quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Vamos deixar assassinar nossa História?

Outra inquietude e grande preocupação minha!

Não é fácil conviver com a inversão cronológica, quando pensamos que nossa história pessoal ao morrermos terá um espaço reservado na memória de nossos filhos e, de repente, somos obrigados a conciliar angústias de perdas e lutos de filhos caçulas e abrir em nossas memórias de pais um lugar para acolher a história de vida de nossos filhos e a qualidade de nossas relações.

Sem dúvida, não se pode deixar de constatar que sem culpas, sem remorsos tipo "poderia ter feito e não fiz", o processo de luto ultrapassa as fases citadas por Kubler-Ross: negação, não aceitação e raiva, barganha e todos os questionamentos tipo "por que comigo?", entrada no estado depressivo ... até chegar à fase de resignação e grande tristeza e percepção que "a vida sempre continua" e as pessoas significativas continuam fantasmas vivos dentro de cada um de nós mantidas por nosso sentir e pensar nelas.

Como nada é por acaso, no final de semana passado, assisti a dois filmes que não posso me omitir de indicar, pois retratam a nossa responsabilidade sobre a construção da história de nossas vidas e da importância dos guardiães de nossas obras contra aqueles que buscam destruir até o passado de uma nação e o orgulho de seus cidadãos:

1- "Steve Jobs": alguns fazem o possível, ele fez o impossível.
Sinopse: "A história da ascensão de Steve Jobs, de rejeitado no colégio até se tornar um dos mais reverenciados empresários do universo da tecnologia no século 20. A trama passa pela jornada do autodescobrimento da juventude, pelos demônios pessoais que obscureceram sua visão e, finalmente, pelos triunfos que transformaram sua vida adulta." Ashton Kutcher está no papel de Steve Jobs.
* Recortes ótimos para os que trabalham com dinâmicas de grupo.

2- "Caçadores de Obras-Primas"
Sinopse: "Durante o declínio de Hitler na Alemanha, um grupo de 13 especialistas vindos de países diferentes é reunido para reencontrar obras de arte roubadas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial." George Clooney está no papel do oficial americano, conservador da tradição e conhecedor da beleza contida nesse material histórico expresso nas obras de arte, que lidera a equipe.

Acredito que da pluralidade e conectividade de "micro-histórias", obtenhamos o desenho da dinâmica existencial que configura a "macro-história". Penso estarmos vivendo outro momento único no milênio, que desvia nossa impotência ante rotas sem esperança e nosso desânimo ante melancólicos rumos, para uma visão de futuro promissor para as novas gerações de nossos netos em diante.

Republico a postagem "Será mesmo que vamos assassinar a 'História'?" para que sirva de reflexão e nos encha de coragem para lutar contra a megalomania autoritária e prepotente de possíveis vilões 'hitlerianos' que queiram vilipendiar os feitos de uma era histórica.


DOMINGO, 10 DE MARÇO DE 2013


Recorte:Será mesmo que vamos assassinar a História


Será mesmo que vamos assassinar a "História"?


Entendo que da pluralidade e conectividade de "micro-histórias", obtenhamos o desenho da dinâmica existencial que configura a "macro-História".

As micro-histórias dependem da inserção das individualidades na complexidade dos relacionamentos humanos, seus jogos de convivência, suas lutas por espaço e poder, suas tomadas de decisão embasadas em intencionalidades e imprevisibilidades.

E é dessa intrincada rede de relações pessoais que se esboça a História da Humanidade. Suas sinalizações são importantes de serem levadas em consideração ao se observar a "vida em reverso".

Sendo assim procuro aspectos de minha história pessoal que pudessem se encaixar na sociedade que gostaria de ver construída nesse novo milênio.

A colocação de um grande complexo hospitalar no "divã", a observação e análise da rede de interações estabelecidas, os jogos pelo poder, o mau uso da autoridade conferida pelo cargo ocupado, o contato com o lado perverso do ser humano ao reagir a ameaças de possíveis alterações em seu "status quo", a constatação da enorme fragilidade das lideranças, escravas da burocracia e do fortalecimento pessoal ilusório, falseado por constantes manipulações desumanas e preconceituosas, desnudaram para mim : uma categoria que se esconde atrás da aparência assistencialista, a razão da deficiência na qualidade do ensino dos profissionais da área, e das egoísticas atuações em pesquisas, voltadas mais a interesses pessoais, do que ao bem empresarial e o coletivo.

O fechamento de equipes, enclausuradas em si mesmas, debaixo do "em time que está ganhando não se mexe" ,"mudanças desde que...", " é preciso fazer a cabeça de fulano" . Esse tipo de coordenação impede a flexibilidade necessária para trocas e constantes inovações criativas. Um agregar forças, diretriz de uma política em recursos humanos baseada na inclusão e administração das diferenças, depende de posturas abertas, saudáveis , que não se amedrontem ante qualquer desenvolvimento concorrencial, pois confiam em seu potencial.

A patologia organizacional a nível de suas lideranças diretas e indiretas ( assessores) estava visível. Chefias apresentando projetos como seus, erguendo crachás e dizendo:"Faça porque estou mandando!", desenvolvendo políticas de privilégios ( liberação para congressos) e submissões humilhantes? Coordenações de ensino que guardam sigilo do "sumiço" de matriz de apostilas necessárias as aulas, que desviam para outros docentes material ( data-show) requisitado dentro do prazo, obrigando reestruturações imediatas do plano de aula? Falta de ética ante quebra de sigilo de provas e de banco de dados informatizados? Quem não convive ainda com algo semelhante? 
Tudo agora é questão de tempo . Esses tipos de profissionais não conseguem sobreviver dentro dos novos modelos participativos de gestão.

