segunda-feira, 27 de julho de 2015

Mudanças de paradigmas e técnicas terapêuticas?

Não há como negar que o paradigma mecanicista newtoniano não mais responde a uma série de questionamentos e que o paradigma quântico supre essa defasagem atual.

Tudo é feito de substância subatômica. O ser humano é feito de circuitos sistêmicos que envolvem células > moléculas > átomos> prótons, elétrons ...> quarks ... > vácuo quântico (pleno de energia potencial). Hoje em dia me parece, cada vez mais, que o aparelho psíquico delineado pela sagacidade na observação freudiana e junguiana dos fenômenos humanos e genialidade de abstração para nomeá-los de Sujeito e Inconsciente Pessoal, ou o Self - centro do Si Mesmo Individual - e Inconsciente Coletivo, tem relação com o mundo quântico.

Torna-se mister ultrapassar a visão separatista de bioquímica (neurotransmissores e hormônios reagindo e provocando reações)  de um lado, e, de outro lado, - visto ainda com grande desconfiança mesmo ante evidências comprovadas de sua existência - bioeletromagnetismo ( gerando informações, ou energia também vital, por meio de partículas e ressonância  vibratória de ondas, conforme a intenção do observador que vivencia e interfere no fenômeno experienciado). Tudo é energia, tudo é informação, tudo está conectado e interage sistêmicamente dentro de nós, seres humanos.

Como facilitar o encontro e o alinhamento dessas forças energéticas deve ser o foco do milênio para ações terapêuticas efetivas. É preciso se ater aos avanços advindos da descoberta do código genético > transferências de informações genéticas > clonagens. É necessário não desconsiderar a comprovação de uma memória celular > linguagem inter e intracelular > transplantes > receptor em seus relatos de características do doador > informações transmitidas através de órgãos transplantados. É fácil constatar ressonâncias e sincronicidades ou antagonismos > transferências ideativas e afetivas > neuroassociações criativas ou reacionais > estados emocionais alterados (via física e/ou psíquica).

Quando abordo o mundo subatômico, ou mundo quântico, sigo as descobertas científicas a respeito que adentraram para este milênio. Mecânica quântica é física, suas teorias decorrem da busca de explicação para fenômenos naturais observados e constatados repetidamente dentro de métodos científicos. Não é abstração metafísica, não é misticismo esotérico, nem magia ou ideações fantasiosas. Sob a leitura quântica sobe no milênio a medicina vibracional e muitas técnicas alternativas que se utilizam de vias intelectivas de outra grandeza, mais intuitivas do que cognitivas, razão pura mais abstrata, menos concreta com seu raciocínio lógico-matemático.

Se tudo no Universo está integrado pelo campo chamado "Consciência" como não articular os "insights" terapêuticos com "saltos quânticos" e como não enquadrá-los dentro de outra dimensão compreensiva?
Nada existe fora dessa grande onda que Amit Goswami chamou de Consciência. O que existe são diferentes níveis dessa Consciência, diferentes faixas de frequência (passíveis de serem medidas em Hertz)..

No campo eletromagnético tudo é ressonância. Vejo o mundo psíquico como um campo bioeletromagnético. Desejos e demandas emanam energia e vibram através de ondas de expectativas e esperanças. Esse ressoar transfere informações para determinadas pessoas e para o Universo, e faz chegar informações ao vácuo quântico, pleno de energia potencial - campo das pulsões nomeadas por Freud que podem ser acessados via função intuitiva transcendente nomeada por Jung.

Não só na interpretação do fenômeno da transferência, sob a leitura psicanalítica, durante a relação analista-analisando quando em terapia, o efeito quântico da dupla-fenda pode ser observado. Ao existir um foco e uma escolha não há como negar o colapso da função onda, a restrição do amplo campo ideativo abstrato da criação de neuroassociações, ou ondas de possibilidades, e sua redução ao campo das partículas de probabilidades, que podem ser concretizadas em metas e resultados visíveis.

Sob o prisma quântico da experiência da "dupla fenda" e da interferência direta do observador, ocasionando a resposta do átomo e seu comportamento como onda ou como partícula, é possível avaliar a importância e o perigo da atuação do terapeuta durante as sessões terapêuticas, particularmente ante o uso de técnicas persuasivas e sugestivas. Nesses casos, predomina a intenção que o terapeuta emana através de suas sugestões, que vai depender da sincronicidade com a frequência vibratória de quem as escute para que seja assimilada a contento... decodificada a contento pelo interlocutor. Isso vai depender de que ambos estejam na mesma posição relativa ao real da situação da terapia com todo viés e ruídos que dela pode advir (transferências e contratransferências) e no mesmo continuum de tempo (passado-futuro presentificados nos quadros sintomáticos e no momento presente da terapia).

Acredito que o papel do terapeuta seja facilitar as associações entre o psíquico (quântico) e a emergência do sujeito freudiano, responsável por seu bem-estar físico e psíquico, ou a emancipação do indivíduo junguiano. Ao "alinhamento prático no querer-saber-fazer-acontecer" possibilita avaliar como através do poder de fazer escolhas ocorre o colapsar da onda das possibilidades (ou alternativas de opções) e o surgir da partícula, para que ideias abstratas possam ser concretizadas na realidade concreta do analisando (nunca determinada pelo mundo ideativo das probabilidades do analista ou terapeuta seja qual linha seguir).

