domingo, 19 de outubro de 2014

Reengenharia na psique humana?

O mundo está um caos, destruidor de toda organização ordenada? Cada vez mais penso que aí está a oportunidade para partirmos para uma reengenharia na psique humana, novo design mental e emocional mais operacional, inovações logísticas e estratégias mais proativas, voltadas para obter a excelência de qualidade no viver o momento presente, respeitando os limites e o ritmo singular de cada indivíduo, e um cuidar mais eficiente do fluxo de nossa energia mental.

Urge melhorar o investimento da energia psíquica para formatação de novas políticas inteligentes, que administrem, mais satisfatoriamente, também a convivência entre as pessoas, entre as sociedades distintas e os povos tão diferentes na raça e na cultura, para que se quebre cada vez mais o desrespeito expresso pelo combate feroz às diferenças rejeitadas por fanáticos preconceituosos, e a violência gratuita moral e física pelos ataques discriminatórios a indefesos seres humanos, quaisquer que sejam.

Por que enfatizo a arte de observar e investigar a energia psíquica como motor propulsor do "mudar" em direção a um "aumento da potência de agir", que traga "mais alegria interna"?

Por que destaco a importância de nos habilitarmos para melhor observar e investigar nosso querer ou vontade de agir?

Por que coloco, na categoria de arte, nossa faculdade de observar; e no campo do "cuidar por amor " ao se permitir investigar as expressões de potência de nosso autêntico querer, manifestação genuína do que chamamos de alma?

Por que coloco que, ante a velocidade das transformações sociais (culturais e tecnológicas), está na hora de colocarmos um xeque-mate na nossa vontade, se, realmente, nosso intuito é de mudança interna?

Confiram aí minhas ideias, tendo sempre em mente que o caminhar para mudar é único e intransferível:

A difícil arte de observar e investigar a energia psíquica

Notícias correntes em nosso cotidiano: "O mundo está um caos destruidor de toda organização ordenada, seja no social, na política, na economia, na vida de relação". Ninguém se entende para estabelecer uma ordem, não digo institucionalizada, mas no próprio psiquismo, invadido por problemas, conflitos, dilemas.

A cada dilema que se soluciona, novos conflitos surgem, substituem os antigos "camaleônicamente". Não ocorrem mudanças internas efetivas, mas alterações nas aparências dos problemas, que com novo colorido, novo disfarce, persistem imperando dentro do mundo psíquico, influenciando, nossas ações e reações sem que nos demos conta.

Conflitos se sobrepõem na arquitetura barroca montada mentalmente, com seus rococós de truques e artimanhas psicológicas, para nos afastar dos sofrimentos psíquicos que acarretam. Dilemas e indecisões inquietantes, gerados em várias áreas do existir humano, se encaixam dentro da estrutura psíquica que lhes dá suporte momentâneo e lhes serve para alívio transitório das angústias.

Penso que nas defasagens em nossa engenharia logística e sensível reside a falha para se obter soluções efetivas, o ponto fraco que impede qualquer ação efetiva de mudar, se contrapondo às intenções que cada um se impõe de, realmente, se transformar.

O ser humano perdeu muito de sua grandiosidade ao deixar de valorizar sua razão e bom senso ético, e a desconfiar de sua força interna, minorizando a amplitude de suas capacidades de observar e de investigar. Sendo assim, como descobrir, dentro de si, o que necessita ser mudado para um bem viver, com justiça, temperança e serenidade? Como vislumbrar aonde quer chegar para trilhar com sucesso o caminho, visando atingir tal objetivo?

No momento atual é visível a necessidade de uma "reengenharia na psique humana".
 Como primeiro passo, é mister se permitir observar e diagnosticar como os caminhos no psiquismo estão bloqueados, ou melhor esburacados; como os mecanismos preservadores da integração e liberdade de ir e vir do ser psíquico estão desengrenados; como as funções psíquicas estão inoperantes para lidar com as pressões do mundo atual sobre nós, e com nossas auto-exigências e autocobranças cada vez mais agressivas e imediatistas.

Urge o investimento de energia psíquica para formatação de novas políticas inteligentes.
Com os meios e instrumentos psicológicos, que observamos ao nosso dispor, não temos mais recursos para combater os jogos de poder desse início de milênio. Vivenciamos "manipulações indevidas cunhadas por má fé e interesses pessoais", que buscam distorcer nosso imaginar, distanciado do referencial de nossa própria razão. Experienciamos, como "fantoches robotizados ao desarticular nosso pensar por si mesmo", os efeitos dessas articulações perversas. Observamos o maciço incentivo a um auto-iludir, mas não fugimos, na maioria das vezes, dos "tentáculos da mídia globalizada e comunicação via web", embora reconheçamos seu "poder de camuflar realidades".

Enfraquecidos pilares de bom senso social são ainda mais abalados pela autodestruição constante de referenciais seguros e coerentes, pela promoção da cegueira e impossibilidade interna para observar sem grandes ansiedades, e investigar o papel o que nos é relevante e primordial. Poucos conseguem discernir como "motor central para mudar, o sentir um prazer genuíno, alegria interna ante a conquista de inovações dignificantes a si mesmo, como ser humano íntegro".  Poucos conseguem observar o enorme abismo dessa "condição nietzscheniana de superação constante sobre-humana" , que não remete ao tédio de uma preguiça ociosa nem ao prazer irreal fictício do transitório hipnotismo virtual.

A maioria dos seres humanos acorda por breves instantes e toma consciência do que ocorre ao seu redor, mas sem forças, tendo perdido o foco humanitário em suas observações e em seu papel - como parte do todo social e agente ativo das mudanças que devem ocorrer para que o cenário mundial se altere - , cai novamente na "inércia tediosa da sonolência recorrente dos impotentes sem ânimo".

Nesse milênio, a novidade envelhece e é substituída num piscar de olhos. O cochilar dos desesperançados pode ter um custo inesperado quando - e "se acordarem" - aturdidos vão observar que farão parte da classe social dos excluídos do mercado de trabalho e do próprio mundo virtual, que já delineou sua demanda imediata por um novo e diferenciado perfil social.

Que os alarmes gritantes - mais ruidosos com a ampliação acústica, propiciada pelo alarido agressivo da propagação estridente de novas e novas descobertas, contínuos e irreversíveis avanços tecnológicos - chamem a atenção para a necessidade de reajustamentos no mundo psíquico para que nossa razão assuma novamente seu posto de liderança dentro desse espaço interno, sendo reconhecida sua autoridade para gerenciar nosso pensar, bem como sua meritocracia para liderar a contento nossos impulsos e desejos.

O silêncio acomodativo para muitas pessoas dá lugar a uma enxurrada ruidosa de perguntas inquietantes a quaisquer seres humanos, que evitam observar que estão com seu pensar soterrado: ante a fragilidade de seus aparelhos psíquicos, a vulnerabilidade dos seus corpos e a impotência na vontade de agirem para mudar esse quadro dentro de si mesmos.

Pontuo algumas dessas perguntas:
Por que minha estrutura psicológica não está dando conta de gerenciar a angústia que me assola, e meu corpo em suas alterações metabólicas lhe dá suporte?
Qual é o peso de minhas representações mentais, muitas das quais nada mais significam para mim, não se constituem como fontes de satisfação, mas que se aglomeram em imagens que ainda conservo, mesmo sabendo serem gangrenas fatais dentro de um saudável mundo psíquico?
O que me impede de mudar, de me tornar agente ativo das transformações em meu existir, visando meu bem viver, com escolhas e tomadas de decisões responsáveis, únicas e intransferíveis?
Por que é tão difícil fortalecer minha vontade, como a de muitos outros seres humanos, para que coloquem incisivamente um "basta" a si mesmos, interrompendo não só possíveis introjeções do veneno do terrorismo advindo da violência social que se alastra, mas também do auto-terrorismo pela voracidade nefasta da vasta gama de drogadicções, e dos comportamentos reconhecidamente autodestrutivos, que acabam atingindo todos ao redor não só o responsável por sua autodestruição?

Num contraponto a essas questões surgem outras perguntas, que acredito, coloquem em xeque-mate nossa vontade:
Por que estou fazendo isso comigo, sabendo que me autodestruo por causa disto?
Mereço fazer isso comigo, sabendo que começo a ferir minha dignidade de ser humano?
* Já não está na hora de meu psiquismo assumir novamente suas funções e desbaratar posturas vitimizantes acomodadas perante a vida, interrompendo respostas psicossomatizantes?
O que fazer para mudar, já que não está funcionando a contento a ordem disciplinadora, metáfora imperativa: "Levantando a cabeça! Levantando a cabeça! Tá na hora... Tá na hora... Marchando rumo à vida 1...2! Marchando rumo à vida 1...2!"

Por que enfatizo a arte de observar e investigar a energia psíquica como motor propulsor do mudar? 

Reparem como nos desequilibramos ao tentarmos nos virar e olhar para as imagens do passado e suas tradições, muitas obsoletas mas determinantes de nossas ações. Observem como o mesmo ocorre ao buscarmos olhar para as imagens do futuro, prevendo ações, planejando ideais inatingíveis, até contrários ao nosso modo de ser, criando expectativas inalcançáveis.

