..."
" - Não é culpa minha. Eu não queria cativar você. E agora você vai chorar... O que é que ganhou com isso?"
" - Ganhei os campos de trigo", disse a raposa.
Antes os campos de trigo não comoviam a raposa. Agora, como são dourados como os cabelos do Pequeno Príncipe ganharam um significado.
"- ... quando o vento bater nos campos de trigo eu me lembrarei de você e sorrirei".
O rosto do Pequeno Príncipe estava gravado no trigal. Mas isso só o apaixonado vê." (...)

E assim encerra Alves: "É o olhar do apaixonado que torna o outro belo. Porque não vemos o que vemos; vemos o que somos. Uma mulher é bela quando nos vemos belos ao olhar nos seus olhos."

Com tristeza constatamos que, cada vez mais, essa geração perde essa grandeza do encontro da ternura e da beleza desse olhar terno, que nos contagia e ajuda a pacificar nossos conflitos e domesticar nossas intolerâncias.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Algumas Indicações

Acredito que quem quiser acompanhar o milênio não se pode furtar de mergulhar nos avanços que se sucedem em vários campos; nem deixar de se inteirar dos meios de comunicação e de aprender a nova linguagem informatizada; e muito menos apreender a importância da extensão das interações, que se formam para além do querido Tejo.

Passo também por aqui, algumas indicações:

Sigo também http://twitter.com/ThompsonLM

Em http://visao3x4 vão encontrar muitos temas interessantes e atualizados.

Em http://visao3x4.blogspot.com/p/videos-interessantes.html indico algumas palestras como:

* Dra Jill Bolte Taylor, cujo livro indiquei em 2008. Sua palestra sobre suas descobertas, do que ocorria com seu cérebro durante seu derrame cerebral, é fascinante! Como neuroanatomista e cientista relatou, passo a passo, toda essa experiência, em seu livro, e divulga por meio de palestras. Os novos conhecimentos funcionais cerebrais quebram paradigmas na área médica.

* Recomendaria que pareassem suas descobertas com os ensinamentos de Krishnamurti cujos vídeos de palestras estão disponíveis em http://www.youtube.com/watch . É só digitar o nome dele no campo "pesquisar" e escolher por qual palestra gostariam de começar a conhecê-lo. Constatem as semelhanças! Ocidente e Oriente se dando as mãos finalmente quando o objeto de estudo é o ser humano? Até que enfim...

* Também em http://visao3x4 vão poder assistir palestra do psiquiatra Sérgio Felipe de Oliveira intitulada: "Glândula Pineal - novos conceitos e avanços nas pesquisas". Constatem como modelos padrões da Medicina Tradicional vão caindo por terra, e os da Medicina Vibracional vão sendo cada vez mais reconhecidos, bem como os ensinamentos espíritas, que já vinham ganhando outra compreensão com o advento da Física Quântica e os avanços das pesquisas relacionadas à paranormalidade.

* "Levantar questões e tentar respondê-las: é a curiosidade que mobiliza o avanço científico" e "A humildade é característica essencial da ciência, expressa na aceitação de que não tem resposta para tudo": são algumas das afirmações do Físico Marcelo Gleiser em entrevista em http://visao3x4 no setor de Cosmologia Energética. Vale revê-lo também em curtos programas televisivos, gravados em alguns vídeos, apresentados dentro desse site.

* Achei muito interessante a apresentação da dimensão quântica, por meio do recurso desenho animado. Simpática a figura do Dr.Quantum! Acho importante enfatizar que abaixo dos vídeos aparecem outros a ele relacionados. É só seguir a própria curiosidade e interesse, e ir avançando nas autopesquisas.

* Citei diversas vezes Dr. Deepak Chopra através de seus vários livros. Agora nesse site, vão poder assistir às suas palestras, demonstrando a substituição da evolução darwiniana pela "evolução metabiológica" neste milênio. "Imagens criadas produzem os mesmos neurotransmissores e hormônios que a experiência real". Aborda a bioquímica responsável pela "energia pensamento" e nova forma de encarar o processo imunológico e a cura de doenças. Suas palestras se situam no campo de trabalho com os chacras (centros energéticos do ser humano).

