Existem pacientes que com o tempo vão se tornando especiais. É lógico que guardamos essas impressões seletivas, mas não podemos conter a ansiedade pela expectativa dos novos contatos.
Experiências de vida semelhantes sempre nos reportam a observar, sob novo prisma, nossas próprias vivências. Esse é o campo fantástico que ocorre não só nas relações psicoterapêuticas, mas nos encontrões da vida, que acabam se tornando para cada um de nós, pela similaridade de vivências e das profundas marcas que as fortes impressões cunharam em nossa memória, em elos que possibilitam novas compreensões sobre nós mesmos, constituindo-se em verdadeiras experiências emocionais corretivas.
É o próprio viver ganhando vida própria, ao adquirir novo colorido, nova significação singular, novo sentido subjetivo, submetendo nossa liberdade e livre arbítrio à sua tutela sempre. Nesse trilhar não há como não se confrontar com grandes enigmas, que nos obrigam a escolhas que nada têm a ver com nossas reais vontades e desejos, mas que nos confrontam com grandes aprendizagens como as contidas nas lições "Com a vida não se briga, pois se perde sempre." e "Otimizar o tempo é torná-lo aliado, atento às oportunidades que nos oferece."; ou, ainda, "Envelhecer com galhardia, não é atribuir à vida os fracassos que nossas más escolhas propiciaram, mas observar que, se somos responsáveis por elas, somos também passíveis de possibilitar alquimias interiores e, de posse da jovialidade de vitórias, se imbuir de garra, para autorrealizações gratificantes, e cair na sensação indescritível de precisar de mais tempo de vida".
Esse é o estado interno em que se encontram alguns pacientes, em sua luta para ultrapassar o sofrimento de suas vivências, afastar as máculas das mágoas e ressentimentos, buscar sensações pacíficas de serenidade e harmonia internas, transformar a superação de obstáculos em incentivo à aquisição de uma auto-estima positiva e fonte mobilizadora de um saudável amor-próprio, inquebrantável ante qualquer ataque vindo do mundo social que os cerca. Como não deixar de admirar esses pacientes, e não alçá-los à categoria de especiais? Aprenderam a reconhecer os próprios limites, se resignar aos desígnios do destino (da vida?), selecionar vários focos de prazer para não se permitir serem dragados pelo poço das carências, administrar seus desejos e ir, com garra, em busca racional de suprir suas faltas...
Recordo de uma... que se me tornou especial. Chegou me dizendo como era difícil o mundo infantil e que pouco se lembrava desse período. Conforme avançou na terapia, mergulhou com coragem dentro de si mesmo, descortinou o véu da amnésia e as lembranças jorraram:
* Não sabia como agir com minha mãe, nunca soube na verdade, tentava acertar na relação com ela, mas parecia que errava sempre. Minha avó tinha problemas com as figuras femininas, minha mãe também as tinha. Era pequena quando ela me disse que tinha abortado, após meu nascimento e de meu irmão, por ter certeza que seria uma menina como eu; as meninas davam muito trabalho. Lembro de ter encolhido e me recolhido dentro de mim. Pouco antes dela morrer, ela me confessou que tinha tentado um aborto, também comigo, pela situação familiar estar complicada na época, mas não teve êxito. Para meu espanto, eu tenho a forte sensação na memória, a impressão sofrida de como feto estar encolhida num canto do útero me protegendo. Isso me assusta, mas a ciência tá avançando, não é? Algum dia vamos encontrar explicações sobre nossa memória.
* Não é fácil quando, além de termos que conviver com nossas próprias angústias e fantasias infantis, ainda temos que sustentar as dos pais. Minha mãe sempre depositou em mim a culpa do que lhe sucedia.Se minhas tias não lhe telefonavam, era porque eu, ou meu irmão menor, não buscávamos maior contato social com elas; se meu irmão quase morreu porque em uma de nossas brigas infantis peguei um pau que tinha um prego na ponta e bati com raiva nele, por ter estragado uma de minhas bonecas, eu era uma assassina (assim me senti, mesmo sabendo que não tive intenção -nem vi o prego enferrujado - e depois ele superara tudo); nossa, e no dia em que precisei tirar um raio-x do pulmão... sua angústia era dobrada, pois seu primo irmão, meu padrinho, morrera de tuberculose; ele era nosso vizinho de casa ... no trajeto todo de tanto ela me culpar por não comer direito, não me precaver no contato com ele - eu já era portadora da doença; imagine meu pavor ao realizar o exame!
* Sempre tivemos problemas financeiros. Muitas vezes meu pai perdia no jogo seus salários. Ela constantemente trazia à tona essa situação o culpando por nossas privações, sempre nos dizendo nos momentos de raiva, que era preferível que morresse, pois viveríamos bem com sua pensão. Na época que começamos a passar fome, eu e meu irmão fomos enviados para a chácara de tios. Se fosse só isso... mas quando meus pais iam nos ver nos finais de semana, ela não assumia a função materna comigo; a tudo que pedia me mandava pedir autorização a minha tia - meu sofrimento era de me sentir uma verdadeira órfã, nas mãos da tirania de uma tia que não tinha filhos. Minha tia me obrigava, cedo pela manhã, a esperar a caseira chegar, para só então ir ao banheiro, mesmo eu lhe dizendo que precisava ir, não aguentava mais esperar... escutava meu tio brigando com ela, e ela inflexível em seu rigor disciplinar! Muitas vezes nos dirigíamos a sua enorme dispensa para roubar uma lata de leite condensado, tanta era a vontade de comer um doce, e acabávamos curtindo a travessura, mas o saboreá-lo carregava a culpa pela transgressão indevida. Não gosto de lembrar quando me obrigou a tomar um prato de sopa, um tipo de creme de maçã salgado, de cor cinza... não suportei conter em meu estômago em meus 7 anos e botei tudo que consegui ingerir, à força, para fora, em golfadas e mais golfadas; e só recordo a voz de minha tia, frieza cortante em tom de reprovação, ordenando à caseira que providenciasse a limpeza de toda a minha sujeira - "eu" (pessoa) sumira do desagradável cenário.
* Nos momentos de raiva, minha mãe sempre apontava meus defeitos como apontava constantemente o fato de eu ser desafinada; sentia uma espécie prazer em me humilhar, diferente da proteção com que envolvia meu irmão. Era um suplício quando me obrigava a escolher de quem gostava mais, dela ou de meu pai. Dizia que eu tinha o 'sangue de barata' de meu pai, mas eu me amedrontava e tinha pavor de vir a ser impulsiva a troco de nada, muito menos ser agressiva e rancorosa como ela. Escolher entre pai e mãe é sempre um sacrifício, e muitas vezes a escolha afetiva contradiz a evidência de fatos reais e é contra quem mais cuida. Acho que a percepção da criança é mais sagaz do que se imagina. Não sabe nomear, mas saca e sente a dor da ambiguidade, insegurança e incerteza desde cedo.
E eu a refletir, posteriormente, como algumas pacientes conseguem ultrapassar tudo que passaram e reverter seus quadros patológicos?
Como crianças conseguem conviver e administrar possíveis sequelas em sua socialização?
Alteram-se as configurações das sociedades, mas permanecem constantes as formas de relações familiares, onde predomina o medo da perda do amor. Pais ou cuidadores, em sua impulsividade patológica, não abrangem a extensão da "tortura psicológica" e os "efeitos na estrutura mental em formação na criança". Palavras ferinas podem se constituir em "dardos envenenados" direcionados ao mundo psíquico, se a vulnerabilidade de quem as ouvir impedir que estabeleça limites.
Quadros fóbicos (em nossa sociedade, "transtornos de ansiedade fóbicos" e mesmo casos mais regredidos de "paranóias" não predominam no meio dessa visível violência?) - se desenvolvem em crianças que vivem, desde tenra idade, sob o teto do "amor condicional": vivem sob o medo de amar e o pavor de serem amadas. Relações parentais que passam a mensagem "Amo você, se for bonzinho!", contaminam o mundo de fantasia infantil, permeado por fantasias destrutivas para lidar com a dor psíquica pelo desejo de morte de cuidadores, pela desconfiança de proteções amorosas em que dizem, como algumas mães (e muitos cuidadores) o fazem "Sou sua melhor amiga, não vai encontrar outra como eu!" Assim falam categoricamente, embora demonstrem agir como maior inimiga. Não é difícil observar desde cedo os quadros de autossabotagens e psicossomatizações (alergias, problemas respiratórios como rinites, asmas...) que as cercam. As relações de troca do organismo gritam por socorro, quando o psiquismo luta por sustentar uma dor mental (angústia) sem tanto êxito.
Não é fácil ao terapeuta conter a ambiguidade do amor e ódio transferenciais e construir vínculos em que o paciente aprenda a amar e se aceitar. É importante realçar que fenômenos chamados "amor e ódio" são faces da mesma moeda: mais nefasto a um vínculo é a indiferença que significa a morte do amor. Excessiva vontade de controle e perfeição, ambição e conquista, vaidade e destaque, reação agressiva ao perder, podem encobrir mecanismos de "evitar ser rejeitado" e, ao serem trabalhados em terapia, quando as fantasias de cobranças e coerções, sensação de humilhação e desejos de vingança, vêm à tona e , desinvestidos da energia libidinal (afetiva), perdem sua força em prol do uso adequado da razão, os pacientes logo trazem a sensação de leveza e liberdade.
Sobre a paciente citada?
A frase abaixo, corroborou para me provar seu amadurecimento emocional, e me comprovou que ela assumiu a direção de sua vida, quando não mais se utilizou de "comparações com pessoas externas para mobilizar suas energias construtivas", retirando essa força de seu centro interno de referências revigorado e agora "curtido" (admirado):
"É uma pena que minha mãe não esteja aqui, para ver como fomos semelhantes em nossas divergências; sem sombra de dúvida, fortes como figuras femininas, sustentando a fraqueza e irresponsabilidade das figuras masculinas que nos cercaram. Ambas fomos marcadas por uma "rebeldia corajosa": lhe contei que minha mãe ficou poucos meses casada, presa aos ciúmes de um primeiro marido que a impedia até de visitar minha avó, e que, quando seu amor-próprio começou a ser abalado, providenciou a separação, voltando para a casa de minha avó, enfrentando todo o estigma da época em cima de pessoas separadas? Senti na pele por não poder ir para um famoso colégio de freiras, tradicional na época, por ser filha de segundo relacionamento de pais separados... mas isso é uma outra história, para um outro encontro (...especial, pensei eu). E assim continuou ela, confirmando nossa sintonia: "Ah, não fugindo de citar encontros imprevisíveis sempre especiais: meu pai e minha mãe se conheceram por ser ele designado para ser o advogado de separação de minha mãe. Mão do destino... mistério inexplicável de mais um dos enigmas da vida!"
Como não haver trocas, que mobilizem nossa evolução pessoal, no encontro com esses pacientes... que já deixaram esse lugar, não se enquadram mais nessa categoria?
Aurora Gite
segunda-feira, 7 de abril de 2014
segunda-feira, 24 de março de 2014
Responsabilidade sobre a identidade no meio da atopia e acronia
"Uma identidade no meio da atopia e acronia", ou como atualizo, "Responsabilidade sobre a identidade no meio da atopia e acronia"
Confiram porque republico!
Verifiquem se não é uma leitura pertinente, que produz reflexões incisivas sobre a responsabilidade que temos nas escolhas, que recaem sobre o aqui e agora de nossas experiências.
Somos, nesse momento, "livres no que diz respeito às tomadas de decisões", que interferem diretamente sobre o lugar ideal em que optamos por nos posicionar em nosso viver, e sobre a herança que almejamos deixar como legado público, patrimônio que decorre da construção de valores de nossa história pessoal, inseridos no quebra-cabeça da sociedade que vivenciamos. Porém não me parece que tenha havido época em que a liberdade tenha incomodado tanto o ser humano.
São muitas as opções de escolha em meio ao mundo de incertezas em que temos que mergulhar, visto terem se dissolvidos grande parte de nossos referenciais tradicionais ou de autoridades responsáveis por nossa segurança. Temos que bancar quem somos, escravos de nossas imperfeições e nossos medos, e lutar por fortalecermos nosso mundo mental para obter maior equilíbrio entre um controle emocional sobre nossos afetos, e disciplina-bom senso-temperança sobre nossas escolhas racionais.