Experienciem como esse movimento cambaleante, para trás e para frente, conduz a uma "mobilização paralisante" de nossa energia psíquica; e se permitam investigar porque a maioria das pessoas se nega a essa constatação, e se recusa a indagar:
"Não somos e não queremos ser esse ser humano inserido nesse social violento, nessa sociedade desorganizada mas "criada por nós"... e por que não nos questionamos e investigamos porque estamos vivendo assim?".

Meu olhar recaiu sobre a primeira ação, premissa básica para a coleta de informações , que desencadeia todas as demais ações humanas: a capacidade de observar.

O que fazer para aprender a "arte de observar"?
Ops! Penso que como toda arte é um "ato de amor". Envolve uma enorme vontade de querer cuidar, ok?
O que fazer ao querer "cuidar do ato de observar"?

Nosso pensar utiliza informações obtidas por um observar dentro de um prisma enviesado por ações  condicionadas direcionando nossa maneira de ser, decorrentes de: formações inadequadas, educação deturpada em seu intento de educar estando mais voltada a metas e predomínio de interesses pessoais voltados à manutenção do "status quo" social; preconceitos em várias áreas que envolvem a relação humana; transtornos de caráter; tradições mortas, propagandas ideológicas, dogmas religiosos fanáticos, politicagens e ilusionismos mercadológicos. Não há como tudo isso não contaminar a pureza da qualidade das auto-observações!

Quais são os requisitos necessários para o observar e o investigar?
Quais seriam os recursos para impedir a invasão dos pensamentos outros, e das imagens por eles criadas, durante o processo de observar e investigar?
O que fazer para colocar limites em nossa ação de pensar, buscando que aquietem os pensamentos perturbadores da ordem necessária para a conservação do foco, durante o processo de observar e investigar?
O que fazer para aguçar nossa vigilância e impedir o acesso das associações livres. que tendem a surgir assim que iniciamos um processo de pensar. e limitar as imagens ideativas de se intrometer no puro observar?
O que fazer para controlar nosso censor interno, que , por hábito, logo busca racionalizar, explicar, descrever, opinar, analisar, examinar, avaliar, comparar, julgar todo material psíquico?
Quais os passos para a aprendizagem da "arte de observar e investigar a energia psíquica"?

É sempre uma instigante jornada de aventuras acompanhar o movimento de nossa energia psíquica, ainda mais investigar a própria arte de observar.

Confiram com os seus, esse registro de alguns passos de ações percebidas como relevantes, durante o processo consciente de observar:

* Limpar as "lentes de nosso observar", de interferências internas e externas, pois podem contribuir para a perda do foco durante o ato de observar.

* "Cuidar do estado de prontidão, atenção e concentração" é necessário para o alcance do "bom foco" para se observar.

* Ter sempre em mente que para "investigar o movimento da energia dentro de nosso psiquismo, a mobilização de forças e a qualidade das energias envolvidas", é importante que estejamos atentos observando não só "o que nos afeta" (por meio de vínculos afetivos estabelecidos), mas também o "como nos deixamos afetar" pelas informações (superficiais ou profundas, assimiladas por nós, incorporadas e transformadas em conhecimentos, depois arquivadas em nossa memória).

Mais que um mero parêntese:
Investiguem como o "tempo" mobiliza o seu psiquismo. 
Não me refiro ao cronológico, ao tempo instituído, invenção humana, criada pelo homem como medida auxiliar para melhor se organizar em suas vida diária. Assim surgiu mas, pouco a pouco, tornou-se a escravidão dos dias de hoje. 

O próprio homem se algemou a esse tempo mecânico, controlado pela passagem dos ponteiros de um relógio, seja através de horas, minutos e segundos, ou pelo tempo aprisionado ilusoriamente seja através de dias, meses e anos, ou mesmo passado, presente e futuro, que fixa nossas emoções às vivências fantasmáticas desses tempos irreais, e nos transporta do presente do aqui e agora para o mundo imagético virtual de nosso psiquismo.

No entanto, reparem como o "tempo é o movimento dos pensamentos" (J.Krishnamurti, vários livros e inúmeros vídeos disponíveis no canal YouTube)  e como o único tempo real a observar é o agora, o instante presente que condensa em si o passado e o futuro.

Sendo assim: Quando se quer mudar realmente o foco deve ser mudar de atitude no "instante presente" e transformar o "agora do viver".  É desconfiar do truque maquiador de nosso pensar, sedutor em seu sussurro para o "amanhã eu penso","semana que vem faço a dieta", "vou me aprimorar para depois mudar", "vou me tornar digno do amor, para me aproximar"... Conhecem essas armadilhas visando o "não mudar", não é?

Observaram como nas ações acima, em todas elas ocorreu o deslocamento e desconsideração de tempo presente?

Uma dica:  para desativar essas armadilhas é experimentar se manter sempre no que é, no "agora do fato", ou fenômeno vivenciado no momento circunstancial real, não virtual.
Podem até chegar a observar que não querem mudar, ou que não lhes é conveniente mudar no agora de seu viver! Porém não se desvalorizem, realçando sua fragilidade ante dificuldades no mudar.

Um aviso: Mudanças em relações afetivas de anos, então, só têm valor de serem concretizadas, se não se conseguir mais preservar a dignidade de um ser humano na vida de relação, pois nesse caso o dilema está na morte do outro, ou no próprio suicídio, buscando preservar uma relação que não existe, e "se existiu " já morreu há algum tempo e está matando a vida de quem se deixa mortificar, sem mudar.

Enfatizo que observar não envolve outras operações de nosso pensar como examinar, analisar, avaliar, comparar, julgar...Estas ações não fazem parte da arte de observar e investigar, que envolve a liberdade de ser e o comprometimento responsável na unicidade do envolvimento pela integração entre o observador e o observado.

Percebam como posturas para análises, explicações, justificativas, descrições nos afastam dos que observamos e nos colocam em posição mais distante, diferenciada, mais como espectador, para poder analisar o que ocorre. Sendo assim é interromper de pronto essa mobilização de energia que busca desviar o foco, ou mesmo a ação de observar.

Investiguem ainda dentro de si mesmos "como" seus conflitos, seus problemas se tornam insolúveis quando existe uma divisão na mente entre nós e os problemas: "Nós somos os problemas!". A distorção inicial é que mantém o conflito: e"Nós não estamos com um problema, nós somos o problema!" Reparem a diferença ao ser permitirem exercer, com honestidade, a arte de observar como se altera a mobilização da energia em seu mundo psíquico. Só observem... e, depois, investiguem as operações que surgiram, sempre mantendo o foco, mesmo que remeta a zonas de desconforto internamente. É ousar e ter coragem mesmo!

No início esse observar e investigar incomoda, é difícil , pois estamos acostumados a ações com metas e finalidades, passíveis de serem controladas e, mentalmente, revertidas ou reforçadas.

Nesse observar consciente proposto, vamos nos permitir estar livres e soltos, mais relaxados vamos aquietando nosso estado mental. No início, nossa mente ainda é bombardeada por pensamentos que surgem impulsivamente, sem se sujeitarem ao controle consciente da razão (associação de ideias, uso da linguagem lógica-racional). Imagens - (recordações da infância como : "Nossa, tô ansiosa de ficar assim... me sinto perdida...  sinto vontade de comer doces... lembro que minha mãe sempre me dava, forma de carinho acho eu...) - podem servir para outro momento nesse processo de autoconhecimento, mas no instante presente, de observar e investigar a mobilização da energia psíquica, devem ser contidas. Qualquer separação colocando o problema no "Não sou eu ...acontece comigo, é meu dilema!" deve logo ser reparada, e a consciência de que "Eu sou o problema!" deve ser resgatada.

Esse é o espaço mental para que soluções outras apareçam na nossa mente, e principalmente para que possamos observar e investigar a manifestação de potência de nossa vontade. Por amor, podemos mobilizar nosso querer profundo para o encontro do silêncio da mente, para a escuta das expressões da intimidade do nosso ser  autêntico (alma ou essência), possibilitar o aconchego e cuidar do acolhimento necessário para conter angústias existenciais (inerentes a todo ser humano na condição de mortal).

Agora é com vocês escolherem a posição em que querem se colocar em seu viver. Herói ou vítima?

(postagem de 24.04.2013)
Aurora Gite


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Espectador passivo, patinando no velho mundo? Eu não!

Continuo fascinada por aqueles que ousam confiar em suas perspectivas inovadoras, buscam forças internas e a transformam em coragem para expor ao mundo suas ideias, quebrando velhos paradigmas e enfrentando o desconforto das incertezas até que novos patamares seguros sejam atingidos. 

"Novas descobertas demandam nova visão de mundo"! (novembro/2010)

Como não deixar o postura de espectador passivo, patinando no agora estranho velho mundo, se desequilibrando ao tentar se manter estático no acelerado dinamismo com que caminham as Ciências Humanas da Comunicação e da Convivência Ética, sempre transcendendo o defasado momento presente?

