Início meu comentário com "data venia", termo da linguagem jurídica, expressão latina que significa "com todo respeito", pelas minhas argumentações divergirem de tantas opiniões contrárias à trilogia "Cinquenta tons...", tantas desqualificações à obra de E.L.James, tanta inveja nas entrelinhas de algumas considerações que li e ouvi, tanto preconceito dificultando críticas impessoais . Muito me assustou diversos profissionais, em entrevistas televisivas realizadas em vários canais, começando seus comentários com frases do tipo "Nem li, só me bastou o que ouvi falar de negativo!", "Comecei a ler e logo abandonei!", evitando exposições outras. Mais chocante foi a frase: "Uma bosta, só esse termo define Cinquenta tons mais escuros", expressão emitida em programa televisivo de domingo à noite, e assim continua essa profissional da área de saúde mental e das artes: "Não gostei e não entendi nem o porquê dos títulos da trilogia" (?!).
O que senti ouvindo tudo isso? "Vergonha!". Quando muito um escritor, que dá sempre a cara à tapa, expondo suas ideias e sua pessoa através de sua obra, deveria merecer consideração respeitosa por parte de um leitor, ainda mais da área da psicologia, do teatro, ou colega da área literária. Repito: "Senti vergonha!"
Como coloquei ao comentar "Cinquenta tons de cinza" procurei, como leitora, não me envolver nos tentáculos da mídia, que promoviam a obra como atraente pornografia, que se espalhava numa velocidade alucinante. Realmente logo se tornou um "best seller", fato inexplicável (?) segundo os profissionais citados.
Em "Cinquenta tons mais escuros" acompanhei o personagem central ao lado mais obscuro de seu mundo interior, escuridão onde os demônios pessoais de todos nós, humanos, se escondem. James nos leva a reflexões sobre como essas sombras fantasmagóricas sempre vão existir dentro de nós, interferindo em nossas reações afetivas presentes, em nossos medos e angústias. Ao mesmo tempo, nos confronta com o fato de que podem se constituir em oportunidade para um repensar escolhas e tomadas de decisão. James coloca, inclusive, na trama de seu romance, a possibilidade de discipliná-los e, talvez, soltá-los rumo ao passado ao qual pertencem, e assim alcançar um estado interno de liberdade.
Um casal construindo sua relação afetiva com os obstáculos e dúvidas que atingem a qualquer um que inicie essa trajetória amorosa: Como conviver com o passado do outro do qual não se fez parte? Como controlar a vontade de impor limites ao contato do outro com as pessoas que fazem parte do patrimônio afetivo de vida? Como integrar o outro ao próprio existir, respeitando sua história pregressa?
O conteúdo do baú subjetivo contendo vivências afetivas e experiências pessoais em variadas áreas, sempre vai poder ser ativado se for estimulado por circunstâncias externas, que fogem ao controle do sujeito em questão. Não há relação a dois que se sustente se os envolvidos permitirem que fantasias e medos contaminem a qualidade de vida do presente existencial. O casal, a meu ver, surge como o terceiro elemento a ser considerado e fortalecido sempre que necessário. Já leram "A Matemática de um Casal", postagem de maio 2009, abordando essa temática?
Acredito que a linha divisória de invasões desrespeitosas aos limites do outro é sutil, quer sob a forma de controles, quer sob falseta do relevar/tolerar. O fato de ser outorgado ao outro a função de "cuidador" e por ele for assumido esse papel, já traz consigo grande armadilha; ainda mais se for delegada a ele fazer escolhas e tomar decisões por você, saber o que é melhor para você, Uau! "Vou cuidar de você... por amor!" suscita dentro de mim a imagem de uma enorme pata de elefante sobre minha cabeça, e eu sem saída.
Percebem a enorme diferença com "Vou cuidar de nossa relação"? Ops! "Vou cuidar de nossa relação, dentro do limite do que me cabe dentro dela". O parceiro é sempre responsável por sua parte dentro do "nós". O terceiro elemento da relação, o "nós", é corporificado pelo "consenso de escolhas e decisões do casal" em prol do bem comum visando a qualidade da vida a dois.
James coloca a descoberta por seus personagens das afinidades que os cercam, sejam relacionadas às fantasias ou formas de se satisfazerem sexualmente, sejam em seu modo de existir aventureiro assumindo riscos como pilotar planador, andar de helicóptero, exposições abertas a terceiros ...etc. Realça esses aspectos que constituem particularidades específicas desse casal. Essa atração por afinidades logo se faz sentir em pessoas onde a sintonia é quase que intuída no primeiro encontro. A autora, nesse volume, propicia que seus personagens reflitam tal fato, sobre como e quando começou seu envolvimento.
Aqui faço um parentese, realçando como é preciso estar atento para esses encontrões entre afins, onde se mesclam características positivas e negativas não tão comuns. Por exemplo, não gosto de altura, seja em planador, roda gigante, mesmo em elevador panorâmico não me coloco na linha de frente; não tenho preferência por estímulos a minha adrenalina, seja em rachas ou montanhas russas; gosto de uma vida pacata, busco um bem-estar sereno, circunstâncias que aumentem minha serotonina...mas meu mundo das ideias, minha capacidade de imaginar e fantasiar alça voos ... Nesse sentido, ocorre uma solidão muito sofrida quando na parceria não existe campo para troca de fantasias! Compartilhar vivências é bem diferente de partilhar afinidades.
Agrego à "arte de amar" e à "arte da entrega", trabalhadas em Cinquenta tons de cinza com suas múltiplas facetas de duas personalidades, duas maneiras de ser a se engrenar respeitando suas diferenças, a necessidade agora de aprimorar a "arte de criar expectativas" ou "arte de fantasiar em consenso", tempero apimentado da vida a dois.
Pontos importantes que não aconteceram, mas que podem ser inferidos nas descrições de James, nesse momento da formação do casal, na trama desse romance Cinquenta tons mais escuros:
- a grande frustração quando sobre fantasias ocorrem julgamentos de valores ou críticas, amordaçando a espontaneidade de expressão afetiva do outro na relação dual
- o se deixar levar pela sinfonia tediosa da mesmice na relação cotidiana, sem atenção ao fato de que seu contraponto está na atenção ao prazer dos acordes da sintonia na fantasia criada a dois.
Estou curiosa para ver como James vai articular esse casal que após o encontro e enfrentamento com seus demônios e medos, adotaram nova visão de mundo e da própria vida a dois. Ouso inferir que passe a nos confrontar com o novo homem e a nova mulher lutando pelo espaço de seu "ser" dentro do "existir a dois".
Agora é aguarda o lançamento de "Cinquenta tons de liberdade".
O termo "liberdade", a meu ver, envolve o respeito de cada um e do outro pela capacidade de fazer escolhas e de tomar decisões a partir delas. Sendo assim, "ser livre" traz consigo a "responsabilidade sobre as consequências" das escolhas, quaisquer que sejam, e a "maturidade" para conviver e ultrapassar possíveis frustrações. O "ser livre" se envolve em seu viver pleno e gratificante, se afasta de toda estagnação nesse fluir; sua energia sempre se renova. Enquadre perfeito para a ousadia e coragem do casal delineado pela autora,
Ops! Relações de casais unidos por conveniência prática, baseadas em consenso e sem a presença de grandes conflitos internos, são "livres opções de vida".
Aurora Gite
Obs: http://auroragite.blogspot.com
postagem de maio de 2009
"A Matemática de um Casal"
domingo, 7 de outubro de 2012
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Mais sobre sexo virtual?
Indico o video sobre Sexo Virtual , palestrista : Contardo Calligaris
(disponível no YouTube ou Cpflcultura vídeo14/09/12) .
"Contardo Calligaris",
psicanalista,
nos conduz a uma série de reflexões
sobre as mudanças nas interações sexuais decorrente da entrada da Internet:
em nossa sociedade contemporânea,
em nosso grupo famíliar,
na relação de um casal,
em nossa individualidade.
Achei muito interessante sua perspectiva para análise sobre possíveis mudanças nas interações pessoais afetivas e sexuais, a partir de agora.
Vale conferir!
Qualquer dificuldade, cheguem até ele pelo www.google.com ou www.cpflcultura.com.br/2012/09/14
Aurora Gite
(disponível no YouTube ou Cpflcultura vídeo14/09/12) .
"Contardo Calligaris",
psicanalista,
nos conduz a uma série de reflexões
sobre as mudanças nas interações sexuais decorrente da entrada da Internet:
em nossa sociedade contemporânea,
em nosso grupo famíliar,
na relação de um casal,
em nossa individualidade.
Achei muito interessante sua perspectiva para análise sobre possíveis mudanças nas interações pessoais afetivas e sexuais, a partir de agora.
Vale conferir!
Qualquer dificuldade, cheguem até ele pelo www.google.com ou www.cpflcultura.com.br/2012/09/14
Aurora Gite
domingo, 16 de setembro de 2012
Cinquenta tons de cinza ou Aprendizagem da "arte da entrega"
Confesso minha enorme surpresa ante o movimento social ao redor de E.L.James e sua Trilogia de livros (Cinquenta tons de cinza, Cinquenta tons mais escuros, Cinquenta tons de liberdade).
