" A atração sexual cria no momento a ilusão de união, mas, sem amor, essa união deixa os estranhos tão afastados quanto antes se achavam. Sentem sua estranheza ainda mais acentuadamente do que antes." (Erich Fromm)
- "Bom dia, dona Luisa, tudo bem?"
- "Bom dia , seu José. Vamos indo e o senhor?"
- "Lindo dia, não? Posso lhe ajudar com os pacotes?"
- "Obrigada. Já me ajudará se segurar este do lado esquerdo. Meu braço estava ficando meio adormecido. Sabe, gosto de encontrar logo cedo pessoas como o senhor. Alegres, que ainda encontram tempo para apreciar o dia. Ah, eis o elevador! Obrigada mais uma vez, o senhor foi muito gentil."
Luisa morava sozinha em seu apartamento, desde que a irmã se casara. Era uma moça de uns trinta anos, miúda mas bem proporcional. Vistosa, atraente, bonita algumas vezes... Embora meio indiferente, bem que percebia os olhares de desejo, que lhe lançavam os homens. No momento, se notassem, verificariam quanta tristeza estava impregnada em seus olhos, seus ombros meio vergados de cansaço, seus passos mais lentos e pesados, sinônimo de desânimo.
Percorrendo as quatros paredes do elevador, seu olhar se fixou na luzinha que piscava. O número 1 se apagava, dando lugar ao 2, que se acendia... Começou a divagar, recordando o que ocorrera na noite anterior: como os eventos se sucedem sendo delimitados pelos andares das circunstâncias ao redor.
Raul a fora buscar no trabalho. Sempre muito alinhado dentro de seu terno. Não se lembrara de tê-lo visto deselegante; mesmo de "jeans" mantinha sua postura. Já haviam saído algumas vezes e, em cada uma mais simpatizado um com o outro. Procurava ele sua metade, enquanto Luisa buscava seu inteiro, pois, como dizia, duas metades, quando se unem formam um inteiro, mas de dois inteiros, quando se encontram, surge o amor em sua plenitude, aquele relacionamento amadurecido, baseado em respeito, compreensão, liberdade. Cada um conserva sua individualidade, já formada anteriormente. É aceito pelo outro tal qual é, não tendo necessidade de se esforçar para isso, de adaptar seu modo de ser, para que a relação perdure; por si só ela flui naturalmente.
A religião e a política foram seu primeiro elo. Assunto que apaixonava a ambos e os unia, mais ainda, por sua semelhança na maneira de pensar a respeito. Não tinham crenças, superstições externas ao próprio homem. Acreditavam no seu potencial. consideravam a religião no sentido real de união com o próximo, com o "Ser". Como Raul dizia, haviam chegado à "religião universal". Ao que Luisa endossava, empolgada:
- "É isso, Raul. Veja, um pintor possui um traço característico seu em cada quadro, cada obra criada; um escritor deixa nas entrelinhas parte de si; os filhos, embora diferentes externamente, surgiram dos mesmos pais, possuindo as mesmas qualidades essenciais, princípios éticos que esses e o resto da humanidade, em sua maioria, possuem... Assim sinto Deus! É como se fosse parte Dele. A criação contém parte do Criador. Tomemos o exemplo do Sol, Raul. Quanto calor e energia irradia por todo mundo. Uma grande potência que tudo concentra. Seus raios se projetam em todas as direções, portadores, embora em graduações diferentes, da mesma energia e calor. Posso parecer pretensiosa, Raul, mas assim me sinto, como a todos nós - raios de Sol... Nós, seres humanos, somos muito importantes, só pelo fato de existirmos, não é?"
Em outras ocasiões era Raul que se colocava, ocasionando nela o mesmo olhar de admiração. Luisa já sabia que, há algum tempo atrás, ele era uma pessoa tremendamente radical, meio fascista mesmo, segundo suas próprias palavras.
- "Eu me sentia rebelde desde pequeno. Era chamado de criança 'do contra'. Poucos perceberam que era minha personalidade que se formava, de maneira marcante, exigindo limites. Isso muitas vezes incomodava. Sempre fui muito inquiridor e dei muito trabalho aos que, ao meu redor, se intitulavam adultos, pois os obrigava, mesmo que não quisessem, a pensar. Compreendo, hoje em dia, o quanto valo o respeito pela autoridade do outro. Sei que, em qualquer campo em que me sentir seguro, sou a autoridade no assunto, como também que esse lugar será de outro em campo diferente. Não sou mais o 'dono da verdade', como fui chamado muitas vezes. Essa beleza nos relacionamentos eu encontrei, Luisa. Como me encontro longe da antiga posição, onde a obstinação, teimosia, vaidade comandavam!"
Continuava Raul: "Não sei bem onde li que o ser vivo se tornaria mais livre, quando se assemelhasse a um 'sistema aberto', disponível a trocas entre o meio interno e o externo. Considerava-me um homem livre, mas só passei a sentir essa liberdade, deixando as posições radicais, quando realmente passei a aceitar as diferenças interpessoais e tolerar divergências de opiniões. Passei a adquirir, então, autênticos e proveitosos conhecimentos. Tudo está em contínua mudanças, dentro e fora de nós. Dentro de minha posição fechada, bitolada e autoritária, deixei de viver de forma plena, que é o que mais ambiciono. Hoje vemos alguns grupos políticos assim constituídos, que colocam a sua autoridade e ambição acima de tudo, embora propaguem que lutam em prol dos demais. Escondendo-se atrás de uma falsa humildade, sentem-se sempre em posição superior aos outros, para determinar o que é melhor aos demais e impor sua razão."
Assim passavam os dois, horas e horas, conversando e se encantando, cada vez mais. Pouco a pouco sentiam vontade de se conhecer melhor, de dar e receber carinho.
Na noite anterior, Luisa sentiu seus olhos se cruzarem de forma diferente, o que lhe causou enorme arrepio interno. Estavam mais irrequietos. Seus lábios se procuravam com mais sofreguidão. De repente, viu-se um um quarto. Raul se aproximando, o carinho de seu olhar, suas mãos suaves a atraindo delicadamente, para depois enlaçá-la. Duas bocas, dois lábios, duas línguas que se procuravam, como se quisessem uma integração total.
Como num fechar e abrir de olhos, percebeu seu corpo, parcamente coberto pelo lençol, estendido na enorme cama vazia a seu lado. Com a mesma rapidez que se inclinara sobre ela, Raul levantara da cama, se dirigia ao banheiro e se encontrava cantarolando sob o chuveiro. Ainda meio desconcertada, procurava fixar sua atenção na música da vitrola. Como gostaria de não estar ali!
A porta do banheiro se abriu. A música parou. Levantou-se e começou a vestir suas roupas. Só então observava o quarto de Raul. Duas coisas lhe chamaram a atenção: o grande espelho de um lado e o pequeno vaso, que portava um lindo cravo vermelho, do outro. Acabara de colocar a blusa, deixando entrever seus belos seios, quando ele entrou sorridente e meio perplexo ante sua atitude:
- "Mas como, já vai embora? Por que? Não pode ser! Fiz alguma coisa? Olhe, se foi pela minha maneira de agir, eu sou assim mesmo. Não sei ficar suado e sujo numa cama. Mas tomei um banho rápido, não foi? Então, estou aqui... Olhe, deite-se do meu lado. Sabe que você me fez muito feliz?"
Apressadamente, Raul puxara os lençóis e Luisa, estonteada e enraivecida, vira o colchão à sua espera. Não aguentou mais:
- "Nunca me senti tão desconfortável em toda a minha vida. Talvez você não me conhecesse bem, Raul... Sou uma pessoa que acha esse contato lindo! Realmente faço uma diferenciação entre ter uma relação e fazer amor. Se não houver um vínculo afetivo, não há nada que me motive a estar do lado de alguém trocando carícias como ocorreu entre nós. Mas... você não me deu condições de nada pela sua pressa, inclusive as de fazê-lo sentir mais intensamente. Não sei se você sabe, mas existe um tipo de ginástica que ocasiona determinada contração que possibilita isso. Você não me deu chances, Raul! Depois, numa rapidez, levantou-se sem nem me olhar; foi ao banheiro, tomou banho, escovou os dentes...Saiu, desligou a vitrola, deitou-se e agora puxa as cobertas, para que eu me deite aí sobre o colchão?"
Mal acabara a última frase, percebe o espanto dele e sua brusca virada na cama:
- "Meu Deus! Peço que desculpe, Luisa. Estou muito envergonhado. Não fiz de propósito. Não desliguei a vitrola de abrupto, como tudo indicou. Não percebi que puxei os lençóis desse jeito. Puxa, mas você é muito encucada mesmo! Por favor, fique. Quero tê-la, mais um pouco, a meu lado. Não vá! Prove que me desculpou ficando ..."
Luísa enfiou a chave na fechadura de seu apartamento no sexto andar, equilibrando os pacotes. Um sonho que termina... um dia, que tem tudo para ser tornado lindo, que começa. Ao se desvencilhar das compras, olhando-se no espelho, exclamou para si mesma:
- "Dona Luisa, algum dia chegará seu inteiro. Raul seria sempre uma metade, não? Admito que goste dele. Poderá vir a ser um excelente amigo, como já parecia ser... mas só isso!"
Um amigo, pelo menos era o que ela gostaria que fosse, pois seus papos eram legais. Mas tinha muitas dúvidas sobre uma amizade mais assídua entre homem e mulher, em que a companhia de um e outro fosse frequente, sem envolvimento sexual. Na hora em que este sucedesse surgiria uma cumplicidade, uma ideia de posse ficaria meio implícita, mesmo no caso do homem, que no momento até esse se envolveria menos. Até que ponto ele se sentiria indiferente ao ver sair com outro homem a mulher que dormira com ele na noite anterior? Será que continuaria a procurá-la da mesma maneira depois, por mais liberal que fosse?
De uma coisa estava certa! Ainda existia muito machismo impregnando a mentalidade masculina; muita valentia encobrindo muita insegurança. Poucos eram os homens que, saindo de seu egoísmo egocêntrico, se preocupavam com a companheira, não simplesmente em saciar um desejo físico. Pela sua maneira de ser, sabia não se sentir totalmente feliz sozinha, mas não era mulher para várias amizades, que a tudo envolvessem: afeto, carinho, sexo e liberdade. Achava que poderia reunir tudo isso, mas concentrado numa só pessoa. Respeitava as que conseguissem o contrário. Até agora não encontrara nenhuma que se sentisse plenamente realizada assim agindo. Alguma frustração sempre aparecia, no meio das conversas a respeito.
Não era a favor das ideias feministas de igualdade entre homem e mulher. Achava que o próprio ideal feminista fora desvirtuado. Como colocar em igualdade quem é, biologicamente, tão diferente? É bem verdade que o feminismo surgira como movimento, cuja intenção era de equiparar os 'direitos civis e políticos' das mulheres aos dos homens. No entanto, tantas comparações foram sendo feitas, colocando-se em segundo plano as diferenças inatas entre ele, que ocasionou, naqueles em que ainda predomina uma estrutura imatura e insegura, o aumento de invejas e hostilidades.
No momento, estranha sensação passou por ela, causada pelo fato de não ter alguém fixo em que pensar. Como sempre precisamos 'criar raízes' em algum lugar para nos sentirmos bem. Por que? Estaria livre, não só 'livre de', mas 'livre para' fazer alguma coisa. Precisava era aprender a viver essa liberdade, que no início apavora e acarreta grande desconforto pessoal.
Se, nesse instante, não havia 'alguém especial', talvez no seguinte aparecesse. Não ali dentro de casa, é lógico! Um sorriso aflorou de seus lábios, embora seus olhos continuassem triste. Penteou rapidamente os cabelos. Pegou a bolsa e saiu, rumo ao trabalho.
(término do segundo capítulo de "Ainda há tempo!")
Lúcia Thompson
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
1982 - capítulo I - Hermann Hesse
Encontrei velho manuscrito, datado de 1982, onde brincava com personagens, que iam adquirindo sua autonomia, conforme as cenas se desenrolavam. É um exercício imagético e catártico incrível montar cenários e facultar o contracenar de pessoas. Não é de se estranhar que deixe a descoberto aspectos pessoais, características que, muitos, nem sabiam que faziam parte de seu mundo interno.
Fiquei surpresa, nem me lembrava mais dele, quando por opção, na época (1982), abri cada capítulo, dos sete que o compunham, com frases que muito me afetaram. No capítulo I aparece a de Hermann Hesse: " Não é nos seus discursos ou nas suas ideias que se depara a grandeza dos homens, senão unicamente nos seus atos e na sua vida."; no II: "A atração sexual cria, no momento, a ilusão de união; mas, sem amor, essa união deixa os estranhos tão afastados quanto antes se achavam. Sentem sua estranheza ainda mais acentuadamente do que antes." (Erich Fromm); no IV: "É toda uma arte enganar o marido: é uma profissão retê-lo." (Simone de Beauvoir); no V: "Naquele momento, você realmente se considerava um velho. Porque se sentia derrotado pela vida." (Oriana Fallaci); no capítulo VII: "Depois de certa idade, todo homem é responsável por seu rosto." (Albert Camus).
"A campainha do despertador quebrou o silêncio convidativo ao repouso, anunciando a hora do início das atividades do dia para seu José. Suas mão tatearam o criado-mudo, abafando e pondo término ao som estridente, até certo ponto indesejável e intruso naquele momento.
Sentou-se na cama ainda meio sonolento. Procurou seus óculos, amigo inseparável de alguns anos, que muito o auxiliava. Espreguiçou-se. Agora estava realmente desperto e feliz pelo novo dia em que muita coisa aprenderia, novas experiências se uniriam às já acumuladas até então.
Tinha que se apressar um pouco, pois às seis horas da manhã mudaria o turno dos empregados, que haviam zelado pelo sossego dos moradores do pequeno edifício de sete andares.
Após se vestir, mirou-se ao espelho e gostou do simpático senhor que lhe sorria. Impecável em seu terno sempre limpo, sem nenhuma mancha ou ruga que denotasse desmazelo. De cabelos grisalhos, bem penteados, que eram seu orgulho. Alguma gordurinha a mais em seu corpo ia bem com seu ar bonachão.