É inegável, a quem busca a inserção no social, que se delineia, e a inclusão na sociedade em sua nova configuração inter-relacional, a necessidade de constante aprimoramento intelectual, contínua atualização performática para acompanhar os avanços intimidatórios do mundo eletrônico, crescimento evolutivo interno voltado ao alcance da dignidade como ser humano em sua trajetória de vida no novo milênio, com o respeito a si e ao outro, e a aceitação da diferença como riqueza sinalizadora de possíveis convivências gratificantes e potencializadoras. 

Não há mais como negar que todas as transformações ocorridas já nas primeiras luzes do novo milênio, impõem o nascimento de um novo homem, novo modo de ser confiante de seu intuir e da capacidade de seu potencial de ação, responsável por seu pensar por si, fortalecido para bancar seu agir consciente. Não precisa mais ser tutelado, que decidam por ele, ou pensem o que é melhor para ele, tendo que se ajustar a padrões comportamentais massificadores para se considerar pertencente ao grupo social, sem medo da "rejeição maldosa ou da ironia humilhante de alguns outros". É surpreendente como ocorre a mudança de foco e o consequente prazer genuíno pelo "encontro com quem se é realmente".

Já podem ser observados os limites do novo perfil do humano desse milênio se nos dispusermos a notar sua forma de cuidar de seu corpo, com tudo que implica esse cuidado a nível de alimentação saudável e exercícios físicos - excluindo cada vez mais os vícios, compulsões e sedentarismo.

Cada vez mais as pessoas se voltam para buscar a integração de um corpo físico saudável ao bem estar do corpo pensante ou psíquico. Considerando a ampliação de um visão holística de mundo, do encontro de um espaço pacífico e harmônico do ser humano, que almeja um mundo interno sereno administrado por sua razão, aconchegado pela alegria espontânea de sua alma, ao contemplar essa nova gerência sobre si mesmo, com firmeza, retidão de caráter, autovalorização e respeito pela pessoa que se tornou após não hesitar em mudar. 

Lembrete: Mudanças efetivas não ocorrem ante a presença e interferência de velhos paradigmas aprisionadores e crenças redutoras da potência para agir. Ser livre e feliz implica ousar desvendar o desconhecido caminho da vida e, a cada dia, nessa trilha de seu viver, inscrever - como agente responsável por suas decisões embasadas nas emoções com o aval da razão - sua própria história pessoal.

Como não mobilizar a recordação de uma trajetória histórica, "real parâmetro referencial" para se comparar um avanço evolutivo pessoal e profissional?   


"Novas descobertas demandam nova visão de mundo!" :
"Potencial é o mesmo que possibilidades não vistas. Ou você vê que algo é possível, ou não vê. Impossível é apenas outro nome para o que não é visto." ... " Não podemos negar o fato de que as formas de vida estão constantemente evoluindo, passando a níveis mais altos de abstração, imaginação, perspicácia, inspiração." (Chopra,Deepak. "O Efeito Sombra", p.84 e p.82)

Considero importante realçar que um conhecimento científico deve ser compartilhado e que pesquisas devem ser embasadas em amostras representativas. Não devem ser manipuladas em prol de resultados imediatos e interesses pessoais. Nesse sentido, a honestidade dialética é que permite o agregar de forças, visando a evolução da ciência. Caminhamos juntos?

Vou tentar me posicionar, para que possa ser entendido meu trajeto pessoal e formação profissional. O início de meus interesses pelo bioeletromagnetismo teve como marco a busca de entender algumas experiências, ocorridas no final da década de 70, do "segundo milênio". Ainda estranho essa colocação.

Dos ensinamentos dos Vedas e do Budismo, passando por Krishnamurti e pela meditação na yoga, por um vértice; Carl Sagan e Fritz Capra, por outro; Fromm e Rogers, Fritz Perls e Stevens, Maslow e Forghieri, em outro; Laing, Horney, Klein, Adler e Jung, fechando outro vértice de uma pirâmide evolutica. Em seu cume, permitindo a passagem para a parte superior dessa figura geométrica e o amplo vislumbrar de novas perspectivas, coloco a Psicologia Transpessoal com seu corpo teórico que sintetiza algumas dessas visões, integrando conhecimentos de escolas psicológicas ocidentais com elementos das tradições esotéricas. dando espaço para a inclusão da dimensão espiritual do ser humano. Em sua proposta holística da consciência, Wilber considera-a una, e por sua multiplicidade de aspectos, defende a idéia da existência de um espectro da consciência, de maneira análoga às radiações eletromagnéticas e seus diversos comprimentos de ondas.

O contato com filósofos e pensadores ocorreu bem antes; dei a mão para Plotino e Platão, Aristóleles e Kant, Schopenhauer e Nietzsche...Sempre os considerei como alimento para minha alma. Em cada um encontrava elementos que me possibilitavam maior autoconhecimento e melhor compreensão do que ocorria com meus pacientes - e, com isso, meios mais efetivos de ajudá-los terapêuticamente.

Vou me permitir fazer um parêntese. Olhando para trás, deixando a mente vagar por recordações longínquas, desde criança minhas inquietudes se voltavam aos "Por que o ser humano não consegue se enxergar, e só vê sua imagem refletida num espelho?"; "Por que ficamos presos no globo pela força da gravidade e se pensarmos no planeta Terra estamos soltos no espaço?"; "Por que nossa mente é povoada de pensamentos e idéias? O que surge antes?" Por aí se vê que minhas interações prazerosas não foram tão fáceis, e trocas de idéias que pudessem aplacar minhas curiosidades e angústias foram raras.

Cada vez mais me distanciava da Psicanálise Freudiana ou de como foi usada por muitos psicanalistas tradicionais, e mais me aproximava da liberdade terapêutica de adotar várias perspectivas, bem como de interações dialéticas socráticas substituindo o divã, a falta de visão e o silêncio das técnicas analíticas. Não gosto de me sentir "engessada" em regras e julgamentos preconceituosos, tendo que me obrigar a segui-los para ser aceita por grupos ou pessoas. Continuo hoje questionando o saber fechado, baseado em interpretações subjetivas e a complexidade de conceitos, que dificultam a leitura psíquica e compreensão de relatos casuísticos, em momentos de discussão interdisciplinar. Aliás, relendo Freud, tenho dúvidas sobre muitas posturas que lhe foram atribuídas por seus seguidores mais fanáticos. Adotei uma postura mais eclética a nível teórico e instrumental, onde o paciente não era engessado em molduras teóricas e como terapeuta, senti-me mais livre ante o uso dessa instrumentação técnica mais diversificada.

Após essas premissas procurando uma frequência comunicativa mais alinhada e afinada, vamos lá, deixar registradas as considerações abaixo.

Continuo minhas pesquisas sobre a relação entre as vias de canalizações de energias sexuais orgásticas e energias psíquicas mais sutis, extrafísicas. Foco, atualmente, o sistema endócrino e os novos estudos sobre a glândula pineal, as descobertas sobre a melatonina e as pesquisas sobre as interações entre elas. Nesse campo experimental vale se inteirar da evolução em Radiologia Médica e na área da Imagiologia, graças a alta tecnologia desenvolvida pela Física. Não vou ser repetitiva sobre o papel desempenhado pelas descobertas da Física Quântica no descortinar desse novo mundo.

Gosto de imaginar o paciente em terapia trilhando os patamares de uma pirâmide. Na base inferior suas angústias, seus conflitos, sua patologias... ou como diz Chopra, sua sombra que necessita ser ultrapassada para alcançar a plenitude da liberdade integradora. Também constato, como ele, que nosso lado sombrio defende as riquezas do inconsciente, e que a plenitude e a cura estão intimamente ligadas. Ainda, podemos apreender muitas técnicas de cura, de uma observação atenta sobre os sistemas do corpo físico e seu funcionamento integrado. O difícil é integrar um self dividido. Desafio que me impulsiona a buscar estímulo na famosa frase: "Mãos à obra!". A observação e comprovação de bom prognóstico, e mesmo cura, em pacientes, que conservam dentro de si a esperança e fortalecem sua fé intuitiva, é um grande incentivo.

Como propiciar o "contato consciente" com a espontaneidade de sua essência e potencial criativo, a não ser por uma reavaliação do que serve ou não dos valores "incorporados sem pensar" familiares e culturais? Como conquistar sua autovalorização pessoal? É um árduo caminho que tem como primeiro passo o seu libertar do que não pertence a sua personalidade; depois o conviver com o desamparo e o vazio internos e com a dor do parto por ele mesmo induzido; a seguir entrar em contato com o seu nascer como pessoa, com a livre expressão de sua potencialidade e da responsabilidade de tornar-se indivíduo e cidadão participativo do social onde está inserido. É fácil se perceber como é importante uma aliança terapêutica baseada em relação de aceitação incondicional, de confiabilidade e fidelidade, que possa vir a se constituir em experiência emocional corretiva.

Volto a imagem da pirâmide e a observação de um novo patamar de canalização de energias internas. A manutenção do ser humano no caminho das virtudes - qualidades morais que lhe são inerentes e que podem se constituir em campo de forças integradoras no mundo psíquico -impulsiona a uma convivência interativa interna e externa, dentro de uma honestidade ética dialética, que culmina num evoluir e se autorrealizar espiritualmente.

