terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Como não se entregar aos sonhos e confiar no material onírico ?

Levanto e me dirijo direto a digitar as impressões desse sonho que é tão revelador, quanto inquietante. Muitos dados, para nosso autoconhecimento, chegam através do material onírico, que ainda é tão desprezado por todos nós!


No sonho estou em uma sala de aula. Aula de Filosofia e sobre Nietzsche, para alunos adolescentes. Uau! Não vejo representantes femininas, penso ser sala masculina, mas isso não se torna o foco de minha atenção.

É o início da aula. Recordo que minhas aulas de Psicologia sempre se caracterizaram por estarem atreladas à prática: Psicologia Aplicada. Sempre me indaguei sobre o que valia jogar para os alunos uma série de informações e uma lista de conceitos, bem argumentados dentro de teorias alicerçadas pela história de seu autor e época em que surgiram, se o conteúdo programático se fecha ao redor da obrigatoriedade de arquivar enxertos temporários na memória, para obter capital intelectual adequado, para o encerramento do curso com êxito no critério avaliativo, logo passível de ser deletado pela falta de serventia prática.

Não era o que almejava para meus alunos, nem o que ambicionava para a disciplina em questão. Lutava para que não reduzissem seu âmbito de atuação e sua credibilidade, muito menos que a submetessem ao jugo implacável do poder prepotente centralizador de grupos psicanalíticos, que se mostravam autoritários até em sua dificuldade de aceitar digressões teóricas aceitáveis sob outras perspectivas. Se o foco estava no homem, prefiro nomear no "ser humano", haveria de existir pontos convergentes, mais que excludentes e hostis, a categorias profissionais que o têm como meta de estudo.

Ainda hoje, a maioria dos psicólogos adota postura reducionista e abafa o brilho de estudos avançados sobre a psique ou a alma - se preferirem o espírito - desmerecendo os poucos pares, que buscam com atitudes mais ecléticas, ampliar não só o campo de atuação - utilizando técnicas instrumentais de várias linhas teóricas pertinentes à sua meta psicoterapêutica - como reduzir o descrédito, que ainda paira sobre a área médica e por leigos, pela ignorância sobre a própria compreensão do que vem a ser e o que abarca a "Psicologia".

E isso, sem menosprezar o que Freud chamou de "Psicologia Profunda"! Ao contrário, buscando investigar as primeiras intenções freudianas voltadas à criação de "Psicologia Científica" que, talvez, ganhe espaço novamente. Nesse momento tantas descobertas tecnológicas e tantos conhecimentos sucedâneos sobre o funcionamento cérebro/mente-corpo/espírito, chegam até nós através dos aparelhos imagéticos, cujo aperfeiçoamento se encontra em superação contínua. Cada vez mais é desvelada a dinâmica do mundo mental ou psíquico. Esses aparelhos captam as imagens funcionais da energia eletromagnética no exato momento em que está atuando em nosso mundo interior.

Por que esses preâmbulos? Como conter as confabulações que intermedeiam os cenários oníricos? Convém lembrar que todos são carregados de significações para quem sonha, só e unicamente.

Em uma das cenas de meu sonho estou passeando com uma de minhas cachorras, uma "cocker spaniel inglês" dourada, morta há anos. Com ela a meu lado, adentrei a uma instituição e procurei, inutilmente, a Divisão de Psicologia. Entrei em um setor sem divisórias aparentes, mas que tinha várias áreas distintas de atuação, e fui lendo as placas sobre as grandes mesas: Sociologia, Filosofia, Psicologia, Pedagogia... Logo pensei: "Oba, será que até que enfim os representantes dessas áreas estarão vinculados oficialmente à diretoria do setor da instituição onde fisicamente prestam serviços e não a centrais distantes da operacionalidade local e demandas específicas do setor? Será que meu projeto, elaborado quando da participação direta, por indicação de dois diretores, no 'Plano de Governabilidade', matriz das alterações estruturais administrativas e operacionais que estavam por vir a unir-se às missões assistenciais e de pesquisa, foi aprovado e colocado em prática? Será essa a resposta a meu sofrido silêncio ante a humilhante inquisição de um jovem diretor, que, em sua arrogância invejosa, vociferou sobre 'quem era eu para representar seu setor em um evento de tal porte'? O importante é que fiz um bom trabalho, me destacando, como sempre, em grupo sendo colocada no lugar de líder, pela prontidão de uma sagacidade perceptiva, capacidade de síntese interpretativa e enorme dedicação a apresentar um resultado que prime pela excelência pessoal, máximo de empenho a ser dado naquele momento".

Enfim, no sonho, sai desse espaço, rumo ao parque florido, acompanhando minha cachorra, presa à coleira, que alvoroçada ia direcionando o caminho para respirar o ar puro da natureza e contemplar o colorido das flores. Ela ou eu?

Retorno ao sonho e à cena da sala de aula. Noto o grande alvoroço dos alunos e meu espanto, ante quem entra na sala, concentrando as atenções: Silvio de Abreu, figura pública por suas novelas de sucesso. Ele chega até mim, me enlaça a cintura, e diz para dançarmos, que queria conhecer o que eu tinha para encantá-lo. Agradeço envaidecida afirmando que meu foco continuava sendo o mesmo, que não pretendia mudar. Elogio seu poder criativo, afirmando que, para mim, seus personagens ganham vida própria em seus enredos, como na vida real, e isso é fascinante de observar. Ainda mais sob a perspectiva psicológica, acompanhando as articulações das ideias criativas de suas tramas.

De repente, me vejo citando Hannah Arendt. Coloco o quanto devo à leitura dos livros dessa pensadora, cuja obra voltou-se à compreensão da condição humana e à ênfase na importância do leitor-pensador se colocar dentro de uma pluralidade de perspectivas para melhor análise histórica da existência humana. Desse período já se delineou dentro de mim o fato de estar atenta para obter uma percepção que abarcasse uma visão abrangente: localização lá de cima, que possibilite a contemplação do todo, e foco na velocidade dos voos da imaginação e da intuição, semelhante à destreza e agudeza do olhar e bater asas das águias, que permitem traçar novos rumos, acompanhando o ritmo acelerado das mudanças dos nossos tempos.

Como nos sonhos nada surpreende, Silvio de Abreu vai para o meio dos alunos e sente em um carteira entre eles, disposto a ouvir sobre Nietzsche. Alguns alunos já vão exercendo sua liderança e fechando grupinhos em conversas paralelas. Observo tal fato e começo, por estratégia didática, a introduzir Nietzsche e para mobilizar suas inclusões espontâneas, como participantes interessados e ativos, a estabelecer algumas semelhanças entre seus contextos.