Um ponto forte que me chamava a atenção residia no orgulho de muitos colaboradores ( e aqui me incluo) ao percorrer os corredores daquela Faculdade, observando a galeria de quadros de profissionais que construíram sua história, ganhando por isso destaque. Isto contrastava com o desejo de outros, ainda na ativa, de apagar registros bibliotecários e destruir dados significativos, banco de memórias de uma época, esquecendo que uma história institucional se conserva viva, enquanto estiver na lembrança dos que a cultivem e transmitam oralmente de geração a geração.

Não entendia bem, na época, os projetos voltados a esses objetivos. Por que e para que serviam? Buscando maior compreensão, tinha por resposta que tudo fazia parte da evolução tecnológica que envolvia a agilidade da informação e a simplificação da burocracia. Porém na prática tais medidas ainda deixavam muito a desejar, e as perdas históricas eram muito significativas.

Um assassinato imediato de vivências históricas reais, buscando enterrar protagonistas, conservados vivos pela dignidade dos valores defendidos?

Um suicídio, a longo prazo, visto que a história vivenciada por anônimos poderia ensombrecer ainda mais o vazio e espelhar a falta de comprometimento organizacional e social de muitos profissionais atuantes?

As experiências devem sempre reforçar o quadro autorreferencial de quem se propõe a ser o construtor de sua própria história de vida. Lembro que mesmo dentro de um ambiente totalmente hostil, preconceituoso e de falsa política inclusiva, consegui sobreviver. Consegui manter a cabeça erguida e estar bem comigo mesmo. Produzi a cada mês novo projeto, reforçando meu capital intelectual. Engavetados ou redistribuídos, muitos deturpados e abandonados, ninguém me usurparia esses conhecimentos. O tesão da criação e o processo logístico para a implantação residem "no" e permanecem "com o" autor. 

Hoje, após anos, minha auto-estima valorizada só tem a agradecer. De tempos em tempos, em alguns momentos de fragilidade, resgato essa visão histórica e isso me ajuda a superá-los mais rapidamente. Acredito ter sido a qualidade dessas vivências, que me possibilitou acompanhar as considerações de Eric Hobsbawm em seu livro " Era dos Extremos" , e retirar delas as respostas que buscava naquela época.

Transcrevo trechos dos relatos desse historiador , algumas de suas análises sobre o século XX, repercussões atingindo o século XXI . Também endosso o apelo de muitos :" Não deixem que retirem da História seu eterno papel unificador"! Acreditando que possa estar sendo falseada por alguns, é se aproximar dos historiadores que buscam cercar seus relatos de evidências focando a transparência de fatos verdadeiros sob várias perspectivas.

Algumas citações do autor, acima mencionado valem muitas reflexões, pois sinalizam o grande perigo do século XXI:

" No fim deste século XX, pode-se ver como pode ser um mundo em que o passado - inclusive o passado no presente - perdeu seu papel... Não sabemos aonde tudo nos leva, ou mesmo aonde deve nos levar... Para onde vai a humanidade? "

"Olhando para trás, vemos a estrada que nos trouxe até aqui. Mas o que nos moldará o futuro?"... Ante a "regressão aos padrões do barbarismo, este século nos ensinou que os seres humanos podem aprender a viver nas condições mais brutalizadas e teoricamente intoleráveis."

" A memória histórica já não está tão viva". É a lacuna entre gerações e o abismo entre seus valores dificultando a vida de relação.

"A destruição do passado - ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas - é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem. Por isso, os historiadores, cujo ofício é lembrar o que os outros esquecem, tornam-se mais importantes que nunca no fim do segundo milênio. Por esse mesmo motivo, porém, eles tem de ser mais que simples cronistas, memorialistas e compiladores".

Ao abordar a diferença qualitativa no mundo, o autor cita três transformações históricas, que contribuíram para a realidade atual :

1- Quando o século XX começou, a Europa deixava de ser o centro de poder, riqueza, intelecto e "civilização ocidental" e o mundo deixava de ser "eurocêntrico" - ocorrendo grandes mudanças na configuração econômica, intelectual e cultural da época.

2- A construção de uma "aldeia global" , e a aceleração das comunicações e transportes - mobilizando a grande "tensão entre o processo de globalização cada vez mais acelerado e a incapacidade conjunta das instituições públicas e do comportamento coletivo dos seres humanos de se acomodarem a ele".

3- Segundo ele, talvez o mais perturbador: " a desintegração de velhos padrões de relacionamento social humano e, com ela, a quebra dos elos entre gerações, quer dizer entre passado e presente".

O historiador destaca "o predomínio dos valores de um individualismo associal absoluto, a erosão das sociedades e religiões tradicionais, a destruição ou autodestruição das sociedades do socialismo real". Registra a formação da sociedade atual "por um conjunto de indivíduos egocentrados sem outra conexão entre si, em busca apenas da própria satisfação ( o lucro, o prazer, ou seja lá o que for) que estava sempre implícita na teoria capitalista".

O modo de produção capitalista e as relações dele decorrentes podem ter sido responsável por ter moldado esse tipo de indivíduo, porém o ser humano está muito além desses padrões de massa. É encontrar força e coragem para se bancar, se assumir no que tem de melhor, não assassinar também a sua história de vida.

Ela é que lhe serve de parâmetro, auto-referência para acertos e desejo de aprendizagem com erros; "élan" para novas tomadas de decisão que lhe propiciem efetivo bem-estar, e motivação para sair da cegueira das reais necessidades ante o ofuscar das satisfações criadas. Essas são tão tênues que, com o tempo, se desfazem ante o desmoronamento do cenário de atuação de personagens fictícios, que vivem atrás de máscaras, atuando em histórias criada por outros. Seres humanos reais ousam vivenciar com prazer e auto-admiração suas verdades históricas.