Republico, atualizando esse post e agregando essa indicação:
http://www.cpflcultura.com.br/ "As Novas Fronteiras da Subjetivação", palestra do psiquiatra e doutor em Medicina Social, Benilton Bezerra Jr, parte do módulo sob sua coordenação intitulado "Os Efeitos Psicológicos da Crise"
ou www.youtu.be/AwOlzQ7OiwE via@YouTube
ou via google - nome da palestra - entra no youtube e é só selecionar
Tenho me detido a rever atentamente essa palestra. Assisti a esse longo vídeo (por volta de 2 horas de duração) mais de uma vez. E, a cada vez, novas perspectivas me são abertas pelas análises de Benilton, demandando novas articulações de minha parte e profundas reflexões. A sensação de "quero +", em seu término, me indica que tenho que agregar "coragem e audácia", para mobilizar meu psíquico e articular meus pensamentos, adotando postura disponível a seguir o raciocínio analítico de Benilton sobre o social que nos confronta.
Confesso que fui atrás de mais dados sobre o "homem grávido Thomas Beatie". Fato real de um transexual (linda mulher, miss Havaí, que opta por se transformar em homem cirurgicamente, faz masectomia, mas se recusa a tirar o útero, pois quer "engravidar" e ser pai) - leiam a história real e vejam a foto de Beatie grávido, pesquisando no Google. Acredito que esse caso, em particular, exemplifique os paradoxos referenciais que tenhamos que lidar a partir de toda liberdade conquistada.
Acredito que a 2ª parte da palestra de Benilton, espaço dedicado aos debates com a platéia, apresentem outros questionamentos a respeito desse caso, com novos pontos de vista que nos levam a refletir e indagar: Por que um transgressor de tradições, que opta por uma vida cheia de aberrações, tende a querer formar uma família após esse longo percurso (Beatie se casa, a esposa toma hormônios e amamenta seu filho etc...)? Aonde estará nos conduzindo nossa sociedade em meio a toda essa anomia individualista e narcísica?
Aí foco novamente sobre a "Responsabilidade sobre a Identidade no meio da Atopia e Acronia" e direciono vocês a confrontarem dois testemunhos de figuras públicas, dois exemplos de posturas de vida que decidiram por caminhos bem diferentes um do outro. Não sei com qual vocês vão se identificar mais.
Uma Identidade no meio da Atopia e Acronia, post datado de 07 de dezembro de 2011, continha o que se segue:
Primeiro duas indicações se fazem necessárias, uma entrevista e uma palestra, mobilizando grandes reflexões sobre o mundo atual e sobre nosso papel neste social virtual:
1- http:// www.tvcultura.cmais.com.br/rodaviva/fernando-henrique-cardoso lançando também seu novo livro "A Soma e o Resto: um olhar sobre a vida aos 80 anos".
2- http:// http://www.cpflcultura.com.br/ "Espaço, Tempo e Mundo Virtual" palestra de Marilena Chauí realizada em Campinas em 02.09.2010 e reprisada em 29.11.2011.
Confesso que ainda estou muito apreensiva com as atribuições humanas outorgadas a essa nova categoria de seres, com os quais vamos ter que conviver: os robôs. Dessa vez, não me refiro a massa humana robotizada, não! Eu me refiro a essas máquinas, cuja tecnologia formata, cada vez mais, à imagem humana. Acredito que a gravidade desse confronto ainda não foi abarcada.
É grande o poder que o homem entrega para as novas tecnologias em prol do progresso. Inquieta, me questiono a que se refere tal progresso, já que a humanidade perde cada vez mais sua dignidade e autorrespeito, e ganha em desesperança e violência, facilmente observadas em nosso quadro social globalizado.
Os homens, a cada dia, mais se desvalorizam e se sentem impotentes frente à máquina pensante computadorizada, cujo valor de entrecruzar dados e raciocinar globalmente é inegável. O pior, a meu ver, é que todo esse processo se dá de maneira racional e voluntária. O mais surpreendente é que os homens não são forçados a se colocarem dependentes de máquinas para tudo. O mais espantoso é que desaprendem habilidades tão simples que envolvem um prazer tão corriqueiro. O espaço da imaginação criativa cede para a inércia destrutiva da condição humana saudável - física, psíquica e espiritualmente.
Ah! Gandhi e seu tear, em sua sabedoria e abertura de espaço interno para reflexões e cultivo de valores pacíficos de convivência...
Coador de pano e espremedor manual de laranjas para a refeição da manhã? Que mundo é esse se contrapondo ao mínimo esforço de realizar as mesmas tarefas com cafeteiras e espremedores elétricos cujo "único" problema vai advir com a falta de eletricidade? Aliás, se vier a faltar, a maioria da nova geração (e muitos da velha) fica perdida, e apela para a padaria da esquina.
Pensar na vida, se questionar sobre o futuro, se inquietar com conceitos abstratos como justiça, verdade, transparência, honestidade, dignidade, ética, humildade, gratidão? Que valor tem esse blá-blá-blá no mundo atual sem quadros referenciais que possam servir de apoio, que possam se constituir em pilares para um amadurecimento psíquico necessário para assumir os "nãos" na colocação dos limites pessoais, para um fortalecimento interno contra a raiva das frustrações, para um crescimento e valorização individuais que impulsiona ao "basta", para se afastar e lutar por deixar de ser peça de engrenagem nesse social contemporâneo desumanizante e robotizado.
Homens se desumanizam, embotam seu sentir e desativam seu pensar ... robôs se humanizam, "aprendem a ter emoções", a reagir a elas adequadamente, a sorrir, a falar, a abraçar, a pensar, a articular pensamentos buscando soluções inteligentes, a realizar atividades de forma independente. Uau!
Como o exército de homens, atualmente sem valores humanos referenciais, enfraquecidos em sua auto-estima, inferiorizados em suas competências, incapacitados para viver fazendo parte de equipes, irá, algum dia, enfrentar esses monstros, que se agigantam com feições de anjo e estruturas metálicas recobertas - desenhadas para se aproximar mais e mais da imagem humana com qual finalidade a não ser narcísica? - e aos quais a tecnologia instrumenta, atualmente, até para serem violentos na defesa de suas autonomias e autoprogramações para se tornarem mais humanos?
As análises de Chauí a colocaram numa posição de excluída desse social sem a força referencial das tradições, não encontrando espaço ou tempo para manifestar sua identidade já formada e assumida. Suas considerações sobre a atopia e acronia advindas com o mundo virtual, através do qual se constata a dissolução das distâncias relacionais e do embaralhamento do tempo presente-passado e futuro - tudo se resume na proximidade do outro num "agora" virtual - a levam a assumir sua impotência pessoal para se colocar nesse mundo. Coloca sua curiosidade para acompanhar e ver a maneira através da qual a nova geração vai enfrentar o novo mundo que a espera.
Como o ser humano vai despontar a partir desse "agora - não real" ? A que valores condicionará o seu existir? Essa inquietude também me contamina e angustia.
"Não real", pois não se observa a existência dos limites perceptíveis do humano. Portanto, sem as características dos cinco sentidos e até da capacidade intuitiva, que envolvem a percepção humana, a nova geração vai demandar da criação de novos referenciais e novos paradigmas na invenção de uma identidade humana, que a faculte sobreviver no mundo contemporâneo, e nele construir sua história de vida. Em outras palavras, que a possibilite colocar sua essência na forma de seu existir nesse mundo, obtendo uma qualidade de vida satisfatória e prazerosa.
Vale assistir ao vídeo da palestra de Chauí e estar atento a sua citação inicial e devidas considerações sobre a "fenomenologia da percepção", título também da obra do pensador Merleau-Ponty, que tão bem analisou a fenomenologia existencial que envolve o homem e o social.
Por outro lado, Fernando Henrique Cardoso serve de um excelente contraponto a essa posição de expectadora dentro de uma perspectiva passiva , e se coloca como o pensador atuante que, mesmo com seus 80 anos, não abandona a postura empreendedora e busca continuar a construir a história de sua vida com orgulho e dignidade, inclusive numa participação ativa em prol de um social melhor.
Fica visível na entrevista (link acima citado) sua função pública e o peso de seu papel como político. Vale rever e analisar como se faz a própria história de vida, e como essa escrita independe até da idade cronológica com suas limitações naturais.
Da postura de Fernando Henrique Cardoso retiro como mensagem: "Não vai ser fácil a inclusão no social virtual. Cabe a cada um abrir seu espaço: não sem antes encontrar a si mesmo na utopia e acronia virtuais". Nesse sentido, dou ênfase às suas colocações sobre o papel das redes sociais em sua vida, já dimensionada em sua plenitude e dignidade.
Vale assistir ao vídeo dessa entrevista. Depois reflita sobre como ela repercutiu dentro de você.
Ah! Não deixe de comparar os dois conteúdos, que se complementam em muitos aspectos.
2- http:// http://www.cpflcultura.com.br/ "Espaço, Tempo e Mundo Virtual" palestra de Marilena Chauí realizada em Campinas em 02.09.2010 e reprisada em 29.11.2011.
Confesso que ainda estou muito apreensiva com as atribuições humanas outorgadas a essa nova categoria de seres, com os quais vamos ter que conviver: os robôs. Dessa vez, não me refiro a massa humana robotizada, não! Eu me refiro a essas máquinas, cuja tecnologia formata, cada vez mais, à imagem humana. Acredito que a gravidade desse confronto ainda não foi abarcada.
É grande o poder que o homem entrega para as novas tecnologias em prol do progresso. Inquieta, me questiono a que se refere tal progresso, já que a humanidade perde cada vez mais sua dignidade e autorrespeito, e ganha em desesperança e violência, facilmente observadas em nosso quadro social globalizado.
Os homens, a cada dia, mais se desvalorizam e se sentem impotentes frente à máquina pensante computadorizada, cujo valor de entrecruzar dados e raciocinar globalmente é inegável. O pior, a meu ver, é que todo esse processo se dá de maneira racional e voluntária. O mais surpreendente é que os homens não são forçados a se colocarem dependentes de máquinas para tudo. O mais espantoso é que desaprendem habilidades tão simples que envolvem um prazer tão corriqueiro. O espaço da imaginação criativa cede para a inércia destrutiva da condição humana saudável - física, psíquica e espiritualmente.
Ah! Gandhi e seu tear, em sua sabedoria e abertura de espaço interno para reflexões e cultivo de valores pacíficos de convivência...
Coador de pano e espremedor manual de laranjas para a refeição da manhã? Que mundo é esse se contrapondo ao mínimo esforço de realizar as mesmas tarefas com cafeteiras e espremedores elétricos cujo "único" problema vai advir com a falta de eletricidade? Aliás, se vier a faltar, a maioria da nova geração (e muitos da velha) fica perdida, e apela para a padaria da esquina.
Pensar na vida, se questionar sobre o futuro, se inquietar com conceitos abstratos como justiça, verdade, transparência, honestidade, dignidade, ética, humildade, gratidão? Que valor tem esse blá-blá-blá no mundo atual sem quadros referenciais que possam servir de apoio, que possam se constituir em pilares para um amadurecimento psíquico necessário para assumir os "nãos" na colocação dos limites pessoais, para um fortalecimento interno contra a raiva das frustrações, para um crescimento e valorização individuais que impulsiona ao "basta", para se afastar e lutar por deixar de ser peça de engrenagem nesse social contemporâneo desumanizante e robotizado.
Homens se desumanizam, embotam seu sentir e desativam seu pensar ... robôs se humanizam, "aprendem a ter emoções", a reagir a elas adequadamente, a sorrir, a falar, a abraçar, a pensar, a articular pensamentos buscando soluções inteligentes, a realizar atividades de forma independente. Uau!
Como o exército de homens, atualmente sem valores humanos referenciais, enfraquecidos em sua auto-estima, inferiorizados em suas competências, incapacitados para viver fazendo parte de equipes, irá, algum dia, enfrentar esses monstros, que se agigantam com feições de anjo e estruturas metálicas recobertas - desenhadas para se aproximar mais e mais da imagem humana com qual finalidade a não ser narcísica? - e aos quais a tecnologia instrumenta, atualmente, até para serem violentos na defesa de suas autonomias e autoprogramações para se tornarem mais humanos?