* Não posso deixar de recomendar "Muito além de nosso eu", último livro do neurocientista Miguel Nicolelis. A sinopse do livro pode ser encontrada na Internet, para quem se interessar em saber mais sobre o autor e a temática abordada. Eu também me questiono sobre os robôs industriais, nanoferramentas e vestimentas, avanços nas técnicas eletrônicas e magnéticas, que possibilitam paraplégicos a se movimentar através de sua força mental... nova visão de cérebro ou novas indústrias que vão comandar a saúde vital do ser humano com novos lobbies se formando?

Faço um empréstimo a Reich : "Não sou político e não sou versada em política, mas sou um cientista socialmente consciente.. reivindico o direito de dizer", retirando sua idéia principal, a meu ver: sou uma cientista socialmente consciente... reivindico o direito de dizer, divulgar e batalhar em prol de uma nova era, onde o ser humano possa ser mais livre e feliz. O cuidado é não criarmos o "Admirável Mundo Novo" de Huxley, ou a sociedade descrita por Orwell em seu "1984".

Aurora Gite
postado 13/7/2011 às 06:32h

sábado, 2 de julho de 2011

Um quebra-cabeça de idéias


Acredito que a maioria de nós já passou pela experiência de montar, ou de apreciar alguém montando, um quebra-cabeça.


Para quem sentiu o prazer e a ousadia do desafio; teve a paciência e tolerância à frustração advinda de ter que desmontar cenas inteiras, pelo encaixe inadequado de uma só peça; teve o gosto, pelo desfocar de sua atenção visando a montagem do quebra-cabeça, de se afastar de suas preocupações e disciplinar suas ansiedades; mais ainda, procurou colocar suave música de fundo, propiciando maior tranquilidade interna... é uma experiência que pode se transformar em grande aprendizado interior.


Para quem aprendeu a gostar desse passatempo, o número de peças não vai interferir nesse prazer. Que venham cem ou duzentas peças, quinhentas ou mil... mais aumenta o tesão ao espalhá-las sobre uma mesa, ao desvirá-las e quem sabe, logo ao acaso, descobrir um encaixe perfeito entre algumas delas.


Existem passos a serem percorridos facilitadores da montagem. Ponto de partida: procurar peças com cantos retos e começar a emoldurar, a cercar o que irá se delineando aos poucos. Depois o agrupamento por categorias afins, para facilitar, pela possibilidade de associação entre figuras ou tonalidades de cores, a formação de imagens parciais, blocos a serem agregados a esse primeiro enquadre. A partir daí, é se entregar ao embalo do tempo e da ferrenha vontade, que irão mobilizar seu esforço e persistência, para entre tentativas e erros, com garra, dar continuidade a essa atividade.

Alguns gostam de se confrontar logo de cara com o resultado final, outros então colocam a seu lado o desenho que o contém, e vão acompanhando através dele sua construção, em muito facilitando esse trabalho. Não se pode deixar de considerar os mais corajosos e confiantes em disciplinar emoções decepcionantes ou incentivadoras, que se aventuram a montar enormes quebra-cabeças, sem saber onde será possível chegar e, como não lhe foi facultada a observação da figura da montagem final, nem a contagem do número de peças, o fascínio do desafio a enfrentar é sua motivação prazerosa essencial.


Tal fato muda a postura dos que ocupam a posição de observadores e até se envolvem, como palpiteiros, em alguns acertos oportunos. Alguns se aproximam curiosos, compartilhando a quietude inquietante da busca e o encontro gratificante da peça certa, na expectativa do que irá ocorrer após o delineamento de uma das imagens. Nesse sentido, cada imagem passa a ser a ser agregada ao fundo gestáltico, que forma o todo do quebra-cabeça, fazendo com que o foco da atenção recaia sobre outra figura que se sobressai ante duas peças encaixadas.

Tem também aquelas pessoas que se posicionam como intrusas e, já de longe, elevando o tom de voz, vão vaticinando o insucesso da empreitada, a não compreensão de sua finalidade, o mau gosto pela atividade, a perda de tempo e... por aí vão, se lançando, da posição referencial egocêntrica e do recorte invasivo da privacidade do outro, ao ataque desrespeitoso à sua subjetividade e liberdade, e ao bem que lhe foi outorgado como pessoa distinta deles, qual seja, o decidir sobre o que é melhor para si. Nem têm noção da aura de desconforto que as envolve, bem diferente do clima aconchegante daquelas que se aproximam e, interagindo respeitosamente, pedem permissão para "estar junto", para "ajudar a montar", ou seja, para compartilhar ativamente da experiência.


