sábado, 14 de fevereiro de 2015

Enfim, início do filme em 12 de fevereiro de 2015!

Importante, para mim, republicar ante a distribuição do filme, exibido desde 12 de fevereiro nos cinemas:

QUARTA-FEIRA, 19 DE DEZEMBRO DE 2012

Cinquenta Tons de Liberdade

Encerro a leitura da trilogia "Cinquenta Tons" de E.L.James e me ponho a digerir sobre o que ficou dentro de mim.

Começo por três pontos, a meu ver, básicos:

Primeiro, dou ênfase à qualidade da publicação da editora Intrínseca e à escolha das capas, não só pelas imagens, mas pela textura das mesmas.

Segundo, realço o estilo de escrever de James com sua objetividade, frases curtas, indo direto ao que quer transmitir, sem a necessidade que o leitor tenha muitas elucubrações e interrogações do tipo "o que será que o autor quis dizer com isso?". Acredito que, além do conteúdo instigante, essa forma sucinta e direta, tenha atraído tantos leitores "internautas do mundo atual", que se dispuseram a comprar seus livros e a seguir avidamente suas idéias, bem articuladas dentro do que a autora se propôs.

Terceiro, leitores em busca de pornografia, podem ter se deparado com muitas lições de como atuar sexualmente, ante descrições tão detalhadas e ricas sobre a relação sexual entre duas pessoas "afins uma da outra", que se perceberam com uma química semelhante, com seus corpos respondendo a estimulações específicas de forma idêntica - sintonia que aumentou a atração entre eles - e com suas mentes se permitindo  se embalarem no aumento de prazer, pela excitação advinda da atuação da faculdade de imaginar, fervilhante de inovações consensuais impeditivas a que o tédio da mesmice contamine o tesão que  apimenta a relação; digo melhor, que poderia apimentar o tesão de qualquer relação humana nesse sentido.

Agora chego ao que me causou grande surpresa: Quanta coisa sobre o "amor" , para os que se dispuserem a ver +além das meras aparências!

"Data venia", com pedido de desculpa e permissão aos que tenham opinião contrária, chamou minha atenção, logo no início da leitura da trilogia, a autora usar a expressão "fazer amor" em vez de fazer sexo. No sexual temos o êxtase do prazer orgástico, explosão de energias através da entrega a uma união de corpos que se abre ao estímulo de áreas eróticas e à excitação pela fricção das mesmas. No "fazer amor" temos a entrega ao prazer de duas almas afins, o "sentir", em breves momentos, o clímax (apogeu) de energias em campo que irradia paz, aconchego, amor.

Refletindo sobre a repercussão e o estouro nas vendas da trilogia "Cinquenta Tons", mais me convenço sobre a pobreza da fantasia no erotismo atual. Ao ler não se sobressaiu o encontro sadomasoquista e a relação de prazer ante dores físicas e/ou psíquicas, mas o consenso e a curtição de um casal no encontro de jogos eróticos, que liberam a sintonia da excitação de suas libidos. Inclusive, quem se dispôs a ler e confrontar a obra com tantas críticas cruéis, deve ter notado que entre o casal existia um código: o uso da palavra "vermelho", indicava o 'Pare!', simbolizando, naquele momento, a interrupção de como chamavam de seu "desafio de limites". Meu foco recaiu na preocupação de um com o bem-estar do outro, na enorme vontade de agradar e preservar, no afetuoso e raro cuidar das respectivas integridades psíquicas.

Notem como a autora articulou suas idéias, sempre mobilizando o interesse para o "quero saber mais" e a curiosidade no "e agora, o que vem?" , dentro de situações banais que poderiam ocorrer com qualquer um, e sob uma abordagem bem passo a passo da relação sequencial das cenas, que levam a seguir seu pensamento e o desenrolar das ações dos protagonistas.

Analisem o "subjugar": não implica em causar sofrimento, mas aumentar o prazer da entrega, após o jogo da resistência e controle das reações imediatistas, impulsivas. Verifiquem a "função da submissão" onde o aumento do tesão vem do tentar se esquivar, sem impedir a ação restritiva do outro, mas encorajando-a. É incrível como os casais menosprezam suas capacidades de imaginar e fantasiar, apimentando a vida sexual, e  se permitem cair no marasmo tedioso da mesmice.

A expressiva vendagem dos livros ("pornografias para mamães?", subtítulo que receberam) e o interesse de tantos jovens, podem sugerir a possibilidade de maior união da "sensualidade" à "sexualidade", ou seja, que a mera satisfação dos instintos sexuais se acopla à grandeza das descobertas dos prazeres sensuais, pela entrega gradual aos estímulos sensoriais: aumento da percepção sobre as sensações físicas. O que me parece um bom sinal para impedir a alienação do mundo da ilusão,  com suas criações em que impera a falácia fantasiosa sobre as sensações reais.

Termino a leitura e me recordo que a autora se permitiu "criar", concretizar suas idéias, sob o som da música clássica, fato que também atraiu minha atenção. Minhas pesquisas sobre os dinamismos energéticos de nossa energia psíquica, os associando a processos bio-quânticos (bio-eletromagnéticos) estavam sendo direcionadas para os efeitos internos da acústica dos sons: de um som lírico e suave (mais atrativo à nossa alma) e sua diferenciação com um rock da pesada ( mais estimulante a movimentos corporais). Começo a ler de Otto Maria Carpeaux, "O Livro de Ouro da História da Música", onde o autor "traça a história da música erudita através de sete séculos.

Ao fechar "Cinquenta Tons de Liberdade" e me por a pensar sobre o trajeto dos personagens, vejo delineado o caminho por onde a autora impulsiona seus personagens a percorrer, que pode ser experienciado por duas pessoas viventes quaisquer. No possibilitar essa identificação também reside parte do sucesso da obra.

Mentalmente faço um retrospecto das articulações das idéias de James, que me levaram a refletir sobre:

* "a arte de amar", ou o respeito pelo cuidar das diferenças individuais e o encontro do prazer no ser diferente do outro e crescer nessa relação, preservando as individualidades;

* "a arte de fantasiar em consenso" como fator enriquecedor da relação;

* "a arte de criar expectativas", ou saber aguçar o prazer da espera de algo imprevisível e fora de controle;

* "a arte da entrega", ou o de se capacitar para o relaxar necessário a que a mesma ocorra com prazer;

* "a arte de confiar", de confiar no próprio taco para manter a relação e na capacidade do outro para lidar com adversidades circunstanciais do cotidiano, ambos preservando a relação para que não se contamine.