Acredito que esteja estabelecendo um marco nas relações atuais, tão desvirtuadas por tantas pessoas mascararem que, para sentir o amor, temos que desenvolver as habilidades da "arte de amar"; tanto quanto, para sentir o prazer, temos que conquistar a aprendizagem da "arte da entrega".
Os casais continuam a conservar o silêncio entre si a respeito dessas conquistas. Têm preferido se desinteressar, ante se esforçar e investir no "casal", e continuar ruminando suas decepções (mágoas/raiva contra o parceiro) e crises depressivas (raivas contra si mesmo/ impotência). Não há "sintonia química" que resista ao convívio de um cotidiano, onde ocorra a camuflada esgrima entre a liberdade individual e a comunhão de almas.
Outro grande obstáculo está atrelado à perda, por parte de muitas pessoas, do contato com o próprio corpo. É fácil constatar o fato de terem distanciado de si a escuta das próprias sensações, "enclausurando seu livre sentir" às jaulas de uma moral preconceituosa restritiva e de um impiedoso raciocínio lógico controlador e castrador.
É interessante observar as reações contraditórias que eclodiram, ante a publicação dessa trilogia, em uma sociedade contemporânea como a nossa, que brande a bandeira da liberdade individual, do respeito às diferenças, do rompimento com valores morais obsoletos e massificadores, do alcance do amor, plenitude e serenidade de espírito... e por aí vai.
De repente, muitas máscaras caíram, obrigando que essas pessoas revejam suas estruturas básicas, se questionem sobre o tipo de relações que almejam para si dentro das interações sociais que idealizaram; ou que desejam e se vejam em condições de conquistar dentro de suas realidades atuais. É o homem se deparando consigo mesmo, com suas escolhas, que não mais condizem com sua evolução como ser humano, que busca ser livre e feliz, dentro de convivências pacíficas e respeitosas.
Penso que a autora, sem premeditar tal efeito social, atingiu a tecla de fantasias imagísticas, obrigando uma contemplação no espelho do real das interações, ditas amorosas, em suas muitas distorções. Essa, a meu ver, é uma das causas da desumanização que se alastrou no mundo contemporâneo, que acolhe, e até certo ponto incentiva, relações tediosas e estilos de convivência a dois robotizados, referenciados por valores sociais padronizados, mais manipuláveis sem grandes questionamentos.
E.L.James já declarou estar surpresa com o fenômeno de revolução social decorrente de sua obra, e com o sucesso literário mundial que se tornou em tão curto tempo. Acredito que muitos autores ao se tornarem figuras públicas não fazem ideia do furacão que os envolvem, e da dificuldade de continuarem donos de seu espaço físico e preservarem sua privacidade pessoal.
A necessidade do reequilíbrio interno, ante o ofuscar midiático, ocorre principalmente entre os que, vaidosos, se encantam com o fato de serem notados e reconhecidos, esquecendo que a saída da postura narcisista que os envolve, está atrelada a formação do tripé: ser notado, ser reconhecido e "ser acolhido". A busca do acolhimento pressupõe a preocupação pela forma de ser recebido pelo outro, como fonte de prazer também. É a inclusão do outro na relação. Consiste na abertura para um "cuidar do outro além de si mesmo", posição indispensável para "sentir amor".
Comecei a ler o primeiro livro de James, "Cinquenta Tons de Cinza". sem aceitar me enquadrar no leitor que a mídia maldosa buscava agregar. Queria acompanhar a "dança das ideias" da autora. Sua postura audaciosa e corajosa já tinham me atraído a ler o ousado conteúdo de sua trama.
A imagem da capa do livro, a qualidade de sua textura, a delicadeza da graduação da cor me cativaram. Gostei do estilo da autora, detalhista, me permitindo acompanhar minhas reações (corporais e psíquicas) ante o passo a passo em que colocava suas ideias. Suas frases curtas se tornaram um convite a "quero mais". Por diversas vezes, minhas mãos se movimentaram para sentir a textura da capa do livro enquanto lia seu conteúdo, imaginando a graduação da energia do tesão que provocava. Curti isso! James estava prendendo minha atenção. Em comunhão com suas ideias, eu vasculhava minhas sensações. Gosto do que a leitura me fazia sentir. Uau!
Foi chamando minha atenção a luta dos protagonistas pela construção da dimensão da cumplicidade, mediante os acordos consensuais, recíprocos no realizar suas fantasias, e na busca constante e gradativa de um querer agradar ao outro. Esta perspectiva foi me cativando. O pano de fundo para mim foi se destacando brilhando ante a percepção da eclosão do amor, visível pela postura questionante de ambos "se seriam dignos um do outro", da admiração mútua que contaminava a interação, da sintonia no sentir e fantasiar. Sem esses pilares surgem pseudos amores, monótonas e tediosas relações afetivas de sobreviventes em seu viver a dois.
Não é fácil o encontro para o "amor". A autora relata os passos para a difícil construção da convivência amorosa. Quero crer que o feedback positivo, ante a grande vendagem de seus livros, deveria ser motivo de grande reflexão sob esse prisma, mais do que sobre o foco em uma pornografia sem maldade, que se torna possível a todos a partir de agora. Atentem ao compromisso mútuo, acordo "consensual" estabelecido com plena consciência entre eles, visando a busca dos limites de seus prazeres através do "aberto jogo de controle e de entrega ao outro", voltados ao prazer corporal do outro e à obtenção da própria satisfação.
A "pornografia sem maldade", como passou a ser chamada, a meu ver, aparece nesse momento como contraponto ao sexo virtual, fenômeno que destaca a importância de nossas fantasias, para o alcance do prazer sexual através do contato com o próprio corpo, ou seja, através do auto-toque. Sendo assim, quanto mais apurado o conhecimento - a autopercepção corporal - sobre as áreas que levam a maior gratificação sensorial, mais gratificante será a expectativa e o envolvimento de nossa imaginação em cima de possíveis variações prazerosas.
Atualmente, existem até sites, tipo chats de bate papo, em que cada participante escolhe um avatar para representá-lo (?) em relações sexuais, evitando exposição por demais concretas através de câmeras. No mundo dos anônimos internatizados, nada precisa necessariamente ser internalizado. O encontro sexual ocorre através da projeção de nossas sensações nessas figuras robotizadas, possível via para futuras distorções viciantes, até entregas futuras patológicas. Convém sempre estarmos conscientes de que nosso psiquismo é intrigante em seu labirinto de ações, que fogem ao nosso domínio, quando menos esperamos que tal ocorra.
Acredito, pelo que pude apreender e analisar até agora, que a autora esteja abrindo uma comunicação mais humana entre as pessoas. Interpreto a mensagem das entrelinhas como : ' Para sentir o amor em sua serenidade madura é preciso que desenvolvamos as habilidades da "arte de amar" ; para sentir o prazer, da proximidade e do contato com outro ser humano, em sua plenitude, é necessário que conquistemos a aprendizagem da "arte da entrega".'
Para tal, torna-se mister o enfrentamento de vários medos já delineados, para poder suportar a "fantasia de vulnerabilidade psíquica" por sentir a própria individualidade sendo perdida ante a grande dependência ao outro, que o fenômeno amoroso e a entrega ao amado trazem consigo. Penso ser por aí o tônus do segundo volume da trilogia.
Agora é ler e conferir! Acabei de ler "Cinquenta Tons de Cinza" e já me encaminho para a leitura de "Cinquenta Tons Mais Escuros", com tesão ( por que não? ) e curiosidade ( por que não? ) .
Como pontuei anteriormente. acompanho a autora na "dança de suas ideias" e meu corpo segue sua "linguagem do tesão" ou da "deusa interior", como a mesma o denomina.
Ops... E.L.James até permite que a protagonista estabeleça breves diálogos com essa "deusa", após maior conhecimento e receptividade auto-perceptiva em relação a sua excitação. O tesão possui suas graduações ao se manifestar e sua proximidade, que pode ser detectada pelas alterações nas sensações corporais é fonte de desequilíbrio e ansiedade. No entanto, pode se tornar cada vez mais aconchegante e prazeroso, pela familiaridade com suas formas de expressão. Nesse sentido, é necessário grande amadurecimento emocional baseado na "confiabilidade em si e no parceiro", e na "fidelidade amorosa à relação casal", para que o tipo de entrega, que vai se estabelecendo no decorrer da trama, ocorra.
Bem, lá vamos nós para os "tons mais escuros"! Acredito que abordem esses medos e obstáculos, pontuando algumas saídas para o casal e para a manutenção menos angustiante do "amor" entre eles. O acolher a liberdade dos "modos de ser individuais" na relação livre de um "existir cotidiano a dois", a meu ver, deverá ser a temática delineada no terceiro volume "cinquenta tons de liberdade".
