terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Supervisão em Psicologia no Hospital Geral, no novo milênio?

Como premissa básica para se abordar o tema da "Supervisão em Psicologia" e se tentar falar em construção de um "modelo de supervisão", não se poderia deixar de focalizar a importância dos profissionais envolvidos terem bem definida sua visão de "um psicólogo em suas funções" e da "própria Psicologia". Tal fato influenciará na formação de sua conduta profissional, assim como a visão de cada autor, sobre o "Homem" e o próprio "Mundo", contribui com as diretrizes de suas construções teóricas.


Este texto foi enviado para a Divisão de Psicologia (USP) em julho de 1998. Não houve nenhum debate sobre as ideias contidas no mesmo, nem sobre sua aplicabilidade nesta data. Ocorreu o fenômeno conhecido por "engavetamento" sempre atendendo "disputas egóicas visando o poder", deixando de lado a evolução institucional e o crescimento meritório de seus colaboradores internos e equipes de trabalho. Na apresentação de algo novo, imperava a ameaça de "Nem pense em tomar meu lugar!".


Continuando o texto de 98: "Atualmente com a expansão da globalização, a transformação cultural dela decorrente e o acelerado processo tecnológico e informativo, torna-se imprescindível uma constante reavaliação de posturas fechadas e individualistas, e de teorias e técnicas menos abrangentes e sem embasamento científico, em prol de atitudes profissionais mais flexíveis e integradoras, e propostas de atuação dentro de perspectivas teóricas diversificadas."


Faço a ressalva que das 53 psicólogas que constavam do quadro oficial, a maioria era de psicanalistas (freudianas, lacanianas, uma seguindo a Teoria dos Campos - e desconsiderada por isso); uma fazia sua leitura dentro da linha analítica junguiana, uma atuava dentro da teoria cognitivo-comportamental...   Notava que as psicanalistas sempre se digladiavam na defesa de seus pontos de vista, deixando de lado, na discussão de casos clínicos, a colocação dos efeitos de suas atuações nos pacientes atendidos. Nessa época, eu era a única que defendia a adoção de uma linha compreensiva eclética, podendo o profissional se deslocar para várias perspectivas na escolha dos recursos de interpretação e instrumentação, conforme o quadro clínico demandasse. Ansiava pela introdução de um "jogral científico", substituindo painéis temáticos, onde profissionais, com a devida seriedade que a ciência demanda, expusessem sua diversidade de leitura e atuação, na análise do mesmo quadro clinico. Não havia interesse na introdução dessa inovação!


Convém deixar registrado que, como profissional concursada da Instituição Hospitalar, eu vinha de dois anos de Grupos de Estudos sobre Melanie Klein, encontrando mais facilidade na leitura das angústias e fantasias dos pacientes e no trabalho das mesmas no aqui e agora de cada sessão de atendimento aos mesmos. A Gestalt atraía minha atenção, bem como a linha humanista rogeriana e seu tripé para abordagem do paciente levando em conta a compreensão empática, congruência de postura e aceitação incondicional. Não foi difícil, com esta disponibilidade interna, após uma palestra proferida pela Prof. Dra.Yolanda Forghieri sobre Fenomenologia Existencial, discorrendo sobre o ser humano e seu "tornar-se" na plenitude de seu existir, de verificar ser este o espaço que me facultava a leitura do ser humano e seu sintoma, preservando minha liberdade e minha responsabilidade ética como profissional da área psíquica, sem pressões para rígidos enquadres teóricos emoldurarem meros casos clínicos. Indico: "Psicologia Fenomenológica: fundamentos, método e pesquisas", Yolanda Cintrão Forghieri. São Paulo: Pioneira, 1993, com conteúdos ainda atuais, é ler e conferir!


Já notava a necessidade de compreensão do ser humano em suas três dimensões (temporal, espacial e transcendental) que exclui visões psicológicas mais estáticas e voltadas para uma única direção humana. Haverá momentos terapêuticos, onde torna-se mister uma leitura no "eixo temporal", que envolve predominantemente aspectos passados, presentes e futuros, com a devida utilização de técnicas psicológicas e estratégias de determinadas linhas teóricas. Em outros contextos, a demanda inicial pode reportar a uma leitura no "eixo espacial", necessitando o psicólogo de novas instrumentações para possibilitar que seu paciente possa aliviar ou bloquear situações ambientais, que estejam interferindo negativamente em sua vida. Na época atual (julho, 1998) as necessidades do "eixo transcendental" - não confundir com crenças místicas ou superstições criadas por religiões fixadas em seus dogmas milenares - adquirem grande destaque, pois o homem encontra-se sob enorme pressão ante a acelerada mudança social, política e econômica, que o põe em contato com grande impotência e insegurança, e com as angústias e doenças, que esse quadro acarreta.. O confronto com questionamentos existenciais torna-se obrigatório. O resgate do sentido da vida e da importância do viver, para esses pacientes, novamente impele o profissional a buscar novos instrumentos técnicos, e a trabalhar, cada vez mais, a qualidade das relações internas e externas, a nível de energia física, psíquica e metafísica - aspecto que ganhou maior amplitude graças às descobertas da Física Quântica.