Estava pronto para iniciar sua função de zelador, trabalho que muito apreciava. Sentia-se útil, mais importante, sabendo que os outros precisavam de sua ajuda e que, na maior parte das vezes merecia o elogio dos condôminos.
As críticas eram recebidas de espírito aberto, procurando melhorar no que achasse que realmente devia. Não se importava com as que não lhe tocassem bem no fundo, provocando alguma reação de sua parte. Os elogios, embora constituíssem afagos gostosos de se ouvir, não o impeliam a evoluir internamente. As críticas sim, por isso as preferia..Permaneciam em sua mente, ocasionando sensações incômodas. Essas só desapareciam, quando se aproximasse, bem perto, de algo que não aceitava em si e que gerara o desconforto. Tratava, então, de mudar para como se sentisse melhor. Nesse caso a opinião dos outros lhe era válida.
Depois de ter tomado seu café com leite, degustado o pãozinho com manteiga, trancou seu apartamento, chamando o elevador.
Preocupava-se com todos os moradores do edifício, como se constituíssem uma única família. Eram, na verdade, a "sua" família, pois ficara só, desde que sua irmã morrera há três anos. Os demais familiares eram considerados parentes, pois uma amizade maior não os unia.
Ah, dona Rita, como sua ausência era sentida! No entanto, sua presença ainda era viva e constante dentro do peito de seu José. Aí seu lugar era o mesmo. A dor da saudade se transformara em tristeza. A perda, que machucara muito no início, foi sendo aceita paulatinamente. Hoje se recordava, com muito carinho, do tempo passado junto.
Ao chegar ao andar térreo comprovou a pontualidade de sua turma. Bons rapazes! Gente simples e humilde, bons trabalhadores. Embora de pouca instrução, se esforçavam por obter um lugar melhor. Raramente faltavam ao serviço. Existia muita cooperação entre eles. Às vezes tinha que chamar a atenção de dona Amélia,. pois com seus cinco filhos, poucos recursos e sem marido, se via obrigada a acudi-los de quando em quando. Nada que não se conseguisse, com boa vontade, contornar.
Não entendia quanto problema existia nas fábricas e nas grandes empresas, relacionado a essa faixa da população a que tanto os políticos se apegavam nas eleições. Na sua maioria constituída de pessoas que possuíam boa fé, muita esperança, muitos sonhos. Deixavam-se levar pelos dirigentes que soubessem comandar, respeitando-os como seres humanos, com sentimentos e problemas semelhantes aos deles. Revoltavam-se sim, contra aqueles que, além de os humilhar, tentavam pisar em cima, esquecendo-se que a submissão humana aumenta a impotência e a insegurança no indivíduo, incentivando a hostilidade e rebeldia nas pessoas pelo fato de se tornarem mais dependentes.
Eram muito orgulhosos, lá isso eram" Mas, não se podia rotulá-los de pretensiosos e desumanos. E como se tornavam poderosos quando se uniam! Muitas vezes temera por eles, quando percebia que tentavam lutar por alguma causa justa no início, mas que perdia esse sentido de justiça, quando, em virtude de sua boa fé, se deixavam envolver dentro de um esquema semelhante ao do antigo patrão. Este fora substituído por um colega, que lutara pelo mesmo ideal do grupo, mas se deixara arrastar pelos mais espertos, tendo sua vista ofuscada pela áurea do poder, tornando-se cego ao verdadeiro objetivo a ser alcançado.
Seu José, dentro de seu grande otimismo, sonhava em chegar a ver, algum dia, o ser humano deixar de lado o enorme sentimento de insignificância e impotência, que hoje o dominava. Iria perceber seu valor, o verdadeiro sentido da liberdade, não se amedrontando ante a visão desta. Como também distinguiria claramente seu papel na sociedade, não se deixando mais explorar. Dará menor destaque a poderes a ele extrínsecos. Deixará de encontrar sentido e significado para sua vida nas opiniões e julgamentos dos outros. Cada vez mais colocará de lado as superstições e crenças, sua confiança cega na sorte e no azar.
O dinheiro deixará de ser a medida para igualar o homem. Diminuirá o atual sentimento de competição, que torna as pessoas rivais tão hostis. Voltará o sentimento de união com seus semelhantes e com o mundo, assim como o desejo de produzir, realizar em prol de um bem comum.
Tinha para si, que, se cada um conseguisse, numa pequena parcela, contribuir para uma vida melhor, dando como exemplo aos demais seu próprio modo de viver, estaria construindo uma sociedade mais feliz. Muitos se esqueciam que esta era formada por eles. Suas normas e regras surgiam a partir da necessidade de se evitar grandes tensões e atritos no convívio de um grupo.
Ora, se isto era verdadeiro, também o era a acomodação que, atualmente, se alastrava pela maioria, para permitir que pequenos grupos, atribuindo-se falsos privilégios, conseguissem concentrar o poder em suas mãos, estendendo sua autoridade aos demais que, de uma forma ou de outra, a aceitavam: ou abaixando a cabeça, ou reclamando no mesmo nível dos que passavam a combater. Em ambos, o traço característico era a violência, seja em atos ou palavras, que os geram. A violência era, nesse instante, para seu José, como um 'grito de dor' camuflado."
Assim terminava o primeiro capítulo do breve "Ainda há tempo!"
Lúcia Thompson
Fiquei surpresa, nem me lembrava mais dele, quando por opção, na época (1982), abri cada capítulo, dos sete que o compunham, com frases que muito me afetaram. No capítulo I aparece a de Hermann Hesse: " Não é nos seus discursos ou nas suas ideias que se depara a grandeza dos homens, senão unicamente nos seus atos e na sua vida."; no II: "A atração sexual cria, no momento, a ilusão de união; mas, sem amor, essa união deixa os estranhos tão afastados quanto antes se achavam. Sentem sua estranheza ainda mais acentuadamente do que antes." (Erich Fromm); no IV: "É toda uma arte enganar o marido: é uma profissão retê-lo." (Simone de Beauvoir); no V: "Naquele momento, você realmente se considerava um velho. Porque se sentia derrotado pela vida." (Oriana Fallaci); no capítulo VII: "Depois de certa idade, todo homem é responsável por seu rosto." (Albert Camus).
"A campainha do despertador quebrou o silêncio convidativo ao repouso, anunciando a hora do início das atividades do dia para seu José. Suas mão tatearam o criado-mudo, abafando e pondo término ao som estridente, até certo ponto indesejável e intruso naquele momento.
Sentou-se na cama ainda meio sonolento. Procurou seus óculos, amigo inseparável de alguns anos, que muito o auxiliava. Espreguiçou-se. Agora estava realmente desperto e feliz pelo novo dia em que muita coisa aprenderia, novas experiências se uniriam às já acumuladas até então.
Tinha que se apressar um pouco, pois às seis horas da manhã mudaria o turno dos empregados, que haviam zelado pelo sossego dos moradores do pequeno edifício de sete andares.
Após se vestir, mirou-se ao espelho e gostou do simpático senhor que lhe sorria. Impecável em seu terno sempre limpo, sem nenhuma mancha ou ruga que denotasse desmazelo. De cabelos grisalhos, bem penteados, que eram seu orgulho. Alguma gordurinha a mais em seu corpo ia bem com seu ar bonachão.
Estava pronto para iniciar sua função de zelador, trabalho que muito apreciava. Sentia-se útil, mais importante, sabendo que os outros precisavam de sua ajuda e que, na maior parte das vezes merecia o elogio dos condôminos.
As críticas eram recebidas de espírito aberto, procurando melhorar no que achasse que realmente devia. Não se importava com as que não lhe tocassem bem no fundo, provocando alguma reação de sua parte. Os elogios, embora constituíssem afagos gostosos de se ouvir, não o impeliam a evoluir internamente. As críticas sim, por isso as preferia..Permaneciam em sua mente, ocasionando sensações incômodas. Essas só desapareciam, quando se aproximasse, bem perto, de algo que não aceitava em si e que gerara o desconforto. Tratava, então, de mudar para como se sentisse melhor. Nesse caso a opinião dos outros lhe era válida.
Depois de ter tomado seu café com leite, degustado o pãozinho com manteiga, trancou seu apartamento, chamando o elevador.
Preocupava-se com todos os moradores do edifício, como se constituíssem uma única família. Eram, na verdade, a "sua" família, pois ficara só, desde que sua irmã morrera há três anos. Os demais familiares eram considerados parentes, pois uma amizade maior não os unia.
Ah, dona Rita, como sua ausência era sentida! No entanto, sua presença ainda era viva e constante dentro do peito de seu José. Aí seu lugar era o mesmo. A dor da saudade se transformara em tristeza. A perda, que machucara muito no início, foi sendo aceita paulatinamente. Hoje se recordava, com muito carinho, do tempo passado junto.
Ao chegar ao andar térreo comprovou a pontualidade de sua turma. Bons rapazes! Gente simples e humilde, bons trabalhadores. Embora de pouca instrução, se esforçavam por obter um lugar melhor. Raramente faltavam ao serviço. Existia muita cooperação entre eles. Às vezes tinha que chamar a atenção de dona Amélia,. pois com seus cinco filhos, poucos recursos e sem marido, se via obrigada a acudi-los de quando em quando. Nada que não se conseguisse, com boa vontade, contornar.
Não entendia quanto problema existia nas fábricas e nas grandes empresas, relacionado a essa faixa da população a que tanto os políticos se apegavam nas eleições. Na sua maioria constituída de pessoas que possuíam boa fé, muita esperança, muitos sonhos. Deixavam-se levar pelos dirigentes que soubessem comandar, respeitando-os como seres humanos, com sentimentos e problemas semelhantes aos deles. Revoltavam-se sim, contra aqueles que, além de os humilhar, tentavam pisar em cima, esquecendo-se que a submissão humana aumenta a impotência e a insegurança no indivíduo, incentivando a hostilidade e rebeldia nas pessoas pelo fato de se tornarem mais dependentes.
Eram muito orgulhosos, lá isso eram" Mas, não se podia rotulá-los de pretensiosos e desumanos. E como se tornavam poderosos quando se uniam! Muitas vezes temera por eles, quando percebia que tentavam lutar por alguma causa justa no início, mas que perdia esse sentido de justiça, quando, em virtude de sua boa fé, se deixavam envolver dentro de um esquema semelhante ao do antigo patrão. Este fora substituído por um colega, que lutara pelo mesmo ideal do grupo, mas se deixara arrastar pelos mais espertos, tendo sua vista ofuscada pela áurea do poder, tornando-se cego ao verdadeiro objetivo a ser alcançado.
Seu José, dentro de seu grande otimismo, sonhava em chegar a ver, algum dia, o ser humano deixar de lado o enorme sentimento de insignificância e impotência, que hoje o dominava. Iria perceber seu valor, o verdadeiro sentido da liberdade, não se amedrontando ante a visão desta. Como também distinguiria claramente seu papel na sociedade, não se deixando mais explorar. Dará menor destaque a poderes a ele extrínsecos. Deixará de encontrar sentido e significado para sua vida nas opiniões e julgamentos dos outros. Cada vez mais colocará de lado as superstições e crenças, sua confiança cega na sorte e no azar.
O dinheiro deixará de ser a medida para igualar o homem. Diminuirá o atual sentimento de competição, que torna as pessoas rivais tão hostis. Voltará o sentimento de união com seus semelhantes e com o mundo, assim como o desejo de produzir, realizar em prol de um bem comum.
Tinha para si, que, se cada um conseguisse, numa pequena parcela, contribuir para uma vida melhor, dando como exemplo aos demais seu próprio modo de viver, estaria construindo uma sociedade mais feliz. Muitos se esqueciam que esta era formada por eles. Suas normas e regras surgiam a partir da necessidade de se evitar grandes tensões e atritos no convívio de um grupo.
Ora, se isto era verdadeiro, também o era a acomodação que, atualmente, se alastrava pela maioria, para permitir que pequenos grupos, atribuindo-se falsos privilégios, conseguissem concentrar o poder em suas mãos, estendendo sua autoridade aos demais que, de uma forma ou de outra, a aceitavam: ou abaixando a cabeça, ou reclamando no mesmo nível dos que passavam a combater. Em ambos, o traço característico era a violência, seja em atos ou palavras, que os geram. A violência era, nesse instante, para seu José, como um 'grito de dor' camuflado."
Assim terminava o primeiro capítulo do breve "Ainda há tempo!"
Lúcia Thompson
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
Os professores e o educar no mundo líquido
Excelente análise do mundo contemporâneo e de suas alterações afetando o educar no mundo atual, encontra-se na palestra do Professor Historiador Leandro Karnal com o título de "Vazio Contemporâneo e Espiritualidade", vídeo disponível no Canal YouTube. Vale assistir ao vídeo e muito refletir. Destaco os elogios que Karnal faz a Zigmunt Bauman e suas articulações ao redor do conceito de mundo líquido, para definir a sociedade em que vivemos hoje.
Acompanho literalmente Karnal em suas análises onde conclui que "Eu fui preparado para um mundo que não existe mais... eu fui criado para um mundo que não existe mais". Constata quantas atividades inúteis guardadas na memória e quantos princípios éticos relegados nesse mundo líquido da tecnologia digital. "Quando aluno, os professores eram autoridades. Hoje, como professor os alunos são as autoridades.Tudo se tornou uma 'questão de opinião', onde se confunde agregação de informação com formação."
Para Karnal, a globalização nos atinge aliada a um "individualismo e concorrência permanente", onde "ninguém ouve ninguém", onde o "eu prevalece". Coloca um diálogo esclarecedor do que afirma: "Tô cansado. - Eu também. Acordei às 6:00 horas. - Eu às 5:00 horas. Tenho filho de 19 anos. - O meu tem 17 anos. Tenho dor de cabeça. - Eu tenho um tumor...e por aí vai... Na comunicação atual não se introduz a preocupação real com o outro. Não há diálogo, onde se introduz a ética e sensibilidade na interação. Tudo é questão de opinião, voltada para o predomínio da autorreferência guiando a vida de relação: "Estou triste porque meu pai faleceu. - Tome um remédio!" como se a tristeza não fosse a reação à morte de um pai e devesse "ser tratada e mascarada" com medicamentos.