Ao me embrenhar numa pesquisa a considero como um quebra-cabeças de idéias.

A imagem que me vem é do aventureiro devidamente paramentado por sua coragem e persistência: mochila como bússola às costas, aconchego corretivo ante o perigo da ilusão; reserva de água visando sua sobrevivência na selva da solidão mental; lanterna egóica à mão, sempre de prontidão, para auxiliá-lo em seu levantar ante tropeços e sofrimentos que levam a dúvidas, muitas dúvidas...que podem se transformar em forças para seu levitar, transcender os desgastes da situação do presente, em prol da serenidade e contentamento por lutar por seus ideais de vida.


Seu espírito já foi trabalhado para conviver com as descrenças iniciais sobre seus achados, com as agruras no trabalho investigativo, com as dificuldades para articular a diversidade de idéias afins, com a angústia da espera pelo encaixe perfeito.

O prazer que brota de dentro de seu peito é expresso por uma grande vontade, que o impele a iluminar novos caminhos, a revirar novas peças conceituais, a buscar outros pontos de vista... todo esse "agir se constitui em força", que se agrega ao tesão das possibilidades do encontro de tesouros, que contenham, como referencial, o brilho do verdadeiro.



Aurora Gite


Postado em 02 de julho de 2011




Observação direcionada a um leitor e ao executivo responsável pela publicação do texto:


Eu me sinto muito desconfortável, por tentar alterar os espaços entre os parágrafos e ao religar o computador encontrar novamente grandes espaços e uma estética caótica no texto.


Pela primeira vez, nessa postagem, tentei escrever o texto no Office (Word), colar e copiar nesse local. Pensei que minhas alterações posteriores fossem respeitadas por blogger.com




Dicas solicitadas:

Vale rever vídeos das palestras da série Meu Mundo Caiu - Discussões e Reflexões sobre aprender a se levantar em http://www.cpflcultura.com.br/

Wisnik foi magistral em "Meu Mundo Caiu, eu que aprenda a levitar" ao abordar a desertificação atual do mundo e do próprio "eu", que vê espelhado seu vazio melancólico a superar (levitar).

José Miguel Wisnik : bit.ly?jLQe6Uvia@addthis

Como na canção de Maysa, "[...] se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar." - Wisnik propõe "eu que aprenda a levitar, a ir mais além, a transcender".



  • Só posso lhe dizer :
    Cada um no seu compasso, alguns encontram prazer na realização de projetos rotineiros de vida, outros superando inquietações filosóficas.

    Vale fazer uma visita a http://www.lojaduetto.com.br/ e conferir as coleções da Ediouro Duetto Editorial.

    Vai se surpreender desde a coleção Mente e Cérebro "Psicoterapias" que retrata e compara "as diferentes práticas clínicas e escolhas", até Mente, Cérebro & Filosofia que busca mostrar os fundamentos para a compreensão contemporânea da psique.

    Depois me encaminhe um retorno de sua avaliação. Fico na expectativa!

    Acredito ser indispensável a um terapeuta, que tem por foco o homem e seu sofrimento, ter a visão ampla dos recursos utilizados nas terapias. Nesse sentido, "Psicoterapias" abre um leque sobre "conceitos, técnicas, enquadres clínicos e objetivos das diferentes formas psicoterapêuticas disponíveis.

Na sessão "Comentários" li com muita atenção e respeito, agradeço e respondo. Fico na expectativa do envio do email mencionado. Procuro respondê-los também.












































quinta-feira, 30 de junho de 2011

Outra instância psíquica? Será?

Outra instância psíquica? Será? Minha intenção com esse título é mobilizar a reflexão do leitor leigo, e também motivá-lo, como ser humano, a investigar em seu psíquico os movimentos que ocorrem ante o que exponho. Minha expectativa quanto aos profissionais, da área psíquica e afins, é que cruzem dados e analisem com os que já possuem, lembrando que o ser humano é um só, e, o que for verdadeiro sobre ele, pode ser observado sob várias perspectivas.