Destaco mais um aspecto por mim observado. De forma semelhante ao Universo onde se constata uma ordem implícita, também nos sistemas orgânicos pode-se notar sistemas dentro de sistemas, pequena e grande circulação, o mesmo com o sistema respiratório, ou nos sistemas psíquicos envolvendo a moral e ética. A meu ver, o psiquismo moral e ético constituem dois circuitos, utilizando a terminologia freudiana "superegóicos", o primeiro se utilizando da via exoinformativa impositiva e o segundo da via endoinformativa acatada pelo autorreferencial interno advindo do vácuo quântico diretamente e captado via intuição.

Uma errata: destaco por observar a dinâmica psíquica em meus pacientes "e por acompanhar em mim mesmo essa movimentação psíquica".

Acompanho as articulações atuais de Helio Couto (vídeos canal YouTube):
"Toda fórmula química precisa de tempo para haver uma reação atômica molecular, para que as moléculas se juntem e formem uma terceira coisa... assim surge o sentimento, como o amor. Em curto tempo de contato, só existe atração sexual, empatia ou antipatia... a química não bateu? ideias não entraram em sintonia? não houve sincronicidade afetiva?"
"Cada arquétipo ( ideias primordiais pré-existentes em nós) provoca a produção de determinado transmissor unidirecional. O tempo e o interesse (vontade) criam as neuro-associações assimiladas pela outra pessoa... É preciso levar em consideração que cada neurotransmissor e hormônios provocam uma reação emocional... daí ser importante avaliar pelos sinais que indicam correspondência o tipo de neurotransmissor gerado nos relacionamentos interpessoais para criar vinculação ou não.

Todos podemos comprovar a existência de uma comunicação não-local, comunicação simultânea à distância, por codificação da propagação de ondas eletromagnéticas, de movimentos vibratórios, cujas frequências são medidas em faixas de Hertz (ex: complexos aparelhos eletrônicos como celulares, GPS, satélites, rádios e televisão...todos audíveis, visíveis e compreensíveis dentro da linguagem subatômica). A cada faixa corresponde uma dimensão. Portanto, existem "n" dimensões ao nosso redor, vibrando em frequência diferentes. As frequências não se anulam, mas sintonizando os Hertz de um rádio ou de um canal de televisão não se tem acesso aos demais.

 Deixo esse registro, para que reflexões ocorram sobre o novo paradigma quântico e novas compreensões dele decorram sobre o psiquismo humano - tão perto e tão longe de nós!

Ou como disse Richard Bach: "Longe, é um lugar que não existe!"

Aurora Gite

sábado, 25 de julho de 2015

Um pouco mais de Zygmunt Bauman (90 anos) ...

Indico o livro "Vida para Consumo: a transformação das pessoas em mercadoria"/ Zigmunt Bauman: tradução Carlos Alberto Medeiros - Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

A meu ver, muda o prisma do leitor quando antes do começar a ler uma obra, toma ciência do trajeto do autor. Esse fato não é tão difícil de constatar, querem ver?

Bauman, sociólogo polonês " teve artigos e livros censurados e em 1968 foi afastado da universidade de Varsóvia onde ocupou a cátedra de sociologia geral... Emigrou da Polônia, reconstruiu sua vida no Canadá, Estados Unidos e Austrália, até chegar à Grã-Bretanha, onde em 1971 se tornou professor titular de sociologia da Universidade de Leeds, cargo que ocupou por vinte anos... Atualmente, com seus 90 anos é professor emérito de sociologia das universidades de Leeds e Varsóvia". Ainda nos surpreende e faz por tornar seus 90 anos exemplo de, como depende de cada ser humano, querer enriquecer e se orgulhar da qualidade de seu viver.

No caso de Zigmunt Bauman, é um prazer enorme ler sua obra e seguir suas interpretações da dinâmica dos quadros sociais! Prima por expor, a cada livro, que continua a publicar, suas análises sociológicas e a articulação de suas ideias com o momento atual que as sociedades vivem. Coloca sua preocupação com o futuro - com 90 anos, por que não? - e realça sempre sua curiosidade em ver "para onde caminha o mundo" social (convívio coletivo) atual.

Mais ainda, de relevância capital, segundo penso, em sua trajetória de vida, com o desmoronar de sonhos de lecionar, e a garra e firme determinação de ir atrás dos ideais de docência, e mais, se tornando figura pública ao expor suas ideias a uma sociedade capitalista interesseira e preconceituosa, além de permissiva e desintegradora do social (coletivo) em sua liquidez de valores humanos.

Destaca a Zahar no livro acima: " Bauman tem cerca de trinta livros publicados por esta editora, dentre os quais destacam-se: Comunidade; Identidade; Amor líquido; Modernidade líquida; Vida líquida e Tempos líquidos." Continua: Em Vida para Consumo, Zigmunt Bauman explicíta e analisa o traço marcante da vida contemporânea que mais aproxima - os internautas que frequentam sites de redes sociais e estão sob o controle e gerência dos recursos tecnológicos -: a transformação das pessoas em mercadorias."

É fascinante acompanhar a perspectiva arguta e a facilidade com que Bauman desloca seu olhar sagaz e aprofunda, com perspicácia, sua analise das alterações dos quadros sociais ante a perda dos referenciais que possibilitavam a segurança do viver debaixo de valores éticos e de um autêntico humanismo regendo o convívio social. Hoje vivemos debaixo do que chama de mundo "líquido", "era incontrolável de interesses/incertezas/inseguranças e medos"... medos de viver, de forma serena e plena, de se entregar/confiar e de receber afeto leal e principalmente fiel, desconfiança geral que abala os alicerces dos relacionamentos afetivos e até as intimidades pessoais.