Não é que já estou até direcionando o romance? É hora de me voltar para minha deusa interior e dizer "gentilmente" que se contenha... e continue a "acolher a excitação da espera de futuro reencontro" com as ideias de E.L.James.
Aurora Gite
De volta, após longa ausência...
Acredito que esteja estabelecendo um marco nas relações atuais, tão desvirtuadas por tantas pessoas mascararem que, para sentir o amor, temos que desenvolver as habilidades da "arte de amar"; tanto quanto, para sentir o prazer, temos que conquistar a aprendizagem da "arte da entrega".
Os casais continuam a conservar o silêncio entre si a respeito dessas conquistas. Têm preferido se desinteressar, ante se esforçar e investir no "casal", e continuar ruminando suas decepções (mágoas/raiva contra o parceiro) e crises depressivas (raivas contra si mesmo/ impotência). Não há "sintonia química" que resista ao convívio de um cotidiano, onde ocorra a camuflada esgrima entre a liberdade individual e a comunhão de almas.
Outro grande obstáculo está atrelado à perda, por parte de muitas pessoas, do contato com o próprio corpo. É fácil constatar o fato de terem distanciado de si a escuta das próprias sensações, "enclausurando seu livre sentir" às jaulas de uma moral preconceituosa restritiva e de um impiedoso raciocínio lógico controlador e castrador.
É interessante observar as reações contraditórias que eclodiram, ante a publicação dessa trilogia, em uma sociedade contemporânea como a nossa, que brande a bandeira da liberdade individual, do respeito às diferenças, do rompimento com valores morais obsoletos e massificadores, do alcance do amor, plenitude e serenidade de espírito... e por aí vai.
De repente, muitas máscaras caíram, obrigando que essas pessoas revejam suas estruturas básicas, se questionem sobre o tipo de relações que almejam para si dentro das interações sociais que idealizaram; ou que desejam e se vejam em condições de conquistar dentro de suas realidades atuais. É o homem se deparando consigo mesmo, com suas escolhas, que não mais condizem com sua evolução como ser humano, que busca ser livre e feliz, dentro de convivências pacíficas e respeitosas.
Penso que a autora, sem premeditar tal efeito social, atingiu a tecla de fantasias imagísticas, obrigando uma contemplação no espelho do real das interações, ditas amorosas, em suas muitas distorções. Essa, a meu ver, é uma das causas da desumanização que se alastrou no mundo contemporâneo, que acolhe, e até certo ponto incentiva, relações tediosas e estilos de convivência a dois robotizados, referenciados por valores sociais padronizados, mais manipuláveis sem grandes questionamentos.
E.L.James já declarou estar surpresa com o fenômeno de revolução social decorrente de sua obra, e com o sucesso literário mundial que se tornou em tão curto tempo. Acredito que muitos autores ao se tornarem figuras públicas não fazem ideia do furacão que os envolvem, e da dificuldade de continuarem donos de seu espaço físico e preservarem sua privacidade pessoal.
A necessidade do reequilíbrio interno, ante o ofuscar midiático, ocorre principalmente entre os que, vaidosos, se encantam com o fato de serem notados e reconhecidos, esquecendo que a saída da postura narcisista que os envolve, está atrelada a formação do tripé: ser notado, ser reconhecido e "ser acolhido". A busca do acolhimento pressupõe a preocupação pela forma de ser recebido pelo outro, como fonte de prazer também. É a inclusão do outro na relação. Consiste na abertura para um "cuidar do outro além de si mesmo", posição indispensável para "sentir amor".
Comecei a ler o primeiro livro de James, "Cinquenta Tons de Cinza". sem aceitar me enquadrar no leitor que a mídia maldosa buscava agregar. Queria acompanhar a "dança das ideias" da autora. Sua postura audaciosa e corajosa já tinham me atraído a ler o ousado conteúdo de sua trama.
A imagem da capa do livro, a qualidade de sua textura, a delicadeza da graduação da cor me cativaram. Gostei do estilo da autora, detalhista, me permitindo acompanhar minhas reações (corporais e psíquicas) ante o passo a passo em que colocava suas ideias. Suas frases curtas se tornaram um convite a "quero mais". Por diversas vezes, minhas mãos se movimentaram para sentir a textura da capa do livro enquanto lia seu conteúdo, imaginando a graduação da energia do tesão que provocava. Curti isso! James estava prendendo minha atenção. Em comunhão com suas ideias, eu vasculhava minhas sensações. Gosto do que a leitura me fazia sentir. Uau!
Foi chamando minha atenção a luta dos protagonistas pela construção da dimensão da cumplicidade, mediante os acordos consensuais, recíprocos no realizar suas fantasias, e na busca constante e gradativa de um querer agradar ao outro. Esta perspectiva foi me cativando. O pano de fundo para mim foi se destacando brilhando ante a percepção da eclosão do amor, visível pela postura questionante de ambos "se seriam dignos um do outro", da admiração mútua que contaminava a interação, da sintonia no sentir e fantasiar. Sem esses pilares surgem pseudos amores, monótonas e tediosas relações afetivas de sobreviventes em seu viver a dois.
Não é fácil o encontro para o "amor". A autora relata os passos para a difícil construção da convivência amorosa. Quero crer que o feedback positivo, ante a grande vendagem de seus livros, deveria ser motivo de grande reflexão sob esse prisma, mais do que sobre o foco em uma pornografia sem maldade, que se torna possível a todos a partir de agora. Atentem ao compromisso mútuo, acordo "consensual" estabelecido com plena consciência entre eles, visando a busca dos limites de seus prazeres através do "aberto jogo de controle e de entrega ao outro", voltados ao prazer corporal do outro e à obtenção da própria satisfação.
A "pornografia sem maldade", como passou a ser chamada, a meu ver, aparece nesse momento como contraponto ao sexo virtual, fenômeno que destaca a importância de nossas fantasias, para o alcance do prazer sexual através do contato com o próprio corpo, ou seja, através do auto-toque. Sendo assim, quanto mais apurado o conhecimento - a autopercepção corporal - sobre as áreas que levam a maior gratificação sensorial, mais gratificante será a expectativa e o envolvimento de nossa imaginação em cima de possíveis variações prazerosas.
Atualmente, existem até sites, tipo chats de bate papo, em que cada participante escolhe um avatar para representá-lo (?) em relações sexuais, evitando exposição por demais concretas através de câmeras. No mundo dos anônimos internatizados, nada precisa necessariamente ser internalizado. O encontro sexual ocorre através da projeção de nossas sensações nessas figuras robotizadas, possível via para futuras distorções viciantes, até entregas futuras patológicas. Convém sempre estarmos conscientes de que nosso psiquismo é intrigante em seu labirinto de ações, que fogem ao nosso domínio, quando menos esperamos que tal ocorra.
Acredito, pelo que pude apreender e analisar até agora, que a autora esteja abrindo uma comunicação mais humana entre as pessoas. Interpreto a mensagem das entrelinhas como : ' Para sentir o amor em sua serenidade madura é preciso que desenvolvamos as habilidades da "arte de amar" ; para sentir o prazer, da proximidade e do contato com outro ser humano, em sua plenitude, é necessário que conquistemos a aprendizagem da "arte da entrega".'
Para tal, torna-se mister o enfrentamento de vários medos já delineados, para poder suportar a "fantasia de vulnerabilidade psíquica" por sentir a própria individualidade sendo perdida ante a grande dependência ao outro, que o fenômeno amoroso e a entrega ao amado trazem consigo. Penso ser por aí o tônus do segundo volume da trilogia.
Agora é ler e conferir! Acabei de ler "Cinquenta Tons de Cinza" e já me encaminho para a leitura de "Cinquenta Tons Mais Escuros", com tesão ( por que não? ) e curiosidade ( por que não? ) .
Como pontuei anteriormente. acompanho a autora na "dança de suas ideias" e meu corpo segue sua "linguagem do tesão" ou da "deusa interior", como a mesma o denomina.
Ops... E.L.James até permite que a protagonista estabeleça breves diálogos com essa "deusa", após maior conhecimento e receptividade auto-perceptiva em relação a sua excitação. O tesão possui suas graduações ao se manifestar e sua proximidade, que pode ser detectada pelas alterações nas sensações corporais é fonte de desequilíbrio e ansiedade. No entanto, pode se tornar cada vez mais aconchegante e prazeroso, pela familiaridade com suas formas de expressão. Nesse sentido, é necessário grande amadurecimento emocional baseado na "confiabilidade em si e no parceiro", e na "fidelidade amorosa à relação casal", para que o tipo de entrega, que vai se estabelecendo no decorrer da trama, ocorra.
Bem, lá vamos nós para os "tons mais escuros"! Acredito que abordem esses medos e obstáculos, pontuando algumas saídas para o casal e para a manutenção menos angustiante do "amor" entre eles. O acolher a liberdade dos "modos de ser individuais" na relação livre de um "existir cotidiano a dois", a meu ver, deverá ser a temática delineada no terceiro volume "cinquenta tons de liberdade".