Cito a dificuldade de Nietzsche em ser compreendido em sua época, em ter suas ideias sobre "superação humana" assimiladas como tentava expressá-las, em ser excluído do social como moralmente insano, em acabar se isolando não só por questões de limitações físicas, mas por prever que suas ideias seriam reconhecidas pelas gerações vindouras... e por aí fui, tendo êxito ao motivar o interesse dos alunos. Nietzsche foi um personagem cativante, se estivermos disponíveis e abertos também a compreender sua condição humana e histórica.

Lembro ainda que cheguei a diferenciar a real religiosidade da geração nietzscheniana dos "super-homens" - em sua busca por transcender as vivências diárias em prol de "constante autossuperação" - da enorme distorção de suas frases como a sobre "a morte de Deus". O Deus a que Nietzsche se reportava era o inventado por seletos grupos, porta-vozes das instituições religiosas, que buscavam manter - através da religião manipulada por mitos ameaçadores e cobranças de dízimos para eterna salvação - seu poder sobre a massa de adeptos, amordaçando seu senso crítico pelo temor de represálias divinas, impedindo assim sua liberdade e seu pensar autônomo e criativo.

Acordei nesse ponto, não sem antes me orgulhar de ter reconhecido minha posição interna ativa de "estar no mundo", de observar meu ser pensante tal qual "uma filósofa em suas eternas inquietudes e reflexões críticas, caminhando por vias inquiridoras e investigativas", sempre tendo por meta a melhor compreensão do "existir" e da condição humana "livre, pacífica e autorrealizada de ser em essência".

Aurora Gite

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Façam suas apostas!

Ainda não acredito, ou não quero acreditar!

É fácil amordaçar a imprensa midiática e dificultar a divulgação de notícias que não agradem à máquina do Governo. Procuro, no entanto, ainda lendo o livro de Tuma Júnior (Assassinato de Reputações: Um Crime de Estado) manter viva minha impressão de indignação como cidadã, e mobilizar minha vontade, como indivíduo que se respeita como tal, para divulgar o apelo pela busca de meios legais pacíficos, para lutar por mudanças em nosso quadro político de graves injustiças sociais - que em nada contemplam verdadeiras ideologias esquerdistas em prol de sociedades melhores através do bem-estar coletivo.

Uma das minhas fontes, nesse sentido, quando o desânimo toma conta de mim pela impotência observada, reside em ouvir Reinaldo Azevedo comentando o livro de Romeu Tuma Júnior, pela Radio Jovem Pan. Encontram no twitter desse jornalista (por volta de 9 de dezembro de 2013, dias antes de seu lançamento ao público ) comentários sobre a situação em Brasília ante a pré-divulgação do conteúdo bombástico do livro. Acredito que possa ser ouvido também entrando pelo site www.jovempan.uol.com.br/opinião-jovem-... Ou ainda pesquisando em www.google.com.br/reinaldoazevedo .

Impossível que, ante o "baú dos probatórios" (termo indicador de algo que contém provas), exposto por Tuma Júnior, não existam meios legais para bloquear os trâmites de ações ilegais governistas.
Minha inquietação se volta a indagar sobre soluções!

 "Como inibir o uso de "vias fictícias legais", que mascaram sistemas ilegais formalizados oficialmente pelo governo petista atual atuando dentro do Poder Executivo?"

Quem será o primeiro cidadão, lutando pela "dignidade do Brasil", a se utilizar do farto material: testemunhos e documentos, nomes e datas?
Qual será o digno e honrado representante do Judiciário, que não se deixou envolver por essas falcatruas, que partirá em busca da "Justiça Social"?

Vocês apostam em quem?

Quem será o primeiro a adotar medidas jurídicas cabíveis, ante "tantas evidências realmente bombásticas", que abalam, sem dúvida, as bases estruturais do governo petista, e colocam abaixo qualquer intenção de manutenção de ídolos carismáticos, usados como carros-chefes da dissonância ideológica?

Mentiras desmascaradas, bem como a descoberta, e constatação das autorias dos assassinatos de reputações, por articulações de mentes doentias, perversas em suas manipulações e distorções de fatos reais, não têm mais condições de serem jogadas para baixo do tapete, visto já terem aberto brechas em nossa cegueira social.

O relato e a descrição detalhada, do que ocorre realmente ocorre nos bastidores do governo petista atual, nos obriga a refletir sobre o alto preço a pagar ao nos permitirmos "ser aliciados nos tentáculos das ofertas dos representantes governistas" e abaixarmos nossas defesas morais racionais por incautos (imprudentes) interesses materiais, ou ...

Ou nos permitirmos "cair na sedução das sereias", que distribuem favores e benesses, e  logo perceber o peso das "algemas da gratidão" na cruel e atemporal cobrança moral do "toma lá-dá cá".

Por quanto tempo, ainda, estaremos, como membros do povo brasileiro, vulneráveis nas mãos dos "maquiavélicos inescrupulosos" e "irresponsáveis corruptos", embora constituindo o grupo daqueles que, como Tuma Júnior afirma, preferiram não abdicar do "comando moral de sua própria consciência interna, para lhes indicar:
* o que é certo ou errado;
* o que é ser moralmente digno;
* o que é ser justo, sendo livre de chantagens politiqueiras ou não;
* o que é ter orgulho de pertencer a minorias rejeitadas, que conservam sua auto-estima;
* o que é sentir a amplitude de sua autorrealização profissional e valor (força) pessoal
* e o enorme prazer vital por ser humanista convicto, protegendo e defendendo uma verdadeira justiça social, no cotidiano da sociedade.

Só peço que se aproximem, constatem a veracidade dos fatos, e façam suas apostas!

Não quero passar para a História do Brasil, no lugar que estão me destinando, impotente e impassível, acatando tudo que me é imposto, com medo de quaisquer tipos de represálias que aviltem minha autonomia nas tomadas de decisão, amordacem minha liberdade de expressão e transfiram minha responsabilidade sobre o meu próprio "querer" para pequenos grupos, que comandam a massa pasteurizada, após doutrinada.

"Eu sou capaz de decidir o regime de governo que acredito que me fará mais feliz e trará maior qualidade de vida à sociedade em que vivo!
E se tiver que seguir por outra direção, também sou capaz de me apoiar em minha razão, para aquietar o emocional frustrado, levantar, sacudir a poeira, dar a volta por cima, vislumbrar e buscar concretizar novos sonhos para o progresso de meu Brasil!"

Agora, façam suas apostas!

Aurora Gite


domingo, 5 de janeiro de 2014

"Assassinato de Reputações: Um Crime de Estado"

A chamada através da Revista Veja (11/12/13) já mobilizou meu interesse para ler o livro "Assassinato de Reputações: Um Crime de Estado" de autoria de Romeu Tuma Junior (Topbooks: 557 pág.,2013).

