Outra instância psíquica? Será? Minha intenção com esse título é mobilizar a reflexão do leitor leigo, e também motivá-lo, como ser humano, a investigar em seu psíquico os movimentos que ocorrem ante o que exponho. Minha expectativa quanto aos profissionais, da área psíquica e afins, é que cruzem dados e analisem com os que já possuem, lembrando que o ser humano é um só, e, o que for verdadeiro sobre ele, pode ser observado sob várias perspectivas.
Tudo começou com grande inquietude, revendo teorias ocidentais e orientais, buscando explicações que justificassem experiências de várias pessoas, inclusive minhas. Há muito pouco tempo tais experiências se tornaram objetos de estudo, e assim mesmo com restrições e descréditos preconceituosos. Há muito tempo as pessoas ousaram se expor e colocar a descoberto a experiência por que passaram sem serem taxadas de loucas, ou se considerarem portadoras de algum distúrbio mental.
Por outro lado, sempre me causou estranheza a variedade de teorias e o antagonismo, propagado ferrenhamente por seus defensores, sobre o ser humano. Tais radicalismos produziam, a meu ver, um reducionismo na visão do mundo psíquico do homem, e grande viés na leitura e interpretação dos dados pragmáticos. Fenômenos observados na prática clínica tinham que ser encaixados nas molduras teóricas preexistentes. O recorte sobre o ser humano tinha que se adaptar a esses enquadres conhecidos e avalizados. Os que nele não cabiam, ou eram modelados, ou eram excluídos e desprezados; mais ainda eram desqualificados, por não estarem dentro dos critérios científicos atuais.
Com a globalização, a era digital, novas tecnologias propiciando acompanhar passo a passo o funcionamento cerebral, surpreendentes descobertas sobre o genoma e a clonagem humana... e eis, nesse milênio, paradigmas e mais paradigmas dando cambalhotas e mais cambalhotas sem conseguirem se erguer ante a evidência do novo, que impõe outros modelos teóricos e busca imperiosa de outra conceituação, para se obter compreensões adequadas sobre os fenômenos observados.
Enfatizo o perigo de tentar abarcar a realidade e tentar trocas dialéticas sobre ela, buscando o uso de conceitos comuns. Infelizmente o mundo conceitual se tornou uma Torre de Babel , onde os signos da palavra passam a ser lidos da mesma forma, mas seu simbolismo e representações adquirem tal diferenciação de significados, que poucos se entendem. Também não se dão ao trabalho de estabelecerem os pontos referenciais de onde partem suas idéias, ou as perspectivas onde se colocam para emitirem seus pontos de vista. importante critério para colocar ordem na dialética dos discursos humanos.
Dando continuidade a minhas pesquisas, buscando comprovar minha hipótese de que a energia psíquica está atrelada á biofísica quântica, me deparo com a possibilidade da existência de uma outra instância psíquica, além do id-ego-superego freudianos.
Tal proposição me coloca em posição mais confortável podendo aproximar tantas mentes pensantes de personalidades geniais que se distanciaram, pois ao não se colocarem dentro da perspectiva do outro, não viam com encaixar seus pontos de vista também baseados em evidências clínicas e pessoais. E, ficava eu a refletir, onde está o sujeito psíquico, qual o lugar ocupado pelo ser humano no meio de tanta divergência. Mais ainda, seguindo minha intuição e me permitindo ser livre e pular de perspectiva a perspectiva, observava sob o referencial de cada um e constatava as evidências práticas, ousando testar suas técnicas operacionais na relação terapêutica, comprovando seus efeitos sobre meus pacientes e sobre mim mesma.
Minha proposta é que existe uma instância psíquica, só observada ao se deslocar o investimento das funções superegóicas. Considero a existência no sistema psíquico de duas vias, por onde circulam a energia, como ocorrem nos sistemas circulatório e respiratório. Penso que Piaget teria prazer em renascer para registrar as características da forma operacional contida nessa inteligência.
Para mim, libido (Freud) e energia psíquica (Jung), fazem parte do mesmo processo energético humano, se diferenciando pelas perspectivas sobre o ser psíquico. Pelo processo de individualização partimos do "não-ser psíquico" para a formação da personalidade, de nossa maneira de ser, e construção do nosso "ser e existir como sujeito", a ser transcendido por uma alquimia interior.
Através dessa transformação na qualidade da energia, ela é direcionada a uma "instância espiritual". Nova via de circulação da energia psíquica buscando o encontro do "Ser Psíquico" com sua autenticidade, liberdade e autonomia de ação, que tende a se dirigir ao "Não-Ser Psíquico", que não consiste em sua negação, mas na afirmação de nossa potência energética original.
A compreensão do "Ser" espiritualizado demanda novo aprendizado sobre sua simbologia (linguagem quântica?) e novos recursos interpretativos. Considero o "processo de individuação", enfatizado por Jung, como base para a "espiritualização", onde podem ser observadas novas capacitações humanas e diferentes operações psíquicas funcionais, voltadas a habilidades específicas como intuir, captar sensações e percepções superiores.
Penso que o processo de espiritualização tem a ver com a canalização da energia psíquica re-catexizada por novos valores: origem do Ser Espiritual Moral, característico da "instância espiritual". Aqui diferencio a moral superegóica da Moral Espiritual.
A primeira, moral superegóica - rédea externa ao "ser" - constituída pelo conjunto de regras e costumes, ditado por fatores externos ao indivíduo, com sua função limitadora do "eu" em sua inserção no social, facilitadora da convivência do indivíduo dentro da comunidade, mas criadora de um "querer", que depende de uma "vontade condicionada" ao livre arbítrio" desse indivíduo, para decidir e optar entre caminhos, que lhe são "oferecidos pelo mundo relacional à sua volta".
A segunda, Moral Espiritual, pertencente ao campo das "Virtudes", que, a meu ver, são valores espirituais advindos de fonte interna - essência do indivíduo - e que se constituem em forças intrínsecas, que o mobilizam a atuar de acordo com esse querer autônomo, essa "Vontade Livre" do espírito (da psique humana), que, por si só, se constitui na "disposição tensional para querer" que motiva o indivíduo a buscar se superar continuamente.
Como estamos diante de uma inteligência que se propaga por vibrações ondulatórias (quânticas?) - sincronias energéticas ou dissonâncias psíquicas - pesquiso, no momento, dados sobre o processo eletrolítico dessa alquimia. A água, por nós ingerida, tem a capacidade de aumentar as sinapses entre os neurônios... quantas hipóteses podemos construir, a partir daí, considerando o bioeletromagnetismo humano?
Aurora Gite
quinta-feira, 30 de junho de 2011
domingo, 19 de junho de 2011
Timidez: Medo ou Orgulho?
Gostei muito desse texto, assinado por Sirley Bittú, então repasso, Não conheço sua autora, mas me atraiu sua forma de descrever e analisar o fenômeno da timidez e sua dinâmica. No final teço algumas considerações sobre o fenômeno dentro de uma nova perspectiva para refletirmos sobre ele.
"O que eu faço com essa minha timidez?
A definição de timidez mais conhecida é a que se refere ao tímido como aquele que tem temor, receoso, acanhado, covarde. Pessoa que tem vergonha, sensitiva, pessoa que com tudo se melindra ou de grande suscetibilidade, aquele que facilmente se ofende. A definição de temor também é descrita em alguns dicionários como ato ou efeito de temer – susto, sentimento de reverencia ou respeito.
Prefiro dizer simplesmente, tímido é aquele que tem medo. Na infância o comportamento em relação ao medo é explicado e entendido pela capacidade da criança em discriminar fantasia de realidade. Ao passo que esta capacidade vai sendo aprimorada em sua relação no mundo, o medo naturalmente vai se adaptando ao que é esperado, ou seja, passa a ser um parâmetro de auto proteção.
As pessoas mais tímidas tendem a supervalorizar os possíveis riscos, assim o novo e o desconhecido torna-se assustador. O tímido está sempre muito preocupado em passar uma boa imagem para as pessoas, torna-se extremamente exigente consigo mesmo, apresentando por isso mais dificuldade de se relacionar, paquerar, namorar, expressar o que sente e o que pensa sobre as coisas.
A inibição geralmente é resultado do medo de falhar e com isso se sentir ridículo e incapaz. A timidez está diretamente relacionada ao amplo sentimento de competência. A nossa auto imagem é a percepção daquilo que acreditamos ser, e, quando ela é negativa, encontramo-nos numa prisão interna que nos leva a distorcer a realidade e por conseqüência nos retraímos.
O ser humano tem uma demanda de amor, necessita ser amado para se desenvolver, precisa sentir-se visto, percebido e aceito. Existem muitos estudos que relatam, que a falta de amor ou o desamor, principalmente nos primeiros anos de vida, interferem no desenvolvimento e na maturidade emocional do ser humano. O nosso sentimento de segurança e de auto confiança se configura ainda nesta fase, através das vivências de afeto e de confirmação pelas quais passamos.
Costumo dizer que nós passamos por dois úteros, um físico e um psicológico. Ambos nos geram para o mundo. O psicológico é formado por nossa matriz social, ou seja por nossa família, pelas pessoas com quem nos relacionamos e com as quais aprendemos e entendemos como devemos nos comportar. A educação é a via desse processo. E através dela aprendemos quem somos, o que somos e como somos. Nossa individualidade vai sendo lapidada pela visão de mundo de nossos pais, suas crenças, seus mitos e suas verdades.
São desses entendimentos que se desenvolve nossa AUTO-ESTIMA. A auto-estima é o resultado do afeto que aprendemos a dar a nós mesmos através do respeito e da aceitação daquilo que pensamos, sentimos e somos.
Através dela conquistamos nossos espaços e percebemo-nos merecedores de felicidade. É o resultado do amor que recebemos, não o amor gratuito mas aquele que ensina a retribuir, que ensina a noção de respeito ao outro e a si mesmo. Na primeira infância necessitamos da aprovação externa, e a reação das pessoas aos nossos atos também constitui fonte formadora da nossa auto-imagem e pode modificar ou influenciar nosso autoconceito que carregaremos durante a vida. Este autoconceito, esta percepção de si, dos próprios potenciais, de limites, e principalmente de seus desejos, estará sendo estimulado durante toda a nossa vida, através das diversas relações que estabelecemos.
Isto significa que a nossa família influencia a forma de nos percebermos, mas não a determina. A maturidade psicológica pode ser medida também pela nossa capacidade de nos auto-alimentarmos emocionalmente, passando então da necessidade de confirmação para apenas o desejo de sermos aceitos.
Isto não significa que somos como argila, moldados apenas pelas experiências externas. Nascemos com características físicas e com algumas psicológicas, herdadas. Trazemos conosco em nosso nascimento um potencial de saúde mas que precisa dessas provisões externas para se desenvolver.
Resumindo, a auto-estima é a capacidade do ser humano de sentir-se bem em relação a si próprio, o bastante para aceitar a rejeição não como uma afronta pessoal, mas como parte inevitável da vida. O indivíduo com auto-estima tem a capacidade de deixar a rejeição para trás e prosseguir. Aqueles que se aceitam agem livremente, permitindo a si mesmos atuar próximo ou no máximo de seu potencial. Expressar-se é contar sobre si, relacionar-se, assumir que se faz parte do mundo.
O TÍMIDO tem sua AUTO-ESTIMA baixa, frágil, ele sempre acha que todos estão olhando para ele, que o mundo roda em torno de sua atuação. Está preocupado em como os outros vão avaliar suas atitudes e comportamentos e com isso não tem coragem de assumir seus próprios desejos.
A timidez torna as pessoas propensas a interpretarem os acontecimentos de uma maneira ameaçadora, com isso sua autonomia torna-se prejudicada, precisando de algo ou alguém para sentir-se seguro e tranqüilo.
Em nossa atuação no mundo trabalhamos sempre em duas áreas a da ilusão (fantasia, crenças) e a da realidade (mundo objetivo). Nossas escolhas e formas de entender e de sermos no mundo nascem destes focos de atenção.
Se temos uma boa noção sobre quem somos e do que somos capazes, ou seja, de nossos potenciais e de nossas possibilidades, atuamos no mundo de forma mais autônoma e segura. O conhecimento de si mesmo, aliado à auto-estima são os fatores determinantes para mudar sua forma de se relacionar com o mundo.
A timidez incomoda cada vez mais. Em nossa sociedade competitiva aquele que não ousa, aquele que teme ser visto, ser percebido ou questionado em suas opiniões, tem mais dificuldade em se relacionar, conquistar seu espaço profissional e com isso alcançar o sucesso esperado pela sociedade e muitas vezes por si próprio.
Torna-se invariavelmente comum, receber em meu consultório pessoas que buscam se livrar desse sofrimento. Desde jovens que não conseguem se expor em sala de aula, apesar de saberem a matéria, ou mesmo não conseguem fazer amizade ou pertencer a um grupo, ou arriscar uma paquera, sentindo-se excluídos e rejeitados.Ou quando adultos, muitas vezes já profissionais, que sentem dificuldade de expressar seus conhecimentos, liderar grupos, agir com autoridade, estabelecer limites. Os tímidos sofrem e perdem oportunidades profissionais, relacionamentos pessoais, vivências, experiências, porque não se lançam no mundo. A sociedade prefere aquele que saiba defender suas idéias e seus pontos de vista. " ( Sirley Bittú)
Vamos nos aproximar de outras características deles e refletir sobre sua dinâmica?
Podemos verificar que sob o véu da timidez se encontra:
* uma pessoa sensitiva até melindrosa;
* insegura, receosa e acanhada, o que a faz supervalorizar possíveis riscos;
* com medo de cometer erros e de sentir-se ridicularizada ou incapaz;
* pessoa dotada de grande suscetibilidade, com tendência a se ofender com facilidade;
* tem dificuldade para se inteirar e refletir depois sobre eventuais críticas a seu respeito;
* tem tendência a se sentir culpada por tudo e carrasca castradora que inibe a si mesmo;
* juíz implacável consigo mesmo, se incapacita ante altas exigências e cobranças de performance;
* sua energia é investida na manutenção da imagem para os outros e evitar rejeições afetivas;
* demonstra pouca capacidade para lidar com agressividade (necessária na colocação de limites);
* tem dificuldade de dizer "não quero", reação adequada imediata a um desconforto;
* tem pouca flexibilidade consigo mesmo para conviver e para tolerar suas próprias falhas;
* apresenta obsessiva preocupação com as atitudes, reações e pensamentos dos outros;
* pessoa que adota como mecanismo de defesa, a própria timidez
* a timidez funciona
Fui interrompida bruscamente por um de nossos imprevisíveis "apagões" e quedas na energia elétrica. Mudou o rumo de minhas idéias e de meu projeto para essa postagem. Acredito ter sido providencial para exemplificar como lido com a vida.
Montei novo projeto em questões de segundos. Gostei dele e o aprovei internamente. Vou remeter o leitor desse blog a mergulhar dentro de si, investigar o fenômeno da timidez ( todos nós já o conhecemos em algum momento de nossas vidas) sob sua perspectiva de ser um mecanismo de defesa.
Lembrete: mecanismos de defesa surgem de operações mentais que nos são inconscientes, visam proteger a integração e harmonia de nosso aparelho psíquico. Contra o que?
Devolvo a pergunta: Se tomasse maior consciência de si, nesse momento, "o que é que" poderia causar a você uma angústia interna (dor psíquica) tão grande, que o ameaçasse com a possibilidade de uma desestruturação psíquica? Pense, estabeleça associações, lembre de situações em que se percebeu tímido, ou tomado por este "estado de acanhamento".
Agora volto ao "fenômeno da timidez": A "serviço do que" está a sua timidez? O que ela impede que venha tona, pois se vier irá lhe trazer desconforto e e desagradável sensação de ansiedade?
Já dei uma porção de pistas, que dão condições para o traçado do "perfil psicológico do tímido". A investigação fica com você agora. Sinta-se como um detetive desvendando seu interior. Isso é válido para muitos fenômenos psíquicos, que observar dentro de você.
Mas, como tudo na vida envolve "vontade" ou "autêntico querer" entrego a você o pacote de suas ilusões e fantasias para suas reflexões sobre elas, e possíveis futuras decisões se for confrontado com a necessidade de mudanças para "ser feliz".
Novo lembrete: a dica não é para acionar sua "vontade" ligada ao seu "livre arbítrio", ao seu "intelecto e cognição abstrata", onde tem que optar entre fatores externos a você. A dica é para tentar entrar em contato com sua "vontade livre" ou sua "liberdade verdadeira como ser humano", ligada ao querer profundo de seu espírito, captado por sua "Razão e cognição intuitiva".
Sei que agora é capaz de melhor lidar com aquilo que o angustia e se aliar à vontade de investir em você rumo ao seu "ser livre e feliz", meta de todo "ser humano". Torço para que tenha coragem e ousadia para esse empreendimento. Não é fácil! Mas depois, a visão do alto, da serena plenitude, faz tudo ter valido a pena!
Aurora Gite
"O que eu faço com essa minha timidez?
A definição de timidez mais conhecida é a que se refere ao tímido como aquele que tem temor, receoso, acanhado, covarde. Pessoa que tem vergonha, sensitiva, pessoa que com tudo se melindra ou de grande suscetibilidade, aquele que facilmente se ofende. A definição de temor também é descrita em alguns dicionários como ato ou efeito de temer – susto, sentimento de reverencia ou respeito.
Prefiro dizer simplesmente, tímido é aquele que tem medo. Na infância o comportamento em relação ao medo é explicado e entendido pela capacidade da criança em discriminar fantasia de realidade. Ao passo que esta capacidade vai sendo aprimorada em sua relação no mundo, o medo naturalmente vai se adaptando ao que é esperado, ou seja, passa a ser um parâmetro de auto proteção.
As pessoas mais tímidas tendem a supervalorizar os possíveis riscos, assim o novo e o desconhecido torna-se assustador. O tímido está sempre muito preocupado em passar uma boa imagem para as pessoas, torna-se extremamente exigente consigo mesmo, apresentando por isso mais dificuldade de se relacionar, paquerar, namorar, expressar o que sente e o que pensa sobre as coisas.
A inibição geralmente é resultado do medo de falhar e com isso se sentir ridículo e incapaz. A timidez está diretamente relacionada ao amplo sentimento de competência. A nossa auto imagem é a percepção daquilo que acreditamos ser, e, quando ela é negativa, encontramo-nos numa prisão interna que nos leva a distorcer a realidade e por conseqüência nos retraímos.
O ser humano tem uma demanda de amor, necessita ser amado para se desenvolver, precisa sentir-se visto, percebido e aceito. Existem muitos estudos que relatam, que a falta de amor ou o desamor, principalmente nos primeiros anos de vida, interferem no desenvolvimento e na maturidade emocional do ser humano. O nosso sentimento de segurança e de auto confiança se configura ainda nesta fase, através das vivências de afeto e de confirmação pelas quais passamos.
Costumo dizer que nós passamos por dois úteros, um físico e um psicológico. Ambos nos geram para o mundo. O psicológico é formado por nossa matriz social, ou seja por nossa família, pelas pessoas com quem nos relacionamos e com as quais aprendemos e entendemos como devemos nos comportar. A educação é a via desse processo. E através dela aprendemos quem somos, o que somos e como somos. Nossa individualidade vai sendo lapidada pela visão de mundo de nossos pais, suas crenças, seus mitos e suas verdades.
São desses entendimentos que se desenvolve nossa AUTO-ESTIMA. A auto-estima é o resultado do afeto que aprendemos a dar a nós mesmos através do respeito e da aceitação daquilo que pensamos, sentimos e somos.
Através dela conquistamos nossos espaços e percebemo-nos merecedores de felicidade. É o resultado do amor que recebemos, não o amor gratuito mas aquele que ensina a retribuir, que ensina a noção de respeito ao outro e a si mesmo. Na primeira infância necessitamos da aprovação externa, e a reação das pessoas aos nossos atos também constitui fonte formadora da nossa auto-imagem e pode modificar ou influenciar nosso autoconceito que carregaremos durante a vida. Este autoconceito, esta percepção de si, dos próprios potenciais, de limites, e principalmente de seus desejos, estará sendo estimulado durante toda a nossa vida, através das diversas relações que estabelecemos.
Isto significa que a nossa família influencia a forma de nos percebermos, mas não a determina. A maturidade psicológica pode ser medida também pela nossa capacidade de nos auto-alimentarmos emocionalmente, passando então da necessidade de confirmação para apenas o desejo de sermos aceitos.
Isto não significa que somos como argila, moldados apenas pelas experiências externas. Nascemos com características físicas e com algumas psicológicas, herdadas. Trazemos conosco em nosso nascimento um potencial de saúde mas que precisa dessas provisões externas para se desenvolver.
Resumindo, a auto-estima é a capacidade do ser humano de sentir-se bem em relação a si próprio, o bastante para aceitar a rejeição não como uma afronta pessoal, mas como parte inevitável da vida. O indivíduo com auto-estima tem a capacidade de deixar a rejeição para trás e prosseguir. Aqueles que se aceitam agem livremente, permitindo a si mesmos atuar próximo ou no máximo de seu potencial. Expressar-se é contar sobre si, relacionar-se, assumir que se faz parte do mundo.
O TÍMIDO tem sua AUTO-ESTIMA baixa, frágil, ele sempre acha que todos estão olhando para ele, que o mundo roda em torno de sua atuação. Está preocupado em como os outros vão avaliar suas atitudes e comportamentos e com isso não tem coragem de assumir seus próprios desejos.
A timidez torna as pessoas propensas a interpretarem os acontecimentos de uma maneira ameaçadora, com isso sua autonomia torna-se prejudicada, precisando de algo ou alguém para sentir-se seguro e tranqüilo.