Ante o exposto, urge a reflexão sobre um modelo de supervisão embasada na Ciência e seu constante dinamismo. Algumas características como as humanistas, holísticas e sistêmicas, poderiam permeá-la, constituindo-se em pilares para a construção de um modelo aberto de supervisão. Esses pilares possibilitariam o respeito às individualidades e potencialidades tanto do supervisor, quanto do supervisionado, e inclusive do próprio paciente, cujo caso é trazido para a supervisão.


Registro minha decepção, então, ao ter diante de mim um supervisionado com bloquinho de papel, sem nenhuma leitura do quadro clínico ou interesse em uma forma pessoal de atendimento condizente à demanda particular daquele paciente, sem procurar se ater aos recursos de atenção flutuante sobre as configurações dos sintomas como formação de compromisso; nem da escuta da associação livre e encadeamento de ideias e representações, que lhe trariam dados sobre o inconsciente do paciente - já que lhe era direcionado pelas aulas curriculares do próprio Centro de Aprimoramento (CAP) e pela Divisão de Psicologia (DIP) para seguir a linha psicanalítica, que representava, e ainda representa, "discurso de poder" dentro da Instituição.

O que fazia como supervisora? Pedia registro das sessões, forma para que o supervisionando se ativesse à uma escuta psicanalítica e mantivesse sua atenção flutuante, indispensáveis no campo psicanalítico: já que não, naquele momento da supervisão, ele não se atinha à associação livre trazida pelo paciente, muito menos ao conteúdo latente em seu discurso, mas se fixava ao conteúdo manifesto, ao concreto do que era dito por ele. Ante o registro, por vezes, o supervisionando, surpreso, estabelecia correlações entre as falas, que lhe escapavam, ao relatar oralmente suas impressões sobre o paciente trazido para discussão de caso clínico, durante a sessão de supervisão.



domingo, 7 de janeiro de 2018

Físicos, Psicólogos e Psicanalistas: afiem suas ferramentas de trabalho!

Muitas descobertas advindas com a Física Quântica, sem dúvida clamando por novos paradigmas que envolvem a ciência, a psique humana, e nos mobilizando a novas visões e interpretações sobre o inconsciente freudiano e lacaniano. Muitos campos se expandindo no novo milênio,  com questionamentos sobre a validade de teorias reducionistas envolvendo o mundo psíquico. Urge a adoção de novas perspectivas e novas posturas na área de saúde mental, principalmente, com a relevância do foco eclético, que coloca no centro a condição humana do homem do século XXI, rejeitando procurar enquadrar seus sintomas em molduras teóricas estanques pré-existentes de anos. A meu ver, esse enquadramento, hoje em dia, representa mais uma afronta ao nosso dinamismo inconsciente (quântico?) e a nossa evolução adaptativa às interações ambientais.

Dezessete anos exercendo funções como psicóloga clínica na área de saúde mental em instituição hospitalar paulista de grande porte no que dizia respeito à tríade ensino-pesquisa-assistência, me senti frustrada por não ter conseguido alterar o paradigma dos seminários científicos com seus painéis sob tópicos com a mesma temática. Gostaria muito de ter assistido apresentações tipo jogral científico sobre um caso clínico, com a devida seriedade que caberia a profissionais de várias teorias, discorrendo sobre sua visão do mesmo, inclusive sobre suas ferramentas diversificadas de trabalho.

Há mais de 10 anos, essa proposta já envolveria conviver com diferenças ideológicas de forma tolerante e respeitosa. Para meu espanto, na época, vi a batalha de egos inflados, lutando por espaços de suas fanáticas convicções teóricas - muitas ultrapassadas por novos saberes. Para minha decepção, o império dentro da instituição hospitalar não estava voltado, na maioria de suas ações para os pacientes e colaboradores internos e externos, mas estavam debaixo de hierarquia de uma  organização burocrática. Acima da busca pela transparência das pesquisas inovadoras e de tratamentos alternativos produtivos, podia-se observar gestões ultraconservadoras buscando eficiência no acúmulo de patrimônio financeiro, acima do cultural e evolutivo que propiciasse "bem verdadeiro ao ser humano".