Sob uma visão realista se impõem descrições impactantes sobre o mundo atual. Em todos os seus livros é difícil não se adotar uma postura inquietante e questionadora sobre no que nós, seres humanos em potencial, nos transformamos. Como permitimos aquietar nossa alma indagadora e nos deixarmos manipular até nos robotizar seguindo a massa não pensante por si? Como direcionamos nossa força proativa em sua capacidade empreendedora para que exerça seu controle efetivo a não nos deixar sair das zonas de conforto, do ócio ou morte em vida, do comodismo preguiçoso?

Essas são as variáveis das quais a maioria se aproxima que repelem qualquer esforço renovador de energias internas e trabalho inovador que nos orgulharia pelo prazer advindo das autorrealizações. Nesse sentido, Bauman não só expande suas ideias, mas exemplifica com a oportunidade que nos dá de seguir suas vivências e seu estilo de vida. E isso nos remete a como estamos desatentos aos sinais que a vida nos encaminha através dos entraves e obstáculos que coloca em nosso percurso: muitos nos encaminham para aprendizagens que demandam desvios de rotas... outros nos direcionam para postergar ideais e substituir por planejamentos de metas possíveis para atingir novos sonhos.

E lá vem Bauman: "Uma vez que a permissão (e a prescrição) de rejeitar e substituir um objeto de consumo que não traz mais satisfação total seja estendida às relações de parceria, os parceiros são reduzidos ao status de objeto de consumo ... Uma 'relação pura' centralizada na utilidade e na satisfação é, evidentemente, o exato oposto da amizade, devoção, solidariedade e amor - todas aquelas relações 'Eu-Você' destinadas a desempenhar o papel de cimento no edifício do convívio humano." ( p.32)

Continua ele em suas constatações: "A vida 'agorista' tende a ser 'apressada'. A oportunidade que cada ponto pode conter vai segui-lo até o túmulo; para aquela oportunidade única não haverá 'segunda chance'. Cada ponto pode ser vivido como um começo total e verdadeiramente novo, mas se não houve um rápido e determinado estímulo à ação instantânea, a cortina pode ter caído logo após o começo do primeiro ato, com pouca coisa acontecendo no intervalo. A 'demora é o serial killer' das oportunidades... 'A prudência' sugere que
para qualquer pessoa que deseja agarrar uma chance sem perder tempo, nenhuma velocidade é alta demais... " (p.50) . Vale refletir atentamente sobre suas metáforas!

Zigmunt reconhece que  "na vida 'agorista' dos cidadãos da era consumista o motivo da pressa é, em parte, o impulso de 'adquirir e juntar'. Mas, o motivo mais preemente que torna a pressa de fato imperativa é a necessidade de 'descartar e substituir'." (p.50) E que, na 'cultura agorista consumista', onde a 'busca da felicidade é usada como isca nas campanhas de marketing', querer que o tempo pare  é sintoma de estupidez, preguiça ou inépcia. Também é crime de punição." (p.51)

E por aí desenvolve suas ideias sempre conduzindo suas reflexões ao que fez com que de pessoas nos transformássemos em mercadorias dentro da sociedade de consumo, como deixamos de lado nossa autocrítica, nosso poder, livre arbítrio para escolher e liberdade para decidir conforme nossa vontade e ética internas direcionarem.

Aqui acrescento que, cada vez mais, ante novas descobertas subatômicas, e avanços também na tecnologia eletrônica - que nos faculta a comunicação não local por meio de ondas e frequências Hertz -, se mostra obsoleto (defasado), para acompanhar as leituras dos fenômenos do milênio, o paradigma mecanicista newtoniano da Física Clássica, e se expõe a necessidade de abertura aos conhecimentos do  novo paradigma da Física Quântica.

Aos que quiserem permanecer em atitudes rígidas e radicais, na segura mesmice mecanicista em seu atual e comprovado reducionismo interpretativo dos fenômenos da natureza... "é tudo uma questão de tempo" para que a perspectiva do paradigma quântico em sua incerteza, ondas de possibilidades e partículas de probabilidades se imponham, e suas visões de mundo e de homem se ampliem e se modifiquem!

Aurora Gite

P.S. Quem se interessar por assistir vídeos de entrevistas dadas por Zigmunt Bauman, ainda estão disponíveis no Canal YouTube.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Bingo! E tudo dentro da Mecânica Quântica e da Ciência!

Bingo! 

Depois de anos de pesquisa encontro explicação científica para a vivência relatada na postagem republicada "Você quer receber um presente meu?"

Pareiem minha experiência com as explicações dentro da perspectiva quântica.

Em vários vídeos sobre o mundo quântico e a ressonância harmônica, Helio Couto a nomeia ao detalhar como atua o universo quântico dentro de nós.
Vide YouTube, Helio Couto, vídeo intitulado "6º Degrau".

Nossa nem acredito!
Não nego que estou assustada, mas com coragem redobrada para mais pesquisas envolvendo as aplicações práticas do mundo quântico, dentro dos novos paradigmas da Mecânica Quântica.

Republico o post onde relatei a experiência:
" Quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Você quer receber um presente meu?