As dimensões físicas do agir, pensar e sentir não mais comportam essa qualidade energética.
Ao se chegar a uma compreensão holística de seu papel no mundo dos paradoxos, a serem aceitos e ultrapassados, surge uma unicidade compreensiva que dá um significado diferente ao momento vivido em plenitude, sentido e não julgado, apreendido por uma sabedoria intuitiva, que se une ao bom senso racional e à razão pura kantiana. Vale conferir as correlacões entre esse estado e as descobertas científicas citadas por Eduardo Augusto Lourenço em seu livro "O Ser Consciencial: na busca do auto-conhecimento"(2009).

Essa nova dimensão do ser humano é atingida por um caminhar solitário nesse deserto de desapegos, único e pessoal. Consiste em experiência individual difícil de abarcar por relatos pois ainda é indescritível em palavras. Atualmente, muitas pessoas ousam relatar experiências semelhantes e, ante a proximidade dos conhecimentos advindos através da Física Quântica, algumas hipóteses já podem ser traçadas.

Algumas idéias já coloquei em blogs anteriores. Defendo que a Psicologia é grandeza física do campo do biomagnetismo, e que as interações da energia psíquica fazem parte do mundo das partículas subatômicas, demandando de leitura da Nova Física para adquirir status de ciência, como ambicionava Freud ( aliás deixou esse anseio em seus registros escritos).

Atuais experiências já constatam transmutações de energias captadas por ondas vibratórias (pensamentos) em mensagens fisicoquímicas, unindo eletricidade, magnetismo e neuroquímica. Dica para quem tenha interesse: buscar no Google e se inteirar das pesquisas de Vollrath e Semm; Philip Lansky e seus fármacos; neurocientistas do Instituto de Biofísica da Universidade Federal de São Paulo; estudos em Radiônica; Aguilera, físico-espiritualista... e por aí vai. É montarem seu próprio quebracabeça com a configuração de peças de seu interesse pessoal.

No meu caso, me interessei pelo estado de relaxamento que permitia um campo mental mais aberto e receptivo a ocorrência de um "processo de imantação", semelhante a uma mola (salto quântico?), onde a consciência humana não se desconecta da atividade corporal, mas se vê puxada por uma força, num "religar" que lhe permite atingir um campo com outras grandezas. Sensações de paz e amor/aconchego; luz e calor; ausência de palavras e um silêncio interior comunicativo/um pensar sem palavras; plenitude contemplativa e estado de êxtase/orgasmo espiritual (não físico) único e duradouro. A experiência não se apaga com o passar dos anos.

Confiram os avanços das pesquisas relacionadas ao nosso DNA: descobertas de Fritz-Albert Popp e de Burr; de Gregg Braden; de Vladimir Poponin... entre outras.

Cabem muitas reflexões ao se adotar postura aberta e receptiva a essas novas informações, resignação ante a queda de paradigmas obsoletos e aceitação dos novos conhecimentos advindos da era tecnológica e digital do Terceiro Milênio. Acredito que as profecias de Nostradamus não estavam tão erradas em suas incisivas afirmações de "fim de mundo", linguagem simbólica para expressar transformações, da grandiosidade que estão sendo presenciadas, cuja compreensão não mais cabe dentro da visão de homem e de mundo que predominou até agora.

Ante todas as informações que chegam a uma velocidade assustadora, só se pode entoar o pedido de: "serenidade e paz interior para aceitar o que não pode ser mudado... e sabedoria e coragem para alterar o que tem que ser mudado".

Uma das maiores angústias a enfrentar ante esse mundo desconhecido é a sensação de estranheza que advém. Um dos maiores obstáculos a ser enfrentado é lutar para "se manter inserido no mundo novo como cidadão participativo" e não espectador passivo, patinando no velho que, na realidade, não existe mais, a não ser na memória de cada um.

(Postagem de 16 de novembro de 2010)
Aurora Gite

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Bons líderes X Excelentes líderes: Quem brilha por si?

Interessante observar durante um processo eleitoral como o poder da mídia, ou as estratégias de "marketing", tanto podem sacralizar pessoas públicas, quanto sacrificar ao denegri-las.

Impactante é perceber o tiro no pé dado por fortes candidatos, em escala descendente, que em vez de apresentarem recortes de seus programas de governo, enaltecendo - confiantes e seguros de si - seus projetos de mudança pensando em benfeitorias socioeconômicas, buscam - expressando sua insegurança e sua necessidade de apoio pela fragilidade emocional - a comparação com os programas daqueles candidatos com 1% de aprovação.

Não se pode desconsiderar a trajetória política dos candidatos, e pareá-la com os requisitos exigidos e delineados pelo perfil da futura função.

Bons líderes, defendendo excelentes causas em prol do ambiente e do coletivo, ou seja, da sociedade e da coisa pública, necessitam de "excelentes equipes para governar uma nação". Dependendo da eficiência dessa integração, poderiam até ter um bom desempenho, assumindo as rédeas fiscalizadoras do cumprimento de diretrizes embasadas pela transparência, honestidade e justiça social.

Bons líderes, que já desempenharam a contento funções executivas, cativam por exibirem, em seu "cartão de visitas" - alçando cargos públicos, em momento nacional difícil interagindo com situação internacional mais complexa ainda - seu espírito empreendedor, proativo, guerreiro e combativo ao ter que contar consigo mesmo para deliberar com firmeza, para com galhardia sozinho fazer escolhas, para bancar com coragem as decisões tomadas, para ter humildade para reconhecer erros e redirecionar caminhos tomados, para com perseverança enfrentar adversários com argumentos convincentes e discursos persuasivos, armas de todo bom político.

Excelentes líderes se destacam pela firmeza de seu caráter, pela dignidade moral de suas ações, pelos atributos éticos ao pensar o coletivo. Sua razão os mobiliza a controlar a vaidade pessoal, sereia tentadora que busca envolver, a todo momento, qualquer figura pública, nublar sua consciência ética autorrealizadora voltada ao interesse coletivo. Sua força racional os impede de mergulhar no oceano da ambição pessoal, de se voltar ao conforto ilusório do estado paradisíaco de torpor dos que se vangloriam, acumulando recursos materiais tomando como referências seus interesses individuais e de grupos selecionados pela excelência no mau uso da máquina pública, visando tal finalidade.

No entanto, é fascinante observar como os portadores de caráter virtuoso e honesto brilham por si. Não precisam atacar as ideias de seus oponentes, desqualificando seus adversários. Bastam apresentar as trajetórias de vida escolhidas e a autoconstrução de suas histórias pessoais, que ofuscam a luz de qualquer competidor, por seu próprio brilho.

Como não recordar, e republicar, a postagem abaixo de 2009?

O que é verdadeiro brilha por si

Essa semana veio-me à lembrança um ensinamento oriental, onde um velho chinês depositava, todo dia, um objeto de sucata, que carregava consigo, num mesmo local de uma mesma praça.

Nos primeiros dias, as pessoas desatentas nem o notaram. Depois algumas pessoas passaram a observá-lo com um misto de curiosidade e desconfiança. Com o tempo começaram a se aproximar para ouvi-lo contar sobre o significado atribuído ao objeto depositado naquele dia. E, pouco a pouco, o grupo foi crescendo ao seu redor se contagiando pelo entusiasmo que irradiava.

O tempo foi passando e o monte foi crescendo, tornando-se um monumento que passou a conter a história de sua vida. Sua construção foi baseada em amor, dedicação e persistência, servindo de ensinamento para muitos, que passaram a estar mais atentos ao que ocorria ao seu redor, seja para se permitir olhar a beleza de uma flor e sentir seu perfume, para estender sua alegria sorrindo ou elogiando alguém numa troca renovadora de energia , perceber o calor do sol em sua pele ou o arrepio ante os pingos da chuva nela se apoiando... passaram a encontrar um significado a cada instante único vivido e repassar essa vivência contagiando outras pessoas.

Após a morte do velho chinês, o monumento foi preservado, sua lembrança eternizada por seus feitos, seu exemplo perdurando como fonte de aprendizagem de um viver, com alegria e humildade, a simplicidade do dia a dia.

O que é verdadeiro brilha por si, não necessita de endeusamentos fictícios ou idealizações radicais; não precisa de dogmas e rituais quaisquer que sejam; não necessita de comparações com outras correntes filosóficas, nem banalizar ou ironizar os que carregam verdades de outra ordem.

A aquisição de se tornar sujeito de sua história, administrador de imprevistos, responsável pelo encontro com seu prazer de viver, e pela autogestão sobre a maneira de buscar mais qualidade para sua vida, lhe possibilita transpor as lutas habituais, superando-se a cada minuto, tornando-se em vida um "educador-modelo anônimo", para muitos "seguidores-desconhecidos aprendizes".

Você conseguiu, um "pequeno espaço" que seja, hoje, para irradiar sua energia e estabelecer contato com a "sua" vida?

Ah, ia esquecendo do mais importante... sem desgastes, reclamações , cobranças, exaustões...mas com a "leveza serena da gratidão por ter bem vivido mais esse dia".

Ainda é tempo de estabelecer uma nova relação contratual com sua vida.
Não é a vida que nos atropela, nós é que a atropelamos!

Aurora Gite


sábado, 27 de setembro de 2014

Republico "Enfim não sós!