Essas reflexões me levam a recordar como algumas pessoas - como os personagens de James - ao se encontrarem circunstancialmente têm algum tipo de conexão energética ativada. É um reconhecimento inexplicável : "Não me pergunte o porquê, mas sinto nele a dignidade do diamante; se algum dia o souber 'solitário' e 'só'. vou estar por perto"; contrapondo a um " Ou ela é muito boa, ou muito..." já permitindo antever suas ansiedades antecipatórias, seus "cinquenta tons" a serem acolhidos.

Aqui já tirei da prateleira os "Diálogos de Platão" : "Banquete" ( com todo seu louvor ao amor) e "Fedro" (que prolonga o Banquete e vai +além) . Li o "Banquete" em 1976. Só de folhear percebo sua importância pessoal, por me permitir observar meu caminhar em relação ao fenômeno amoroso. Mas, de repente, em Fedro, do "mito do carro alado, no qual o cocheiro é a razão e os corcéis, a vontade e a concupiscência", me surge a percepção de que ansiedades antecipatórias em suas roupagens de medos do porvir, não só serão afastadas pela oposição ao que é no presente e pelo reforço ao confiar na própria capacidade de atuar sobre circunstâncias "conforme forem se concretizando no real", mas quando se alçar a categoria do cocheiro: da "razão" para a da "sabedoria".

Os mitos dispersos pela obra de Platão me fascinam. Talvez ouse estabelecer um código secreto, para quando se possa, ou se queira, acolher a privacidade de uma relação a dois, e falar "me too" (eu também).

Aurora Gite

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Projetos de Vida e Projetos de Morte

Projetos ... ora projetos! Muitos nem ousam se questionar sobre suas atitudes perante a vida, esquecendo suas influências diretas sobre seu processo de viver.

Projetos de vida implicam em mudanças, transformações que envolvem crescimento pessoal e desenvolvimento emocional. Envolvem o risco por ousar trilhar o novo, agir como empreendedor que intui sobre a oportunidade de se alçar ao desconhecido, confiando em sua capacidade de lidar com os obstáculos para alcançar um viver mais pleno.

Viver plenamente equivale a integrar o sentir, pensar, realizar projetos voltados a uma vida mais serena e feliz consigo mesmo. Está atrelado ao "se cuidar" (ser responsável por suas escolhas e consequências destas, e aberto a replanejar estratégias voltadas para um bem viver) ; ao "viver no mundo" (conter angústias e ansiedades, de se sentir rejeitado ou acolhido, ao se expor aos outros e se arriscar à convivência com as circunstâncias que independem da vontade e do controle da razão) e ao "fazer parte do social" ( buscar a inclusão no social, através de abrir espaço na sociedade para tornar-se um "eu" atuante e reconhecido por seus parceiros na sociedade em que vive).

Projetos de vida implicam em repensar valores e estabelecer prioridades; reconhecer o que representa força para si, o que o motiva a agir, a se tornar o empresário e empreendedor da própria vida, galgando postos internos através do seu mérito, engajamento na luta e no esforço para conseguir atingir suas metas e autorrealizar anseios. Nesse caso, fantasias são usadas para prever, planejar, buscar ideais passíveis de serem concretizados; a abstração é confrontada com o teste de realidade e com o leque de possibilidades concretas.

Projetos de vida não deixam de lado a liberdade, a criatividade e a responsabilidade ética da pessoa se assumir e se bancar, de entrar em contato com sua verdade, e se orgulhar de seu caráter defendido com dignidade e orgulho por sua maneira de ser, que não se contaminou ante um social deturpado por normas e regras antiéticas, que excluem os que se recusam a agir dentro desses padrões corrompidos.

A pessoa pensa e elabora estratégia, ultrapassa os problemas, se fortalece com as experiências certas ou erradas. Eleva sua autoestima e conquista seu próprio respeito. Passa a ter consideração sobre quem realmente é, e se sente mal tendo que fazer concessões que afetem seu modo de ser valorizado. Sua participação em seu viver, longe fica da indolência e passividade, pois ao se comunicar com o mundo, se compromete com prudência, se engaja com cautela nas mudanças que avalia como necessárias. Sua cooperação com os demais envolve o dialogar, o compartilhar ideias inovadoras e experiências vividas, o conviver e o respeitar possíveis diferenças entre os envolvidos, o negociar com bom senso e diplomacia.

Projetos de morte implicam em passividade, conformismos, atitudes paralisantes, autocríticas e autorrecriminações por culpas não questionadas, muitas indevidas. Envolve a "inação" por preguiça e a "mesmice" pelo menor esforço. A dependência a esses projetos leva a escravidão do ser, envolto por sonhos e idealizações; entregue a fantasias atreladas à uma fuga do real, à ilusão, ao pensamento mágico, às soluções fáceis. São hierarquizados os paraísos artificiais das drogas, distorções psíquicas, da negação de conflitos nos casos extremos (fanatismo religioso, excesso de trabalho, vícios do jogo, da comida...)

Projetos de morte revelam o aprisionamento interno; o enclausuramento no isolamento pessoal; o se jogar na masmorra da solidão e no vazio depressivo; a irresponsabilidade no autoabandono e falta de controle emocional; a desvalorização pessoal pela vitimização ante a impotência e a insegurança; o  esconder seu autodesapontamento atrás da irritabilidade, que barra o contato com o arrependimento, a autoculpa e autopunição, que encerram seu "suicídio interno".

Nos projetos de morte, a pessoa se nega e se distancia da fantasia sobre a realidade, ante o predomínio de suas idealizações tidas como verdadeiras e assim incorporadas, seus sonhos e ilusões atuam como vendas ao desprazer. Não enfrenta o problema, mas se apega à sensação ilusória de "poder" e "segurança". Não tolera reconhecer a "falta" e entrar em contato com uma frustração e conter a angústia decorrente.

São pessoas incapazes de postergar a satisfação e adiar o prazer. Não conseguem buscar mudanças e preservar a autoestima, pois é sofrimento atroz se afastar do papel de fraco, vítima das circunstâncias, e questionar a alucinação onipotente de ser perfeito, ser poderoso: toda sua negatividade é expressa pela obsessividade e proximidade com a vaidade, o orgulho, a arrogância, a prepotência.