Esgotado em algumas livrarias, recebi minha encomenda ontem pela manhã. Mergulhei em seu conteúdo, desvendando o que ocorre nos bastidores do Lulismo e do PT: fábrica de dossiês e cruéis difamações.

Convém realçar que o PT de bons tempos para cá se enquadra na categoria do Partido do Governo, não mais Partido Representativo da Esquerda Brasileira. Nesse sentido, faço um parêntese, para indicar o vídeo, publicado em 29/12/2013, do recente programa Painel-GloboNews:
*  http://youtu.be/lwEUKB_E60k via @ youtube
ou pelo site:
* www.g1.globo.com/globo-news/glo...
ou pelo twitter:
ThompsonLM (thompsonlm)

Sob o comando do jornalista William Waack, o programa acima mencionado contou com convidados como Luiz Felipe Pondé (filósofo, professor PUC e FAAP-SP, colunista do jornal Folha de S.Paulo), Reinaldo Azevedo (jornalista) e Bolívar Lamounier (cientista político). É difícil comentar a excelência do debate e a elevada qualidade das intervenções de todos os participantes. Vale assistir e tirar suas próprias conclusões sobre o quanto podem agregar à vida de cada um, principalmente ao cidadão dentro de cada indivíduo.

Dentre os temas abordados voltados a questionar o padrão da política brasileira atual, estão:
* Afinal, o que é Direita, o que é Esquerda?
* O que são vertentes ideológicas na política brasileira, ou no momento atual só existe uma?
* Por que o PT se autoatribui o rótulo de "Esquerda", se não mais se enquadram no perfil desse regime?
* O debate político se concentrou ao redor de uma guerra cultural, da discussão sobre valores morais, impondo o PT o codinome de "Monopolistas da Virtude" lutando por "Justiça Social" que afrontam a realidade dos fatos, mas por que vozes de Partidos da Direita Brasileira não se fazem ouvir apontando a tal hipocrisia falaciosa?
* Parece que no momento atual não se há como falar em "Direita" e "Esquerda", as ações de suas representações não condizem mais com esses conceitos, sendo assim por que não se desviar o centro das discussões para partidos que são a favor e os que são contra o Liberalismo, a liberdade do indivíduo - que deve ser inserido na coletividade gerida pelo Estado - e sua autonomia - que deve ser aprisionada dentro do bem social?

Espero ter despertado a curiosidade para que se mobilizem a assistir ao vídeo desse programa, com intervenções ultra-oportunas do mediador William Waack.

Em um dia já li um terço do livro de Tuma, em suas 557 páginas.
Confesso minha surpresa ante a coragem da exposição dos fatos históricos e o minucioso detalhamento dando "nomes aos bois". Minha avidez na leitura, também decorre deles corresponderem a uma época de vida das gerações que conviveram com a Política da década de 70 até agora, e não conseguiam compreender o que ocorria em nossa sociedade. Não contavam com os dados agora trazidos para preencher as lacunas que dificultavam qualquer interpretação mais ousada, baseada na lógica da razão.

Incrédula e enojada, diante do rei e seu séquito "nus", expostos por Tuma com testemunhos e argumentos de peso, leio sofrega e impacientemente.

Com o coração nas mãos, cabeça funcionando a mil para assimilar e articular boa parte da pluralidade de informações, otimizando o tempo de leitura e contendo a voracidade do "quero saber mais como cidadã!"

Mais que um convite para que se seja lido e compartilhado, reconheço que meu apelo se tornou uma imposição pelo bem das gerações futuras, inclusive:
"Não deixem de ler, se inteirar da História do Brasil que por omissão estamos ajudando a construir, e de divulgar o que ocorre nos bastidores da nossa sociedade e nas nossas fuças!"

Quero a dignidade de meu país de volta!

O que fazer?
Rever as falácias, ou grandes mentiras, do Governo para manipular a opinião pública, e pensar muito bem em quem votar, já nesse ano de 2014!

Aurora Gite


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

"Casuística e Metodologia" e ... lição de vida?

Dando continuidade à postagem anterior ...

Todos os sujeitos da amostra passam inicialmente por um programa educativo ministrado por uma equipe transdisciplinar, que teria por objetivos:

* Ampliar o campo cognitivos dos pacientes, possibilitando várias informações sobre a patologia em si e o processo doloroso, sobre movimentos e exercícios físicos adequados e inadequados, sobre aspectos nutricionais e interferências emocionais pertinentes ao quadro apresentado
* Dissipar dúvidas, pertinentes à sua área de atuação, minorizando ansiedades emergentes por falta de conhecimentos específicos.
* Formar hábitos mentais voltados para uma vida mais saudável, maior disciplina sobre os padrões emocionais e melhor administração de reação impulsivas.
* Buscar maior conscientização do paciente sobre sua responsabilidade com o tratamento e a necessidade de sua automotivação para uma participação ativa durante o mesmo.
* Procurar maior envolvimento do paciente no compromisso de "querer efetivamente se cuidar" e obter resultados eficazes, eficientes e efetivos.

Posteriormente, os sujeitos serão divididos em três grupos, cada um recebendo intervenções diferenciadas, embora todos tenham como objetivo comum o alívio dos sintomas, a minorização se possíveis interferências emocionais e a melhora de qualidade de vida.

Sendo assim, a hipótese, a ser confirmada ou refutada, é que os pacientes vão apresentar um gradativo quadro de melhora de sua sintomatologia cronificada.

Casuística e Metodologia

Serão avaliados um total de 30 sujeitos, portadores de Síndrome de Fibromialgia. Os pacientes serão encaminhados por Dra. ..., fisiatra responsável pelo Grupo de Fibromialgia da Medicina Física do Instituto de Ortopedia do Hospital ... da Faculdade de Medicina da Universidade de ...

Da amostra serão excluídos os pacientes do sexo masculino, mulheres com idade inferior a 30 anos, analfabetos, portadores de graves distúrbios cognitivos e/ou neurológicos, que apresentem (ou tenham apresentado) algum comprometimento psiquiátrico, que estejam sendo acompanhadas por outra especialidade médica com programas similares, ou que já tenham passado por algum programa educativo semelhante.

Para a classificação das amostras serão consideradas as informações obtidas através dos prontuários médicos. Variáveis demográficas serão coletadas por uma "Ficha de Identificação" previamente elaborada, e pelo questionário padronizado para a obtenção da "Classificação Socioeconômica do Brasil" (ABA/ABIPEME) dos sujeitos selecionados. Demais variáveis serão extraídas dos registros efetuados durante o procedimento.

Os dados serão colhidos no Ambulatório de ............................................