Ei você! É você aí mesmo que, surpreso olha para trás e para os lados, procurando se certificar se é com você mesmo.
Quer me permitir dar um presente à sua imaginação? Então abra suas mãos em concha para recebê-lo, depois feche em seguida para que não perca o brilho. Você vai poder usufrui-lo em várias ocasiões de sua vida. Garanto que quando envolto pela escuridão, lhe vai servir de lanterna.

Por que esse espanto? O que é isso? É que esse objeto caiu em desuso, não é? Pois você está segurando uma ampulheta. Relógio de areia? Símbolo do tempo? Nascer e morrer? Está chegando perto agora. É um objeto que pode nos conduzir a uma alquimia interna mesmo,a uma transformação química de forças.

Pense na base da primeira pirâmide como seu potencial natural,sendo invadido por tudo que o cercava, quando se deu por "gente" - não "pessoa" ainda. Lembre, de como foi difícil sobreviver, sem saber nadar no mundo e tendo que articular circunstâncias da vida; de quanta água bebeu ao afundar ante tempestades e trovoadas; do medo ante ondas tão altas e revoltas. E a cada mergulho forçado, turbilhão e conflito.

Pouco a pouco, no entanto, você conseguiu se reequilibrar ganhando a força necessária para atingir o cume dessa pirâmide. Que sensação! Que satisfação perceber que de um estado de "não ser" como indivíduo, conseguiu selecionar e acumular valores próprios, e observar seu "ser único" despontando. Mas e agora? O que fazer com isso?
Tanto trabalho para se "individualizar", para depois se descobrir grandioso sendo um grão de areia, tão pequena partícula na imensidão do mundo? Como fazer para se inserir na vida novamente?

Observe mentalmente o objeto em sua mão. Percebe como é feito de duas pirâmides? E que a segunda está invertida sobre a primeira? Então, mãos à obra, seu trabalho não terminou. Se você partiu do "não ser" e chegou a condição de "ser único", vai ter que conquistar a posição de "Ser". Como? Por que caminho?

Se antes a batalha era pelos valores pessoais e intransferíveis, vencendo desejos e fantasias ilusórias transitórias, agora vai ser pela conquista das virtudes. Virtude é força também sabia? Mais forte e estável que os valores existenciais que você conquistou. Só que, como o sentido de parábolas ou mitos, não é decodificado por muitos. Sua voz não é audível a todos. Os sentidos físicos não a apreendem. Você quer ver? Serenidade é uma virtude; observe o efeito dentro de você. Quer que lhe diga outras? Moderação, coragem, firmeza, prudência, honestidade e lealdade, temperança, equilíbrio, generosidade, decência, simplicidade; ousadia e audácia bem empregadas também o são. Talvez você já possa arrolar algumas agora. Quer tentar?

Se antes, após sobreviver aos "tsunamis" da vida, pode contar com a agilidade de garbosos cavalos, agora vai ter que buscar um "unicórnio". Não sabe nem o que é? Sabe, mas não acredita? Que pena! É um animal mitológico, que tem a forma de um cavalo, geralmente branco, com um único chifre em espiral - talismã de poder soberano. Representa a ascendência espiritual humana. Sua compreensão não cabe à razão lógica. Sua imagem vem associada a pureza e retidão de espírito, honestidade e liberdade, paz e coragem, esperança e amor.
Ele é raro hoje em dia, porque, para que esse encontro ocorra, temos que contar com a sensibilidade intuitiva do coração e a maioria das pessoas dela se afastou.Ele pertence a outra dimensão do ser humano. Ele é o responsável pelo sentido de sua vida. É símbolo do "poder da alma", guardião da riqueza por toda alquimia conseguida.

Não creia nisso só porque digo,não! Experimente em você. Conte com sua imaginação para isso. Ela pode levá-lo para o abismo do tédio, do vazio do nada, abaixo da base inferior da ampulheta, mas também pode levá-lo à plenitude e alegria ao atingir sua base superior.

Agora é se permitir aprender a usar esse presente. Algum dia vai me agradecer e contar como lhe foi útil. Pelo menos, assim espero!
Aurora Gite



Quem quiser acompanhar o conteúdo de minhas pesquisas, em uma abordagem mais científica, estão nas seguintes postagens:
  • Post de 13 de agosto de 2014: "Mais sobre minha pesquisa? Compartilho,como não!" - onde republico "Outra instância psíquica? Será?" de 30 de junho de 2011.
  • Post de 08 de dezembro de 2013: "Enfim, não sós!" 
  • Post de 24 de junho de 2012: "Cruzando dados..."
 
Quem se interessar em adentrar nesse novo mundo quântico, não deixe de seguir as descrições científicas de Helio Couto sobre o mundo subatômico atuando em nós. 


Dentre seus vários vídeos disponíveis no YouTube, extasiada e amedrontada, acompanhei o relato dos passos de minha vivência, no vídeo intitulado "6º Degrau".

Agora aprofundo minhas pesquisas, reconhecendo que o caminho é por aí!

Aurora Gite

sábado, 27 de junho de 2015

Tô com você e não abro!

Ajudo a compartilhar a vitória alcançada e realço a subida de Obama e dos Estados Unidos, dos quais é presidente! Seu espaço na História foi consolidado sem dúvida nessa semana! Coube aos EUA esse avanço, consolidando seu papel de potência mundial que pode bancar inovações legais em prol do real benefício de uma sociedade globalizada mais humanizada.