A meu ver, hoje é difícil as pessoas se "engajarem" nas interações. A "entrega", para servir ao outro, envolve um compromisso recíproco de disponibilidades. A atitude de "escutar com atenção" está em falta, mais ainda o "estar continente às angústias do outro". É um se fechar ao sofrimento alheio e se buscar prescrições aliviadoras de angústias que demanda de tempo para serem digeridas internamente. A relação professor-aluno na arte recíproca de educar-aprender ocorre sempre "por amor", fenômeno sobre o qual poucos se entendem atualmente.
Em 1982, deixava registrado que, se algum dia viesse a escrever um livro, "queria meus personagens soltos, livres, não presos a descrições físicas marcantes. Queria meus personagens se destacando por seus atos e atitudes. Poderiam ser você, eu, ou qualquer pessoa que encontre semelhança com o o que representem..."
Continuava eu: "Não gostaria de ver meus personagens fixos em um tempo, época ou lugar. Poderiam existir ontem, hoje ou amanhã. Em cada um o eco da vida ressoaria... Suas vidas não se entrelaçariam, simplesmente se cruzariam. No entanto, um elo os uniria, constituído pela importância do existir de cada um."
Eu reiteraria, através deles, "minha confiança no próprio homem, querendo crer que, ao cair por terra a enorme insegurança que o cerca, por seu esforço pessoal, encontrará o equilíbrio, a harmonia e a paz tão almejados. Voltará a ter fé e esperança na humanidade. Procurará, dentro de si, a sabedoria."
Hoje agrego: "A nós outros cabe abaixar a cabeça, com humildade, e respeitar que compreensões quânticas emerjam, conforme o patamar interno alcançado", para combater a "tirania do momento" citada por Bauman, ao se referir à era do movimento da liquidez, do sempre inovar, do "tempo da pressa", que caracteriza a época atual, onde inteligências são sequestradas pela ideologia do consumo.
Continuo defendendo a hipótese de que a energia psíquica faz parte de nosso sistema quântico, e que Freud foi o primeiro a observá-lo e operacionalizá-lo. A meu ver a paz interna, o salto evolutivo quântico decorrente de alterações de estados energéticos, o alcance de patamares com maior amplitude de consciência demandam uma "entrega" ao, ainda desconhecido, mundo espiritual.
Penso que cada vez mais ocorre a compreensão da importância do "alinhamento de forças energéticas" para se alcançar o estado interno de serenidade decorrente do "equilíbrio na gangorra das reações humanas "biofísicaseletroquímicas" com as sensações mais sutis "biocorporaispsíquicasespirituais", traduzidas por leituras sensitivas de vibrações "atomoeletromagnéticas".
Nesse sentido, discordo de Karnal ante sua generalização depreciativa aos estudam a nova ciência e os dinamismos da energia quântica dos sistemas humanos subatômicos.
Estranho sua afirmação que é "afetado", que "se irrita muito" com a utilização de metáforas como "energia" e "física quântica", que não lhe são significantes. No entanto, ele deixa pistas que me despertaram a curiosidade para assistir a seus vídeos acompanhando a articulação de suas ideias a respeito desses conceitos. Explicitamente, e enfaticamente, relata: "Tudo que não tem explicação entra na categoria de energia quântica... Assisti a quatro aulas no curso sobre Física Quântica, ocorrido no ..., e no final não entendi nada!"
É triste ver professores, não colocando dúvidas e acolhendo a dor angustiante de suas inquietações, mas expondo seu fechar de disponibilidades internas para conhecer o que não encontram explicações lógicas no momento.
E, sobretudo, deixando à mostra uma incongruência, explícita publicamente e jocosamente: "criticando pejorativamente e desqualificando saberes e pessoas que se dedicam a eles, por não entender o conhecimento que, ainda, não lhes foi facultado abranger, embora seu vasto mundo intelectual seja reconhecido pelos que o cercam e, o mais importante, por eles mesmos".
Lúcia Thompson
Acompanho literalmente Karnal em suas análises onde conclui que "Eu fui preparado para um mundo que não existe mais... eu fui criado para um mundo que não existe mais". Constata quantas atividades inúteis guardadas na memória e quantos princípios éticos relegados nesse mundo líquido da tecnologia digital. "Quando aluno, os professores eram autoridades. Hoje, como professor os alunos são as autoridades.Tudo se tornou uma 'questão de opinião', onde se confunde agregação de informação com formação."
Para Karnal, a globalização nos atinge aliada a um "individualismo e concorrência permanente", onde "ninguém ouve ninguém", onde o "eu prevalece". Coloca um diálogo esclarecedor do que afirma: "Tô cansado. - Eu também. Acordei às 6:00 horas. - Eu às 5:00 horas. Tenho filho de 19 anos. - O meu tem 17 anos. Tenho dor de cabeça. - Eu tenho um tumor...e por aí vai... Na comunicação atual não se introduz a preocupação real com o outro. Não há diálogo, onde se introduz a ética e sensibilidade na interação. Tudo é questão de opinião, voltada para o predomínio da autorreferência guiando a vida de relação: "Estou triste porque meu pai faleceu. - Tome um remédio!" como se a tristeza não fosse a reação à morte de um pai e devesse "ser tratada e mascarada" com medicamentos.
A meu ver, hoje é difícil as pessoas se "engajarem" nas interações. A "entrega", para servir ao outro, envolve um compromisso recíproco de disponibilidades. A atitude de "escutar com atenção" está em falta, mais ainda o "estar continente às angústias do outro". É um se fechar ao sofrimento alheio e se buscar prescrições aliviadoras de angústias que demanda de tempo para serem digeridas internamente. A relação professor-aluno na arte recíproca de educar-aprender ocorre sempre "por amor", fenômeno sobre o qual poucos se entendem atualmente.
Em 1982, deixava registrado que, se algum dia viesse a escrever um livro, "queria meus personagens soltos, livres, não presos a descrições físicas marcantes. Queria meus personagens se destacando por seus atos e atitudes. Poderiam ser você, eu, ou qualquer pessoa que encontre semelhança com o o que representem..."
Continuava eu: "Não gostaria de ver meus personagens fixos em um tempo, época ou lugar. Poderiam existir ontem, hoje ou amanhã. Em cada um o eco da vida ressoaria... Suas vidas não se entrelaçariam, simplesmente se cruzariam. No entanto, um elo os uniria, constituído pela importância do existir de cada um."
Eu reiteraria, através deles, "minha confiança no próprio homem, querendo crer que, ao cair por terra a enorme insegurança que o cerca, por seu esforço pessoal, encontrará o equilíbrio, a harmonia e a paz tão almejados. Voltará a ter fé e esperança na humanidade. Procurará, dentro de si, a sabedoria."
Hoje agrego: "A nós outros cabe abaixar a cabeça, com humildade, e respeitar que compreensões quânticas emerjam, conforme o patamar interno alcançado", para combater a "tirania do momento" citada por Bauman, ao se referir à era do movimento da liquidez, do sempre inovar, do "tempo da pressa", que caracteriza a época atual, onde inteligências são sequestradas pela ideologia do consumo.
Continuo defendendo a hipótese de que a energia psíquica faz parte de nosso sistema quântico, e que Freud foi o primeiro a observá-lo e operacionalizá-lo. A meu ver a paz interna, o salto evolutivo quântico decorrente de alterações de estados energéticos, o alcance de patamares com maior amplitude de consciência demandam uma "entrega" ao, ainda desconhecido, mundo espiritual.
Penso que cada vez mais ocorre a compreensão da importância do "alinhamento de forças energéticas" para se alcançar o estado interno de serenidade decorrente do "equilíbrio na gangorra das reações humanas "biofísicaseletroquímicas" com as sensações mais sutis "biocorporaispsíquicasespirituais", traduzidas por leituras sensitivas de vibrações "atomoeletromagnéticas".
Nesse sentido, discordo de Karnal ante sua generalização depreciativa aos estudam a nova ciência e os dinamismos da energia quântica dos sistemas humanos subatômicos.
Estranho sua afirmação que é "afetado", que "se irrita muito" com a utilização de metáforas como "energia" e "física quântica", que não lhe são significantes. No entanto, ele deixa pistas que me despertaram a curiosidade para assistir a seus vídeos acompanhando a articulação de suas ideias a respeito desses conceitos. Explicitamente, e enfaticamente, relata: "Tudo que não tem explicação entra na categoria de energia quântica... Assisti a quatro aulas no curso sobre Física Quântica, ocorrido no ..., e no final não entendi nada!"
É triste ver professores, não colocando dúvidas e acolhendo a dor angustiante de suas inquietações, mas expondo seu fechar de disponibilidades internas para conhecer o que não encontram explicações lógicas no momento.
E, sobretudo, deixando à mostra uma incongruência, explícita publicamente e jocosamente: "criticando pejorativamente e desqualificando saberes e pessoas que se dedicam a eles, por não entender o conhecimento que, ainda, não lhes foi facultado abranger, embora seu vasto mundo intelectual seja reconhecido pelos que o cercam e, o mais importante, por eles mesmos".
Lúcia Thompson
sábado, 28 de novembro de 2015
"Sensitividade Mediúnica ou Sensibilidade Premonitória?"
Novas descobertas sobre o mundo quântico subatômico e novos canais mentais se abrindo, facultando novas compreensões sobre a condição humana.
Há anos meus estudos me direcionam para a necessidade do ser humano de alinhar e acoplar suas energias, tanto as orgânicas de nossos "sistemas metabólicos bioeletroquímicos senso-perceptivos", quanto as subatômicas de nossos "sistemas quânticos psíquicos bioeletromagnéticos sensitivo-perceptivos".
Esses movimentos internos dependentes da "subjetividade volitiva e intencionalidade do observador" não são fáceis de serem mantidos em equilíbrio. Mas deles decorrem a "alquimia psíquica interna" ao propiciar que a energia contida em "ondas de probabilidades virtuais circunstanciais" se torne, através do foco do observador, energia emitida em "pulsos de partículas", melhor dizendo em eventos concretos sucessivos, passíveis de escolha, dentro de um processo subjetivo seletivo.
Cada vez mais passamos a reconhecer os recursos e nos esforçar em nosso processo constante de autoconhecimento, podendo assim diferenciar "como somos afetados" pelos estímulos que nos atingem e "como podemos administrar" nossa energia vital a contento, para evitar seu desperdício tendo ciência dos prejuízos para nosso "bem-estar biopsicossocial e espiritual".
Aos poucos, vamos nos familiarizando com a ideia do reconhecimento de novas vias de informação que demandam disponibilidade para o aprendizado de novas formas de comunicação. Ainda pertence ao campo da estranheza a percepção de dois mundos, o visível e o invisível, perceptível por seus efeitos. Hoje penso como se existisse uma barreira invisível os separando. Não importa quem esteja do lado de cá com sua integridade física e psíquica preservadas tomando ciência da amplitude e repercussão do bom uso de seus estados alterados de consciência; ou quem esteja do lado de lá, com sua integridade subatômica, dentro da realidade virtual, emanando energias que se acoplam aquelas do mundo cósmico universal.
O importante é ter sempre presente que a vontade e intencionalidade da subjetividade do observador devem prevalecer para estabelecer os limites da energia que pode afetá-lo, ou não, tem que ser bloqueada ou rechaçada.
São testemunhos como esses que relato a seguir, com a permissão dos envolvidos, que dão alento a continuar as pesquisas que envolvem fenômenos intuitivos em sua comunicação empática e sincronicidade de vibrações. Podemos observar que, por vezes, informações são obtidas graças a uma sensibilidade inata premonitória; em outras vezes são captadas pelo adestramento na canalização de energias apreendidas através da disponibilidade consciente à uma capacidade sensitiva mediúnica.
A mãe de Andrea (23/03/1972-15/07/2015) me encaminhou essas impressões, pedindo que atualizasse o blog do último contato, via face, que teve com sua filha. Infelizmente, decorrente da burocracia nos serviços funerários da Prefeitura, o caixão de Andrea teve que permanecer lacrado. Nenhum contato físico, até certo ponto segundo ela dispensável, com a frieza cadavérica de um corpo inerte, cujo espírito já o tinha abandonado há tantas horas. Hoje recorda, com clareza, a voz da neta e sua resposta ao atender o telefone por volta de 9:20h do domingo 15/07: "Vó, ela não resistiu!" - "Quem não resistiu?" - "Minha mãe, vó! O médico veio me avisar do falecimento dela!"... Como depois dizia: A notícia parecia se referir a alguém tão distante, mas era sobre sua filha, que sua neta falava. Agora após 4 meses passados, consegue acompanhar a dinâmica interna da elaboração do luto. Dia 25 de novembro foi aniversário de 6 anos de seu neto, o que a mobilizou a registrar no Face:
"Nossa, que falta tô sentindo de Andrea hoje! Como ela queria estar aqui e tinha premonição que não estaria presente no aniversário de 6 anos de seu filho, temporão tão desejado e esperado por ela, acalentado nessa data por duas irmãs (20 anos e 18 anos) atuando como mães substitutas. Não gosto muito desses papéis, mas essa é uma outra história a ser considerada em outras circunstâncias.
(Continua ela...) Parabéns a todos familiares diretos, pai e irmãs, sem esquecer os padrinhos de meu neto, especiais na distribuição de carinhos segundo Andrea, que já nos avisava que não iria estar presente no aniversário do filho, mas que, em sua ausência, nós sentiríamos a presença dos padrinhos circundando o filho. Minha nossa!
Tudo bem, que tivesse se afastado dos trabalhos espirituais no Centro Espírita - (Andrea fez todos os cursos da Federação. Conversávamos sempre a respeito dessas energias espirituais.)- , pelo fumo e cervejinhas. Mas a mediunidade não é bloqueada aos que possuem esse dom. Com resignação e paciência toda a energia espiritual espera para atuar no intercâmbio com seus instrumentos terrenos, quando esses estiverem em seus momentos certos.