Projetos de morte sempre são delimitados por indecisões (talvez... se... será?) e pelas dúvidas inquietantes sobre os próprios sentimentos, quando envolvem um amor e incertezas não passíveis de controle pessoal. Apego a vínculos destrutivos que se tornam bodes expiatórios de seus estados de insatisfação consigo mesmo, reforçam sua situação parasitária, espelho do narcisismo em que se aprisionaram. São pessoas difíceis de se entregar afetivamente, e se angustiam ante o desamparo psíquico, a vulnerabilidade e a raiva pessoal que contribuem para sua incapacidade de amar e de aceitar conviver com humildade e resignação, sem medo e sem culpa, ante possíveis vivências de perdas, quais sejam as relacionadas com provável objeto de seu amor. Seu pavor se estende a não ser capaz de ser objeto pleno de alguém que possa lhe ter amor; não é mais a lealdade ao outro, mas a fidelidade do amor que é questionada.

Projetos de morte implicam alcance de metas racionais e reacionais e não em mudanças perante a vida, que signifiquem integração do próprio sentir-pensar-agir. Qualquer coerência nesse sentido não é mantida por longo tempo pelos que se dedicam a eles. Pela falta de constância e indecisão, são logo desqualificados e questionados pela pessoa, que não suporta confiar nas próprias capacidades, se admirar por seu potencial inato, ou se curtir aceitando as próprias falhas e imperfeições. Essas pessoas não conseguem se fortalecer internamente para acertar, nem para retirar aprendizagens dos próprios erros: críticas, cobranças e exigências as incomodam assim como elogios, pois não se sentem merecedoras desse reconhecimento social. A insegurança e a dúvida aumentam a agressividade e a raiva contra a opinião dos outros, pois se algemam entre o bem e o mal, na rigidez da perfeição e da imperfeição, na pressão dos opostos, pela incapacidade de integrar seus mundos internos sempre conflitantes.

Valem algumas reflexões sobre Projetos de Vida e Projetos de Morte? Então sinalizo alguns ítens:
Percebem a dificuldade para preservar a integridade pessoal?
Percebem o valor de se manter firme e acolher Projetos de Vida?
Percebem a importância de combater dentro de si Projetos de Morte?

Aurora Gite

P.S.: Justamente hoje, dia 12 de fevereiro, tem início a exibição do filme "Cinquenta Tons"...
Estou curiosa para assistir e ver o recorte do diretor sobre a temática. Vai direcionar os personagens para o lado de projetos de vida ou de projetos de morte?

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Uma de minhas postagens favoritas

DOMINGO, 17 DE MAIO DE 2009

A matemática de um casal

Esse título intrigou você?
Vamos destrinchar um pouco mais esse tema?
Aposto que você vai se surpreender mais ainda.

O próprio termo casal nos remete a um par, ao número "2".
E eu vou mostrar a você que um casal equivale ao número "1" e , se tentar transformar essa relação humana em "2", é o início do fim de uma convivência harmônica.

Duas pessoas se conhecem, descobrem um certo magnetismo no outro (que chamar de simpatia, tudo bem) , que vem da troca de olhares. No olhar está escondido um grande mistério, tente falar com a pessoa sem olhar diretamente, e observe o que ocorre dentro de você. Epa! Prometo, não misturar a física quântica nesse momento, mas que já podemos fazer várias conjecturas sob o prisma dos novos conceitos podemos. Os primeiros passos para essa leitura residem no poder da energia obtida através da visão, pensamento e imaginação.

Por que aquela pessoa, e não aquela outra, que está bem ao lado dela, te atraiu?
Por que a disposição interna de conhecê-la melhor?
Por que o tesão de prolongar ao máximo o contato, de fazer com que as palavras se arrastem e o relógio se atrase?
Por que vontade de que esse imã de ligação não perca sua força de atração?

Descoberta de afinidades, algumas reais, outras criadas, e sabemos que é aqui que reside o perigo. O encantamento pode ser tanto, e a carência pessoal maior ainda, que desligamos nossa capacidade de captar e coletar os dados diretamente da realidade externa e interna. O mundo da imaginação, quando unido à idealização pela fantasia sobre o outro e sobre nós, nos arrebata de tal forma, que nos embalamos no ledo engano da ilusão... e nos perdemos, abrimos mão de nós como indivíduos únicos. Porém nos esquecemos que mais cedo, ou mais tarde, a realidade vai se impor a nós. A vida não nos perdoa esse afastamento. O resgate de nossa individualidade, e a retomada da administração de nossa vida, vai ser sempre difícil e sofrido, e inadiável muitas vezes.

E a matemática?
Já ouviram falar no processo de individuação?
Então sabem que não me refiro a individualização, não é?
Como podem existir dois números "1" tão idênticos, mas tão distantes um do outro e tão díspares em suas equivalências, ou seja, no peso de seus valores.

No primeiro nos tornamos indivíduos, abertos ao outro, ao mundo de relação, sabemos nos cuidar, reconhecemos nossas necessidades, distinguimos o que pertence ao nosso mundo interno e separamos o que é do outro, conseguimos melhor administrar nosso patrimônio interior. Podemos nos bancar, ou seja, verificar se temos cacife - psíquico, moral, e mesmo financeiro, por que não? - para preservar o número "1" dentro da relação de parceria, e se temos condições de avaliar até onde podemos seguir na relação sem nos violentarmos. Uma violentação implica numa invasão agressiva ao nosso íntimo e a quebra do inteiro, do "1" que somos, e é a nossa relação conosco mesmo que fica "zerada".

No segundo nos tornamos individualistas, fechados ao outro, no mundo de relação prevalecem os próprios valores e os interesses individuais, ou seja, existe o "2", o "eu e você", mas não existe a relação casal. Como o individualista não sabe se cuidar, não se assume como sendo responsável por si mesmo, não consegue ir a luta e buscar conquistar aquilo de que sente falta - aliás nem sabe o que deseja realmente, nem do que precisa para ser feliz - espera que, quem com ele se relacionar, assuma a responsabilidade "sobrehumana" de bancá-lo em suas carências, de magicamente saber o que quer e precisa, e entre no papel de salvador acertando no aplacamento das angústias por suas frustrações. Sendo o eterno insatisfeito, representa o negativo do "1" , ou seja, o "-1". Só por aí a relação a "2" está zerada.