Não é que já estou até direcionando o romance? É hora de me voltar para minha deusa interior e dizer "gentilmente" que se contenha... e continue a "acolher a excitação da espera de futuro reencontro" com as ideias de E.L.James.
Aurora Gite
De volta, após longa ausência...
domingo, 22 de julho de 2012
"O que fazer com minha neta?"
Fazia tempo que não tinha notícias dessa paciente. Sem dúvida, o fato de tê-la acompanhado por um bom tempo, ter contribuído para sua busca de autoconhecimento, ter presenciado seu grande esforço em seu processo de individuação e busca de um aprimoramento evolutivo constante, lhe abriu um espaço perene em minha memória. Seria difícil não me recordar dela. Como foi difícil não me envolver como ser humano em sua busca de resposta para a questão "De onde o homem extrai sua dignidade?", segundo ela fonte da autovalorização e auto-estima do homem.
Lá estava ela na minha frente com o problema trazido por sua filha: "Não sei o que fazer com minha filha. Você precisa falar com ela!".
Agora procuro usar as palavras da própria paciente:
"Minha filha falava de minha neta, uma adolescente de 17 anos. Perdeu o pai de câncer aos 4 anos de idade. Perdeu sua idealização de proteção com o irmão, quando com sua idade atual, ele escolheu quebrar tradições e ser feliz ante opção sexual, que ela ainda não aceitava, e com isso ambos se excluíram de uma convivência fraternal. Não quero trazer nessa sessão a relação dela com a mãe, ambas precisam vivenciar o papel de filha, ambas estão presas ainda a essa teia de dependência e falta de dignidade que as impede de se construir como pessoas. Acho que é daí que vem a dificuldade de lidarem com os problemas atuais.Mas não quero ir por aí não!
Muitas vezes me perguntei "Por que minha neta teve que passar tanta coisa com tão pouca idade?"
Parei quando percebi que estava misturando minha vida com a dela; os argumentos dentro de minha cabeça com os que íam dentro da cabeça dela - tão distantes da minha linha de raciocínio; os desejos, que só podiam pertencer a mim, sendo projetados nela; a motivação pessoal e busca de concretizar sonhos - desenhados por mim - graças a minha imaginação, estendidas quase que simbioticamente a imaginação dela.
Dezessete anos... se considerando um "nada", confronto direto com uma das mais sofridas angústias existenciais... não desejando nada, na evitação com quem se é realmente, com a própria alma, fonte dos sonhos, das alegrias, do ser em sua singularidade e autenticidade. Parece que está prestes ao "encontro marcado com ela mesma", inevitável a todo ser humano, dentro do sofrimento da solidão. Tudo encaminha para ela se ver como é no espelho da vida, só... e nessa solidão encontrar seu real potencial a ser desenvolvido em seu viver no mundo. Coisa que só ela pode fazer, ninguém mais pode ajudá-la em sua missão de "viver sua vida" dentro da angústia de um livre arbítrio, pois são muitas possibilidades para que haja a responsabilidade sobre a decisão mais acertada. É conviver com o saber que se não der certo, pode-se tomar outros caminhos, sempre à nossa disposição, se quisermos enxergar outras alternativas de vida.
Reconheço que é difícil, ante o crescimento, os pais soltarem os filhos, para o aprendizado com a vida; mais difícil ainda são os filhos soltarem os pais. Ainda mais quando os pais jogam sobre eles as expectativas frustradas para se realizarem através deles. O sofrimento de ter que se enquadrar na moldura social imposta pelos pais, ou ser quem se é realmente e conviver com a rejeição deles, entendida como falta de amor e aceitação pela pessoa que se é, não é fácil de ser enfrentado.
Minha vontade é gritar que os pais não são responsáveis pelos filhos, que proclamam independência em alguns aspectos, mas querem continuar a ser dependentes em outros. Quando os pais reconhecem que os filhos têm condições de serem criados pela vida, sua função não é mais de controle diretivo e exigências castradoras. É passar a tutela para a vida.
A tutela da vida é vitalícia. É confiar na capacidade dos filhos se tornarem responsáveis pelos acertos e erros de decisões tomadas por eles. É acreditar que se tornem hábeis para lidar com frustrações ante desejos não realizados e tolerantes o suficiente para postergar sua satisfação, buscando substituir suas fontes de prazer. É entregá-los e soltá-los para a vida. Isso implica que se a vida decidir que, para aprender, vão ter que cair, se ajoelhar, se machucar... os pais não vão impedir, aliás não vão poder evitar. E se tentar vão se "ralar", por si mesmo.
Pais e filhos, no momento certo, depositando essas funções, que deverão ser entregues à tutela da vida. Não podem ser responsáveis pelo "viver" do outro. Minha filha e minha neta estão com as próprias vidas parada nesse turbilhão, onde uma tenta viver e comandar a vida da outra. Nessa eterna disputa, o tempo passa como um trem segue rumo às próximas estações... entrou, entrou... perdeu a hora, perdeu a oportunidade que a vida oferece... e o preço de futuras passagens é alto, talvez não tenham cacife depois para embarcar rumo ao lugar que gostariam. Ninguém consegue pular de um patamar a outro sem cair nos trilhos e ter que conviver com as consequências de tal queda, sejam quais forem.
O que fazer com dezessete anos vividos? É confiar nos valores que foram passados. É torcer para que tenha forças de sair do "nada", areia movediça na qual está mergulhando. Não quer mais estudar... nada mais a fazer, para que continuar pagando se recusar a ir a escola, se está descontente com a forma de ensino... Não quer trabalhar... desejo da filha ou receio da mãe? Quer ficar enfurnada no quarto...vai fazer o quê, além de se apoiar em diagnóstico médico sobre depressão primária ou secundária. Não quer ir ao médico para essa avaliação? Ah, nessa consulta vai! Como? Zere qualquer ajuda financeira! Liberdade ou livre arbítrio também tem seu limite, quando esbarra em prejuízo ao outro, ou a própria vida física.
Eu me sinto triste por não poder fazer nada concreto. Não tenho como ajudar sem cair nas malhas da relação dual delas, tão conflitiva há tantos anos. Não quero nem proximidade com o problema das duas. Sinto que nesse envolvimento posso me machucar, pelo vínculo afetivo que me prende às duas.
Agora sou eu comigo mesma... não na função mãe, não na função avó, não na função humana de ter empatia, ter simpatia, ou dever de cuidar de deficientes físicos ou mentais... mas como ser humano que tem por obrigação se autoproteger, se disciplinar para ter coragem e correr o risco da audácia de se dizer: "Basta! Não é com você. Não é sua vida!" . E ousar soltar, sem culpa, o que não é meu!
Antes de sair deixou no ar a questão: "Continuo lutando pela minha dignidade como ser humano. Se me envolvesse perco meu autorrespeito, pois invado duas vidas que têm que viver por si, encontrar dentro de si mesmo seus talentos, seus dons, seu sentido na vida e buscar desenvolvê-los por si mesmo, encontrando seu espaço para viver dentro do que a vida tá direcionando e ainda não perceberam, não estabeleceram relações com o que lhes ocorre. O mais difícil é ler, interpretar e compreender os fatos que nos cercam, principalmente aqueles dos quais não podemos fugir ou evitar, e que não são tão por acaso assim."
Aurora Gite
P.S. : Indico, para leitura e muitas... muitas reflexões, o livro "A revolução do amor: por uma espiritualidade laica", do filósofo francês Luc Ferry (Rio de Janeiro: Objetiva, 2012)
Lá estava ela na minha frente com o problema trazido por sua filha: "Não sei o que fazer com minha filha. Você precisa falar com ela!".
Agora procuro usar as palavras da própria paciente:
"Minha filha falava de minha neta, uma adolescente de 17 anos. Perdeu o pai de câncer aos 4 anos de idade. Perdeu sua idealização de proteção com o irmão, quando com sua idade atual, ele escolheu quebrar tradições e ser feliz ante opção sexual, que ela ainda não aceitava, e com isso ambos se excluíram de uma convivência fraternal. Não quero trazer nessa sessão a relação dela com a mãe, ambas precisam vivenciar o papel de filha, ambas estão presas ainda a essa teia de dependência e falta de dignidade que as impede de se construir como pessoas. Acho que é daí que vem a dificuldade de lidarem com os problemas atuais.Mas não quero ir por aí não!
Muitas vezes me perguntei "Por que minha neta teve que passar tanta coisa com tão pouca idade?"
Parei quando percebi que estava misturando minha vida com a dela; os argumentos dentro de minha cabeça com os que íam dentro da cabeça dela - tão distantes da minha linha de raciocínio; os desejos, que só podiam pertencer a mim, sendo projetados nela; a motivação pessoal e busca de concretizar sonhos - desenhados por mim - graças a minha imaginação, estendidas quase que simbioticamente a imaginação dela.