Em nossa atuação no mundo trabalhamos sempre em duas áreas a da ilusão (fantasia, crenças) e a da realidade (mundo objetivo). Nossas escolhas e formas de entender e de sermos no mundo nascem destes focos de atenção.
Se temos uma boa noção sobre quem somos e do que somos capazes, ou seja, de nossos potenciais e de nossas possibilidades, atuamos no mundo de forma mais autônoma e segura. O conhecimento de si mesmo, aliado à auto-estima são os fatores determinantes para mudar sua forma de se relacionar com o mundo.
A timidez incomoda cada vez mais. Em nossa sociedade competitiva aquele que não ousa, aquele que teme ser visto, ser percebido ou questionado em suas opiniões, tem mais dificuldade em se relacionar, conquistar seu espaço profissional e com isso alcançar o sucesso esperado pela sociedade e muitas vezes por si próprio.
Torna-se invariavelmente comum, receber em meu consultório pessoas que buscam se livrar desse sofrimento. Desde jovens que não conseguem se expor em sala de aula, apesar de saberem a matéria, ou mesmo não conseguem fazer amizade ou pertencer a um grupo, ou arriscar uma paquera, sentindo-se excluídos e rejeitados.Ou quando adultos, muitas vezes já profissionais, que sentem dificuldade de expressar seus conhecimentos, liderar grupos, agir com autoridade, estabelecer limites. Os tímidos sofrem e perdem oportunidades profissionais, relacionamentos pessoais, vivências, experiências, porque não se lançam no mundo. A sociedade prefere aquele que saiba defender suas idéias e seus pontos de vista. " ( Sirley Bittú)
Vamos nos aproximar de outras características deles e refletir sobre sua dinâmica?
Podemos verificar que sob o véu da timidez se encontra:
* uma pessoa sensitiva até melindrosa;
* insegura, receosa e acanhada, o que a faz supervalorizar possíveis riscos;
* com medo de cometer erros e de sentir-se ridicularizada ou incapaz;
* pessoa dotada de grande suscetibilidade, com tendência a se ofender com facilidade;
* tem dificuldade para se inteirar e refletir depois sobre eventuais críticas a seu respeito;
* tem tendência a se sentir culpada por tudo e carrasca castradora que inibe a si mesmo;
* juíz implacável consigo mesmo, se incapacita ante altas exigências e cobranças de performance;
* sua energia é investida na manutenção da imagem para os outros e evitar rejeições afetivas;
* demonstra pouca capacidade para lidar com agressividade (necessária na colocação de limites);
* tem dificuldade de dizer "não quero", reação adequada imediata a um desconforto;
* tem pouca flexibilidade consigo mesmo para conviver e para tolerar suas próprias falhas;
* apresenta obsessiva preocupação com as atitudes, reações e pensamentos dos outros;
* pessoa que adota como mecanismo de defesa, a própria timidez
* a timidez funciona
Fui interrompida bruscamente por um de nossos imprevisíveis "apagões" e quedas na energia elétrica. Mudou o rumo de minhas idéias e de meu projeto para essa postagem. Acredito ter sido providencial para exemplificar como lido com a vida.
Montei novo projeto em questões de segundos. Gostei dele e o aprovei internamente. Vou remeter o leitor desse blog a mergulhar dentro de si, investigar o fenômeno da timidez ( todos nós já o conhecemos em algum momento de nossas vidas) sob sua perspectiva de ser um mecanismo de defesa.
Lembrete: mecanismos de defesa surgem de operações mentais que nos são inconscientes, visam proteger a integração e harmonia de nosso aparelho psíquico. Contra o que?
Devolvo a pergunta: Se tomasse maior consciência de si, nesse momento, "o que é que" poderia causar a você uma angústia interna (dor psíquica) tão grande, que o ameaçasse com a possibilidade de uma desestruturação psíquica? Pense, estabeleça associações, lembre de situações em que se percebeu tímido, ou tomado por este "estado de acanhamento".
Agora volto ao "fenômeno da timidez": A "serviço do que" está a sua timidez? O que ela impede que venha tona, pois se vier irá lhe trazer desconforto e e desagradável sensação de ansiedade?
Já dei uma porção de pistas, que dão condições para o traçado do "perfil psicológico do tímido". A investigação fica com você agora. Sinta-se como um detetive desvendando seu interior. Isso é válido para muitos fenômenos psíquicos, que observar dentro de você.
Mas, como tudo na vida envolve "vontade" ou "autêntico querer" entrego a você o pacote de suas ilusões e fantasias para suas reflexões sobre elas, e possíveis futuras decisões se for confrontado com a necessidade de mudanças para "ser feliz".
Novo lembrete: a dica não é para acionar sua "vontade" ligada ao seu "livre arbítrio", ao seu "intelecto e cognição abstrata", onde tem que optar entre fatores externos a você. A dica é para tentar entrar em contato com sua "vontade livre" ou sua "liberdade verdadeira como ser humano", ligada ao querer profundo de seu espírito, captado por sua "Razão e cognição intuitiva".
Sei que agora é capaz de melhor lidar com aquilo que o angustia e se aliar à vontade de investir em você rumo ao seu "ser livre e feliz", meta de todo "ser humano". Torço para que tenha coragem e ousadia para esse empreendimento. Não é fácil! Mas depois, a visão do alto, da serena plenitude, faz tudo ter valido a pena!
Aurora Gite
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Participe!
Há muito tempo, venho observando as interações familiares e a dinâmica que envolve a relação entre adultos, adolescentes, crianças, e idosos, tentando imaginar como serão esses agrupamentos nesse milênio de relacionamentos virtuais, robotizados ante a aridez afetiva que se alastra, agora também encoberta pela distância do isolamento voluntário de seres humanos. Exceções tentam enfrentar esse turbilhão, mas parece que adentram um "tornado social" que os engole e os transforma em párias da nova sociedade, por enquanto... Assim espero!
Para exemplificar pego famílias nos dois extremos financeiros:
De um lado os mais abastados que passaram anos encouraçados na ansiedade neurótica de nosso tempo, correndo atrás de melhor administração do tempo, para poder dar conta de todos os seus compromissos; e quebrando a cabeça nos planejamentos e melhores estratégias para permanecerem no mercado competitivo e perverso, conservando seus espaços de liderança. É fácil comprovar onde sua eficiência os levou.
Suas moradias são de dar inveja. Ao nelas adentrar tem-se a impressão de estar em amplos locais cinematográficos não só bem mobiliados, mas com aparelhos eletrônicos de primeira linha. Seus corpos são tratados academicamente sendo seus cartões de visita empresarial. Também reveladores de seu "status social" são os cuidados alimentares. Sua geladeira conserva o desenho de uma logística parcimoniosa, voltada para uma conservação do equilíbrio de seus sistemas orgânicos e harmonia da comunicabilidade entre eles, quase beirando ao excesso. Reconhecem eles que fatores genéticos, ou variáveis do mundo externo totalmente disfuncionais, podem interferir em suas sadias lideranças. Seu quadro de funcionários consegue manter tudo limpo e organizado, o que lhes faculta expressar sua preguiça e comodismo ante um não arrumar camas, ou saídas a trabalho sem horários de retorno em finais de semana. Aí tentam controlar o ambiente e estabelecer limites de aproximação: fumantes não, bebidas controladas incluindo cafézinhos, doces sob vigilância total, manipulação da violência televisiva, exposição na internet em bate-papos ou sites do gênero nem pensar...Enfim, tudo sob controle! O real mascarado e o social peneirado de acordo com suas regras de bem viver.
Tento brincar com suas crianças, sempre bem vestidas e de mãos limpas, que têm atenção familiar e a melhor das intenções, sendo levadas a cursos de natação, tênis, futebol, guitarra, inglês, além das aulas curriculares; a clubes, cinemas e teatros, a percorrer livrarias, e a constantes disputas nos jogos eletrônicos:
Espalho vários carrinhos, miniaturas interessantes em sua perfeição, e são muitas... muitas. Tento usar minha capacidade de imaginar, partir para o reino da fantasia e começar a articular estórias. Primeiro agrupo por cores, tentando atrair os menores; depois parto para estacionamento buscando organizá-los por tamanhos; depois para filas em lava-jato e postos de gasolina tentando avaliar sua capacidade de estabelecer prioridades e lidar com a frustração da espera e seu grau de solidariedade.
Monto a casinha de bonecas, a mobilio e tento também articular estórias aproveitando a família de bonecos até com o cachorrinho fazendo parte. Aproveito a quantidade de bichinhos e construo um jardim zoológico avisando que irão visitá-los após o almoço. Fogão e panelinhas em cima dele faziam antever sua proximidade. Sinto falta das sonhadoras associações que impedem a destruição do reino da fantasia. Sinto falta do aconchego afetuoso capaz de articular vínculos entre os bonecos que interagiam.
E novamente o que aparecia eram o desinteresse e o tédio, que os fazia correr em busca dos Ds da vida, robotizados frente a telinha de um game-boy (nintendo ds). De repente, me chamam para participar. Oba! Lá vou eu... mas para meu espanto, me dão outro Ds explicando que cada um teria o seu e que um poderia interferir no jogo do outro (?). Bem brincaríamos juntos então, até que enfim! Ledo engano, seu prazer infantil estava em correr atrás de meu "mario" lhe dar vários socos, erguê-lo sobre sua cabeça o deixando impotente e jogá-lo dentro de um lago, impedindo sua caminhada. Todo esse processo valia risos e risos, e a sensação de ter-se tornado um vencedor na vida. Uau! Foi a exclamação de meu peito oprimido.
Virei a cabeça ante a percepção de um sussurro sobre outra criança:"Ele não tem dormido bem, sempre ansioso, tem medo de ficar só. Fala de noite, levanta, anda. Para sairmos a empregada tem de dormir no quarto dele, até voltarmos. E quantas vezes não vai para nossa cama, ou vamos dormir com ele. Tudo para ele tem que ser perfeito, ou é um fracasso. É perfeccionista ao extremo! Cumpre regras ao pé da letra. Não se sente bem frustrado, mas não ataca, fica mais quieto..." E por aí foi a conversa. E dentro de mim uma angústia oprimindo o peito:Uau!
Passo a percorrer outro mundo, ao ser contaminada pelo outro extremo financeiro:
"Mistura" quando se tem, senão o "rango" é arroz e feijão; pode faltar fruta, mas não cerveja... e muita pois a casa sempre está com amigos da família. Tudo bagunçado, é trabalho fora mais trabalho para os outros, sem ninguém para ajudar na organização da casa e o tempo de lazer é de ver tv, jogar baralho, tomar cervejinha, fumar adoidado, contar piadas... Crianças? Estão presentes, mas existem e suas necessidades como pessoas são escutadas? "Adoramos crianças, soltas ao redor com suas mãos e bocas sujas lambuzadas de doces, quando se tem ... mas que aprendam o seu lugar e se virem! Primos, amiguinhos da vizinhança, que venham... tendo dividimos. Se puderem trazer algo, ótimo; senão damos um jeito (?)." Cozinha com pratos sujos sobre a mesa e panelas e louças empilhadas na pia. E, para os de casa: "Estão com fome? Tem miojo no armário. Estamos abertos aos DRs (Discutir Relações), desde que..." Traduzo: desde que sigam o que dizem, pelo poder autoritário de pais, que se atribuíram. Uau!
Todo material, usado por uma faxineira, no quartinho dos fundos, esperando dinheiro para contratar uma. Ah, prioridades! Estruturar a vida para quê? Tá dando para pagar as contas. O resto empurramos para frente. Deixar de viver o momento? Estamos com visitas, nosso vizinho do lado! Esquecem que a vida, nesse "jogar para frente" não nos permite escrever nossa história em rascunhos, para depois os recuperarmos para passarmos a limpo. Não nos dá essa oportunidade. Sempre temos que conviver com as consequências de nossas escolhas imediatas, no aqui e agora de nosso presente.
E eu, sentindo a angústia de meu self (essência), no momento,também aprisionado, pela falta de recursos para estabelecer contato real e humano com essas crianças, só podia torcer para que elas conseguissem "sobreviver" em sua individualidade e humanidade. Não vai ser fácil! No entanto, sei que, como seres humanos, não podemos escapar desse "encontro marcado conosco mesmo". Uau!
Para aliviar minha angústia, eis o que me caiu às mãos e suscitou essas reflexões:
"As crianças aprendem aquilo que vivem...
Se uma criança vive criticada, aprende a condenar.
Se uma criança vive com maus tratos, aprende a brigar.
Se uma criança vive humilhada, aprende a se sentir culpada.
Se uma criança é estimulada, aprende a confiar.
Se uma criança é valorizada, aprende a valorizar.
Se uma criança vive no equilíbrio, aprende a ser justa.
Se uma criança vive em segurança, aprende a ter fé.
Se uma criança é bem aceita, aprende a respeitar.
Se uma criança vive na amizade, aprende a ser amiga,
Aprende a encontrar o "amor" no mundo.
A responsabilidade é de todos pelas futuras gerações. Participe!!!"
Adoro movimentar meu mundo interno e meu pensar, minha maior riqueza pois me une a minha essência humana. Através das reflexões, surgem tantas articulações, pensamentos se entrecruzam, minhas idéias brotam. Resolvi aderir à convocação para participar, com essas dicas para todos nós, seres humanos:
"Pus-me assim a refletir:
Todos nós ajudamos a construir o mundo em que nossas crianças vivem
Como preferimos vê-las?
Encouraçadas ou robotizadas como pessoas,
Aprisionadas em si-mesmas,
Ou libertas em sua autenticidade e espontaneidade?
Participemos como cidadãos, cada um a seu modo
Quer seja espalhando nossas reflexões a respeito do que ocorre ao redor delas,
E nossa esperança de contribuírmos para educação de um "ser livre e feliz"!
E os idosos? Não toquei neles, não é?
Acredito que, em meio a discriminações sociais, reais e naturais, tenham muitas aberturas no mundo de relacionamentos virtuais. Os novos recursos interativos podem contrabalançar com suas limitações físicas e aposentadorias ociosas. Muitos podem deixar de ser "mortos-vivos", aproveitar a telinha do computador e programas como a internet, para colocar suas idéias pelo mundo a fora como "cidadãos ressuscitados". Inclusive pela aquisição de nova identidade virtual e liberdade para troca de conhecimentos, podem conquistar novo espaço físico. Deixam a qualidade de dependentes e tornam-se sujeitos responsáveis pela escrita de sua história novamente. Agora que se apossaram de suas vidas suas ações dependem de suas vontades, escolhas e decisões. Podem se considerar incluídos no mundo mais ativamente nesse milênio, optando por viver e descobrir a alegria da vida em sua alma. Eu me orgulho deles!
Muitos, no entanto, estão com seu "querer" tão atolado na areia movediça da depressão, que se afundam, cada vez mais, na categoria de excluídos sofredores. A frágil e temporária bóia medicamentosa não mais os sustenta, só os lança no torpor ilusório, que torna seus corpos passivos e impotentes. Suas cabeças se mantém expostas e seus olhos fixos numa tela de tv ou computador... até que sua idosa fiação interna se enferruge de vez pela intoxicação, que os consome, e que acaba oxidando sua alma de simples "ser sobrevivente". Uau!
Para exemplificar pego famílias nos dois extremos financeiros:
De um lado os mais abastados que passaram anos encouraçados na ansiedade neurótica de nosso tempo, correndo atrás de melhor administração do tempo, para poder dar conta de todos os seus compromissos; e quebrando a cabeça nos planejamentos e melhores estratégias para permanecerem no mercado competitivo e perverso, conservando seus espaços de liderança. É fácil comprovar onde sua eficiência os levou.
Suas moradias são de dar inveja. Ao nelas adentrar tem-se a impressão de estar em amplos locais cinematográficos não só bem mobiliados, mas com aparelhos eletrônicos de primeira linha. Seus corpos são tratados academicamente sendo seus cartões de visita empresarial. Também reveladores de seu "status social" são os cuidados alimentares. Sua geladeira conserva o desenho de uma logística parcimoniosa, voltada para uma conservação do equilíbrio de seus sistemas orgânicos e harmonia da comunicabilidade entre eles, quase beirando ao excesso. Reconhecem eles que fatores genéticos, ou variáveis do mundo externo totalmente disfuncionais, podem interferir em suas sadias lideranças. Seu quadro de funcionários consegue manter tudo limpo e organizado, o que lhes faculta expressar sua preguiça e comodismo ante um não arrumar camas, ou saídas a trabalho sem horários de retorno em finais de semana. Aí tentam controlar o ambiente e estabelecer limites de aproximação: fumantes não, bebidas controladas incluindo cafézinhos, doces sob vigilância total, manipulação da violência televisiva, exposição na internet em bate-papos ou sites do gênero nem pensar...Enfim, tudo sob controle! O real mascarado e o social peneirado de acordo com suas regras de bem viver.
Tento brincar com suas crianças, sempre bem vestidas e de mãos limpas, que têm atenção familiar e a melhor das intenções, sendo levadas a cursos de natação, tênis, futebol, guitarra, inglês, além das aulas curriculares; a clubes, cinemas e teatros, a percorrer livrarias, e a constantes disputas nos jogos eletrônicos:
Espalho vários carrinhos, miniaturas interessantes em sua perfeição, e são muitas... muitas. Tento usar minha capacidade de imaginar, partir para o reino da fantasia e começar a articular estórias. Primeiro agrupo por cores, tentando atrair os menores; depois parto para estacionamento buscando organizá-los por tamanhos; depois para filas em lava-jato e postos de gasolina tentando avaliar sua capacidade de estabelecer prioridades e lidar com a frustração da espera e seu grau de solidariedade.
Monto a casinha de bonecas, a mobilio e tento também articular estórias aproveitando a família de bonecos até com o cachorrinho fazendo parte. Aproveito a quantidade de bichinhos e construo um jardim zoológico avisando que irão visitá-los após o almoço. Fogão e panelinhas em cima dele faziam antever sua proximidade. Sinto falta das sonhadoras associações que impedem a destruição do reino da fantasia. Sinto falta do aconchego afetuoso capaz de articular vínculos entre os bonecos que interagiam.
E novamente o que aparecia eram o desinteresse e o tédio, que os fazia correr em busca dos Ds da vida, robotizados frente a telinha de um game-boy (nintendo ds). De repente, me chamam para participar. Oba! Lá vou eu... mas para meu espanto, me dão outro Ds explicando que cada um teria o seu e que um poderia interferir no jogo do outro (?). Bem brincaríamos juntos então, até que enfim! Ledo engano, seu prazer infantil estava em correr atrás de meu "mario" lhe dar vários socos, erguê-lo sobre sua cabeça o deixando impotente e jogá-lo dentro de um lago, impedindo sua caminhada. Todo esse processo valia risos e risos, e a sensação de ter-se tornado um vencedor na vida. Uau! Foi a exclamação de meu peito oprimido.
Virei a cabeça ante a percepção de um sussurro sobre outra criança:"Ele não tem dormido bem, sempre ansioso, tem medo de ficar só. Fala de noite, levanta, anda. Para sairmos a empregada tem de dormir no quarto dele, até voltarmos. E quantas vezes não vai para nossa cama, ou vamos dormir com ele. Tudo para ele tem que ser perfeito, ou é um fracasso. É perfeccionista ao extremo! Cumpre regras ao pé da letra. Não se sente bem frustrado, mas não ataca, fica mais quieto..." E por aí foi a conversa. E dentro de mim uma angústia oprimindo o peito:Uau!
Passo a percorrer outro mundo, ao ser contaminada pelo outro extremo financeiro:
"Mistura" quando se tem, senão o "rango" é arroz e feijão; pode faltar fruta, mas não cerveja... e muita pois a casa sempre está com amigos da família. Tudo bagunçado, é trabalho fora mais trabalho para os outros, sem ninguém para ajudar na organização da casa e o tempo de lazer é de ver tv, jogar baralho, tomar cervejinha, fumar adoidado, contar piadas... Crianças? Estão presentes, mas existem e suas necessidades como pessoas são escutadas? "Adoramos crianças, soltas ao redor com suas mãos e bocas sujas lambuzadas de doces, quando se tem ... mas que aprendam o seu lugar e se virem! Primos, amiguinhos da vizinhança, que venham... tendo dividimos. Se puderem trazer algo, ótimo; senão damos um jeito (?)." Cozinha com pratos sujos sobre a mesa e panelas e louças empilhadas na pia. E, para os de casa: "Estão com fome? Tem miojo no armário. Estamos abertos aos DRs (Discutir Relações), desde que..." Traduzo: desde que sigam o que dizem, pelo poder autoritário de pais, que se atribuíram. Uau!
Todo material, usado por uma faxineira, no quartinho dos fundos, esperando dinheiro para contratar uma. Ah, prioridades! Estruturar a vida para quê? Tá dando para pagar as contas. O resto empurramos para frente. Deixar de viver o momento? Estamos com visitas, nosso vizinho do lado! Esquecem que a vida, nesse "jogar para frente" não nos permite escrever nossa história em rascunhos, para depois os recuperarmos para passarmos a limpo. Não nos dá essa oportunidade. Sempre temos que conviver com as consequências de nossas escolhas imediatas, no aqui e agora de nosso presente.
E eu, sentindo a angústia de meu self (essência), no momento,também aprisionado, pela falta de recursos para estabelecer contato real e humano com essas crianças, só podia torcer para que elas conseguissem "sobreviver" em sua individualidade e humanidade. Não vai ser fácil! No entanto, sei que, como seres humanos, não podemos escapar desse "encontro marcado conosco mesmo". Uau!
Para aliviar minha angústia, eis o que me caiu às mãos e suscitou essas reflexões:
"As crianças aprendem aquilo que vivem...