Há algum tempo gostava de dizer que o número representativo de um casal era o "11". Hoje, com mais vivência e com o manto de sabedoria que a vida vai nos protegendo, com humildade mudei essa convicção.

Considerando uma relação formada por dois números "1", queria que refletisse comigo, pois coloco que a relação humana, que surge de dois "1" equivale também a "1".

Se "relação casal" não for considerada como terceiro elemento inteiro da interação das pessoas, ela vai se tornar vítima de "momentos pessoais de cada um". A manutenção de um casal de inteiros vai depender da forma como cada um dos elementos anteriores vai administrar suas diferenças e da coragem com que vão bancar o "número infinito" de expectativas internas, que fazem parte de suas personalidades individuais, somadas às do mundo que os cerca, que também interferem nas qualidades das vivências cotidianas.

Acredito que a relação "1", surja do "entrelaçamento de partículas" individuais que permitam a cada um estar em vários lugares ao mesmo tempo, sem perder a força atrativa, ou o brilho pessoal. Ela traz como características o companheirismo e a cumplicidade, valores individuais que se entrelaçam, em prol da construção do "nós", sob a radiação luminosa da auto-estima e autovalorização - forças necessárias na manutenção do equilíbrio energético, elo de ligação desse "casal", e também em alguns momentos, ante possíveis desgastes advindos das convivências diárias, fontes reabastecedoras e reativadoras da sintonia entre o casal.


Aurora Gite

UM COMENTÁRIO:

Andrea Dias disse...
olá aurora,
gostei muito do seu texto sobre casal, e descobri com a minha experiência o porque do resultado de um casal é 1, e não dois, primeiro a palavra ja diz UM CASAL, isto é quando dois se transformam em um só, na cumplicidade, quando o seu amor próprio se torna tão intenso que podemos dividí-lo com outra pessoa e se torna um amor só, isso é complicado!!!! pois as vezes as coisas se confundem e vc se anula perante o outro e se mistura no outro, pois o amor é um só... tudo isso porque quando vc ama e é correspondido (o que é essencial par se formar um casal), isso faz vc se sentir amada, importante, essencial para alguem, o que é muito importante para fortalecer o amor próprio, por isso os dois amores se tormam o mesmo.
Agora voltando a matemática do caso, um casal não pode ser dois pelo fato de não se tratar de uma adição, e sim de uma multiplicação, de sentimentos, de felicidade e até de problemas e como sabemos 1x1 é igual a 1.
Um abraço Andrèa Dias

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A armadilha e o perigo


Sabe onde residem a armadilha e o perigo?

O perigo é deixar que a relação a dois, e a familiar, se intoxique pela falta de respeito entre as pessoas... aí a convivência fica insuportável ,,, até o amor pode acabar.
O amor é uma força que impulsiona os que amam à busca de crescimento interno e conquista de dignidade pessoal.
Sendo assim não é tão difícil de distinguir, mas é muito difícil de ocorrer!
É preciso muito amadurecimento emocional para ter essa disponibilidade interna ao respeito pelas diferenças e estar receptivo ao outro como ele é.

A armadilha é querer que o outro seja o que ele não é; não pode ser mesmo que tente!
Se quiser mudar o outro para que se aproxime de seus ideais, não o ama. Se projeta nele um perfil, que construiu mentalmente, o que sente não é amor.
Vai perceber quando sentir amor, e focar em uma pessoa especial, que desperte essa vontade de fazer o melhor de si e sentir prazer pelo outro fazer o mesmo.
Quando para sustentar a relação tem que fazer concessões, que violentam sua maneira de ser e seus valores mais íntimos, não há relação amorosa que resista.
Isso vale para todos os níveis: amizades, amor filial e fraternal, quando muito o amor conjugal!

Resgato algumas ideias de Espinosa, como as que colocam a vida como "constantes devires em produção", campo abstrato para o "encontro de corpos" ou de forças. Para ele pessoas, pensamentos, ou os homens, como se refere, se constituem em forças, vindas de dentro deles e de fora. Essas forças podem se constituir em pressões impostas , os remetendo,  pela presença do constrangimento, a uma servidão atroz. Não existe liberdade se, no encontro de forças, não ocorre a produção de vida a partir delas, para inovar ou ter o poder de "produzir outra maneira de existir no mundo das relações, mantendo, se ainda vivo, o elo amoroso entre os envolvidos".

Segundo esse pensador, no ser livre, efetuam-se forças que vêm de dentro de si; ao acoplá-las ao seu "viver em liberdade", expressa sua natureza e aumenta sua potência. Portanto, cabe a cada um entender sua natureza (essência) e promover encontros afetivos que o possibilite manifestar e aumentar seu singular potencial.

Parcerias, quaisquer que sejam, deveriam ser um espaço para que ocorresse um agregar de forças no encontro amoroso, e não seu desgaste por exigências e cobranças de padrões de conduta do outro que se encaixem às próprias expectativas e idealizações de como deveria ser a interação, para obter mais prazer de acordo com interesses meramente unipessoais. Qualquer forma de anulação do outro na interação, controle sobre o parceiro e restrição a sua maneira espontânea de ser, seja por ciúme, jogo de poder, humilhação ou subjugação castradora por insegurança e sensação de inferioridade próprias, ferem direto à liberdade do outro, e se tornam um tiro certeiro ao coração da relação afetiva.

Observo no fenômeno amoroso uma "força dinâmica" ( em movimento, não estática); o amor mais como um meio que impulsiona, quem o sente, a evoluir e buscar uma integridade ética, uma dignidade pessoal, autorrealização que o valorize e do qual se orgulhe. Sendo assim, amor é força dinâmica, motor propulsor, causa ativa que impulsiona o crescimento interno de quem ama, tomando como referência seu centro interior de valores éticos, e não os que lhe são impostos por normas morais sociais.

A energia amorosa não é remédio, não serve como prescrição para que seja alcançado equilíbrio emocional; não é vínculo vital pelo estabelecimento da dependência fissural com esse alguém especial, como o fazem os drogadictos.