Dezessete anos... se considerando um "nada", confronto direto com uma das mais sofridas angústias existenciais... não desejando nada, na evitação com quem se é realmente, com a própria alma, fonte dos sonhos, das alegrias, do ser em sua singularidade e autenticidade. Parece que está prestes ao "encontro marcado com ela mesma", inevitável a todo ser humano, dentro do sofrimento da solidão. Tudo encaminha para ela se ver como é no espelho da vida, só... e nessa solidão encontrar seu real potencial a ser desenvolvido em seu viver no mundo. Coisa que só ela pode fazer, ninguém mais pode ajudá-la em sua missão de "viver sua vida" dentro da angústia de um livre arbítrio, pois são muitas possibilidades para que haja a responsabilidade sobre a decisão mais acertada. É conviver com o saber que se não der certo, pode-se tomar outros caminhos, sempre à nossa disposição, se quisermos enxergar outras alternativas de vida.
Reconheço que é difícil, ante o crescimento, os pais soltarem os filhos, para o aprendizado com a vida; mais difícil ainda são os filhos soltarem os pais. Ainda mais quando os pais jogam sobre eles as expectativas frustradas para se realizarem através deles. O sofrimento de ter que se enquadrar na moldura social imposta pelos pais, ou ser quem se é realmente e conviver com a rejeição deles, entendida como falta de amor e aceitação pela pessoa que se é, não é fácil de ser enfrentado.
Minha vontade é gritar que os pais não são responsáveis pelos filhos, que proclamam independência em alguns aspectos, mas querem continuar a ser dependentes em outros. Quando os pais reconhecem que os filhos têm condições de serem criados pela vida, sua função não é mais de controle diretivo e exigências castradoras. É passar a tutela para a vida.
A tutela da vida é vitalícia. É confiar na capacidade dos filhos se tornarem responsáveis pelos acertos e erros de decisões tomadas por eles. É acreditar que se tornem hábeis para lidar com frustrações ante desejos não realizados e tolerantes o suficiente para postergar sua satisfação, buscando substituir suas fontes de prazer. É entregá-los e soltá-los para a vida. Isso implica que se a vida decidir que, para aprender, vão ter que cair, se ajoelhar, se machucar... os pais não vão impedir, aliás não vão poder evitar. E se tentar vão se "ralar", por si mesmo.
Pais e filhos, no momento certo, depositando essas funções, que deverão ser entregues à tutela da vida. Não podem ser responsáveis pelo "viver" do outro. Minha filha e minha neta estão com as próprias vidas parada nesse turbilhão, onde uma tenta viver e comandar a vida da outra. Nessa eterna disputa, o tempo passa como um trem segue rumo às próximas estações... entrou, entrou... perdeu a hora, perdeu a oportunidade que a vida oferece... e o preço de futuras passagens é alto, talvez não tenham cacife depois para embarcar rumo ao lugar que gostariam. Ninguém consegue pular de um patamar a outro sem cair nos trilhos e ter que conviver com as consequências de tal queda, sejam quais forem.
O que fazer com dezessete anos vividos? É confiar nos valores que foram passados. É torcer para que tenha forças de sair do "nada", areia movediça na qual está mergulhando. Não quer mais estudar... nada mais a fazer, para que continuar pagando se recusar a ir a escola, se está descontente com a forma de ensino... Não quer trabalhar... desejo da filha ou receio da mãe? Quer ficar enfurnada no quarto...vai fazer o quê, além de se apoiar em diagnóstico médico sobre depressão primária ou secundária. Não quer ir ao médico para essa avaliação? Ah, nessa consulta vai! Como? Zere qualquer ajuda financeira! Liberdade ou livre arbítrio também tem seu limite, quando esbarra em prejuízo ao outro, ou a própria vida física.
Eu me sinto triste por não poder fazer nada concreto. Não tenho como ajudar sem cair nas malhas da relação dual delas, tão conflitiva há tantos anos. Não quero nem proximidade com o problema das duas. Sinto que nesse envolvimento posso me machucar, pelo vínculo afetivo que me prende às duas.
Agora sou eu comigo mesma... não na função mãe, não na função avó, não na função humana de ter empatia, ter simpatia, ou dever de cuidar de deficientes físicos ou mentais... mas como ser humano que tem por obrigação se autoproteger, se disciplinar para ter coragem e correr o risco da audácia de se dizer: "Basta! Não é com você. Não é sua vida!" . E ousar soltar, sem culpa, o que não é meu!
Antes de sair deixou no ar a questão: "Continuo lutando pela minha dignidade como ser humano. Se me envolvesse perco meu autorrespeito, pois invado duas vidas que têm que viver por si, encontrar dentro de si mesmo seus talentos, seus dons, seu sentido na vida e buscar desenvolvê-los por si mesmo, encontrando seu espaço para viver dentro do que a vida tá direcionando e ainda não perceberam, não estabeleceram relações com o que lhes ocorre. O mais difícil é ler, interpretar e compreender os fatos que nos cercam, principalmente aqueles dos quais não podemos fugir ou evitar, e que não são tão por acaso assim."
Aurora Gite
P.S. : Indico, para leitura e muitas... muitas reflexões, o livro "A revolução do amor: por uma espiritualidade laica", do filósofo francês Luc Ferry (Rio de Janeiro: Objetiva, 2012)
domingo, 24 de junho de 2012
Cruzando dados...
Ainda fico fascinada com a forma mágica de obtenção de dados nesse milênio. É digitar uma palavra-chave, clicar e logo aparecem na tela vários links, para serem selecionados conforme o interesse do pesquisador. Agora como mobilizar esse interesse, incentivar a curiosidade e o processo autodidata na obtenção de novos conhecimentos é outra questão, a ser tratada em outra postagem.
Ao abrir o leque de fontes que me motivou continuar na mesma trilha, não posso deixar de citar:
* livros como "A Memória das Células" (sobre transplantes e inteligência celular);
* dos vários trabalhos da Neurociência cito relato da cientista Jill BolteTaylor após ter tido um AVC, acompanhado todos os movimentos de sua mente e sua aprendizagem sobre como a mente tem poder de trazer uma nova vida (livro: "A cientista que curou seu próprio cérebro"-2008 e palestra disponível em vídeo no Youtube)
* séries de vídeos disponíveis no Youtube, apresentadas por Morgan Freeman sob os títulos de "De qué estamos hechos", e outras como "O que ainda não sabemos", "Lugares Aún Inexplorados"...
* livros como "O Ser Quântico: uma visão revolucionária da natureza humana e da consciência, baseada na nova física" (Danah Zohar, 2008) , "A Cura Quântica: o poder da mente e da consciência na busca da saúde integral" (Dr.Deepak Chopra, copyright 1989). Destaco palestras de Chopra também disponíveis em vídeo pelo Youtube
* "Física Quântica e Espiritualidade", curso ministrado pelo físico Laércio B. Fonseca, aulas em vídeos no Youtube
* Vídeos do espiritualista Luiz Gasparetto sobre sua técnica de atendimento a nível metafísico, e os que revelam sua capacidade de pintura de quadros, cópias de pintores famosos, em transe mediúnico com olhos fechados, com uma ou duas mãos sincronizadas, com os pés, tarefa desempenhada em alguns minutos apenas ... Observem bem e tentem entender o mecanismo psíquico envolvido com os recursos teóricos das teorias psíquicas desenvolvidas até agora!
* Poderia me alongar com novas descobertas científicas e experiências seguindo essa linha, mas acredito que os interessados encontram vasto material para ampliar seus conhecimentos e atualizações no próprio Youtube, dentre os vídeos oferecidos ...
* Enfatizo agora o trabalho realizado por apometristas.
Meu contato com a Apometria foi recente.
(do grego, "apo" significa "além de", "fora de"; "metron" é relativo a "medida")
Querem ver como surgiu? Tive curiosidade de saber e passo para vocês.
Como colocado no post anterior, não se constitui em uma ciência, filosofia, doutrina, religião. Adota leis da Física Quântica em suas técnicas. Em seus procedimentos vai "além da" Doutrina Espírita, embora embasada no Amor e vibrações amorosas como potencializadoras energéticas do ser humano; vai "além da" Medicina Clássica unindo matéria física e mental com elementos energéticos cósmicos.
Obs: "Apometria Quântica: nova proposta de terapia energética". Pela internet podem encontrar a descrição da técnica de apometria e eteriatria quântica, no blog projetoamanhecer da apometrista Carina Greco (www.projetoamanhecer.blogspot.com.br)
Apometria se constitui "em um conjunto de técnicas e procedimentos psíquicos ... desenvolvido, fundamentado cientificamente e instrumentado operacionalmente pelo médico espírita Dr. José Lacerda de Azevedo, a partir da década de 60.
Segundo relatado em seu livro "Espírito/Matéria: novos horizontes para a Medicina", em 1965, Dr. José Lacerda de Azevedo assistiu à palestra - realizada no Hospital Espírita de Porto Alegre - proferida por um farmacêutico bioquímico portoriquenho, residente no Rio de Janeiro, que se dizia espiritualista e estudioso do psiquismo humano: Luiz Rodrigues.