Regras morais buscavam manter rígidos padrões de conduta, afastando-se dos trâmites legais que preservavam a dignidade, honestidade, responsabilidade e liberdade de decisão de cada um dos envolvidos nas interações hospitalares em seus mais variados segmentos. Nesse ambiente deteriorado eticamente por competições acirradas onde pares eram denegridos, caluniados, difamados... como colocar questionamentos, dúvidas e vivências diferenciadas, sem sair ileso dos factoides e fake news, que facilmente eram espalhados dentro da instituição?

Indico um livro atual, que vai mais além da mera ficção, que descreve a fábrica de tramas conspiratórias e boatos especulativos, se utilizando da "manipulação de blogueiros" na criação de perfis falsos: "A Origem", de Dan Brown. São Paulo: Ed. Arqueiro, 2017. Todo processo difamatório descrito em detalhes, não difere muito do que ocorre na hipocrisia de instituições "robotizadas".

Interessante como Brown aponta o papel distorcido das tecnologias avançadas, da robótica, da ciência do cérebro, da inteligência artificial, da nanotecnologia... do inter-relacionamento de ideias e da função, por vezes nefasta, da mídia digital. Segundo ele, nos dias de hoje :"Quando um computador cria arte, quem é o artista? O computador ou o programador?" ... Se puder sobrepor a experiências passadas dentro da instituição hospitalar, quem cria o perfil dos colaboradores e as sinalizações de conduta a seguir?  Gestores desumanos em suas logísticas perversas ou seres humanos íntegros e dignos desempenhando funções burocráticas?

Muito me baseei em Amit Goswami, quando em entrevista no Canal Livre de anos atrás, enfrentando a jocosidade desrespeitosa de interlocutores que buscavam desconsiderar suas vivências, dissera que não estava ali para convencer ninguém, persuadir que acatassem as afirmações provindas de suas experiências diretas, muito menos demover alguém de suas convicções e crenças arraigadas. Indico seu livro "A Jornada Visionária: um guia para a iluminação por um físico quântico". Amit Goswami - São Paulo: Cultrix, 2006.

Na década de 70, vivenciei algumas experiências que Goswami descreve em seu livro e, ouso dizer, fui mais além, não tendo mais como negar dentro de mim, a existência do biomagnetismo e de uma energia quântica biológica. Não tinha como não reprimir minhas inquietudes e indagações, ante a arrogância narcísica de meus pares, "estudiosos" (?) dos processos psíquicos. Mas compartilhar como e com quem? A soberba de meus pares não os deixava disponíveis ao novo, que os fizesse refletir sobre a validade das convicções que embasavam suas ideias. Não suportavam pensar em adentrar no novo e ultrapassar os limites de ideias que na prática poderiam ser vislumbradas como obsoletas!

Continuo meus estudos seguindo minha hipótese de que Freud foi o primeiro a registrar a dinâmica quântica na mente do ser humano, e o pioneiro em manipular as operações quânticas que, a meu ver, constituem o mundo psíquico.

Acredito que a energia psíquica faz parte da Física Quântica (vide "O Tao da Física", de Fritjof Kapra, e "A Presença de Deus", de Viktor E. Frankl, fundador da Logoterapia). Há anos já deixara registrado que por auto-análise e observação na terapia de pacientes, inclusive fóbicos e terminais, notara a existência de uma instância inata endo-ética, além e aquém da instância superegóica freudiana. Percebia que, quando ajustávamos as energias psíquicas de nosso ser e de nosso existir, alcançávamos outra dimensão consciente, que me parecia coincidir com o chamado "salto quântico", uma imantação subatômica para outro nível mental (vide "As Memórias" de Cark G. Jung, em que narra sua trajetória e sua mediunidade, "O Espectro da Consciência" de Ken Wilber, filósofo com mais de 16 livros voltados para a espiritualidade e a ciência.

Acompanho o trajeto espiritual e a mobilização de nossa energia psíquica, relatado com detalhes por Goswami e fui além... observando a atuação da gravitação quântica, semelhante a uma mola imantada, que nos alça a atingir outra amplitude de consciência. Cito Wilber, que compara a consciência ao espectro eletromagnético e defende uma Psicologia Integrativa: " Tal como qualquer radiação eletromagnética, a consciência é uma, e se manifesta por uma multiplicidade de aspectos, de níveis ou de faixas, que correspondem aos diferentes comprimentos de ondas eletromagnéticas."
Assustada, confesso, acompanho também Wilber em sua compreensão da espiritualidade inerente ao ser humano e dos níveis diferenciados de consciência, como variação do comprimento de ondas eletromagnéticas (vide Ressonância Harmônica - videos YouTube - Hélio Couto).