Assim retorno a pergunta de Eric Hobsbawm: "Mas o que moldará o futuro?" e endosso a sua resposta, a esperança de "um mundo melhor, mais justo e mais viável". Entendo mundo melhor como aquele com mais qualidade de vida, visando bem-estar individual e coletivo.

E por que não lutar pela construção de sociedades com essa história, em vez de procurar assassinar a "História"?

Lúcia Thompson



Que quaisquer reflexões possam servir para reforçar diferenciais de boa convivência como o
orgulho dos cidadãos de uma nação e, a solidariedade e fraternidade espiritual, entre os membros da raça humana!

Aurora Gite

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Mudanças de paradigmas e técnicas terapêuticas?

Não há como negar que o paradigma mecanicista newtoniano não mais responde a uma série de questionamentos e que o paradigma quântico supre essa defasagem atual.

Tudo é feito de substância subatômica. O ser humano é feito de circuitos sistêmicos que envolvem células > moléculas > átomos> prótons, elétrons ...> quarks ... > vácuo quântico (pleno de energia potencial). Hoje em dia me parece, cada vez mais, que o aparelho psíquico delineado pela sagacidade na observação freudiana e junguiana dos fenômenos humanos e genialidade de abstração para nomeá-los de Sujeito e Inconsciente Pessoal, ou o Self - centro do Si Mesmo Individual - e Inconsciente Coletivo, tem relação com o mundo quântico.

Torna-se mister ultrapassar a visão separatista de bioquímica (neurotransmissores e hormônios reagindo e provocando reações)  de um lado, e, de outro lado, - visto ainda com grande desconfiança mesmo ante evidências comprovadas de sua existência - bioeletromagnetismo ( gerando informações, ou energia também vital, por meio de partículas e ressonância  vibratória de ondas, conforme a intenção do observador que vivencia e interfere no fenômeno experienciado). Tudo é energia, tudo é informação, tudo está conectado e interage sistêmicamente dentro de nós, seres humanos.

Como facilitar o encontro e o alinhamento dessas forças energéticas deve ser o foco do milênio para ações terapêuticas efetivas. É preciso se ater aos avanços advindos da descoberta do código genético > transferências de informações genéticas > clonagens. É necessário não desconsiderar a comprovação de uma memória celular > linguagem inter e intracelular > transplantes > receptor em seus relatos de características do doador > informações transmitidas através de órgãos transplantados. É fácil constatar ressonâncias e sincronicidades ou antagonismos > transferências ideativas e afetivas > neuroassociações criativas ou reacionais > estados emocionais alterados (via física e/ou psíquica).

Quando abordo o mundo subatômico, ou mundo quântico, sigo as descobertas científicas a respeito que adentraram para este milênio. Mecânica quântica é física, suas teorias decorrem da busca de explicação para fenômenos naturais observados e constatados repetidamente dentro de métodos científicos. Não é abstração metafísica, não é misticismo esotérico, nem magia ou ideações fantasiosas. Sob a leitura quântica sobe no milênio a medicina vibracional e muitas técnicas alternativas que se utilizam de vias intelectivas de outra grandeza, mais intuitivas do que cognitivas, razão pura mais abstrata, menos concreta com seu raciocínio lógico-matemático.

Se tudo no Universo está integrado pelo campo chamado "Consciência" como não articular os "insights" terapêuticos com "saltos quânticos" e como não enquadrá-los dentro de outra dimensão compreensiva?
Nada existe fora dessa grande onda que Amit Goswami chamou de Consciência. O que existe são diferentes níveis dessa Consciência, diferentes faixas de frequência (passíveis de serem medidas em Hertz)..

No campo eletromagnético tudo é ressonância. Vejo o mundo psíquico como um campo bioeletromagnético. Desejos e demandas emanam energia e vibram através de ondas de expectativas e esperanças. Esse ressoar transfere informações para determinadas pessoas e para o Universo, e faz chegar informações ao vácuo quântico, pleno de energia potencial - campo das pulsões nomeadas por Freud que podem ser acessados via função intuitiva transcendente nomeada por Jung.

Não só na interpretação do fenômeno da transferência, sob a leitura psicanalítica, durante a relação analista-analisando quando em terapia, o efeito quântico da dupla-fenda pode ser observado. Ao existir um foco e uma escolha não há como negar o colapso da função onda, a restrição do amplo campo ideativo abstrato da criação de neuroassociações, ou ondas de possibilidades, e sua redução ao campo das partículas de probabilidades, que podem ser concretizadas em metas e resultados visíveis.

Sob o prisma quântico da experiência da "dupla fenda" e da interferência direta do observador, ocasionando a resposta do átomo e seu comportamento como onda ou como partícula, é possível avaliar a importância e o perigo da atuação do terapeuta durante as sessões terapêuticas, particularmente ante o uso de técnicas persuasivas e sugestivas. Nesses casos, predomina a intenção que o terapeuta emana através de suas sugestões, que vai depender da sincronicidade com a frequência vibratória de quem as escute para que seja assimilada a contento... decodificada a contento pelo interlocutor. Isso vai depender de que ambos estejam na mesma posição relativa ao real da situação da terapia com todo viés e ruídos que dela pode advir (transferências e contratransferências) e no mesmo continuum de tempo (passado-futuro presentificados nos quadros sintomáticos e no momento presente da terapia).

Acredito que o papel do terapeuta seja facilitar as associações entre o psíquico (quântico) e a emergência do sujeito freudiano, responsável por seu bem-estar físico e psíquico, ou a emancipação do indivíduo junguiano. Ao "alinhamento prático no querer-saber-fazer-acontecer" possibilita avaliar como através do poder de fazer escolhas ocorre o colapsar da onda das possibilidades (ou alternativas de opções) e o surgir da partícula, para que ideias abstratas possam ser concretizadas na realidade concreta do analisando (nunca determinada pelo mundo ideativo das probabilidades do analista ou terapeuta seja qual linha seguir).