Tudo começou com grande inquietude, revendo teorias ocidentais e orientais, buscando explicações que justificassem experiências de várias pessoas, inclusive minhas. Há muito pouco tempo tais experiências se tornaram objetos de estudo, e assim mesmo com restrições e descréditos preconceituosos. Há muito tempo as pessoas ousaram se expor e colocar a descoberto a experiência por que passaram sem serem taxadas de loucas, ou se considerarem portadoras de algum distúrbio mental.

Por outro lado, sempre me causou estranheza a variedade de teorias e o antagonismo, propagado ferrenhamente por seus defensores, sobre o ser humano. Tais radicalismos produziam, a meu ver, um reducionismo na visão do mundo psíquico do homem, e grande viés na leitura e interpretação dos dados pragmáticos. Fenômenos observados na prática clínica tinham que ser encaixados nas molduras teóricas preexistentes. O recorte sobre o ser humano tinha que se adaptar a esses enquadres conhecidos e avalizados. Os que nele não cabiam, ou eram modelados, ou eram excluídos e desprezados; mais ainda eram desqualificados, por não estarem dentro dos critérios científicos atuais.

Com a globalização, a era digital, novas tecnologias propiciando acompanhar passo a passo o funcionamento cerebral, surpreendentes descobertas sobre o genoma e a clonagem humana... e eis, nesse milênio, paradigmas e mais paradigmas dando cambalhotas e mais cambalhotas sem conseguirem se erguer ante a evidência do novo, que impõe outros modelos teóricos e busca imperiosa de outra conceituação, para se obter compreensões adequadas sobre os fenômenos observados.

Enfatizo o perigo de tentar abarcar a realidade e tentar trocas dialéticas sobre ela, buscando o uso de conceitos comuns. Infelizmente o mundo conceitual se tornou uma Torre de Babel , onde os signos da palavra passam a ser lidos da mesma forma, mas seu simbolismo e representações adquirem tal diferenciação de significados, que poucos se entendem. Também não se dão ao trabalho de estabelecerem os pontos referenciais de onde partem suas idéias, ou as perspectivas onde se colocam para emitirem seus pontos de vista. importante critério para colocar ordem na dialética dos discursos humanos.

Dando continuidade a minhas pesquisas, buscando comprovar minha hipótese de que a energia psíquica está atrelada á biofísica quântica, me deparo com a possibilidade da existência de uma outra instância psíquica, além do id-ego-superego freudianos.

Tal proposição me coloca em posição mais confortável podendo aproximar tantas mentes pensantes de personalidades geniais que se distanciaram, pois ao não se colocarem dentro da perspectiva do outro, não viam com encaixar seus pontos de vista também baseados em evidências clínicas e pessoais. E, ficava eu a refletir, onde está o sujeito psíquico, qual o lugar ocupado pelo ser humano no meio de tanta divergência. Mais ainda, seguindo minha intuição e me permitindo ser livre e pular de perspectiva a perspectiva, observava sob o referencial de cada um e constatava as evidências práticas, ousando testar suas técnicas operacionais na relação terapêutica, comprovando seus efeitos sobre meus pacientes e sobre mim mesma.

Minha proposta é que existe uma instância psíquica, só observada ao se deslocar o investimento das funções superegóicas. Considero a existência no sistema psíquico de duas vias, por onde circulam a energia, como ocorrem nos sistemas circulatório e respiratório. Penso que Piaget teria prazer em renascer para registrar as características da forma operacional contida nessa inteligência.

Para mim, libido (Freud) e energia psíquica (Jung), fazem parte do mesmo processo energético humano, se diferenciando pelas perspectivas sobre o ser psíquico. Pelo processo de individualização partimos do "não-ser psíquico" para a formação da personalidade, de nossa maneira de ser, e construção do nosso "ser e existir como sujeito", a ser transcendido por uma alquimia interior.

Através dessa transformação na qualidade da energia, ela é direcionada a uma "instância espiritual". Nova via de circulação da energia psíquica buscando o encontro do "Ser Psíquico" com sua autenticidade, liberdade e autonomia de ação, que tende a se dirigir ao "Não-Ser Psíquico", que não consiste em sua negação, mas na afirmação de nossa potência energética original.