No entanto, continuo não refutando minha hipótese inicial, que deixei registrada mais acima. Que será um "insight" freudiano a não ser um "salto quântico"? Que será um "orgasmo", a não ser um estado alterado de consciência? Onde atuará a 'Acupuntura", que alivia instantaneamente quadros de dor aguda? E por aí seguem meus questionamentos atuais...

Não nego minha surpresa, entretanto, com o entrelaçamento das ideias de Dan Brown, em seu livro de ficção "A Origem" na busca de resposta para as perguntas "De onde viemos?" e "Para onde vamos?" nos leva a refletir se a "Era da Religião" (institucionalizada) não está sendo absorvida pela "Era da Ciência"  (inteligência artificial computadorizada)! Uau... para onde vamos?


Para os que se interessam por futurologia cientificamente informada, indico a leitura de "A Física do Futuro: como a ciência moldara o destino humano e o nosso cotidiano em 2100", do físico Michio Kaku - Rio de Janeiro: Rocco, 2012"
"Com toda a probabilidade, em 2100 controlaremos computadores por meio de minúsculos sensores no cérebro e, como mágicos, moveremos objetos de um lado para o outro com o poder da mente. A inteligência artificial estará espalhada por todo ambiente, e lentes de contato conectadas à Internet nos permitirão acessar a base mundial de informações ou evocar qualquer imagem que desejemos com um piscar de olho... Minúsculos sensores de DNA e nanopartículas patrulharão nossas células sanguíneas e examinarão silenciosamente nosso corpo em busca do primeiro sinal de doença, enquanto rápidos avanços na pesquisa genética nos permitirão retardar ou talvez até reverter o processo de envelhecimento." E por aí vai Kaku! Uau... para onde vamos?

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Republico: Psicologia Integral de Ken Wilber - 2ª parte

Como não associar os fatos cotidianos à ideia junguiana sobre o fenômeno da sincronicidade? Tudo está em conexão... nada ocorre por acaso no Universo.

Procurando me inteirar das ideias de Ken Wilber e sua Psicologia Integral, mais fico curiosa por melhor conhecer suas articulações. Quem se interessar em ler trechos de seu livro "Psicologia Integral: Consciência, Espírito, Psicologia, Terapia", os mesmos acham-se disponíveis no site da Livraria Cultura.

Vale acompanhar o trajeto e interesse de Wilber, buscando levantar dados para escrever sobre uma História da Psicologia, que encerre "verdades", segundo ele: "A noção de inconsciente aparece, 30 anos antes de Freud, no livro "Philosophy of the Unconscious" de von Hartmann publicado em 1869"... expressando a filosofia de Schopenhauer. Continua Wilber: "Para Schopenhauer, sob a consciência individual existe uma consciência cósmica, a qual para a maior parte das pessoas é  inconsciente, mas que pode ser despertada e plenamente realizada, e esse processo de tornar consciente o inconsciente é o maior bem do homem e da mulher."

A concepção de ID, Freud tomou do "The Book of It" ou "O Livro do Isso", de Georg Groddeck, que se baseara na existência de um Tao, ou espírito universal orgânico, de natureza cósmica.

Em outro trecho (vide disponibilidade para leitura no site da Livraria Cultura), Wilber articula com as ideias de Gustav Fechner e sua introvisão de 22/10/1850, associando-as ao livro "Vida após a Morte", do mesmo Fechner, escrito em 1835, encontrado em suas visitas a um "sebo". Coincidência Inteligente? Assim comecei a chamar os encontros sincrônicos que nos ocorrem... Continuo com Wilber: " Fechner sustentava que todo o universo tem caráter espiritual, sendo que o mundo dos fenômenos físicos é meramente a manifestação externa dessa realidade espiritual...Os átomos são apenas os elementos mais simples de uma hierarquia que leva a Deus." Segundo Wilber, Fechner já propunha uma abordagem integral na Psicologia... E por aí vai em suas  articulações, buscando uma psicologia e técnicas psicoterapêuticas integrativas.