O procedimento constará de dois momentos:

* Em um primeiro momento, todos os sujeitos passarão por um "programa educativo" a ser ministrado por uma equipe interdisciplinar: fisiatra, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo. O psicólogo permanece constante durante todo o programa, já realizando em seu transcorrer uma avaliação diagnóstica psicológica.
Período: 1 encontro
Duração: 03 horas e 30 minutos, assim distribuídos:
- 15 minutos seriam reservados para uma dinâmica psicológica, visando maior integração grupal, onde seriam investigadas as expectativas sobre o programa, buscando dissipar idealizações inatingíveis.
- 30 minutos para o representante da Fisiatria.
- 30 minutos para o Fisioterapeuta.
- 15 minutos de intervalo
- 30 minutos para o representante da Nutrição
- 30 minutos para a Psicologia
- 30 minutos para o encerramento, onde os pacientes dariam um feedback sobre o programa, respondendo inclusive um breve questionário padronizado (a ser elaborado pela equipe), material que poderá servir para melhor categorizar posteriormente a população fibromiálgica, as crenças e expectativas sobre a doença e o tratamento, as dificuldades e limitações para que a adesão se processe adequadamente, possíveis ansiedades decorrentes de vínculos fantasiosos, inclusive com os profissionais da equipe e com a instituição.

* Em um segundo momento:
- subdivisão em três grupos (I, II e III)
Os grupos serão diferenciados pelas técnicas empregadas, selecionadas de acordo com a amplitude dimensional a ser abrangida:
- Grupo I : dimensão comportamental e cognitiva
- Grupo II : dimensão comportamental, cognitiva (intelectual) e afetiva
- Grupo III : dimensão comportamental, intelectual, afetiva e espiritual (transpessoal)
Critério seletivo aleatório por sorteio.

Número de sujeitos por grupo: 10
Atendimento grupal: 1 vez por semana em horários diferenciados
Período de atendimento: 1 hora e 30 minutos
Total das sessões semanais: 10

O controle avaliativo dos grupos será padronizado, consistindo em:
- Autobiografia da dor, por escrito
- Diário semanal, com anotações sobre AVD e situações de dor
- Apresentação de uma figura humana, para anotações dos pontos de dor, antes e depois de cada sessão

A leitura dos dados e as referências bibliográficas que embasaram o Projeto ...

Paro por aqui! Não acredito serem mais pertinentes nessa postagem.

Penso que discorrer sobre o que ocorreu com o Projeto, pode valer como um grande incentivo aos que ainda não desenvolveram a persistência ou "a sábia perseverança" para colocar suas criações no mundo, a coragem para ousar se diferenciar e conviver com a competição invejosa e perversa entre seus "pares", ou transformar o "clima empresarial" e alterar o desânimo ante equipes fechadas - que podem ser associadas aos grupos "bionianos" psicotizantes - sem aberturas ou trocas e sem crescimento pessoal ou coletivo.

O projeto e o protocolo de pesquisa, foram apresentados ao Diretor da mencionada Divisão, merecendo sua avaliação positiva e sendo reconhecido o mérito inovador da abrangência de articulação que os dados e a leitura conclusiva possibilitariam a formação de novos programas terapêuticos interdisciplinares. Avisou que o mesmo seria entregue à equipe da Escola responsável pelas intervenções na patologia mencionada. Protocolei a entrega e ... foi a última vez que vi meu Projeto, sequer soube dele.

Mas não só desvios perversos ocorrem ainda nas instituições e a maioria por parte dos próprios "pares". Represálias vêm da união desses com os da assessoria administrativa, responsáveis pelos trâmites burocráticos.

Se os primeiros conseguem distorcer informações como, por exemplo, avisar de alteração de horários de reuniões de Diretoria, vil atitude vinda a descoberto por se cruzar com o Diretor e dele ouvir "Senti sua falta na reunião!", ou ainda disseminar depreciações caluniosas contra a pessoa física do profissional, unindo, por ignorância, espiritualidade com baixo espiritismo - distante da categoria de ciência e moral filosófica elevado onde atualmente pesquisas colocam esse lado espiritual. São dos próprios pares que se esmeram em humilhar, não apenas desqualificar potenciais profissionais com frases do tipo "Estou mostrando meu projeto, não para que agregue suas ideias, mas para que faça uma revisão do português (?)... Para que providenciarmos uma funcionária administrativa para nós, se você está aqui e pode corrigir e digitar?"

Por outro lado, dentro das funções do quadro burocrático é fácil engavetar projetos, e até não se responsabilizar por seus "sumiços", inutilizando o peso de protocolos de recebimento; como é ainda comum acobertar, e até negar, a procedência de atitudes discriminatórias e condutas que denotam grande injustiça social e falta de legalidade trabalhista.

Qual foi a lição? Vitimização ou coitadismo?
Enfiar mais a faca de traições dos pares, ou se afundar no sofrimento pelas feridas na alma por injustiças humanas?
Chafurdar no mar de lama no qual essas pessoas se encontravam?
Acusar, bater boca, acolher e rebater também com maldades, mergulhar em queixas, contribuir para intoxicar o bem-estar emocional pessoal e da equipe?

Não foi o caminho escolhido, podem crer!
Mais ideias brotavam e novas curiosidades vieram para projetos mais ousados. Assim é a "cabeça" dos pensadores, criadores, inovadores, empreendedores visionários e idealistas, perfis do futuro milênio.
O tempo foi muito bem aproveitado e otimizado, na psicologia clínica projetos de pesquisa engavetados ou desviados e entregues a terceiros, por que não ousar criar projetos inovadores, para a época (10 anos atrás), visando a psicologia organizacional?

Nesse sentido, ao remexer o baú das impressões institucionais, junto com muitos profissionais em posições semelhantes, que optaram por decisões mais enobrecedoras e virtuosas, persiste a  imensa gratidão a todos, "pares" falaciosos ou pertencentes a outras categorias profissionais, que acabam se transformando em variáveis funcionais, que impulsionam os que querem progredir com integridade e evoluir dentro dos valores espirituais. Vale o reconhecimento que são meros funcionários dentro da instituição que, atualmente, não têm nem o mérito de serem seus "porta-vozes" oficiais.

Aurora Gite

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Esboço de Projeto sobre a dor e sua compreensão psicodinâmica

Remexendo baús, encontrei esse esboço, que compartilho por ter tido muito orgulho de ter elaborado esse protocolo de pesquisa, por volta de 2003, mas que conserva ainda seu status de atual. Talvez possa auxiliar, nesse milênio, a alguns profissionais da área de saúde mental a quebrar tabus e preconceitos.

Confiram por si e avaliem a repercussão que poderia ter tido há 10 anos!

Por sua extensão, divulgo em duas partes, sendo que "casuística e metodologia", para os que se interessarem pela linha de trabalho, estarão na próxima postagem.