As análises de Chauí a colocaram numa posição de excluída desse social sem a força referencial das tradições, não encontrando espaço ou tempo para manifestar sua identidade já formada e assumida. Suas considerações sobre a atopia e acronia advindas com o mundo virtual, através do qual se constata a dissolução das distâncias relacionais e do embaralhamento do tempo presente-passado e futuro - tudo se resume na proximidade do outro num "agora" virtual - a levam a assumir sua impotência pessoal para se colocar nesse mundo. Coloca sua curiosidade para acompanhar e ver a maneira através da qual a nova geração vai enfrentar o novo mundo que a espera.
Como o ser humano vai despontar a partir desse "agora - não real" ? A que valores condicionará o seu existir? Essa inquietude também me contamina e angustia.
"Não real", pois não se observa a existência dos limites perceptíveis do humano. Portanto, sem as características dos cinco sentidos e até da capacidade intuitiva, que envolvem a percepção humana, a nova geração vai demandar da criação de novos referenciais e novos paradigmas na invenção de uma identidade humana, que a faculte sobreviver no mundo contemporâneo, e nele construir sua história de vida. Em outras palavras, que a possibilite colocar sua essência na forma de seu existir nesse mundo, obtendo uma qualidade de vida satisfatória e prazerosa.
Vale assistir ao vídeo da palestra de Chauí e estar atento a sua citação inicial e devidas considerações sobre a "fenomenologia da percepção", título também da obra do pensador Merleau-Ponty, que tão bem analisou a fenomenologia existencial que envolve o homem e o social.
Por outro lado, Fernando Henrique Cardoso serve de um excelente contraponto a essa posição de expectadora dentro de uma perspectiva passiva , e se coloca como o pensador atuante que, mesmo com seus 80 anos, não abandona a postura empreendedora e busca continuar a construir a história de sua vida com orgulho e dignidade, inclusive numa participação ativa em prol de um social melhor.
Fica visível na entrevista (link acima citado) sua função pública e o peso de seu papel como político. Vale rever e analisar como se faz a própria história de vida, e como essa escrita independe até da idade cronológica com suas limitações naturais.
Da postura de Fernando Henrique Cardoso retiro como mensagem: "Não vai ser fácil a inclusão no social virtual. Cabe a cada um abrir seu espaço: não sem antes encontrar a si mesmo na utopia e acronia virtuais". Nesse sentido, dou ênfase às suas colocações sobre o papel das redes sociais em sua vida, já dimensionada em sua plenitude e dignidade.
Vale assistir ao vídeo dessa entrevista. Depois reflita sobre como ela repercutiu dentro de você.
Ah! Não deixe de comparar os dois conteúdos, que se complementam em muitos aspectos.
Estou curiosa para saber sua opção de como pretende colocar seu existir, no mundo virtual atual.
Aurora Gite
Aurora Gite
segunda-feira, 17 de março de 2014
Mais uma vez Hannah Arendt, por que não?
Há algum tempo nosso quadro sociopolítico tem atraído minha atenção, e não é sem espanto que acompanho todo o processo de alienação atual.
Pessoas preguiçosas em seu 'pensar por si', tendo por referência e menosprezando o grande desconforto que contamina a si e grande parte dos que estão ao seu redor, se escorando na covardia não ousando mobilizar a coragem necessária para correr o risco de saindo do lugar de vítimas, enfrentarem e interromperem o 'status quo' desgastante.
Mudar padrões de submissão vigentes, e se colocar na posição de agente social efetivo de mudanças eficazes, são como quê, as palavras chaves e o processo central da dinâmica, que custa a emergir e encontrar expressão social, visto o vozerio popular, já gritar por socorro para não sucumbir de vez às zonas de conforto da tutela do "poder totalizador" (semelhantes aos das grandes ditaduras, dos regimes fascistas e nazistas- Arendt os descreve bem, inclusive por tê-los vivenciado):
* o "fenômeno do lulismo", ou da abrangência, a cada dia ganhando mais espaço social, de um "regime totalitário" centralizador dos processos decisórios, controlador do marketing e da difusão de ideias, mais e mais distorcidas, de uma esquerda antes preocupada com o bem coletivo, pois hoje se tornou um movimento partidário que se preocupa mais em unificar diferenças, amordaçar a voz dos discordantes, atropelando a verdadeira política,
* a "robotização humana à mercê das ideologias partidárias", que mais e mais tendem a implodir uma frágil democracia, tentando se equilibrar para fortalecer seu caminhar, visando incluir ampla participação popular nos processos decisórios da nação e resgatar o espaço para que a voz dos cidadãos seja ouvida e respeitada,
* a "convicção, ou crença, de atuarem com dignidade e posturas éticapartidárias", como é o caso de um dos mensaleiros, que prova viver sem grandes ostentações e demonstra, no seu caso, ausência de desvios de dinheiro visando vantagens pessoais, valia a honra de tudo ter sido feito pelo partido político,
* ministro do mais alto escalão do judiciário, por perfeccionismo burocrático, com vaidosa pompa e ilustre verborragia na defesa de leis, esvaziadas da verdadeira justiça por não mais condizerem com a realidade social, surdo ao quase maciço clamor público, vota a favor daqueles que comprovadamente lesaram o social; embora atento à certeza de que medidas como embargos, serviriam para manipulações perversas questionáveis de profissionais que, não se omitiam de manobras afrontosas ao próprio Direito e à Justiça, se bem remunerados,
* por aí pode-se discorrer sobre vários fatores que lesam o quadro social com sua impunidade, favoritismo e nepotismo, opressão escravizante pelos altos impostos cobrados dos cidadãos e pouco retorno de benfeitorias sociais, podem ser relacionados evidenciando os motivos da insatisfação popular com um governo, que peca pela má administração do patrimônio público, pela falta de habilidade nas negociações políticas, pela dificuldade de lidar com divergências ideológicas e articular argumentos ideativos sem se utilizar de barganhas e favores ilícitos, por envolverem a falta de transparência e uso indevido do que é público.
Aí me volto a Hannah Arendt (1906-1975), ante minha inquietação e indagações sobre até quando persistirá nossa desumana degradação social, até quando ainda irá ocorrer essa "alienação e descomprometimento social com mudanças", quando emergirá um verdadeiro líder político, que possa resgatar os valores que mantém uma sociedade unida e íntegra moralmente falando?
As ideias de Arendt ressoam em meus ouvidos:
* "A Política baseia-se na pluralidade dos homens devendo, portanto, organizar e regular o convívio dos diferentes... Ela surge não no homem, como afirma Aristóteles, mas sim entre os homens."
* "O sentido da Política é a liberdade... A liberdade e a espontaneidade dos diferentes homens são pressupostos necessários para o surgimento de um espaço entre eles, onde só é possível a verdadeira Política...A Política tem uma dignidade própria"
* "A Lei produziu o cidadão, agente de mudanças sociais. Arendt destaca, no entanto, a distância entre a intenção e o discurso, que além da capacidade da retórica, envolve a faculdade de persuasão e o poder de convencimento. O discurso é que faz do homem um ser político. O que os homens fazem, pensam ou experienciam só têm sentido (significado) na medida em que podem ser discutidos entre eles."
E eu a me perguntar de onde surgiria o líder pacificador no momento atual, que tenha condições, com a força de seus argumentos, de mobilizar a desalienação popular e agregar a coragem de várias mentes pensantes e autônomas, com cacife para bancar suas individualidades e sua vontade de lutar, tendo por armas a credibilidade de exemplos em seu modo de viver, reforçada por argumentos convincentes e irrefutáveis na pontuação de vantagens, em prol da defesa do Regime Democrático de Direito ?
Aqui associo (coincidência?) as circunstâncias atuais com o movimento da Revolução Francesa e sua eclosão ante o clímax da insatisfação popular... degradação humana, escassez e fome... lançamento de pães, que não mais saciavam a ânsia do povo, que não mais escondiam seu furor ante a falta de reconhecimento a suas necessidades básicas de sobrevivência, que não mais encobriam o desprezo pelo pouco caso e pela opressão humilhante, pela forma como a realeza menosprezava a condição humana, em seus pilares de sustentação: a liberdade, a igualdade e a fraternidade, que vieram a se constituir em lema da Revolução.
E lá vem Hannah Arendt mais uma vez!
"Entre o Passado e o Futuro" , não é um livro fácil de ser lido, mas nos confronta com algumas verdades dentro de perspectivas pouco comuns.
Arendt chama nossa atenção para o erro da "engenharia das relações humanas" e sua forma ineficiente de lidar com a "administração das questões humanas". Combate a maneira de "tratar o homem como um ser inteiramente natural, cujo processo de vida pode ser manipulado da mesma maneira que todos os outros processos (artificiais).
Aponta o perigo do mundo atômico em seu agir na natureza, onde "não são mais as ações humanas, mas o mútuo relacionamento que pode mudar e muda historicamente"; onde "o geral confere sentido e significação ao particular". Para ela, " processos invisíveis engolfaram todas as coisas tangíveis e todas as entidades individuais visíveis, degradando-as a funções de um processo global... levando ao desencanto do mundo ou alienação do homem". Nesse sentido, "o processo (abstrato) é que torna por si só significativo o que carregue, adquirindo um monopólio de universalidade e significação".
Nessa moderna maneira de pensar, "nada é significativo em si e por si mesmo, nem mesmo a história e a natureza tomadas cada uma como um todo". E eis o homem atual entregue a um agonizante desamparo e profundo desespero.
Ao mesmo tempo, nos confronta com a oposição entre a prática e a teoria; entre a vida sensível e perecível, envolta pelo "erro e ilusão dos olhos corpóreos", e a verdade permanente, imutável e supra-sensível, cuja compreensão é guiada pelos "olhos do espírito, ouvidos do coração e luz interior da razão". Esses opostos "somente tem sentido e significação em sua oposição" e não por si sós.
A articulação de ideias de Arendt, em sua análise histórica e perspectiva filosófica e política, me fascina e me enche de esperança em um futuro melhor para a humanidade.
Assim segue a autora, em suas reflexões: "É como se Platão estivesse dizendo a Homero que não é a vida das almas incorpóreas, mas sim a vida dos corpos que tem lugar em um mundo inferior; comparada com o Céu e o Sol, a Terra é como o Hades; imagens e sombras são os objetos dos sentidos corpóreos, não o ambiente das almas incorpóreas. O verdadeiro e real é, não o mundo em que nos movimentamos e vivemos e do qual temos que partir na morte, mas "as ideias vistas e apreendidas pelos olhos da mente". É como se o mundo interior do Hades houvesse ascendido à superfície da Terra."
Continua traçando um "paralelo entre as imagens da Caverna de Platão, em sua parábola, e o Hades de Homero - os sombrios, irreais e insensíveis movimentos das almas no Hades - que correspondem à ignorância e inconsciência dos corpos na Caverna".
Recorda o Mito da Caverna de Platão, onde a cada reviravolta do homem ocorre a perda de sentido e orientação, onde " os olhos ajustados são ofuscados pela luz que ilumina as ideias, necessitando reajustar-se; e os olhos ajustados (posteriormente) à luz do Sol, devem reajustar-se à obscuridade da Caverna".
Relembra esse mito onde em uma primeira reviravolta os habitantes da caverna, presos por grilhões que os obrigavam a ver somente a tela à sua frente, com as sombras e imagens projetadas, quando deles se libertam e se voltam para o fundo da caverna se deparam com um fogo artificial que ilumina as coisas dentro da caverna tais como realmente são. A segunda reviravolta está atrelada à saída de caverna para o céu límpido, onde as ideias aparecem como as verdadeiras e eternas essências das coisas na caverna, iluminadas pelo Sol, a ideia das ideias, que possibilita ao homem ver e às ideias brilhar. A terceira decorre da necessidade de volver à caverna, de deixar o reino das essências eternas e novamente se mover no reinos das coisas perecíveis e homens mortais.