Obama não escondeu sua defesa por anos (+de 10 anos?) e seu orgulho e alegria por ver sua causa ganha, quanto ao reconhecimento da liberdade de escolha afetiva e respeito humano às relações homoafetivas e, na semana, com a legalização e oficialização, por todos os estados americanos, do casamento entre eles, com os mesmos benefícios das relações heteroafetivas.

Por outro lado, desce, a meu ver, a instituição que a Igreja Católica e o Papa representam!
Que decepção Papa Francisco pela opção em ter carregado nas costas o lado conservador da Igreja Católica, com sua recusa a se inserir na realidade atual, enfraquecendo o potencial violento dos radicais, com o virar as costas em prol da convivência respeitosa e harmônica entre os seres humanos do milênio.

É questão de tempo, agora, as mentalidades mudaram e a velocidade das informações vão continuar a atingir a todos em tempo real! As sociedades vão conseguir se afastar de dogmas religiosos em prol da liberdade de amar, e, "por amar", tornarem os agentes sociais, "seres humanos mais felizes por bancarem, lutarem com coragem, ousarem defender e, livres das molduras dogmáticas, aclamarem e expandirem o próprio amor".

O amor é o vencedor como força, que une e não destrói; integra e inclui e não separa e exclui; que pacifica as ações humanas e não conduz à violências interpessoais em prol de manter o poder de abstrações, facilmente manipuláveis, e fantasias ilusionistas, habilmente fabricadas e buriladas conforme as circunstâncias do momento histórico.

Tô com você e não abro, meu neto!
Endosso sua luta em prol de uma humanidade mais justa com direitos iguais... ops, e deveres respeitados, zelando por um convívio social pacífico!

Deveres respeitados implicam em se responsabilizar pelas repercussões das próprias ações e por bem gerenciar as consequências das mesmas, tendo em vista que entre as metas sociais está a preservação do bem-estar coletivo.

Compartilho seu bom uso do espaço permitido pelas redes sociais, no caso, o Facebook!


Que fique às autoridades desse país e do resto do mundo o recado que o planeta está gritando em seis cores nesse dia de conquista nos EUA.
A questão não é nem a possibilidade de poder casar em mais um país, muitos da comunidade LGBTT sequer têm esse sonho tradicionalista de constituir casamento. O ponto é ter uma das maiores influências culturais do mundo reconhecendo qualquer forma de amor como igual perante aos olhos da lei, que não deveria restringir os direitos de grupo algum, quando isso não afeta a vida de terceiros.
Gritamos em VERMELHO contra todo o SANGUE derramado pela homofobia violenta que continua agredindo e matando pessoas, que só querem se sentir bem da forma que nasceram.
Gritamos em LARANJA pela LIBERDADE de sermos iguais. Nunca se pediu qualquer privilégio, apenas que se entenda que qualquer indivíduo merece a chance de amar e ser amado.
Gritamos em AMARELO para lançar o ALERTA de que a ignorância deve parar de ser disseminada. Em especial por aqueles que só querem enriquecer às custas de quem tem fé em algo maior e não entendem como seus atos podem destruir a cabeça e saúde do próximo que nenhum mal fizera.
Gritamos em VERDE para explicitar que a NATUREZA é sábia em construir a diferença para atingir o equilíbrio. Se todos fôssemos iguais, estaríamos ainda hoje usando as mãos, e não os cérebros, para nosso próprio desenvolvimento.
Gritamos em AZUL pois precisamos LAVAR o passado, esquecer desentendimentos, buscar um espaço comum nesse oceano em que todos tem espaço para nadar de braços abertos sem invadir ou atrapalhar o trajeto dos demais.
Por fim, gritamos em ROXO porque heteros, gays, lésbicas, travestis, transexuais, transgêneros, ateus, cristãos, budistas, hinduístas, judeus, muçulmanos, negros, japoneses, brancos, índios e qualquer um, q não se encaixe em nenhum desses grupos, possui sua própria individualidade. Mas todos clamam juntos em uma só voz pelo direito mais básico da humanidade: RESPEITO!

terça-feira, 9 de junho de 2015

Lacan, Forbes e Gikovate

Jacques Lacan (1901-1981) é um autor de linguagem complexa, onde um emaranhado de ideias se chocam como as partículas quânticas assim o fazem no "Acelerador de Partículas" e propiciam a descoberta de novos meandros no mundo psíquico. Sua obra que contém a argúcia de suas perspectivas não possibilita fácil leitura compreensiva. Muitos, como eu, por vezes se utilizam dos olhos e ouvidos de outros leitores e estudiosos de seus "Seminários", para que lhe sirvam de lanternas clareando aos leigos, como nós, os confusos conceitos lacanianos e o encadeamento de seu raciocínio lógico.

Sem dúvida, Lacan em sua releitura da obra de Freud, abre o leque de novas perspectivas sobre os registros de suas descobertas. Mas, a meu ver, o que me foi fascinante, foi perceber o próprio Lacan, não mais encoberto pela genialidade de Freud, mas expondo a originalidade de seu próprio pensar ao esboçar a "Clínica do Real" ou "Segunda Clínica de Lacan", no final de sua vida. Aqui encontro extasiada a abrangência das ideias de Lacan sobre o que ocorre no psiquismo humano que implicam em novas perspectivas sobre a condição humana e novas formas de atuar clínicamente com os pacientes.