Destaco mais um aspecto por mim observado. De forma semelhante ao Universo onde se constata uma ordem implícita, também nos sistemas orgânicos pode-se notar sistemas dentro de sistemas, pequena e grande circulação, o mesmo com o sistema respiratório, ou nos sistemas psíquicos envolvendo a moral e ética. A meu ver, o psiquismo moral e ético constituem dois circuitos, utilizando a terminologia freudiana "superegóicos", o primeiro se utilizando da via exoinformativa impositiva e o segundo da via endoinformativa acatada pelo autorreferencial interno advindo do vácuo quântico diretamente e captado via intuição.

Uma errata: destaco por observar a dinâmica psíquica em meus pacientes "e por acompanhar em mim mesmo essa movimentação psíquica".

Acompanho as articulações atuais de Helio Couto (vídeos canal YouTube):
"Toda fórmula química precisa de tempo para haver uma reação atômica molecular, para que as moléculas se juntem e formem uma terceira coisa... assim surge o sentimento, como o amor. Em curto tempo de contato, só existe atração sexual, empatia ou antipatia... a química não bateu? ideias não entraram em sintonia? não houve sincronicidade afetiva?"
"Cada arquétipo ( ideias primordiais pré-existentes em nós) provoca a produção de determinado transmissor unidirecional. O tempo e o interesse (vontade) criam as neuro-associações assimiladas pela outra pessoa... É preciso levar em consideração que cada neurotransmissor e hormônios provocam uma reação emocional... daí ser importante avaliar pelos sinais que indicam correspondência o tipo de neurotransmissor gerado nos relacionamentos interpessoais para criar vinculação ou não.

Todos podemos comprovar a existência de uma comunicação não-local, comunicação simultânea à distância, por codificação da propagação de ondas eletromagnéticas, de movimentos vibratórios, cujas frequências são medidas em faixas de Hertz (ex: complexos aparelhos eletrônicos como celulares, GPS, satélites, rádios e televisão...todos audíveis, visíveis e compreensíveis dentro da linguagem subatômica). A cada faixa corresponde uma dimensão. Portanto, existem "n" dimensões ao nosso redor, vibrando em frequência diferentes. As frequências não se anulam, mas sintonizando os Hertz de um rádio ou de um canal de televisão não se tem acesso aos demais.

 Deixo esse registro, para que reflexões ocorram sobre o novo paradigma quântico e novas compreensões dele decorram sobre o psiquismo humano - tão perto e tão longe de nós!

Ou como disse Richard Bach: "Longe, é um lugar que não existe!"

Aurora Gite

sábado, 25 de julho de 2015

Um pouco mais de Zygmunt Bauman (90 anos) ...

Indico o livro "Vida para Consumo: a transformação das pessoas em mercadoria"/ Zigmunt Bauman: tradução Carlos Alberto Medeiros - Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

A meu ver, muda o prisma do leitor quando antes do começar a ler uma obra, toma ciência do trajeto do autor. Esse fato não é tão difícil de constatar, querem ver?

Bauman, sociólogo polonês " teve artigos e livros censurados e em 1968 foi afastado da universidade de Varsóvia onde ocupou a cátedra de sociologia geral... Emigrou da Polônia, reconstruiu sua vida no Canadá, Estados Unidos e Austrália, até chegar à Grã-Bretanha, onde em 1971 se tornou professor titular de sociologia da Universidade de Leeds, cargo que ocupou por vinte anos... Atualmente, com seus 90 anos é professor emérito de sociologia das universidades de Leeds e Varsóvia". Ainda nos surpreende e faz por tornar seus 90 anos exemplo de, como depende de cada ser humano, querer enriquecer e se orgulhar da qualidade de seu viver.

No caso de Zigmunt Bauman, é um prazer enorme ler sua obra e seguir suas interpretações da dinâmica dos quadros sociais! Prima por expor, a cada livro, que continua a publicar, suas análises sociológicas e a articulação de suas ideias com o momento atual que as sociedades vivem. Coloca sua preocupação com o futuro - com 90 anos, por que não? - e realça sempre sua curiosidade em ver "para onde caminha o mundo" social (convívio coletivo) atual.

Mais ainda, de relevância capital, segundo penso, em sua trajetória de vida, com o desmoronar de sonhos de lecionar, e a garra e firme determinação de ir atrás dos ideais de docência, e mais, se tornando figura pública ao expor suas ideias a uma sociedade capitalista interesseira e preconceituosa, além de permissiva e desintegradora do social (coletivo) em sua liquidez de valores humanos.

Destaca a Zahar no livro acima: " Bauman tem cerca de trinta livros publicados por esta editora, dentre os quais destacam-se: Comunidade; Identidade; Amor líquido; Modernidade líquida; Vida líquida e Tempos líquidos." Continua: Em Vida para Consumo, Zigmunt Bauman explicíta e analisa o traço marcante da vida contemporânea que mais aproxima - os internautas que frequentam sites de redes sociais e estão sob o controle e gerência dos recursos tecnológicos -: a transformação das pessoas em mercadorias."

É fascinante acompanhar a perspectiva arguta e a facilidade com que Bauman desloca seu olhar sagaz e aprofunda, com perspicácia, sua analise das alterações dos quadros sociais ante a perda dos referenciais que possibilitavam a segurança do viver debaixo de valores éticos e de um autêntico humanismo regendo o convívio social. Hoje vivemos debaixo do que chama de mundo "líquido", "era incontrolável de interesses/incertezas/inseguranças e medos"... medos de viver, de forma serena e plena, de se entregar/confiar e de receber afeto leal e principalmente fiel, desconfiança geral que abala os alicerces dos relacionamentos afetivos e até as intimidades pessoais.