Errou em parte, Andrea, sua presença física não está mais aqui entre nós, mas, a percepção de sua proximidade espiritual não nos deixa mais, pelo vínculo de amor, que sempre nos fará senti-la a nosso lado."
No dia seguinte me dizia que no pouco tempo que dormiu, após o aniversário do neto, data que muito a sensibilizou, acordou com a sensação de estarem segurando sua mão. Abriu os dedos e sentiu uma energia se soltando. "- Ela, Andrea, se manifestando aos poucos!" . Relatou estar observando alguns movimentos de objetos a seu redor, sem explicação causal, como livros caindo de estantes e eventos semelhantes. A afinidade entre elas era muito forte nos últimos anos. "- Essa semana senti um forte calor, vibrei muita paz e amor, mentalizei que percebia sua presença. Não era mais minha filha. Era sua energia. Procuro sempre acompanhar mentalmente a repercussão ou sintonia intuitiva. Ontem tava sentindo muita falta dela... essa vibração deve ter mobilizado a aproximação via sensação de calor aconchegante. É seguir o primeiro pensamento, imagem, palavra que vem à mente, via intuição. Verificar o que ocorria mentalmente quando objetos pesados, sem vento ou tremor, caem. Afastar o medo e 'seguir a intuição, sem neuras'!"
"- Por favor, me permita através da republicação da postagem ter contato com as últimas palavras diretas de minha filha dirigidas a mim, via o canal das redes sociais!"
Como negar esse pedido? Como explicar esse adeus de uma filha à sua mãe? Como entender o que se passou em seu mundo mental?
Infelizmente não encontrei a postagem. Mas essa outra vai ajudar em muitas reflexões sobre se nossa visão de mundo não está obsoleta e preconceituosa, precisando passar por um processo de mudança.
Há anos meus estudos me direcionam para a necessidade do ser humano de alinhar e acoplar suas energias, tanto as orgânicas de nossos "sistemas metabólicos bioeletroquímicos senso-perceptivos", quanto as subatômicas de nossos "sistemas quânticos psíquicos bioeletromagnéticos sensitivo-perceptivos".
Esses movimentos internos dependentes da "subjetividade volitiva e intencionalidade do observador" não são fáceis de serem mantidos em equilíbrio. Mas deles decorrem a "alquimia psíquica interna" ao propiciar que a energia contida em "ondas de probabilidades virtuais circunstanciais" se torne, através do foco do observador, energia emitida em "pulsos de partículas", melhor dizendo em eventos concretos sucessivos, passíveis de escolha, dentro de um processo subjetivo seletivo.
Cada vez mais passamos a reconhecer os recursos e nos esforçar em nosso processo constante de autoconhecimento, podendo assim diferenciar "como somos afetados" pelos estímulos que nos atingem e "como podemos administrar" nossa energia vital a contento, para evitar seu desperdício tendo ciência dos prejuízos para nosso "bem-estar biopsicossocial e espiritual".
Aos poucos, vamos nos familiarizando com a ideia do reconhecimento de novas vias de informação que demandam disponibilidade para o aprendizado de novas formas de comunicação. Ainda pertence ao campo da estranheza a percepção de dois mundos, o visível e o invisível, perceptível por seus efeitos. Hoje penso como se existisse uma barreira invisível os separando. Não importa quem esteja do lado de cá com sua integridade física e psíquica preservadas tomando ciência da amplitude e repercussão do bom uso de seus estados alterados de consciência; ou quem esteja do lado de lá, com sua integridade subatômica, dentro da realidade virtual, emanando energias que se acoplam aquelas do mundo cósmico universal.
O importante é ter sempre presente que a vontade e intencionalidade da subjetividade do observador devem prevalecer para estabelecer os limites da energia que pode afetá-lo, ou não, tem que ser bloqueada ou rechaçada.
São testemunhos como esses que relato a seguir, com a permissão dos envolvidos, que dão alento a continuar as pesquisas que envolvem fenômenos intuitivos em sua comunicação empática e sincronicidade de vibrações. Podemos observar que, por vezes, informações são obtidas graças a uma sensibilidade inata premonitória; em outras vezes são captadas pelo adestramento na canalização de energias apreendidas através da disponibilidade consciente à uma capacidade sensitiva mediúnica.
A mãe de Andrea (23/03/1972-15/07/2015) me encaminhou essas impressões, pedindo que atualizasse o blog do último contato, via face, que teve com sua filha. Infelizmente, decorrente da burocracia nos serviços funerários da Prefeitura, o caixão de Andrea teve que permanecer lacrado. Nenhum contato físico, até certo ponto segundo ela dispensável, com a frieza cadavérica de um corpo inerte, cujo espírito já o tinha abandonado há tantas horas. Hoje recorda, com clareza, a voz da neta e sua resposta ao atender o telefone por volta de 9:20h do domingo 15/07: "Vó, ela não resistiu!" - "Quem não resistiu?" - "Minha mãe, vó! O médico veio me avisar do falecimento dela!"... Como depois dizia: A notícia parecia se referir a alguém tão distante, mas era sobre sua filha, que sua neta falava. Agora após 4 meses passados, consegue acompanhar a dinâmica interna da elaboração do luto. Dia 25 de novembro foi aniversário de 6 anos de seu neto, o que a mobilizou a registrar no Face:
"Nossa, que falta tô sentindo de Andrea hoje! Como ela queria estar aqui e tinha premonição que não estaria presente no aniversário de 6 anos de seu filho, temporão tão desejado e esperado por ela, acalentado nessa data por duas irmãs (20 anos e 18 anos) atuando como mães substitutas. Não gosto muito desses papéis, mas essa é uma outra história a ser considerada em outras circunstâncias.
(Continua ela...) Parabéns a todos familiares diretos, pai e irmãs, sem esquecer os padrinhos de meu neto, especiais na distribuição de carinhos segundo Andrea, que já nos avisava que não iria estar presente no aniversário do filho, mas que, em sua ausência, nós sentiríamos a presença dos padrinhos circundando o filho. Minha nossa!
Tudo bem, que tivesse se afastado dos trabalhos espirituais no Centro Espírita - (Andrea fez todos os cursos da Federação. Conversávamos sempre a respeito dessas energias espirituais.)- , pelo fumo e cervejinhas. Mas a mediunidade não é bloqueada aos que possuem esse dom. Com resignação e paciência toda a energia espiritual espera para atuar no intercâmbio com seus instrumentos terrenos, quando esses estiverem em seus momentos certos.
Errou em parte, Andrea, sua presença física não está mais aqui entre nós, mas, a percepção de sua proximidade espiritual não nos deixa mais, pelo vínculo de amor, que sempre nos fará senti-la a nosso lado."
No dia seguinte me dizia que no pouco tempo que dormiu, após o aniversário do neto, data que muito a sensibilizou, acordou com a sensação de estarem segurando sua mão. Abriu os dedos e sentiu uma energia se soltando. "- Ela, Andrea, se manifestando aos poucos!" . Relatou estar observando alguns movimentos de objetos a seu redor, sem explicação causal, como livros caindo de estantes e eventos semelhantes. A afinidade entre elas era muito forte nos últimos anos. "- Essa semana senti um forte calor, vibrei muita paz e amor, mentalizei que percebia sua presença. Não era mais minha filha. Era sua energia. Procuro sempre acompanhar mentalmente a repercussão ou sintonia intuitiva. Ontem tava sentindo muita falta dela... essa vibração deve ter mobilizado a aproximação via sensação de calor aconchegante. É seguir o primeiro pensamento, imagem, palavra que vem à mente, via intuição. Verificar o que ocorria mentalmente quando objetos pesados, sem vento ou tremor, caem. Afastar o medo e 'seguir a intuição, sem neuras'!"
"- Por favor, me permita através da republicação da postagem ter contato com as últimas palavras diretas de minha filha dirigidas a mim, via o canal das redes sociais!"
Como negar esse pedido? Como explicar esse adeus de uma filha à sua mãe? Como entender o que se passou em seu mundo mental?
Infelizmente não encontrei a postagem. Mas essa outra vai ajudar em muitas reflexões sobre se nossa visão de mundo não está obsoleta e preconceituosa, precisando passar por um processo de mudança.
SEGUNDA-FEIRA, 27 DE JULHO DE 2015
Mudanças de paradigmas e técnicas terapêuticas?
Não há como negar que o paradigma mecanicista newtoniano não mais responde a uma série de questionamentos e que o paradigma quântico supre essa defasagem atual.
Tudo é feito de substância subatômica. O ser humano é feito de circuitos sistêmicos que envolvem células > moléculas > átomos > prótons, elétrons ... > quarks ... > vácuo quântico - (inconsciente ?) -pleno de energia potencial. Hoje em dia me parece, cada vez mais, que "o aparelho psíquico" delineado pela sagacidade da observação freudiana e junguiana dos fenômenos humanos e genialidade de abstração para nomeá-los de Sujeito e Inconsciente Pessoal, ou Self - centro do Si Mesmo Individual - e Inconsciente Coletivo, "tem relação com o mundo quântico".
Torna-se mister ultrapassar a visão separatista de bioquímica (neurotransmissores e hormônios reagindo e provocando reações) de um lado, e, de outro lado, - visto ainda com grande desconfiança mesmo ante evidências comprovadas de sua existência - bioeletromagnetismo ( gerando informações, ou energia também vital, por meio de partículas e ressonância vibratória de ondas, conforme a intenção do observador que vivencia e interfere no fenômeno experienciado). Tudo é energia, tudo é informação, tudo está conectado e interage sistemicamente dentro de nós, seres humanos.
Como facilitar o encontro e o alinhamento dessas forças energéticas deve ser o foco do milênio para ações terapêuticas efetivas. É preciso se ater aos avanços advindos da descoberta do código genético > transferências de informações genéticas > clonagens. É necessário não desconsiderar a comprovação de uma memória celular > linguagem inter e intracelular > transplantes > receptor em seus relatos de características do doador > informações transmitidas através de órgãos transplantados. É fácil constatar ressonâncias e sincronicidades ou antagonismos > transferências ideativas e afetivas > neuroassociações criativas ou reacionais > estados emocionais alterados (via física e/ou psíquica).
Quando abordo o mundo subatômico, ou mundo quântico, sigo as descobertas científicas a respeito, que adentraram para este milênio. Mecânica quântica é física, suas teorias decorrem da busca de explicação para fenômenos naturais observados e constatados repetidamente dentro de métodos científicos. Não é abstração metafísica, não é misticismo esotérico, nem magia ou ideações fantasiosas. Sob a leitura quântica sobe no milênio a medicina vibracional e muitas técnicas alternativas que se utilizam de vias intelectivas de outra grandeza, mais intuitivas do que cognitivas, razão pura mais abstrata, menos concreta com seu raciocínio lógico-matemático.
Se tudo no Universo está integrado pelo campo chamado "Consciência" como não articular os "insights" terapêuticos com "saltos quânticos" e como não enquadrá-los dentro de outra dimensão compreensiva?
Nada existe fora dessa grande onda que Amit Goswami chamou de Consciência. O que existe são diferentes níveis dessa Consciência, diferentes faixas de frequência (passíveis de serem medidas em Hertz).
No campo eletromagnético tudo é ressonância. Vejo o mundo psíquico como um campo bioeletromagnético. Desejos e demandas emanam energia e vibram através de ondas de expectativas e esperanças. Esse ressoar transfere informações para determinadas pessoas e para o Universo, e faz chegar informações ao vácuo quântico, pleno de energia potencial - campo inconsciente das pulsões nomeadas por Freud, que podem ser acessados via função intuitiva transcendente nomeada por Jung.
Não só na interpretação do fenômeno da transferência, sob a leitura psicanalítica, durante a relação analista-analisando quando em terapia, o efeito quântico da dupla-fenda pode ser observado. Ao existir um foco e uma escolha não há como negar o colapso da função onda, a restrição do amplo campo ideativo abstrato da criação de neuroassociações, ou ondas de possibilidades, e sua redução ao campo das partículas de probabilidades, que podem ser concretizadas em metas e resultados visíveis.
Sob o prisma quântico da experiência da "dupla fenda" e da interferência direta do observador, ocasionando a resposta do átomo e seu comportamento como onda ou como partícula, é possível avaliar a importância e o perigo da atuação do terapeuta durante as sessões terapêuticas, particularmente ante o uso de técnicas persuasivas e sugestivas. Nesses casos, predomina a intenção que o terapeuta emana através de suas sugestões, que vai depender da sincronicidade com a frequência vibratória de quem as escute para que seja assimilada e decodificada a contento pelo interlocutor. Isso vai depender de que ambos estejam na mesma posição relativa ao real da situação da terapia com todo viés e ruídos que dela pode advir (transferências e contratransferências) e no mesmo continuum de tempo (passado-futuro presentificados nos quadros sintomáticos e no momento presente da terapia).
Acredito que o papel do terapeuta seja facilitar as associações entre o psíquico (quântico) e a emergência do sujeito freudiano, responsável por seu bem-estar físico e psíquico, ou a emancipação do indivíduo junguiano. O "alinhamento prático no querer-saber-fazer-acontecer" possibilita avaliar como, através do poder de fazer escolhas, ocorre o colapsar da onda das possibilidades (ou alternativas de opções) e o surgir da partícula, para que ideias abstratas possam ser concretizadas na realidade concreta do analisando (nunca determinada pelo mundo ideativo das probabilidades do analista ou terapeuta, seja qual linha seguir).
Destaco mais um aspecto por mim observado. De forma semelhante ao Universo onde se constata uma ordem implícita, também nos sistemas orgânicos pode-se notar sistemas dentro de sistemas, pequena e grande circulação, o mesmo com o sistema respiratório; ou nos sistemas psíquicos envolvendo a moral e ética. A meu ver, o psiquismo moral e ético constituem dois circuitos, utilizando a terminologia freudiana "superegóicos", o primeiro se utilizando da via exoinformativa impositiva e o segundo da via endoinformativa acatada pelo autorreferencial interno advindo do vácuo quântico diretamente e captado via intuição.