Rodrigues relata ter observado em enfermos desarmonias no "corpo astral" (energético) e descreve seu uso da técnica da "hipnometria", que levando a transes hipnométricos, alterava quadros sintomáticos desses enfermos. A técnica da hipnometria consistia na "aplicação de pulsos magnéticos concentrados e progressivos (por contagem e estalos de dedos) no corpo astral do paciente, ao mesmo tempo que, por sugestão, comandava o seu afastamento - desdobramento entre o corpo físico e os corpos espirituais do ser humano".
Obs: Como participei de grupos de estudo sobre o mecanismo psíquico durante o estado hipnótico, logo me vi atraída pela nova técnica. Ops! Também fiquei como observadora no curso de Acupuntura, ministrado por profissionais acupunturistas no HCFMUSP e constatei como, em uma só sessão de aplicação das agulhas, pacientes que chegavam com grave quadro de dor, saíam aliviados. Dr. Lacerda cita a circulação da energia pelas mesmas vias dos "nadis" ou "meridianos" da Acupuntura. Essa afirmação me é importante para o melhor entendimento de minhas vivências. Então, adivinhem se não vou atrás de mais dados a respeito!
A técnica de Rodrigues foi "aprimorada por Dr. José Lacerda, que a testou em sua esposa Yolanda, médium de grande sensibilidade". Assim a "célula-mãe da Apometria foi a entidade espírita assistencial Casa do Jardim, fundada pelo casal. A contrapartida no astral é o Hospital Amor e Caridade", visto que a Apometria utiliza-se da faculdade mediúnica (intuições direcionais) para entrar em contato com o mundo espiritual de onde vem auxílio e cobertura aos trabalhos assistenciais".
Vamos seguir no psíquico o que ocorre?
Segundo Carina Greco:
* "comandos mentais" direcionam a nossa energia psíquica
* "pulsos magnéticos" permitem que a energia (pensamento) se aglutine
* "ativação de mandalas ou símbolos" atuam como arquétipos codificadores de nossa energia
* "projeção" significa irradiação da energia
* "sintonização mental" permite a criação de campos de forças e potencialização de energias capazes de levar de levar equilíbrio e harmonia aos enfermos.
Aqui já tem bastante material para, quem se interessar, tomar conhecimento sobre a nova constituição do ser humano, cuja compreensão desponta nesse milênio.
Aurora Gite
Ao abrir o leque de fontes que me motivou continuar na mesma trilha, não posso deixar de citar:
* livros como "A Memória das Células" (sobre transplantes e inteligência celular);
* dos vários trabalhos da Neurociência cito relato da cientista Jill BolteTaylor após ter tido um AVC, acompanhado todos os movimentos de sua mente e sua aprendizagem sobre como a mente tem poder de trazer uma nova vida (livro: "A cientista que curou seu próprio cérebro"-2008 e palestra disponível em vídeo no Youtube)
* séries de vídeos disponíveis no Youtube, apresentadas por Morgan Freeman sob os títulos de "De qué estamos hechos", e outras como "O que ainda não sabemos", "Lugares Aún Inexplorados"...
* livros como "O Ser Quântico: uma visão revolucionária da natureza humana e da consciência, baseada na nova física" (Danah Zohar, 2008) , "A Cura Quântica: o poder da mente e da consciência na busca da saúde integral" (Dr.Deepak Chopra, copyright 1989). Destaco palestras de Chopra também disponíveis em vídeo pelo Youtube
* "Física Quântica e Espiritualidade", curso ministrado pelo físico Laércio B. Fonseca, aulas em vídeos no Youtube
* Vídeos do espiritualista Luiz Gasparetto sobre sua técnica de atendimento a nível metafísico, e os que revelam sua capacidade de pintura de quadros, cópias de pintores famosos, em transe mediúnico com olhos fechados, com uma ou duas mãos sincronizadas, com os pés, tarefa desempenhada em alguns minutos apenas ... Observem bem e tentem entender o mecanismo psíquico envolvido com os recursos teóricos das teorias psíquicas desenvolvidas até agora!
* Poderia me alongar com novas descobertas científicas e experiências seguindo essa linha, mas acredito que os interessados encontram vasto material para ampliar seus conhecimentos e atualizações no próprio Youtube, dentre os vídeos oferecidos ...
* Enfatizo agora o trabalho realizado por apometristas.
Meu contato com a Apometria foi recente.
(do grego, "apo" significa "além de", "fora de"; "metron" é relativo a "medida")
Querem ver como surgiu? Tive curiosidade de saber e passo para vocês.
Como colocado no post anterior, não se constitui em uma ciência, filosofia, doutrina, religião. Adota leis da Física Quântica em suas técnicas. Em seus procedimentos vai "além da" Doutrina Espírita, embora embasada no Amor e vibrações amorosas como potencializadoras energéticas do ser humano; vai "além da" Medicina Clássica unindo matéria física e mental com elementos energéticos cósmicos.
Obs: "Apometria Quântica: nova proposta de terapia energética". Pela internet podem encontrar a descrição da técnica de apometria e eteriatria quântica, no blog projetoamanhecer da apometrista Carina Greco (www.projetoamanhecer.blogspot.com.br)
Apometria se constitui "em um conjunto de técnicas e procedimentos psíquicos ... desenvolvido, fundamentado cientificamente e instrumentado operacionalmente pelo médico espírita Dr. José Lacerda de Azevedo, a partir da década de 60.
Segundo relatado em seu livro "Espírito/Matéria: novos horizontes para a Medicina", em 1965, Dr. José Lacerda de Azevedo assistiu à palestra - realizada no Hospital Espírita de Porto Alegre - proferida por um farmacêutico bioquímico portoriquenho, residente no Rio de Janeiro, que se dizia espiritualista e estudioso do psiquismo humano: Luiz Rodrigues.
Rodrigues relata ter observado em enfermos desarmonias no "corpo astral" (energético) e descreve seu uso da técnica da "hipnometria", que levando a transes hipnométricos, alterava quadros sintomáticos desses enfermos. A técnica da hipnometria consistia na "aplicação de pulsos magnéticos concentrados e progressivos (por contagem e estalos de dedos) no corpo astral do paciente, ao mesmo tempo que, por sugestão, comandava o seu afastamento - desdobramento entre o corpo físico e os corpos espirituais do ser humano".
Obs: Como participei de grupos de estudo sobre o mecanismo psíquico durante o estado hipnótico, logo me vi atraída pela nova técnica. Ops! Também fiquei como observadora no curso de Acupuntura, ministrado por profissionais acupunturistas no HCFMUSP e constatei como, em uma só sessão de aplicação das agulhas, pacientes que chegavam com grave quadro de dor, saíam aliviados. Dr. Lacerda cita a circulação da energia pelas mesmas vias dos "nadis" ou "meridianos" da Acupuntura. Essa afirmação me é importante para o melhor entendimento de minhas vivências. Então, adivinhem se não vou atrás de mais dados a respeito!
A técnica de Rodrigues foi "aprimorada por Dr. José Lacerda, que a testou em sua esposa Yolanda, médium de grande sensibilidade". Assim a "célula-mãe da Apometria foi a entidade espírita assistencial Casa do Jardim, fundada pelo casal. A contrapartida no astral é o Hospital Amor e Caridade", visto que a Apometria utiliza-se da faculdade mediúnica (intuições direcionais) para entrar em contato com o mundo espiritual de onde vem auxílio e cobertura aos trabalhos assistenciais".
Vamos seguir no psíquico o que ocorre?
Segundo Carina Greco:
* "comandos mentais" direcionam a nossa energia psíquica
* "pulsos magnéticos" permitem que a energia (pensamento) se aglutine
* "ativação de mandalas ou símbolos" atuam como arquétipos codificadores de nossa energia
* "projeção" significa irradiação da energia
* "sintonização mental" permite a criação de campos de forças e potencialização de energias capazes de levar de levar equilíbrio e harmonia aos enfermos.
Aqui já tem bastante material para, quem se interessar, tomar conhecimento sobre a nova constituição do ser humano, cuja compreensão desponta nesse milênio.
Aurora Gite
sábado, 23 de junho de 2012
Mais difícil do que analisar é testemunhar!
Como profissional da área de saúde mental, sempre busquei preservar minha individualidade pessoal dentro de minha profissão, e evitei me enquadrar em sistemas teóricos fechados, bem como encapsular meu paciente dentro dos moldes patológicos propostos pelos mesmos.
Essa postura me permitiu a liberdade de transitar com serenidade por diversas linhas teóricas, tendo como foco o paciente e sua demanda subjetiva. Teve como ônus (se posso considerá-lo assim) o afastamento e crítica de profissionais afins, defensores arraigados de teorias estáticas no tempo. Esses investiam contra qualquer atitude eclética no trato com um paciente e uma leitura sintomática de acordo com o caminho escolhido por ele para manifestar-se como sujeito, ou seja, sua doença física, mental... Hoje,com segurança, acrescento ... espiritual.