Quem não se disse: "Putz, que barra!" quando, por vezes, o mundo parece desabar sobre sua cabeça, sem vislumbres de alternativas de fuga de situações paralisantes?
Quem não sentiu sua criança interna, impotente e frustrada (com raiva), gritar por aconchego: "Eu não merecia isso!"
O que fazer, a não ser que cada um amadureça e concentre suas forças - não em queixas e autorrecriminações culposas, mas na montagem de uma cena mental (formatação de imagens mentais) acolhedora?

Por exemplo, por que não se utilizar da "técnica de imaginação ativa" e não pegar sua "sofrida e triste criança interna" no colo, sentar com ela em uma cadeira de balanço e, seguindo o ritmo do embalo suave e delicado, com a cabeça dela encostada em seu peito, fazer um terno cafuné nos cabelos dessa criança, tão viva e tão presente em você, embora você prefira não dar tanto valor a sua voz ativa, implicante e implacável na marcação de seu espaço dentro de você?

Cenas mentais bem montadas, sob a coordenação de um diretor eficiente - que percebe as necessidades reais do que ocorre com as emoções que permeiam as forças dentro do cenário que dirige - apaziguam o ambiente conflituoso psíquico, propiciando a confiança na vida e seus desígnios, com maior resignação e serenidade.

Por vezes, o elo de ligação, uma sincronização energética ou sincronicidade junguiana, ou encontro de forças similares espinosistas, com meninos de 72, não reside na afinidade de almas, no frescor da ternura e pureza ingênuas intuídas em suas crianças internas medrosas, em processo corajoso de melhor se conhecer intimamente e clarificar culpas indevidas? 
Ou melhor, por que não, se é o que falando de amor pode suscitar?

Aurora Gite

Para quem quiser se aprofundar nas ideias de Espinosa, indico os vídeos disponíveis - no Canal do YouTube: Claudio Ulpiano, filósofo espinosista (1932-1999), vídeos-aulas sobre esse pensador.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Se promessa é dívida, então... "Saldando dívidas!"

Com as facilidades de poder sanar dúvidas e ir atrás de informações para aumentar conhecimentos específicos de interesse direto de cada um, esse milênio já delineia o perfil autodidata e empreendedor do profissional que deseja se inserir no mercado de trabalho e ter uma participação ativa também na sociedade em que vive. Não é ficar atrás da demanda da empresa e correr para atingir metas colocadas. Não é ficar satisfeito e estático depois de ter curiosidades desfeitas, pois com isso novos ciclos se abrem para terem seus processos de conhecimentos desvendados. O profissional, desse milênio, constrói seus diferenciais a cada momento.

Um saber adquirido já se torna obsoleto e a meta é inovar, inventar, criar e atingir novos saberes, que possam se integrar e agregar valor ao já conhecido. Esse é o perfil de ser humano que facilmente se insere na nova dinâmica (movimento de forças) do mundo do século XXI. Assim equipado internamente, esse profissional de qualquer área, está aberto a entrada de novos elementos na equipe sem que esses lhe representem ameaça de desequilibrar seu "status", por si só sinônimo de "estar ultrapassado". O foco é sempre a conquista do novo, a ousadia para enfrentar as mudanças e se aventurar aos momentos cíclicos constantes de desorganização (ansiedade) e busca de ordem (serenidade).

Sendo assim, continuo a transcrição do meu capítulo sobre "O profissional do século XXI e o impacto das transformações na equipe multidisciplinar de dor", lembrando que as referências bibliográficas das citações se encontram na postagem anterior:

"...A importância do trabalho em equipe não se encontra mais somente na integração de seus elementos e na sua disponibilidade de atuação direcionada a uma meta comum, mas em um contínuo caminhar desses profissionais, envolto em constantes reciclagens, aperfeiçoamentos, pesquisas e novas descobertas, levando sempre em consideração a melhoria de qualidade de vida do paciente com dor, da instituição para a qual trabalhe e de si mesmo como profissional.

Para os pacientes com dor, a valorização das equipes e de suas interrelações consideradas em um âmbito sistêmico, ou seja, permeadas por influências recíprocas e dinâmicas - envolvendo não só os elementos dessa equipe, mas o mundo das relações entre profissionais, os pacientes e seus cuidadores - possibilita a compreensão dessa experiência relacional que, em muito, auxilia no processo de cura, e pode ser propiciadora do alcance de novos patamares evolutivos para melhor compreensão do que ocorre neste aspecto.

Referindo-se a este aspecto interrelacional, talvez haja, neste momento, uma escuta capacitada a ouvir e captar a importância de algumas teorias da década passada. Fish (1988) assim se expressa: "Os físicos têm usado o termo placebo para referir-se a uma substância na qual os pacientes acreditam haver potência para curá-los em suas enfermidades - uma crença que se justifica - mas, quimicamente, não é passível de comprovação. Pedrinhas de açúcares ocasionalmente produzem curas espetaculares de doenças intratáveis." Realça a fé no processo de cura e a necessidade de terapeuta e cliente acreditarem em um ritual de cura, fator facilitador de adesão ao tratamento. Uma cura eficaz pela fé é um processo que tem lugar entre duas pessoas que acreditam. Sua "Terapia por Placebo" também se constitui em um método terapêutico, baseado em princípios da influência social e no acreditar que existem "forças muito mais amplas, que afetam virtualmente todos os aspectos de nossa existência social".

Lemgruber (1984) já abordava o fenômeno de uma experiência emocional corretiva, advinda da vivência relacional. "O como e o porquê ocorrem as curas em Psicoterapia Breve ou Terapia Focal, a possibilidade de se obter bons resultados com poucas sessões de terapia, e a justificativa de que, muitas vezes, é desnecessário um tratamento a longo prazo, devem ser buscados, não na contraposição de um "insight cognitivo" versus "insight psicanalítico", mas na EEC (Experiência Emocional Corretiva)", cuja base reside na aliança terapêutica. Segundo Lemgruber, ao encararmos o ser humano de uma forma globalizada, como uma "gestalt" (configuração total), verificaremos que a mudança de qualquer parte provocará a modificação do todo.