Uma errata: destaco por observar a dinâmica psíquica em meus pacientes "e por acompanhar em mim mesmo essa movimentação psíquica".
Acompanho as articulações atuais de Helio Couto (vídeos canal YouTube):
"Toda fórmula química precisa de tempo para haver uma reação atômica molecular, para que as moléculas se juntem e formem uma terceira coisa... assim surge o sentimento, como o amor. Em curto tempo de contato, só existe atração sexual, empatia ou antipatia... a química não bateu? ideias não entraram em sintonia? não houve sincronicidade afetiva?"
"Cada arquétipo ( ideias primordiais pré-existentes em nós) provoca a produção de determinado transmissor unidirecional. O tempo e o interesse (vontade) criam as neuro-associações assimiladas pela outra pessoa... É preciso levar em consideração que cada neurotransmissor e hormônios provocam uma reação emocional... daí ser importante avaliar pelos sinais que indicam correspondência o tipo de neurotransmissor gerado nos relacionamentos interpessoais para criar vinculação ou não.
Todos podemos comprovar a existência de uma comunicação não-local, comunicação simultânea à distância, por codificação da propagação de ondas eletromagnéticas, de movimentos vibratórios, cujas frequências são medidas em faixas de Hertz (ex: complexos aparelhos eletrônicos como celulares, GPS, satélites, rádios e televisão...todos audíveis, visíveis e compreensíveis dentro da linguagem subatômica). A cada faixa corresponde uma dimensão. Portanto, existem "n" dimensões ao nosso redor, vibrando em frequência diferentes. As frequências não se anulam, mas sintonizando os Hertz de um rádio ou de um canal de televisão não se tem acesso aos demais.
Deixo esse registro, para que reflexões ocorram sobre o novo paradigma quântico e novas compreensões dele decorram sobre o psiquismo humano - tão perto e tão longe de nós!
Ou como disse Richard Bach: "Longe, é um lugar que não existe!"
Aurora Gite
Tudo é feito de substância subatômica. O ser humano é feito de circuitos sistêmicos que envolvem células > moléculas > átomos > prótons, elétrons ... > quarks ... > vácuo quântico - (inconsciente ?) -pleno de energia potencial. Hoje em dia me parece, cada vez mais, que "o aparelho psíquico" delineado pela sagacidade da observação freudiana e junguiana dos fenômenos humanos e genialidade de abstração para nomeá-los de Sujeito e Inconsciente Pessoal, ou Self - centro do Si Mesmo Individual - e Inconsciente Coletivo, "tem relação com o mundo quântico".
Torna-se mister ultrapassar a visão separatista de bioquímica (neurotransmissores e hormônios reagindo e provocando reações) de um lado, e, de outro lado, - visto ainda com grande desconfiança mesmo ante evidências comprovadas de sua existência - bioeletromagnetismo ( gerando informações, ou energia também vital, por meio de partículas e ressonância vibratória de ondas, conforme a intenção do observador que vivencia e interfere no fenômeno experienciado). Tudo é energia, tudo é informação, tudo está conectado e interage sistemicamente dentro de nós, seres humanos.
Como facilitar o encontro e o alinhamento dessas forças energéticas deve ser o foco do milênio para ações terapêuticas efetivas. É preciso se ater aos avanços advindos da descoberta do código genético > transferências de informações genéticas > clonagens. É necessário não desconsiderar a comprovação de uma memória celular > linguagem inter e intracelular > transplantes > receptor em seus relatos de características do doador > informações transmitidas através de órgãos transplantados. É fácil constatar ressonâncias e sincronicidades ou antagonismos > transferências ideativas e afetivas > neuroassociações criativas ou reacionais > estados emocionais alterados (via física e/ou psíquica).
Quando abordo o mundo subatômico, ou mundo quântico, sigo as descobertas científicas a respeito, que adentraram para este milênio. Mecânica quântica é física, suas teorias decorrem da busca de explicação para fenômenos naturais observados e constatados repetidamente dentro de métodos científicos. Não é abstração metafísica, não é misticismo esotérico, nem magia ou ideações fantasiosas. Sob a leitura quântica sobe no milênio a medicina vibracional e muitas técnicas alternativas que se utilizam de vias intelectivas de outra grandeza, mais intuitivas do que cognitivas, razão pura mais abstrata, menos concreta com seu raciocínio lógico-matemático.
Se tudo no Universo está integrado pelo campo chamado "Consciência" como não articular os "insights" terapêuticos com "saltos quânticos" e como não enquadrá-los dentro de outra dimensão compreensiva?
Nada existe fora dessa grande onda que Amit Goswami chamou de Consciência. O que existe são diferentes níveis dessa Consciência, diferentes faixas de frequência (passíveis de serem medidas em Hertz).
No campo eletromagnético tudo é ressonância. Vejo o mundo psíquico como um campo bioeletromagnético. Desejos e demandas emanam energia e vibram através de ondas de expectativas e esperanças. Esse ressoar transfere informações para determinadas pessoas e para o Universo, e faz chegar informações ao vácuo quântico, pleno de energia potencial - campo inconsciente das pulsões nomeadas por Freud, que podem ser acessados via função intuitiva transcendente nomeada por Jung.
Não só na interpretação do fenômeno da transferência, sob a leitura psicanalítica, durante a relação analista-analisando quando em terapia, o efeito quântico da dupla-fenda pode ser observado. Ao existir um foco e uma escolha não há como negar o colapso da função onda, a restrição do amplo campo ideativo abstrato da criação de neuroassociações, ou ondas de possibilidades, e sua redução ao campo das partículas de probabilidades, que podem ser concretizadas em metas e resultados visíveis.
Sob o prisma quântico da experiência da "dupla fenda" e da interferência direta do observador, ocasionando a resposta do átomo e seu comportamento como onda ou como partícula, é possível avaliar a importância e o perigo da atuação do terapeuta durante as sessões terapêuticas, particularmente ante o uso de técnicas persuasivas e sugestivas. Nesses casos, predomina a intenção que o terapeuta emana através de suas sugestões, que vai depender da sincronicidade com a frequência vibratória de quem as escute para que seja assimilada e decodificada a contento pelo interlocutor. Isso vai depender de que ambos estejam na mesma posição relativa ao real da situação da terapia com todo viés e ruídos que dela pode advir (transferências e contratransferências) e no mesmo continuum de tempo (passado-futuro presentificados nos quadros sintomáticos e no momento presente da terapia).
Acredito que o papel do terapeuta seja facilitar as associações entre o psíquico (quântico) e a emergência do sujeito freudiano, responsável por seu bem-estar físico e psíquico, ou a emancipação do indivíduo junguiano. O "alinhamento prático no querer-saber-fazer-acontecer" possibilita avaliar como, através do poder de fazer escolhas, ocorre o colapsar da onda das possibilidades (ou alternativas de opções) e o surgir da partícula, para que ideias abstratas possam ser concretizadas na realidade concreta do analisando (nunca determinada pelo mundo ideativo das probabilidades do analista ou terapeuta, seja qual linha seguir).
Destaco mais um aspecto por mim observado. De forma semelhante ao Universo onde se constata uma ordem implícita, também nos sistemas orgânicos pode-se notar sistemas dentro de sistemas, pequena e grande circulação, o mesmo com o sistema respiratório; ou nos sistemas psíquicos envolvendo a moral e ética. A meu ver, o psiquismo moral e ético constituem dois circuitos, utilizando a terminologia freudiana "superegóicos", o primeiro se utilizando da via exoinformativa impositiva e o segundo da via endoinformativa acatada pelo autorreferencial interno advindo do vácuo quântico diretamente e captado via intuição.
Uma errata: destaco por observar a dinâmica psíquica em meus pacientes "e por acompanhar em mim mesmo essa movimentação psíquica".
Acompanho as articulações atuais de Helio Couto (vídeos canal YouTube):
"Toda fórmula química precisa de tempo para haver uma reação atômica molecular, para que as moléculas se juntem e formem uma terceira coisa... assim surge o sentimento, como o amor. Em curto tempo de contato, só existe atração sexual, empatia ou antipatia... a química não bateu? ideias não entraram em sintonia? não houve sincronicidade afetiva?"
"Cada arquétipo ( ideias primordiais pré-existentes em nós) provoca a produção de determinado transmissor unidirecional. O tempo e o interesse (vontade) criam as neuro-associações assimiladas pela outra pessoa... É preciso levar em consideração que cada neurotransmissor e hormônios provocam uma reação emocional... daí ser importante avaliar pelos sinais que indicam correspondência o tipo de neurotransmissor gerado nos relacionamentos interpessoais para criar vinculação ou não.
Todos podemos comprovar a existência de uma comunicação não-local, comunicação simultânea à distância, por codificação da propagação de ondas eletromagnéticas, de movimentos vibratórios, cujas frequências são medidas em faixas de Hertz (ex: complexos aparelhos eletrônicos como celulares, GPS, satélites, rádios e televisão...todos audíveis, visíveis e compreensíveis dentro da linguagem subatômica). A cada faixa corresponde uma dimensão. Portanto, existem "n" dimensões ao nosso redor, vibrando em frequência diferentes. As frequências não se anulam, mas sintonizando os Hertz de um rádio ou de um canal de televisão não se tem acesso aos demais.
Deixo esse registro, para que reflexões ocorram sobre o novo paradigma quântico e novas compreensões dele decorram sobre o psiquismo humano - tão perto e tão longe de nós!
Ou como disse Richard Bach: "Longe, é um lugar que não existe!"
Aurora Gite
POSTADO POR LUCIA THOMPSON ÀS 13:17
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
O Impacto da Tirania do Momento
Li vários livros do sociólogo Zigmunt Bauman. Poucos deixei de reler! A maioria contou com meu breve retorno, buscando seguir as pistas das palavras-chaves grifadas e o caminho da "uniformidade das pessoas" agora na condição de mercadorias de consumo, como após ler "Vida para Consumo": a transformação de pessoas em mercadorias" - Rio de Janeiro, Zahar, 2008. Chamou minha atenção: "copyright 2007".
Nesse livro em particular recomendo a leitura do capítulo 3 - "A Cultura Consumista" (p.107). Bauman retrata a desconstrução do passado e seus valores e do futuro em sua visão empreendedora, a ilusão de liberdade e como esta atualmente é direcionada sem nossa percepção consciente, o marketing na formatação da identidade de novos "eus" adequados às necessidades inventadas conforme a exigência da demanda do consumo.
Bauman aborda com maestria a fabricação da sociedade consumista onde as pessoas se transformaram em mercadoria de consumo, o papel do marketing na construção desses "novos eus" em constante processo de reconstrução em virtude da volatilidade do mercado de pessoas. Segundo sua análise, vivemos a "Era do Movimento, da Liquidez no sempre Inovar, Tempo da Pressa no obter Resultados; vivemos sob o império da "Tirania do Momento" (p.121).
O autor observa e recorta com a perspicácia, que lhe é característica, o momento "internetizado e globalizado" e analisa as repercussões de suas consequências para a convivência humana e as interações sociais no mundo "on e offline". Foca as sociedades emergentes da "Era dos Simulacros, que não eliminou a diferença entre a própria coisa e seu reflexo, entre o real e as realidades virtuais, apenas cavou um precipício entre elas".
Bauman nos confronta com o processo da auto-identificação dentro de um design angustiante, pois não estamos tão livres como pensamos. Nossa razão nos engana muitas vezes. "Os vínculos humanos tendem a ser conduzidos e mediados pelos mercados dos bens de consumo, o sentimento de pertença não é obtido seguindo-se os procedimentos administrados e supervisionados por essas 'tendências de estilo' aos quais se aspira, mas por meio da própria identificação metonímica do aspirante com a 'tendência'." Sem dúvida, nossas necessidades são criadas e nossos desejos induzidos. Questiona se o desejo latente freudiano, sempre embasado em insatisfação ante a precariedade do prazer por objetos desejados alcançados, não seria mantido para ocultar essa dinâmica que descreve.
Destaca a "misteriosa proeza de desabilitar o passado ante a facilidade de renascer" , perene promessa da sociedade de consumo: infindável sucessão de novos começos, novas famílias, novas carreiras, novas identidades até por constantes mudanças por cirurgias plásticas, logo seguidas de insatisfação com as novas imagens. "A atual cultura cirúrgica promove a fantasia da plasticidade corporal infinita... A mensagem da indústria da reconstrução é de se reinventar da maneira que preferir... A cirurgia plástica não é para remover uma cicatriz ou alcançar uma forma ideal negada pela natureza ou pelo destino, mas para ficar em dia com padrões que mudam com rapidez, manter o próprio valor do mercado e descartar uma imagem que perdeu sua utilidade e seu charme, de modo que uma nova imagem pública seja colocada em seu lugar - num pacote que inclui (espera-se) uma nova identidade e (com certeza) um novo começo." (p.130)
Ledo engano! O vazio e a insatisfação logo se fazem presentes.
Bauman estende essa forma de raciocinar às escolhas idealizadas que fazemos dos nossos objetos de amor e a fragilidade dos vínculos amorosos assim estabelecidos. É preciso muita atenção para que o momento atual vivido na atualidade não seja contaminado pela "preocupação de hipotecar o futuro".
Bauman cita o livro de Thomas Hylland Eriksen sobre a "tirania do momento":
"As consequências da pressa extrema são avassaladoras: tanto o passado quanto o futuro como categorias mentais são ameaçados pela tirania do momento... Até o 'aqui e agora' é ameaçado, já que o momento seguinte chega tão depressa que se torna difícil viver no presente." (p.134)
Com esta frase, peço "time"! Peço uma pausa para profundas reflexões sobre as análises de Bauman e como umas das maiores buscas atuais volta-se para a inclusão e o reconhecimento público, mais do que à autovalorização e orgulho interno para as próprias autorrealizações. Realço suas convicções e afirmações de que o ser humano não é tão livre quanto pensa ser, pela forma com que sua liberdade de escolher as maneiras de seu agir está vinculada às "tendências e estilos ditados pela vida consumista do momento atual da sociedade contemporânea".