" Lidar com a dor, aliviá-la ou saná-la, tem sido um desafio constante por parte de muitos profissionais da saúde. Extensa equipe transdisciplinar se agrega ao redor do paciente portador de um quadro doloroso, obrigado a conviver com angústias geradas pelas frustrações e impotência, decorrentes das frequentes limitações em seu agir. Alto investimento pessoal por parte da área médica, do paciente e de seus cuidadores, com pouco retorno e elevado ônus sócio-econômico, inclusive para os órgãos de saúde competentes, tornam-se fatores que justificam a importância e a emergência de programas voltados a minorizar os sintomas dolorosos e buscar a compreensão da psicodinâmica que envolve a manifestação da dor, sua perpetuação ou cronificação.

Os mecanismos biofisiológicos da nocicepção não são difíceis de serem detectados, bem como são facilmente catalogadas algumas estratégias de enfrentamento, ou condutas adotadas pelos pacientes ante a presença da dor. No entanto, o mesmo não ocorre ao se buscar intervir satisfatoriamente buscando alterar essa experiência emocional desprazerosa, na maioria das vezes limitante, que pode vir a se constituir em um vivência emocional cronificada e desproporcional, independente da presença ou não de danos teciduais. A complexidade desses quadros clínicos, transforma-se em grande obstáculo para a obtenção de diagnósticos precoces e consequentes prognósticos mais benéficos, justificando a liberação institucional dos pacientes.

A Fibromialgia ou Síndrome Dolorosa Muscular (SFM) corresponde a uma dessas entidades clínicas caracterizadas por uma dor muscular intensa, difusa e crônica. Os pontos dolorosos são múltiplos e de fácil apalpação em várias regiões específicas do corpo, sendo necessária a presença de, pelo menos 11, dos 18 pontos pertinentes à síndrome, fatores indicativos do grande desconforto, físico e psíquico, trazidos por esses pacientes.

A etiologia dessa patologia não decorre de inflamação tecidual, mas de disfunção do sistema nervoso central, acarretando o aumento da sensibilidade dolorosa e, portanto, a diminuição da tolerância do paciente à dor. Não há método complementar de radio-imagem ou laboratorial, que possa auxiliar no diagnóstico desses pacientes, sendo o mesmo obtido pelo 'exame clínico', realçada a importância dos 'dados coletados através de auto-relatos'.

Torna-se perceptível à área de saúde mental, a forte presença de interferências emocionais na eclosão e manutenção da dor e na exacerbação de muitos sintomas físicos, que acompanham o quadro, alterando a qualidade de vida dos pacientes e familiares. Ilustrando essa afirmação podemos citar alguns como: distúrbios do sono, parestesias, alterações gastrointestinais, síndrome da bexiga irritável, intolerância ao frio, síndrome dos pés irrequietos, disfunções cognitivas e afetivas.

Um quadro de dor mobiliza comportamentos regredidos, passivos e dependentes, contribuindo para condutas de isolamento e afastamento do convívio familiar e social. O desconforto imposto pela restrição dos movimentos e alterações de postura, bem como a raiva e a impotência a que remetem, tornam-se fatores iatrogênicos para a elevação do desequilíbrio a nível de saúde mental. Muitas vezes culminam com o afastamento do trabalho e todas as consequências que tal fato acarreta para o paciente e para a empresa, inclusive podendo chegar a desgastantes demandas trabalhistas, ocasionando novas descompensações em um campo mais amplo biopsicossocial e econômico. Mais angústias se agregam ao quadro da síndrome dolorosa, ligadas à vida prática e agora aos aspectos internos que envolvem, entre outros, a queda da valorização pessoal e da auto-estima, até pela diminuição da produtividade, a perda da autonomia e do crescimento pessoal, da independência e do controle sobre a própria vida, da vontade genuína de comunicação e participação ativa em grupos, indispensáveis para a integração no social.

Até o presente momento, no tratamento da SFM (Síndrome Dolorosa Muscular), têm sido enfatizadas medidas ligadas à dimensão orgânica e psíquica: uso de fármacos e terapias fisioterápicas, estratégias de enfrentamento ligadas à área cognitivo-comportamental, técnicas acupunturistas comprovadamente eficazes em sua função analgésica... A união da acupuntura à medicina tradicional, inclusive para tratamento de várias disfunções, data de período recente. O mesmo ocorre com programas educativos direcionados a esses respectivos pacientes.

Segundo Yeng, Kasiyama e Teixeira (2001, p.105): "Em geral esta abordagem terapêutica (acima citada) procura abranger todos os fatores referidos pelo doente com fibromialgia: aumento da analgesia central e periférica, melhora do sono, redução dos distúrbios do humor e a melhora da circulação sanguínea em músculos e tecidos periféricos".

Yeng (2003) em sua tese de doutorado, descreve os benefícios advindos dos programas educativos com pacientes portadores de SFM, enfatizando os resultados encorajadores obtidos com a Escola de Fibromialgia, programa desenvolvido no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Amaral (2001, p.61-63), realça que, para a compreensão psicodinâmica da dor, haveria necessidade de se englobar "mais do que técnicas cognitivas e sensitivas". Segundo a mesma, o paciente deveria ser compreendido dentro de sua 'pluridimensionabilidade' física, mental e espiritual, sendo que as técnicas adotadas deveriam abarcar seu agir (condutas adotadas e atitudes internas), seu pensar (a nível de cognição e crenças ou informações preconceituosas disfuncionais), seu sentir (a nível de sua afetividade, ou de seu conteúdo 'ideoafetivo' e suas representações imaginárias), e seu intuir (a nível de sua espiritualidade responsável pela fé, esperança e vontade para poder transcender o momento existencial vivenciado).

Amaral observa que "Questionamentos existenciais, tão comuns em quadros de dor crônica, remetem a intervenções no eixo transcendental, na dimensão espiritual, onde o resgate do sentido da vida e da importância do viver, impelem o profissional a buscar novos instrumentos técnicos, e a trabalhar cada vez mais a qualidade das relações internas e externas desse pacientes."

Muitos autores como Lemgruber (...) relatam a qualidade corretiva advinda do campo vincular relacional, conferindo ao profissional da saúde o papel de agente terapêutico, na interação que denomina de "experiência emocional corretiva".

Portnoi (2001, p.176) refere as vantagens de atendimentos grupais no tratamento da dor crônica, citando a oportunidade de convivência com indivíduos em situação semelhante, a facilitação da produção de referenciais sociais capazes de atenuar sentimentos de isolamento e alienação, a possibilidade de compartilhar temas de interesses comuns... destacando a intervenção terapêutica voltada para os comportamentos que ocorrem no contexto social do grupo, não desprezando o interesse para a instituição, pois este tipo de atendimento representa um recurso mais econômico.