Se uma criança vive criticada, aprende a condenar.
Se uma criança vive com maus tratos, aprende a brigar.
Se uma criança vive humilhada, aprende a se sentir culpada.
Se uma criança é estimulada, aprende a confiar.
Se uma criança é valorizada, aprende a valorizar.
Se uma criança vive no equilíbrio, aprende a ser justa.
Se uma criança vive em segurança, aprende a ter fé.
Se uma criança é bem aceita, aprende a respeitar.
Se uma criança vive na amizade, aprende a ser amiga,
Aprende a encontrar o "amor" no mundo.
A responsabilidade é de todos pelas futuras gerações. Participe!!!"
Adoro movimentar meu mundo interno e meu pensar, minha maior riqueza pois me une a minha essência humana. Através das reflexões, surgem tantas articulações, pensamentos se entrecruzam, minhas idéias brotam. Resolvi aderir à convocação para participar, com essas dicas para todos nós, seres humanos:
"Pus-me assim a refletir:
Todos nós ajudamos a construir o mundo em que nossas crianças vivem
Como preferimos vê-las?
Encouraçadas ou robotizadas como pessoas,
Aprisionadas em si-mesmas,
Ou libertas em sua autenticidade e espontaneidade?
Participemos como cidadãos, cada um a seu modo
Quer seja espalhando nossas reflexões a respeito do que ocorre ao redor delas,
E nossa esperança de contribuírmos para educação de um "ser livre e feliz"!
E os idosos? Não toquei neles, não é?
Acredito que, em meio a discriminações sociais, reais e naturais, tenham muitas aberturas no mundo de relacionamentos virtuais. Os novos recursos interativos podem contrabalançar com suas limitações físicas e aposentadorias ociosas. Muitos podem deixar de ser "mortos-vivos", aproveitar a telinha do computador e programas como a internet, para colocar suas idéias pelo mundo a fora como "cidadãos ressuscitados". Inclusive pela aquisição de nova identidade virtual e liberdade para troca de conhecimentos, podem conquistar novo espaço físico. Deixam a qualidade de dependentes e tornam-se sujeitos responsáveis pela escrita de sua história novamente. Agora que se apossaram de suas vidas suas ações dependem de suas vontades, escolhas e decisões. Podem se considerar incluídos no mundo mais ativamente nesse milênio, optando por viver e descobrir a alegria da vida em sua alma. Eu me orgulho deles!
Muitos, no entanto, estão com seu "querer" tão atolado na areia movediça da depressão, que se afundam, cada vez mais, na categoria de excluídos sofredores. A frágil e temporária bóia medicamentosa não mais os sustenta, só os lança no torpor ilusório, que torna seus corpos passivos e impotentes. Suas cabeças se mantém expostas e seus olhos fixos numa tela de tv ou computador... até que sua idosa fiação interna se enferruge de vez pela intoxicação, que os consome, e que acaba oxidando sua alma de simples "ser sobrevivente". Uau!
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
"Sem Palavras..."
Realmente é tanta informação unindo a perspectiva transpessoal às pesquisas modernas, que divulgo o conteúdo dessa conferência, agradecendo a oportunidade do contato a Arnaldo Jardim, seu tradutor. (http://www.aljardim.com.br/pt.htm)
Após essa leitura, eu estou "sem palavras"! Acredito que possa auxiliar muitas pessoas que ousam e têm a audácia, como psicoterapeutas, de estarem abertos à dimensão do ser humano que está sendo desvendada nesse milênio.
PSICOLOGIA TRANSPESSOAL _____________
Breve História da Psicologia Transpessoal
Stanislav Grof, M.D., Ph.D.
Tradução de Álvaro Jardim
Abertura da 16ª Conferência da ITA Palm Springs, CA, EUA. Junho de 2004.
No meio do século vinte, a psicologia americana foi dominada pelas duas maiores escolas – o behaviorismo e a psicologia freudiana. O aumento da insatisfação com essas duas orientações, como abordagens adequadas para a psique humana, levou ao desenvolvimento da psicologia humanística. O principal porta-voz e o maior articulador representativo desse novo campo foi o bem-conhecido psicólogo americano Abraham Maslow.
Ele fez uma crítica incisiva às limitações do behaviorismo e da psicanálise, ou a primeira e a segunda forças em psicologia, como ele as chamou, e formulou os princípios de uma nova perspectiva em psicologia (Maslow 1969). A principal objeção de Maslow, contra o comportamentalismo, foi que o estudo de animais, tais como ratos e pombos, pode somente esclarecer aqueles aspectos do funcionamento humano que compartilhamos com esses animais. O estudo, então, não tem relevância para a compreensão das mais elevadas qualidades especificamente humanas, que são únicas para a vida humana, tais como o amor, a autoconsciência, a autodeterminação, a liberdade pessoal, a moralidade, a arte, a filosofia, a religião e a ciência. O estudo é também amplamente sem utilidade em relação a algumas características negativas especificamente humanas, tais como a ganância, o desejo ardente pelo poder, a crueldade e a tendência à “agressão maligna”. Ele também criticou a falta de interesse pela consciência e a introspecção dos behavioristas e seu foco exclusivo sobre o estudo do comportamento.
Ao contrário, o interesse primário da psicologia humanística, terceira força de Maslow, foi em motivos humanos e sua disciplina honrou o interesse pela consciência e pela introspecção como complementos importantes para o objetivo da abordagem para pesquisa. A ênfase exclusiva dos comportamentalistas na determinação pelo ambiente, estímulo/resposta e recompensa/punição, foi substituída pela ênfase da capacidade dos seres humanos de serem direcionados internamente e motivados a alcançarem a auto-realização e seu completo potencial humano.
Maslow afirmou, em sua crítica à psicanálise, que Freud e seus seguidores extraíram conclusões sobre a psique humana, principalmente, dos estudos da psicopatologia e discordou de seu reducionismo biológico e de sua tendência a explicar todos os processos psicológicos em função dos instintos básicos.
Por comparação, a psicologia humanística focou sobre as populações saudáveis, ou mesmo em indivíduos que apresentaram funcionamento supranormal, em várias áreas (“crescimento de ponta da população” de Maslow), sobre o potencial e crescimento humano e sobre as mais elevadas funções da psique. Também, enfatizou, que a psicologia tem que servir a importantes objetivos e interesses da sociedade humana e ser sensível às necessidades humanas práticas.
Dentro de poucos anos, após Abraham Maslow e Anthony Sutich lançarem a Association for Humanistic Psychology (AHP) e seu jornal, o novo movimento se tornou extremamente popular entre os profissionais da saúde mental americanos e mesmo para o público geral. A perspectiva multidimensional da psicologia humanística e sua ênfase sobre a pessoa, como todo, trouxe um amplo leque para o desenvolvimento de um rico espectro de uma nova abordagem terapêutica efetiva, que expandiu bastante o alcance das possibilidades de lidar com o emocional, o psicossomático, o interpessoal e os problemas psico-sociais.
Entre as importantes características, dessa nova terapia, estava uma decisiva mudança da estratégia exclusivamente verbal, da psicoterapia tradicional, para uma expressão direta das emoções e da exploração da história do indivíduo e da motivação do inconsciente para os processos dos pensamentos e sentimentos dos clientes, no aqui e agora.
Um outro aspecto importante, dessa revolução terapêutica, foi a ênfase da interconexão da psique e do corpo e a superação do tabu contra o toque, previamente dominante no campo da psicoterapia; várias formas de trabalho corporal, formando assim uma parte integral da nova estratégia de tratamento. A Gestalt terapia de Fritz Perls, a bioenergética de Alexander Lowen e outras abordagens neo-reichianas, os grupos de encontro e as sessões de maratona podem ser mencionadas, aqui, como exemplos de destaque de terapias humanísticas.
A despeito da popularidade da psicologia humanística, seus fundadores, Maslow e Sutich, se tornaram insatisfeitos com o modelo conceitual que eles, originalmente, tinham criado. Eles se tornaram, cada vez mais conscientes, que deixaram de fora um elemento extremamente importante -- a dimensão espiritual da psique humana (Sutich, 1976).
O renascimento do interesse em várias tradições místicas, em meditação, em sabedoria aborígine e antiga e em filosofias orientais, bem como, na experimentação psicodélica, muito difundida durante os tempestuosos anos 60, deixou absolutamente claro, que uma abrangente e trans-cultural psicologia válida tinha que incluir observações de tais áreas, como os estados místicos, a consciência cósmica, as experiências psicodélicas, o fenômeno do transe, a criatividade e a inspiração científica, religiosa e artística.
Em 1967, um pequeno grupo de trabalho, que incluía Abraham Maslow, Anthony Sutich, Stanislav Grof, James Fadiman, Miles Vich e Sonya Margulies se encontraram em Menlo Park, Califórnia, com o propósito de criar uma nova psicologia que pudesse honrar o espectro inteiro da experiência humana, incluindo os vários estados incomuns de consciência. Durante essas discussões, Maslow e Sutich aceitaram a sugestão de Grof e deram, à nova disciplina, o nome de "psicologia transpessoal". Esse termo substituiu o nome original "trans-humanístico”, dado por eles próprios, ou “estender além da preocupação humana”. Posteriormente, logo em seguida, eles fundaram a Association of Transpersonal Psychology (ATP), e lançaram o Journal of Transpersonal Psychology. Vários anos mais tarde, em 1975, Robert Frager fundou o (California) Institute of Transpersonal Psychology, em Palo Alto, que tem permanecido o mais avançado estágio da educação, pesquisa e terapia transpessoal, por quase três décadas.
A Psicologia Transpessoal, ou a Quarta Força, aloja a mais errônea concepção da corrente principal da psiquiatria e da psicologia, no que diz respeito à espiritualidade e à religião. Também responde a importantes observações da pesquisa moderna da consciência e de vários outros campos, para os quais o paradigma científico existente não tem explicações adequadas.
Michael Harner, um antropólogo americano com boas credenciais acadêmicas, que também experienciou uma poderosa iniciação xamânica, durante seu campo de trabalho no Amazonas, sumarizou os defeitos da psicologia acadêmica, muito sucintamente, no prefácio de seu livro, “O Caminho do Xamã” (Harner 1980).
Ele sugeriu que a compreensão da psique, na civilização industrial, está seriamente direcionada para dois importantes caminhos: o etnocêntrico e o cognocêntrico (um termo melhor poderia provavelmente ser pragmacêntrico).
Ele é etnocêntrico, no sentido que tem sido formulado e promovido pelos cientistas materialistas Ocidentais, que consideram suas próprias perspectivas serem superiores àquelas de quaisquer outros grupos humanos, em qualquer época da história. De acordo com eles, a matéria é o principal e vida, consciência e inteligência são produtos de um lado quase acidental. A espiritualidade, em alguma forma e nível de sofisticação, reflete ignorância dos fatos científicos, superstição, regressão a padrões infantis de funcionamento, autodecepção e pensamento mágico primitivo. Experiências espirituais diretas, envolvendo domínios e figuras arquetípicas, são vistas como produtos patológicos do cérebro.
As correntes psiquiátricas modernas interpretam as experiências visionárias, dos fundadores das grandes religiões, santos e profetas, como manifestações de sérias doenças mentais, embora falte razão médica adequada e os dados de laboratório apóiem essa posição.
A literatura psiquiátrica contém numerosos artigos e livros que discutem o que poderia ser mais apropriado à diagnose clínica para muitas das grandes figuras da história espiritual. Santo Antônio tem sido chamado de esquizofrênico, São João da Cruz rotulado de “hereditariedade degenerativa”, Santa Teresa D’Ávila tem sido destituída de sua condição e vista como uma severa psicótica histérica e as experiências místicas de Maomé têm sido atribuídas à epilepsia. Muitos outros religiosos e personagens espirituais, tais como Buda, Jesus, Ramakrishna e Sri Ramana Maharshi têm sido vistos como psicóticos, por causa de suas experiências visionárias e “fraude”.
Similarmente, alguns antropólogos, tradicionalmente treinados, têm questionado se os xamãs deveriam ser diagnosticados como esquizofrênicos, psicóticos ambulantes, epiléticos ou histéricos. O famoso psicanalista Franz Alexander, conhecido como um dos fundadores da medicina psicossomática, escreveu um artigo no qual até a meditação budista é descrita, em termos psicopatológicos, e referida como “catatonia artificial” (Alexander 1931).
Enquanto a psicologia e a psiquiatria Ocidentais descrevem os rituais e a vida espiritual das culturas nativas e antigas em termos patológicos, excessos perigosos da civilização industrial, que põem a vida no planeta potencialmente em perigo, têm se tornado uma parte integral de nossas vidas que, raramente, atraem atenção específica dos clínicos e pesquisadores e não recebem rótulos patológicos.
Nós testemunhamos, diariamente, manifestações de ganância insaciável e agressão maligna – pilhagem de fontes não-renováveis levando-os à poluição industrial, violação crítica do meio natural para a sobrevivência pela destruição nuclear, derrame de venenos químicos e óleo em grande quantidade, abuso de descobertas científicas em física, química e biologia para o desenvolvimento de armas de destruição em massa, invasão de outros países resultando em massacres de civilizações e genocídio, e planejando operações militares que poderiam matar milhões de pessoas.
Os principais engenheiros e protagonistas de tais estratégias prejudiciais e de cenários do dia do julgamento não somente caminham livremente, mas estão ricos e famosos, possuem posições poderosas na sociedade e recebem várias honras.
Pelas mesmas razões, as pessoas que têm potencialmente estados místicos de transformação de vida, episódios de morte e renascimento psicoespiritual, ou experiências de vida passada terminam hospitalizadas, com diagnósticos estigmatizados e medicação psicofarmacológica supressiva. Isso é o que Michael Harner fez referência como a parcialidade etnocêntrica em estimar o que é normal e o que é patológico.
De acordo com Michael Harner, a psiquiatria e a psicologia Ocidental também mostram uma forte parcialidade cognocêntrica. Com isso ele quer dizer que, essas disciplinas formularam essas teorias com base em experiências e observações de estados comuns de consciência e têm, sistematicamente, evitado ou interpretado, de forma inadequada, a evidência dos estados incomuns, tais como as observações da terapia psicodélica, das poderosas psicoterapias experienciais, dos trabalhos com indivíduos em crises psicoespirituais, de pesquisa da meditação, dos campo de estudos antropológicos ou da tanatologia.
Os dados da quebra de paradigma dessas áreas de pesquisa têm sido ou ignorados, sistematicamente, ou mal julgados e mal interpretados, por causa de sua incompatibilidade fundamental com o paradigma condutor.
No texto precedente, eu usei o termo estado incomum de consciência. Antes de continuarmos nossa discussão, uma clarificação semântica parece ser apropriada. O termo estado incomum de consciência está sendo usado, na maioria das vezes, pelos pesquisadores que estudam esses estados e reconhecem o seu valor.
A corrente principal de psiquiatras prefere o termo estados alterados, que reflete essa crença de que somente o estado diário de consciência é normal e tudo que advém dele, sem exceção, representa distorções patológicas da percepção correta da realidade e não tem um potencial positivo.
Entretanto, mesmo o termo estados incomuns é muito amplo para o propósito de nossa discussão.
A psicologia transpessoal está interessada em um significativo subgrupo, desses estados, que tem um potencial heurístico, curativo e mesmo evolucionário. Isso inclui experiências dos xamãs e seus clientes, aqueles iniciados em rituais nativos de passagem e antigos mistérios de morte e renascimento, de praticantes espirituais e místicos de todas as idades e de indivíduos em crises psicoespirituais (“emergências espirituais”) (Grof e Grof 1989, 2001).
Nos estágios iniciais de minha pesquisa, descobri, para minha grande surpresa, que a principal corrente psiquiátrica não tinha nome para esse importante subgrupo de estados incomuns e não leva em consideração todos os demais, como é o caso de “estados alterados”. Porque senti, fortemente, que eles merecem ser distinguidos dos demais e se situam dentro de uma categoria especial, cunhei para eles o nome holotrópico (Grof 1992).
Essa palavra composta significa literalmente “orientada em direção ao todo” ou “movendo em direção ao todo” (do grego holos = todo e trepein = movendo em direção a ou em direção a alguma coisa).
Esse termo sugere que, em nosso estado de consciência diário, nós nos identificamos apenas com uma pequena fração de quem realmente somos. Nos estados holotrópicos, podemos transcender os limites estreitos do corpo egóico e encontrar um rico espectro de experiências transpessoais, que nos ajuda a obter nossa identidade total.
Eu tenho descrito, em um diferente contexto, a característica básica dos estados holotrópicos e como eles diferem das condições que são referidas, como estados alterados de consciência (Grof 2000). Para maior clareza, eu usarei o termo holotrópico, na discussão seguinte.
A psicologia transpessoal tem feito um significante progresso em direção a correção da tendência etnocêntrica e cognocêntrica da principal corrente da psiquiatria e psicologia, particularmente pelo seu reconhecimento da natureza genuína das experiências transpessoais e seus valores.
À luz da pesquisa moderna da consciência, a patologização atual e a destituição orgulhosa da espiritualidade, característica do materialismo monístico, parece insustentável. Em estados holotrópicos, as dimensões espirituais da realidade podem ser diretamente experienciadas de um modo que é tão convincente como nossas experiências diárias do mundo material, se não, até mais.
Experiências espirituais diretas aparecem em duas formas diferentes:
- A primeira delas, a experiência da imanência divina, é caracterizada pela, sutilmente, mas profundamente transformada, percepção da realidade diária. A pessoa que está tendo essa forma de experiência espiritual vê pessoas, animais e objetos inanimados no meio, como manifestações radiantes de um campo unificado de energia cósmica criativa. Tem uma percepção direta da natureza imaterial do mundo físico e compreende que os limites entre os objetos são ilusórios e irreais. Esse tipo de experiência da realidade tem uma qualidade nitidamente numinosa e corresponde ao deus sive natura de Spinoza ou natureza de Deus. Usando a analogia com a televisão, essa experiência pode ser comparada a uma situação onde um filme em preto e branco poderia subitamente mudar para uma vívida “cor viva”. Quando isso acontece, muito da velha percepção de mundo permanece no lugar, mas é radicalmente redefinida pela adição de uma nova dimensão.
- A segunda forma de experiência espiritual, a da transcendência divina, envolve a manifestação dos reinos e seres arquetípicos da realidade que são ordinariamente trans-fenomenais, na qual a percepção não está disponível no estado de consciência diário. Nesse tipo de experiência espiritual, os novos elementos parecem “se revelar” ou “se explicar” inteiramente, para os termos apropriados de David Bohm, de um outro nível ou ordem de realidade. Quando nós retornamos à analogia com a televisão, isso parece estar revelando, para nossa surpresa, que lá existem outros canais, além daqueles, que nós estávamos previamente assistindo, acreditando que nosso ajuste da TV apresentava somente um canal.
O assunto de importância crítica é, com certeza, a natureza ontológica da experiência espiritual, descrita acima. Podem ser interpretados e rejeitados como fantasmagoria, sem significado, produzidos por um processo patológico, que afeta o cérebro, ainda a ser descoberto e identificado pela ciência moderna, ou refletem, objetivamente, as dimensões existentes da realidade, que não são acessíveis ao estado ordinário de consciência.
O cuidadoso estudo sistemático das experiências transpessoais mostra que eles são ontologicamente reais e contêm informações sobre importantes dimensões da existência ordinariamente ocultas, que podem ser consensualmente validadas (Grof 1998, 2000).
Num certo sentido, a percepção do mundo em estado holotrópico é mais acurada do que nossa percepção diária dele.
A física quântica-relativista tem mostrado que a matéria é essencialmente vazia e que todos os limites no universo são ilusórios. Sabemos hoje que o que aparece para nós como discretos objetos estáticos são, atualmente, condensações dentro de um campo de energia una (integrada), dinâmica.
Essa descoberta está em conflito direto com a “percepção de pedestre” do mundo e traz para a mente o conceito hindu de maya, um princípio metafísico capaz de gerar um convincente fac-símile do mundo material.
E a natureza objetiva dos domínios arquetípicos e históricos e do inconsciente coletivo foi demonstrada por C.G. Jung e seus seguidores, anos antes, pelas evidências coletadas, através da pesquisa psicodélica e das novas terapias experienciais que as confirmaram, além de qualquer dúvida razoável.
Somando-se a isso, é possível descrever, passo-a-passo, os procedimentos e os contextos apropriados que facilitam o acesso a essas experiências; isso inclui os procedimentos não-farmacológicos, tais como as práticas de meditação, música, dança, exercícios de respiração e outras abordagens que não podem ser vistas como agentes patológicos por nenhuma ampliação da imaginação.
O estudo dos estados holotrópicos, também, confirmou o insight de C. G. Jung de que as experiências que se originam em níveis mais profundos da psique (em minha própria terminologia experiências “perinatal” e “transpessoal”) têm uma certa qualidade que chamou (após Rudolph Otto) numinosidade (Jung 1964).
O termo numinoso é relativamente neutro e, portanto, preferível a outros nomes similares, tais como religioso, místico, mágico, santo ou sagrado, os quais têm sido freqüentemente usados em contextos problemáticos e são facilmente enganadores.
O senso de numinosidade está baseado em apreensões diretas do fato que estamos encontrando, um domínio que pertence a uma ordem superior de realidade, o qual é sagrado e radicalmente diferente do mundo material.
Prevenir mal-entendido e confusão, que no passado conciliou muitas discussões similares, é crítico, para fazer uma clara distinção entre espiritualidade e religião.