Vale ler "Vida para Consumo: a transformação das pessoas em mercadorias" e investigar se passou pelo campo de concentração do "mercado consumista" e pelo forno do gás mortífero às identidades construídas com orgulho. O objetivo é o "sequestro de inteligências" e o enquadrar qualquer subjetividade na formatação uniforme visando transformar as pessoas em mercadorias a serem consumidas de acordo com as tendências do mercado. É um livro rico para profissionais que lidam com recursos humanos em empresas!
Para os que duvidam da "sincronicidade" a nosso redor, assistam a entrevista com o sociólogo, presidente do IPEA, Jessé Souza e suas ideias sobre o "sequestro da inteligência". Entrevista com Mário Sérgio Conti em globosatplay.globo.com/globonews/v/7621714/. Novas articulações de ideias sob novas perspectivas, coincidentemente próximas das de Zigmunt Bauman. Vale conferir!
Tomei conhecimento dessa entrevista, ao terminar essa postagem. Coincidência? Simples acaso? É para se pensar a respeito, levando em consideração as novas descobertas sobre a condição humana.
Já anotei, como minha próxima aquisição, o livro de Jessé Souza, lançado nesse final de novembro: "A Tolice da Inteligência Brasileira", Editora Leia, 2015.
Lucia Thompson
Nesse livro em particular recomendo a leitura do capítulo 3 - "A Cultura Consumista" (p.107). Bauman retrata a desconstrução do passado e seus valores e do futuro em sua visão empreendedora, a ilusão de liberdade e como esta atualmente é direcionada sem nossa percepção consciente, o marketing na formatação da identidade de novos "eus" adequados às necessidades inventadas conforme a exigência da demanda do consumo.
Bauman aborda com maestria a fabricação da sociedade consumista onde as pessoas se transformaram em mercadoria de consumo, o papel do marketing na construção desses "novos eus" em constante processo de reconstrução em virtude da volatilidade do mercado de pessoas. Segundo sua análise, vivemos a "Era do Movimento, da Liquidez no sempre Inovar, Tempo da Pressa no obter Resultados; vivemos sob o império da "Tirania do Momento" (p.121).
O autor observa e recorta com a perspicácia, que lhe é característica, o momento "internetizado e globalizado" e analisa as repercussões de suas consequências para a convivência humana e as interações sociais no mundo "on e offline". Foca as sociedades emergentes da "Era dos Simulacros, que não eliminou a diferença entre a própria coisa e seu reflexo, entre o real e as realidades virtuais, apenas cavou um precipício entre elas".
Bauman nos confronta com o processo da auto-identificação dentro de um design angustiante, pois não estamos tão livres como pensamos. Nossa razão nos engana muitas vezes. "Os vínculos humanos tendem a ser conduzidos e mediados pelos mercados dos bens de consumo, o sentimento de pertença não é obtido seguindo-se os procedimentos administrados e supervisionados por essas 'tendências de estilo' aos quais se aspira, mas por meio da própria identificação metonímica do aspirante com a 'tendência'." Sem dúvida, nossas necessidades são criadas e nossos desejos induzidos. Questiona se o desejo latente freudiano, sempre embasado em insatisfação ante a precariedade do prazer por objetos desejados alcançados, não seria mantido para ocultar essa dinâmica que descreve.
Destaca a "misteriosa proeza de desabilitar o passado ante a facilidade de renascer" , perene promessa da sociedade de consumo: infindável sucessão de novos começos, novas famílias, novas carreiras, novas identidades até por constantes mudanças por cirurgias plásticas, logo seguidas de insatisfação com as novas imagens. "A atual cultura cirúrgica promove a fantasia da plasticidade corporal infinita... A mensagem da indústria da reconstrução é de se reinventar da maneira que preferir... A cirurgia plástica não é para remover uma cicatriz ou alcançar uma forma ideal negada pela natureza ou pelo destino, mas para ficar em dia com padrões que mudam com rapidez, manter o próprio valor do mercado e descartar uma imagem que perdeu sua utilidade e seu charme, de modo que uma nova imagem pública seja colocada em seu lugar - num pacote que inclui (espera-se) uma nova identidade e (com certeza) um novo começo." (p.130)
Ledo engano! O vazio e a insatisfação logo se fazem presentes.
Bauman estende essa forma de raciocinar às escolhas idealizadas que fazemos dos nossos objetos de amor e a fragilidade dos vínculos amorosos assim estabelecidos. É preciso muita atenção para que o momento atual vivido na atualidade não seja contaminado pela "preocupação de hipotecar o futuro".
Bauman cita o livro de Thomas Hylland Eriksen sobre a "tirania do momento":
"As consequências da pressa extrema são avassaladoras: tanto o passado quanto o futuro como categorias mentais são ameaçados pela tirania do momento... Até o 'aqui e agora' é ameaçado, já que o momento seguinte chega tão depressa que se torna difícil viver no presente." (p.134)
Com esta frase, peço "time"! Peço uma pausa para profundas reflexões sobre as análises de Bauman e como umas das maiores buscas atuais volta-se para a inclusão e o reconhecimento público, mais do que à autovalorização e orgulho interno para as próprias autorrealizações. Realço suas convicções e afirmações de que o ser humano não é tão livre quanto pensa ser, pela forma com que sua liberdade de escolher as maneiras de seu agir está vinculada às "tendências e estilos ditados pela vida consumista do momento atual da sociedade contemporânea".
Vale ler "Vida para Consumo: a transformação das pessoas em mercadorias" e investigar se passou pelo campo de concentração do "mercado consumista" e pelo forno do gás mortífero às identidades construídas com orgulho. O objetivo é o "sequestro de inteligências" e o enquadrar qualquer subjetividade na formatação uniforme visando transformar as pessoas em mercadorias a serem consumidas de acordo com as tendências do mercado. É um livro rico para profissionais que lidam com recursos humanos em empresas!
Para os que duvidam da "sincronicidade" a nosso redor, assistam a entrevista com o sociólogo, presidente do IPEA, Jessé Souza e suas ideias sobre o "sequestro da inteligência". Entrevista com Mário Sérgio Conti em globosatplay.globo.com/globonews/v/7621714/. Novas articulações de ideias sob novas perspectivas, coincidentemente próximas das de Zigmunt Bauman. Vale conferir!
Tomei conhecimento dessa entrevista, ao terminar essa postagem. Coincidência? Simples acaso? É para se pensar a respeito, levando em consideração as novas descobertas sobre a condição humana.
Já anotei, como minha próxima aquisição, o livro de Jessé Souza, lançado nesse final de novembro: "A Tolice da Inteligência Brasileira", Editora Leia, 2015.
Lucia Thompson
domingo, 15 de novembro de 2015
Novo giro na Roda do Ódio e Vingança
Como não revê-lo mais uma vez , se com os atentados terroristas ocorridos em Paris (França) nesse 13 de novembro de 2015, as fatídicas e violentas circunstâncias acabaram de atualizar seu conteúdo: "Perdas Desestruturantes da Identidade Humana"?
Escrevi o primeiro post sobre "perdas desestruturantes da identidade humana" em janeiro de 2009.
E eis o ser humano se recusando a rever a História da Humanidade, e retirar de suas memórias as circunstâncias efetivas de grande sofrimento e destruições concretas de países e dos psiquismos de quem sobreviveu à calamidade, ocasionada por guerras e ataques à dignidade humana. Sempre se perde à nível do humano, independente de se posicionar como vencedor ou perdedor.
Como lidar com chefes de Estado, que colocam seres humanos como peças em seu tabuleiro de xadrez de tomadas de decisões, e terroristas que abaixam o relógio na contagem do início do jogo com vidas humanas. A meta do jogo é a conquista do poder... de mais e mais poder e mais e mais ódio e vingança.
E eis o ser humano se recusando a rever a História da Humanidade, e retirar de suas memórias as circunstâncias efetivas de grande sofrimento e destruições concretas de países e dos psiquismos de quem sobreviveu à calamidade, ocasionada por guerras e ataques à dignidade humana. Sempre se perde à nível do humano, independente de se posicionar como vencedor ou perdedor.
Como lidar com chefes de Estado, que colocam seres humanos como peças em seu tabuleiro de xadrez de tomadas de decisões, e terroristas que abaixam o relógio na contagem do início do jogo com vidas humanas. A meta do jogo é a conquista do poder... de mais e mais poder e mais e mais ódio e vingança.
Não gosto da futura perspectiva de uma "Terceira Guerra Mundial". Minha razão se recusa a aceitar essa irracionalidade humana. Meu coração angustiado se comprime ao antecipar as consequências desses fanatismos religiosos em suas relações de poder e destruição, derrubando o humano em cada um de nós. E, acompanhando as profecias de Nostradamus, bombardeando toda nossa civilização atual ao colocar abaixo construções históricas e nobres ideais.
Verifiquem como é atual essa postagem de 2009, como ocorrem sucessivos novos giros na Roda do Ódio e Vingança: Perdas desestruturantes da identidade humana
Verifiquem como é atual essa postagem de 2009, como ocorrem sucessivos novos giros na Roda do Ódio e Vingança: Perdas desestruturantes da identidade humana
Penso que teríamos que focar os acontecimentos sob nova perspectiva a partir de agora, ante um quadro onde observamos:
Sob uma leitura racional e emocional, análises e interpretações deverão recair nas perdas desestruturantes da identidade do ser humano, e que interferirão diretamente em suas reconstruções logísticas e convivências futuras.
- o império da irracionalidade na busca de poder e exaltação de interesses personalizados,
- a evidência da quebra da ética e dos compromissos assumidos sob esse prisma,
- a constatação da não aceitação de acordos visando o bem comum e ações humanitárias,
Sob uma leitura racional e emocional, análises e interpretações deverão recair nas perdas desestruturantes da identidade do ser humano, e que interferirão diretamente em suas reconstruções logísticas e convivências futuras.
Nesse sentido, vale lembrar que as perdas, na construção do ser humano, englobam os três tipos de lutos:
1- as perdas de entes adultos e idosos significativos, parentes ou não, testemunhos de nossas experiências, pontos de nossa auto-referência, reminiscências de nosso passado e sinalização de nossa passagem por esta vida;
2- as perdas de crianças e adolescentes, representantes de nossos projetos futuristas, sonhos e propósitos que dão sentido a nossa vida;
3-as perdas dos patrimônios materiais e culturais, de nossa tradição histórica, conquistas e aquisições : autorrealizações responsáveis pela valorização de nossa auto-estima.
Como se reestruturar como ser humano, com senso moral virtuoso e justo, ante toda a distorção da própria sensibilidade humana, necessária para suportar todo o flagelo desumano?
Como suplantar todo o ódio, raiva e ressentimento, que tendem a se transformar posteriormente em reações vingativas e intimistas, até como forma de amenizar toda a angústia que geram?
Como perdoar e superar todas essas vivências violentas, mescladas em ambos os lados por impotência e culpa, dos que sofreram e foram submetidos e dos que agrediram e humilharam, acrescidos de revolta e ódio, conflitos ante desejos de revide e vingança?
Ambos os lados terão que se confrontar com a gélida barreira de autoproteção, porta de aço da sólida indiferença, instalada internamente para aprisionar o lado mais íntimo e afetuoso de cada um, postura necessária à sobrevivência física ante o dilema "eu ou ele".
E quanto a sobrevivência psíquica?
Ambos os lados são constituídos por pais (mães), filhos (filhas) e maridos (esposas), parceiros no viver que viram projetadas suas próprias vidas, derrocadas suas esperanças, ao serem espelhadas as mortes de familiares e a sua própria morte, ante cada tiro dado ou agressão efetuada.
Zumbis e robôs, aceitando ordens inquestionáveis com desconfortável submissão e não tranquila resignação, ou dando ordens aviltantes, sem autonomia humana defensiva, sem direito a senso crítico questionador, não se atendo que já pagaram e pagarão alto preço a partir de agora ante a intransigência radical que se observa.
Quem irá lhes propiciar posterior equilíbrio emocional, harmonia consigo mesmo; motivação para respeitar as leis e normas discriminadoras políticas, economicas e sociais; disposição para a construção de convivências pacíficas humanitárias num mundo tão ameaçador e persecutório, sem a segurança de lideranças confiáveis visando o bem-estar da raça humana?
Qual será a visão de mundo e de homem, que está sendo construída, e qual prevalecerá nesse século 21?
Isso é responsabilidade de cada um de nós, mesmo distantes.
2- as perdas de crianças e adolescentes, representantes de nossos projetos futuristas, sonhos e propósitos que dão sentido a nossa vida;
3-as perdas dos patrimônios materiais e culturais, de nossa tradição histórica, conquistas e aquisições : autorrealizações responsáveis pela valorização de nossa auto-estima.
Como se reestruturar como ser humano, com senso moral virtuoso e justo, ante toda a distorção da própria sensibilidade humana, necessária para suportar todo o flagelo desumano?
Como suplantar todo o ódio, raiva e ressentimento, que tendem a se transformar posteriormente em reações vingativas e intimistas, até como forma de amenizar toda a angústia que geram?
Como perdoar e superar todas essas vivências violentas, mescladas em ambos os lados por impotência e culpa, dos que sofreram e foram submetidos e dos que agrediram e humilharam, acrescidos de revolta e ódio, conflitos ante desejos de revide e vingança?
Ambos os lados terão que se confrontar com a gélida barreira de autoproteção, porta de aço da sólida indiferença, instalada internamente para aprisionar o lado mais íntimo e afetuoso de cada um, postura necessária à sobrevivência física ante o dilema "eu ou ele".
E quanto a sobrevivência psíquica?
Ambos os lados são constituídos por pais (mães), filhos (filhas) e maridos (esposas), parceiros no viver que viram projetadas suas próprias vidas, derrocadas suas esperanças, ao serem espelhadas as mortes de familiares e a sua própria morte, ante cada tiro dado ou agressão efetuada.
Zumbis e robôs, aceitando ordens inquestionáveis com desconfortável submissão e não tranquila resignação, ou dando ordens aviltantes, sem autonomia humana defensiva, sem direito a senso crítico questionador, não se atendo que já pagaram e pagarão alto preço a partir de agora ante a intransigência radical que se observa.