Segundo Tabone (1987) a Psicologia Transpessoal surgiu nos Estados Unidos em 1966, como um desdobramento da Psicologia Humanista. Considera a importância dos estados alterados de consciência, partindo do pressuposto de que a mente é uma espécie de campo que ultrapassa de longe o cérebro encontrando-se integrada a uma mente (fonte de energia) universal.

Pelegrini (apud Tabone, 1987) refere-se à Psicologia Transpessoal ( além da pessoa e da personalidade) como "filha direta do enfoque holístico da realidade, partindo de uma concepção sistêmica da vida e do mundo, baseada na consciência do estado de inter-relação e interdependência essencial de todos os fenômenos: físicos, biológicos, psicológicos, sociais, culturais e espirituais".

Dentro da perspectiva da psicoterapia transpessoal é reconhecido o potencial humano para experimentar uma ampla gama de estados alterados de consciência. "Tem como foco central a consciência, especialmente a auto-reflexiva e a vivência no aqui e agora. Utiliza-se de ensinamentos e práticas da Filosofia Oriental, unindo-os aos recursos próprios das psicoterapias em geral, visando o alívio dos sintomas e as mudanças de comportamento. Busca a integração da ciência ocidental à sabedoria oriental, para desenvolver uma nova ciência e um novo modo de experimentar o viver." (Tabone, 1987, p.106).

O presente trabalho foi estruturado sob esses referenciais. Parte da existência de níveis diferenciados de consciência, que possibilitam o "insight" cognitivo, tão importante quanto o "insight" afetivo. Considera a compreensão de ambos de grande relevância, tanto no que se refere a sua faixa de atuação, como, evolutivamente, para a construção da personalidade e a formação da identidade (senso de individualidade). Destaca, no entanto, que essa passagem de um "não-ser" para um "Ser", que caracteriza a existência humana do "Eu Pessoal", marca o acesso a novo trabalho interno, voltado para a essência humana com seus valores morais autônomos e auto-imperativos, dentro de grandezas éticas, forças (ou energias) específicas do "Self". Nesse sentido, as intervenções psicológicas voltam-se para o lado saudável dos pacientes, para o fortalecimento da força vital, que mobiliza o ser humano para o crescimento e evolução interna, para a "transpessoalidade", para o alcance de experiências místicas ou espirituais, de integração, plenitude e harmonia."


Aurora Gite

* Casuística e Metodologia serão abordadas na próxima postagem.

sábado, 14 de dezembro de 2013

"Auto-sessão" de psicoterapia on-line, nova modalidade?

Mudanças e mais mudanças... novas formas de viver... novos estilos de vida ... e tudo num ritmo intenso, dentro de uma rapidez alucinante, numa volúpia voraz por transformações internas para acompanhar o que ocorre no mundo nesse milênio.

Lá vinha eu refletindo sobre um aspecto que me é assustador no quadro atual, que é o produto mental padronizado mediante a postura de seres humanos com seu "potencial de inteligência", que, de forma irracional, nos dias de hoje quase que só estimulam suas mentes frente aos "games". O que me afeta profundamente é observar a geração que se cria na internet e na globalização, perder o interesse por manter o nível da comunicação e linguagem escrita e falada, substituindo-as pelo famoso "tô ligado!" e você "tá ligado na minha?". Quero traduzir isso por "estou atento, estou compreendendo...e você está focado em mim, estou despertando o seu interesse?" A certeza que tenho é que mais dia, menos dia, chegaremos a um encaixe, não perfeito, mas possível, nas formas de comunicação inter-geracionais, incluindo a geração que está despontando agora.

O que me fica claro é como se diferenciam os garotos do Vale do Silício e os físicos quânticos, mais distanciando sua "inovadora classe social". Contrapondo a esse fenômeno criativo transformador, é visível o ócio com o vício pelos jogos eletrônicos, cujo torpor terá alto preço a ser pago em futuro próximo. Aqueles atraídos, por horas e horas, pelo fascínio dos "games", não estarão mais no mercado de trabalho. Ou melhor, já estão em desvantagem acentuada, pois estão perdendo as características do perfil dos profissionais do milênio.

O milênio está cada vez mais exigente do empreendedor autodidata em constante aperfeiçoamento e , pela velocidade da necessidade de reciclagem de conhecimentos, se pararmos existe um espaço aberto a ser preenchido pela competência de outros. O mercado não fica a nossa espera, não fica aguardando que um "game over" ocorra, para então obter a atenção do candidato a profissional.

Nesse sentido, visando um diagnóstico desse período da Pós-Modernidade, não posso deixar de indicar, da série "Invenção do Contemporâneo", Cpfl Cultura, a palestra sob o título " O diagnóstico de Zigmunt Bauman para a Pós-Modernidade". Observem a perspicácia desse sociólogo polonês, nascido em 1925  - 88 anos bem vividos não? - e sua análise sobre a sociedade atual paralisada sob o medo, por ter atingido uma liberdade que se vê marcada pela agonia de, ao poder se considerar livre, não saber mais para onde se dirigir. Sintetizando e comentando suas ideias, de forma magistral, a presença mordaz e sábia, a meu ver, do filósofo Luiz Felipe Pondé.

Desperto a curiosidade de vocês, transcrevendo uma metáfora citada e analisada no vídeo, disponível pelo youtube, publicado em 26.11.2011 : "Vivemos como se estivéssemos sobre uma fina casca de gelo, se pararmos ela racha."(Emerson). Bauman retira dessa imagem a ideia para dizer, segundo Pondé, que "atravessamos isolados o deserto no inverno onde a casca do gelo é fina: se andarmos devagar, o chão racha." Vale conferir o paralelo que distingue as características da modernidade da pós-modernidade, como o homem atual se vê, impelido pela força do mercado, como a própria mercadoria de troca.

Para assistirem ao vídeo ou entrem no site cpflcultura/videos e procurem pelos dados acima... ou pesquisem pelo google.com: ponde e bauman/cpfl+youtube  e escolham Invenção do Contemporâneo ano 2011. Vale a pena se inteirar desse diagnóstico sobre o quadro social atual.

Nas ideias de Bauman destaco as que coloca o "ser humano anos-luz de encontrar solução para seus problemas", para a angústia de que parece haver algo de errado com ele ante a dificuldade de acompanhar as transformações que se avolumam em tantos setores ao seu redor, e para lidar com a preocupação com a administração da vida diária vertiginosa, abismal e violenta, que parece distanciar o ser humano da reflexão moral, da compaixão e da solidariedade com o próximo e consigo mesmo.