A compreensão do "Ser" espiritualizado demanda novo aprendizado sobre sua simbologia (linguagem quântica?) e novos recursos interpretativos. Considero o "processo de individuação", enfatizado por Jung, como base para a "espiritualização", onde podem ser observadas novas capacitações humanas e diferentes operações psíquicas funcionais, voltadas a habilidades específicas como intuir, captar sensações e percepções superiores.

Penso que o processo de espiritualização tem a ver com a canalização da energia psíquica re-catexizada por novos valores: origem do Ser Espiritual Moral, característico da "instância espiritual". Aqui diferencio a moral superegóica da Moral Espiritual.

A primeira, moral superegóica - rédea externa ao "ser" - constituída pelo conjunto de regras e costumes, ditado por fatores externos ao indivíduo, com sua função limitadora do "eu" em sua inserção no social, facilitadora da convivência do indivíduo dentro da comunidade, mas criadora de um "querer", que depende de uma "vontade condicionada" ao livre arbítrio" desse indivíduo, para decidir e optar entre caminhos, que lhe são "oferecidos pelo mundo relacional à sua volta".

A segunda, Moral Espiritual, pertencente ao campo das "Virtudes", que, a meu ver, são valores espirituais advindos de fonte interna - essência do indivíduo - e que se constituem em forças intrínsecas, que o mobilizam a atuar de acordo com esse querer autônomo, essa "Vontade Livre" do espírito (da psique humana), que, por si só, se constitui na "disposição tensional para querer" que motiva o indivíduo a buscar se superar continuamente.

Como estamos diante de uma inteligência que se propaga por vibrações ondulatórias (quânticas?) - sincronias energéticas ou dissonâncias psíquicas - pesquiso, no momento, dados sobre o processo eletrolítico dessa alquimia. A água, por nós ingerida, tem a capacidade de aumentar as sinapses entre os neurônios... quantas hipóteses podemos construir, a partir daí, considerando o bioeletromagnetismo humano?

Aurora Gite

domingo, 19 de junho de 2011

Timidez: Medo ou Orgulho?

Gostei muito desse texto, assinado por Sirley Bittú, então repasso, Não conheço sua autora, mas me atraiu sua forma de descrever e analisar o fenômeno da timidez e sua dinâmica. No final teço algumas considerações sobre o fenômeno dentro de uma nova perspectiva para refletirmos sobre ele.

"O que eu faço com essa minha timidez?

A definição de timidez mais conhecida é a que se refere ao tímido como aquele que tem temor, receoso, acanhado, covarde. Pessoa que tem vergonha, sensitiva, pessoa que com tudo se melindra ou de grande suscetibilidade, aquele que facilmente se ofende. A definição de temor também é descrita em alguns dicionários como ato ou efeito de temer – susto, sentimento de reverencia ou respeito.

Prefiro dizer simplesmente, tímido é aquele que tem medo. Na infância o comportamento em relação ao medo é explicado e entendido pela capacidade da criança em discriminar fantasia de realidade. Ao passo que esta capacidade vai sendo aprimorada em sua relação no mundo, o medo naturalmente vai se adaptando ao que é esperado, ou seja, passa a ser um parâmetro de auto proteção.

As pessoas mais tímidas tendem a supervalorizar os possíveis riscos, assim o novo e o desconhecido torna-se assustador. O tímido está sempre muito preocupado em passar uma boa imagem para as pessoas, torna-se extremamente exigente consigo mesmo, apresentando por isso mais dificuldade de se relacionar, paquerar, namorar, expressar o que sente e o que pensa sobre as coisas.

A inibição geralmente é resultado do medo de falhar e com isso se sentir ridículo e incapaz. A timidez está diretamente relacionada ao amplo sentimento de competência. A nossa auto imagem é a percepção daquilo que acreditamos ser, e, quando ela é negativa, encontramo-nos numa prisão interna que nos leva a distorcer a realidade e por conseqüência nos retraímos.

O ser humano tem uma demanda de amor, necessita ser amado para se desenvolver, precisa sentir-se visto, percebido e aceito. Existem muitos estudos que relatam, que a falta de amor ou o desamor, principalmente nos primeiros anos de vida, interferem no desenvolvimento e na maturidade emocional do ser humano. O nosso sentimento de segurança e de auto confiança se configura ainda nesta fase, através das vivências de afeto e de confirmação pelas quais passamos.