A espiritualidade está baseada em experiências diretas dos aspectos e dimensões incomuns da realidade. A mediação do contato com o divino não requer um lugar especial ou uma pessoa designada oficialmente. Os místicos não necessitam de igrejas ou templos. O contexto no qual eles experienciam as dimensões sagradas da realidade, incluindo sua própria divindade, são seus corpos e a natureza. E ao invés do ofício de padre, os místicos necessitam de um grupo de apoio de companheiros buscadores ou a orientação de um professor que está mais avançado nas jornadas internas do que eles próprios.A espiritualidade envolve um tipo especial de relacionamento entre o indivíduo e o cosmos e é, em sua essência, um evento pessoal e privado.
Por comparação, a religião organizada é uma atividade de grupo institucionalizada que acontece em um local designado, um templo ou uma igreja e envolve um sistema de oficiais nomeados que podem ou não podem ter tido experiências pessoais de realidades espirituais. No momento em que uma religião se organiza, freqüentemente, perde completamente a conexão com sua fonte espiritual e se torna uma instituição secular que explora as necessidades espirituais humanas, sem satisfazê-las.
As religiões organizadas tendem a criar sistemas hierárquicos focados na perseguição do poder, do controle, da política, do dinheiro, das posses e outros interesses seculares. Sob essas circunstâncias, a hierarquia religiosa via de regra desagrada e desencoraja experiências espirituais diretas em seus membros, porque criam independência e não podem ser efetivamente controlados. Quando esse é o caso, a vida espiritual genuína continua apenas nos ramos místicos, nas ordens monásticas e nas seitas extáticas das religiões envolvidas.
Enquanto está claro que o fundamentalismo e o dogma religioso são incompatíveis com a visão do mundo científico, baseada no paradigma Newtoniano-Cartesiano ou no novo paradigma, não há razão para não devermos estudar seriamente a natureza e as implicações das experiências transpessoais.
Como Ken Wilber mostrou em seu livro “A Sociable God” (Wilber 1983), não há possibilidade de conflito entre a ciência genuína e a religião autêntica. Se parece haver tal conflito, estamos lidando muito provavelmente com "falsa ciência" e "falsa religião", onde um lado tem um sério mal-entendido em relação à posição do outro e representa muito provavelmente uma versão falsa ou enganosa de sua própria disciplina.
A Psicologia Transpessoal, como nasceu no final dos anos sessenta, era culturalmente sensível e tratou das tradições espirituais e rituais das culturas nativas e antigas com o respeito que elas mereciam, na visão das descobertas da pesquisa moderna de consciência. Também acolheu e integrou um amplo espectro de “fenômenos anômalos”, as observações da quebra de paradigma que a ciência acadêmica tem sido incapaz de aceitar e explicar.
Entretanto, embora abrangente e bem substanciado, o novo campo representou uma radical saída do pensamento acadêmico dos círculos profissionais, que não pode ser reconciliado tanto com a psicologia e a psiquiatria tradicionais como com o paradigma newtoniano-cartesiano da ciência Ocidental.
Como um resultado disso, a psicologia transpessoal estava extremamente vulnerável pelas acusações de ser "irracional", "não científica" e mesmo "tendenciosa”, particularmente pelos cientistas que não estavam conscientes do vasto corpo de observações e dados nos quais o novo movimento estava embasado.
Esses críticos também ignoraram o fato de que muitos dos pioneiros desse movimento revolucionário tinham impressivas credenciais acadêmicas. Eles criaram e abraçaram a visão transpessoal da psique humana não porque eram ignorantes das suposições fundamentais da ciência tradicional, mas porque descobriram a velha estrutura conceitual seriamente inadequada e incapaz de expor essas experiências e observações.
Essa situação mudou muito drasticamente durante as primeiras duas décadas da existência da psicologia transpessoal. Como resultado de novos conceitos e descobertas revolucionárias em várias disciplinas científicas, a filosofia da ciência tradicional Ocidental, suas suposições básicas e seu paradigma newtoniano-cartesiano têm sido gradativamente e seriamente desafiados.
Como muitos outros teóricos no campo transpessoal, eu tenho seguido esse desenvolvimento com grande interesse e o descrevo na primeira parte do meu livro “Além do Cérebro” como um esforço para reduzir as diferenças entre as descobertas de minha própria pesquisa e a visão de mundo científica (Grof 1985).
O influxo dessa excitante nova informação começou pela compreensão das implicações filosóficas profundas da física quântica-relativista, mudando para sempre nossa compreensão da realidade física.
A inacreditável convergência entre a visão de mundo da física moderna e a da filosofia espiritual Oriental, já anunciado no trabalho de Albert Einstein, Werner Heisenberg, Erwin Schroedinger e outros, criam plena expressão no livro de novas descobertas escrito por Fritjof Capra, o seu “Tao da Física” (Capra 1975). A visão pioneira de Capra foi, nos anos seguintes, complementada e refinada pelo trabalho de Fred Alan Wolf (1981), Nick Herbert (Herbert 1979), Amit Goswami (Goswami) e muitos outros. De particular interesse nessa observação foram as contribuições de David Bohm, autor em trabalho conjunto com Albert Einstein e autor de monografias prestigiosas em teoria da relatividade e física quântica. Seu conceito de ordem implicada e explicada e sua teoria do holomovimento, explicando a importância do pensamento holográfico em ciência, ganhou grande popularidade no campo transpessoal (Bohm 1980), assim como o modelo holográfico do cérebro de Karl Pribram (Pribram 1971).
O mesmo é verdadeiro para a teoria da ressonância mórfica e dos campos morfogenéticos do biólogo Rupert Sheldrake, demonstrando a importância dos campos não-físicos para a compreensão da forma, da genética e da hereditariedade, da ordem, do significado e do processo do conhecimento.
Contribuições adicionais excitantes foram a brilhante síntese de Gregory Bateson da cibernética, a teoria da informação e dos sistemas, a lógica, a psicologia e outras disciplinas (Bateson 1979), os estudos das estruturas dissipativas e a ordem fora do caos de Ilya Prigogine (Prigogine 1980, Prigogine e Stengers 1984), a teoria do caos em si (Glieck 1988), o princípio antrópico em astrofísica (Barrow e Tipler 1986) e muitos outros.
Entretanto, mesmo nesse estágio inicial de desenvolvimento, temos mais do que apenas um mosaico de fundamentos desconectados dessa nova visão de realidade.
Pelo menos duas maiores tentativas intelectuais de integração da psicologia transpessoal, dentro de uma compreensiva nova visão de mundo, merecem ser mencionadas, nesse contexto:
*A primeira dessas aventuras pioneiras tem sido o trabalho de Ken Wilber. Na série de livros, iniciando com seu Espectro da Consciência (Wilber 1977), Wilber tem realizado uma síntese criativa mais elevada de dados, extraída de uma vasta variedade de áreas e disciplinas, variando da psicologia, antropologia, sociologia, mitologia e religião comparada, até a lingüística, filosofia e história para a cosmologia, física quântica-relativista, biologia, teoria evolucionária e teoria dos sistemas.
Seu conhecimento da literatura é verdadeiramente enciclopédico, sua mente analítica sistemática e incisiva e sua habilidade para comunicar, claramente, idéias complexas, é notável. O escopo impressivo, a natureza compreensiva e o rigor intelectual do trabalho de Wilber têm ajudado a produzir uma teoria da psicologia transpessoal amplamente aclamada e altamente influente.
Contudo, poderia significar esperar demais, de um trabalho interdisciplinar, desse escopo e profundidade, ao acreditar que ele poderia ser perfeito e sem erro, em tudo que lhe diz respeito e detalhes.
Os escritos de Wilber, desse modo, têm atraído não apenas uma aclamação entusiástica, mas também sérias críticas de uma variedade de fontes. As discussões sobre os aspectos contestados e controversos de sua teoria têm, freqüentemente, sido incisivas e calorosas. Isso se deveu, parcialmente, ao estilo, freqüentemente, polêmico e agressivo de Wilber, que inclui ataques pessoais fortemente expressos e não traz um diálogo produtivo.
Algumas dessas discussões têm sido reunidas em um volume intitulado Ken Wilber in Dialogue (Rothberg and Kelly 1998) e outros, em numerosos artigos e em websites na Internet.Muitos desses argumentos, sobre o trabalho de Ken Wilber, foca em outras áreas e disciplinas diferentes da psicologia transpessoal e a discussão delas poderia transcender a natureza e o escopo desse artigo.
Contudo, através dos anos, Ken e eu temos trocado idéias que se referem, especificamente, a vários aspectos da psicologia transpessoal; isso envolveu tanto cumprimentos mútuos como comentários críticos sobre nossas respectivas teorias. Eu, primeiramente, encaminhei as similaridades e diferenças entre a psicologia do espectro de Ken e as minhas próprias observações e os construtos teóricos, em meu livro, Além do Cérebro (Grof 1985). Mais tarde, retornei a esse assunto em minha contribuição ao compêndio, intitulado Ken Wilber in Dialogue (Rothberg and Kelly 1998) e no meu próprio, Psicologia do Futuro (Grof 2000).
Em minha tentativa de avaliar criticamente as teorias de Wilber, eu abordei essa tarefa de uma perspectiva clínica, passando, primeiramente, sobre os dados da minha própria pesquisa moderna da consciência e de outros.
Na minha opinião, o principal problema dos escritos de Ken Wilber, sobre a psicologia transpessoal, é que ele não tem nenhuma experiência clínica e as fontes principais de seus dados têm sido suas extensivas leituras e as experiências de suas práticas espirituais pessoais. Somando-se a isso, ele tem concluído a maioria de seus dados clínicos de escolas que usam métodos de psicoterapias verbais e estruturas conceituais limitadas pela biografia pós-natal.
Ele não tem levado em consideração as evidências clínicas acumuladas durante as últimas várias décadas de terapia experiencial, com ou sem substâncias psicodélicas.
Para uma teoria tão importante e influente como o trabalho de Ken Wilber tem se tornado, não é suficiente que ela integre material de muitas fontes antigas e modernas diferentes, dentro de um sistema filosófico compreensivo, que mostre coesão lógica interna. Apesar da consistência lógica ser um pré-requisito valioso, uma teoria viável tem que ter uma propriedade adicional, senão a mais importante, a equanimidade. É geralmente aceito entre os cientistas que um sistema de proposições seja uma teoria aceitável se, e somente se, suas conclusões estiverem de acordo com os fatos observáveis (Frank 1957).
Eu tenho tentado delinear as áreas nas quais as especulações de Wilber têm estado em conflito com fatos de observação e aquelas áreas que envolvem inconsistências lógicas (Rothberg and Kelly 1998).
Uma dessas discrepâncias foi a omissão dos domínios pré e perinatal do seu mapa da consciência e do seu esquema de desenvolvimento.
Uma outra discrepância foi a aceitação, não-crítica, da ênfase freudiana e pós-freudiana, na origem pós-natal das desordens emocionais e psicossomáticas e a falha em conhecer suas raízes perinatais e transpessoais adicionais.
A descrição de Wilber da natureza estritamente linear do desenvolvimento espiritual, a inabilidade em ver a natureza paradoxal do relacionamento pré-trans e a redução, do problema da morte em psicologia (Thanatos), a uma transição de um fulcro de desenvolvimento para outro, têm sido áreas adicionais de desacordo.
Um assunto de dissidência considerável, entre nós, tem sido a insistência de Ken Wilber de que a abertura para a espiritualidade ocorre apenas no nível de desenvolvimento do centauro.
Eu tenho afirmado, em fundamental concordância com Michael Washburn (Washburn), que a abertura espiritual, freqüentemente, toma mais a forma de uma combinação espiral de regressão e progressão do que uma tendência estritamente linear.
Particularmente freqüente é, então, a abertura envolvendo morte e renascimento psicoespirituais, na qual a interface crítica entre o nível pessoal e o transpessoal é o perinatal. Isso pode ser apoiado não apenas por observações clínicas, mas, também, pelo estudo das vidas de místicos, tais como Santa Tereza de Ávila ou São João da Cruz e outros, muitos dos quais, Wilber cita em seus livros.
Particularmente problemática e questionável é a sugestão de Wilber de que deveríamos diagnosticar os clientes, em termos dos problemas emocionais, morais, intelectuais, existenciais, filosóficos e espirituais, nos quais eles demonstram de acordo com seu esquema e enviam-lhes a vários terapeutas diferentes, especialistas naquelas áreas (Wilber 2000).
Esta recomendação pode impressionar um leigo, como uma solução sofisticada, para problemas psicológicos, mas ela é ingênua e irreal, do ponto de vista de qualquer clínico experiente.
Os problemas acima, condizentes aos aspectos específicos do sistema de Wilber, podem facilmente ser corrigidos e eles não invalidam a utilidade de sua visão geral, como um projeto, para uma compreensiva compreensão da realidade.
Em anos recentes, Ken Wilber distanciou-se da psicologia transpessoal em favor de sua própria visão, que chamou psicologia integral. Numa acurada inspeção, aquilo a que ele se refere como psicologia, alcança muito além do que entendemos sob aquele nome e inclui áreas que pertencem a outras disciplinas. Neste sentido, sua abordagem integral, com as correções necessárias e ajustes discutidos acima, irão, no futuro, representar um contexto maior e mais útil para a psicologia transpessoal e uma ponte para a ciência atual, ao invés de substituir a “Quarta Força”.
* A segunda tentativa pioneira de integrar a psicologia transpessoal, dentro de uma nova visão compreensiva de mundo, tem sido o trabalho de Ervin Laszlo, o teórico de sistemas mais famoso do mundo, cientista interdisciplinar e filósofo de origem húngara, atualmente vivendo na Itália. Um indivíduo com interesses de amplitude multifacetada e talentos remanescentes das grandes figuras da Renascença, Laszlo adquiriu fama internacional, como um menino prodígio e pianista de concerto, em sua adolescência. Ele, então, se voltou para a ciência e a filosofia, poucos anos depois, iniciando a pesquisa de sua vida, para a compreensão da natureza humana e da natureza da realidade.
Onde Wilber delineou o que deveria ser uma teoria integral de tudo, Laszlo na realidade criou uma (Laszlo 1993, 1995, 2004, Laszlo and Abraham 2004).
Em uma tour de force intelectual e em uma série de livros, Laszlo explorou uma ampla faixa de disciplinas, incluindo astrofísica, física quântica-relativista, biologia e psicologia.
Ele destacou uma escala ampla de fenômenos, observações paradoxais e desafios paradigmáticos, para os quais essas disciplinas não têm explanações.
Examinou, então, as tentativas de vários pioneiros do novo paradigma da ciência, para fornecer soluções para esses desafios conceituais.
Isso incluiu a teoria do holomovimento de Bohm, o modelo holográfico do cérebro de Pribram, a teoria dos campos morfogenéticos de Sheldrake, o conceito das estruturas dissipativas de Prigogine e outros.
Olhou para as contribuições dessas teorias e também para os problemas que eles tinham sido incapazes de resolver.
Delineando os avanços das ciências inflexíveis e da matemática, Laszlo, então, ofereceu uma solução aos paradoxos atuais na ciência Ocidental, que transcende os limites das disciplinas individuais.
Esta solução foi alcançada, pela formulação de sua “hipótese de conectividade”, o atributo principal do que é a existência, que ele chama o “psi-campo,” (Laszlo 1993, 1995, Laszlo e Abraão 2004). Ele o descreve como um campo de subquantum, que mantém um registro holográfico de todos os eventos que aconteceram no mundo fenomenal.
Laszlo inclui em sua teoria toda-abrangente a psicologia transpersonal bem explícita e as filosofias espirituais, como exemplificadas pelo seu ensaio sobre a psicologia jungiana e a minha pesquisa da consciência (Laszlo) e em seu último livro Science and the Akashic Field: An Integral Theory of Everything (Laszlo 2004).
Tem sido muito animador ver que todos os novos desenvolvimentos revolucionários, na ciência, enquanto irreconciliáveis com o pensamento newtoniano-cartesiano e o materialismo monístico do século XVII, foram compatíveis com a psicologia transpessoal.
Em conseqüência destes avanços conceituais num número de disciplinas, tornou-se cada vez mais possível imaginar que a psicologia transpessoal será no futuro aceita por círculos acadêmicos e irá se tornar uma parte integral de uma visão científica mundial radicalmente nova.
Como o progresso científico continua movendo a antiga visão de mundo materialista do século XVII, nós podemos ver os contornos gerais de um compreensivo entendimento emergente, radicalmente novo em nós, na natureza e no universo em que vivemos.
Este novo paradigma deve ser capaz de reconciliar a ciência com a espiritualidade, baseado experiencialmente em uma natureza ecumênica, universal e toda-abrangente e que produz uma síntese da ciência moderna e da sabedoria antiga.
A International Transpersonal Association (ITA).
Desde seu princípio, no final da década de 1960, a Association of Transpersonal Psychology (ATP) realizou conferências anuais regulares em Asilomar, CA.
Como o interesse no movimento crescia e estendia além da área de Baía de São Francisco e exterior dos Estados Unidos, reuniões internacionais ocasionais de transpessoal foram organizadas, em várias partes do mundo. As duas primeiras aconteceram em Bifrost, Islândia, a terceira em Inari, Finlândia, e a quarta em Belo Horizonte, Brasil.
Na ocasião da reunião brasileira, estas conferências eram tão populares e bem assistidas que foi decidida a formalização da criação de uma instituição que as organizaria, a International Transpersonal Association (ITA).
A ITA foi lançada por Stanislav Grof, que se tornou o seu presidente fundador, acompanhado por Michael Murphy e Richard Price; os últimos dois deram início, no início da década de 1960, ao Instituto de Esalen, em Big Sur, Califórnia, o primeiro centro de potencial humano.
Em comparação com a Association of Transpersonal Psychology, a ITA era explicitamente internacional e interdisciplinar.
Naquela época, a orientação transpessoal tinha aparecido em muitos ramos de ciência e outras áreas de esforço humano. Então o programa das conferências de ITA não incluia somente psicólogos, psiquiatras e psicoterapeutas, mas, também, físicos, biólogos, antropólogos, médicos, mitólogos, filósofos, matemáticos, artistas, professores espirituais, educadores, políticos, economistas, e muitos outros.
A ITA realizou suas conferências em Boston, Massachusetts; Melbourne, Austrália; Bombay, Índia; Davos, Suiça; Kyoto, Japão; Santa Rosa, Califórnia; Eugene, Oregon; Praga, Tchecoslováquia; Killarney, Irlanda; Santa Clara, CA; Manaus, Brasil, e Palm Springs, CA, EUA.
*Representantes destacados da vida política, cultural e científica
*Referências Bibliográficas
(vide no site de Álvaro Jardim)
Após essa leitura, eu estou "sem palavras"! Acredito que possa auxiliar muitas pessoas que ousam e têm a audácia, como psicoterapeutas, de estarem abertos à dimensão do ser humano que está sendo desvendada nesse milênio.
PSICOLOGIA TRANSPESSOAL _____________
Breve História da Psicologia Transpessoal
Stanislav Grof, M.D., Ph.D.
Tradução de Álvaro Jardim
Abertura da 16ª Conferência da ITA Palm Springs, CA, EUA. Junho de 2004.
No meio do século vinte, a psicologia americana foi dominada pelas duas maiores escolas – o behaviorismo e a psicologia freudiana. O aumento da insatisfação com essas duas orientações, como abordagens adequadas para a psique humana, levou ao desenvolvimento da psicologia humanística. O principal porta-voz e o maior articulador representativo desse novo campo foi o bem-conhecido psicólogo americano Abraham Maslow.
Ele fez uma crítica incisiva às limitações do behaviorismo e da psicanálise, ou a primeira e a segunda forças em psicologia, como ele as chamou, e formulou os princípios de uma nova perspectiva em psicologia (Maslow 1969). A principal objeção de Maslow, contra o comportamentalismo, foi que o estudo de animais, tais como ratos e pombos, pode somente esclarecer aqueles aspectos do funcionamento humano que compartilhamos com esses animais. O estudo, então, não tem relevância para a compreensão das mais elevadas qualidades especificamente humanas, que são únicas para a vida humana, tais como o amor, a autoconsciência, a autodeterminação, a liberdade pessoal, a moralidade, a arte, a filosofia, a religião e a ciência. O estudo é também amplamente sem utilidade em relação a algumas características negativas especificamente humanas, tais como a ganância, o desejo ardente pelo poder, a crueldade e a tendência à “agressão maligna”. Ele também criticou a falta de interesse pela consciência e a introspecção dos behavioristas e seu foco exclusivo sobre o estudo do comportamento.
Ao contrário, o interesse primário da psicologia humanística, terceira força de Maslow, foi em motivos humanos e sua disciplina honrou o interesse pela consciência e pela introspecção como complementos importantes para o objetivo da abordagem para pesquisa. A ênfase exclusiva dos comportamentalistas na determinação pelo ambiente, estímulo/resposta e recompensa/punição, foi substituída pela ênfase da capacidade dos seres humanos de serem direcionados internamente e motivados a alcançarem a auto-realização e seu completo potencial humano.
Maslow afirmou, em sua crítica à psicanálise, que Freud e seus seguidores extraíram conclusões sobre a psique humana, principalmente, dos estudos da psicopatologia e discordou de seu reducionismo biológico e de sua tendência a explicar todos os processos psicológicos em função dos instintos básicos.
Por comparação, a psicologia humanística focou sobre as populações saudáveis, ou mesmo em indivíduos que apresentaram funcionamento supranormal, em várias áreas (“crescimento de ponta da população” de Maslow), sobre o potencial e crescimento humano e sobre as mais elevadas funções da psique. Também, enfatizou, que a psicologia tem que servir a importantes objetivos e interesses da sociedade humana e ser sensível às necessidades humanas práticas.