Vale uma experiência pessoal, sustentando as teorias de Wilber?
Leiam em meu blog http:// auroragite.blogspot.com postagem sob o título "Quer receber um presente meu" de 05 de novembro de 2008. Vale rever também "Consciência, Criatividade, Salto Quântico" postagem de 09 de dezembro de 2008.

E minha pesquisa vai caminhando... Wilber e sua Psicologia Integrativa, me foi muito importante, articulando informações do mundo ocidental e oriental, trazendo muita riqueza nesse sentido. (vide livro "O Espectro da Consciência")

Ken Wilber, em entrevistas, faz um retrospecto lembrando que a Psicologia Transpessoal advém da Psicologia Humanista da década de 1960. Coloca porque se afastou da Psicologia Transpessoal ante sai "visão holística da consciência na dimensão espiritual do ser humano" e, em 1998, fundou o Instituto Integral. Para ele, a variação do comprimento de ondas eletromagnéticas é responsável pelos níveis diferenciados de consciência. Reforça que defende uma abordagem integral para intervenções psicoterapêuticas atuais, assim como a utilização da leitura do espectro eletromagnético da consciência, para melhor compreensão e facultar a emersão, ou manifestação, da espiritualidade inerente a cada um de nós, que se encontra submersa dentro de todo ser humano.






Republico: Psicologia Integral de Ken Wilber - 1ª parte

Continuo meus estudos, seguindo minha hipótese de que Freud foi o primeiro a registrar a dinâmica quântica na mente do ser humano, e pioneiro em manipular as operações quânticas que, a meu ver, constituem o mundo psíquico.

Sem dúvida, cada vez mais chegamos perto de descobertas que unem a Física Quântica com a Espiritualidade do ser humano. A Fenomenologia já me aproximara da vivência de ser e existir, e da grandeza psíquica ao alinhar as forças da essência do homem com sua existência plena em seu bem estar singular (vide "Psicologia Fenomenológica: fundamentos, método e pesquisa", de Yolanda C. Forghieri, "A Psicologia Transpessoal" de Márcia Tabone e "QS-Inteligência Espiritual" da física Danah Zohar e Ian Marshall, seu marido, psiquiatra e terapeuta).

A meu ver, a energia psíquica faz parte da Física Quântica (vide "O Tao da Física" de Fritjof Kapra e "A Presença Ignorada de Deus" de Viktor E. Frankl, fundador da Logoterapia). Há  anos já deixara registrado que por autoanálise e observação  na terapia de pacientes, inclusive fóbicos e terminais, notara a existência de uma "instância endoética" inata, além e aquém da instância superegóica freudiana. Percebia que, quando ajustávamos essas energias psíquicas da essência ao modo de existir, alcançávamos outra dimensão consciente, que me parecia coincidir com o chamado salto quântico. (vide "As Memórias" de Carl G. Jung, em que narra sua trajetória e sua mediunidade; "A Janela Visionária" do físico quântico Amit Goswami, onde descreve os passos da jornada espiritual do ser humano; "O Espectro da Consciência" de Ken Wilber, com mais de 16 livros voltados para a espiritualidade e a ciência).

Acompanho o trajeto espiritual, relatado com detalhes por Goswami e fui além, observando a atuação de uma gravitação quântica, semelhante a uma mola imantada que alça nossa mente a outra dimensão consciente, que nos faculta atingir outra amplitude de consciência. Cito Wilber, que compara a consciência ao espectro eletromagnético: "Tal como qualquer radiação eletromagnética, a consciência é uma e se manifesta por uma multiplicidade de aspectos, de níveis ou de faixas, que correspondem aos diferentes comprimentos de ondas eletromagnéticas". Assustada, confesso que acompanho também Wilber.

Para meu espanto, chego ao "núcleo sagrado" e à "teoria do cuidar", de Donald Woods Winnicott, pediatra e psicanalista... Volto minha pesquisa para suas articulações a respeito do psiquismo do ser humano, que desconheço até este momento, sem afastar meu estudo mais aprofundado sobre a Psicologia Integral de Ken Wilber.

Todos pensadores, acima citados por mim, contribuíram para que juntasse mais informações teóricas a minhas vivências práticas como psicóloga clínica. Continuo não refutando minha hipótese inicial sobre Freud ter sido pioneiro em manipular nosso mundo interno quântico, que fiz constar do primeiro parágrafo desta postagem. Persisto não afastando minha proposição citada em outras postagens para a importância de, abandonando posições reducionistas centralizadoras e totalitárias,  se conquistar uma psicologia integrativa com sua abertura para agregar vários conhecimentos sobre o psiquismo e possíveis intervenções psicoterapêuticas (vide "Consciência, Criatividade, Salto Quântico" postagem de 09 de dezembro de 2009).