Minha pesquisa envolve o "Enfim não sós!" e a satisfação, que me envolve, constatando que muitos estudos e teses tem-se afunilado, desembocando em hipóteses semelhantes às minhas.

Republico reiterando minha satisfação ao ler a dissertação de mestrado "Psicanálise, Saúde e Sociedade" de Denise de Assis, sob o título "Transmissão Psíquica: uma conexão entre a Psicanálise e a Física."

Enfim, "não" sós!

Muitos aspiram e suspiram pela possibilidade de concretizarem seus desejos de "Enfim, sós!".

Eu buscava, incessantemente, poder trocar ideias e compartilhar hipóteses. Agora, acredito que tenha conseguido mais do que isso, que as mesmas não sejam refutadas, mas acolhidas com fortes argumentações, difíceis de serem contestadas a partir das evidências apresentadas, e do novo pensar incluindo a mecânica quântica, que se expande cada vez mais. Essa é a razão de meu contentamento expresso por um "Enfim, não sós!"

Há alguns anos defendo a hipótese de que a energia psíquica faz parte do mundo quântico, sendo Freud o primeiro a registrar seus efeitos. Agora encontro um trabalho que me indica que "não estou tão sozinha" e que minhas conjecturas estão saindo do papel de especulações teóricas. Compartilho a dissertação de mestrado em Psicanálise, Saúde e Sociedade, de Denise de Assis, sob o título "Transmissão psíquica: uma conexão entre a psicanálise e a física".

É fascinante a retrospectiva feita por Assis do momento histórico freudiano, de quando-onde-e como surgiram as ideias de Freud para construir seu "Projeto para uma Psicologia Científica". Computo o papel de Denise de Assis como fundamental na história da Psicanálise, resgatando o início das dúvidas, associações e raciocínio original de Sigmund Freud. Por outro lado, considero assustador como, com o intuito de superproteger a Psicanálise, a maioria de seus seguidores, semelhantes aos fanáticos religiosos, reduziram seu núcleo de atuação à clínica e afastaram a criação do Criador, ao colocarem a figura pública de Freud no pedestal fictício das idealizações pessoais, ou das políticas grupais, visando preservação do poder manipulado patenteado.

Na sua dissertação, Assis nos leva a viajar acompanhando seu painel delineador da evolução histórica do movimento psicanalítico (Freud e as ideias contidas em seu Projeto de uma Psicologia Científica sempre presente em sua obra, neuropsicoses de defesa, pulsões ou forças instintivas), correlacionando com ideias predominantes no momento do surgimento da Teoria Quântica  (Newton, Einstein, Mark Planck, o observador influenciando o observado).

Assis nos convida ainda a conhecer os apontamentos de Freud sobre a Telepatia, citando as influências de Jung e Ferenczi, chegando às ideias freudianas sobre o Ocultismo e suas relações com os sonhos, além de relatar a experiência de Freud por seu contato direto com o Espiritismo. Continuando nas suas interconexões, dedica um espaço para a Física e Telepatia, a Transmissão Psíquica entre Gerações e o Corpo. Dá um fechamento a esse tópico com distinção entre Religião e Espiritualidade, com Transmissão, Psicanálise e Espiritualidade.

Em suas considerações finais localiza a "Psicanálise à Frente de Seu Tempo". Vale conferir como Assis articula todos esses conhecimentos e pareia, cientificamente, os diversos argumentos dos autores citados de ambos os lados: Psicanálise e Física.

Convém não esquecer que o mundo vibracional, que se nos desponta, com suas interconexões relacionais, e sua rede de energia que mantém atuantes os vínculos afetivos (que liga os que são afetados pelo entrelaçamento de partículas - sincronias e afinidades). A concepção atual é de "Universo Holográfico", energeticamente estamos todos unidos.

Aqui estabeleço um parêntese para chamar a atenção para o show em homenagem a mais um ano do falecimento do cantor e compositor Cazuza, onde aparece no centro do palco holograma do cantor em várias movimentações. Como não sentir correr no psíquico o sangue da emoção?

Não há mais espaço, tempo, objeto independentes de nosso psíquico. Categorias conceituais, ou palavras, são fenômenos dentro de nossa cabeça, não estão "lá fora", dependem de nossas escolhas e atribuições de significados ou sentido. O próprio "nada" não é um vazio, mas é um "nada vibrante" permeado de matéria sutil, energia que pode ser abarcada pela sensação interna de luz e calor, espaço-tempo e consciência inferidos pelas sensações intuitivas de aconchego e paz. Não se pode mais negar a realidade de vários estados da mente, e da limitação dos cinco sentidos para abarcar a recepção de tais estímulos e retradução dos impulsos a eles pertinentes. O cérebro recebe sinais, mas não podemos nos recusar a observar a existência de um princípio inteligente que os organiza em hologramas, que chamamos de realidade.

A Teoria Quântica nos remete a um "Universo Paralelo da Realidade" e à necessidade de um novo pensar sobre o que chamamos de "pessoa", de "ego", de "ser", de "eu". Uma partícula só existe em relação a outras partículas subatômicas. Assim também nosso lugar no mundo depende de nossa vida de relação com o que nos cerca.

Coloco ainda a citação de Wolf, colocada por Assis: "Que é a vontade? De que modo, nós humanos, possuímos a capacidade de escolher o que queremos? (Wolf, in Assis, 2011, p.38) .

"Recentes pesquisas (...) relacionam a mecânica quântica com a força de vontade... uma escolha atuando num nível atômico muito pequeno." (idem, p.38)


Passo o site, mas, se não conseguirem entrar direto, chegam através do Google, ou através do Twitter de ThompsonLM :

www.uva.br/mestrado/dissertacoes_psicanalise/transmissao-psiquica-uma-conexão-entre-a-psicanalise-e-a-fisica.pdf


Com o advento da Física Quântica e propagação das revoluções nos paradigmas em várias áreas do conhecimento, com grande influência nas novas intervenções que dizem respeito a saúde do ser humano como um todo (espiritual-bio-psico-social), mais se fortalecia dentro de mim a hipótese de uma ideia ser a partícula ou o elétron do mundo psíquico, e sugestões ou alternativas constituírem as ondas quânticas de probabilidades a espera de serem escolhidas através do olhar de um observador consciente, adquirindo assim a característica de partícula quântica, possibilitando novas imagens psíquicas carregadas de energia. Mais se destacava, para mim,  a necessidade do abandono de teorias reducionistas e a substituição por abordagens ecléticas, particularmente por parte dos profissionais da saúde.

A leitura sobre o humano, após comprovações quânticas envolve a compreensão sobre a intensidade da propagação da energia, sobre o fluxo dos processos ondulatórios, sobre a qualidade das vibrações e das emanações de intenções. A escuta se expande às dinâmicas psíquicas e corporais. Ao abordarem um fenômeno de forma dinâmica, já estão fazendo a leitura do movimento da energia psíquica, buscando uma "compreensão psico-energética".


Agora é ir mais adiante, alargando minha hipótese: "Os processos psíquicos fazem parte da dinâmica quântica, assim como os estados orgásticos e místicos".

Normas e regras estão ligadas a usos e costumes e a uma "moral imposta". Princípios e leis estão ligados a honra e dignidade e a "valores morais autorreferenciados". Acredito que o espaço interno de liberdade e responsabilidade propicie o alcance de novo patamar psíquico, onde o ser humano adquire a "potência de se autorreferendar", dando expressão à sua essência ao abrir espaço e bancar a colocação dessa essência real em sua existência psíquica virtual. 

Continuo respeitando a Teoria das Pulsões e observando a importância dada por Freud à excitação de zonas erógenas e suas consequências nas diversas fases de desenvolvimento psíquico. Agrego, no entanto, que o "orgasmo duplo" advém de uma plena entrega à "auto-excitação, duplicação da energia quântica interior, mobilizada naquele momento específico". Segundo uma paciente o descreveu: " Era como se estivesse numa montanha russa na hora da primeira descida, a cabeça se esvazia de tudo que nos afeta naquele momento. É um relaxamento do pensar. A presença da sensação física predomina. Estava começando a sentir o descontrole prazeroso com a rápida e vertiginosa descida. Foi algo imprevisível, como se engatasse uma outra marcha, 'outra força inesperada e incontrolável' aumentando o impulso e, em muito, a sensação prazerosa. Algo inesquecível! É difícil encontrar palavras para descrever o que ocorreu dentro de mim!"

Observo a mesma via quântica para a energia dos estados alterados de consciência sejam eles através dos prazeres sexuais orgásticos; da plenitude e êxtase das experiências místicas; da surpresa e alegria ante "insights" intuitivos; da sensação de autorrealização e bem-estar presentes nas verdadeiras criações artísticas; da intensa satisfação interna de completude advinda do aconchego, paz e serenidade que cercam o fenômeno amoroso.

Tudo que diz respeito ao ser humano, sai da categoria de hipóteses e inferências por observações soltas, e torna-se argumento significativo e verdadeiro, se puder ser observado e experienciado por outros seres humanos. Agora é aguardar para bradar: "Enfim, não sós!".

Aurora Gite

Gite

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A dor de enterrar "fantasmas vivos" no mundo psíquico

Quase todos nós já passamos por essa dor!