Nas ideias de Pondé, "como dar conta de você, se você não tem mais tempo?" E como ter tempo se você fala no celular, ou em dois celulares, ao mesmo tempo em que dirige, levando ou trazendo filhos da escola num trânsito infernal, se você tem que se preocupar com o trabalho, pois, se der mole, alguém passa por cima de você, se você tem que estudar além de tudo isso, porque não poder parar de estudar nunca, é reciclagem constante para perdurar como profissional competitivo atuante na função. Além de todas essas frentes com que se preocupar, onde você tem que se manter alerta e vigilante, você tem a "frente em casa", quando você chega cansado e tem que trabalhar a relação - as eternas DRs atuais - ou optar por ficarem como duas múmias, você e sua mulher (ou marido), sentados no sofá e vendo televisão ... E você ainda tem que "trabalhar você mesmo"?

Aí, por acaso, mas não tão por acaso assim, cheguei a esse site! Ao me dispor a ouvir o vídeo de 13.11.2013, logo me veio a ideia de se enquadrar numa alternativa psicoterapêutica pertinente ao momento atual, de crise financeira e de pouca disponibilidade de tempo e  mesmo pessoal, de espaço e boa vontade internas para realizar mudanças efetivas". A proposta do autor me pareceu abranger a possibilidade de uma "auto-sessão" de terapia, a quem quiser assim utilizar o conteúdo que ele se propôs compartilhar".

Coloco algum tópicos, para exemplificar o exposto:

* Entendimento bom é o dinâmico, que impulsiona não só a vontade de mudar, mas direciona para que mudanças reais sejam efetivadas. Uma explicação não serve para mudar nada. É tudo ilusão. Mobiliza mais autocobranças e auto-exigências, tipo "eu tenho que, eu devo, eu preciso". Com isso você se desconsidera, se ignora, se auto-desvaloriza. E uma "energia de valor" é necessária para a "prosperidade profissional".

* Você tem motivações, propostas, razões e um querer interior a serem respeitados. O ser humano não é feliz com 'obrigar a se ignorar'. Se bancar, se assumir, ter posse de si equivalem a sair do papel de ser escravo de suas cobranças e exigências e se colocar como patrão de si mesmo. Organizar seu espaço interno, colocar ordem para que tenha paz, aceitando seus limites e fazendo o melhor que for possível, se optar por fazer algo...

* Você tomar posse de si é respeitar seu "pique", sua condição psicológica. Se achar que é importante para você fazer algo e escolher então fazer, é se engajar no compromisso assumido com você mesmo, sem se largar no meio. Onde ficou sua força para decidir, o que mais valeu para você ao optar? É aprender a não se deixar na mão, não se desconsiderar. É resolver com responsabilidade o que você quer bancar e ser honesto consigo, pois o acerto é com você mesmo, assim como o é, o prazer e a curtição, após ter conquistado o que se propôs realizar.

E por aí vai nesse vídeo de aproximadamente 45 minutos - acredito que o tempo dos demais vídeos à disposição - o que equivale ao horário médio de uma sessão de psicoterapia. Escolhi essa sessão de 13 nov 2013 como exemplo, mas existem várias outras, visando reflexões relevantes para por ordem e ensinar você a se disciplinar com a finalidade de alcançar paz em seu mundo interior. O mundo on-line se tornou boa alternativa nesse sentido. Uma boa reviravolta, e mais eficaz, a quem realmente quer mudar. Experimentei, mas cada um que confira por si mesmo!

E o site, via canal do youtube?

http://youtu.be/sBb8RBCceGQ
ou
www.youtube.com/watch?v=sBb8RBCceGQ

ou youtube/gasparetto/13nov2013

As duas indicações estão também em:  http://twitter.com/ThompsonLM


Aurora Gite

Em tempo:

* Leram o artigo, na revista Psyche, sobre o livro de Birman que analisa as dificuldades terapêuticas da Psicanálise, quando seu projeto não se coaduna mais com os "imperativos sociais" atuais?
http://pepsic.bvsalud.org/pdf/psyche/v11n20/v11n20a13.pdf

** Ops! Não se espantem! Conheço as novas regras sobre o emprego do hífen. No caso, as que envolvem prefixos terminados em vogal e uma palavra começada por "r" ou "s", como auto+sessão. Sendo assim, de acordo com a "reforma ortográfica", dever-se-ia dobrar o "r" ou o "s" e, como no exemplo de ultrassom, eu deveria escrever "autossessão".
    Meu coração "chiou" agoniado e minha mente "reclamou" com raiva! Não me conformei e preferi usar um "neologismo" - palavra nova derivada de outra já existente, segundo o dicionário. Daí ter usado no meu título "auto-sessão". Considerem-na um neologismo, ok?

domingo, 8 de dezembro de 2013

Enfim, "não" sós!

Muitos aspiram e suspiram pela possibilidade de concretizarem seus desejos de "Enfim, sós!".

Eu buscava, incessantemente, poder trocar ideias e compartilhar hipóteses. Agora, acredito que tenha conseguido mais do que isso, que as mesmas não sejam refutadas, mas acolhidas com fortes argumentações, difíceis de serem contestadas a partir das evidências apresentadas, e do novo pensar incluindo a mecânica quântica, que se expande cada vez mais. Essa é a razão de meu contentamento expresso por um "Enfim, não sós!"

Há alguns anos defendo a hipótese de que a energia psíquica faz parte do mundo quântico, sendo Freud o primeiro a registrar seus efeitos. Agora encontro um trabalho que me indica que "não estou tão sozinha" e que minhas conjecturas estão saindo do papel de especulações teóricas. Compartilho a dissertação de mestrado em Psicanálise, Saúde e Sociedade, de Denise de Assis, sob o título "Transmissão psíquica: uma conexão entre a psicanálise e a física".

É fascinante a retrospectiva feita por Assis do momento histórico freudiano, de quando-onde-e como surgiram as ideias de Freud para construir seu "Projeto para uma Psicologia Científica". Computo o papel de Denise de Assis como fundamental na história da Psicanálise, resgatando o início das dúvidas, associações e raciocínio original de Sigmund Freud. Por outro lado, considero assustador como, com o intuito de superproteger a Psicanálise, a maioria de seus seguidores, semelhantes aos fanáticos religiosos, reduziram seu núcleo de atuação à clínica e afastaram a criação do Criador, ao colocarem a figura pública de Freud no pedestal fictício das idealizações pessoais, ou das políticas grupais, visando preservação do poder manipulado patenteado.

Na sua dissertação, Assis nos leva a viajar acompanhando seu painel delineador da evolução histórica do movimento psicanalítico (Freud e as ideias contidas em seu Projeto de uma Psicologia Científica sempre presente em sua obra, neuropsicoses de defesa, pulsões ou forças instintivas), correlacionando com ideias predominantes no momento do surgimento da Teoria Quântica  (Newton, Einstein, Mark Planck, o observador influenciando o observado).