Sob uma visão realista se impõem descrições impactantes sobre o mundo atual. Em todos os seus livros é difícil não se adotar uma postura inquietante e questionadora sobre no que nós, seres humanos em potencial, nos transformamos. Como permitimos aquietar nossa alma indagadora e nos deixarmos manipular até nos robotizar seguindo a massa não pensante por si? Como direcionamos nossa força proativa em sua capacidade empreendedora para que exerça seu controle efetivo a não nos deixar sair das zonas de conforto, do ócio ou morte em vida, do comodismo preguiçoso?

Essas são as variáveis das quais a maioria se aproxima que repelem qualquer esforço renovador de energias internas e trabalho inovador que nos orgulharia pelo prazer advindo das autorrealizações. Nesse sentido, Bauman não só expande suas ideias, mas exemplifica com a oportunidade que nos dá de seguir suas vivências e seu estilo de vida. E isso nos remete a como estamos desatentos aos sinais que a vida nos encaminha através dos entraves e obstáculos que coloca em nosso percurso: muitos nos encaminham para aprendizagens que demandam desvios de rotas... outros nos direcionam para postergar ideais e substituir por planejamentos de metas possíveis para atingir novos sonhos.

E lá vem Bauman: "Uma vez que a permissão (e a prescrição) de rejeitar e substituir um objeto de consumo que não traz mais satisfação total seja estendida às relações de parceria, os parceiros são reduzidos ao status de objeto de consumo ... Uma 'relação pura' centralizada na utilidade e na satisfação é, evidentemente, o exato oposto da amizade, devoção, solidariedade e amor - todas aquelas relações 'Eu-Você' destinadas a desempenhar o papel de cimento no edifício do convívio humano." ( p.32)

Continua ele em suas constatações: "A vida 'agorista' tende a ser 'apressada'. A oportunidade que cada ponto pode conter vai segui-lo até o túmulo; para aquela oportunidade única não haverá 'segunda chance'. Cada ponto pode ser vivido como um começo total e verdadeiramente novo, mas se não houve um rápido e determinado estímulo à ação instantânea, a cortina pode ter caído logo após o começo do primeiro ato, com pouca coisa acontecendo no intervalo. A 'demora é o serial killer' das oportunidades... 'A prudência' sugere que
para qualquer pessoa que deseja agarrar uma chance sem perder tempo, nenhuma velocidade é alta demais... " (p.50) . Vale refletir atentamente sobre suas metáforas!

Zigmunt reconhece que  "na vida 'agorista' dos cidadãos da era consumista o motivo da pressa é, em parte, o impulso de 'adquirir e juntar'. Mas, o motivo mais preemente que torna a pressa de fato imperativa é a necessidade de 'descartar e substituir'." (p.50) E que, na 'cultura agorista consumista', onde a 'busca da felicidade é usada como isca nas campanhas de marketing', querer que o tempo pare  é sintoma de estupidez, preguiça ou inépcia. Também é crime de punição." (p.51)

E por aí desenvolve suas ideias sempre conduzindo suas reflexões ao que fez com que de pessoas nos transformássemos em mercadorias dentro da sociedade de consumo, como deixamos de lado nossa autocrítica, nosso poder, livre arbítrio para escolher e liberdade para decidir conforme nossa vontade e ética internas direcionarem.

Aqui acrescento que, cada vez mais, ante novas descobertas subatômicas, e avanços também na tecnologia eletrônica - que nos faculta a comunicação não local por meio de ondas e frequências Hertz -, se mostra obsoleto (defasado), para acompanhar as leituras dos fenômenos do milênio, o paradigma mecanicista newtoniano da Física Clássica, e se expõe a necessidade de abertura aos conhecimentos do  novo paradigma da Física Quântica.

Aos que quiserem permanecer em atitudes rígidas e radicais, na segura mesmice mecanicista em seu atual e comprovado reducionismo interpretativo dos fenômenos da natureza... "é tudo uma questão de tempo" para que a perspectiva do paradigma quântico em sua incerteza, ondas de possibilidades e partículas de probabilidades se imponham, e suas visões de mundo e de homem se ampliem e se modifiquem!

Aurora Gite

P.S. Quem se interessar por assistir vídeos de entrevistas dadas por Zigmunt Bauman, ainda estão disponíveis no Canal YouTube.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Bingo! E tudo dentro da Mecânica Quântica e da Ciência!

Bingo! 

Depois de anos de pesquisa encontro explicação científica para a vivência relatada na postagem republicada "Você quer receber um presente meu?"

Pareiem minha experiência com as explicações dentro da perspectiva quântica.

Em vários vídeos sobre o mundo quântico e a ressonância harmônica, Helio Couto a nomeia ao detalhar como atua o universo quântico dentro de nós.
Vide YouTube, Helio Couto, vídeo intitulado "6º Degrau".

Nossa nem acredito!
Não nego que estou assustada, mas com coragem redobrada para mais pesquisas envolvendo as aplicações práticas do mundo quântico, dentro dos novos paradigmas da Mecânica Quântica.

Republico o post onde relatei a experiência:
" Quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Você quer receber um presente meu?


Ei você! É você aí mesmo que, surpreso olha para trás e para os lados, procurando se certificar se é com você mesmo.
Quer me permitir dar um presente à sua imaginação? Então abra suas mãos em concha para recebê-lo, depois feche em seguida para que não perca o brilho. Você vai poder usufrui-lo em várias ocasiões de sua vida. Garanto que quando envolto pela escuridão, lhe vai servir de lanterna.