Depois de cultuarmos velórios saudosistas, lembrarmos e relembrarmos no palco da memória os momentos vividos juntos, abrimos os caixões mentais e nos esmeramos para ter forças para colocarmos as vivas lembranças dos finados fantasmas. Depois de devidamente lacrados, os enterrarmos no terreno do passado das recordações indolores, buscando que permaneçam em nosso mundo psíquico unicamente sob a forma de distantes vivências, que nos ajudaram a ser quem somos, mas que não interfiram mais na qualidade de nosso viver cotidiano.

Só recordações, a partir de agora; distantes recordações que dependam de nosso querer para serem resgatadas, e de nossa vontade para serem enfraquecidas, perdendo sua autonomia como força mental com poder comovedor. Não podendo mais afetar nossa sensibilidade e desviar nossas operações racionais, tornando-nos vulneráveis e fragilizados ante suas intervenções sem nossa consciente permissão e persistente controle.

De onde retirar força interna, para que não atuem em nosso psíquico, como "fantasma vivo", nos assombrando, assustando e amedrontando? Como impedir seu sistema retroalimentador de energia? O que mantém o dinamismo autônomo desses fantasmas que povoam nossas mentes?

As respostas parecem tão simples, mas não são! A cada desencontro na vida, ficamos com o sulco do desafeto e a lembrança de como fomos atingidos amorosamente para que essas marcas profundas tenham ocorrido, muitas a "ferro e fogo", pois nos acompanham a vida toda.

É difícil enfrentar a lacuna dentro de nós, confrontar o vazio interno pela parte de nossa vida que tivemos que enterrar junto com esses fantasmas vivos sob a forma da perda de ilusões, do fracasso das expectativas, da demolição de sonhos por tantos acalentados.

Penso que se pode mudar a perspectiva e considerar sob novo prisma todo término de relacionamento, tendo a percepção de decadência de "vínculos gangrenados" e sua necessidade de serem extirpados para que nossa mente sobreviva, um tumor a ser cirurgicamente retirado também de dentro de nosso sentir. Vale enfatizar a importância de se obrigar a constatar a evidência de que a graduação do sofrimento vai depender da capacidade de cada um se desapegar daquilo que foi e que morreu junto com cada "fantasma psíquico" que abrimos mão. Cada um deles tinha um papel dentro do mundo interno subjetivo de qualquer um de nós. Não há como não conviver com uma falta, um vazio, uma solidão interna pelo não fortalecimento da razão, único tutor interno que nos protege e sustém nossa serenidade nas adversidades, advindas da manutenção de nossa independência e individualidade.

Acredito que "o nascer e o morrer" ocorrem simultaneamente como "o dia e a noite". A cada transformação vivenciada, todo ser humano diz "adeus a uma parte de si", para se integrar ao novo ser que surge, sem estar atento a isso. Não penso que deva se enquadrar na categoria de mórbidos, os que se preocupam com essa sequência de mortes internas, ou com os mistérios que mesclam todos esses processos vivos, físicos ou psíquicos, nos seres humanos. Morrer e bem viver estão tão entrelaçados, que me parece que, quem tem mais "medo da morte", é quem optou por um "mal viver". A meu ver existe uma relação direta entre esses fenômenos psíquicos.

Cada fase de desenvolvimento envolve o abandono de características físicas e psíquicas que caracterizaram as fases anteriores; que, sem dúvida, afloram e nos assombram ainda em meio a momentos de grande angústia. No controle de todos esses fantasmas, para que não contaminem nossa vida mental atual, para que não intoxiquem nossas ideias inovadoras e não envenenem nossos sentimentos, reside o parâmetro referencial para se avaliar a maturidade emocional. Não esquecendo que as fixações, em qualquer forma de controle, seja por convicções ideativas ou pelo uso de padrões comportamentais, travam qualquer desenvolvimento.

Eta "dor" danada a ser suportada, ao se constatar como vivemos só, como somos sós em nossa unicidade, e como convivemos internamente com tantos cadáveres e partes nossas gangrenadas, não só disfuncionais na prática, como intoxicantes e poderosos venenos para nossas áreas mentais saudáveis. Vamos "morrendo" por dentro imersos no medo de nossa solidão interna. Esse medo já indica quão já somos sós. E nos recusamos a ver isso, achando ilusoriamente que não somos capazes de fazer a faxina mental necessária para um bem viver mais pleno. Assassinamos, nesses momentos, nossa razão; e não nos damos conta disso. Já estamos mergulhados na solidão que tanto tememos.

Muitos estão tão distantes de quem gostariam de ser, que não reconhecem mais seu íntimo, sua índole ou seu caráter, a bagagem inata de sua alma, tão soterrados se encontram em meio a tanto "lixo atômico" acumulado dentro de si, contaminando os terrenos de seu mundo psíquico, minando aos poucos a saúde física e psíquica, considerando a integração psicossomática e biopsicoespiritual.

É impactante observar como alguns desses cadáveres já estão irreconhecíveis só ocupando espaço; seus limites não são mais perceptíveis, sua função é mantida atuante pelo receio de muitos ousarem se renovar, mudar e se construir internamente, sempre escorados pela parceria com, sua maior amiga interna, a "razão".

Toda construção dentro da "psique" envolve esforço, determinação, persistência e vislumbre de novos e constantes cenários na vida, renovados por outros sonhos e ideais prazerosos, "que possam ser alcançados", para efetivamente preencherem o buraco sepulcral mantido aberto, não mais pelo cadáver vivo dentro de nós, mas pela falsa ilusão onipotente, que nos impede do contato com fracassos e limitações. Rígidas convicções imperam sobre a grandeza da Razão, e podem nos desviar de quaisquer intenções voltadas ao Bem e outras virtudes internas como a honestidade e a benevolência conosco mesmo. Como muitos não se apercebem que matam o que de mais precioso tem a razão: sua logicidade aplicada a evidências reais?

Ops, para sonhar e proteger nossos ideais, não dependemos somente de nós mesmos, de nossa modéstia e humildade para conviver com desacertos e desencontros afetivos, recolher os cacos dos sonhos e arriscar dar forma ideacional a novas expectativas passíveis de serem concretizadas? E não é por aí que temos que começar a resgatar nossa privacidade impar mais íntima?

O perigo reside em se tentar, desativando a razão "pela onipotência ilusória a ser combatida", persistir em controlar o futuro. A vida se expressa no real do "aqui e agora do presente". Saindo desse espaço e tempo, é imprevisível em seu fluxo constante e pleno de incertezas e inseguranças, não perdoa quem tenta se insurgir contra esse movimento, e mostra na repetição e mesmice de vivências o que nos falta atingir, para nos afastarmos da "punição de Sísifo".

Lembram de Sísifo? Aquela figura mitológica a quem os deuses puniram suas tentativas de burlar os desígnios, com o castigo de ter que levar pesada pedra para o cume de uma montanha e toda vez que estivesse quase atingindo essa meta, não conseguiria manter-se mais com o peso da pedra, obrigando-se a soltá-la, rolando a mesma ribanceira abaixo, retornando ao ponto de partida. Todo o esforço daquela tentativa foi em vão. Tudo teria que ser recomeçado. Tudo seria repetido.

Vale a pergunta interna, inquietação presente em todo ser pensante: "Até quando e qual a lição a ser aprendida das singulares experiências vividas e apreendidas dentro da subjetividade de cada um?". Arrisco uma resposta: "A maior dádiva não estaria na consciência do que lhe é devido e no arrependimento das escolhas efetuadas, tomando como parâmetro seu centro autorreferencial? Sua maior punição não decorreria de seus ideais abandonados, de sua falsa esperteza querendo manipular e controlar seu próprio destino, da opção pelo desprezar sua possibilidade de viver livre, tendo por lanterna a vida boa e, por foco, maior bem-estar interno?

Outros cadáveres ainda exercem uma função na vida mental de cada um e, para libertação de sua ação paralisante, cabe a investigação da necessidade de se fazerem tão presentes em nosso cotidiano. Por que isso ocorre? Esse caminho é difícil, pois o contato com o desconhecido dentro de nós é sempre desconfortável, envolve contratos internos de risco, a coragem para se aventurar a novos ideais e a força para direcionar a vida para novos rumos.

Para se conseguir alcançar a "verdadeira transformação" é preciso efetivamente ter eficiência e eficácia para dominar os medos de se enfrentar, e soltar os cadáveres vivos que circulam pelo mundo mental, imerso na solidão. A partir daí é aprender a conviver com o "ser só" que espera por nosso acolhimento para conhecer a plenitude do auto-aconchego, é melhor lidar com a incerteza e imprevisibilidade, é ousar se arriscar a mudar internamente... Ou optar por permanecer na areia movediça, se permitindo afundar na depressão (condutas sabotadoras auto-agressivas e destrutivas)... Ou ainda escolher adotar atitudes rebeldes e agressivas contra o mundo externo culpabilizado (postura da vítima, em seu "coitadismo", que se vê dependente das circunstâncias, não de si mesmo)

Aqui lembro de meu post "Quer receber um presente meu?" (novembro/2008): próximo passo, a meu ver, de quem se permitiu alcançar internamente a dignidade da liberdade e curtiu assim sentir-se internamente.