Hermann (1999), psicanalista, fundador da Teoria dos Campos, enfatiza a importância do campo transferencial na relação paciente-terapeuta, buscando resgatar o verdadeiro método psicanalítico interpretativo do que ocorre nesse jogo de interação. Realça o fato de que uma teoria nunca se sobrepõe ao que vem do paciente. Ela não deve informar como olhar algo, mas o conjunto de ideias, ou modelos referenciais, que a constituem devem surgir da "observação de fenômenos". Coloca a importância de se olhar o paciente como é, buscando a compreensão de seu sintoma ou explicação de sua patologia, postura bem diferente daquela do profissional que busca inserir o paciente em alguma moldura teórica pré-estabelecida... o que já torna questionável a utilização (prática) da própria Psicanálise.

Outro fato importante a ser apontado, através das colocações acima, é a união em torno do "homem", independente das escolas seguidas, e a busca de integração ao redor do "fenômeno observado" sob vários pontos de vista. Acrescentando-se a isso, a junção interdisciplinar e o aspecto corretivo da própria vivência relacional, não há como não reconhecer o mérito dessas equipes prontas a cruzar a passagem do século.

No atendimento direto ao paciente com dor, existem três vértices, em saúde mental, que deveriam ser observados sempre, a meu ver: o agir, o pensar e o sentir. Considerando-se que a dor é universal e que esse sofrimento físico e psíquico ocorre nos indivíduos, independentemente de suas características biopsicossociais, acredito que o importante, a ser relevado, é o propiciar ao paciente se manifestar, expressar sua dor e mudar sua relação com as próprias experiências, ou seja, re-significar sua vida, desfazendo sua linguagem interna do adoecer.

Nesse sentido, a nível psicológico, haverá momentos psicodiagnósticos e terapêuticos onde se torna mister uma "leitura no eixo temporal", que envolve predominantemente aspectos passados, presentes e futuros da vida do paciente, com a devida utilização de técnicas psicológicas e estratégias de determinadas linhas teóricas. Nesse eixo encontram-se  em um extremo, a Psicanálise, voltada para o passado, e no outro, por exemplo, as Terapias da Consciência, voltadas para o futuro.

Em outros contextos, a demanda inicial pode reportar uma "leitura no eixo espacial", necessitando o psicólogo de novas instrumentações para possibilitar que seu paciente possa aliviar ou bloquear situações ambientais, que estejam interferindo em sua vida e em seu quadro de dor. Neste sentido, o exemplo vem com Melanie Klein, pois, embora a terapia kleiniana situe o paciente no aqui e agora da sessão, ela enfatiza espaço e posições específicas de funcionamento mental. Também a Terapia Comportamental Cognitiva faz parte desse eixo, buscando, primordialmente, a quebra de crenças que circundam o espaço dos comportamentos disfuncionais.

Questionamentos existenciais, tão comuns em quadros de dor crônica, remetem o profissional a uma "leitura no eixo transcendental", que nos remete à dimensão espiritual, onde o resgate é do sentido da vida e da importância do viver, que mobiliza o profissional a buscar novos instrumentos técnicos e trabalhar, cada vez mais em sua profundidade, a qualidade das relações internas e externas a nível de equilibrar e alinhar as energias física, psíquica e metafísica. Terapias Fenomenológicas-Existenciais, Logoterapia ou Análise Existencial, Psicologia Analítica (Jung), aqui se enquadrariam, bem como algumas Terapias Alternativas, sem base científica, pelo menos até agora, embora apresentando efeitos positivos bem visíveis na condição psicológica dos pacientes.

Finalizando, todos os esforços de uma equipe multidisciplinar de dor e os recursos empregados por seus membros, dentro de suas respectivas áreas, deveriam visar a integração do ser humano, seu comprometimento com seu processo do adoecer e seu engajamento no tratamento e nas mudanças visando melhor prognóstico e qualidade de vida no mundo relacional. Só ao paciente cabe se prevenir e lidar com o "mal físico passageiro" de forma que não se repita, ou escolher a qualidade da convivência com a "enfermidade crônica" de maneira que ela contribua para enriquecer sua vida, descobrindo seu sentido naquele específico momento existencial de seu viver."

Acrescento agora:
Aos elementos das equipes, enquanto agentes de saúde, cabem o aprendizado de olhar as situações de atendimento sob várias perspectivas, abarcando amplo conhecimento do que as cerca, e se ater ao nível realista ao desempenhar suas funções, cuidando com atenção redobrada para se afastar do binômio idealização-ilusão de onipotência, se abstendo de se engajar em expectativas de "messias, salvador supremo, senhor soberano de um saber, que resolve tudo e em curto espaço de tempo", pois tais posturas só conduzem, como resultado final, a deixar pacientes e equipes desestruturados emocionalmente, frustrados, desapontados, ressentidos, hostis a qualquer tipo de intervenção benéfica a minorizar seu quadro clínico."

E onde estou em minhas pesquisas?
Revendo as biografias do pai da Psicanálise, procurando me inteirar de como surgiram suas ideias. Já registro que Freud sempre buscou integrar suas ideias e suas descobertas em estrutura conceitual, coerente e sistemática, respeitando os critérios da ciência da época; em sua prática clínica não era tão frio e distante. Descreveu e nomeou as forças em pares (ativas e reativas), cuja atuação observou através de seus efeitos nas condições psicológicas dos pacientes. E, uau!, " a natureza intrínseca das forças (psíquicas) não foi investigada"; partiu da observação das forças voltadas à vida (inovação e criação, crescimento e evolução) e à morte (repetição, inação, autodestruição); dos impulsos e defesas; libido e pulsões de morte, Eros e Tânatos...

Continuo buscando me aprofundar nas ideias de pensadores sobre a energia psíquica e sua dinâmica em nossa mente. Agora meu foco está em Merleau-Ponty, fenomenólogo existencialista e em sua  obra "O Visível e o Invisível", na importância que dava à intencionalidade e à facticidade na rede de experiências significativas dos seres humanos. Não sem procurar sua articulação com Espinosa e sua teoria sobre o jogo de forças energéticas na natureza, que ocorre nos encontros entre os seres humanos, dando, inclusive, sentido a seu viver.

Ah! Não fico sem cruzar esses dados com as informações e conhecimentos práticos de Deepak Chopra, médico ayurvedico e terapeuta quântico, que podem ser encontrados em vários vídeos no Canal YouTube. "Ayur" significa "ciência" e "veda" significa "vida", portanto "ayurveda" significa "ciência da vida". Consiste na "Medicina da Cura", futura medicina do milênio, penso eu.