Costumo dizer que nós passamos por dois úteros, um físico e um psicológico. Ambos nos geram para o mundo. O psicológico é formado por nossa matriz social, ou seja por nossa família, pelas pessoas com quem nos relacionamos e com as quais aprendemos e entendemos como devemos nos comportar. A educação é a via desse processo. E através dela aprendemos quem somos, o que somos e como somos. Nossa individualidade vai sendo lapidada pela visão de mundo de nossos pais, suas crenças, seus mitos e suas verdades.

São desses entendimentos que se desenvolve nossa AUTO-ESTIMA. A auto-estima é o resultado do afeto que aprendemos a dar a nós mesmos através do respeito e da aceitação daquilo que pensamos, sentimos e somos.

Através dela conquistamos nossos espaços e percebemo-nos merecedores de felicidade. É o resultado do amor que recebemos, não o amor gratuito mas aquele que ensina a retribuir, que ensina a noção de respeito ao outro e a si mesmo. Na primeira infância necessitamos da aprovação externa, e a reação das pessoas aos nossos atos também constitui fonte formadora da nossa auto-imagem e pode modificar ou influenciar nosso autoconceito que carregaremos durante a vida. Este autoconceito, esta percepção de si, dos próprios potenciais, de limites, e principalmente de seus desejos, estará sendo estimulado durante toda a nossa vida, através das diversas relações que estabelecemos.

Isto significa que a nossa família influencia a forma de nos percebermos, mas não a determina. A maturidade psicológica pode ser medida também pela nossa capacidade de nos auto-alimentarmos emocionalmente, passando então da necessidade de confirmação para apenas o desejo de sermos aceitos.

Isto não significa que somos como argila, moldados apenas pelas experiências externas. Nascemos com características físicas e com algumas psicológicas, herdadas. Trazemos conosco em nosso nascimento um potencial de saúde mas que precisa dessas provisões externas para se desenvolver.

Resumindo, a auto-estima é a capacidade do ser humano de sentir-se bem em relação a si próprio, o bastante para aceitar a rejeição não como uma afronta pessoal, mas como parte inevitável da vida. O indivíduo com auto-estima tem a capacidade de deixar a rejeição para trás e prosseguir. Aqueles que se aceitam agem livremente, permitindo a si mesmos atuar próximo ou no máximo de seu potencial. Expressar-se é contar sobre si, relacionar-se, assumir que se faz parte do mundo.

O TÍMIDO tem sua AUTO-ESTIMA baixa, frágil, ele sempre acha que todos estão olhando para ele, que o mundo roda em torno de sua atuação. Está preocupado em como os outros vão avaliar suas atitudes e comportamentos e com isso não tem coragem de assumir seus próprios desejos.

A timidez torna as pessoas propensas a interpretarem os acontecimentos de uma maneira ameaçadora, com isso sua autonomia torna-se prejudicada, precisando de algo ou alguém para sentir-se seguro e tranqüilo.

Em nossa atuação no mundo trabalhamos sempre em duas áreas a da ilusão (fantasia, crenças) e a da realidade (mundo objetivo). Nossas escolhas e formas de entender e de sermos no mundo nascem destes focos de atenção.

Se temos uma boa noção sobre quem somos e do que somos capazes, ou seja, de nossos potenciais e de nossas possibilidades, atuamos no mundo de forma mais autônoma e segura. O conhecimento de si mesmo, aliado à auto-estima são os fatores determinantes para mudar sua forma de se relacionar com o mundo.

A timidez incomoda cada vez mais. Em nossa sociedade competitiva aquele que não ousa, aquele que teme ser visto, ser percebido ou questionado em suas opiniões, tem mais dificuldade em se relacionar, conquistar seu espaço profissional e com isso alcançar o sucesso esperado pela sociedade e muitas vezes por si próprio.