Dentro de poucos anos, após Abraham Maslow e Anthony Sutich lançarem a Association for Humanistic Psychology (AHP) e seu jornal, o novo movimento se tornou extremamente popular entre os profissionais da saúde mental americanos e mesmo para o público geral. A perspectiva multidimensional da psicologia humanística e sua ênfase sobre a pessoa, como todo, trouxe um amplo leque para o desenvolvimento de um rico espectro de uma nova abordagem terapêutica efetiva, que expandiu bastante o alcance das possibilidades de lidar com o emocional, o psicossomático, o interpessoal e os problemas psico-sociais.
Entre as importantes características, dessa nova terapia, estava uma decisiva mudança da estratégia exclusivamente verbal, da psicoterapia tradicional, para uma expressão direta das emoções e da exploração da história do indivíduo e da motivação do inconsciente para os processos dos pensamentos e sentimentos dos clientes, no aqui e agora.
Um outro aspecto importante, dessa revolução terapêutica, foi a ênfase da interconexão da psique e do corpo e a superação do tabu contra o toque, previamente dominante no campo da psicoterapia; várias formas de trabalho corporal, formando assim uma parte integral da nova estratégia de tratamento. A Gestalt terapia de Fritz Perls, a bioenergética de Alexander Lowen e outras abordagens neo-reichianas, os grupos de encontro e as sessões de maratona podem ser mencionadas, aqui, como exemplos de destaque de terapias humanísticas.
A despeito da popularidade da psicologia humanística, seus fundadores, Maslow e Sutich, se tornaram insatisfeitos com o modelo conceitual que eles, originalmente, tinham criado. Eles se tornaram, cada vez mais conscientes, que deixaram de fora um elemento extremamente importante -- a dimensão espiritual da psique humana (Sutich, 1976).
O renascimento do interesse em várias tradições místicas, em meditação, em sabedoria aborígine e antiga e em filosofias orientais, bem como, na experimentação psicodélica, muito difundida durante os tempestuosos anos 60, deixou absolutamente claro, que uma abrangente e trans-cultural psicologia válida tinha que incluir observações de tais áreas, como os estados místicos, a consciência cósmica, as experiências psicodélicas, o fenômeno do transe, a criatividade e a inspiração científica, religiosa e artística.
Em 1967, um pequeno grupo de trabalho, que incluía Abraham Maslow, Anthony Sutich, Stanislav Grof, James Fadiman, Miles Vich e Sonya Margulies se encontraram em Menlo Park, Califórnia, com o propósito de criar uma nova psicologia que pudesse honrar o espectro inteiro da experiência humana, incluindo os vários estados incomuns de consciência. Durante essas discussões, Maslow e Sutich aceitaram a sugestão de Grof e deram, à nova disciplina, o nome de "psicologia transpessoal". Esse termo substituiu o nome original "trans-humanístico”, dado por eles próprios, ou “estender além da preocupação humana”. Posteriormente, logo em seguida, eles fundaram a Association of Transpersonal Psychology (ATP), e lançaram o Journal of Transpersonal Psychology. Vários anos mais tarde, em 1975, Robert Frager fundou o (California) Institute of Transpersonal Psychology, em Palo Alto, que tem permanecido o mais avançado estágio da educação, pesquisa e terapia transpessoal, por quase três décadas.
A Psicologia Transpessoal, ou a Quarta Força, aloja a mais errônea concepção da corrente principal da psiquiatria e da psicologia, no que diz respeito à espiritualidade e à religião. Também responde a importantes observações da pesquisa moderna da consciência e de vários outros campos, para os quais o paradigma científico existente não tem explicações adequadas.
Michael Harner, um antropólogo americano com boas credenciais acadêmicas, que também experienciou uma poderosa iniciação xamânica, durante seu campo de trabalho no Amazonas, sumarizou os defeitos da psicologia acadêmica, muito sucintamente, no prefácio de seu livro, “O Caminho do Xamã” (Harner 1980).
Ele sugeriu que a compreensão da psique, na civilização industrial, está seriamente direcionada para dois importantes caminhos: o etnocêntrico e o cognocêntrico (um termo melhor poderia provavelmente ser pragmacêntrico).
Ele é etnocêntrico, no sentido que tem sido formulado e promovido pelos cientistas materialistas Ocidentais, que consideram suas próprias perspectivas serem superiores àquelas de quaisquer outros grupos humanos, em qualquer época da história. De acordo com eles, a matéria é o principal e vida, consciência e inteligência são produtos de um lado quase acidental. A espiritualidade, em alguma forma e nível de sofisticação, reflete ignorância dos fatos científicos, superstição, regressão a padrões infantis de funcionamento, autodecepção e pensamento mágico primitivo. Experiências espirituais diretas, envolvendo domínios e figuras arquetípicas, são vistas como produtos patológicos do cérebro.
As correntes psiquiátricas modernas interpretam as experiências visionárias, dos fundadores das grandes religiões, santos e profetas, como manifestações de sérias doenças mentais, embora falte razão médica adequada e os dados de laboratório apóiem essa posição.
A literatura psiquiátrica contém numerosos artigos e livros que discutem o que poderia ser mais apropriado à diagnose clínica para muitas das grandes figuras da história espiritual. Santo Antônio tem sido chamado de esquizofrênico, São João da Cruz rotulado de “hereditariedade degenerativa”, Santa Teresa D’Ávila tem sido destituída de sua condição e vista como uma severa psicótica histérica e as experiências místicas de Maomé têm sido atribuídas à epilepsia. Muitos outros religiosos e personagens espirituais, tais como Buda, Jesus, Ramakrishna e Sri Ramana Maharshi têm sido vistos como psicóticos, por causa de suas experiências visionárias e “fraude”.
Similarmente, alguns antropólogos, tradicionalmente treinados, têm questionado se os xamãs deveriam ser diagnosticados como esquizofrênicos, psicóticos ambulantes, epiléticos ou histéricos. O famoso psicanalista Franz Alexander, conhecido como um dos fundadores da medicina psicossomática, escreveu um artigo no qual até a meditação budista é descrita, em termos psicopatológicos, e referida como “catatonia artificial” (Alexander 1931).
Enquanto a psicologia e a psiquiatria Ocidentais descrevem os rituais e a vida espiritual das culturas nativas e antigas em termos patológicos, excessos perigosos da civilização industrial, que põem a vida no planeta potencialmente em perigo, têm se tornado uma parte integral de nossas vidas que, raramente, atraem atenção específica dos clínicos e pesquisadores e não recebem rótulos patológicos.
Nós testemunhamos, diariamente, manifestações de ganância insaciável e agressão maligna – pilhagem de fontes não-renováveis levando-os à poluição industrial, violação crítica do meio natural para a sobrevivência pela destruição nuclear, derrame de venenos químicos e óleo em grande quantidade, abuso de descobertas científicas em física, química e biologia para o desenvolvimento de armas de destruição em massa, invasão de outros países resultando em massacres de civilizações e genocídio, e planejando operações militares que poderiam matar milhões de pessoas.
Os principais engenheiros e protagonistas de tais estratégias prejudiciais e de cenários do dia do julgamento não somente caminham livremente, mas estão ricos e famosos, possuem posições poderosas na sociedade e recebem várias honras.
Pelas mesmas razões, as pessoas que têm potencialmente estados místicos de transformação de vida, episódios de morte e renascimento psicoespiritual, ou experiências de vida passada terminam hospitalizadas, com diagnósticos estigmatizados e medicação psicofarmacológica supressiva. Isso é o que Michael Harner fez referência como a parcialidade etnocêntrica em estimar o que é normal e o que é patológico.
De acordo com Michael Harner, a psiquiatria e a psicologia Ocidental também mostram uma forte parcialidade cognocêntrica. Com isso ele quer dizer que, essas disciplinas formularam essas teorias com base em experiências e observações de estados comuns de consciência e têm, sistematicamente, evitado ou interpretado, de forma inadequada, a evidência dos estados incomuns, tais como as observações da terapia psicodélica, das poderosas psicoterapias experienciais, dos trabalhos com indivíduos em crises psicoespirituais, de pesquisa da meditação, dos campo de estudos antropológicos ou da tanatologia.
Os dados da quebra de paradigma dessas áreas de pesquisa têm sido ou ignorados, sistematicamente, ou mal julgados e mal interpretados, por causa de sua incompatibilidade fundamental com o paradigma condutor.
No texto precedente, eu usei o termo estado incomum de consciência. Antes de continuarmos nossa discussão, uma clarificação semântica parece ser apropriada. O termo estado incomum de consciência está sendo usado, na maioria das vezes, pelos pesquisadores que estudam esses estados e reconhecem o seu valor.
A corrente principal de psiquiatras prefere o termo estados alterados, que reflete essa crença de que somente o estado diário de consciência é normal e tudo que advém dele, sem exceção, representa distorções patológicas da percepção correta da realidade e não tem um potencial positivo.
Entretanto, mesmo o termo estados incomuns é muito amplo para o propósito de nossa discussão.
A psicologia transpessoal está interessada em um significativo subgrupo, desses estados, que tem um potencial heurístico, curativo e mesmo evolucionário. Isso inclui experiências dos xamãs e seus clientes, aqueles iniciados em rituais nativos de passagem e antigos mistérios de morte e renascimento, de praticantes espirituais e místicos de todas as idades e de indivíduos em crises psicoespirituais (“emergências espirituais”) (Grof e Grof 1989, 2001).
Nos estágios iniciais de minha pesquisa, descobri, para minha grande surpresa, que a principal corrente psiquiátrica não tinha nome para esse importante subgrupo de estados incomuns e não leva em consideração todos os demais, como é o caso de “estados alterados”. Porque senti, fortemente, que eles merecem ser distinguidos dos demais e se situam dentro de uma categoria especial, cunhei para eles o nome holotrópico (Grof 1992).
Essa palavra composta significa literalmente “orientada em direção ao todo” ou “movendo em direção ao todo” (do grego holos = todo e trepein = movendo em direção a ou em direção a alguma coisa).
Esse termo sugere que, em nosso estado de consciência diário, nós nos identificamos apenas com uma pequena fração de quem realmente somos. Nos estados holotrópicos, podemos transcender os limites estreitos do corpo egóico e encontrar um rico espectro de experiências transpessoais, que nos ajuda a obter nossa identidade total.
Eu tenho descrito, em um diferente contexto, a característica básica dos estados holotrópicos e como eles diferem das condições que são referidas, como estados alterados de consciência (Grof 2000). Para maior clareza, eu usarei o termo holotrópico, na discussão seguinte.
A psicologia transpessoal tem feito um significante progresso em direção a correção da tendência etnocêntrica e cognocêntrica da principal corrente da psiquiatria e psicologia, particularmente pelo seu reconhecimento da natureza genuína das experiências transpessoais e seus valores.
À luz da pesquisa moderna da consciência, a patologização atual e a destituição orgulhosa da espiritualidade, característica do materialismo monístico, parece insustentável. Em estados holotrópicos, as dimensões espirituais da realidade podem ser diretamente experienciadas de um modo que é tão convincente como nossas experiências diárias do mundo material, se não, até mais.
Experiências espirituais diretas aparecem em duas formas diferentes:
- A primeira delas, a experiência da imanência divina, é caracterizada pela, sutilmente, mas profundamente transformada, percepção da realidade diária. A pessoa que está tendo essa forma de experiência espiritual vê pessoas, animais e objetos inanimados no meio, como manifestações radiantes de um campo unificado de energia cósmica criativa. Tem uma percepção direta da natureza imaterial do mundo físico e compreende que os limites entre os objetos são ilusórios e irreais. Esse tipo de experiência da realidade tem uma qualidade nitidamente numinosa e corresponde ao deus sive natura de Spinoza ou natureza de Deus. Usando a analogia com a televisão, essa experiência pode ser comparada a uma situação onde um filme em preto e branco poderia subitamente mudar para uma vívida “cor viva”. Quando isso acontece, muito da velha percepção de mundo permanece no lugar, mas é radicalmente redefinida pela adição de uma nova dimensão.
- A segunda forma de experiência espiritual, a da transcendência divina, envolve a manifestação dos reinos e seres arquetípicos da realidade que são ordinariamente trans-fenomenais, na qual a percepção não está disponível no estado de consciência diário. Nesse tipo de experiência espiritual, os novos elementos parecem “se revelar” ou “se explicar” inteiramente, para os termos apropriados de David Bohm, de um outro nível ou ordem de realidade. Quando nós retornamos à analogia com a televisão, isso parece estar revelando, para nossa surpresa, que lá existem outros canais, além daqueles, que nós estávamos previamente assistindo, acreditando que nosso ajuste da TV apresentava somente um canal.
O assunto de importância crítica é, com certeza, a natureza ontológica da experiência espiritual, descrita acima. Podem ser interpretados e rejeitados como fantasmagoria, sem significado, produzidos por um processo patológico, que afeta o cérebro, ainda a ser descoberto e identificado pela ciência moderna, ou refletem, objetivamente, as dimensões existentes da realidade, que não são acessíveis ao estado ordinário de consciência.
O cuidadoso estudo sistemático das experiências transpessoais mostra que eles são ontologicamente reais e contêm informações sobre importantes dimensões da existência ordinariamente ocultas, que podem ser consensualmente validadas (Grof 1998, 2000).
Num certo sentido, a percepção do mundo em estado holotrópico é mais acurada do que nossa percepção diária dele.
A física quântica-relativista tem mostrado que a matéria é essencialmente vazia e que todos os limites no universo são ilusórios. Sabemos hoje que o que aparece para nós como discretos objetos estáticos são, atualmente, condensações dentro de um campo de energia una (integrada), dinâmica.
Essa descoberta está em conflito direto com a “percepção de pedestre” do mundo e traz para a mente o conceito hindu de maya, um princípio metafísico capaz de gerar um convincente fac-símile do mundo material.
E a natureza objetiva dos domínios arquetípicos e históricos e do inconsciente coletivo foi demonstrada por C.G. Jung e seus seguidores, anos antes, pelas evidências coletadas, através da pesquisa psicodélica e das novas terapias experienciais que as confirmaram, além de qualquer dúvida razoável.
Somando-se a isso, é possível descrever, passo-a-passo, os procedimentos e os contextos apropriados que facilitam o acesso a essas experiências; isso inclui os procedimentos não-farmacológicos, tais como as práticas de meditação, música, dança, exercícios de respiração e outras abordagens que não podem ser vistas como agentes patológicos por nenhuma ampliação da imaginação.
O estudo dos estados holotrópicos, também, confirmou o insight de C. G. Jung de que as experiências que se originam em níveis mais profundos da psique (em minha própria terminologia experiências “perinatal” e “transpessoal”) têm uma certa qualidade que chamou (após Rudolph Otto) numinosidade (Jung 1964).
O termo numinoso é relativamente neutro e, portanto, preferível a outros nomes similares, tais como religioso, místico, mágico, santo ou sagrado, os quais têm sido freqüentemente usados em contextos problemáticos e são facilmente enganadores.
O senso de numinosidade está baseado em apreensões diretas do fato que estamos encontrando, um domínio que pertence a uma ordem superior de realidade, o qual é sagrado e radicalmente diferente do mundo material.
Prevenir mal-entendido e confusão, que no passado conciliou muitas discussões similares, é crítico, para fazer uma clara distinção entre espiritualidade e religião.
A espiritualidade está baseada em experiências diretas dos aspectos e dimensões incomuns da realidade. A mediação do contato com o divino não requer um lugar especial ou uma pessoa designada oficialmente. Os místicos não necessitam de igrejas ou templos. O contexto no qual eles experienciam as dimensões sagradas da realidade, incluindo sua própria divindade, são seus corpos e a natureza. E ao invés do ofício de padre, os místicos necessitam de um grupo de apoio de companheiros buscadores ou a orientação de um professor que está mais avançado nas jornadas internas do que eles próprios.A espiritualidade envolve um tipo especial de relacionamento entre o indivíduo e o cosmos e é, em sua essência, um evento pessoal e privado.
Por comparação, a religião organizada é uma atividade de grupo institucionalizada que acontece em um local designado, um templo ou uma igreja e envolve um sistema de oficiais nomeados que podem ou não podem ter tido experiências pessoais de realidades espirituais. No momento em que uma religião se organiza, freqüentemente, perde completamente a conexão com sua fonte espiritual e se torna uma instituição secular que explora as necessidades espirituais humanas, sem satisfazê-las.
As religiões organizadas tendem a criar sistemas hierárquicos focados na perseguição do poder, do controle, da política, do dinheiro, das posses e outros interesses seculares. Sob essas circunstâncias, a hierarquia religiosa via de regra desagrada e desencoraja experiências espirituais diretas em seus membros, porque criam independência e não podem ser efetivamente controlados. Quando esse é o caso, a vida espiritual genuína continua apenas nos ramos místicos, nas ordens monásticas e nas seitas extáticas das religiões envolvidas.
Enquanto está claro que o fundamentalismo e o dogma religioso são incompatíveis com a visão do mundo científico, baseada no paradigma Newtoniano-Cartesiano ou no novo paradigma, não há razão para não devermos estudar seriamente a natureza e as implicações das experiências transpessoais.
Como Ken Wilber mostrou em seu livro “A Sociable God” (Wilber 1983), não há possibilidade de conflito entre a ciência genuína e a religião autêntica. Se parece haver tal conflito, estamos lidando muito provavelmente com "falsa ciência" e "falsa religião", onde um lado tem um sério mal-entendido em relação à posição do outro e representa muito provavelmente uma versão falsa ou enganosa de sua própria disciplina.
A Psicologia Transpessoal, como nasceu no final dos anos sessenta, era culturalmente sensível e tratou das tradições espirituais e rituais das culturas nativas e antigas com o respeito que elas mereciam, na visão das descobertas da pesquisa moderna de consciência. Também acolheu e integrou um amplo espectro de “fenômenos anômalos”, as observações da quebra de paradigma que a ciência acadêmica tem sido incapaz de aceitar e explicar.
Entretanto, embora abrangente e bem substanciado, o novo campo representou uma radical saída do pensamento acadêmico dos círculos profissionais, que não pode ser reconciliado tanto com a psicologia e a psiquiatria tradicionais como com o paradigma newtoniano-cartesiano da ciência Ocidental.
Como um resultado disso, a psicologia transpessoal estava extremamente vulnerável pelas acusações de ser "irracional", "não científica" e mesmo "tendenciosa”, particularmente pelos cientistas que não estavam conscientes do vasto corpo de observações e dados nos quais o novo movimento estava embasado.
Esses críticos também ignoraram o fato de que muitos dos pioneiros desse movimento revolucionário tinham impressivas credenciais acadêmicas. Eles criaram e abraçaram a visão transpessoal da psique humana não porque eram ignorantes das suposições fundamentais da ciência tradicional, mas porque descobriram a velha estrutura conceitual seriamente inadequada e incapaz de expor essas experiências e observações.
Essa situação mudou muito drasticamente durante as primeiras duas décadas da existência da psicologia transpessoal. Como resultado de novos conceitos e descobertas revolucionárias em várias disciplinas científicas, a filosofia da ciência tradicional Ocidental, suas suposições básicas e seu paradigma newtoniano-cartesiano têm sido gradativamente e seriamente desafiados.
Como muitos outros teóricos no campo transpessoal, eu tenho seguido esse desenvolvimento com grande interesse e o descrevo na primeira parte do meu livro “Além do Cérebro” como um esforço para reduzir as diferenças entre as descobertas de minha própria pesquisa e a visão de mundo científica (Grof 1985).
O influxo dessa excitante nova informação começou pela compreensão das implicações filosóficas profundas da física quântica-relativista, mudando para sempre nossa compreensão da realidade física.
A inacreditável convergência entre a visão de mundo da física moderna e a da filosofia espiritual Oriental, já anunciado no trabalho de Albert Einstein, Werner Heisenberg, Erwin Schroedinger e outros, criam plena expressão no livro de novas descobertas escrito por Fritjof Capra, o seu “Tao da Física” (Capra 1975). A visão pioneira de Capra foi, nos anos seguintes, complementada e refinada pelo trabalho de Fred Alan Wolf (1981), Nick Herbert (Herbert 1979), Amit Goswami (Goswami) e muitos outros. De particular interesse nessa observação foram as contribuições de David Bohm, autor em trabalho conjunto com Albert Einstein e autor de monografias prestigiosas em teoria da relatividade e física quântica. Seu conceito de ordem implicada e explicada e sua teoria do holomovimento, explicando a importância do pensamento holográfico em ciência, ganhou grande popularidade no campo transpessoal (Bohm 1980), assim como o modelo holográfico do cérebro de Karl Pribram (Pribram 1971).
O mesmo é verdadeiro para a teoria da ressonância mórfica e dos campos morfogenéticos do biólogo Rupert Sheldrake, demonstrando a importância dos campos não-físicos para a compreensão da forma, da genética e da hereditariedade, da ordem, do significado e do processo do conhecimento.
Contribuições adicionais excitantes foram a brilhante síntese de Gregory Bateson da cibernética, a teoria da informação e dos sistemas, a lógica, a psicologia e outras disciplinas (Bateson 1979), os estudos das estruturas dissipativas e a ordem fora do caos de Ilya Prigogine (Prigogine 1980, Prigogine e Stengers 1984), a teoria do caos em si (Glieck 1988), o princípio antrópico em astrofísica (Barrow e Tipler 1986) e muitos outros.
Entretanto, mesmo nesse estágio inicial de desenvolvimento, temos mais do que apenas um mosaico de fundamentos desconectados dessa nova visão de realidade.