Assim para Hannah Arendt, os homens socializados decidiram jamais deixar a "caverna" dos assuntos humanos quotidianos, se permitindo a atitude de "espanto face ao que é como é".
Eis porque defendo o espaço para que os "unicórnios" (princípios virtuosos éticos) se aproximem e possam se agrupar fortalecendo nossos campos mentais, iluminando a riqueza ética do mundo psíquico dos seres humanos, propiciando interações harmônicas e respeito às diferenças individuais, metas públicas voltadas ao bem estar coletivo, convivências políticas mais serenas, onde reine o bom senso e a diplomacia nas negociações que envolvam questões sociais conflitantes.
Eis porque entrego a vocês como presente uma ampulheta (vide blogs anteriores), outra forma simbólica de representar o tempo na atitude interna da transcendência humana implícita na caverna, sua saída e posterior entrada buscando propiciar que os demais possam se libertar da condição de escravos e, por livre arbítrio, possam vir a constituir - ao abandonar a sua alienação dentro de um mundo fictício, frágil e superficial por ser tão artificial - uma "sociedade realmente humanizada".
Aurora Gite
Eis porque defendo o espaço para que os "unicórnios" (princípios virtuosos éticos) se aproximem e possam se agrupar fortalecendo nossos campos mentais, iluminando a riqueza ética do mundo psíquico dos seres humanos, propiciando interações harmônicas e respeito às diferenças individuais, metas públicas voltadas ao bem estar coletivo, convivências políticas mais serenas, onde reine o bom senso e a diplomacia nas negociações que envolvam questões sociais conflitantes.
Eis porque entrego a vocês como presente uma ampulheta (vide blogs anteriores), outra forma simbólica de representar o tempo na atitude interna da transcendência humana implícita na caverna, sua saída e posterior entrada buscando propiciar que os demais possam se libertar da condição de escravos e, por livre arbítrio, possam vir a constituir - ao abandonar a sua alienação dentro de um mundo fictício, frágil e superficial por ser tão artificial - uma "sociedade realmente humanizada".
* (2009 ou 2014...recorram à carruagem do tempo e observem como as ideias de Arendt fazem parte da paisagem que pudemos, e podemos, contemplar através de suas análises sociopolíticas, que envolvem a condição humana)
terça-feira, 4 de março de 2014
Papel da Psicologia no novo milênio
Que pena que não tenha tido espaço para escuta por parte de meus pares - em sua maioria freudianos, lacanianos e voltados à teoria dos campos - no grande complexo hospitalar, do qual fiz parte por longos anos! Quantas pesquisas poderiam ter sido realizadas, se não tivesse havido a fixação na preservação da Psicanálise tal qual Freud a delineou em teoria e técnica, e o enquadramento de supervisões e pesquisas sob o prisma psicanalítico dentro de variações respeitando as correntes psicanalíticas mencionadas acima. Na época, minha bagagem psicanalítica, em nada ortodoxa, se voltava mais para as ideias kleinianas.
No entanto, já era conhecida minha disponibilidade para a compreensão de novas visões psicoterápicas, cujos resultados positivos evidenciassem sua eficiência. Destaco que paga-se um preço alto "entre os pares" por assumir como profissional - e defender - essa postura eclética, que acredito ser indispensável nos dias de hoje (século 21). Confesso que senti um pouco 'na carne' os efeitos maléficos, e ainda conservo as marcas em minha alma, da rede de intrigas que envolve os que resolvem se bancar preservando a dignidade de sua singularidade - como Melanie Klein, citada abaixo.
Após a morte de Freud, em 1939, as ideias de Melanie Klein foram questionadas, passando ela a "ser vítima de maldade destilada de boatos aceitos como fatos... estando em jogo o poder e a futura organização da Sociedade Psicanalítica... ao lado de questões centrais sobre a difusão e a transmissão da psicanálise".(Colao, Magda M., na Jornada Psicanalítica: 02.06.2011, Porto Alegre).
Vale fazer constar, também citação de Colao, que o biógrafo de Melanie Klein, Phyllis Grosskurth, ao iniciar sua obra: 'O mundo e a obra de Melanie Klein' (p.7.), escreve sobre as primeiras palavras que Klein ouviu Freud pronunciar:
"Nunca nos vangloriamos de possuir um saber e uma capacidade definitivos e completos. Estamos tão dispostos agora, quanto estávamos antes, a reconhecer as falhas de nosso conhecimento, a aprender coisas novas e a modificar nossos métodos de qualquer forma que possa aperfeiçoá-los."
(Sigmund Freud, Linhas de Desenvolvimento em Terapia Psicanalítica, 1919)
No entanto, já era conhecida minha disponibilidade para a compreensão de novas visões psicoterápicas, cujos resultados positivos evidenciassem sua eficiência. Destaco que paga-se um preço alto "entre os pares" por assumir como profissional - e defender - essa postura eclética, que acredito ser indispensável nos dias de hoje (século 21). Confesso que senti um pouco 'na carne' os efeitos maléficos, e ainda conservo as marcas em minha alma, da rede de intrigas que envolve os que resolvem se bancar preservando a dignidade de sua singularidade - como Melanie Klein, citada abaixo.
Após a morte de Freud, em 1939, as ideias de Melanie Klein foram questionadas, passando ela a "ser vítima de maldade destilada de boatos aceitos como fatos... estando em jogo o poder e a futura organização da Sociedade Psicanalítica... ao lado de questões centrais sobre a difusão e a transmissão da psicanálise".(Colao, Magda M., na Jornada Psicanalítica: 02.06.2011, Porto Alegre).
Vale fazer constar, também citação de Colao, que o biógrafo de Melanie Klein, Phyllis Grosskurth, ao iniciar sua obra: 'O mundo e a obra de Melanie Klein' (p.7.), escreve sobre as primeiras palavras que Klein ouviu Freud pronunciar:
"Nunca nos vangloriamos de possuir um saber e uma capacidade definitivos e completos. Estamos tão dispostos agora, quanto estávamos antes, a reconhecer as falhas de nosso conhecimento, a aprender coisas novas e a modificar nossos métodos de qualquer forma que possa aperfeiçoá-los."
(Sigmund Freud, Linhas de Desenvolvimento em Terapia Psicanalítica, 1919)
Por outro lado, realço que "o novo já nasce velho quando setores arcáicos permanecem no poder" defendendo teorias inquestionáveis sobre o ser humano, esquecendo que outras visões, sobre os dinamismos que cercam a condição humana, podem surgir graças a novas tecnologias imagéticas e recentes descobertas sobre as mobilizações da energia psíquica. Não há mais como não adotarmos visões teóricas mais ecléticas, escolhendo, em nossas práticas clínicas, técnicas e instrumentações que mais se adequem à demanda, e ao momento de vida, de quem nos procura.
Uma era com tantas e tão rápidas transformações nas relações, como essa advinda com esse milênio, nos obriga, como profissionais da área de saúde mental, a estarmos sempre abertos a reciclagens teóricas e a atualizarmos nossas posições na prática clínica, ao nos confrontarmos com a eficiência e eficácia dos novos conhecimentos aplicados sobre a mente humana. É fácil observamos a evidência de seus efeitos positivos na conquista de maior autoconhecimento, liberdade na tomada de decisões mais conscientes, responsabilidade constante nas ações voltadas à defesa e manutenção de uma vida mais qualificada, contribuindo para um indivíduo e uma sociedade mais harmônica e feliz.
Republico a postagem abaixo, pois acredito ser importante, no momento, agregar à minha pesquisa a Física Dra. Danah Zohar e sua visão revolucionária da natureza humana e da consciência baseada na nova física, buscando somar seus conhecimentos à minha hipótese sobre ter sido Freud o primeiro a observar os efeitos quânticos e intervir no inconsciente, que, a meu ver, corresponde a operações psíquicas dentro do "caleidoscópio inteligente" de nossa energia "quanta".
Sobre o papel da Psicologia no novo milênio
União da Psicologia e Física Quântica: Novas leituras.
Algumas considerações de Danah Zohar, física e filósofa -casada com o psiquiatra, psicoterapeuta e escritor, Ian Marshall - retirados de seu livro “O Ser Quântico" (já citado em posts anteriores de 2008)
“Uma psicologia da pessoa, baseada na natureza quântica do ser, enfatiza todos os relacionamentos e assenta o indivíduo, em virtude de sua própria natureza, no mundo do ser. Para tal indivíduo, cujo compromisso com os outros, com a natureza ou com valores espirituais está na essência de sua existência, não poderá haver uma base para distúrbios narcisistas de solidão, vazio, alienação ou envolvimento consigo mesmo...Estar envolvida consigo mesma é, pela própria natureza do ser, estar envolvida com os outros".
Algumas considerações de Danah Zohar, física e filósofa -casada com o psiquiatra, psicoterapeuta e escritor, Ian Marshall - retirados de seu livro “O Ser Quântico" (já citado em posts anteriores de 2008)
“Uma psicologia da pessoa, baseada na natureza quântica do ser, enfatiza todos os relacionamentos e assenta o indivíduo, em virtude de sua própria natureza, no mundo do ser. Para tal indivíduo, cujo compromisso com os outros, com a natureza ou com valores espirituais está na essência de sua existência, não poderá haver uma base para distúrbios narcisistas de solidão, vazio, alienação ou envolvimento consigo mesmo...Estar envolvida consigo mesma é, pela própria natureza do ser, estar envolvida com os outros".
"Numa psicologia quântica, não há pessoas isoladas. Existem indivíduos, que possuem identidade, significado e propósito, mas, como as partículas, cada um é uma breve manifestação de uma particularidade. Essa particularidade está em correlação não local com todas as outras particularidades e, em certo grau, entrelaçada a elas".
"Apenas responsabilidade dá significado e valor a nossa existência. Mas em que medida podemos fazer face a ela? Se uma psicologia do compromisso e da responsabilidade quiser ter algum valor em si mesma, deverá levantar a questão da liberdade humana, a questão do grau em que qualquer um de nós é livre para se comprometer como quiser, ou assumir a responsabilidade que é nossa por natureza. Portanto, uma psicologia quântica dever adotar alguma posição quanto à realidade e eficácia da escolha".
"Estou convicta de que temos hoje na física quântica os fundamentos de uma física sobre a qual podemos basear nossa ciência e nossa psicologia, e que através de uma comunhão da física e da psicologia também poderemos viver num Universo conciliado, um Universo em que nós e a nossa cultura seremos plena e significativamente parte do esquema das coisas".
Zohar, Danah.O Ser Quântico: uma visão revolucionária da natureza humana e da consciência baseada na nova física. 17ª edição. Rio de Janeiro: BestSeller, 2008.
“ Uma obra sobre a vitalidade da nova física e seu poder de combater a alienação e a fragmentação da vida moderna, substituindo-as por um modelo de realidade em que o próprio universo possui uma consciência – e a humanidade é somente uma de suas muitas expressões.”
Aurora Gite
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Vivências terapêuticas
Eis que, de repente - "de onde" é o que pesquiso - surgem, em alguns pacientes, lembranças... recordações tão vívidas que o transcorrer dos anos - e ponham-se anos nisso, 40 anos talvez! - não conseguiram ensombrecer, muito menos apagar.
E eu, os ouvindo, me punha a indagar sobre qual seria o amálgama que estabelecia e mantinha alguns vínculos afetivos. Entendo "afetivos" tendo por referência algo que afeta internamente as pessoas, e a consequente forma como as pessoas, envolvidas pelo caleidoscópio dessas energias psíquicas misturadas, se permitem serem "afetadas".
Desde pequena minhas inquietações se voltavam ao que havia surgido primeiro na mente: as idéias ou os pensamentos e o que era que mobilizava a vontade, as intenções e as efetivas ações das pessoas.
O mundo psíquico já me era fascinante, não como algo estático mas dinâmico em seu jogo de forças bioenergéticas!
Nos últimos anos me aproximei dos conceitos quânticos e a leitura compreensiva que me foi facultada através da Física Quântica me jogaram mais profundamente nesse campo "além do espaço e do tempo, onde encontra-se a fonte de possibilidades infinitas, verdade, inteligência e realidade" ("A Janela Visionária", Dr.Amit Goswami).