Gosto muito da imagem da ampulheta. Poucos no entanto conseguem ultrapassar o doído processo de individuação interna, se tornando um "individuo", inclusive, orgulhoso de sua dignidade de caráter. Esse é o patamar interno que possibilita o contato com outro sistema moral, com a ética das virtudes (parte superior da ampulheta) e com valores espirituais da convivência harmônica de uma energia psíquica mais elevada, que leva à formação do "sujeito" mais solto e livre, mais feliz e orgulhoso de como conseguiu mudar e se autorrespeitar como "ser humano", energia microcósmica integrada à energia macrocósmica do Universo.


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

"Uma infidelidade louvável"

Como não nos orgulharmos dessa juventude emergente, que está descobrindo que a rede social Facebook, como tantas outras, serve bem mais do que fonte de "games" estagnantes e , em sua maioria, viciantes; de "fofocas maquiavélicas, desabonadoras muitas vezes, de pessoas expostas, "celebrizadas" e catalogadas por prazer perverso; de piadas insonsas, que não contribuem para humores questionadores e reflexivos, mas para satisfação irônica da maldade sofrida por terceiros - falo das famosas "cacetadas" que, a meu ver, são verdadeiras "escolinhas de desumanização, dentro da categoria de horror do mundo cão", que ensina como rir da desgraça alheia com a maior cara de pau e insensatez egoística; de autofotos, "selves" ridículos em suas autoexposições narcísicas, sem nenhuma autocensura ou avaliação de prováveis repercussões dentro da própria rede e fora dela. Muitos ainda não se deram conta que, qualquer exposição na rede, como cartão de visita ou complemento de currículo,  pode cair nas mãos de possíveis "hunters" (caçadores de talentos), que atirarão no lixo, prováveis candidatos com currículos que pareçam interessantes se encaixando no perfil demandado por empresas, depois desse confronto com a qualidade inadequada de suas aparições sociais.

Parece que estão se consolidando, cada vez mais, grupos de jovens que não precisam da violência para abrir seu espaço, atraindo sobre si a atenção social, buscando o eterno reconhecimento gratificante, contido na necessidade humana universal do "Olhe prá mim, eu estou aqui, eu existo!" . É interessante observar esse fenômeno de como "qualquer ser humano", para "sentir sua existência", precisa da atenção do outro sobre si.  Uma frase sempre me vem à memória, em seu caráter imperativo, que nos obriga sempre a buscar uma inclusão social: "Sei que sou, que existo, mas preciso tornar-me eu através do outro" (Tolstoi?).

Volto ao movimento desses jovens, que estão despertando minha atenção pois associo à construção de uma nova humanização (vide Luc Ferry e seu Novo Humanismo por Amor ao Humano, que vive em cada um de nós). Vale notar, quando inseridos como cidadãos, em suas análises do quadro político atual, que esses jovens não desligam seu senso crítico para desqualificar um candidato a cargo político (que "cuida da coisa pública", ou cuja função deveria ser essa!). Realçam, cada vez mais, suas mudanças de posturas, ao adotarem atitudes responsáveis e mais amadurecidas, ao buscarem se cercar do maior número possível de informações, verificando, dentro do possível, a veracidade das mesmas; ao respeitarem, nessa coleta, a diversidade de fontes e de perspectivas e ao desconsiderarem discriminações e preconceitos em suas análises pessoais dos fatos observados. Mais ainda... é um alento constatar que conseguem reciclar suas opiniões, percebendo erros em suas interpretações dos fatos, não permitindo que as mesmas se petrifiquem, dentro de si mesmo, em crenças e convicções fechadas, radicais e desumanas.

Que tal um exemplo, para clarificar melhor o exposto acima?
Ressalvo que contei com a aquiescência do autor para me servir como "modelo", inclusive, saindo do anonimato, ao responder a alguns comentários.

"Uma infidelidade louvável
Todos devem saber, pelos meus posts anteriores, que eu repugno a máfia que se tornou o PT. No entanto, veja hoje em dia a importância de se escutar o que os candidatos têm a falar independente do partido em que estão inseridos.
Eis que surge, há pouco tempo, um candidato sem quaisquer chances de vencer numa região de preferências declaradas por tradicionalismos e apostas menos arriscadas. No meio da gangue, esse homem se posiciona a favor do povo, com discurso muito parecido com seus pares e não conquista inicialmente o agrado do público.
Percebe então que a conversa aqui é diferente. Após usar-se da visibilidade do partido, apresentou suas propostas de forma clara. Chamou a todos para lerem seu plano de governo e não teve medo de ir contra a máfia que o elegeu para defender a cidade. Levou o município a patamares novos, mudou a cara da cidade e está trazendo novos ares de primeiro mundo para a 3a maior metrópole do mundo.
Enquanto isso, no governo da mesma região faz o que o povo que o elegeu (me incluo nessa) tanto prega (agora me excluindo do grupo): entregou algumas obras, mantendo o mesmo ritmo de investimento e sem grandes mudanças na gestão política.
Acontece que o cenário está mudando, o que demanda alterações na administração pública! Previsões da falta de água e das mudanças climáticas vêm sido ignoradas há anos. As pessoas cada vez mais querem ir para a rua, para aproveitar suas ciclovias e utilizar das novas facilidades do transporte público, e para isso não se sentem mais seguras como antes se sentiam dentro de suas casas.
O estado piorou? Jamais me atreveria a dizer que sim, mas a verdade é que ele tem crescido em níveis lamentáveis perto do que as pessoas podem e desejam crescer.
Não estou fazendo discurso em prol do Padilha, quero já deixar claro. Meu voto não é dele. Só estou pedindo que todo mundo se informe e analise bem todas as opções, em termos de histórico e principalmente de propostas, para ver onde querem que São Paulo chegue. O partido ajuda, mas candidatos fortes e bem posicionados não tenderão tão facilmente às pressões desonestas para defender o que realmente deve ser feito!
Dei minha chance ao ‪#‎FernandoHaddad‬, não me arrependo!
Dessa vez vou apostar no Skaf e com toda pesquisa que fiz e ponderando tudo na balança espero novamente mostrar-me com a melhor aposta!
Joguem direito o jogo da política caros amigos. Não tenham medo de pensar bastante antes de apostar pois, nessa partida, ninguém está te esperando...
Ele teve umas ideias estapafúrdias de implantar em plena São Paulo todas aquelas coisas bonitas que vemos na Europa e achamos um banho de civilidade. Por que a nossa elite acha todas essas iniciativas são tão lindas l&aacu...
M.HUFFPOST.COM
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  • Edison Vigil Lindo o texto, tirando a opção pelo Skaf. Vou manter seu discurso e não vou fazer campanha alguma nem levantar bandeira, mas qualquer pesquisa, mesmo superficial, já pode te informar melhor sobre quem é o Skaf e o que ele fez (ou não). 
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  • Felipe Cyrillo Poxa Edison, sinta-se convidado a levantar o debate com novas informações, minha intenção era essa mesmo! Busco me manter informado mas sempre escapam algumas coisas... Não encontrei nenhum candidato MUITO bom para o governo. Dentre os disponíveis, ele teve a balança mais positiva para mim por enquanto...
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  • Edison Vigil O ensino no SESI sempre foi excelente e gratuito. Foi só o Skaf entrar que ele começou a cobrar mensalidades (após decadas de ensino de graça). A equipe da campanha do Skaf eh formada pelos ex-governadores e prefeitos de sp mais corruptos da história. É aberto o apoio do Skaf aos industriais de sp. Essas sao as poucas informações que tenho e que tiram o Skaf da minha lista de elegíveis.


Aurora Gite

P.S. :Ressalvo que contei com a aquiescência do autor para me servir como "modelo", inclusive saindo do anonimato, ao responder a alguns comentários


domingo, 7 de setembro de 2014

Como trocar ideias sobre candidatos sem nomeá-los?

Quantos de nós, desde pequenos sempre se isolaram de grupinhos em suas conversas fiadas, permeadas pelas banalidades do "cri-cri" cotidiano. Logo se sentiram entediados! Baladas também não eram a sua "praia"! Podiam rir das piadas, mas não se animavam a contá-las. Não sendo exímios dançarinos, não bebendo, não fumando, não sendo consumistas, e ainda tendo seus interesses voltados para temas mais filosóficos e metafísicos, psicológicos e sociológicos, políticos e econômicos...não era difícil, em curto tempo de convívio nesses grupos sociais, se sentirem como "peixes fora d'água".

E eis que a Internet chegou-lhes em boa hora! Não foi sem receio que se aventuraram a entrar como participantes das redes sociais. A maioria demonstrou dificuldade em confiar na credibilidade desses contatos. Muitos, passaram a acreditar, no entanto, que poderia servir de um interessante campo de troca de ideias, crendo em suas capacidades de bem selecionar os interlocutores e de estar atentos ao perigo das manipulações caricaturais e falseamentos de informações até sobre sérios conteúdos.