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

"Retroperspectiva quântica"

Retomo a divulgação dos passos de minha pesquisa, relendo "A Energia Psíquica" (Carl Gustav Jung), " A Janela Visionária" (Amit Goswami), "O Tao (Caminho) da Física" ( Fritjof Capra)... entre outros. Articulo com as ideias de Ken Wilber ("O Espectro da Consciência").

Vivenciei e acompanhei em pacientes em suas jornadas evolutivas os mesmos passos descritos por Goswami como uma "jornada espiritual": encontro com o "eu quântico", para além do ego.

Procuro sempre acolher "os mesmos fenômenos" envolvendo a condição humana, com "leituras compreensivas sob várias perspectivas" (Hannah Arendt).  Minha postura visa compreender a "dinâmica do fenômeno" sob um prisma, para buscar "além" novas análises, deslocando-me conforme a perspectiva ou o foco sobre ele. Considero a "visão eclética não reducionista" importante, ao escolher os instrumentos de intervenção mais eficientes na relação psicoterapêutica. O ser humano e a compreensão de seu sofrimento psíquico estão no centro de minha atenção, não um conjunto teórico fechado onde enquadrá-los.

O "alinhamento interno harmônico de energias" que integrem a existência moral com o estilo de vida, e a essência ou alma com a autenticidade ética inata, gera um nível superior de consciência. Acredito que o alinhamento interior das energias psíquicas estabeleça um "novo circuito subatômico", que gera um salto quântico e novo nível de consciência.

Sigo a hipótese inicial, que direciona minhas pesquisas, qual seja de que "o psiquismo faz parte da dinâmica quântica". Interações psíquicas se constituem de uma rede de operações subatômicas mais saltos quânticos propiciando estados alterados de consciência. Uma leitura quântica abrange a compreensão de relações de forças interpessoais imanentes e sincronias e sintonias externas ( encontro de forças de Spinoza e sincronicidade de Jung), donde redundam "experiências emocionais corretivas" e "insights". Penso que o "fenômeno transferencial em análise", observado por Freud, constitui um dos maiores exemplos de "vínculos do mundo quântico". Acredito que Freud foi o primeiro a detectar, estudar e descrever os mecanismos funcionais quânticos no mundo psíquico... e a operacionalizá-los.

Minha hipótese atual sobre o"fenômeno da morte" é que ocorra, além de toda degeneração do corpo físico, uma interrupção subatômica, um cessar da alquimia da energia e do pulsar eletrobioquímico em magnetocosmoespiritual. Esse, se desprendendo esse sistema da unidade que mantém o "processo de viver", e as conexões neurais deixando de existir no cérebro, assim como finalizando as memórias de vida intra e intercelulares, o "apego às lembranças", como o conhecemos,  "é dos vivos em relação aos mortos".

Penso que com a energia física eletrobioquímica cessando, novo circuito é gerado unicamente pela energia magnetocosmoespiritual , que ganha outra dimensão em contato com o "universo cósmico". Essa dimensão espiritual demanda uma leitura que envolve, a meu ver, "percepções a frequências vibratórias dentro do espectro de consciências mais elevadas" (ondas quânticas?) e novas captações telepáticas sensitivas (sem palavras emitidas - partículas quânticas?) , que envolvem a compreensão intuitiva de dinâmicas de sistemas mais sutis, também já citados e experienciados mediunicamente por Jung. Embora ainda desacreditados, como foram em sua época de vida, acredito que, com os "novos paradigmas unindo ciência e espiritualidade, a divulgação do intercâmbio e da comunicação dentro dessa linguagem energética, adquiram, neste milênio, o comprometimento com a seriedade e autenticidade que as atuais pesquisas científicas demandam.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Encontros Quânticos

Meu embalo veio ao ouvir os acordes e prestar atenção na letra da música de Paul Simon & Art Garfunkel: " Bridge Over Troubled Water" ( "Prelúdio para Sonhar e Amar"):

"É como sinto meu bebê, enchendo de alegria e energia o meu coração.

É como ouço minha filha Andréa me amparando e transmitindo um pouco de sua força. Minha memória guardou o tom de sua voz dizendo: "Mãe não se preocupe. Respeito seu gostar de viver só. Mas quando precisar, terá um espaço lá em casa e eu vou cuidar de você! Não se preocupe com sua velhice!"