Pelo menos duas maiores tentativas intelectuais de integração da psicologia transpessoal, dentro de uma compreensiva nova visão de mundo, merecem ser mencionadas, nesse contexto:
*A primeira dessas aventuras pioneiras tem sido o trabalho de Ken Wilber. Na série de livros, iniciando com seu Espectro da Consciência (Wilber 1977), Wilber tem realizado uma síntese criativa mais elevada de dados, extraída de uma vasta variedade de áreas e disciplinas, variando da psicologia, antropologia, sociologia, mitologia e religião comparada, até a lingüística, filosofia e história para a cosmologia, física quântica-relativista, biologia, teoria evolucionária e teoria dos sistemas.
Seu conhecimento da literatura é verdadeiramente enciclopédico, sua mente analítica sistemática e incisiva e sua habilidade para comunicar, claramente, idéias complexas, é notável. O escopo impressivo, a natureza compreensiva e o rigor intelectual do trabalho de Wilber têm ajudado a produzir uma teoria da psicologia transpessoal amplamente aclamada e altamente influente.
Contudo, poderia significar esperar demais, de um trabalho interdisciplinar, desse escopo e profundidade, ao acreditar que ele poderia ser perfeito e sem erro, em tudo que lhe diz respeito e detalhes.
Os escritos de Wilber, desse modo, têm atraído não apenas uma aclamação entusiástica, mas também sérias críticas de uma variedade de fontes. As discussões sobre os aspectos contestados e controversos de sua teoria têm, freqüentemente, sido incisivas e calorosas. Isso se deveu, parcialmente, ao estilo, freqüentemente, polêmico e agressivo de Wilber, que inclui ataques pessoais fortemente expressos e não traz um diálogo produtivo.
Algumas dessas discussões têm sido reunidas em um volume intitulado Ken Wilber in Dialogue (Rothberg and Kelly 1998) e outros, em numerosos artigos e em websites na Internet.Muitos desses argumentos, sobre o trabalho de Ken Wilber, foca em outras áreas e disciplinas diferentes da psicologia transpessoal e a discussão delas poderia transcender a natureza e o escopo desse artigo.
Contudo, através dos anos, Ken e eu temos trocado idéias que se referem, especificamente, a vários aspectos da psicologia transpessoal; isso envolveu tanto cumprimentos mútuos como comentários críticos sobre nossas respectivas teorias. Eu, primeiramente, encaminhei as similaridades e diferenças entre a psicologia do espectro de Ken e as minhas próprias observações e os construtos teóricos, em meu livro, Além do Cérebro (Grof 1985). Mais tarde, retornei a esse assunto em minha contribuição ao compêndio, intitulado Ken Wilber in Dialogue (Rothberg and Kelly 1998) e no meu próprio, Psicologia do Futuro (Grof 2000).
Em minha tentativa de avaliar criticamente as teorias de Wilber, eu abordei essa tarefa de uma perspectiva clínica, passando, primeiramente, sobre os dados da minha própria pesquisa moderna da consciência e de outros.
Na minha opinião, o principal problema dos escritos de Ken Wilber, sobre a psicologia transpessoal, é que ele não tem nenhuma experiência clínica e as fontes principais de seus dados têm sido suas extensivas leituras e as experiências de suas práticas espirituais pessoais. Somando-se a isso, ele tem concluído a maioria de seus dados clínicos de escolas que usam métodos de psicoterapias verbais e estruturas conceituais limitadas pela biografia pós-natal.
Ele não tem levado em consideração as evidências clínicas acumuladas durante as últimas várias décadas de terapia experiencial, com ou sem substâncias psicodélicas.
Para uma teoria tão importante e influente como o trabalho de Ken Wilber tem se tornado, não é suficiente que ela integre material de muitas fontes antigas e modernas diferentes, dentro de um sistema filosófico compreensivo, que mostre coesão lógica interna. Apesar da consistência lógica ser um pré-requisito valioso, uma teoria viável tem que ter uma propriedade adicional, senão a mais importante, a equanimidade. É geralmente aceito entre os cientistas que um sistema de proposições seja uma teoria aceitável se, e somente se, suas conclusões estiverem de acordo com os fatos observáveis (Frank 1957).
Eu tenho tentado delinear as áreas nas quais as especulações de Wilber têm estado em conflito com fatos de observação e aquelas áreas que envolvem inconsistências lógicas (Rothberg and Kelly 1998).
Uma dessas discrepâncias foi a omissão dos domínios pré e perinatal do seu mapa da consciência e do seu esquema de desenvolvimento.
Uma outra discrepância foi a aceitação, não-crítica, da ênfase freudiana e pós-freudiana, na origem pós-natal das desordens emocionais e psicossomáticas e a falha em conhecer suas raízes perinatais e transpessoais adicionais.
A descrição de Wilber da natureza estritamente linear do desenvolvimento espiritual, a inabilidade em ver a natureza paradoxal do relacionamento pré-trans e a redução, do problema da morte em psicologia (Thanatos), a uma transição de um fulcro de desenvolvimento para outro, têm sido áreas adicionais de desacordo.
Um assunto de dissidência considerável, entre nós, tem sido a insistência de Ken Wilber de que a abertura para a espiritualidade ocorre apenas no nível de desenvolvimento do centauro.
Eu tenho afirmado, em fundamental concordância com Michael Washburn (Washburn), que a abertura espiritual, freqüentemente, toma mais a forma de uma combinação espiral de regressão e progressão do que uma tendência estritamente linear.
Particularmente freqüente é, então, a abertura envolvendo morte e renascimento psicoespirituais, na qual a interface crítica entre o nível pessoal e o transpessoal é o perinatal. Isso pode ser apoiado não apenas por observações clínicas, mas, também, pelo estudo das vidas de místicos, tais como Santa Tereza de Ávila ou São João da Cruz e outros, muitos dos quais, Wilber cita em seus livros.
Particularmente problemática e questionável é a sugestão de Wilber de que deveríamos diagnosticar os clientes, em termos dos problemas emocionais, morais, intelectuais, existenciais, filosóficos e espirituais, nos quais eles demonstram de acordo com seu esquema e enviam-lhes a vários terapeutas diferentes, especialistas naquelas áreas (Wilber 2000).
Esta recomendação pode impressionar um leigo, como uma solução sofisticada, para problemas psicológicos, mas ela é ingênua e irreal, do ponto de vista de qualquer clínico experiente.
Os problemas acima, condizentes aos aspectos específicos do sistema de Wilber, podem facilmente ser corrigidos e eles não invalidam a utilidade de sua visão geral, como um projeto, para uma compreensiva compreensão da realidade.
Em anos recentes, Ken Wilber distanciou-se da psicologia transpessoal em favor de sua própria visão, que chamou psicologia integral. Numa acurada inspeção, aquilo a que ele se refere como psicologia, alcança muito além do que entendemos sob aquele nome e inclui áreas que pertencem a outras disciplinas. Neste sentido, sua abordagem integral, com as correções necessárias e ajustes discutidos acima, irão, no futuro, representar um contexto maior e mais útil para a psicologia transpessoal e uma ponte para a ciência atual, ao invés de substituir a “Quarta Força”.
* A segunda tentativa pioneira de integrar a psicologia transpessoal, dentro de uma nova visão compreensiva de mundo, tem sido o trabalho de Ervin Laszlo, o teórico de sistemas mais famoso do mundo, cientista interdisciplinar e filósofo de origem húngara, atualmente vivendo na Itália. Um indivíduo com interesses de amplitude multifacetada e talentos remanescentes das grandes figuras da Renascença, Laszlo adquiriu fama internacional, como um menino prodígio e pianista de concerto, em sua adolescência. Ele, então, se voltou para a ciência e a filosofia, poucos anos depois, iniciando a pesquisa de sua vida, para a compreensão da natureza humana e da natureza da realidade.
Onde Wilber delineou o que deveria ser uma teoria integral de tudo, Laszlo na realidade criou uma (Laszlo 1993, 1995, 2004, Laszlo and Abraham 2004).
Em uma tour de force intelectual e em uma série de livros, Laszlo explorou uma ampla faixa de disciplinas, incluindo astrofísica, física quântica-relativista, biologia e psicologia.
Ele destacou uma escala ampla de fenômenos, observações paradoxais e desafios paradigmáticos, para os quais essas disciplinas não têm explanações.
Examinou, então, as tentativas de vários pioneiros do novo paradigma da ciência, para fornecer soluções para esses desafios conceituais.
Isso incluiu a teoria do holomovimento de Bohm, o modelo holográfico do cérebro de Pribram, a teoria dos campos morfogenéticos de Sheldrake, o conceito das estruturas dissipativas de Prigogine e outros.
Olhou para as contribuições dessas teorias e também para os problemas que eles tinham sido incapazes de resolver.
Delineando os avanços das ciências inflexíveis e da matemática, Laszlo, então, ofereceu uma solução aos paradoxos atuais na ciência Ocidental, que transcende os limites das disciplinas individuais.
Esta solução foi alcançada, pela formulação de sua “hipótese de conectividade”, o atributo principal do que é a existência, que ele chama o “psi-campo,” (Laszlo 1993, 1995, Laszlo e Abraão 2004). Ele o descreve como um campo de subquantum, que mantém um registro holográfico de todos os eventos que aconteceram no mundo fenomenal.
Laszlo inclui em sua teoria toda-abrangente a psicologia transpersonal bem explícita e as filosofias espirituais, como exemplificadas pelo seu ensaio sobre a psicologia jungiana e a minha pesquisa da consciência (Laszlo) e em seu último livro Science and the Akashic Field: An Integral Theory of Everything (Laszlo 2004).
Tem sido muito animador ver que todos os novos desenvolvimentos revolucionários, na ciência, enquanto irreconciliáveis com o pensamento newtoniano-cartesiano e o materialismo monístico do século XVII, foram compatíveis com a psicologia transpessoal.
Em conseqüência destes avanços conceituais num número de disciplinas, tornou-se cada vez mais possível imaginar que a psicologia transpessoal será no futuro aceita por círculos acadêmicos e irá se tornar uma parte integral de uma visão científica mundial radicalmente nova.
Como o progresso científico continua movendo a antiga visão de mundo materialista do século XVII, nós podemos ver os contornos gerais de um compreensivo entendimento emergente, radicalmente novo em nós, na natureza e no universo em que vivemos.
Este novo paradigma deve ser capaz de reconciliar a ciência com a espiritualidade, baseado experiencialmente em uma natureza ecumênica, universal e toda-abrangente e que produz uma síntese da ciência moderna e da sabedoria antiga.
A International Transpersonal Association (ITA).
Desde seu princípio, no final da década de 1960, a Association of Transpersonal Psychology (ATP) realizou conferências anuais regulares em Asilomar, CA.
Como o interesse no movimento crescia e estendia além da área de Baía de São Francisco e exterior dos Estados Unidos, reuniões internacionais ocasionais de transpessoal foram organizadas, em várias partes do mundo. As duas primeiras aconteceram em Bifrost, Islândia, a terceira em Inari, Finlândia, e a quarta em Belo Horizonte, Brasil.
Na ocasião da reunião brasileira, estas conferências eram tão populares e bem assistidas que foi decidida a formalização da criação de uma instituição que as organizaria, a International Transpersonal Association (ITA).
A ITA foi lançada por Stanislav Grof, que se tornou o seu presidente fundador, acompanhado por Michael Murphy e Richard Price; os últimos dois deram início, no início da década de 1960, ao Instituto de Esalen, em Big Sur, Califórnia, o primeiro centro de potencial humano.
Em comparação com a Association of Transpersonal Psychology, a ITA era explicitamente internacional e interdisciplinar.
Naquela época, a orientação transpessoal tinha aparecido em muitos ramos de ciência e outras áreas de esforço humano. Então o programa das conferências de ITA não incluia somente psicólogos, psiquiatras e psicoterapeutas, mas, também, físicos, biólogos, antropólogos, médicos, mitólogos, filósofos, matemáticos, artistas, professores espirituais, educadores, políticos, economistas, e muitos outros.
A ITA realizou suas conferências em Boston, Massachusetts; Melbourne, Austrália; Bombay, Índia; Davos, Suiça; Kyoto, Japão; Santa Rosa, Califórnia; Eugene, Oregon; Praga, Tchecoslováquia; Killarney, Irlanda; Santa Clara, CA; Manaus, Brasil, e Palm Springs, CA, EUA.
*Representantes destacados da vida política, cultural e científica
*Referências Bibliográficas
(vide no site de Álvaro Jardim)
sábado, 4 de dezembro de 2010
O direito de ter direitos,ou como exercer a cidadania
Muito se fala em "cidadania", "cidadão participativo, comprometido com o coletivo"... e por aí vai. Resolvi nesta postagem desviar o foco para "o direito de ter direitos" e como exercer a cidadania. Durante a leitura desse e-mail, enviado a uma empresa, vão entender o porquê. Como seu conteúdo e o papel das lideranças é o que devem ser enfatizados, optei por omitir nomes de empresa, das pessoas que o receberam, do remetente. Foco: o ser humano ainda tem alternativas para se posicionar como cidadão, mesmo ante um sistema desumanizado encoberto por robotizações abstratas como estamos vivendo.
"À
Diretoria Geral
........... Brasil
a/c .....................................
Depois de várias tentativas inúteis, relatando ocorridos e mostrando evidências na expectativa de providências, bem como da consideração através de retornos, por escrito, das medidas tomadas, chego a essa Diretoria.
Proprietária da residência sita à rua ........ nº....., portanto vizinha direta da A. , estou na mesma desde 1975, quando ainda tinha como vizinha a P., logo comprada pela A. Nessa época, o cartão de visitas da A. era a excelência da qualidade de seus serviços e, em particular, de seu atendimento ao público e ao social. A receptividade de sua recepção chamava a atenção: pronta a atender quaisquer transtornos sociais, inclusive com seu livro preto aberto a reclamações e sugestões, e seu empenho em adotar uma transparência ética no retorno, por escrito, das soluções adotadas. Hoje, fico surpresa ao ver a recepção A. estar encoberta por vidros espelhados escondendo a pessoa que nos atende, que se permite até a omissão de seu nome, ao lhe ser perguntado. Robotização empresarial que obriga a que nos relacionemos com uma voz microfonizada: gutural, fria e desumana; e que, para sermos atendidos pessoalmente, tenhamos que pressionar insistentemente o botão vermelho de uma campainha. Em vão se procura uma caixa de sugestões ou endereço de ouvidorias oficiais, ligadas a uma administração geral, e não a chefias de setores específicos. E ficamos nos perguntado qual será atualmente a visão, valores e missão dessa empresa A. ... não a política aparente, colocada a céu aberto, mas a aplicada e vivenciada na prática cotidiana.
Apelo também ao Sr. J. que se una à diplomacia e honestidade ética do Sr. W. que, por diversas vezes, tem tentado nos auxiliar. Atualmente, embora sua enorme boa vontade e prontidão, o vemos impotente ante atuações antiéticas e desinformações, que encobrem o que verdadeiramente ocorre, e agregamos a isso a falta de fiscalização e responsabilização dos funcionários envolvidos. Até a qualidade de serviços terceirizados depende da firmeza e seriedade ética das chefias dos setores em que prestam serviços; sendo assim é difícil aceitar a justificativa de esquecimentos como, por exemplo, de acender luzes nas dependências nos finais de semana, ou ante telefonemas, no meio da noite, sobre barulho, receber como resposta que o mesmo não ocorre nas dependências A. , sem ao menos ir verificar. E ocorriam mesmo, pois existem equipes selecionadas para esses trabalhos "contínuos" e "extras ", que perduram a noite, finais de semana e feriados.
Aproveitamos para agradecer a disponibilidade e prontidão do Sr. W. para receber mensagens em seu celular, ou telefonemas nos mais diversos horários, até de madrugada, em feriados e finais de semana ( tudo então registrado) e que, de longe, com sua boa vontade em busca de interações harmônicas, tenta tomar providências à distância - ressaltamos tal fato - pela falta de comando do responsável em serviço na A. no momento.
Mesmo tendo sido por nós encaminhado Boletim de Ocorrência de Roubo sofrido por familiar, assediado por um motoqueiro em frente de nosso portão, nenhum resguardo foi observado, quanto a vigilância das calçadas, nos horários em que vários motoqueiros se aglomeram na frente da entrada da garagem dessa empresa, muitos até deitando na calçada. Pela intercorrência registrada é fácil comprovar no dia a dia: o horário, a entrada pela contramão na rua ... e o embicar na entrada A. Desse ponto veio, pela calçada, o motoqueiro que assaltou nosso familiar, trazendo grande prejuízo material.
Seus funcionários continuam parando em frente à nossa garagem, o que seria dificultado se houvesse essa vigilância. Não se observa mais nenhum funcionário no setor externo. Locais foram reservados com cones, ampliando a abertura do espaço para parada de motoqueiros. Ousamos propor uma sugestão: que seja demarcado espaço, por tempo limitado, na frente da A. para atender a funcionários "especiais", e mesmo aos que venham em busca de papeletas ou ordens de serviço, justificativas dos que param na frente de nossa residência. Talvez até pudesse haver vaga para deficientes em suas dependências.
Novamente galhos de nosso lado, sobre nosso muro, foram arrancados - enfatizo do nosso lado - como na 6ª e 4ª feiras passadas. Alegação que há tempos nos é dada: praga de planta. Refutamos! Como encontrar praga tão potente que em prazo de pouco mais de 12 horas consiga sumir com galhos cheios de folhas verdes, muitos brotos nascendo, com até 1,5 cm de diâmetro e por volta de 1.5 m de comprimento? Não conseguimos mais entrelaçar essa primavera nas três fileiras de arame que colocamos, e que nos serviriam de segurança, pois ela contém espinhos em seus galhos. Houve época em que essa trepadeira atingia a parede, perto da janela de nosso quarto, chegando até o teto.
Sobre os transtornos, continuamos nos perguntando:
- De quem parte a orientação para seu material de manutenção ser "jogado" embaixo da janela de nosso quarto? Desagradáveis sons de madeiras e metais sendo ouvidos, inclusive em horário noturno, como no caso de ontem após 22 horas, quando enviamos mensagem ao Sr. W.
- Por que a necessidade de utilizar nossa parede, trincada - e já mostrada há tempos a seus responsáveis, sem providências efetivas tomadas - em vários locais, pelas perfurações nela efetuadas? Até que ponto as trincas diagonais acima dos caixilhos de portas e janelas, bem como a dificuldade atual no encaixe das mesmas nos trilhos de alumínio, não se devem a ampliação de andares em suas constantes construções internas verticais?
- Por que esse pequeno espaço a descoberto, comparado ao terreno tão grande de suas dependências, precisa ser ocupado por vários materiais jogados, como calhas com sua canaleta voltada para cima? Por que não limpar o telhado da casa das máquinas com suas canaletas de escoamento constantemente bloqueadas por folhas caídas de árvore de seu próprio terreno? Tantas campanhas de advertência e esses locais podem se constituir em focos de dengue, pelo não escoamento adequado de águas da chuva. Por que mesmo com nossos avisos anteriores nada foi feito até a presente data?
- Por que suas máquinas são ligadas de madrugada, ininterruptamente, como no caso dos motores da bomba de água? A construção de uma caixa de água subterrânea de 75 mil litros de água passou a nos obrigar a conviver com o transtorno noturno de trepidação semelhante ao barulho do motor de uma máquina de lavar roupa ligada; e nosso organismo reage com as devidas alterações metabólicas ante o chacoalhar constante de água. Não pudemos excluir a hipótese dessa caixa estar ligada diretamente ao veio de água do córrego existente embaixo das residências construídas no local, pois através dela encontraríamos explicação para diversas alterações estruturais observadas na nossa residência - e já mostradas a responsáveis de altas escalas em sua empresa. Sem retorno!
- Por que suas máquinas, próximas à janela de nosso quarto, são ligadas, em altas voltagens, por volta de 4:00h, alarmes disparados por volta de 6:00h e só desligados às 6:45h como nessa segunda-feira? Que funcionário seria responsável por esse setor? Qualquer um tem acesso a essas ligações elétricas?
- Por que utilizar essas dependências tão perto de nossa residência para seus serviços de serralheria e pintura, sendo que é do conhecimento de suas chefia que em nossa residência transitam de idosos a recém-nascidos?
Não estamos conseguindo que o bom senso e o respeito à condição humana no reconhecimento de necessidades, voltadas à qualidade de vida ao redor, predominem na política da A. no que nos diz respeito. Agora nos sentimos mais enganados, pois no início de suas reformas foi-nos dado prazos para términos dos incômodos, e até garantido a mudança do local das máquinas. Falsa informações para ganhar tempo para a concretização das mesmas?
Acabamos ficando na mão de múltiplas "autoridades anônimas", com as medidas irracionais que podem implicar tal posição. Sem ninguém corporificado para assumir um comando, o descaso e falta de comprometimento, bem com a impunidade, se alastram. E o que nos parece pior, não estamos tendo registro de onde tem chegado nossas reclamações, pois medidas que bons funcionários, como Sr.W. tentam implementar, não são mantidas, caindo suas vozes no vazio da desconsideração de escalas inferiores e desinteresse de escalas superiores.
Tudo isso só nos deixa a alternativa de nos unir à reportagens midiáticas, buscando alianças com Prefeitura, Sabesp, Cetesb... e órgãos afins, que possam nos auxiliar a sanar os problemas e, de igual importância, que nos acompanhem na eficiência, eficácia e efetividade das soluções então encontradas.
Embora sem a mesma esperança inicial, ainda conservamos a expectativa de que essa Diretoria Geral, tomando ciência de tais fatos, possa nos auxiliar a sanar os transtornos; e nos encaminhar, por escrito, as providências tomadas, para que possamos também verificá-las na prática. Torcemos para que uma voz de comando, firme e incisiva, possa ser ouvida entre seus colaboradores internos, principalmente chefias mediatas e imediatas. O respeito a um líder vem da coragem em adotar e se bancar numa postura transparente e justa, que envolve o se nomear e assumir responsabilidades no comando de equipes de controle e fiscalização das medidas, para que não caiam no esquecimento ante o anonimato e abstração de comando empresarial.