Transcrevo aqui o diálogo, que me chegou às mãos, travado no "Facebook", entre uma avó - dentre muitas avós em seus 70 anos de vida -  e um neto - dentre muitos netos em seus 23 anos de vida já formado em Administração de Empresas, desde pequeno preocupado com questões mais filosóficas e humanísticas, com o bem-estar coletivo, com ter uma participação mais ativa no quadro social, atento a como administrar a si mesmo em sua empresa pessoal. Passo a nomeá-los por A. e por N., para melhor compreensão do leitor. Retiro, contrariando normas gramaticais, as aspas das falas desses interlocutores.

N. - Escuta, vó, você tem visto os debates para presidência e governo? Tô começando a definir meus votos com base neles, mas queria sua opinião a respeito!

A. - Para tocar nesse assunto, meu neto, tenho que me posicionar para que você possa me entender melhor nesse sentido. Embaso sempre minha decisão visando transformar meu voto em um "voto útil". Então, nessa eleição, já excluo Pastor Everaldo, Levy, Eduardo Jorge, Luciana Genro... Na minha pesquisa sobraram Marina e Aécio. Dilma-Lula, ou PT, não quero mais no poder depois desses 12 anos; esses governos acabaram se tornando sinônimos de corrupção, impunidade, desvios de dinheiro público...Perderam a credibilidade para mim. Não os quero mais no poder.

N. - Pois eh... minha dúvida inicial era entre os dois mesmo!

A. - Então vou me ater entre Aécio e Marina... Como essa proferiu algumas frases importantes durante os debates, e manifestou possível aliança com FHC, considerando suas conquistas econômicas , e Lula, considerando suas conquistas no que se refere a políticas sociais, fecho mais com ela, no momento, nessa integração de partidos em prol de uma causa maior: "o povo brasileiro e o país Brasil"...Fico com ela. Sei que vão tentar desqualificá-la, mas os bons políticos já se aproximam dela, como o senador Pedro Simon (RS) que, desapontado com a "politicagem", havia se afastado do governo e, agora, parece que se candidata ao Senado novamente em seu 83 anos (?)... Gostei quando ela disse que segue as suas convicções, mas está aberta a tudo e a todos os projetos, que signifiquem progresso para o Brasil.

N. - A Marina apresentava um boa proposta de oxigenação da política e união do país... Por outro lado, tive muito contato com a forma do Aécio fazer gestão, pois ele copia o "modelo Falconi", com metas e meritocracia, levando maior eficiência para órgãos e empresas públicas. Ainda assim, tava disposto a dar uma chance para Marina, até segunda ordem. Mas ela se submeteu à pressão do pastor Silas Malafaia. e alterou seu plano de governo tão em cima da hora... (pausa)

A. - Aécio é PSDB, da escola de FHC, sempre citado por Marina.

N. - Ela me mostrou o contrário do posicionamento firme, que ela vinha defendendo. E mais do que isso... também desmentiu o que ela mesmo disse defender: um "estado laico"... Se assim fosse, ela não submeteria seu plano de governo a pressões de instituições religiosas. Me empolguei muito com ela e acabei desapontado demais...só não anulo meu voto para tirar o PT do poder. Mas, no primeiro turno pelo menos, a Marina perdeu meu voto.

A. - Ela tem agora a turma do Eduardo Campos, que faleceu, haja visto a escolha de seu vice. Por trás da Rede de Sustentabilidade está o PSB (Partido Socialista Brasileiro). Vai ser uma mistura interessante, a meu ver... mais do que programas de governo do velho PSDB! Não vi nenhum projeto tão diferente do Aécio. No momento, quero novos ares no governo. Vou arriscar no novo. Dou a ela, por enquanto, meu voto de confiança.
       Governar é administrar diferenças com firmeza necessária para tomar decisões acertadas. E me parece que ela demonstrou bem mais "jogo de cintura" com alianças políticas e no escutar as demandas do povo. Não se consegue governar um país só privilegiando um estado laico, isolando o Estado das reivindicações de instituições, quer sejam religiosas. Vivemos num mundo capitalista. O capital tem que ser privilegiado. Gostei quando Marina colocou, em resposta a questão que lhe foi colocada por Dilma, que vai buscar recursos evitando o desperdício, combatendo a corrupção e o mau emprego do dinheiro público arrecadado, além de fiscalizar o uso desses recursos, penalizando efetivamente os responsáveis por desvios de dinheiro. Gostei quando ela colocou para Dilma a necessidade de reconhecer os erros para aprender com eles; sem isso, vivendo na "Ilha da Fantasia", pintando tudo maravilhoso, que as finanças estão encaixadas... não se consegue nenhum progresso ...fica tudo no "blá-blá-blá"!

N. - Isso o Aécio falou, exatamente com as mesmas palavras, vó!

A.- Marina me pareceu bem com os pés no chão... sem revanches ou vinganças... olhando o passado e retirando exemplos dos recursos humanos eficientes, para aplicar, com o olhar de um empreendedor, no futuro do país.

N. - Inclusive citando que o brasileiro queria viver na propaganda do PT... Mas, quais são os projetos dela, que te agradaram?

A. - A máquina do Aécio, a meu ver, tá emperrada com muito "toma lá/dá cá" partidário. O partido dele mira o combate ao PT e ao bloco com PMDB. Só por esse debate não deu para eu te listar os projetos dela...Além do mais não dou muito crédito a promessas discursivas. Quero fatos. Quero ver sair do papel e, acima de tudo, a conclusão dos projetos planejados e fiscalizados pela equipe de governo escolhida por ela. mas vou "focar nela" até véspera da eleição, e fico com o slogan "por um Brasil melhor". Gostei da resposta dela, quando questionada por Dilma, sobre o pré-sal...

N. - Pois eh... esse eh o problema... ela tá usando todo o tempo dela para divagar demais, e falar pouco dos projetos. Confrontando o plano instável do governo dela com o do Aécio, acabei tbm preferindo as propostas dele... Mas meu interesse maior tava no debate sobre o governo q pretendem ... tô bem na dúvida entre os 2 candidatos.

A. - Meu amor, analisa a resposta dela para Dilma: "Nosso programa de governo não é desprezar a riqueza do pré-sal, mas utilizá-la melhor. É ir além do pré-sal. Vamos continuar a exploras essa fonte de energia. Mas é preciso ir para onde 'a bola' vai estar...energia eólica, solar".Gosto desse uso dos recursos ambientais... também acho que o futuro é por aí. Continua ela: "Falo de acordo com minhas convicções, não me volto a polarizações...Defendo as liberdades individuais e combato toda forma de discriminação... Sou contra o aborto, mas não vou 'satanizar' quem o pratica."

N. - Pois eh, vó... ela se contradisse totalmente a respeito disso, quando tomou outra atitude na segunda feira.

A. - E ela continuou ainda: "É preciso respeitar temas que envolvem muita reflexão, como as questões filosóficas, éticas, morais e espirituais."

N. - Não eh pra tanto q ela despencou 10 pontos percentuais nas pesquisas.

A. - Bem, tô juntando evidências sobre ela e possível futura equipe de governo, nesse momento atual pré-eleitora. Contra evidências não há argumentações, meu neto. Pesquisas podem ser manipuladas para mobilizar o eleitor para um voto útil, para usarem melhor seu voto do que direcioná-lo para perdedores, segundo Luciana Genro, e eu a acompanho nessas considerações.
       Na bagunça que está o Congresso, quero um presidente com pulso forte, que não tenha 'rabo preso' com partido nenhum, nem com grupos de empresários acostumados a perverter políticos, ofertando volumosos patrocínios para suas campanhas. Quero um presidente que consiga enfrentá-los a contendo, impondo limites com firmeza e cobrando fiscalizações rigorosas. Marina me parece ter essa coragem. Parece ser capaz de se bancar e cobrar eficiência, e brevidade nos resultados, de sua equipe. O que me atraiu logo de cara foi sua afirmação de que ficaria só os 4 anos de governo.. É reciclagem mesmo! Ganhou meu voto por esse compromisso. Agora sigo vendo se sua postura continua coerente dentro de um discurso ético consistente, sem ataques pessoais mas confrontando ideias e contestando promessas vãs, palavras soltas ao vento para seduzir os leitores, que depois se perdem quando assumem o governo.

N. - Concordo com sua expectativa, mas a Marina, para mim, perdeu justamente essa imagem. As. vó, vou assistir ao debate da UOL hj, soh vi o da band por enquanto... O horário tem sido péssimo... Pois eh, perdi o do SBT por estar no trabalho. Mas e do governo, vó?  Hahaha vó, você não me falou do governo. Postei no meu face, o q achei do debate dos governadores... ainda não consegui chegar a uma conclusão, mas tô tendencioso ao Skaf.

A.- Não tô fugindo de manifestar minha opinião, não! Para governador e senador, sou direta: 45 e 456. Gosto de transparência, honestidade e integridade ética. Encontro isso, dentro do possível, em Alckimin e Serra.
      Adoro a Internet e o Mundo Pós-Moderno... O tempo ganha outra dimensão... Revemos alguns debates e entrevistas com os candidatos e parece que assistimos ao programa in loco kkk!
      Bjs, meu amor!

N.- Bjs vó... vou te procurando para trocar ideias, mesmo q seja através do face, ok?"

Aurora Gite