Quem irá lhes propiciar posterior equilíbrio emocional, harmonia consigo mesmo; motivação para respeitar as leis e normas discriminadoras políticas, economicas e sociais; disposição para a construção de convivências pacíficas humanitárias num mundo tão ameaçador e persecutório, sem a segurança de lideranças confiáveis visando o bem-estar da raça humana?
Qual será a visão de mundo e de homem, que está sendo construída, e qual prevalecerá nesse século 21?
Isso é responsabilidade de cada um de nós, mesmo distantes.
Com pesar, Aurora Gite.
A mudança da cor da fonte tem sua intenção, pois vermelho é a cor do sangue que se esvai das vidas humanas de jovens combatentes, que nem sabem bem pelo que lutam, nas situações de guerras de tal porte.
Um pequeno lembrete: "Ante simulacros e simulações governamentais, que mesclam a dignidade e a postura ética das tomadas de decisão nas várias sociedades atuais, é preciso pensar por si: recolher evidências, analisar sob várias perspectivas, refletir sobre eventos reais, buscando sempre preservar os aspectos evolutivos da Raça Humana".
Isso vale para quem está nos campos de batalha, mas principalmente para os que têm responsabilidade - por pertencer à raça humana - de procurar se fazer ouvir dentro desse social, batalhando por estabelecer um limite racional e transformar a deterioração ética do grupo governante, em posturas transparentes e justas visando não só ao bem-estar coletivo, mas a harmonia pacífica de seus pares na Humanidade.
Aurora Gite
O tempo passou, mas continuo endossando todas essas palavras, continuo com grande preocupação com o longo sofrimento pela frente para configurar a nova civilização que surgirá mesclada por todas essas vivências, o novo mundo que irá se delinear para além do idealizado, internetizado e globalizado. E eis o homem novamente interferindo no destino das nações. Mas não todos os homens! Outro cuidado agora reside em se perceber o grande perigo e se evitar generalizações que podem ser responsáveis por amplos danos maiores, injustiças irreparáveis ao tentar aplicar leis insanas como a que mobiliza a adoção de atitudes tomando por base reações vingativas como "olho por olho, dente por dente!". Nossa civilização já transcendeu todo esse ódio e barbárie dos tempos primitivos. Essa é a luz que deve iluminar a ascensão do espírito humano no controle de todas emoções destrutivas reacionais e na preservação da dignidade humana. Não é fácil se retirar um aprendizado de experiência tão sofridas!
O tempo passou acelerado como sempre, mas continuo endossando todas essas palavras e considerando-o como um aliado amigo e fiel. Confio em sua lealdade! Confio na capacidade humana de se superar em condições adversas como essas, respeitando os princípios da Igualdade, Liberdade, Fraternidade acrescidos da Solidariedade, que é o estamos vendo agora ser o grande fator unificador das pessoas e nações.
O tempo passou, mas continuo endossando todas essas palavras, continuo com grande preocupação com o longo sofrimento pela frente para configurar a nova civilização que surgirá mesclada por todas essas vivências, o novo mundo que irá se delinear para além do idealizado, internetizado e globalizado. E eis o homem novamente interferindo no destino das nações. Mas não todos os homens! Outro cuidado agora reside em se perceber o grande perigo e se evitar generalizações que podem ser responsáveis por amplos danos maiores, injustiças irreparáveis ao tentar aplicar leis insanas como a que mobiliza a adoção de atitudes tomando por base reações vingativas como "olho por olho, dente por dente!". Nossa civilização já transcendeu todo esse ódio e barbárie dos tempos primitivos. Essa é a luz que deve iluminar a ascensão do espírito humano no controle de todas emoções destrutivas reacionais e na preservação da dignidade humana. Não é fácil se retirar um aprendizado de experiência tão sofridas!
O tempo passou acelerado como sempre, mas continuo endossando todas essas palavras e considerando-o como um aliado amigo e fiel. Confio em sua lealdade! Confio na capacidade humana de se superar em condições adversas como essas, respeitando os princípios da Igualdade, Liberdade, Fraternidade acrescidos da Solidariedade, que é o estamos vendo agora ser o grande fator unificador das pessoas e nações.
O tempo passou, mas continuo endossando tudo.
Lúcia Thompson
Lúcia Thompson
sábado, 14 de novembro de 2015
No mundo digital e globalizado dica importante é ...
No mundo digital e globalizado uma dica importante é insistir, com garra e determinação, foco e paciência...
Aumentam muito as chances de se obter, se possível, o que muito se quer.
Eis a postagem indicada no tweet:
sábado, 12 de setembro de 2009
Solidão, vontade e liberdade
Uma das maiores dores do ser humano advém da sensação de desamparo e angústia do ser só.
No entanto, esse é o destino psíquico de todos nós, para iniciarmos a escalada de subida visando o fortalecimento de nosso mundo interior. A vivência com essa fragilidade e mesmo vulnerabilidade é que nos mobiliza para o resgate de nossa potência como ser humano.
A percepção que não somos tão limitados e impotentes, por si só, já nos revigora e transmite sensação impactante de alegria e regozijo indescritível, antes não sentidos. Representa a passagem, já abordada por mim, do "eu existo" para o "eu sou", que tende a alcançar o "quero ser e tornar-me eu". É o movimento que Platão bem representou em seu "Mito da Caverna", sendo esta o símbolo de nossa própria existência em nosso mundo interior, como coloca Hannah Arendt (Entre o Passado e o Futuro, 2007).
Gosto de, saindo dos lugares teóricos comuns de muitos psicoterapeutas, analisar meus pacientes sob o prisma do tipo de governo interno que adotam na interação entre os dois mundos (subjetivo e objetivo) , da qualidade de regência de seus recursos psíquicos e do controle sobre a administração das estratégias que utilizam. Quantos não ficariam surpresos ao perceberem a forma tirana e o governo totalitário que adotam no domínio e fiscalização das próprias forças psíquicas. Muitos se revelam verdadeiros déspotas ante o rigor das exigências e autocobranças.
Já localizei em posts anteriores o papel que desempenha Hannah Arendt e minha admiração por suas articulações. É uma pena que não tenha fugido de, como bem provam os dados históricos referentes a muitos pensadores, ter um maior reconhecimento de sua obra e melhor compreensão de suas idéias, após sua morte. Comprovo muitas de suas hipóteses sobre o ser humano por meio dos dados através de observações advindas da área clínica. Expresso um pouco isso no texto abaixo.
Vou focar nesse post três fenômenos humanos constantes e universais, nomeados como: solidão, vontade e liberdade. Três conceitos difíceis de serem analisados racionalmente, pois englobam outras dimensões do ser humano. E, se concebermos o mundo psíquico dentro de uma totalidade sistêmica semelhante ao corpo humano, inclusive com duas vias circulatórias de energia psíquica, podemos observar suas atuações em ambas. Vamos encontrá-las no mundo dos valores (forças) morais, e no mundo das virtudes (princípios inspiradores voltados ao Bem), expressos pelas ações deles decorrentes.
Acredito ser importante pontuar que a virtude não é racionalizada, não pode ser ensinada ou aprendida, seu entendimento decorre de uma compreensão superior, mas tão vital ao organismo psíquico no que diz respeito à integração das dimensões humanas psíquicas mentais com as espirituais. Sob esse termo, me refiro a dimensões mais elevadas, características do ser humano mais amadurecido psíquicamente, mais sereno e livre em suas ações voltadas a momentos de autoaconchego e plenitude interior.
Ao se reportar ao fenômeno da solidão, Arendt considera o "homem solitário não mais um, e sim dois em um", pois, no momento em ocorre a "interrupção entre mim e meu próximo, tem início o relacionamento entre mim e mim mesmo".
Complicado?
Vamos verificar o que torna essa assertiva mais difícil de ser entendida?
Eis alguns obstáculos:
-A maioria das pessoas não aprendeu a pensar, refletir e analisar a aplicabilidade prática do que lê. Buscam enquadrar o outro para validar teorias, lidas superficialmente sem grandes introspecções, sobre seus significados.
-Para muitos, é mais comodo não se individualizar. O se tornar indivíduo demanda empenho, esforço e responsabilidade pelo bem-estar do ser único que se tornou.
-Para alguns, ainda, falta o hábito de entrar em contato com esse lado psíquico, se permitindo acompanhar a dinâmica de forças atuantes, ou o movimento das idéias que se entrelaçam nesse diálogo interno. Para isto é preciso coragem, determinação e perseverança. São viagens em mundos desconhecidos dentro de nós, a meu ver, de grande fascínio, mesmo as sofridas que nos espelham o que não gostaríamos de ter, mas que podemos, a partir daí, optar por não mais ter.
-Não é fácil o confronto com um "quero e não-quero", "quero e não-posso", "sei-mas-não-quero", como bem coloca Arendt. Existe sempre o subterfúgio do "não sei", "acho que", "tento e não consigo", que a tudo mascara, com as pessoas esquecendo que o "autocontrole corresponde à virtude política onde "quero" e "posso" se afinam", e a "coragem é uma das virtudes políticas cardeais, representando o bem supremo para se tornar um indivíduo".
Sempre me questionei muito sobre essa energia psíquica e sua forma de distribuição dentro do ser humano, que, como ocorre dentro de um caleidoscópio, basta ligeira movimentação para que séries de desenhos de funcionamentos psíquicos se delineassem, demandando leituras específicas para seu entendimento.
Para uma melhor compreensão desses fenômenos muito contribuíram tanto a Física Quântica, quanto as propostas de Arendt, sobre a "pluralidade de perspectivas inerentes ao ser humano em sua unicidade" e "articulações que levam as experiências a uma esfera do esplendor que não é a do pensamento conceitual", a observação da imprevisibilidade do efeito da ação humana independente da motivação interna e do princípio causal que rege o mundo exterior.
Parte de um quebra-cabeça era montado dentro de mim, e novas inquietudes surgiam, impulsionando novas indagações e novas buscas investigativas. Sendo o homem soberano para atuar em seu mundo interno, até onde iria essa liberdade? Como atuaria o fenômeno da liberdade tão sonhada e almejada? Vontades genuínas e vontades criadas, como discriminá-las mais prontamente? Como unir, com mais exatidão, a faculdade intuitiva com as capacidades de sentir e pensar, obtendo ações mais coerentes e consistentes, visando melhor qualidade de vida para o ser humano, assim mais autorealizado e autovalorizado? Como possibilitar sua maior integração ao social, ou ao público, preservando sua individualidade?
Hannah Arendt, no livro citado acima, lança a hipótese sobre a possibilidade da liberdade começar onde a política (coisa pública ) termina". Para ela a liberdade, na área da política, é oposta à liberdade no espaço íntimo do sentir-se livre, pois esse espaço pertence ao ser apolítico.. "O homem é livre e aplica a ciência do viver, desde que saiba distinguir entre o mundo estranho, sobre o qual não possui poder, e o eu, do qual ele pode dispor como achar melhor... ser escravo no mundo e ainda assim ser livre."
O fenômeno da liberdade não surge na esfera do pensamento ( das idéias) nem é vivenciado no diálogo consigo mesmo. Resgata as citações de Epicteto: " É na morada interior que o conflito consigo mesmo irrompe e a vontade é vencida, que o homem é senhor absoluto... Livre é aquele que vive (em seu mundo psíquico) como quer... livre dos próprios desejos."
Paradoxal? Nem tanto.
Complexo para se entender? Muito.
Vamos , então, tentar compreender seguindo as associações estabelecidas por ela, e buscando confirmação, observando os movimentos psíquicos que ocorrem dentro de cada um de nós?
Não é fácil para a maioria das pessoas, perceber essa dinâmica interna.
Prefere substituir por movimento, energia, atividade ? Tudo bem.
Lembra do caleidoscópio? Então tente verificar os desenhos, ou imagens mentais, que suas idéias formam ao se associarem.
Muitos, inclusive, não estão nem afim de se aproximar de conceitos abstratos, se prendendo a uma realidade concreta com sua utilidade prática imediata e visível. É tudo questão de perspectiva, de tempo e de escolha.
O encontro com nossa interioridade está marcado, bem como o confronto com o sentido da vida. Em algum momento de sua existência, as pessoas não vão só se questionar sobre os "porquês", mas buscar responder à pergunta: "Para que tudo isso?"
Como essa ação depende de forte vontade interna, eis o fenômeno introduzido neste texto.
Volto a Arendt: "A ação sendo livre, não se encontra nem sob a direção do intelecto, nem debaixo dos ditames da vontade ... Existem motivos e objetivos, mas a ação é livre ao ser capaz de transcendê-los."
E aí, o que é o fenômeno da vontade? O que é a vontade para você?
É uma faculdade humana, onde existe o livre arbítrio, "existe uma liberdade de escolha que arbitra e decide"? É um sentimento que incita alguém a atingir o fim proposto por esta faculdade?
"Para Nietzsche era o impulso fundamental inerente a todos os seres vivos, que se manifesta na aspiração sempre crescente de maior poder de dominação." Para Schopenhauer é o princípio norteador da vida humana. Para ele, "a vontade corresponde à Coisa-em si, ela é o substrato último de toda realidade."
Arendt chama a atenção para outra perspectiva de escolha voluntária, quando impera uma necessidade, estando em jogo a própria vida. Toda vontade, segundo ela, implica em uma vontade de poder que, como nesse caso, se transforma em vontade de opressão, que nos coloca sob o jugo de outrem, de um governo maior que somos obrigados a acatar e nos adequar para sobreviver.
Nosso foco não recai sobre a vontade direcionada por essa exigência, mas sobre a liberdade da vontade, e nesse momento nosso objetivo é uni-la a uma Ética Superior, mais além do bem e do mal, e bem mais além da moral , com seus costumes temporários e suas regras para uma boa convivência. Citando Schopenhauer, a compreensão da Vontade faz aparecer todos os entes desde seu caráter único, o que leva, necessariamente a um sentimento de fraternidade e a uma prática de caridade e compaixão. E assim se expressa ainda: " A máscara do pensamento dissimula a vontade... A suprema felicidade somente pode ser conseguida pela anulação da vontade (querer mundano)". Como diferenciar o que é criado por nosso pensamento do que é a expressão de nossa alma, de nosso ser autêntico e verdadeiro, que habita bem lá dentro de nós?