O tempo cronológico é determinado pelas noções de tempo/espaço instituídas até pela observação científica do mundo material, mas o que determina sua inexistência no mundo psíquico?
E lá me via eu mergulhada em reflexões sobre o psíquico inserido no bioeletromagnetismo, sobre o conceito de quanta e sobre a definição da matéria, também, como ondas de possibilidades:
* Quanta -"discreta quantidade de energia emitida por pulsos, e outros atributos da matéria como o momento/angular" (posso pensar em circunstancial?),
* átomos, em sua instabilidade, que "por excesso de energia acumulada, tendendo a liberá-la, ao decaírem emitem energia sob a forma de radiações" ,
* átomos que ao livrarem-se do excesso de energia tornam-se, assim, estáveis.
Eis o mundo da mudanças contínuas, das ações e reações, sequenciais e previsíveis, campo das técnicas comportamentais e cognitivas, com as estratégias terapêuticas visando melhor adequação de respostas ou reações disfuncionais a estímulos definidos, ou o desmontar crenças - idéias irracionais enraizadas não questionadas - substituindo-as por operações realísticas racionais ... e por aí vão as intervenções, sobre os momentos vividos no presente, para que pacientes adquiram instrumentos para melhor administrar suas vivências...
Mas e a questão das probabilidades/possibilidades?
Quem, ou o quê, provoca o "colapso da onda de possibilidade no elétron real, no espaço e tempo reais, num caso real de observação"?
E lá vinha Gotswami: "Sempre que observamos um objeto, nós vemos um ato único, e não um espectro inteiro de possibilidades e probabilidades... A observação consciente é condição suficiente para o colapso da onda de possibilidade... O agente que transforma a possibilidade em ato é a consciência...A consciência é quem cria a realidade - o propósito criador - porque a escolha se converte em ato... E a escolha do ato, a partir das possibilidades compreende a mudança descontínua."
Como não associar ao mundo do inconsciente freudiano e ao jogo da consciência, que permeia essas operações psíquicas?
Existem princípios inteligentes atuando nesse mundo latente, fora da realidade material tempo/espaço - pertencentes a outra dimensão atemporal e espacial, próprias, a meu ver, do mundo das ondas de possibilidades quânticas, que conservam sentidos a serem decifrados e tornados manifestos.
Nesse sentido, cabe aos terapeutas o contato sensível com a qualidade das energias vibracionais, que mesclam os elos afetivos, particularmente as que envolvem o vínculo paciente-analista em seu setting de projeções, tranferências e contra-transferências, ampliados para cliente-psicoterapeutas ou para profundos e significativos elos pessoais, contatos que podem se transformar em experiências emocionais corretivas.
Como afastar Krishnamurti nesse momento?
Para ele, o homem vive no tempo psicológico, apegado a suas experiências egóicas, conflituosas.
* "O próprio processo de pensar envolve o especular, examinar e evidenciar... Utiliza-se da memória, da experiência e do conhecimento, que, por sua vez, estão atrelados ao passado e aos condicionamentos."
* A base de tudo é energia... A mente opera sem o tempo...O tempo psicológico, sob esse prisma, não existe...Mas todo movimento do conhecimento envolve o tempo. O conhecimento é baseado no conhecido (passado) e é projetado para o vir-a-ser (futuro)..."
* Físicamente, ocorre o aumento da capacidade do cérebro... O tempo está inserido no desenvolvimento do cérebro. O cérebro pertence ao tempo, mas a mente não pertence ao tempo. Agora, estará todo o cérebro condicionado pela estrutura temporal? Pode o cérebro, dominado pelo tempo, não subordinar-se a ele?
E continua Krishnamurti, nos provocando, com suas indagações:
Como limpar a mente do acúmulo do tempo?
Como viver sem conflito? Como viver sem pressão?
Como se desapegar do "eu", mundo das palavras e significados, e se aproximar da essência do "mim" , mundo silencioso, que não tem a ordem do tempo e o sentido prisional das palavras?
Para Krishnamurti, existe algo "além do vazio".
"A vida é algo captado além do vazio, no sentido da mente ir além das teorias... O silêncio faz parte do vazio... a vida faz parte do vazio, mas é diferente dele... A 'sensação do nada' indica que a separação, criada pelo ego, pelo tempo, pelo pensamento, pela educação - terminou. O 'nada' passa a ser o 'tudo'. E o tudo é a energia total, não diluída, pura, não corrompida, que emerge de uma base interna."
E eu, novamente, me ponho a perguntar sobre a máxima freudiana da "necessidade de tornar consciente o inconsciente".
E lá vem Krishamurti: "Só há verbo atuar no presente ativo, não no tempo passado ou futuro... No olhar não verbalmente (traduzido e fixado em palavras) mas atentamente, há um estado de atenção sem esforço...É um outro itinerário interno. A comunicação interpessoal torna-se uma comunhão..."
Quando se diz eu compreendo, quem é que compreende dentro de nós, a não ser o que chamam de ego? Há uma entidade interna, no momento da compreensão, que nos diz isso. Ocorre mais separação e não aproximação empática. Na comunhão ocorre a apreensão do outro, uma intuição empática, pois é neutralizado o observador fora da relação. O observador, como diz Krishnamurti, e qualquer um pode experienciar, é a coisa observada. Há uma comunhão de energias. outra qualidade de comunicação, onde a compreensão vem do 'sentir', como ocorre na compreensão da natureza do amor."
"A vida é um movimento de relações (ondas de possibilidades?) ...As relações são a base da existência...A confusão começa quando o fato real se torna memória... Essa memória é que exige continuidade do prazer, repetição das coisas... gerando expectativas e medos... projeções voltadas para o autopreenchimento já que existe a identificação com algo próprio projetado no outro..."
Para Krishnamurti, o sentimento de vazio interior indica o quanto nossa mente é superficial: olha a si própria e se sente vazia, mobilizando um impulso para preenchê-la (sequência de desejos para preencher faltas criadas pelo ego, necessidades inventadas pelo "eu").
Lá se questiona ele: Por que existe esse vazio, instituído oficialmente, dentro de nós?
E assim nos responde, realçando o perigo e o necessário cuidado com as palavras:
"Essa 'vacuidade' decorre da palavra (e quem a institui, como ao pensamento, é o "eu") - em seu sentido comparativo... Ante a necessidade de comparar, eu me engrandeço ou me diminuo... quando a ação se torna um esforço de imitação, de ajustamento, de seguir um padrão de prazer, acarreta agonia... só conhecemos a ação nascida da ideia... E a ação em si é diferente da ideia advinda do pensar... decorre da ação do "mim": é criativa, intuitiva, original, espontânea, virtuosa ..."
Como novamente não parear algumas dessas informações com as técnicas psicanalíticas, particularmente aquelas direcionadas à postura do analista?
Lembram da "atenção flutuante"? Investiguem o que acontece dentro de vocês, como terapeutas.
Não seria um aquietar pensamentos e um adotar a postura do observador descrita acima por Goswami e Krishnamurti?
Não equivaleria a um "permitir a interconexão de uma energia psíquica livre do analista/observador, com o analisando no lugar do observado, facilitando a 'atitude de comunhão' e a ponte para insights"? Não se estabeleceria "um livre fluxo de sentido entre as pessoas na comunicação" (físico David Bohm), nessa comunicação sem que a mente esteja concentrada em focos específicos de atenção, pré-selecionados por pré-julgamentos sobre atitudes do analisando, ou mesmo por expectativas ansiógenas do analista, até sobre acertos de suas intervenções ?
E, que tal, se agregarmos Bion?
Lembram de sua famosa frase: "O analista deve estar na sessão sem desejo e sem memória".
Nesse ponto de minhas reflexões, indico uma visita ao site da Escola Paulista de Psicanálise, de onde retiro as frases citadas abaixo, de um texto de Ale Esclapes:
(http://tecnicaapsicanalise.wordpress.com/tag/bion)
"Toda vez que uma pessoa nos fala livremente de seu passado, está falando inevitavelmente de seu desejo presente. Ela fala algo muito mais do que simplesmente lembranças. Fala do que gostaria de ter tido, do que gostaria de ser, do uso que essas lembranças podem servir no presente. Mas nunca, jamais, uma lembrança, uma memória, é ingênua. Ela é sempre a presentificação do desejo... Armadilha: muitas pessoas acreditam que o passado têm vida própria, que não podem escapar de suas lembranças, quando na verdade não conseguem escapar de seus desejos. Nesse caso o amo (o Eu) se rendeu ao seu escravo (o desejo) que passa a comandá-lo. Não é mais o cachorro que abana o rabo, mas o rabo que abana o cachorro. Ou como disse Nietzsche - 'O passado atormenta o homem'."
"Em que deveria residir a interpretação do analista? Em sua atenção? Em sua memória? Bion toma uma atitude radical em relação ao tema: a interpretação deve residir sobre a notação (armazenamento perceptivo de informações) e não sobre a atenção (movimento interno que consiste em um ato intencional que visa utilizar o aparelho de percepção a fim de buscar algo) ou sobre a memória. Inclui-se na memória toda a teoria que o analista dispõe sobre psicanálise, sendo que esta deve acontecer a cada sessão. Uma determinada teoria serve para explicar um determinado caso, uma determinada sessão, mas depois deve ser esquecida. Qualquer interpretação que contenha elementos teóricos, uma construção, está contaminada com os desejos e memória do analista."
Não resisto ainda a citar, também da análise de Ale Esclapes, essas considerações sobre a obra de Bion:
"A interpretação deve estar baseada no que 'nota' (notação) no enquadre...A questão da ética bioniana é um dos aspectos mais difíceis de sua técnica, uma vez que o analista precisa mais do que nunca estar focado no aqui e agora, imediato e mediato que ocorre entre analista e analisando, pois somente isso pode servir como elementos para notação. Exige-se uma presença do analista ao mesmo tempo que todo seu aparelho perceptual, incluindo-se aqui sua intuição, devem estar abertos para serem impressionados pelo analisando. Uma interpretação que não seja baseado nisso, não tem para Bion, valor terapêutico."
E eu, nesse momento, continuo, com firmeza e perseverança, a especular sobre os dados que possam validar minha hipótese de que "Freud foi o primeiro a observar e intervir sobre a energia quântica presente em todo ser humano".
E vocês terapeutas?
Procurem articular os dados expostos, com o perfil de comunicação do milênio, visando interações mais humanas e contatos menos robotizados.
Observem como muda a visão do terapeuta e como, tudo isso, interfere na escolha de técnicas psicoterapêuticas, muitas vezes, dificultando a obtenção de maior eficiência e eficácia nos resultados, pelo 'excessivo pensar sobre' e 'selecionar com rigidez condutas' a serem seguidas durante as sessões, obstacularizando boas intenções e competências profissionais.
Aurora Gite
E eu, os ouvindo, me punha a indagar sobre qual seria o amálgama que estabelecia e mantinha alguns vínculos afetivos. Entendo "afetivos" tendo por referência algo que afeta internamente as pessoas, e a consequente forma como as pessoas, envolvidas pelo caleidoscópio dessas energias psíquicas misturadas, se permitem serem "afetadas".
Desde pequena minhas inquietações se voltavam ao que havia surgido primeiro na mente: as idéias ou os pensamentos e o que era que mobilizava a vontade, as intenções e as efetivas ações das pessoas.
O mundo psíquico já me era fascinante, não como algo estático mas dinâmico em seu jogo de forças bioenergéticas!
Nos últimos anos me aproximei dos conceitos quânticos e a leitura compreensiva que me foi facultada através da Física Quântica me jogaram mais profundamente nesse campo "além do espaço e do tempo, onde encontra-se a fonte de possibilidades infinitas, verdade, inteligência e realidade" ("A Janela Visionária", Dr.Amit Goswami).
O tempo cronológico é determinado pelas noções de tempo/espaço instituídas até pela observação científica do mundo material, mas o que determina sua inexistência no mundo psíquico?