L.T.
Data do envio do e-mail? Dia 02/12/2010 às 11:31h .
Até a presente data , dia 04/12/2010, não foi acusado nem o recebimento do mesmo, fácil de comprovar, pois foi enviado a/c de mais de uma pessoa em setores diferentes.
Vamos considerar pouco tempo para resposta?
Já pensaram se muitos assim exercessem sua cidadania e cobrassem seus direitos ante a desumanização, burocratização, anonimato e robotização empresarial?
Aurora Gite
"À
Diretoria Geral
........... Brasil
a/c .....................................
Depois de várias tentativas inúteis, relatando ocorridos e mostrando evidências na expectativa de providências, bem como da consideração através de retornos, por escrito, das medidas tomadas, chego a essa Diretoria.
Proprietária da residência sita à rua ........ nº....., portanto vizinha direta da A. , estou na mesma desde 1975, quando ainda tinha como vizinha a P., logo comprada pela A. Nessa época, o cartão de visitas da A. era a excelência da qualidade de seus serviços e, em particular, de seu atendimento ao público e ao social. A receptividade de sua recepção chamava a atenção: pronta a atender quaisquer transtornos sociais, inclusive com seu livro preto aberto a reclamações e sugestões, e seu empenho em adotar uma transparência ética no retorno, por escrito, das soluções adotadas. Hoje, fico surpresa ao ver a recepção A. estar encoberta por vidros espelhados escondendo a pessoa que nos atende, que se permite até a omissão de seu nome, ao lhe ser perguntado. Robotização empresarial que obriga a que nos relacionemos com uma voz microfonizada: gutural, fria e desumana; e que, para sermos atendidos pessoalmente, tenhamos que pressionar insistentemente o botão vermelho de uma campainha. Em vão se procura uma caixa de sugestões ou endereço de ouvidorias oficiais, ligadas a uma administração geral, e não a chefias de setores específicos. E ficamos nos perguntado qual será atualmente a visão, valores e missão dessa empresa A. ... não a política aparente, colocada a céu aberto, mas a aplicada e vivenciada na prática cotidiana.
Apelo também ao Sr. J. que se una à diplomacia e honestidade ética do Sr. W. que, por diversas vezes, tem tentado nos auxiliar. Atualmente, embora sua enorme boa vontade e prontidão, o vemos impotente ante atuações antiéticas e desinformações, que encobrem o que verdadeiramente ocorre, e agregamos a isso a falta de fiscalização e responsabilização dos funcionários envolvidos. Até a qualidade de serviços terceirizados depende da firmeza e seriedade ética das chefias dos setores em que prestam serviços; sendo assim é difícil aceitar a justificativa de esquecimentos como, por exemplo, de acender luzes nas dependências nos finais de semana, ou ante telefonemas, no meio da noite, sobre barulho, receber como resposta que o mesmo não ocorre nas dependências A. , sem ao menos ir verificar. E ocorriam mesmo, pois existem equipes selecionadas para esses trabalhos "contínuos" e "extras ", que perduram a noite, finais de semana e feriados.
Aproveitamos para agradecer a disponibilidade e prontidão do Sr. W. para receber mensagens em seu celular, ou telefonemas nos mais diversos horários, até de madrugada, em feriados e finais de semana ( tudo então registrado) e que, de longe, com sua boa vontade em busca de interações harmônicas, tenta tomar providências à distância - ressaltamos tal fato - pela falta de comando do responsável em serviço na A. no momento.
Mesmo tendo sido por nós encaminhado Boletim de Ocorrência de Roubo sofrido por familiar, assediado por um motoqueiro em frente de nosso portão, nenhum resguardo foi observado, quanto a vigilância das calçadas, nos horários em que vários motoqueiros se aglomeram na frente da entrada da garagem dessa empresa, muitos até deitando na calçada. Pela intercorrência registrada é fácil comprovar no dia a dia: o horário, a entrada pela contramão na rua ... e o embicar na entrada A. Desse ponto veio, pela calçada, o motoqueiro que assaltou nosso familiar, trazendo grande prejuízo material.
Seus funcionários continuam parando em frente à nossa garagem, o que seria dificultado se houvesse essa vigilância. Não se observa mais nenhum funcionário no setor externo. Locais foram reservados com cones, ampliando a abertura do espaço para parada de motoqueiros. Ousamos propor uma sugestão: que seja demarcado espaço, por tempo limitado, na frente da A. para atender a funcionários "especiais", e mesmo aos que venham em busca de papeletas ou ordens de serviço, justificativas dos que param na frente de nossa residência. Talvez até pudesse haver vaga para deficientes em suas dependências.
Novamente galhos de nosso lado, sobre nosso muro, foram arrancados - enfatizo do nosso lado - como na 6ª e 4ª feiras passadas. Alegação que há tempos nos é dada: praga de planta. Refutamos! Como encontrar praga tão potente que em prazo de pouco mais de 12 horas consiga sumir com galhos cheios de folhas verdes, muitos brotos nascendo, com até 1,5 cm de diâmetro e por volta de 1.5 m de comprimento? Não conseguimos mais entrelaçar essa primavera nas três fileiras de arame que colocamos, e que nos serviriam de segurança, pois ela contém espinhos em seus galhos. Houve época em que essa trepadeira atingia a parede, perto da janela de nosso quarto, chegando até o teto.
Sobre os transtornos, continuamos nos perguntando:
- De quem parte a orientação para seu material de manutenção ser "jogado" embaixo da janela de nosso quarto? Desagradáveis sons de madeiras e metais sendo ouvidos, inclusive em horário noturno, como no caso de ontem após 22 horas, quando enviamos mensagem ao Sr. W.
- Por que a necessidade de utilizar nossa parede, trincada - e já mostrada há tempos a seus responsáveis, sem providências efetivas tomadas - em vários locais, pelas perfurações nela efetuadas? Até que ponto as trincas diagonais acima dos caixilhos de portas e janelas, bem como a dificuldade atual no encaixe das mesmas nos trilhos de alumínio, não se devem a ampliação de andares em suas constantes construções internas verticais?
- Por que esse pequeno espaço a descoberto, comparado ao terreno tão grande de suas dependências, precisa ser ocupado por vários materiais jogados, como calhas com sua canaleta voltada para cima? Por que não limpar o telhado da casa das máquinas com suas canaletas de escoamento constantemente bloqueadas por folhas caídas de árvore de seu próprio terreno? Tantas campanhas de advertência e esses locais podem se constituir em focos de dengue, pelo não escoamento adequado de águas da chuva. Por que mesmo com nossos avisos anteriores nada foi feito até a presente data?
- Por que suas máquinas são ligadas de madrugada, ininterruptamente, como no caso dos motores da bomba de água? A construção de uma caixa de água subterrânea de 75 mil litros de água passou a nos obrigar a conviver com o transtorno noturno de trepidação semelhante ao barulho do motor de uma máquina de lavar roupa ligada; e nosso organismo reage com as devidas alterações metabólicas ante o chacoalhar constante de água. Não pudemos excluir a hipótese dessa caixa estar ligada diretamente ao veio de água do córrego existente embaixo das residências construídas no local, pois através dela encontraríamos explicação para diversas alterações estruturais observadas na nossa residência - e já mostradas a responsáveis de altas escalas em sua empresa. Sem retorno!
- Por que suas máquinas, próximas à janela de nosso quarto, são ligadas, em altas voltagens, por volta de 4:00h, alarmes disparados por volta de 6:00h e só desligados às 6:45h como nessa segunda-feira? Que funcionário seria responsável por esse setor? Qualquer um tem acesso a essas ligações elétricas?
- Por que utilizar essas dependências tão perto de nossa residência para seus serviços de serralheria e pintura, sendo que é do conhecimento de suas chefia que em nossa residência transitam de idosos a recém-nascidos?
Não estamos conseguindo que o bom senso e o respeito à condição humana no reconhecimento de necessidades, voltadas à qualidade de vida ao redor, predominem na política da A. no que nos diz respeito. Agora nos sentimos mais enganados, pois no início de suas reformas foi-nos dado prazos para términos dos incômodos, e até garantido a mudança do local das máquinas. Falsa informações para ganhar tempo para a concretização das mesmas?
Acabamos ficando na mão de múltiplas "autoridades anônimas", com as medidas irracionais que podem implicar tal posição. Sem ninguém corporificado para assumir um comando, o descaso e falta de comprometimento, bem com a impunidade, se alastram. E o que nos parece pior, não estamos tendo registro de onde tem chegado nossas reclamações, pois medidas que bons funcionários, como Sr.W. tentam implementar, não são mantidas, caindo suas vozes no vazio da desconsideração de escalas inferiores e desinteresse de escalas superiores.
Tudo isso só nos deixa a alternativa de nos unir à reportagens midiáticas, buscando alianças com Prefeitura, Sabesp, Cetesb... e órgãos afins, que possam nos auxiliar a sanar os problemas e, de igual importância, que nos acompanhem na eficiência, eficácia e efetividade das soluções então encontradas.
Embora sem a mesma esperança inicial, ainda conservamos a expectativa de que essa Diretoria Geral, tomando ciência de tais fatos, possa nos auxiliar a sanar os transtornos; e nos encaminhar, por escrito, as providências tomadas, para que possamos também verificá-las na prática. Torcemos para que uma voz de comando, firme e incisiva, possa ser ouvida entre seus colaboradores internos, principalmente chefias mediatas e imediatas. O respeito a um líder vem da coragem em adotar e se bancar numa postura transparente e justa, que envolve o se nomear e assumir responsabilidades no comando de equipes de controle e fiscalização das medidas, para que não caiam no esquecimento ante o anonimato e abstração de comando empresarial.
L.T.
Data do envio do e-mail? Dia 02/12/2010 às 11:31h .
Até a presente data , dia 04/12/2010, não foi acusado nem o recebimento do mesmo, fácil de comprovar, pois foi enviado a/c de mais de uma pessoa em setores diferentes.
Vamos considerar pouco tempo para resposta?
Já pensaram se muitos assim exercessem sua cidadania e cobrassem seus direitos ante a desumanização, burocratização, anonimato e robotização empresarial?
Aurora Gite
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Quer um filho assim de presente de Natal?
Tenho abordado muito que o "estar bem espiritualmente" e "autocentrado" propicia mais recursos mentais para o império da "razão", e maior presteza para discriminá-la de raciocínios lógicos egóicos. A meu ver, reconhecendo e aceitando os pontos fracos e fortes, se pode optar por superá-los, buscando equilibrar a energia entre essas forças internas. Fraquezas sempre vão existir. No entanto, podem não implicar em vulnerabilidade, se buscar manter um centro de auto-referências transparente e fortalecido.
Na opção pela energia das virtudes ( e o "amor" me parece a maior delas) como fontes psíquicas integradoras, uma boa dica é buscar responder: "Será que eu mereço isso?". O critério do merecimento vale para auto-avaliação reflexiva e coragem para mudanças, tanto quanto para dar um basta a interações desgastantes.
Tudo isso parece "fácil" e "lindo" estando no papel? Quer um exemplo prático? Então leia essa carta, de um filho (18 anos) dirigida a uma mãe, de tal grandiosidade que merece ser compartilhada com todos vocês. Expressão de amor genuíno, acredito que possa "servir de empurrão" para muita gente. Foi transcrita literalmente:
" Mamãe linda,
Acho que um problema que herdei do vovô foi a baixa eloquência para lidar com pessoas muito próximas. O J. e o F. têm trabalhado isso em mim, com ótimos resultados, mas ainda é difícil. Tem algumas coisas que eu quero te falar. A primeira, que é a mais importante, é que eu te amo DEMAIS e não quero que você jamais chegue a sonhar em duvidar disso.
Se eu me afasto de vez em quando é porque não estou muito bem e não quero passar essa energia ruim pra você, afinal você precisa estar 100% positiva pra passar E superar essa fase.
Não tô muito legal porque o meu lado emocional, que sempre sustentou a falta financeira e as brigas em casa, deu uma batida MUITO forte, e está começando a cicatrizar agora. Não adianta insistir que eu não vou compartilhar isso com você; você tem muitas outras coisas em que eu preciso que você foque.
Mas essa minha fase me mostrou como é importante a gente estar sempre com os amigos, mais próximos e parecidos, BEM próximos de nós. Liga mais pra tia V., veja mais ela, marque um filme de vez em quando (mesmo que seja de dia de semana ou, quando estiver sem dinheiro, só um DVD mesmo). Você talvez não perceba, mas ela sempre te faz muito bem. Se abra mais com ela também, não tem ninguém que vai te entender melhor, já passaram por muitas coisas parecidas.
Não deixe a peteca cair. A mãe da minha irmã diz sempre pra ela que é ela a única pessoa que não acredita no próprio potencial, e vejo você com o mesmo problema. Tenha mais certeza do seu próprio talento na hora de falar.
Nunca apele pra sua situação, não é problema de ninguém como sua vida está; as pessoas só se preocupam com sua experiência e capacitação. Vale muito mais citar seus anos de administradora de consultório e ... do que sua vida sofrida de viúva com dois filhos. E isso vale pra QUALQUER lugar. Se correr atrás não tá adiantando, aprenda a voar. Sonhe cada vez mais alto, mas bata as asas para ir subindo atrás dele. Mexa-se mais! Não importa o quanto você esteja fazendo, SEMPRE é possivel fazer mais. Tente diferente! Teclar a mesma tecla quebrada não vai resolver, pense em comprar outro teclado, nem que pra isso você tenha que vender, tudo o que der, do quebrado.
NUNCA diga que uma porta está trancada sem girar a maçaneta; é o que você mais tem feito ultimamente e isso me decepciona muitíssimo. Se, mesmo girando, a porta não abrir, empurre um pouco com muita força. Por fim, se ainda estiver fechada, procure nos seus bolsos, muitas vezes a chave está com você mesmo. Depois de ter certeza que aquela porta não vai te levar a lugar nenhum, sente...SÓ pelo tempo necessário para respirar fundo 10 vezes. É o suficiente para repor as energias. Se achar que não, tome um energético e lembre que tem gente te esperando no fim do caminho. Levante e vá em FRENTE. Para trás só haverão portas fechadas; você já testou todas.
Cuida do seu corpo. Você já dorme demais; se obrigue a deitar sempre às 23h e acordar às 6h, você vai ver como rende muito mais seu dia. No começo ( três primeiros dias) vai ser difícil, mas garanto que vale a pena. Faça sexo (nem acredito que tô falando isso pra minha mãe), definitivamente não quero saber quando e nem com quem, mas isso estimula a cabeça a trabalhar melhor e libera hormônios que nos dão ânimo pra tudo. Você é linda e interessantíssima, não tem dificuldades pra achar alguém pra um passatempo.
PARE de procurar alguém para ser sua base! Você só vai achar um amor quando tirar da cabeça que precisa de alguém pra por sua vida em ordem! Você é capaz e "vai ter que" fazer isso SOZINHA! Precisa de um amor pra compartilhar suas felicidades e aliviar as tristezas dele. Isso é que realmente nos faz bem num relacionamento. Se não tem alegrias para dividir, procure quem precisa de um ouvido, e ouça todos seus problemas. Pode parecer estranho, mas quando nos despertamos para ajudar alguém nossos problemas se mostram pequenos, como realmente são perto desse mundo todo.
Ouça seus próprios conselhos! Nem todos são propriamente bons, mas os melhores são os que você menos segue. Quando estiver sozinha, repasse tudo que você disse aos outros e aplique TUDO a você mesma. PARE de citar exemplos e SEJA você o exemplo. Procure cada vez menos dizer "Olhe como fulano está fazendo" e busque cada vez mais poder falar "Olhe como EU estou fazendo".
Quando precisar de dinheiro, ao invés de bater na porta de seu pai, bata na porta de alguma clínica e veja se não há alguma vaga. NÃO, você NÃO pode ter certeza de que a porta está trancada antes de girar a maçaneta, empurrar com força e procurar a chave. Pare de deixar as coisas passarem batidas, tudo, por menor que seja, deve ser levado em conta e analisado com muita cautela, a repercussão pode ser maior do que se espera.
Você definitivamente não precisa e nem vai ter quem te ajude a andar, você já aprendeu a fazer isso sozinha! Não procure bengalas, mas caminhos! Se parecer que não há nenhum, ache um facão e desbrave um. Uma mulher que passou pelo que você passou tem força pra isso. Não evite chorar, é um bem imenso lavar o que nos incomoda. No entanto, busque sorrir mais, veja vídeos engraçados, ouça piadas ou ligue para conversar com alguém cuja voz lhe agrada.
E, sempre que precisar de um abraço, você tem um filho, que te ama demais, de braços abertos pra te apertar bem forte. e dar uma chacoalhada nessa tua cabeça instável.
F.
05.10.10
Na opção pela energia das virtudes ( e o "amor" me parece a maior delas) como fontes psíquicas integradoras, uma boa dica é buscar responder: "Será que eu mereço isso?". O critério do merecimento vale para auto-avaliação reflexiva e coragem para mudanças, tanto quanto para dar um basta a interações desgastantes.
Tudo isso parece "fácil" e "lindo" estando no papel? Quer um exemplo prático? Então leia essa carta, de um filho (18 anos) dirigida a uma mãe, de tal grandiosidade que merece ser compartilhada com todos vocês. Expressão de amor genuíno, acredito que possa "servir de empurrão" para muita gente. Foi transcrita literalmente:
" Mamãe linda,
Acho que um problema que herdei do vovô foi a baixa eloquência para lidar com pessoas muito próximas. O J. e o F. têm trabalhado isso em mim, com ótimos resultados, mas ainda é difícil. Tem algumas coisas que eu quero te falar. A primeira, que é a mais importante, é que eu te amo DEMAIS e não quero que você jamais chegue a sonhar em duvidar disso.
Se eu me afasto de vez em quando é porque não estou muito bem e não quero passar essa energia ruim pra você, afinal você precisa estar 100% positiva pra passar E superar essa fase.
Não tô muito legal porque o meu lado emocional, que sempre sustentou a falta financeira e as brigas em casa, deu uma batida MUITO forte, e está começando a cicatrizar agora. Não adianta insistir que eu não vou compartilhar isso com você; você tem muitas outras coisas em que eu preciso que você foque.
Mas essa minha fase me mostrou como é importante a gente estar sempre com os amigos, mais próximos e parecidos, BEM próximos de nós. Liga mais pra tia V., veja mais ela, marque um filme de vez em quando (mesmo que seja de dia de semana ou, quando estiver sem dinheiro, só um DVD mesmo). Você talvez não perceba, mas ela sempre te faz muito bem. Se abra mais com ela também, não tem ninguém que vai te entender melhor, já passaram por muitas coisas parecidas.
Não deixe a peteca cair. A mãe da minha irmã diz sempre pra ela que é ela a única pessoa que não acredita no próprio potencial, e vejo você com o mesmo problema. Tenha mais certeza do seu próprio talento na hora de falar.
Nunca apele pra sua situação, não é problema de ninguém como sua vida está; as pessoas só se preocupam com sua experiência e capacitação. Vale muito mais citar seus anos de administradora de consultório e ... do que sua vida sofrida de viúva com dois filhos. E isso vale pra QUALQUER lugar. Se correr atrás não tá adiantando, aprenda a voar. Sonhe cada vez mais alto, mas bata as asas para ir subindo atrás dele. Mexa-se mais! Não importa o quanto você esteja fazendo, SEMPRE é possivel fazer mais. Tente diferente! Teclar a mesma tecla quebrada não vai resolver, pense em comprar outro teclado, nem que pra isso você tenha que vender, tudo o que der, do quebrado.
NUNCA diga que uma porta está trancada sem girar a maçaneta; é o que você mais tem feito ultimamente e isso me decepciona muitíssimo. Se, mesmo girando, a porta não abrir, empurre um pouco com muita força. Por fim, se ainda estiver fechada, procure nos seus bolsos, muitas vezes a chave está com você mesmo. Depois de ter certeza que aquela porta não vai te levar a lugar nenhum, sente...SÓ pelo tempo necessário para respirar fundo 10 vezes. É o suficiente para repor as energias. Se achar que não, tome um energético e lembre que tem gente te esperando no fim do caminho. Levante e vá em FRENTE. Para trás só haverão portas fechadas; você já testou todas.
Cuida do seu corpo. Você já dorme demais; se obrigue a deitar sempre às 23h e acordar às 6h, você vai ver como rende muito mais seu dia. No começo ( três primeiros dias) vai ser difícil, mas garanto que vale a pena. Faça sexo (nem acredito que tô falando isso pra minha mãe), definitivamente não quero saber quando e nem com quem, mas isso estimula a cabeça a trabalhar melhor e libera hormônios que nos dão ânimo pra tudo. Você é linda e interessantíssima, não tem dificuldades pra achar alguém pra um passatempo.
PARE de procurar alguém para ser sua base! Você só vai achar um amor quando tirar da cabeça que precisa de alguém pra por sua vida em ordem! Você é capaz e "vai ter que" fazer isso SOZINHA! Precisa de um amor pra compartilhar suas felicidades e aliviar as tristezas dele. Isso é que realmente nos faz bem num relacionamento. Se não tem alegrias para dividir, procure quem precisa de um ouvido, e ouça todos seus problemas. Pode parecer estranho, mas quando nos despertamos para ajudar alguém nossos problemas se mostram pequenos, como realmente são perto desse mundo todo.