Segundo Cunha (in Psicanálise, a Clínica do Real, 2014. Jorge Forbes (Ed), cap.11, p.177): "Conhecido como 'o analista do significante', viveu pelo menos dois grandes períodos, bastante distintos, em sua relação com este. O primeiro, desdobramento da psicanálise freudiana, é o encaminhamento da escuta do paciente para a associação livre. É uma forma de lidar com o significante remetendo-o a um 'sentido a mais'. O trabalho analítico convida aquele que fala a dar atenção a um significante 'x' e a se lançar mais sobre aquela cena. O segundo modo utilizado por Lacan é o oposto. Trata-se de pegar um significante e retirá-lo do fluxo frasal. Em vez de convidar o paciente para interpretá-lo, agregando a ele mais sentidos, o analista o faz ressoar, busca gerar um curto-circuito para que ele toque diretamente o corpo sem passar pela compreensão racional."

Riolfi, no cap.10 (p.172) do mesmo livro, esclarece: "No Seminário 23 (2007) ministrado entre 1975 e 1976, Lacan enfatiza a palavra 'ressoar'. Ele o faz opondo 'sintoma' com 'sinthoma'. Se o primeiro é uma escrita, pode ser decifrado. O segundo, por sua vez, indica um modo singular da relação entre o sujeito e seu modo singular de satisfação e, por isso, permanece opaco, não passível de apreensão pela via do simbólico. Dizendo de outro modo, esvaziada da carga semântica, a palavra 'ressoa'... O analista, separando a palavra do discurso corrente atrás do qual se escondia, ...ao perceber a inconsistência do Outro, libera a pessoa do sofrimento gerado pela autoimposição de atender suas expectativas... O analisando não consegue pensar em alternativas para lidar nem com suas expectativas, nem com o seu desejo... [Como foi o caso de uma paciente que...] projetando seus altos ideais em seus semelhantes, sofria de culpa, transmudando-a em uma suposta rejeição alheia."

Continua Riolfi (p.175) "...uma palavra nomeia, mas não recobre os modos de uma pessoa viver... a mudança da relação da pessoa com a palavra diminui a dependência do imaginário na unidade corporal; mostra a necessidade de encontrar alternativas para o reconhecimento simbólico e, por esse motivo, proporciona a abertura para a surpresa do encontro... O analista tenta evitar que seu paciente se esconda dos desafios de inventar uma vida qualificada para si mesmo, aceitando que sua realidade subjetiva seja expressa por palavras." Aqui vale ser colocada a diferença entre a 'qualidade de vida', padronizada pela cultura atual para o alcance do bem viver coletivo, de uma 'vida qualificada' que se destaca pela sua singularidade.

O Real lacaniano não tem a ver com a 'realidade concreta', com o que se exibe a um social, buscando reconhecimento coletivo (ou não). O Real lacaniano tem a ver com o corte do outro com o Outro, do imaginário ao simbólico. O encontro com o Real (Segunda Clínica de Lacan) é a passagem ao registro da Responsabilidade. O símbolo tem que alcançar o Real, segundo Macedo (cap.6, p. 94) abandonando o que 'revestiu a significação' de algo. "A pessoa na análise quer comprar um saber maior sobre si mesma; vai para a análise 'querendo' se conhecer melhor... não é isso que vai ocorrer numa análise. Ela vai pagar um valor 'x' e não vai receber isso, o 'conhecer-se melhor'...A pessoa vai descobrir que está pagando por uma coisa que é da ordem do impossível... Ela quer encontrar um nome para isso e que o Outro a reconheça, com isso irá livrar-se da 'culpa', que é um 'elemento de expectativa' (culpa e dívida na língua alemã advém da mesma palavra ...)."

Na Segunda Clínica, Clínica do Real, Lacan muda sua forma de atuar com o paciente. Busca fazer com que o paciente se implique com o que está lhe ocorrendo e que seja responsável por seu 'mudar', ao perceber que o reconhecimento que o paciente almeja é o de seu Outro interno, seu inconsciente responsável.

Forbes questiona o 'mudar' em seu livro "Você quer o que deseja?" (2003) e Gikovate também o faz em "Mudar: Caminhos para a Transformação Verdadeira"(2015).

O psiquiatra Flávio Gikovate destaca, de seu livro 'Mudar: Caminhos para a Transformação Verdadeira', a frase: "A vaidade se alimenta do exibicionismo e do impacto que isso provoca nos outros. A autoestima depende do juízo que fazemos de nós mesmos."

Jorge Forbes, em seu livro "Inconsciente e Responsabilidade: Psicanálise do Século XXI (2012), : " ressalta [...] O inconsciente do qual vamos tratar é aquele que leva o ser falante a responsabilizar-se pela invenção de seu estilo singular de usufruir de seu corpo e de sua vida... No século XXI, o psicanalista que acredita no inconsciente irresponsável não trata o sintoma e não cura. É urgente considerar a responsabilidade pelo que é inconsciente... Também a clínica psicanalítica atravessa um novo momento, [...]"