Por que esse espanto? O que é isso? É que esse objeto caiu em desuso, não é? Pois você está segurando uma ampulheta. Relógio de areia? Símbolo do tempo? Nascer e morrer? Está chegando perto agora. É um objeto que pode nos conduzir a uma alquimia interna mesmo,a uma transformação química de forças.

Pense na base da primeira pirâmide como seu potencial natural,sendo invadido por tudo que o cercava, quando se deu por "gente" - não "pessoa" ainda. Lembre, de como foi difícil sobreviver, sem saber nadar no mundo e tendo que articular circunstâncias da vida; de quanta água bebeu ao afundar ante tempestades e trovoadas; do medo ante ondas tão altas e revoltas. E a cada mergulho forçado, turbilhão e conflito.

Pouco a pouco, no entanto, você conseguiu se reequilibrar ganhando a força necessária para atingir o cume dessa pirâmide. Que sensação! Que satisfação perceber que de um estado de "não ser" como indivíduo, conseguiu selecionar e acumular valores próprios, e observar seu "ser único" despontando. Mas e agora? O que fazer com isso?
Tanto trabalho para se "individualizar", para depois se descobrir grandioso sendo um grão de areia, tão pequena partícula na imensidão do mundo? Como fazer para se inserir na vida novamente?

Observe mentalmente o objeto em sua mão. Percebe como é feito de duas pirâmides? E que a segunda está invertida sobre a primeira? Então, mãos à obra, seu trabalho não terminou. Se você partiu do "não ser" e chegou a condição de "ser único", vai ter que conquistar a posição de "Ser". Como? Por que caminho?

Se antes a batalha era pelos valores pessoais e intransferíveis, vencendo desejos e fantasias ilusórias transitórias, agora vai ser pela conquista das virtudes. Virtude é força também sabia? Mais forte e estável que os valores existenciais que você conquistou. Só que, como o sentido de parábolas ou mitos, não é decodificado por muitos. Sua voz não é audível a todos. Os sentidos físicos não a apreendem. Você quer ver? Serenidade é uma virtude; observe o efeito dentro de você. Quer que lhe diga outras? Moderação, coragem, firmeza, prudência, honestidade e lealdade, temperança, equilíbrio, generosidade, decência, simplicidade; ousadia e audácia bem empregadas também o são. Talvez você já possa arrolar algumas agora. Quer tentar?

Se antes, após sobreviver aos "tsunamis" da vida, pode contar com a agilidade de garbosos cavalos, agora vai ter que buscar um "unicórnio". Não sabe nem o que é? Sabe, mas não acredita? Que pena! É um animal mitológico, que tem a forma de um cavalo, geralmente branco, com um único chifre em espiral - talismã de poder soberano. Representa a ascendência espiritual humana. Sua compreensão não cabe à razão lógica. Sua imagem vem associada a pureza e retidão de espírito, honestidade e liberdade, paz e coragem, esperança e amor.
Ele é raro hoje em dia, porque, para que esse encontro ocorra, temos que contar com a sensibilidade intuitiva do coração e a maioria das pessoas dela se afastou.Ele pertence a outra dimensão do ser humano. Ele é o responsável pelo sentido de sua vida. É símbolo do "poder da alma", guardião da riqueza por toda alquimia conseguida.

Não creia nisso só porque digo,não! Experimente em você. Conte com sua imaginação para isso. Ela pode levá-lo para o abismo do tédio, do vazio do nada, abaixo da base inferior da ampulheta, mas também pode levá-lo à plenitude e alegria ao atingir sua base superior.

Agora é se permitir aprender a usar esse presente. Algum dia vai me agradecer e contar como lhe foi útil. Pelo menos, assim espero!
Aurora Gite



Quem quiser acompanhar o conteúdo de minhas pesquisas, em uma abordagem mais científica, estão nas seguintes postagens:
  • Post de 13 de agosto de 2014: "Mais sobre minha pesquisa? Compartilho,como não!" - onde republico "Outra instância psíquica? Será?" de 30 de junho de 2011.
  • Post de 08 de dezembro de 2013: "Enfim, não sós!" 
  • Post de 24 de junho de 2012: "Cruzando dados..."
 
Quem se interessar em adentrar nesse novo mundo quântico, não deixe de seguir as descrições científicas de Helio Couto sobre o mundo subatômico atuando em nós. 


Dentre seus vários vídeos disponíveis no YouTube, extasiada e amedrontada, acompanhei o relato dos passos de minha vivência, no vídeo intitulado "6º Degrau".

Agora aprofundo minhas pesquisas, reconhecendo que o caminho é por aí!

Aurora Gite

sábado, 27 de junho de 2015

Tô com você e não abro!

Ajudo a compartilhar a vitória alcançada e realço a subida de Obama e dos Estados Unidos, dos quais é presidente! Seu espaço na História foi consolidado sem dúvida nessa semana! Coube aos EUA esse avanço, consolidando seu papel de potência mundial que pode bancar inovações legais em prol do real benefício de uma sociedade globalizada mais humanizada.

Obama não escondeu sua defesa por anos (+de 10 anos?) e seu orgulho e alegria por ver sua causa ganha, quanto ao reconhecimento da liberdade de escolha afetiva e respeito humano às relações homoafetivas e, na semana, com a legalização e oficialização, por todos os estados americanos, do casamento entre eles, com os mesmos benefícios das relações heteroafetivas.

Por outro lado, desce, a meu ver, a instituição que a Igreja Católica e o Papa representam!
Que decepção Papa Francisco pela opção em ter carregado nas costas o lado conservador da Igreja Católica, com sua recusa a se inserir na realidade atual, enfraquecendo o potencial violento dos radicais, com o virar as costas em prol da convivência respeitosa e harmônica entre os seres humanos do milênio.