Meu objetivo, nessa postagem, não é me enveredar por aí. A tarefa a que me propus não é fácil. É mais fácil analisar um fenômeno psíquico que ocorre com o outro, do que testemunhar uma vivência pessoal. Ainda mais quando diz respeito a uma experiência que nos faz repensar paradigmas do mundo psíquico, e com isso nos obriga a refletir sobre formas de terapias e tratamentos que envolvem a restauração, equilíbrio e harmonia das forças existentes nesse nosso universo interior.
Parto de algumas premissas como a existência outros sistemas psíquicos além dos pontuados por Freud e que demandam outra terminologia e nova perspectiva para sua compreensão.
Há alguns anos defendo que, assim como nosso sistema respiratório ou mesmo circulatório, também nosso sistema psíquico apresenta duas vias de passagem e concentração de energia psíquica. Acompanhando a dinâmica psíquica de meus pacientes, e a minha própria, observava um processo que partia da luta pela individuação proposta por Jung, iniciando-se aí um novo movimento interno. Acredito que no uso de sua grande intuição e sensibilidade, Jung se aproximou na tentativa de descrevê-lo. Mais ainda, relendo alguns de seus livros ( vide suas "Memórias"), penso que o tenha vivenciado, sem que houvesse na sociedade de então, ouvidos capazes de escutar compreensivamente suas idéias sem adotar postura de defesa de teorias , que na época estavam encouraçadas, consolidadas e comprovadas na prática terapêutica.
O encontro com a subjetividade e o alcance de uma serenidade, conquista percebida como luta a ser travada a cada minuto de vida, através de um adequado e firme gerenciamento dos impulsos psíquicos ( aqui incluo o jogo de pulsões inconscientes) passou a demandar fortalecimento de uma "psiquê" , de uma constituição psíquica humana mais integral.
Ao ocorrer o acoplamento do "ser existencial" - harmonizado (sem desgaste energético em seu mundo psíquico) no trilhar o cotidiano de seu existir - com o "ser em essência", inicia-se novo processo psíquico. Metas internas buscam o alcance de novos valores internos, mais espiritualizados na evolução de um ser humano, rumo a conquista da própria dignidade. Além da conquista inicial de seu espaço como sujeito e depois inserção como cidadão perante a sociedade, surge a demanda pela ocupação de outro espaço no mundo interno como parte integrante de uma humanidade muito maior, envolvendo a energia intelectiva do próprio universo cósmico. Esse dado, cada vez mais compreensível, ainda amedronta e é fonte de descrédito para muitos. Penso, no entanto, que tudo é questão de tempo para serem questionadas e constatadas em sua veracidade. A aceleração tecnológica está atropelando o mundo das idéias. Isso impede reflexões mais aprofundadas sobre novas descobertas que demonstram novos paradigmas sobre a constituição psíquica do ser humano. Novas teorias vão sendo apresentadas, sem o tempo adequado para assimilação das recém-propostas. Agora é questão de tempo...
Outro dado comprovado por minha vivência (por volta de 1979-1980) não me deixou dúvida quanto a existência de um biomagnetismo no espaço psíquico humano, e de diferentes níveis de consciência, bem "além de" nosso raciocínio com idéias concretas sobre a matéria visível através das reações comportamentais observados. Havia um fenômeno psíquico de imantação, processo de transformação da energia psíquica, pouco conhecido por muitos estudiosos e terapeutas. Como toda experiência psíquica, que se afaste do que se enquadre como "normalidade", o medo do estigma da loucura sempre se faz presente, ao tentar expô-la. E Nietzsche com sua proposta de um "Super Homem, Demasiado Humano" não nos deixa mentir! Tudo é questão de paciência e de buscarmos nos alicerçar na história das sociedades em suas culturas ou transformações que, no processo evolutivo propiciam compreensões outras, que revolucionam pela quebra de paradigmas radicais vigentes até então.
Dados descobertos pela Física Quântica, me possibilitaram o encontro de conceitos que me facultaram a descrição do fenômeno por mim vivenciado, o que me motivou a lançar a hipótese de que a Psicologia como ciência pertence ao campo da Física, assim como a Química está atrelada à disciplina médica. Não vou me ater aqui a desenvolver esses aspectos do mundo subatômico. Só pontuo minha outra hipótese, que mobiliza minhas pesquisas atuais, de que as forças do inconsciente freudiano são expressões desse mundo das sub-partículas. Novas observações da matéria vísivel (partículas moleculares) através dos aceleradores de alta frequência vibratória remetem a constatação da matéria invisível (propagada por ondulações vibratórias) . Abrem-se as possibilidades de outras leituras e interpretações dos fenômenos psíquicos, até agora relegados ao campo da parapsicologia e da metafísica, e muito desacreditados. Um novo raciocínio abstrato se faz mister, bem como pesquisas sobre a faculdade de intuir, que nos faz retirar Kant e sua Razão Prática da prateleira. A necessidade de uma fé intuitiva para reforçar a esperança da eclosão de créditos a probabilidade do ser humano conseguir potencializar suas forças criativas e alcançar uma intercessão com novas fontes de energias psíquicas a nível espiritual e cósmico.
Aí me deparo surpresa com a "Apometria", dentro de um campo que transito mais fácil, em virtude de minha vivência e postura interna, mas trilho muito vagarosamente e ainda muito amedrontada pelo contato com energias psíquicas e forças não tão conhecidas. "Não se constitui em uma ciência, filosofia, doutrina, ou religião". Adota "leis da Física Quântica ao lidar com energias sutis subatômicas em suas técnicas e procedimentos". Permite se intitular como "Medicina Integral do Futuro", pois "vai além da Medicina Clássica", unindo matéria mental a elementos cósmicos, em sua prática terapêutica. Como "Medicina do Espírito", está voltada ao mundo espiritual, de onde virão as "intuições direcionais" para os trabalhos de estudo e socorro de enfermos. Vai "além da Doutrina Espírita de Kardec", embora leve em consideração o pensamento e codificação do mesmo, embasado no Amor, na energia radiante que o fenômeno amoroso faz vibrar e propagar até a longa distância, quebrando as barreiras de tempo e espaço, e o paradigma conceitual dos mesmos até agora.
Pela extensão do texto, interrompo-o aqui, dando continuidade na próxima postagem.
Deixo algumas indicações para quem se interessar:
* Visita ao site do Projeto Amanhecer
e ao blog com o mesmo nome da apometrista e coordenadora de Apometria na UFSC, Carina Greco.
* Livro: "Espírito/Matéria - novos horizontes para a Medicina"
autor: médico Dr.José Lacerda de Azevedo
9ª ed. rev. atual - Porto Alegre: Nova Prova, 2007
Aurora Gite
P.S. : Faço constar minha decepção por ser essa minha "segunda tentativa de postagem", visto a primeira ter sido violada com exclusão do site acima citado. Gostaria que me fosse facultada minha livre expressão de fazer constar "sites científicos de trabalhos sérios desenvolvidos em contexto aberto" e não sob sigilo, em universidades.
Essa postura me permitiu a liberdade de transitar com serenidade por diversas linhas teóricas, tendo como foco o paciente e sua demanda subjetiva. Teve como ônus (se posso considerá-lo assim) o afastamento e crítica de profissionais afins, defensores arraigados de teorias estáticas no tempo. Esses investiam contra qualquer atitude eclética no trato com um paciente e uma leitura sintomática de acordo com o caminho escolhido por ele para manifestar-se como sujeito, ou seja, sua doença física, mental... Hoje,com segurança, acrescento ... espiritual.
Meu objetivo, nessa postagem, não é me enveredar por aí. A tarefa a que me propus não é fácil. É mais fácil analisar um fenômeno psíquico que ocorre com o outro, do que testemunhar uma vivência pessoal. Ainda mais quando diz respeito a uma experiência que nos faz repensar paradigmas do mundo psíquico, e com isso nos obriga a refletir sobre formas de terapias e tratamentos que envolvem a restauração, equilíbrio e harmonia das forças existentes nesse nosso universo interior.
Parto de algumas premissas como a existência outros sistemas psíquicos além dos pontuados por Freud e que demandam outra terminologia e nova perspectiva para sua compreensão.
Há alguns anos defendo que, assim como nosso sistema respiratório ou mesmo circulatório, também nosso sistema psíquico apresenta duas vias de passagem e concentração de energia psíquica. Acompanhando a dinâmica psíquica de meus pacientes, e a minha própria, observava um processo que partia da luta pela individuação proposta por Jung, iniciando-se aí um novo movimento interno. Acredito que no uso de sua grande intuição e sensibilidade, Jung se aproximou na tentativa de descrevê-lo. Mais ainda, relendo alguns de seus livros ( vide suas "Memórias"), penso que o tenha vivenciado, sem que houvesse na sociedade de então, ouvidos capazes de escutar compreensivamente suas idéias sem adotar postura de defesa de teorias , que na época estavam encouraçadas, consolidadas e comprovadas na prática terapêutica.