É como escuto Andréa, minha amiga - que seria um de meus amparos na velhice e, com certeza, o anjo protetor de Cherrie e de Milady, se sobreviverem a mim (estão com 09 anos). Talvez vivam até completarem seus 12 anos! "E vou cuidar das duas também, se você não puder mais cuidar."

Andréa se despediu ao me comunicar "seu medo da solidão e da escuridão; seu frio ao percorrer o escuro corredor rumo ao desconhecido; seu pedido para que permanecesse por perto, pois ela se distanciava de mim indo por um caminho sem volta do qual tinha medo, muito medo ... e sentia frio, muito frio..." (Sensações ocasionadas pela abrupta interrupção quântica?).

Eu só não abarquei que "ela pressentia sua morte", que estava tão próxima! Não ultrapassaria seus 43 anos. Não escapou de um infarto fulminante como meu pai em seus 63 anos.

Agora só me resta a "sensação da energia quântica" e a "captação dessa sua energia atual", pelo calor, paz, aconchego... que me indicam sua aproximação. É no pensar nela e prestar atenção a esses sinais que a sinto perto de mim!

Esse passou a ser o elo, que me mantém unida à minha amiga Andréa; à minha filha Andréa; ao meu bebê Andréa; ao feto, em meu útero, já em sua "pulsação quântica", que busco agora "sintonizar".  Minha alma em contato com o espírito que foi Andréa!

Como não rever o filme "Amor Além da Vida" (1998), com Robin Williams?
Sinto que, como em uma cena do filme, um pai reconheceu pela lembrança do elo de ternura, "além das aparências", sua filha. O afeto não se perde pela desintegração do físico. É informação, a meu ver, que persiste, compartilhada pela energia contida no mundo subatômico dos "quanta".

Tanto ainda para a ciência descobrir!
Tanto ainda para o ser humano trilhar, até que a inteligência humana abarque essa compreensão!

Acredito que assim será o "reencontro com a energia quântica" que, em vida, chamei de "A n d r é a".

Lúcia Thompson

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Estar bem consigo mesmo: "Receita de um filho!"

Republico a postagem de Felipe, em seus 18 anos (hoje tem 25) apontando o caminho para sua mãe ficar bem consigo mesmo. Tive vontade de reler e compartilhar!

QUINTA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO DE 2010

Quer um filho assim de presente de Natal?

Tenho abordado muito que o "estar bem espiritualmente" e "autocentrado" propicia mais recursos mentais para o império da "razão", e maior presteza para discriminá-la de raciocínios lógicos "egóicos". A meu ver, reconhecendo e aceitando os pontos fracos e fortes, se pode optar por superá-los, buscando equilibrar a energia entre essas forças internas. Fraquezas sempre vão existir. No entanto, podem não implicar em vulnerabilidade, se buscar manter um centro de auto-referências transparente e fortalecido.

Na opção pela energia das virtudes ( e o "amor" me parece a maior delas) como fontes psíquicas integradoras, uma boa dica é buscar responder: "Será que eu mereço isso?". O critério do merecimento vale para auto-avaliação reflexiva e coragem para mudanças, tanto quanto para dar um basta a interações desgastantes.

Tudo isso parece "fácil" e "lindo" estando no papel? Quer um exemplo prático? Então leia essa carta, de um filho (18 anos) dirigida a uma mãe, de tal grandiosidade que merece ser compartilhada com todos vocês. Expressão de amor genuíno, acredito que possa "servir de empurrão" para muita gente. Foi transcrita literalmente:


" Mamãe linda,

Acho que um problema que herdei do vovô foi a baixa eloquência para lidar com pessoas muito próximas. O J. e o F. têm trabalhado isso em mim, com ótimos resultados, mas ainda é difícil. Tem algumas coisas que eu quero te falar. A primeira, que é a mais importante, é que eu te amo DEMAIS e não quero que você jamais chegue a sonhar em duvidar disso.

Se eu me afasto de vez em quando é porque não estou muito bem e não quero passar essa energia ruim pra você, afinal você precisa estar 100% positiva pra passar E superar essa fase.
Não tô muito legal porque o meu lado emocional, que sempre sustentou a falta financeira e as brigas em casa, deu uma batida MUITO forte, e está começando a cicatrizar agora. Não adianta insistir que eu não vou compartilhar isso com você; você tem muitas outras coisas em que eu preciso que você foque.

Mas essa minha fase me mostrou como é importante a gente estar sempre com os amigos, mais próximos e parecidos, BEM próximos de nós. Liga mais pra tia V., veja mais ela, marque um filme de vez em quando (mesmo que seja de dia de semana ou, quando estiver sem dinheiro, só um DVD mesmo). Você talvez não perceba, mas ela sempre te faz muito bem. Se abra mais com ela também, não tem ninguém que vai te entender melhor, já passaram por muitas coisas parecidas.