"Freud mantinha um 'não saber' no cerne de suas interpretações...Diz ele, em seu texto 'Análise Terminável e Interminável' ( 1937ª/1975,p.256) que a resistência aparece, impedindo que qualquer mudança ocorra". Segundo Forbes, "Podemos, com Lacan, afirmar que visamos à "responsabilidade sobre o não saber" e não sobre o saber... Cabe a cada um colocar-se no mundo com a singularidade de seu desejo... Não basta render o desejo aos desejos dos outros, mas saber o que fazer com o seu desejo." (p.14)

Novamente cito Gikovate e seu livro "A Liberdade Possível" (2006, 2ª ed.), em que, como na maioria de seus livros, busca "fazer o leitor se voltar para dentro de si mesmo e refletir sobre temas para se conhecer melhor..."
" Cada um de nós deverá buscar encontrar por si mesmo seus caminhos, suas soluções para os problemas da existência - levando em conta suas propriedades psíquicas - suas aspirações materiais e intelectuais, sua capacidade de fazer concessões ao sistema social e econômico em que vive, e assim por diante. Ao nos conhecermos melhor, ganharemos força para pensarmos mais livremente acerca de nossa existência. " (p. 269)
"O autoconhecimento é o melhor instrumento para nos fortalecer e nos conduzir ao destino que pretendemos... ao nos tornarmos mais independentes do julgamento dos outros, conquistamos a liberdade... e podemos contribuir com a construção de uma sociedade mais justa."

Agora é articular o que nos é legado por esses "três pensadores Lacan-Forbes-Gikovate" sobre a condição humana, cujos conhecimentos - embasados por anos de vasta clínica e contínua autoanálise das próprias dinâmicas psíquicas - nos deixam registrados através de seus escritos.

Aurora Gite




domingo, 31 de maio de 2015

A Psicologia Aplicada do Milênio

Interessante observar as configurações dos saberes que vão se delineando ante as transformações sentidas nesse novo milênio.

Disciplinas reducionistas sobre a condição humana estão se abrindo para agregar em seu bojo análises que incluem uma multiplicidade de perspectivas (saudades de Hannah Arendt, mas chegamos lá!).

Profissionais, de diversas áreas sobre a saúde mental, passaram a adotar posturas mais ecléticas, se permitindo usar interpretações compreensivas de várias escolas de pensamento sem tanto priorizar algumas de renome como a Psicanálise (que não deixa de continuar a ter seu valor), sem excluir com a arrogância de alguns pomposos psicanalistas que nada mais precisam conhecer e com a soberba de outros que não se dão ao trabalho de buscar saber o que novas teorias e recursos psicoterápicos podem oferecer ao quadro clínico, observado em seus pacientes (o principal é enquadrá-los nas molduras estruturais freudianas, a partir daí os procedimentos analista-paciente já estavam modulados, restando enquadrar o analista).

Muitos, que se aventuram a trilhar o caminho freudiano do autoconhecimento, permitindo-se inclusive conhecer recursos psicoterapêuticos de escolas divergentes (e esqueciam que seu objeto de estudo era o mesmo ser humano), e evoluir rumo ao processo de individuação junguiano mantendo contato com a função transcendente por Jung descrita com clareza, olharam ao redor e se espantaram com a dificuldade de lidar com os aspectos descobertos dentro de si. Tudo isso sou eu, mas como lidar com tudo isto nessa época de minha vida? O que fazer com quem eu sou?

O contato com muitas dessas vivências angustiantes de pessoas competentes me facultou constatar a falta de um espaço interno, o "holding" (acolhimento) -kleiniano e winnicottiano - aberto após boa internalização psíquica das funções maternas e paternas (nada a ver com a incorporação de figuras da mãe e pai biológicos). O como bem lidar com as descobertas sobre si mesmo pelo processo de autoconhecimento - que se estende pela vida a fora - depende desse espaço de acolhimento interno, condição indispensável para que uma boa autoestima se consolide; para o equilíbrio de pontos fracos e fortes, e para o bem viver uma vida boa que impulsione o processo contínuo da singular evolução de sua psique. E como é preciso nos dias atuais cheios de carência e pressões ter bem vivenciado os papéis de filhos, filhas, pais e mães para girar a contento a roda das gerações!

Acredito que o foco atual caia na adoção de uma Psicologia Aplicada, inclusive como parte de Programas Educacionais (curricular, por que não?) visando a discriminação de funções operacionais psíquicas eficientes na era digital, além do adestramento educacional para se atingir um desempenho adequado a uma inclusão aceitável nos papéis sociais... mas esse é tema para outra postagem.

Só adianto que a harmonia da convivência social vai depender não só de condições para que se estabeleça o respeito efetivo às diferenças entre as pessoas, mas também, e principalmente, do aprendizado e da eficácia da aplicação, na vida de relação, das funções de "automaternagem"(aceitação amorosa e empática) e "autopaternagem" (observância de limites e respeito às leis) -decorrentes da discriminação dos valores espontâneos próprios da essência de cada um, daqueles obrigatórios estabelecidos por regras e ordens morais impostas pelos papéis, muitas vezes conflitantes, que delimitam o lugar de cada um na sociedade, e o padrão a seguir que indica o que cada um deve fazer para se sentir feliz (?).