O encontro com a subjetividade e o alcance de uma serenidade, conquista percebida como luta a ser travada a cada minuto de vida, através de um adequado e firme gerenciamento dos impulsos psíquicos ( aqui incluo o jogo de pulsões inconscientes) passou a demandar fortalecimento de uma "psiquê" , de uma constituição psíquica humana mais integral.
Ao ocorrer o acoplamento do "ser existencial" - harmonizado (sem desgaste energético em seu mundo psíquico) no trilhar o cotidiano de seu existir - com o "ser em essência", inicia-se novo processo psíquico. Metas internas buscam o alcance de novos valores internos, mais espiritualizados na evolução de um ser humano, rumo a conquista da própria dignidade. Além da conquista inicial de seu espaço como sujeito e depois inserção como cidadão perante a sociedade, surge a demanda pela ocupação de outro espaço no mundo interno como parte integrante de uma humanidade muito maior, envolvendo a energia intelectiva do próprio universo cósmico. Esse dado, cada vez mais compreensível, ainda amedronta e é fonte de descrédito para muitos. Penso, no entanto, que tudo é questão de tempo para serem questionadas e constatadas em sua veracidade. A aceleração tecnológica está atropelando o mundo das idéias. Isso impede reflexões mais aprofundadas sobre novas descobertas que demonstram novos paradigmas sobre a constituição psíquica do ser humano. Novas teorias vão sendo apresentadas, sem o tempo adequado para assimilação das recém-propostas. Agora é questão de tempo...
Outro dado comprovado por minha vivência (por volta de 1979-1980) não me deixou dúvida quanto a existência de um biomagnetismo no espaço psíquico humano, e de diferentes níveis de consciência, bem "além de" nosso raciocínio com idéias concretas sobre a matéria visível através das reações comportamentais observados. Havia um fenômeno psíquico de imantação, processo de transformação da energia psíquica, pouco conhecido por muitos estudiosos e terapeutas. Como toda experiência psíquica, que se afaste do que se enquadre como "normalidade", o medo do estigma da loucura sempre se faz presente, ao tentar expô-la. E Nietzsche com sua proposta de um "Super Homem, Demasiado Humano" não nos deixa mentir! Tudo é questão de paciência e de buscarmos nos alicerçar na história das sociedades em suas culturas ou transformações que, no processo evolutivo propiciam compreensões outras, que revolucionam pela quebra de paradigmas radicais vigentes até então.
Dados descobertos pela Física Quântica, me possibilitaram o encontro de conceitos que me facultaram a descrição do fenômeno por mim vivenciado, o que me motivou a lançar a hipótese de que a Psicologia como ciência pertence ao campo da Física, assim como a Química está atrelada à disciplina médica. Não vou me ater aqui a desenvolver esses aspectos do mundo subatômico. Só pontuo minha outra hipótese, que mobiliza minhas pesquisas atuais, de que as forças do inconsciente freudiano são expressões desse mundo das sub-partículas. Novas observações da matéria vísivel (partículas moleculares) através dos aceleradores de alta frequência vibratória remetem a constatação da matéria invisível (propagada por ondulações vibratórias) . Abrem-se as possibilidades de outras leituras e interpretações dos fenômenos psíquicos, até agora relegados ao campo da parapsicologia e da metafísica, e muito desacreditados. Um novo raciocínio abstrato se faz mister, bem como pesquisas sobre a faculdade de intuir, que nos faz retirar Kant e sua Razão Prática da prateleira. A necessidade de uma fé intuitiva para reforçar a esperança da eclosão de créditos a probabilidade do ser humano conseguir potencializar suas forças criativas e alcançar uma intercessão com novas fontes de energias psíquicas a nível espiritual e cósmico.
Aí me deparo surpresa com a "Apometria", dentro de um campo que transito mais fácil, em virtude de minha vivência e postura interna, mas trilho muito vagarosamente e ainda muito amedrontada pelo contato com energias psíquicas e forças não tão conhecidas. "Não se constitui em uma ciência, filosofia, doutrina, ou religião". Adota "leis da Física Quântica ao lidar com energias sutis subatômicas em suas técnicas e procedimentos". Permite se intitular como "Medicina Integral do Futuro", pois "vai além da Medicina Clássica", unindo matéria mental a elementos cósmicos, em sua prática terapêutica. Como "Medicina do Espírito", está voltada ao mundo espiritual, de onde virão as "intuições direcionais" para os trabalhos de estudo e socorro de enfermos. Vai "além da Doutrina Espírita de Kardec", embora leve em consideração o pensamento e codificação do mesmo, embasado no Amor, na energia radiante que o fenômeno amoroso faz vibrar e propagar até a longa distância, quebrando as barreiras de tempo e espaço, e o paradigma conceitual dos mesmos até agora.
Pela extensão do texto, interrompo-o aqui, dando continuidade na próxima postagem.
Deixo algumas indicações para quem se interessar:
* Visita ao site do Projeto Amanhecer
e ao blog com o mesmo nome da apometrista e coordenadora de Apometria na UFSC, Carina Greco.
* Livro: "Espírito/Matéria - novos horizontes para a Medicina"
autor: médico Dr.José Lacerda de Azevedo
9ª ed. rev. atual - Porto Alegre: Nova Prova, 2007
Aurora Gite
P.S. : Faço constar minha decepção por ser essa minha "segunda tentativa de postagem", visto a primeira ter sido violada com exclusão do site acima citado. Gostaria que me fosse facultada minha livre expressão de fazer constar "sites científicos de trabalhos sérios desenvolvidos em contexto aberto" e não sob sigilo, em universidades.
sábado, 21 de abril de 2012
Minuta de Projeto de Saúde Mental ( 4ª e última parte ): faça uso dele com meu consentimento
( continuação da postagem anterior)
- ao local de trabalho e função
Área de Ensino
- Aulas, ministradas por um ou mais profissionais
- A programação temática deve privilegiar o interesse da instituição buscando seu diferencial para inserção ou permanência no mercado, sua excelência de qualidade
- Criação de um banco de dados sobre temáticas já apresentadas
- Criação de um arquivo com sinopses de aulas dadas, evitando repetição de conteúdo no mesmo bloco de aulas programadas
- Seminários: ministrados pela equipe com seus representantes sendo um mesmo tema abordado sob a leitura das diferentes áreas. Apresentação estilo painel temático.
- Mesa redonda com especialistas convidados. Dissipação de dúvidas e debates.
- Apresentação de outros recursos, como filmes sobre a temáticas das aulas programadas. Reflexão sobre o conteúdo dos mesmos. Apresentação de sugestões sobre os problemas abordados sempre antes do encerramento dos programas, visando maior engajamento e valorização funcional do recurso utilizado.
Sugestões temáticas
(adaptáveis também às demandas específicas dos grupos)
- "Ausência de um funcionário: riscos reais, legais e fantasiosos"
- "O estresse na situação de trabalho e seu enfrentamento"
- "Maior produtividade do funcionário: respeito a uma hierarquia de funções versus submetimento a uma autoridade"
- "Adaptação do homem ao trabalho. Questão da satisfação e motivação, preguiça e produção, concorrência desleal e competição leal, rivalidade e inveja e respectivos antídotos"
- "Organização burocrática trabalhista versus controle, medo e insegurança. Suas interferências na qualidade de vida institucional"
- "Aposentadoria do trabalho versus aposentadoria da vida"
Área de Pesquisa
Dentro do campo epidemiológico, investigar na população de funcionários e levantar respectivas planilhas, para melhor visualização e leitura de suas implicações :
- A prevalência quanto:
- ao local de trabalho e função
- a carga horária e turno de trabalho
- A incidência e recidiva das patologias
- O grau de coerência entre as queixas e os diagnósticos
- A prevalência dos tipos de tratamentos e encaminhamentos
- Os tipos de licença médica e os diversos setores em que ocorrem afastamentos por saúde
Outros aspectos a serem investigados, inclusive através de questionários, que possibilitem categorizar as respostas e levantar gráficos pertinentes:
- O significado da saúde, doença, qualidade de vida e trabalho para o funcionário.
- A compreensão do funcionário sobre o que envolve a função assumida, estabelecendo uma comparação com o perfil profissiográfico exigido pela instituição.
- As expectativas pessoais dos funcionários pareadas as expectativas das chefias e as condições reais de trabalho. Investigação das incongruências entre as idealizações. Possibilidade de elaborar programas de recompensas mais estimulantes ao funcionário.
- As percepções dos funcionários sobre aspectos gerais de interesse da instituição e do pesquisador que poderiam alterar disfunções organizacionais e distorções informativas, visando melhorias para a instituição, para os pacientes (clientes externos) e para os funcionários (clientes internos) como "pessoas" exercendo determinadas funções ou cargos.
Espero ter alcançado minha intenção.
Agora é com cada um de vocês.
Apreciaria seu "feedback".
Aurora Gite
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