O terapeuta ayurvédico tem o foco na "prevenção de doenças" e no "equilíbrio geral do organismo". Entre suas intervenções estão, entre outras, as práticas energéticas voltadas ao alinhamento da respiração e da meditação, yoga, homeopatia, acupuntura, fitoterapia, terapia floral, massoterapia, reik (não confundir com Reich, dissidente do grupo de seguidores de Freud, que desenvolveu a Teoria das Couraças de Caráter...vale conhecer suas ideias!).

Segundo dados coletados na enciclopédia livre Wikipedia, "Ayurveda é o nome dado ao conhecimento médico desenvolvido na Índia há cerca de 7 mil anos, o que faz dela um dos mais antigos sistemas medicinais da humanidade. Ayurveda significa, em sânscrito, Ciência (veda) da vida (ayur); Continua a ser a medicina oficial na Índia e tem-se difundido por todo o mundo como uma técnica eficaz de medicina tradicional. No Brasil é praticada principalmente por psicólogos e fisioterapeutas, mas está também sendo inserida no sistema público de saúde.

A medicina ayurvédica é conhecida como a mãe da medicina, pois seus princípios e estudos foram a base para, posteriormente, o desenvolvimento da medicina tradicional chinesa, árabe, romana e grega. Houve um intercâmbio de informações com o Japão (Budismo), que tinha a mesma necessidade dos indianos: criar uma medicina barata para atender às suas populações muito pobres e gigantescas; por essa razão existe muito da medicina japonesa nos conceitos de ayurvédica. As duas desenvolveram técnicas muitos eficientes e de baixo custo para o tratamento.

A doença, para a Ayurveda, é muito mais que a manifestação de sintomas desagradáveis ou perigosos à manutenção da vida. A Ayurveda, como ciência integral, considera que a doença inicia-se muito antes de chegar à fase em que ela finalmente pode ser percebida. Assim, pequenos desequilíbrios tendem a aumentar com o passar do tempo, se não forem corrigidos, originando a enfermidade muito antes de podermos percebê-la."

Indico este vídeo de Deepak Chopra "Tu Energia Interior" (Colección Mente Sana #3) completo.
Nesse vídeo encontrei boa parte do conjunto de ideias, que buscava para agregar à minha pesquisa.

Aurora Gite






segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

E quinze anos, ou pouco mais, já se passaram!

"E quinze anos, ou pouco mais, já se passaram!" No entanto, minha impressão é que parece que foi ontem que tudo aconteceu. Ainda recordo quando me convidaram para escrever o capítulo em um livro abordando os desafios no diagnóstico clínico para os profissionais do século XXI e o impacto das transformações na equipe multidisciplinar de dor, por volta de quinze anos atrás, ou pouco mais... Acho importante o confronto com o que se foi e o que se é, como bom critério avaliativo para se abarcar a extensão de nossas mudanças internas, nosso engajamento em sua manutenção, nosso empenho em continuar caminhando em prol de nosso crescimento, nossa lealdade e fidelidade ao compromisso de continuar pela vida com nossa evolução pessoal e profissional.

A decisão não foi fácil na época. O preço foi alto pela opção escolhida, mas valeu a pena investir. Sempre vale a pena quando se investe e se sente orgulho de si mesmo ante posturas tomadas, mesmo que decisões impliquem exclusão do grupo de pares. Esse orgulho, bem como a autoconfiança e a autovalorização dele decorrentes, é um tripé que se carrega vida a fora e que nos dá muita força para atravessar obstáculos sofridos, que envolvem rejeição afetiva e desqualificações profissionais indevidas.

Quanta dúvida então entre bancar minhas ideias, assumindo posturas não tão assimiladas na época por minhas colegas de profissão,ou me acomodar a chavões padronizados, esperados pela maioria das equipes, lugares comuns mais fáceis para seus elementos se situarem. No entanto, já me parecia imprescindível divulgar meus pontos de vista, ante todos os estudos e pesquisas comprovando a experiência emocional corretiva (que eu também observava como capital para um bom prognóstico), vivenciada por pacientes ante a boa qualidade do atendimento e da interação estabelecida com profissionais em diversas áreas, particularmente aos setores ligados à saúde mental.

Eis a "Sinopse":

"Este trabalho tem por objetivo realçar os aspectos positivos das aceleradas transformações pelas quais passa a humanidade. Estamos perante uma nova visão de homem e de mundo. Urge a adoção de nova filosofia de vida, que resgate aspectos éticos e morais. Neste sentido, na área da saúde, o trabalho das equipes interdisciplinares se consolida e direciona suas metas de atendimento visando a qualidade de vida do paciente.
Uma visão humanista e holística do doente, compreendido e respeitado dentro de sua unicidade, e entendido dentro de abordagens sistêmicas e atitudes psicossomáticas, tende a propiciar elementos à uma melhor compreensão da vivência dolorosa."


Pulo para o final do capítulo, citando as "Referências Bibliográficas". Particularmente, gosto de me situar na trilha do autor de textos ou artigos. Essas referências me facultam isso, como melhor entender as articulações e associações contidas no que leio ou estudo. Não deixa de ser um convite para que façam o mesmo! Só não observo aqui as normas oficiais do uso dos destaques com os nomes dos autores em maiúsculo; esteticamente não caíram bem nesse espaço. Por outro lado, o programa do computador não aceitou bem que observasse a distância de 3 letras, espaço formal para o início da segunda linha completando os dados de cada obra citada.

"Referências Bibliográficas"

Dattilio, F.M.& Arthur, F. Estratégias cognitivo-comportamentais para intervenção em crises.    Campinas: Eitorial Psy II, 1995.
Dethlefsen, T. & Dahlke, R. A doença como caminho. São Paulo: Cultrix, 1983.
 Fish, J.M. Placebo Terapia: influências sociais em psicoterapia. Campinas: Papirus, 1988.
Forghieri, Y.C. Psicologia Fenomenológica: fundamentos, métodos e pesquisas. São Paulo:  Pioneira, 1993.
Frankl, V.E. Psicoterapia e sentido da vida: fundamentos da logoterapia e análise existencial. 
 São Paulo: Quadrante, 1989.
Lemgruber, V.B. Psicoterapia Breve: a técnica focal. Porto Alegre: Artes Médicas, 1984.
 Mello Filho, J. Psicossomática Hoje. Porto Alegre: Artes Médicas, 1984.
Sagawa, R.Y. et al: Teoria dos Campos na Psicanálise. São Paulo: Hepsyché, 1999.
Silva, M.A.D. Quem ama não adoece: o papel das emoções na prevenção e cura das doenças. São  Paulo: Best Seller, 1999.