E lá me via eu mergulhada em reflexões sobre o psíquico inserido no bioeletromagnetismo, sobre o conceito de quanta e sobre a definição da matéria, também, como ondas de possibilidades:
* Quanta -"discreta quantidade de energia emitida por pulsos, e outros atributos da matéria como o momento/angular" (posso pensar em circunstancial?),
* átomos, em sua instabilidade, que "por excesso de energia acumulada, tendendo a liberá-la, ao decaírem emitem energia sob a forma de radiações" ,
* átomos que ao livrarem-se do excesso de energia tornam-se, assim, estáveis.
Eis o mundo da mudanças contínuas, das ações e reações, sequenciais e previsíveis, campo das técnicas comportamentais e cognitivas, com as estratégias terapêuticas visando melhor adequação de respostas ou reações disfuncionais a estímulos definidos, ou o desmontar crenças - idéias irracionais enraizadas não questionadas - substituindo-as por operações realísticas racionais ... e por aí vão as intervenções, sobre os momentos vividos no presente, para que pacientes adquiram instrumentos para melhor administrar suas vivências...
Mas e a questão das probabilidades/possibilidades?
Quem, ou o quê, provoca o "colapso da onda de possibilidade no elétron real, no espaço e tempo reais, num caso real de observação"?
E lá vinha Gotswami: "Sempre que observamos um objeto, nós vemos um ato único, e não um espectro inteiro de possibilidades e probabilidades... A observação consciente é condição suficiente para o colapso da onda de possibilidade... O agente que transforma a possibilidade em ato é a consciência...A consciência é quem cria a realidade - o propósito criador - porque a escolha se converte em ato... E a escolha do ato, a partir das possibilidades compreende a mudança descontínua."
Como não associar ao mundo do inconsciente freudiano e ao jogo da consciência, que permeia essas operações psíquicas?
Existem princípios inteligentes atuando nesse mundo latente, fora da realidade material tempo/espaço - pertencentes a outra dimensão atemporal e espacial, próprias, a meu ver, do mundo das ondas de possibilidades quânticas, que conservam sentidos a serem decifrados e tornados manifestos.
Nesse sentido, cabe aos terapeutas o contato sensível com a qualidade das energias vibracionais, que mesclam os elos afetivos, particularmente as que envolvem o vínculo paciente-analista em seu setting de projeções, tranferências e contra-transferências, ampliados para cliente-psicoterapeutas ou para profundos e significativos elos pessoais, contatos que podem se transformar em experiências emocionais corretivas.
Como afastar Krishnamurti nesse momento?
Para ele, o homem vive no tempo psicológico, apegado a suas experiências egóicas, conflituosas.
* "O próprio processo de pensar envolve o especular, examinar e evidenciar... Utiliza-se da memória, da experiência e do conhecimento, que, por sua vez, estão atrelados ao passado e aos condicionamentos."
* A base de tudo é energia... A mente opera sem o tempo...O tempo psicológico, sob esse prisma, não existe...Mas todo movimento do conhecimento envolve o tempo. O conhecimento é baseado no conhecido (passado) e é projetado para o vir-a-ser (futuro)..."
* Físicamente, ocorre o aumento da capacidade do cérebro... O tempo está inserido no desenvolvimento do cérebro. O cérebro pertence ao tempo, mas a mente não pertence ao tempo. Agora, estará todo o cérebro condicionado pela estrutura temporal? Pode o cérebro, dominado pelo tempo, não subordinar-se a ele?
E continua Krishnamurti, nos provocando, com suas indagações:
Como limpar a mente do acúmulo do tempo?
Como viver sem conflito? Como viver sem pressão?
Como se desapegar do "eu", mundo das palavras e significados, e se aproximar da essência do "mim" , mundo silencioso, que não tem a ordem do tempo e o sentido prisional das palavras?
Para Krishnamurti, existe algo "além do vazio".
"A vida é algo captado além do vazio, no sentido da mente ir além das teorias... O silêncio faz parte do vazio... a vida faz parte do vazio, mas é diferente dele... A 'sensação do nada' indica que a separação, criada pelo ego, pelo tempo, pelo pensamento, pela educação - terminou. O 'nada' passa a ser o 'tudo'. E o tudo é a energia total, não diluída, pura, não corrompida, que emerge de uma base interna."
E eu, novamente, me ponho a perguntar sobre a máxima freudiana da "necessidade de tornar consciente o inconsciente".
E lá vem Krishamurti: "Só há verbo atuar no presente ativo, não no tempo passado ou futuro... No olhar não verbalmente (traduzido e fixado em palavras) mas atentamente, há um estado de atenção sem esforço...É um outro itinerário interno. A comunicação interpessoal torna-se uma comunhão..."
Quando se diz eu compreendo, quem é que compreende dentro de nós, a não ser o que chamam de ego? Há uma entidade interna, no momento da compreensão, que nos diz isso. Ocorre mais separação e não aproximação empática. Na comunhão ocorre a apreensão do outro, uma intuição empática, pois é neutralizado o observador fora da relação. O observador, como diz Krishnamurti, e qualquer um pode experienciar, é a coisa observada. Há uma comunhão de energias. outra qualidade de comunicação, onde a compreensão vem do 'sentir', como ocorre na compreensão da natureza do amor."
"A vida é um movimento de relações (ondas de possibilidades?) ...As relações são a base da existência...A confusão começa quando o fato real se torna memória... Essa memória é que exige continuidade do prazer, repetição das coisas... gerando expectativas e medos... projeções voltadas para o autopreenchimento já que existe a identificação com algo próprio projetado no outro..."
Para Krishnamurti, o sentimento de vazio interior indica o quanto nossa mente é superficial: olha a si própria e se sente vazia, mobilizando um impulso para preenchê-la (sequência de desejos para preencher faltas criadas pelo ego, necessidades inventadas pelo "eu").
Lá se questiona ele: Por que existe esse vazio, instituído oficialmente, dentro de nós?
E assim nos responde, realçando o perigo e o necessário cuidado com as palavras:
"Essa 'vacuidade' decorre da palavra (e quem a institui, como ao pensamento, é o "eu") - em seu sentido comparativo... Ante a necessidade de comparar, eu me engrandeço ou me diminuo... quando a ação se torna um esforço de imitação, de ajustamento, de seguir um padrão de prazer, acarreta agonia... só conhecemos a ação nascida da ideia... E a ação em si é diferente da ideia advinda do pensar... decorre da ação do "mim": é criativa, intuitiva, original, espontânea, virtuosa ..."
Como novamente não parear algumas dessas informações com as técnicas psicanalíticas, particularmente aquelas direcionadas à postura do analista?
Lembram da "atenção flutuante"? Investiguem o que acontece dentro de vocês, como terapeutas.
Não seria um aquietar pensamentos e um adotar a postura do observador descrita acima por Goswami e Krishnamurti?
Não equivaleria a um "permitir a interconexão de uma energia psíquica livre do analista/observador, com o analisando no lugar do observado, facilitando a 'atitude de comunhão' e a ponte para insights"? Não se estabeleceria "um livre fluxo de sentido entre as pessoas na comunicação" (físico David Bohm), nessa comunicação sem que a mente esteja concentrada em focos específicos de atenção, pré-selecionados por pré-julgamentos sobre atitudes do analisando, ou mesmo por expectativas ansiógenas do analista, até sobre acertos de suas intervenções ?
E, que tal, se agregarmos Bion?
Lembram de sua famosa frase: "O analista deve estar na sessão sem desejo e sem memória".
Nesse ponto de minhas reflexões, indico uma visita ao site da Escola Paulista de Psicanálise, de onde retiro as frases citadas abaixo, de um texto de Ale Esclapes:
(http://tecnicaapsicanalise.wordpress.com/tag/bion)
"Toda vez que uma pessoa nos fala livremente de seu passado, está falando inevitavelmente de seu desejo presente. Ela fala algo muito mais do que simplesmente lembranças. Fala do que gostaria de ter tido, do que gostaria de ser, do uso que essas lembranças podem servir no presente. Mas nunca, jamais, uma lembrança, uma memória, é ingênua. Ela é sempre a presentificação do desejo... Armadilha: muitas pessoas acreditam que o passado têm vida própria, que não podem escapar de suas lembranças, quando na verdade não conseguem escapar de seus desejos. Nesse caso o amo (o Eu) se rendeu ao seu escravo (o desejo) que passa a comandá-lo. Não é mais o cachorro que abana o rabo, mas o rabo que abana o cachorro. Ou como disse Nietzsche - 'O passado atormenta o homem'."
"Em que deveria residir a interpretação do analista? Em sua atenção? Em sua memória? Bion toma uma atitude radical em relação ao tema: a interpretação deve residir sobre a notação (armazenamento perceptivo de informações) e não sobre a atenção (movimento interno que consiste em um ato intencional que visa utilizar o aparelho de percepção a fim de buscar algo) ou sobre a memória. Inclui-se na memória toda a teoria que o analista dispõe sobre psicanálise, sendo que esta deve acontecer a cada sessão. Uma determinada teoria serve para explicar um determinado caso, uma determinada sessão, mas depois deve ser esquecida. Qualquer interpretação que contenha elementos teóricos, uma construção, está contaminada com os desejos e memória do analista."
Não resisto ainda a citar, também da análise de Ale Esclapes, essas considerações sobre a obra de Bion:
"A interpretação deve estar baseada no que 'nota' (notação) no enquadre...A questão da ética bioniana é um dos aspectos mais difíceis de sua técnica, uma vez que o analista precisa mais do que nunca estar focado no aqui e agora, imediato e mediato que ocorre entre analista e analisando, pois somente isso pode servir como elementos para notação. Exige-se uma presença do analista ao mesmo tempo que todo seu aparelho perceptual, incluindo-se aqui sua intuição, devem estar abertos para serem impressionados pelo analisando. Uma interpretação que não seja baseado nisso, não tem para Bion, valor terapêutico."
E eu, nesse momento, continuo, com firmeza e perseverança, a especular sobre os dados que possam validar minha hipótese de que "Freud foi o primeiro a observar e intervir sobre a energia quântica presente em todo ser humano".
E vocês terapeutas?
Procurem articular os dados expostos, com o perfil de comunicação do milênio, visando interações mais humanas e contatos menos robotizados.
Observem como muda a visão do terapeuta e como, tudo isso, interfere na escolha de técnicas psicoterapêuticas, muitas vezes, dificultando a obtenção de maior eficiência e eficácia nos resultados, pelo 'excessivo pensar sobre' e 'selecionar com rigidez condutas' a serem seguidas durante as sessões, obstacularizando boas intenções e competências profissionais.
Aurora Gite
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Violência Social versus Cordialidade Perdida
Vale assistir, e até rever: GloboNews Painel (domingo, 16 de fevereiro de 2014) sobre a violência na sociedade brasileira. Pelo Google pesquisando globonewspainel/violência/16-fevereiro conseguem assistir.
Há tempo uma inquietação constante, ao analisar a dinâmica dos movimentos sociais, me conduzia a refletir sobre o mundo de "anomia" e de "impunidade" em que vivemos, e indagar sobre quando estaremos seguros para exercemos nossa livre expressão, direito que deveria ser zelado, legalmente, pela Justiça.
É inquestionável que enquanto imperarem "impunidade" e "distorções éticas", organizações paralelas continuarão a mandar e a violentar nossa "dignidade como ser humano" e nosso "direito a respeito e paz", mesmo dentro de um social tão agressivo.
O Poder Executivo adentrou na esfera do Legislativo e do Judiciário, que, por sua vez, se perderam na elaboração e aplicação de leis que, obsoletas e canalizadas para atender a interesses pessoais ou corporativos, não respondem às demandas do novo milênio, ou se mostram insensíveis aos apelos da nova sociedade emergente.
E, lá me permitia eu, me perder no labirinto de tantas informações e evidências do grande caos social, e tentar buscar caminhos alternativos que levassem a mudanças desse complexo quadro sociopolítico. Lá ía eu, articulando dados, analisando e comparando situações semelhantes para evitar erros crassos, procurando vislumbrar parcimoniosamente possíveis novas soluções legais, de acordo com nossa época, a serem implantadas passo a passo, gradativamente. Lá me punha eu buscando saídas que, com bom senso e firmeza administrativa levassem nossa sociedade ao respeito a uma nova ordem aplicada a uma hierarquia reconhecida, no que se refere a cada um dos âmbitos dos "três poderes montesquieuanos".