É questão de tempo, agora, as mentalidades mudaram e a velocidade das informações vão continuar a atingir a todos em tempo real! As sociedades vão conseguir se afastar de dogmas religiosos em prol da liberdade de amar, e, "por amar", tornarem os agentes sociais, "seres humanos mais felizes por bancarem, lutarem com coragem, ousarem defender e, livres das molduras dogmáticas, aclamarem e expandirem o próprio amor".

O amor é o vencedor como força, que une e não destrói; integra e inclui e não separa e exclui; que pacifica as ações humanas e não conduz à violências interpessoais em prol de manter o poder de abstrações, facilmente manipuláveis, e fantasias ilusionistas, habilmente fabricadas e buriladas conforme as circunstâncias do momento histórico.

Tô com você e não abro, meu neto!
Endosso sua luta em prol de uma humanidade mais justa com direitos iguais... ops, e deveres respeitados, zelando por um convívio social pacífico!

Deveres respeitados implicam em se responsabilizar pelas repercussões das próprias ações e por bem gerenciar as consequências das mesmas, tendo em vista que entre as metas sociais está a preservação do bem-estar coletivo.

Compartilho seu bom uso do espaço permitido pelas redes sociais, no caso, o Facebook!


Que fique às autoridades desse país e do resto do mundo o recado que o planeta está gritando em seis cores nesse dia de conquista nos EUA.
A questão não é nem a possibilidade de poder casar em mais um país, muitos da comunidade LGBTT sequer têm esse sonho tradicionalista de constituir casamento. O ponto é ter uma das maiores influências culturais do mundo reconhecendo qualquer forma de amor como igual perante aos olhos da lei, que não deveria restringir os direitos de grupo algum, quando isso não afeta a vida de terceiros.
Gritamos em VERMELHO contra todo o SANGUE derramado pela homofobia violenta que continua agredindo e matando pessoas, que só querem se sentir bem da forma que nasceram.
Gritamos em LARANJA pela LIBERDADE de sermos iguais. Nunca se pediu qualquer privilégio, apenas que se entenda que qualquer indivíduo merece a chance de amar e ser amado.
Gritamos em AMARELO para lançar o ALERTA de que a ignorância deve parar de ser disseminada. Em especial por aqueles que só querem enriquecer às custas de quem tem fé em algo maior e não entendem como seus atos podem destruir a cabeça e saúde do próximo que nenhum mal fizera.
Gritamos em VERDE para explicitar que a NATUREZA é sábia em construir a diferença para atingir o equilíbrio. Se todos fôssemos iguais, estaríamos ainda hoje usando as mãos, e não os cérebros, para nosso próprio desenvolvimento.
Gritamos em AZUL pois precisamos LAVAR o passado, esquecer desentendimentos, buscar um espaço comum nesse oceano em que todos tem espaço para nadar de braços abertos sem invadir ou atrapalhar o trajeto dos demais.
Por fim, gritamos em ROXO porque heteros, gays, lésbicas, travestis, transexuais, transgêneros, ateus, cristãos, budistas, hinduístas, judeus, muçulmanos, negros, japoneses, brancos, índios e qualquer um, q não se encaixe em nenhum desses grupos, possui sua própria individualidade. Mas todos clamam juntos em uma só voz pelo direito mais básico da humanidade: RESPEITO!

terça-feira, 9 de junho de 2015

Lacan, Forbes e Gikovate

Jacques Lacan (1901-1981) é um autor de linguagem complexa, onde um emaranhado de ideias se chocam como as partículas quânticas assim o fazem no "Acelerador de Partículas" e propiciam a descoberta de novos meandros no mundo psíquico. Sua obra que contém a argúcia de suas perspectivas não possibilita fácil leitura compreensiva. Muitos, como eu, por vezes se utilizam dos olhos e ouvidos de outros leitores e estudiosos de seus "Seminários", para que lhe sirvam de lanternas clareando aos leigos, como nós, os confusos conceitos lacanianos e o encadeamento de seu raciocínio lógico.

Sem dúvida, Lacan em sua releitura da obra de Freud, abre o leque de novas perspectivas sobre os registros de suas descobertas. Mas, a meu ver, o que me foi fascinante, foi perceber o próprio Lacan, não mais encoberto pela genialidade de Freud, mas expondo a originalidade de seu próprio pensar ao esboçar a "Clínica do Real" ou "Segunda Clínica de Lacan", no final de sua vida. Aqui encontro extasiada a abrangência das ideias de Lacan sobre o que ocorre no psiquismo humano que implicam em novas perspectivas sobre a condição humana e novas formas de atuar clínicamente com os pacientes.

Segundo Cunha (in Psicanálise, a Clínica do Real, 2014. Jorge Forbes (Ed), cap.11, p.177): "Conhecido como 'o analista do significante', viveu pelo menos dois grandes períodos, bastante distintos, em sua relação com este. O primeiro, desdobramento da psicanálise freudiana, é o encaminhamento da escuta do paciente para a associação livre. É uma forma de lidar com o significante remetendo-o a um 'sentido a mais'. O trabalho analítico convida aquele que fala a dar atenção a um significante 'x' e a se lançar mais sobre aquela cena. O segundo modo utilizado por Lacan é o oposto. Trata-se de pegar um significante e retirá-lo do fluxo frasal. Em vez de convidar o paciente para interpretá-lo, agregando a ele mais sentidos, o analista o faz ressoar, busca gerar um curto-circuito para que ele toque diretamente o corpo sem passar pela compreensão racional."