"O profissional do século XXI e o impacto das transformações na equipe multidisciplinar de dor"

"Aborda-se muito o avanço científico e tecnológico, as novas formas de comunicação e diferentes interações, propiciadas pela linguagem computadorizada. A nova era, que se inicia com tantas e aceleradas transformações, ao mesmo tempo que fascina, também amedronta. O quadro social, abrangendo aspectos políticos, econômicos e culturais nos confrontam com catastróficas previsões, inclusive anunciadoras de um fim de mundo. Porém, de uma forma arrojada, poderíamos compreender essa mudança de século como fim de um ciclo realmente, com novas formas de viver e conviver.

A expansão da globalização, a transformação cultural dela decorrente, e o acelerado progresso tecnológico e informativo incentivaram também o surgimento de nova visão de homem. A necessidade de compreensão do ser humano em suas três dimensões: temporal, espacial e transcendental, implica em grandes mudanças, particularmente, no que diz respeito aos profissionais da área da saúde.

Tal fato exclui do mercado de trabalho, profissionais com posturas fechadas e individualistas, mais estáticas e voltadas para uma única direção humana, que adotem teorias como dogmas e se utilizem de técnicas menos abrangentes. O cabedal de informações disponíveis a esses profissionais cobra-lhes um ecletismo de ação, ou seja, a utilização de técnicas de vários grupos teóricos diferentes, tendo em vista o bem estar do doente.

Portanto, nesse período de transição de séculos e grandes mudanças, ideológicas e de comportamento, não se pode deixar de ..."


Espero ter despertado a curiosidade de vocês para o que vem a partir daí...
Coloco na próxima postagem, prometo!
Aurora Gite

sábado, 29 de novembro de 2014

Continuo dizendo que "Tudo valeu a pena!"...

Mais um final de ano que se aproxima! Como não reaver na memória "O que fazer?" e não reacender o afeto por quem o escreveu?

Compartilho as dicas, continuando a dizer, para esse ano também, que "Tudo valeu a pena!".

SEXTA-FEIRA, 27 DE JANEIRO DE 2012

" O que fazer?"

O que fazer?


Para associar mundo moderno com viver bem
Não basta tentar,
Temos que ir muito além.
Há três tipos de pessoas
Que vale a pena conhecer:
O modernista, o campista
E o que sabe bem viver.

O primeiro adora tecnologia.
Para ele, computador
É coisa de magia.
Mas não deixa a cidade grande.
Para ele, viver bem
É nada mais, nada menos
Que fama, poder e dinheiro.

O segundo é o tipo fazendeiro.
Trabalhou a vida inteira
E ganhou muito dinheiro.
Com trinta anos se aposentou.
Uma fazenda comprou
E muito bem se casou.
Qualidade de vida para ele
É ser rico e bem casado,
Ter fazenda e muito gado.
E viver bem relaxado.

O terceiro é bicho estranho.
Mas vale a pena mostrar,
Pois tem muito valor
No que estamos a falar.
Este sabe misturar
Viver bem e na cidade morar
Tem casa na cidade
E outra linda no campo.
Gosta de gastar,
Mas não tem dinheiro no banco.
Trabalha no que acha legal,
Mas o que ganha é muito mau.
Casou-se com quem ama,
Passa o domingo na cama.
Gosta de trabalhar,
Mas odeia o chefe encontrar.
Não sabe se vive bem,
Mas de uma coisa está certo:
É muito nervoso,
Mas é feliz também.

Agora, cabe a ti escolher
Qual dos três você quer ser.
Para quem não sabe o que fazer,
Saiba que minha opinião já fiz:
O que mais quero é ser feliz.

Luis Felipe Cyrillo Danezi
em seus 12 anos de idade
publicado na Revista de sua escola


Vale como lembrete para que os adultos não se esqueçam de seus sonhos e de quem realmente foram e poderão ser.

A dica da vida não é que procuremos nos adaptar às circunstâncias ao nosso redor, administremos nossos medos - como o medo do amor e de ser feliz - ou gerenciemos nosso "eu" em prol do bem viver de acordo com a expectativa de sociedades com normas, valores e preconceitos instituídos antes mesmo de nela existirmos. Não são as circunstâncias responsáveis por quem somos. Nosso "ser no mundo", com qualidade de vida, está atrelado a outras forças internas.

A mensagem que a vida nos envia é para respeitarmos com lealdade a pessoa que, em essência, existe dentro de nós; é confiarmos em nossa liberdade e capacidade para transformarmos o que nos cerca; é termos coragem dentro da simplicidade de buscar que nossa existência se adapte a quem realmente somos; é sermos fiéis a nossos sonhos sem medo de ser feliz.

É podermos olhar para trás e sentirmos profundo orgulho por termos nos permitido lutar por nossos sonhos, buscando suas inserções na realidade, em vez de termos vivido dentro deles, como sonhadores com medo de viver, o que a vida nos encaminha.

E, se a vida nos encaminha, faz parte de um mistério, a ser enfrentado e desvendado.
Qual são os primeiros passos a serem dados?
  • Encontrar e acolher o menino que todos temos dentro de nós.
  • Sair da bolha sonhadora, que mina a esperança de realizações ocorrerem; que eterniza o tempo, mas paralisa nosso andar por ele. E que susto ao vê-lo ter passado tão rápido!
  • Colocar os pés no mundo real, buscando na dignidade pessoal alcançada, a força e o equilíbrio para caminhar.
  • Dar sentido e qualidade a nossa vida, para nos aproximarmos da grandeza do bem viver.
  • Resgatar e agora sim vivenciar os sonhos, não tão esquecidos assim dentro de todos nós.
A partir daí, mãos à obra!
Posicionar sua tela mental, pegar o pincel de sua imaginação e delinear o esboço do que quer para sua vida. A cena onde seu desenho vai ser formatado vai depender da paisagem de seu cotidiano, mas as cores, que darão força à imagem que vai surgir, vão depender de suas escolhas e de sua vontade para decidir sobre quais delas vai querer que façam parte de sua criação, de seu viver a partir de agora.

Aurora Gite