Não há como não partir dos três poderes distintos - Legislativo, Executivo e Judiciário - que caracterizam o Estado de Direito dos regimes democráticos, cujos limites perderam seus contornos delineadores, a meu ver, na sociedade brasileira; com isso, o povo perdeu seu referencial para se manifestar em protestos legais, e ser escutado em suas queixas e pontuações de falhas das instituições legalizadas, e o Governo Estatal se outorgou um lugar de justiceiro egocentrado na elaboração de leis que melhor convenham à sua meta messiânica de centralizar as tomadas de decisões e a responsabilidade pela boa gestão do país.
E eu, continuava a me indagar sobre como "resgatar a voz dos cidadãos", silenciada-amordaçada-subjugada pelo temor de represálias sociais e individuais, e "inserí-los como agentes participativos", sem que levem bordoadas de policiais, de um lado, ou sejam ameaçados pelos representantes do crime organizado, por outro lado.
Carregava uma certeza, tendo em vista a divulgação e comprovação de tantas operações governamentais mescladas de indecentes propostas autoritárias, ou melhor dizendo totalitárias, articuladas na calada da noite e por baixo do pano, que oculta a real transparência das perversas intenções políticas, que, a meu ver, o governo que aí está, exercendo seu poder em nome da nação brasileira, não representa o país Brasil, do qual me orgulho de pertencer.
E lá estavam no programa acima juristas, cientistas políticos, historiadores... como nos anteriores já estiveram antropólogos, sociólogos, filósofos, psicólogos... buscando uma compreensão mais ampla sobre o que acontece no momento atual calcado em uma agressividade desumana, o que impulsiona as circunstâncias sociais para desqualificarem de tal forma o sentido do humano e desvalorizarem o poder das leis, o que determinou, na maioria das pessoas, a falência mortal da esperança em um mundo melhor a ser vivido com mais qualidade de vida.
É questão institucional, faltam mecanismos de participação e espaço para livre expressão social!
A violência é uma forma de defesa social, ante o quadro da falta de punição e abuso da força versus complacência e ausência da cordialidade no convívio entre as pessoas. Advém da incapacidade das corporações legalizadas, e do próprio Governo instituído, de darem conta do grau de insatisfação popular. A crise atual se agrava pela dificuldade das estratégias visando a colocação de limites. Tudo se misturou: os que deveriam defender e zelar pela segurança pública, agridem e matam; os que deveriam cuidar do patrimônio cultural e social, que ajudaram a construir, inclusive pagando pesados impostos, o destroem.
A questão é econômica, além das relações entre o social e os interesses do coletivo, envolve o indivíduo e suas pulsões, seus impulsos inatos! Envolve o mercado de consumo e o aumento de expectativas, caindo nas percepções marxistas da dificuldade de conter as frustrações coletivas com as grandes discriminações injustas de classes sociais: de um lado privilégios concedidos em excesso, de outro a categoria dos explorados como mão de obra produtiva, sem outro espaço social para serem reconhecidos; subjugados com rigidez dentro das humilhantes prisões burocráticas e da implacável aplicação de leis elaboradas conforme os interesses de classes dominantes, oligarquias ainda existentes.
Ops! A questão é da esfera política, da tomada de decisões e administração da coisa pública. Vivemos uma crise de lideranças políticas, ainda mais com a visão transparente que situação e oposição estão devendo à sociedade brasileira. O problema é que o novo já nasce velho, pois setores arcáicos permanecem no interior do governo, eleição após eleição. Observem o império de tantos anos de famílias "sarneynianas", em suas oligarquias e defesas corporativas envolvendo os interesses familiares. Portanto, o problema está nos privilégios às organizações e ao espírito corporativo versus o cumprimento da missão pública, ou seja, a desconsideração da demanda pública. E a quem, como cidadão, além de fazer parte do povo, quer ter consolidado seu papel ativo na inclusão e participação nos processos decisórios que envolvem a nação brasileira, a revolta é o grito do socorro: saída da posição impotente e vulnerável, do ser incapaz com seu julgamento crítico sempre desacreditado.
Opa, espera aí! A questão não está só nas mãos da aplicação das leis. Convém lembrar que o império da lei é o centro da Democracia, defendendo as igualdades sociais, o respeito às diferenças e aos direitos, a observância dos limites impostos pelos deveres visando convivências pacíficas. O problema maior é o descrédito da palavra empenhada nas negociações, a inexistência de pactos de honra como antigamente.O que fazer agora que as leis não têm mais valor, que perderam sua função de abrigo protetor? Tudo ficou à deriva, nesse sentido, com a petrificação do sistema, com instituições que não funcionam mais, com as frustrações sociais vindas intempestivamente à tona, canalizando a vontade política das sociedades vigentes.
Epa! Aparelho jurídico institucional não funciona? Sistema político não é capaz de capturar líderes ou de formar lideranças? A elite política está fracassada? Então o problema envolve a "cultura política". A cultura política é violenta, reformas sociais são estratégias planejadas e elaboradas, guardando enorme distância da vivência concreta das pessoas. Erro tudo se basear em ideologias utópicas distantes da realidade do povo. Toda judicialização observada, nesse momento social, decorre da fragilidade política. O Supremo Tribunal Federal arca com atribuições em excessos, que necessariamente não são de sua alçada julgar, pois existem outras instâncias judiciais para tal.
E eu continuava a me perguntar como é que foi colocado de lado, ou esquecido, que, na dinâmica entre pessoas que se percebem como iguais, portanto, que podem exercer papel ativo na luta por seus direitos e deveres, não cabe mais a aceitação da submissão. Daí a reação brasileira desproporcional se manifestar dentro da perspectiva de respostas cada vez mais agressivas, desumanas e perversas. Por que tanta demora em perceber, concretamente, o que abrange uma real negociação diplomática do verdadeiro político?
Como não recordar as ideias de Hannah Arendt, em seu livro A Promessa da Política (p.146): "A suposição de que há no homem algo de político que pertence à sua essência, não acontece. O homem é apolítico (Não há substância política - Hobbes)... A política surge 'entre os homens', portanto, absolutamente fora dos homens."
Vale unir esses dados, com as ideias contidas em "A República", de Platão!
Chega-se mais facilmente à compreensão da "Justiça" e "Convivência Cordial" entre os homens.
O diálogo tem que ser reinstituído. A sociedade tem que amadurecer emocionalmente, e vai fazê-lo mas a duras penas, da forma como tem traçado sua vida de relação. A forma de agressão física e violentação da integridade psíquica tem que ser substituída pelo esgrima das ideias e dos argumentos, evidenciados por fatos concretos e necessidades observadas, que demandam saneamento imediato.
A Democracia tem que crescer como sistema político na sociedade amadurecida, ou tende a fenecer. Quem grita por socorro, nesse momento, é ela!
Há tempo uma inquietação constante, ao analisar a dinâmica dos movimentos sociais, me conduzia a refletir sobre o mundo de "anomia" e de "impunidade" em que vivemos, e indagar sobre quando estaremos seguros para exercemos nossa livre expressão, direito que deveria ser zelado, legalmente, pela Justiça.
É inquestionável que enquanto imperarem "impunidade" e "distorções éticas", organizações paralelas continuarão a mandar e a violentar nossa "dignidade como ser humano" e nosso "direito a respeito e paz", mesmo dentro de um social tão agressivo.
O Poder Executivo adentrou na esfera do Legislativo e do Judiciário, que, por sua vez, se perderam na elaboração e aplicação de leis que, obsoletas e canalizadas para atender a interesses pessoais ou corporativos, não respondem às demandas do novo milênio, ou se mostram insensíveis aos apelos da nova sociedade emergente.
E, lá me permitia eu, me perder no labirinto de tantas informações e evidências do grande caos social, e tentar buscar caminhos alternativos que levassem a mudanças desse complexo quadro sociopolítico. Lá ía eu, articulando dados, analisando e comparando situações semelhantes para evitar erros crassos, procurando vislumbrar parcimoniosamente possíveis novas soluções legais, de acordo com nossa época, a serem implantadas passo a passo, gradativamente. Lá me punha eu buscando saídas que, com bom senso e firmeza administrativa levassem nossa sociedade ao respeito a uma nova ordem aplicada a uma hierarquia reconhecida, no que se refere a cada um dos âmbitos dos "três poderes montesquieuanos".
Não há como não partir dos três poderes distintos - Legislativo, Executivo e Judiciário - que caracterizam o Estado de Direito dos regimes democráticos, cujos limites perderam seus contornos delineadores, a meu ver, na sociedade brasileira; com isso, o povo perdeu seu referencial para se manifestar em protestos legais, e ser escutado em suas queixas e pontuações de falhas das instituições legalizadas, e o Governo Estatal se outorgou um lugar de justiceiro egocentrado na elaboração de leis que melhor convenham à sua meta messiânica de centralizar as tomadas de decisões e a responsabilidade pela boa gestão do país.
E eu, continuava a me indagar sobre como "resgatar a voz dos cidadãos", silenciada-amordaçada-subjugada pelo temor de represálias sociais e individuais, e "inserí-los como agentes participativos", sem que levem bordoadas de policiais, de um lado, ou sejam ameaçados pelos representantes do crime organizado, por outro lado.
Carregava uma certeza, tendo em vista a divulgação e comprovação de tantas operações governamentais mescladas de indecentes propostas autoritárias, ou melhor dizendo totalitárias, articuladas na calada da noite e por baixo do pano, que oculta a real transparência das perversas intenções políticas, que, a meu ver, o governo que aí está, exercendo seu poder em nome da nação brasileira, não representa o país Brasil, do qual me orgulho de pertencer.
E lá estavam no programa acima juristas, cientistas políticos, historiadores... como nos anteriores já estiveram antropólogos, sociólogos, filósofos, psicólogos... buscando uma compreensão mais ampla sobre o que acontece no momento atual calcado em uma agressividade desumana, o que impulsiona as circunstâncias sociais para desqualificarem de tal forma o sentido do humano e desvalorizarem o poder das leis, o que determinou, na maioria das pessoas, a falência mortal da esperança em um mundo melhor a ser vivido com mais qualidade de vida.
É questão institucional, faltam mecanismos de participação e espaço para livre expressão social!
A violência é uma forma de defesa social, ante o quadro da falta de punição e abuso da força versus complacência e ausência da cordialidade no convívio entre as pessoas. Advém da incapacidade das corporações legalizadas, e do próprio Governo instituído, de darem conta do grau de insatisfação popular. A crise atual se agrava pela dificuldade das estratégias visando a colocação de limites. Tudo se misturou: os que deveriam defender e zelar pela segurança pública, agridem e matam; os que deveriam cuidar do patrimônio cultural e social, que ajudaram a construir, inclusive pagando pesados impostos, o destroem.
A questão é econômica, além das relações entre o social e os interesses do coletivo, envolve o indivíduo e suas pulsões, seus impulsos inatos! Envolve o mercado de consumo e o aumento de expectativas, caindo nas percepções marxistas da dificuldade de conter as frustrações coletivas com as grandes discriminações injustas de classes sociais: de um lado privilégios concedidos em excesso, de outro a categoria dos explorados como mão de obra produtiva, sem outro espaço social para serem reconhecidos; subjugados com rigidez dentro das humilhantes prisões burocráticas e da implacável aplicação de leis elaboradas conforme os interesses de classes dominantes, oligarquias ainda existentes.
Ops! A questão é da esfera política, da tomada de decisões e administração da coisa pública. Vivemos uma crise de lideranças políticas, ainda mais com a visão transparente que situação e oposição estão devendo à sociedade brasileira. O problema é que o novo já nasce velho, pois setores arcáicos permanecem no interior do governo, eleição após eleição. Observem o império de tantos anos de famílias "sarneynianas", em suas oligarquias e defesas corporativas envolvendo os interesses familiares. Portanto, o problema está nos privilégios às organizações e ao espírito corporativo versus o cumprimento da missão pública, ou seja, a desconsideração da demanda pública. E a quem, como cidadão, além de fazer parte do povo, quer ter consolidado seu papel ativo na inclusão e participação nos processos decisórios que envolvem a nação brasileira, a revolta é o grito do socorro: saída da posição impotente e vulnerável, do ser incapaz com seu julgamento crítico sempre desacreditado.