Riolfi, no cap.10 (p.172) do mesmo livro, esclarece: "No Seminário 23 (2007) ministrado entre 1975 e 1976, Lacan enfatiza a palavra 'ressoar'. Ele o faz opondo 'sintoma' com 'sinthoma'. Se o primeiro é uma escrita, pode ser decifrado. O segundo, por sua vez, indica um modo singular da relação entre o sujeito e seu modo singular de satisfação e, por isso, permanece opaco, não passível de apreensão pela via do simbólico. Dizendo de outro modo, esvaziada da carga semântica, a palavra 'ressoa'... O analista, separando a palavra do discurso corrente atrás do qual se escondia, ...ao perceber a inconsistência do Outro, libera a pessoa do sofrimento gerado pela autoimposição de atender suas expectativas... O analisando não consegue pensar em alternativas para lidar nem com suas expectativas, nem com o seu desejo... [Como foi o caso de uma paciente que...] projetando seus altos ideais em seus semelhantes, sofria de culpa, transmudando-a em uma suposta rejeição alheia."

Continua Riolfi (p.175) "...uma palavra nomeia, mas não recobre os modos de uma pessoa viver... a mudança da relação da pessoa com a palavra diminui a dependência do imaginário na unidade corporal; mostra a necessidade de encontrar alternativas para o reconhecimento simbólico e, por esse motivo, proporciona a abertura para a surpresa do encontro... O analista tenta evitar que seu paciente se esconda dos desafios de inventar uma vida qualificada para si mesmo, aceitando que sua realidade subjetiva seja expressa por palavras." Aqui vale ser colocada a diferença entre a 'qualidade de vida', padronizada pela cultura atual para o alcance do bem viver coletivo, de uma 'vida qualificada' que se destaca pela sua singularidade.

O Real lacaniano não tem a ver com a 'realidade concreta', com o que se exibe a um social, buscando reconhecimento coletivo (ou não). O Real lacaniano tem a ver com o corte do outro com o Outro, do imaginário ao simbólico. O encontro com o Real (Segunda Clínica de Lacan) é a passagem ao registro da Responsabilidade. O símbolo tem que alcançar o Real, segundo Macedo (cap.6, p. 94) abandonando o que 'revestiu a significação' de algo. "A pessoa na análise quer comprar um saber maior sobre si mesma; vai para a análise 'querendo' se conhecer melhor... não é isso que vai ocorrer numa análise. Ela vai pagar um valor 'x' e não vai receber isso, o 'conhecer-se melhor'...A pessoa vai descobrir que está pagando por uma coisa que é da ordem do impossível... Ela quer encontrar um nome para isso e que o Outro a reconheça, com isso irá livrar-se da 'culpa', que é um 'elemento de expectativa' (culpa e dívida na língua alemã advém da mesma palavra ...)."

Na Segunda Clínica, Clínica do Real, Lacan muda sua forma de atuar com o paciente. Busca fazer com que o paciente se implique com o que está lhe ocorrendo e que seja responsável por seu 'mudar', ao perceber que o reconhecimento que o paciente almeja é o de seu Outro interno, seu inconsciente responsável.

Forbes questiona o 'mudar' em seu livro "Você quer o que deseja?" (2003) e Gikovate também o faz em "Mudar: Caminhos para a Transformação Verdadeira"(2015).

O psiquiatra Flávio Gikovate destaca, de seu livro 'Mudar: Caminhos para a Transformação Verdadeira', a frase: "A vaidade se alimenta do exibicionismo e do impacto que isso provoca nos outros. A autoestima depende do juízo que fazemos de nós mesmos."

Jorge Forbes, em seu livro "Inconsciente e Responsabilidade: Psicanálise do Século XXI (2012), : " ressalta [...] O inconsciente do qual vamos tratar é aquele que leva o ser falante a responsabilizar-se pela invenção de seu estilo singular de usufruir de seu corpo e de sua vida... No século XXI, o psicanalista que acredita no inconsciente irresponsável não trata o sintoma e não cura. É urgente considerar a responsabilidade pelo que é inconsciente... Também a clínica psicanalítica atravessa um novo momento, [...]"

"Freud mantinha um 'não saber' no cerne de suas interpretações...Diz ele, em seu texto 'Análise Terminável e Interminável' ( 1937ª/1975,p.256) que a resistência aparece, impedindo que qualquer mudança ocorra". Segundo Forbes, "Podemos, com Lacan, afirmar que visamos à "responsabilidade sobre o não saber" e não sobre o saber... Cabe a cada um colocar-se no mundo com a singularidade de seu desejo... Não basta render o desejo aos desejos dos outros, mas saber o que fazer com o seu desejo." (p.14)

Novamente cito Gikovate e seu livro "A Liberdade Possível" (2006, 2ª ed.), em que, como na maioria de seus livros, busca "fazer o leitor se voltar para dentro de si mesmo e refletir sobre temas para se conhecer melhor..."
" Cada um de nós deverá buscar encontrar por si mesmo seus caminhos, suas soluções para os problemas da existência - levando em conta suas propriedades psíquicas - suas aspirações materiais e intelectuais, sua capacidade de fazer concessões ao sistema social e econômico em que vive, e assim por diante. Ao nos conhecermos melhor, ganharemos força para pensarmos mais livremente acerca de nossa existência. " (p. 269)
"O autoconhecimento é o melhor instrumento para nos fortalecer e nos conduzir ao destino que pretendemos... ao nos tornarmos mais independentes do julgamento dos outros, conquistamos a liberdade... e podemos contribuir com a construção de uma sociedade mais justa."

Agora é articular o que nos é legado por esses "três pensadores Lacan-Forbes-Gikovate" sobre a condição humana, cujos conhecimentos - embasados por anos de vasta clínica e contínua autoanálise das próprias dinâmicas psíquicas - nos deixam registrados através de seus escritos.

Aurora Gite