Ouça seus próprios conselhos! Nem todos são propriamente bons, mas os melhores são os que você menos segue. Quando estiver sozinha, repasse tudo que você disse aos outros e aplique TUDO a você mesma. PARE de citar exemplos e SEJA você o exemplo. Procure cada vez menos dizer "Olhe como fulano está fazendo" e busque cada vez mais poder falar "Olhe como EU estou fazendo".
Quando precisar de dinheiro, ao invés de bater na porta de seu pai, bata na porta de alguma clínica e veja se não há alguma vaga. NÃO, você NÃO pode ter certeza de que a porta está trancada antes de girar a maçaneta, empurrar com força e procurar a chave. Pare de deixar as coisas passarem batidas, tudo, por menor que seja, deve ser levado em conta e analisado com muita cautela, a repercussão pode ser maior do que se espera.
Você definitivamente não precisa e nem vai ter quem te ajude a andar, você já aprendeu a fazer isso sozinha! Não procure bengalas, mas caminhos! Se parecer que não há nenhum, ache um facão e desbrave um. Uma mulher que passou pelo que você passou tem força pra isso. Não evite chorar, é um bem imenso lavar o que nos incomoda. No entanto, busque sorrir mais, veja vídeos engraçados, ouça piadas ou ligue para conversar com alguém cuja voz lhe agrada.
E, sempre que precisar de um abraço, você tem um filho, que te ama demais, de braços abertos pra te apertar bem forte. e dar uma chacoalhada nessa tua cabeça instável.
F.
05.10.10
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Novas descobertas demandam nova visão de mundo
"Potencial é o mesmo que possibilidades não vistas. Ou você vê que algo é possível, ou não vê. Impossível é apenas outro nome para o que não é visto." ... " Não podemos negar o fato de que as formas de vida estão constantemente evoluindo, passando a níveis mais altos de abstração, imaginação, perspicácia, inspiração." (Chopra,Deepak. "O Efeito Sombra", p.84 e p.82)
Considero importante realçar que um conhecimento científico deve ser compartilhado e que pesquisas devem ser embasadas em amostras representativas. Não devem ser manipuladas em prol de resultados imediatos e interesses pessoais. Nesse sentido, a honestidade dialética é que permite o agregar de forças, visando a evolução da ciência. Caminhamos juntos?
Vou tentar me posicionar, para que possa ser entendido meu trajeto pessoal e formação profissional. O início de meus interesses pelo bioeletromagnetismo teve como marco a busca de entender algumas experiências, ocorridas no final da década de 70, do "segundo milênio". Ainda estranho essa colocação.
Dos ensinamentos dos Vedas e do Budismo, passando por Krishnamurti e pela meditação na yoga, por um vértice; Carl Sagan e Fritz Capra, por outro; Fromm e Rogers, Fritz Perls e Stevens, Maslow e Forghieri, em outro; Laing, Horney, Klein, Adler e Jung, fechando outro vértice de uma pirâmide evolutica. Em seu cume, permitindo a passagem para a parte superior dessa figura geométrica e o amplo vislumbrar de novas perspectivas, coloco a Psicologia Transpessoal com seu corpo teórico que sintetiza algumas dessas visões, integrando conhecimentos de escolas psicológicas ocidentais com elementos das tradições esotéricas. dando espaço para a inclusão da dimensão espiritual do ser humano. Em sua proposta holística da consciência, Wilber considera-a una, e por sua multiplicidade de aspectos, defende a idéia da existência de um espectro da consciência, de maneira análoga às radiações eletromagnéticas e seus diversos comprimentos de ondas.
O contato com filósofos e pensadores ocorreu bem antes; dei a mão para Plotino e Platão, Aristóleles e Kant, Schopenhauer e Nietzsche...Sempre os considerei como alimento para minha alma. Em cada um encontrava elementos que me possibilitavam maior autoconhecimento e melhor compreensão do que ocorria com meus pacientes - e, com isso, meios mais efetivos de ajudá-los terapêuticamente.
Vou me permitir fazer um parêntese. Olhando para trás, deixando a mente vagar por recordações longínquas, desde criança minhas inquietudes se voltavam aos "Por que o ser humano não consegue se enxergar, e só vê sua imagem refletida num espelho?"; "Por que ficamos presos no globo pela força da gravidade e se pensarmos no planeta Terra estamos soltos no espaço?"; "Por que nossa mente é povoada de pensamentos e idéias? O que surge antes?" Por aí se vê que minhas interações prazerosas não foram tão fáceis, e trocas de idéias que pudessem aplacar minhas curiosidades e angústias foram raras.
Cada vez mais me distanciava da Psicanálise Freudiana ou de como foi usada por muitos psicanalistas tradicionais, e mais me aproximava da liberdade terapêutica de adotar várias perspectivas, bem como de interações dialéticas socráticas substituindo o divã, a falta de visão e o silêncio das técnicas analíticas. Não gosto de me sentir "engessada" em regras e julgamentos preconceituosos, tendo que me obrigar a segui-los para ser aceita por grupos ou pessoas. Continuo hoje questionando o saber fechado, baseado em interpretações subjetivas e a complexidade de conceitos, que dificultam a leitura psíquica e compreensão de relatos casuísticos, em momentos de discussão interdisciplinar. Aliás, relendo Freud, tenho dúvidas sobre muitas posturas que lhe foram atribuídas por seus seguidores mais fanáticos. Adotei uma postura mais eclética a nível teórico e instrumental, onde o paciente não era engessado em molduras teóricas e como terapeuta, senti-me mais livre ante o uso dessa instrumentação técnica mais diversificada.
Após essas premissas procurando uma frequência comunicativa mais alinhada e afinada, vamos lá, deixar registradas as considerações abaixo.
Continuo minhas pesquisas sobre a relação entre as vias de canalizações de energias sexuais orgásticas e energias psíquicas mais sutis, extrafísicas. Foco, atualmente, o sistema endócrino e os novos estudos sobre a glândula pineal, as descobertas sobre a melatonina e as pesquisas sobre as interações entre elas. Nesse campo experimental vale se inteirar da evolução em Radiologia Médica e na área da Imagiologia, graças a alta tecnologia desenvolvida pela Física. Não vou ser repetitiva sobre o papel desempenhado pelas descobertas da Física Quântica no descortinar desse novo mundo.
Gosto de imaginar o paciente em terapia trilhando os patamares de uma pirâmide. Na base inferior suas angústias, seus conflitos, sua patologias... ou como diz Chopra, sua sombra que necessita ser ultrapassada para alcançar a plenitude da liberdade integradora. Também constato, como ele, que nosso lado sombrio defende as riquezas do inconsciente, e que a plenitude e a cura estão intimamente ligadas. Ainda, podemos apreender muitas técnicas de cura, de uma observação atenta sobre os sistemas do corpo físico e seu funcionamento integrado. O difícil é integrar um self dividido. Desafio que me impulsiona a buscar estímulo na famosa frase: "Mãos à obra!". A observação e comprovação de bom prognóstico, e mesmo cura, em pacientes, que conservam dentro de si a esperança e fortalecem sua fé intuitiva, é um grande incentivo.
Como propiciar o "contato consciente" com a espontaneidade de sua essência e potencial criativo, a não ser por uma reavaliação do que serve ou não dos valores "incorporados sem pensar" familiares e culturais? Como conquistar sua autovalorização pessoal? É um árduo caminho que tem como primeiro passo o seu libertar do que não pertence a sua personalidade; depois o conviver com o desamparo e o vazio internos e com a dor do parto por ele mesmo induzido; a seguir entrar em contato com o seu nascer como pessoa, com a livre expressão de sua potencialidade e da responsabilidade de tornar-se indivíduo e cidadão participativo do social onde está inserido. É fácil se perceber como é importante uma aliança terapêutica baseada em relação de aceitação incondicional, de confiabilidade e fidelidade, que possa vir a se constituir em experiência emocional corretiva.
Volto a imagem da pirâmide e a observação de um novo patamar de canalização de energias internas. A manutenção do ser humano no caminho das virtudes - qualidades morais que lhe são inerentes e que podem se constituir em campo de forças integradoras no mundo psíquico -impulsiona a uma convivência interativa interna e externa, dentro de uma honestidade ética dialética, que culmina num evoluir e se autorrealizar espiritualmente.
As dimensões físicas do agir, pensar e sentir não mais comportam essa qualidade energética.
Ao se chegar a uma compreensão holística de seu papel no mundo dos paradoxos, a serem aceitos e ultrapassados, surge uma unicidade compreensiva que dá um significado diferente ao momento vivido em plenitude, sentido e não julgado, apreendido por uma sabedoria intuitiva, que se une ao bom senso racional e à razão pura kantiana. Vale conferir as correlacões entre esse estado e as descobertas científicas citadas por Eduardo Augusto Lourenço em seu livro "O Ser Consciencial: na busca do auto-conhecimento"(2009).
Essa nova dimensão do ser humano é atingida por um caminhar solitário nesse deserto de desapegos, único e pessoal. Consiste em experiência individual difícil de abarcar por relatos pois ainda é indescritível em palavras. Atualmente, muitas pessoas ousam relatar experiências semelhantes e, ante a proximidade dos conhecimentos advindos através da Física Quântica, algumas hipóteses já podem ser traçadas.
Algumas idéias já coloquei em blogs anteriores. Defendo que a Psicologia é grandeza física do campo do biomagnetismo, e que as interações da energia psíquica fazem parte do mundo das partículas subatômicas, demandando de leitura da Nova Física para adquirir status de ciência, como ambicionava Freud ( aliás deixou esse anseio em seus registros escritos).
Atuais experiências já constatam transmutações de energias captadas por ondas vibratórias (pensamentos) em mensagens fisicoquímicas, unindo eletricidade, magnetismo e neuroquímica. Dica para quem tenha interesse: buscar no Google e se inteirar das pesquisas de Vollrath e Semm; Philip Lansky e seus fármacos; neurocientistas do Instituto de Biofísica da Universidade Federal de São Paulo; estudos em Radiônica; Aguilera, físico-espiritualista... e por aí vai. É montarem seu próprio quebracabeça com a configuração de peças de seu interesse pessoal.
No meu caso, me interessei pelo estado de relaxamento que permitia um campo mental mais aberto e receptivo a ocorrência de um "processo de imantação", semelhante a uma mola (salto quântico?), onde a consciência humana não se desconecta da atividade corporal, mas se vê puxada por uma força, num "religar" que lhe permite atingir um campo com outras grandezas. Sensações de paz e amor/aconchego; luz e calor; ausência de palavras e um silêncio interior comunicativo/um pensar sem palavras; plenitude contemplativa e estado de êxtase/orgasmo espiritual (não físico) único e duradouro. A experiência não se apaga com o passar dos anos.
Confiram os avanços das pesquisas relacionadas ao nosso DNA: descobertas de Fritz-Albert Popp e de Burr; de Gregg Braden; de Vladimir Poponin... entre outras.
Cabem muitas reflexões ao se adotar postura aberta e receptiva a essas novas informações, resignação ante a queda de paradigmas obsoletos e aceitação dos novos conhecimentos advindos da era tecnológica e digital do Terceiro Milênio. Acredito que as profecias de Nostradamus não estavam tão erradas em suas incisivas afirmações de "fim de mundo", linguagem simbólica para expressar transformações, da grandiosidade que estão sendo presenciadas, cuja compreensão não mais cabe dentro da visão de homem e de mundo que predominou até agora.
Ante todas as informações que chegam a uma velocidade assustadora, só se pode entoar o pedido de: "serenidade e paz interior para aceitar o que não pode ser mudado... e sabedoria e coragem para alterar o que tem que ser mudado".
Uma das maiores angústias a enfrentar ante esse mundo desconhecido é a sensação de estranheza que advém. Um dos maiores obstáculos a ser enfrentado é lutar para "se manter inserido no mundo novo como cidadão participativo" e não espectador passivo, patinando no velho que, na realidade, não existe mais, a não ser na memória de cada um.
Aurora Gite
Considero importante realçar que um conhecimento científico deve ser compartilhado e que pesquisas devem ser embasadas em amostras representativas. Não devem ser manipuladas em prol de resultados imediatos e interesses pessoais. Nesse sentido, a honestidade dialética é que permite o agregar de forças, visando a evolução da ciência. Caminhamos juntos?
Vou tentar me posicionar, para que possa ser entendido meu trajeto pessoal e formação profissional. O início de meus interesses pelo bioeletromagnetismo teve como marco a busca de entender algumas experiências, ocorridas no final da década de 70, do "segundo milênio". Ainda estranho essa colocação.
Dos ensinamentos dos Vedas e do Budismo, passando por Krishnamurti e pela meditação na yoga, por um vértice; Carl Sagan e Fritz Capra, por outro; Fromm e Rogers, Fritz Perls e Stevens, Maslow e Forghieri, em outro; Laing, Horney, Klein, Adler e Jung, fechando outro vértice de uma pirâmide evolutica. Em seu cume, permitindo a passagem para a parte superior dessa figura geométrica e o amplo vislumbrar de novas perspectivas, coloco a Psicologia Transpessoal com seu corpo teórico que sintetiza algumas dessas visões, integrando conhecimentos de escolas psicológicas ocidentais com elementos das tradições esotéricas. dando espaço para a inclusão da dimensão espiritual do ser humano. Em sua proposta holística da consciência, Wilber considera-a una, e por sua multiplicidade de aspectos, defende a idéia da existência de um espectro da consciência, de maneira análoga às radiações eletromagnéticas e seus diversos comprimentos de ondas.
O contato com filósofos e pensadores ocorreu bem antes; dei a mão para Plotino e Platão, Aristóleles e Kant, Schopenhauer e Nietzsche...Sempre os considerei como alimento para minha alma. Em cada um encontrava elementos que me possibilitavam maior autoconhecimento e melhor compreensão do que ocorria com meus pacientes - e, com isso, meios mais efetivos de ajudá-los terapêuticamente.
Vou me permitir fazer um parêntese. Olhando para trás, deixando a mente vagar por recordações longínquas, desde criança minhas inquietudes se voltavam aos "Por que o ser humano não consegue se enxergar, e só vê sua imagem refletida num espelho?"; "Por que ficamos presos no globo pela força da gravidade e se pensarmos no planeta Terra estamos soltos no espaço?"; "Por que nossa mente é povoada de pensamentos e idéias? O que surge antes?" Por aí se vê que minhas interações prazerosas não foram tão fáceis, e trocas de idéias que pudessem aplacar minhas curiosidades e angústias foram raras.
Cada vez mais me distanciava da Psicanálise Freudiana ou de como foi usada por muitos psicanalistas tradicionais, e mais me aproximava da liberdade terapêutica de adotar várias perspectivas, bem como de interações dialéticas socráticas substituindo o divã, a falta de visão e o silêncio das técnicas analíticas. Não gosto de me sentir "engessada" em regras e julgamentos preconceituosos, tendo que me obrigar a segui-los para ser aceita por grupos ou pessoas. Continuo hoje questionando o saber fechado, baseado em interpretações subjetivas e a complexidade de conceitos, que dificultam a leitura psíquica e compreensão de relatos casuísticos, em momentos de discussão interdisciplinar. Aliás, relendo Freud, tenho dúvidas sobre muitas posturas que lhe foram atribuídas por seus seguidores mais fanáticos. Adotei uma postura mais eclética a nível teórico e instrumental, onde o paciente não era engessado em molduras teóricas e como terapeuta, senti-me mais livre ante o uso dessa instrumentação técnica mais diversificada.
Após essas premissas procurando uma frequência comunicativa mais alinhada e afinada, vamos lá, deixar registradas as considerações abaixo.
Continuo minhas pesquisas sobre a relação entre as vias de canalizações de energias sexuais orgásticas e energias psíquicas mais sutis, extrafísicas. Foco, atualmente, o sistema endócrino e os novos estudos sobre a glândula pineal, as descobertas sobre a melatonina e as pesquisas sobre as interações entre elas. Nesse campo experimental vale se inteirar da evolução em Radiologia Médica e na área da Imagiologia, graças a alta tecnologia desenvolvida pela Física. Não vou ser repetitiva sobre o papel desempenhado pelas descobertas da Física Quântica no descortinar desse novo mundo.
Gosto de imaginar o paciente em terapia trilhando os patamares de uma pirâmide. Na base inferior suas angústias, seus conflitos, sua patologias... ou como diz Chopra, sua sombra que necessita ser ultrapassada para alcançar a plenitude da liberdade integradora. Também constato, como ele, que nosso lado sombrio defende as riquezas do inconsciente, e que a plenitude e a cura estão intimamente ligadas. Ainda, podemos apreender muitas técnicas de cura, de uma observação atenta sobre os sistemas do corpo físico e seu funcionamento integrado. O difícil é integrar um self dividido. Desafio que me impulsiona a buscar estímulo na famosa frase: "Mãos à obra!". A observação e comprovação de bom prognóstico, e mesmo cura, em pacientes, que conservam dentro de si a esperança e fortalecem sua fé intuitiva, é um grande incentivo.
Como propiciar o "contato consciente" com a espontaneidade de sua essência e potencial criativo, a não ser por uma reavaliação do que serve ou não dos valores "incorporados sem pensar" familiares e culturais? Como conquistar sua autovalorização pessoal? É um árduo caminho que tem como primeiro passo o seu libertar do que não pertence a sua personalidade; depois o conviver com o desamparo e o vazio internos e com a dor do parto por ele mesmo induzido; a seguir entrar em contato com o seu nascer como pessoa, com a livre expressão de sua potencialidade e da responsabilidade de tornar-se indivíduo e cidadão participativo do social onde está inserido. É fácil se perceber como é importante uma aliança terapêutica baseada em relação de aceitação incondicional, de confiabilidade e fidelidade, que possa vir a se constituir em experiência emocional corretiva.
Volto a imagem da pirâmide e a observação de um novo patamar de canalização de energias internas. A manutenção do ser humano no caminho das virtudes - qualidades morais que lhe são inerentes e que podem se constituir em campo de forças integradoras no mundo psíquico -impulsiona a uma convivência interativa interna e externa, dentro de uma honestidade ética dialética, que culmina num evoluir e se autorrealizar espiritualmente.
As dimensões físicas do agir, pensar e sentir não mais comportam essa qualidade energética.
Ao se chegar a uma compreensão holística de seu papel no mundo dos paradoxos, a serem aceitos e ultrapassados, surge uma unicidade compreensiva que dá um significado diferente ao momento vivido em plenitude, sentido e não julgado, apreendido por uma sabedoria intuitiva, que se une ao bom senso racional e à razão pura kantiana. Vale conferir as correlacões entre esse estado e as descobertas científicas citadas por Eduardo Augusto Lourenço em seu livro "O Ser Consciencial: na busca do auto-conhecimento"(2009).
Essa nova dimensão do ser humano é atingida por um caminhar solitário nesse deserto de desapegos, único e pessoal. Consiste em experiência individual difícil de abarcar por relatos pois ainda é indescritível em palavras. Atualmente, muitas pessoas ousam relatar experiências semelhantes e, ante a proximidade dos conhecimentos advindos através da Física Quântica, algumas hipóteses já podem ser traçadas.
Algumas idéias já coloquei em blogs anteriores. Defendo que a Psicologia é grandeza física do campo do biomagnetismo, e que as interações da energia psíquica fazem parte do mundo das partículas subatômicas, demandando de leitura da Nova Física para adquirir status de ciência, como ambicionava Freud ( aliás deixou esse anseio em seus registros escritos).
Atuais experiências já constatam transmutações de energias captadas por ondas vibratórias (pensamentos) em mensagens fisicoquímicas, unindo eletricidade, magnetismo e neuroquímica. Dica para quem tenha interesse: buscar no Google e se inteirar das pesquisas de Vollrath e Semm; Philip Lansky e seus fármacos; neurocientistas do Instituto de Biofísica da Universidade Federal de São Paulo; estudos em Radiônica; Aguilera, físico-espiritualista... e por aí vai. É montarem seu próprio quebracabeça com a configuração de peças de seu interesse pessoal.
No meu caso, me interessei pelo estado de relaxamento que permitia um campo mental mais aberto e receptivo a ocorrência de um "processo de imantação", semelhante a uma mola (salto quântico?), onde a consciência humana não se desconecta da atividade corporal, mas se vê puxada por uma força, num "religar" que lhe permite atingir um campo com outras grandezas. Sensações de paz e amor/aconchego; luz e calor; ausência de palavras e um silêncio interior comunicativo/um pensar sem palavras; plenitude contemplativa e estado de êxtase/orgasmo espiritual (não físico) único e duradouro. A experiência não se apaga com o passar dos anos.
Confiram os avanços das pesquisas relacionadas ao nosso DNA: descobertas de Fritz-Albert Popp e de Burr; de Gregg Braden; de Vladimir Poponin... entre outras.
Cabem muitas reflexões ao se adotar postura aberta e receptiva a essas novas informações, resignação ante a queda de paradigmas obsoletos e aceitação dos novos conhecimentos advindos da era tecnológica e digital do Terceiro Milênio. Acredito que as profecias de Nostradamus não estavam tão erradas em suas incisivas afirmações de "fim de mundo", linguagem simbólica para expressar transformações, da grandiosidade que estão sendo presenciadas, cuja compreensão não mais cabe dentro da visão de homem e de mundo que predominou até agora.
Ante todas as informações que chegam a uma velocidade assustadora, só se pode entoar o pedido de: "serenidade e paz interior para aceitar o que não pode ser mudado... e sabedoria e coragem para alterar o que tem que ser mudado".
Uma das maiores angústias a enfrentar ante esse mundo desconhecido é a sensação de estranheza que advém. Um dos maiores obstáculos a ser enfrentado é lutar para "se manter inserido no mundo novo como cidadão participativo" e não espectador passivo, patinando no velho que, na realidade, não existe mais, a não ser na memória de cada um.
Aurora Gite
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