Refletindo sobre nossas vivências, podemos verificar que "A ação da vontade, sobre nós, tem um prazo de validade, e seu vigor se exaure". No entanto, existe uma área em nosso mundo interno, onde a ação brota de um "princípio inspirador", expresso no ato realizador, que não perde seu vigor nem sua validade, que não se prende a nenhuma pessoa ou grupo em especial. Onde "ser livre" e "agir" são uma mesma coisa. O querer, o tesão sentido, o grau de satisfação alcançado, pertencem a outra dimensão humana. A sensação de leveza e de alegria são de outras grandezas, não nomeadas, e indescritíveis.
Que espaço é esse?
Esse é o nosso espaço interior destinado às virtudes. Você pode ler a palavra e analisar sob o aspecto formal ( letras, sílabas, sons, etc), com também pode verificar seu significado em um dicionário (força moral, valor; disposição firme e constante voltada para o bem), mas pode ir pelo caminho da obtenção de conhecimento por uma autoinvestigação. É estar aberto ao novo. É estar flexível a prováveis mudanças de convicções. É soltar o peso dos preconceitos acumulados, das crenças e conceitos disfuncionais ao seu bem-estar. É se libertar. É sentir-se livre. Como?
Eis uma dica: Já percebeu a leveza que vem ao pensar na frase sem julgamentos prévios: "Fazer o melhor que puder e ser o melhor"? Sinta o conteúdo da mensagem! Verifique se não percebe que "a perfeição está no próprio desempenho e se torna independente da ação", e que "a presença da liberdade é vivenciada em completa solidão". Reconheça dentro de você o espaço onde o homem aproxima sua vontade do conhecimento ético intuitivo , onde ele "sabe" o que é certo e se impede com prazer de fazer o contrário, onde ocorre uma alegre e serena renúncia interna por amor... por amor a si mesmo, como ser humano valorizado e vitorioso na conquista de sua dignidade pessoal.
Lembra de dois posts : "Otimizando recursos em tempo de crises" (outubro/2008) e "Você quer receber um presente meu?" (novembro/2008) ? Fica meu convite para revisitá-los.
Aurora Gite
No entanto, esse é o destino psíquico de todos nós, para iniciarmos a escalada de subida visando o fortalecimento de nosso mundo interior. A vivência com essa fragilidade e mesmo vulnerabilidade é que nos mobiliza para o resgate de nossa potência como ser humano.
A percepção que não somos tão limitados e impotentes, por si só, já nos revigora e transmite sensação impactante de alegria e regozijo indescritível, antes não sentidos. Representa a passagem, já abordada por mim, do "eu existo" para o "eu sou", que tende a alcançar o "quero ser e tornar-me eu". É o movimento que Platão bem representou em seu "Mito da Caverna", sendo esta o símbolo de nossa própria existência em nosso mundo interior, como coloca Hannah Arendt (Entre o Passado e o Futuro, 2007).
Gosto de, saindo dos lugares teóricos comuns de muitos psicoterapeutas, analisar meus pacientes sob o prisma do tipo de governo interno que adotam na interação entre os dois mundos (subjetivo e objetivo) , da qualidade de regência de seus recursos psíquicos e do controle sobre a administração das estratégias que utilizam. Quantos não ficariam surpresos ao perceberem a forma tirana e o governo totalitário que adotam no domínio e fiscalização das próprias forças psíquicas. Muitos se revelam verdadeiros déspotas ante o rigor das exigências e autocobranças.
Já localizei em posts anteriores o papel que desempenha Hannah Arendt e minha admiração por suas articulações. É uma pena que não tenha fugido de, como bem provam os dados históricos referentes a muitos pensadores, ter um maior reconhecimento de sua obra e melhor compreensão de suas idéias, após sua morte. Comprovo muitas de suas hipóteses sobre o ser humano por meio dos dados através de observações advindas da área clínica. Expresso um pouco isso no texto abaixo.
Vou focar nesse post três fenômenos humanos constantes e universais, nomeados como: solidão, vontade e liberdade. Três conceitos difíceis de serem analisados racionalmente, pois englobam outras dimensões do ser humano. E, se concebermos o mundo psíquico dentro de uma totalidade sistêmica semelhante ao corpo humano, inclusive com duas vias circulatórias de energia psíquica, podemos observar suas atuações em ambas. Vamos encontrá-las no mundo dos valores (forças) morais, e no mundo das virtudes (princípios inspiradores voltados ao Bem), expressos pelas ações deles decorrentes.
Acredito ser importante pontuar que a virtude não é racionalizada, não pode ser ensinada ou aprendida, seu entendimento decorre de uma compreensão superior, mas tão vital ao organismo psíquico no que diz respeito à integração das dimensões humanas psíquicas mentais com as espirituais. Sob esse termo, me refiro a dimensões mais elevadas, características do ser humano mais amadurecido psíquicamente, mais sereno e livre em suas ações voltadas a momentos de autoaconchego e plenitude interior.
Ao se reportar ao fenômeno da solidão, Arendt considera o "homem solitário não mais um, e sim dois em um", pois, no momento em ocorre a "interrupção entre mim e meu próximo, tem início o relacionamento entre mim e mim mesmo".
Complicado?
Vamos verificar o que torna essa assertiva mais difícil de ser entendida?
Eis alguns obstáculos:
-A maioria das pessoas não aprendeu a pensar, refletir e analisar a aplicabilidade prática do que lê. Buscam enquadrar o outro para validar teorias, lidas superficialmente sem grandes introspecções, sobre seus significados.
-Para muitos, é mais comodo não se individualizar. O se tornar indivíduo demanda empenho, esforço e responsabilidade pelo bem-estar do ser único que se tornou.
-Para alguns, ainda, falta o hábito de entrar em contato com esse lado psíquico, se permitindo acompanhar a dinâmica de forças atuantes, ou o movimento das idéias que se entrelaçam nesse diálogo interno. Para isto é preciso coragem, determinação e perseverança. São viagens em mundos desconhecidos dentro de nós, a meu ver, de grande fascínio, mesmo as sofridas que nos espelham o que não gostaríamos de ter, mas que podemos, a partir daí, optar por não mais ter.
-Não é fácil o confronto com um "quero e não-quero", "quero e não-posso", "sei-mas-não-quero", como bem coloca Arendt. Existe sempre o subterfúgio do "não sei", "acho que", "tento e não consigo", que a tudo mascara, com as pessoas esquecendo que o "autocontrole corresponde à virtude política onde "quero" e "posso" se afinam", e a "coragem é uma das virtudes políticas cardeais, representando o bem supremo para se tornar um indivíduo".
Sempre me questionei muito sobre essa energia psíquica e sua forma de distribuição dentro do ser humano, que, como ocorre dentro de um caleidoscópio, basta ligeira movimentação para que séries de desenhos de funcionamentos psíquicos se delineassem, demandando leituras específicas para seu entendimento.
Para uma melhor compreensão desses fenômenos muito contribuíram tanto a Física Quântica, quanto as propostas de Arendt, sobre a "pluralidade de perspectivas inerentes ao ser humano em sua unicidade" e "articulações que levam as experiências a uma esfera do esplendor que não é a do pensamento conceitual", a observação da imprevisibilidade do efeito da ação humana independente da motivação interna e do princípio causal que rege o mundo exterior.
Parte de um quebra-cabeça era montado dentro de mim, e novas inquietudes surgiam, impulsionando novas indagações e novas buscas investigativas. Sendo o homem soberano para atuar em seu mundo interno, até onde iria essa liberdade? Como atuaria o fenômeno da liberdade tão sonhada e almejada? Vontades genuínas e vontades criadas, como discriminá-las mais prontamente? Como unir, com mais exatidão, a faculdade intuitiva com as capacidades de sentir e pensar, obtendo ações mais coerentes e consistentes, visando melhor qualidade de vida para o ser humano, assim mais autorealizado e autovalorizado? Como possibilitar sua maior integração ao social, ou ao público, preservando sua individualidade?
Hannah Arendt, no livro citado acima, lança a hipótese sobre a possibilidade da liberdade começar onde a política (coisa pública ) termina". Para ela a liberdade, na área da política, é oposta à liberdade no espaço íntimo do sentir-se livre, pois esse espaço pertence ao ser apolítico.. "O homem é livre e aplica a ciência do viver, desde que saiba distinguir entre o mundo estranho, sobre o qual não possui poder, e o eu, do qual ele pode dispor como achar melhor... ser escravo no mundo e ainda assim ser livre."
O fenômeno da liberdade não surge na esfera do pensamento ( das idéias) nem é vivenciado no diálogo consigo mesmo. Resgata as citações de Epicteto: " É na morada interior que o conflito consigo mesmo irrompe e a vontade é vencida, que o homem é senhor absoluto... Livre é aquele que vive (em seu mundo psíquico) como quer... livre dos próprios desejos."
Paradoxal? Nem tanto.
Complexo para se entender? Muito.
Vamos , então, tentar compreender seguindo as associações estabelecidas por ela, e buscando confirmação, observando os movimentos psíquicos que ocorrem dentro de cada um de nós?
Não é fácil para a maioria das pessoas, perceber essa dinâmica interna.
Prefere substituir por movimento, energia, atividade ? Tudo bem.
Lembra do caleidoscópio? Então tente verificar os desenhos, ou imagens mentais, que suas idéias formam ao se associarem.
Muitos, inclusive, não estão nem afim de se aproximar de conceitos abstratos, se prendendo a uma realidade concreta com sua utilidade prática imediata e visível. É tudo questão de perspectiva, de tempo e de escolha.
O encontro com nossa interioridade está marcado, bem como o confronto com o sentido da vida. Em algum momento de sua existência, as pessoas não vão só se questionar sobre os "porquês", mas buscar responder à pergunta: "Para que tudo isso?"
Como essa ação depende de forte vontade interna, eis o fenômeno introduzido neste texto.
Volto a Arendt: "A ação sendo livre, não se encontra nem sob a direção do intelecto, nem debaixo dos ditames da vontade ... Existem motivos e objetivos, mas a ação é livre ao ser capaz de transcendê-los."
E aí, o que é o fenômeno da vontade? O que é a vontade para você?
É uma faculdade humana, onde existe o livre arbítrio, "existe uma liberdade de escolha que arbitra e decide"? É um sentimento que incita alguém a atingir o fim proposto por esta faculdade?
"Para Nietzsche era o impulso fundamental inerente a todos os seres vivos, que se manifesta na aspiração sempre crescente de maior poder de dominação." Para Schopenhauer é o princípio norteador da vida humana. Para ele, "a vontade corresponde à Coisa-em si, ela é o substrato último de toda realidade."
Arendt chama a atenção para outra perspectiva de escolha voluntária, quando impera uma necessidade, estando em jogo a própria vida. Toda vontade, segundo ela, implica em uma vontade de poder que, como nesse caso, se transforma em vontade de opressão, que nos coloca sob o jugo de outrem, de um governo maior que somos obrigados a acatar e nos adequar para sobreviver.
Nosso foco não recai sobre a vontade direcionada por essa exigência, mas sobre a liberdade da vontade, e nesse momento nosso objetivo é uni-la a uma Ética Superior, mais além do bem e do mal, e bem mais além da moral , com seus costumes temporários e suas regras para uma boa convivência. Citando Schopenhauer, a compreensão da Vontade faz aparecer todos os entes desde seu caráter único, o que leva, necessariamente a um sentimento de fraternidade e a uma prática de caridade e compaixão. E assim se expressa ainda: " A máscara do pensamento dissimula a vontade... A suprema felicidade somente pode ser conseguida pela anulação da vontade (querer mundano)". Como diferenciar o que é criado por nosso pensamento do que é a expressão de nossa alma, de nosso ser autêntico e verdadeiro, que habita bem lá dentro de nós?
Refletindo sobre nossas vivências, podemos verificar que "A ação da vontade, sobre nós, tem um prazo de validade, e seu vigor se exaure". No entanto, existe uma área em nosso mundo interno, onde a ação brota de um "princípio inspirador", expresso no ato realizador, que não perde seu vigor nem sua validade, que não se prende a nenhuma pessoa ou grupo em especial. Onde "ser livre" e "agir" são uma mesma coisa. O querer, o tesão sentido, o grau de satisfação alcançado, pertencem a outra dimensão humana. A sensação de leveza e de alegria são de outras grandezas, não nomeadas, e indescritíveis.
Que espaço é esse?
Esse é o nosso espaço interior destinado às virtudes. Você pode ler a palavra e analisar sob o aspecto formal ( letras, sílabas, sons, etc), com também pode verificar seu significado em um dicionário (força moral, valor; disposição firme e constante voltada para o bem), mas pode ir pelo caminho da obtenção de conhecimento por uma autoinvestigação. É estar aberto ao novo. É estar flexível a prováveis mudanças de convicções. É soltar o peso dos preconceitos acumulados, das crenças e conceitos disfuncionais ao seu bem-estar. É se libertar. É sentir-se livre. Como?
Eis uma dica: Já percebeu a leveza que vem ao pensar na frase sem julgamentos prévios: "Fazer o melhor que puder e ser o melhor"? Sinta o conteúdo da mensagem! Verifique se não percebe que "a perfeição está no próprio desempenho e se torna independente da ação", e que "a presença da liberdade é vivenciada em completa solidão". Reconheça dentro de você o espaço onde o homem aproxima sua vontade do conhecimento ético intuitivo , onde ele "sabe" o que é certo e se impede com prazer de fazer o contrário, onde ocorre uma alegre e serena renúncia interna por amor... por amor a si mesmo, como ser humano valorizado e vitorioso na conquista de sua dignidade pessoal.
Lembra de dois posts : "Otimizando recursos em tempo de crises" (outubro/2008) e "Você quer receber um presente meu?" (novembro/2008) ? Fica meu convite para revisitá-los.
Aurora Gite
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