Opa, espera aí! A questão não está só nas mãos da aplicação das leis. Convém lembrar que o império da lei é o centro da Democracia, defendendo as igualdades sociais, o respeito às diferenças e aos direitos, a observância dos limites impostos pelos deveres visando convivências pacíficas. O problema maior é o descrédito da palavra empenhada nas negociações, a inexistência de pactos de honra como antigamente.O que fazer agora que as leis não têm mais valor, que perderam sua função de abrigo protetor? Tudo ficou à deriva, nesse sentido, com a petrificação do sistema, com instituições que não funcionam mais, com as frustrações sociais vindas intempestivamente à tona, canalizando a vontade política das sociedades vigentes.
Epa! Aparelho jurídico institucional não funciona? Sistema político não é capaz de capturar líderes ou de formar lideranças? A elite política está fracassada? Então o problema envolve a "cultura política". A cultura política é violenta, reformas sociais são estratégias planejadas e elaboradas, guardando enorme distância da vivência concreta das pessoas. Erro tudo se basear em ideologias utópicas distantes da realidade do povo. Toda judicialização observada, nesse momento social, decorre da fragilidade política. O Supremo Tribunal Federal arca com atribuições em excessos, que necessariamente não são de sua alçada julgar, pois existem outras instâncias judiciais para tal.
E eu continuava a me perguntar como é que foi colocado de lado, ou esquecido, que, na dinâmica entre pessoas que se percebem como iguais, portanto, que podem exercer papel ativo na luta por seus direitos e deveres, não cabe mais a aceitação da submissão. Daí a reação brasileira desproporcional se manifestar dentro da perspectiva de respostas cada vez mais agressivas, desumanas e perversas. Por que tanta demora em perceber, concretamente, o que abrange uma real negociação diplomática do verdadeiro político?
Como não recordar as ideias de Hannah Arendt, em seu livro A Promessa da Política (p.146): "A suposição de que há no homem algo de político que pertence à sua essência, não acontece. O homem é apolítico (Não há substância política - Hobbes)... A política surge 'entre os homens', portanto, absolutamente fora dos homens."
Vale unir esses dados, com as ideias contidas em "A República", de Platão!
Chega-se mais facilmente à compreensão da "Justiça" e "Convivência Cordial" entre os homens.
O diálogo tem que ser reinstituído. A sociedade tem que amadurecer emocionalmente, e vai fazê-lo mas a duras penas, da forma como tem traçado sua vida de relação. A forma de agressão física e violentação da integridade psíquica tem que ser substituída pelo esgrima das ideias e dos argumentos, evidenciados por fatos concretos e necessidades observadas, que demandam saneamento imediato.
A Democracia tem que crescer como sistema político na sociedade amadurecida, ou tende a fenecer. Quem grita por socorro, nesse momento, é ela!
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Unicórnios são símbolos da ...
A meu ver, os unicórnios são símbolos da conquista da integridade moral pessoal e da possibilidade constante de superação ética.
Não sobrevivem em ambientes internos de almas saudosistas, voltadas ao passado ou aprisionadas na fantasia das expectativas, que correspondem a ansiedades antecipatórias do futuro, ilusão deslocada para o tempo presente do viver. Crescem no real do presente, no se imaginar ideais de vida e buscar concretizá-los.
Sobrevivem entre os que reconhecem os próprios potenciais e as limitações; entre os que buscam os meios de adequá-los à realidade, sempre mirando transcender o momento atual vivenciado.
Sobrevivem entre os que administram suas lacunas e aprimoram seus eventuais pontos fracos; entre os que gerenciam seus pontos fortes.
Sobrevivem, e permanecem por perto, entre aqueles que bem aproveitam suas presenças, como guias que auxiliam na busca do brilho do sucesso; entre os que exercem, assim, um polo constante de atração para suas aproximações espontâneas.
Unicórnios nos ensinam que a força do ser humano está em equilibrar suas ansiedades e medos para encontrar a serena harmonia e a digna garbosidade dos passos cadenciados no galope majestoso.
Salientam a importância do foco no viver, com coragem e ousadia, o aqui e o agora, sempre tendo em vista o uso mágico do poder realístico da visão futurista do empreendedor, e a necessidade da atenção constante à maestria humilde de aprendizados anteriores relevantes.
Os seres humanos, encontram a bússola e a lanterna, instrumentos necessários para amenizar seu caminhar, pelas desconhecidas e obscuras trilhas de seu viver, quando se reconhecem apadrinhados por unicórnios internos, que não cedem espaço para expectativas ilusórias e especulações fantasiosas, que não direcionam ou iluminam, estratégias e metas de um bem viver.
Para espantar ansiedades antecipatórias, que podem levar a fobias (medos irracionais) e paranóias (alucinações e delírios de ameaças persecutórias), além de condutas evitativas de meras fugas de desafios, embasadas em covardias no agir por falta de autoconfiança em poder lidar com reveses da vida, a força desse símbolo serve como base firme para o autodomínio, segurança e controle interno para lidar com acidentes no percurso ou obstáculos decorrentes de más decisões.
Quando irei aprender a criar unicórnios antes de expectativas? Essa foi a sua pergunta?
Não somos nós que os criamos. Eles é que se aproximam de nós. É estarmos abertos e sentirmos sua proximidade. Nunca estamos sozinhos e desamparados, quando sentimos a presença e a força virtuosa dos unicórnios interiores.
Agora passo a palavra a Carlos Drummond de Andrade que, provavelmente, bem responde à sua pergunta em seu poema "Recomeçar":
"Não importa onde você parou... em que momento da vida você cansou...
O que importa é que sempre é possível, e necessário, recomeçar.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças na vida
E, o mais importante, é acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado...
Chorou muito? Foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia ...
Sentiu-se só por diversas vezes?
É porque fechaste a porta até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora...
Pois é... agora é "hora de reiniciar", de pensar na luz...
De encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Que tal um corte de cabelo arrojado... diferente?
Um novo curso... ou aquele velho desejo de aprender a pintar... desenhar...
Dominar o computador... ou qualquer outra coisa...
Olha quanto desafio...
Quanta coisa nova, nesse mundão de meu Deus, te esperando.
Tá se sentindo sozinho?
Besteira... tem tanta gente que você afastou com o seu "período de isolamento".
Tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu para "chegar" perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza, nem nós nos suportamos... ficamos horríveis,
O mau humor vai comendo nosso fígado...até a boca fica amarga.
Recomeçar... hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você quer chegar? Ir alto? Sonhe alto...
Queira o melhor do melhor... queira coisas boas para a vida.
Pensando assim trazemos para nós aquilo que desejamos.
Se pensarmos pequeno... coisas pequenas teremos,
Já se desejarmos fortemente o melhor e, principalmente, lutarmos pelo melhor...
O melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental!
Joga fora tudo o que te prende ao passado...ao mundinho de coisas tristes...
Fotos...peças de roupa, papel de bala, ingressos de cinema, bilhetes de viagens...
E toda aquela tranqueira que guardamos quando nos julgamos apaixonados.
Jogue tudo fora, mas principalmente esvazie seu coração,
Fique pronto para a vida... para um novo amor...
Lembre-se:
Somos apaixonáveis,
Somos sempre capazes de amar... muitas e muitas vezes...
Afinal de contas...
Nós somos o Amor."
(Carlos Drummond de Andrade)
Não se esqueça de seus unicórnios internos, e una os dois:
"Somos do tamanho daquilo que vemos,
E não do tamanho de nossa altura".
Aurora Gite
Não sobrevivem em ambientes internos de almas saudosistas, voltadas ao passado ou aprisionadas na fantasia das expectativas, que correspondem a ansiedades antecipatórias do futuro, ilusão deslocada para o tempo presente do viver. Crescem no real do presente, no se imaginar ideais de vida e buscar concretizá-los.
Sobrevivem entre os que reconhecem os próprios potenciais e as limitações; entre os que buscam os meios de adequá-los à realidade, sempre mirando transcender o momento atual vivenciado.
Sobrevivem entre os que administram suas lacunas e aprimoram seus eventuais pontos fracos; entre os que gerenciam seus pontos fortes.
Sobrevivem, e permanecem por perto, entre aqueles que bem aproveitam suas presenças, como guias que auxiliam na busca do brilho do sucesso; entre os que exercem, assim, um polo constante de atração para suas aproximações espontâneas.
Unicórnios nos ensinam que a força do ser humano está em equilibrar suas ansiedades e medos para encontrar a serena harmonia e a digna garbosidade dos passos cadenciados no galope majestoso.
Salientam a importância do foco no viver, com coragem e ousadia, o aqui e o agora, sempre tendo em vista o uso mágico do poder realístico da visão futurista do empreendedor, e a necessidade da atenção constante à maestria humilde de aprendizados anteriores relevantes.
Os seres humanos, encontram a bússola e a lanterna, instrumentos necessários para amenizar seu caminhar, pelas desconhecidas e obscuras trilhas de seu viver, quando se reconhecem apadrinhados por unicórnios internos, que não cedem espaço para expectativas ilusórias e especulações fantasiosas, que não direcionam ou iluminam, estratégias e metas de um bem viver.
Para espantar ansiedades antecipatórias, que podem levar a fobias (medos irracionais) e paranóias (alucinações e delírios de ameaças persecutórias), além de condutas evitativas de meras fugas de desafios, embasadas em covardias no agir por falta de autoconfiança em poder lidar com reveses da vida, a força desse símbolo serve como base firme para o autodomínio, segurança e controle interno para lidar com acidentes no percurso ou obstáculos decorrentes de más decisões.
Quando irei aprender a criar unicórnios antes de expectativas? Essa foi a sua pergunta?
Não somos nós que os criamos. Eles é que se aproximam de nós. É estarmos abertos e sentirmos sua proximidade. Nunca estamos sozinhos e desamparados, quando sentimos a presença e a força virtuosa dos unicórnios interiores.
Agora passo a palavra a Carlos Drummond de Andrade que, provavelmente, bem responde à sua pergunta em seu poema "Recomeçar":
"Não importa onde você parou... em que momento da vida você cansou...
O que importa é que sempre é possível, e necessário, recomeçar.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças na vida
E, o mais importante, é acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado...
Chorou muito? Foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia ...
Sentiu-se só por diversas vezes?
É porque fechaste a porta até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora...
Pois é... agora é "hora de reiniciar", de pensar na luz...
De encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Que tal um corte de cabelo arrojado... diferente?
Um novo curso... ou aquele velho desejo de aprender a pintar... desenhar...
Dominar o computador... ou qualquer outra coisa...
Olha quanto desafio...
Quanta coisa nova, nesse mundão de meu Deus, te esperando.
Tá se sentindo sozinho?
Besteira... tem tanta gente que você afastou com o seu "período de isolamento".
Tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu para "chegar" perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza, nem nós nos suportamos... ficamos horríveis,
O mau humor vai comendo nosso fígado...até a boca fica amarga.
Recomeçar... hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você quer chegar? Ir alto? Sonhe alto...
Queira o melhor do melhor... queira coisas boas para a vida.
Pensando assim trazemos para nós aquilo que desejamos.
Se pensarmos pequeno... coisas pequenas teremos,
Já se desejarmos fortemente o melhor e, principalmente, lutarmos pelo melhor...
O melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental!
Joga fora tudo o que te prende ao passado...ao mundinho de coisas tristes...
Fotos...peças de roupa, papel de bala, ingressos de cinema, bilhetes de viagens...
E toda aquela tranqueira que guardamos quando nos julgamos apaixonados.
Jogue tudo fora, mas principalmente esvazie seu coração,
Fique pronto para a vida... para um novo amor...
Lembre-se:
Somos apaixonáveis,
Somos sempre capazes de amar... muitas e muitas vezes...
Afinal de contas...
Nós somos o Amor."
(Carlos Drummond de Andrade)
Não se esqueça de seus unicórnios internos, e una os dois:
"Somos do tamanho daquilo que vemos,
E não do tamanho de nossa altura".
Aurora Gite
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