Assis nos convida ainda a conhecer os apontamentos de Freud sobre a Telepatia, citando as influências de Jung e Ferenczi, chegando às ideias freudianas sobre o Ocultismo e suas relações com os sonhos, além de relatar a experiência de Freud por seu contato direto com o Espiritismo. Continuando nas suas interconexões, dedica um espaço para a Física e Telepatia, a Transmissão Psíquica entre Gerações e o Corpo. Dá um fechamento a esse tópico com distinção entre Religião e Espiritualidade, com Transmissão, Psicanálise e Espiritualidade.

Em suas considerações finais localiza a "Psicanálise à Frente de Seu Tempo". Vale conferir como Assis articula todos esses conhecimentos e pareia, cientificamente, os diversos argumentos dos autores citados de ambos os lados: Psicanálise e Física.

Convém não esquecer que o mundo vibracional, que se nos desponta, com suas interconexões relacionais, e sua rede de energia que mantém atuantes os vínculos afetivos (que liga os que são afetados pelo entrelaçamento de partículas - sincronias e afinidades). A concepção atual é de "Universo Holográfico", energeticamente estamos todos unidos.

Aqui estabeleço um parêntese para chamar a atenção para o show em homenagem a mais um ano do falecimento do cantor e compositor Cazuza, onde aparece no centro do palco holograma do cantor em várias movimentações. Como não sentir correr no psíquico o sangue da emoção?

Não há mais espaço, tempo, objeto independentes de nosso psíquico. Categorias conceituais, ou palavras, são fenômenos dentro de nossa cabeça, não estão "lá fora", dependem de nossas escolhas e atribuições de significados ou sentido. O próprio "nada" não é um vazio, mas é um "nada vibrante" permeado de matéria sutil, energia que pode ser abarcada pela sensação interna de luz e calor, espaço-tempo e consciência inferidos pelas sensações intuitivas de aconchego e paz. Não se pode mais negar a realidade de vários estados da mente, e da limitação dos cinco sentidos para abarcar a recepção de tais estímulos e retradução dos impulsos a eles pertinentes. O cérebro recebe sinais, mas não podemos nos recusar a observar a existência de um princípio inteligente que os organiza em hologramas, que chamamos de realidade.

A Teoria Quântica nos remete a um "Universo Paralelo da Realidade" e à necessidade de um novo pensar sobre o que chamamos de "pessoa", de "ego", de "ser", de "eu". Uma partícula só existe em relação a outras partículas subatômicas. Assim também nosso lugar no mundo depende de nossa vida de relação com o que nos cerca.

Coloco ainda a citação de Wolf, colocada por Assis: "Que é a vontade? De que modo, nós humanos, possuímos a capacidade de escolher o que queremos? (Wolf, in Assis, 2011, p.38) .

"Recentes pesquisas (...) relacionam a mecânica quântica com a força de vontade... uma escolha atuando num nível atômico muito pequeno." (idem, p.38)


Passo o site, mas, se não conseguirem entrar direto, chegam através do Google, ou através do Twitter de ThompsonLM :

www.uva.br/mestrado/dissertacoes_psicanalise/transmissao-psiquica-uma-conexão-entre-a-psicanalise-e-a-fisica.pdf


Com o advento da Física Quântica e propagação das revoluções nos paradigmas em várias áreas do conhecimento, com grande influência nas novas intervenções que dizem respeito a saúde do ser humano como um todo (espiritual-bio-psico-social), mais se fortalecia dentro de mim a hipótese de uma ideia ser a partícula ou o elétron do mundo psíquico, e sugestões ou alternativas constituírem as ondas quânticas de probabilidades a espera de serem escolhidas através do olhar de um observador consciente, adquirindo assim a característica de partícula quântica, possibilitando novas imagens psíquicas carregadas de energia. Mais se destacava, para mim,  a necessidade do abandono de teorias reducionistas e a substituição por abordagens ecléticas, particularmente por parte dos profissionais da saúde.

A leitura sobre o humano, após comprovações quânticas envolve a compreensão sobre a intensidade da propagação da energia, sobre o fluxo dos processos ondulatórios, sobre a qualidade das vibrações e das emanações de intenções. A escuta se expande às dinâmicas psíquicas e corporais. Ao abordarem um fenômeno de forma dinâmica, já estão fazendo a leitura do movimento da energia psíquica, buscando uma "compreensão psico-energética".


Agora é ir mais adiante, alargando minha hipótese: "Os processos psíquicos fazem parte da dinâmica quântica, assim como os estados orgásticos e místicos".

Normas e regras estão ligadas a usos e costumes e a uma "moral imposta". Princípios e leis estão ligados a honra e dignidade e a "valores morais autorreferenciados". Acredito que o espaço interno de liberdade e responsabilidade propicie o alcance de novo patamar psíquico, onde o ser humano adquire a "potência de se autorreferendar", dando expressão à sua essência ao abrir espaço e bancar a colocação dessa essência real em sua existência psíquica virtual. 

Continuo respeitando a Teoria das Pulsões e observando a importância dada por Freud à excitação de zonas erógenas e suas consequências nas diversas fases de desenvolvimento psíquico. Agrego, no entanto, que o "orgasmo duplo" advém de uma plena entrega à "auto-excitação, duplicação da energia quântica interior, mobilizada naquele momento específico". Segundo uma paciente o descreveu: " Era como se estivesse numa montanha russa na hora da primeira descida, a cabeça se esvazia de tudo que nos afeta naquele momento. É um relaxamento do pensar. A presença da sensação física predomina. Estava começando a sentir o descontrole prazeroso com a rápida e vertiginosa descida. Foi algo imprevisível, como se engatasse uma outra marcha, 'outra força inesperada e incontrolável' aumentando o impulso e, em muito, a sensação prazerosa. Algo inesquecível! É difícil encontrar palavras para descrever o que ocorreu dentro de mim!"

Observo a mesma via quântica para a energia dos estados alterados de consciência sejam eles através dos prazeres sexuais orgásticos; da plenitude e êxtase das experiências místicas; da surpresa e alegria ante "insights" intuitivos; da sensação de autorrealização e bem-estar presentes nas verdadeiras criações artísticas; da intensa satisfação interna de completude advinda do aconchego, paz e serenidade que cercam o fenômeno amoroso.

Tudo que diz respeito ao ser humano, sai da categoria de hipóteses e inferências por observações soltas, e torna-se argumento significativo e verdadeiro, se puder ser observado e experienciado por outros seres humanos. Agora é aguardar para bradar: "Enfim, não sós!".

Aurora Gite