Não deixe a peteca cair. A mãe da minha irmã diz sempre pra ela que é ela a única pessoa que não acredita no próprio potencial, e vejo você com o mesmo problema. Tenha mais certeza do seu próprio talento na hora de falar.

Nunca apele pra sua situação, não é problema de ninguém como sua vida está; as pessoas só se preocupam com sua experiência e capacitação. Vale muito mais citar seus anos de administradora de consultório e ... do que sua vida sofrida de viúva com dois filhos. E isso vale pra QUALQUER lugar. Se correr atrás não tá adiantando, aprenda a voar. Sonhe cada vez mais alto, mas bata as asas para ir subindo atrás dele. Mexa-se mais! Não importa o quanto você esteja fazendo, SEMPRE é possível fazer mais. Tente diferente! Teclar a mesma tecla quebrada não vai resolver, pense em comprar outro teclado, nem que pra isso você tenha que vender, tudo o que der, do quebrado.

NUNCA diga que uma porta está trancada sem girar a maçaneta; é o que você mais tem feito ultimamente e isso me decepciona muitíssimo. Se, mesmo girando, a porta não abrir, empurre um pouco com muita força. Por fim, se ainda estiver fechada, procure nos seus bolsos, muitas vezes a chave está com você mesmo. Depois de ter certeza que aquela porta não vai te levar a lugar nenhum, sente...SÓ pelo tempo necessário para respirar fundo 10 vezes. É o suficiente para repor as energias. Se achar que não, tome um energético e lembre que tem gente te esperando no fim do caminho. Levante e vá em FRENTE. Para trás só haverão portas fechadas; você já testou todas.

Cuida do seu corpo. Você já dorme demais; se obrigue a deitar sempre às 23h e acordar às 6h, você vai ver como rende muito mais seu dia. No começo ( três primeiros dias) vai ser difícil, mas garanto que vale a pena. Faça sexo (nem acredito que tô falando isso pra minha mãe), definitivamente não quero saber quando e nem com quem, mas isso estimula a cabeça a trabalhar melhor e libera hormônios que nos dão ânimo pra tudo. Você é linda e interessantíssima, não tem dificuldades pra achar alguém pra um passatempo.

PARE de procurar alguém para ser sua base! Você só vai achar um amor quando tirar da cabeça que precisa de alguém pra por sua vida em ordem! Você é capaz e "vai ter que" fazer isso SOZINHA! Precisa de um amor pra compartilhar suas felicidades e aliviar as tristezas dele. Isso é que realmente nos faz bem num relacionamento. Se não tem alegrias para dividir, procure quem precisa de um ouvido, e ouça todos seus problemas. Pode parecer estranho, mas quando nos despertamos para ajudar alguém nossos problemas se mostram pequenos, como realmente são perto desse mundo todo.

Ouça seus próprios conselhos! Nem todos são propriamente bons, mas os melhores são os que você menos segue. Quando estiver sozinha, repasse tudo que você disse aos outros e aplique TUDO a você mesma. PARE de citar exemplos e SEJA você o exemplo. Procure cada vez menos dizer "Olhe como fulano está fazendo" e busque cada vez mais poder falar "Olhe como EU estou fazendo".

Quando precisar de dinheiro, ao invés de bater na porta de seu pai, bata na porta de alguma clínica e veja se não há alguma vaga. NÃO, você NÃO pode ter certeza de que a porta está trancada antes de girar a maçaneta, empurrar com força e procurar a chave. Pare de deixar as coisas passarem batidas, tudo, por menor que seja, deve ser levado em conta e analisado com muita cautela, a repercussão pode ser maior do que se espera.

Você definitivamente não precisa e nem vai ter quem te ajude a andar, você já aprendeu a fazer isso sozinha! Não procure bengalas, mas caminhos! Se parecer que não há nenhum, ache um facão e desbrave um. Uma mulher que passou pelo que você passou tem força pra isso. Não evite chorar, é um bem imenso lavar o que nos incomoda. No entanto, busque sorrir mais, veja vídeos engraçados, ouça piadas ou ligue para conversar com alguém cuja voz lhe agrada.

E, sempre que precisar de um abraço, você tem um filho, que te ama demais, de braços abertos pra te apertar bem forte. e dar uma chacoalhada nessa tua cabeça instável.

F.
05.10.10