Torna-se invariavelmente comum, receber em meu consultório pessoas que buscam se livrar desse sofrimento. Desde jovens que não conseguem se expor em sala de aula, apesar de saberem a matéria, ou mesmo não conseguem fazer amizade ou pertencer a um grupo, ou arriscar uma paquera, sentindo-se excluídos e rejeitados.Ou quando adultos, muitas vezes já profissionais, que sentem dificuldade de expressar seus conhecimentos, liderar grupos, agir com autoridade, estabelecer limites. Os tímidos sofrem e perdem oportunidades profissionais, relacionamentos pessoais, vivências, experiências, porque não se lançam no mundo. A sociedade prefere aquele que saiba defender suas idéias e seus pontos de vista. " ( Sirley Bittú)

Vamos nos aproximar de outras características deles e refletir sobre sua dinâmica?

Podemos verificar que sob o véu da timidez se encontra:
* uma pessoa sensitiva até melindrosa;
* insegura, receosa e acanhada, o que a faz supervalorizar possíveis riscos;
* com medo de cometer erros e de sentir-se ridicularizada ou incapaz;
* pessoa dotada de grande suscetibilidade, com tendência a se ofender com facilidade;
* tem dificuldade para se inteirar e refletir depois sobre eventuais críticas a seu respeito;
* tem tendência a se sentir culpada por tudo e carrasca castradora que inibe a si mesmo;
* juíz implacável consigo mesmo, se incapacita ante altas exigências e cobranças de performance;
* sua energia é investida na manutenção da imagem para os outros e evitar rejeições afetivas;
* demonstra pouca capacidade para lidar com agressividade (necessária na colocação de limites);
* tem dificuldade de dizer "não quero", reação adequada imediata a um desconforto;
* tem pouca flexibilidade consigo mesmo para conviver e para tolerar suas próprias falhas;
* apresenta obsessiva preocupação com as atitudes, reações e pensamentos dos outros;
* pessoa que adota como mecanismo de defesa, a própria timidez
* a timidez funciona

Fui interrompida bruscamente por um de nossos imprevisíveis "apagões" e quedas na energia elétrica. Mudou o rumo de minhas idéias e de meu projeto para essa postagem. Acredito ter sido providencial para exemplificar como lido com a vida.

Montei novo projeto em questões de segundos. Gostei dele e o aprovei internamente. Vou remeter o leitor desse blog a mergulhar dentro de si, investigar o fenômeno da timidez ( todos nós já o conhecemos em algum momento de nossas vidas) sob sua perspectiva de ser um mecanismo de defesa.

Lembrete: mecanismos de defesa surgem de operações mentais que nos são inconscientes, visam proteger a integração e harmonia de nosso aparelho psíquico. Contra o que?
Devolvo a pergunta: Se tomasse maior consciência de si, nesse momento, "o que é que" poderia causar a você uma angústia interna (dor psíquica) tão grande, que o ameaçasse com a possibilidade de uma desestruturação psíquica? Pense, estabeleça associações, lembre de situações em que se percebeu tímido, ou tomado por este "estado de acanhamento".

Agora volto ao "fenômeno da timidez": A "serviço do que" está a sua timidez? O que ela impede que venha tona, pois se vier irá lhe trazer desconforto e e desagradável sensação de ansiedade?

Já dei uma porção de pistas, que dão condições para o traçado do "perfil psicológico do tímido". A investigação fica com você agora. Sinta-se como um detetive desvendando seu interior. Isso é válido para muitos fenômenos psíquicos, que observar dentro de você.

Mas, como tudo na vida envolve "vontade" ou "autêntico querer" entrego a você o pacote de suas ilusões e fantasias para suas reflexões sobre elas, e possíveis futuras decisões se for confrontado com a necessidade de mudanças para "ser feliz".

Novo lembrete: a dica não é para acionar sua "vontade" ligada ao seu "livre arbítrio", ao seu "intelecto e cognição abstrata", onde tem que optar entre fatores externos a você. A dica é para tentar entrar em contato com sua "vontade livre" ou sua "liberdade verdadeira como ser humano", ligada ao querer profundo de seu espírito, captado por sua "Razão e cognição intuitiva".

Sei que agora é capaz de melhor lidar com aquilo que o angustia e se aliar à vontade de investir em você rumo ao seu "ser livre e feliz", meta de todo "ser humano". Torço para que tenha coragem e ousadia para esse empreendimento. Não é fácil! Mas depois, a visão do alto, da serena plenitude, faz tudo ter valido a pena!

Aurora Gite