Eis como penso que venha a se constituir um "atendimento na era digital"- "batepapo terapêutico numa rede social?". Transcrevo com anuência dos envolvidos (uma psicóloga, supervisionada por mim, e sua filha - sérios problemas financeiros familiares) um caso que bem serve como exemplo do que digo acima:

" Terça 16:26 - Ok mãe, agradeço qualquer ajuda dada! E, se não puder mais ajudar, agradeço por tudo que fez tbm kk
  Terça 22:57 - Oi mãe, tudo bem?? Não se assuste por eu não ter ido. Mas agora é o ... que tá resfriado kk... não tem febre... , mas preferi prevenir
  Terça 22:58 - Oi filha, estranhei mesmo... achei q tinha piorado do quadro gripal... amanhã cedo reunião com a escrevente... tô juntando os documentos para levar e imprimindo boletos dos pagamentos de seu pai atrasados na Prefeitura... vendi ações ontem... agora tenho o dinheiro para o 71... o importante é q estou cobrindo tudo... nem acredito! seu pai liberado dos processos iptus da casa... e sua irmã vai ter o teto fixo. Meus netos não vão +ficar pulando de galho em galho, sem ter um teto deles desde bebês... vixe!
  Terça 23:00 - Nossa mãe, muito orgulho de vc
  Terça 23:00 - Nossa filha, eu tb tenho muito orgulho de mim nesse sentido..
  Terça 23:01 - Mas tenho muito orgulho de vc tbm, por pensar nos netos antes de vc própria... fico muito feliz por meus sobrinhos... acho que tenho que buscar minha filha na facu e depois nanar... amanhã ou depois estou por aí... bjsss boa noite com a consciência supertranquila... vc merece... seu travesseiro bem leve, vc vai ver...

Quarta 23:51 - Mamãe, meu orgulho, minha vida... Acho que vou aproveitar esses dois dias e tentar dar um jeito aqui... volto ao trabalho segunda... saudades de vc love muito... me sinto tão feliz por vc, espero que sinta o mesmo...bjssssss
~~~~depois de 6 horas ~~~~~~~~~~~~~~~~

Quinta (madrugada) - Meu Deus, mãe, hj me pego em muitos questionamentos... tenho 43 anos e de quem é a culpa pelas minhas frustrações? É claro que já bebi um pouco a mais, para poder soltar esse choro que me aperta, que me sufoca... e a pergunta que não cala dentro de mim... de quem é a culpa? Existe uma culpa ou é tudo ilusório? Meu pai, será?... meu pai que tampa o sol com a peneira de seu próprio fracasso e ainda assim tentando ser o mártir da família, como o pai dele, apesar das traições e machismo tentava ser, e minha avó assim o permitia...?
                               - Vc mãe, que sempre protegeu a figura do pai e de repente joga sobre a gente um monte de verdades ocultas, e talvez já sabidas por nós, mas preservada por vc, sabe (por que?) ... pelo marido... meu marido entrou de gaiato no navio kk ... achando que podia suprir a falta de um pai, ou que eu aceitasse as coisas como uma mãe... acho que diante de tudo a culpa menor seja dele, embora seja culpa... e o que dizer das irmãs?... a mais velha, querendo fazer o papel de mãe com a caçula (eu), mas tão perdida como qualquer outra - como alguém pode tentar compreender os outros se nem a si próprio entende ???... -, a segunda como culpar, por que?... se sempre tentou achar seu caminho em toda a história, demonstrando até fisicamente, em hospitais e pronto-socorros, com nenhum diagnóstico plausível, pra tanta carga emocional q depois explodiu... tudo junto, sem saber como reagir... terminando casamento e relacionamentos de uma carga emocional enorme, agora Graças a Deus se encontrando e relaxadamente podendo viver a vida que era pra ter vivido aos 26 anos. E o que falar da terceira ... ???... simplesmente nada... não a conheço realmente... mas talvez seja a mais certa, vivendo longe e preservada de tudo, tudo???? ... sua própria família?... se ela não tiver os apoios dos filhos, é claro que do marido não vai ter... mas sempre nós, irmãs, estaremos lá, pra qualquer coisa... mas e eu...
                              - Mas e eu... com depressão profunda, o marido tenta ajudar, mas nem ele entende o que se passa... uma filha tenta ajudar, até briga... a outra é indiferente, só cobra, quer dizer, não entende... o menor ainda, é melhor nem citar. Meu Deus, o que fazer ??? ... perco toda minha luta até hj, luta interna sozinha, desde os meus 8 anos... entrego os pontos e me decepciono mais uma vez, sabendo que não sou capaz de resolver tudo sozinha?
                               - Admito que bebi um pouco a mais e estou escrevendo um monte de asneiras??? -
                               - E aí mãe? ... ou deixo pra lá, rezo pra Deus me ajudar mais uma vez e acordo como se não houvesse nada errado comigo... Me aconselha mãe, o que eu faço,???... Minha vida parece uma tristeza sem fim - amo meu marido e meus filhos, é claro, mas acho que não me amo, sinto dó de mim, não tenho vontade de levantar da cama, mas sinto vontade de beijar meus filhos e acariciar meus filhos e ficar abraçada a meu marido, mas sei que nenhum deles pode entender minha carência...
                             - Lembro e sinto falta quando, de vez em quando, vc abria a porta pra eu deitar com vc... a segurança era tão boa... mas quando vc não abria e eu dormia no corredor era tão medonho. Meu Deus, mãe, me AJUDE, o que acontece comigo? ... as vezes sou tão forte, as vezes não sou nada... aí vc vai falar precisa de terapia... não, pq simplesmente nunca acreditei em terapeutas, psiquiatras talvez...mas vou me deixar dopar, enquanto tenho 3 filhos pra criar e que dependem muito de mim?
                             - Sabe, mãe, conversei muito com a mais velha ... quando o irmão (agora com 5) fizer 10 anos, talvez eu me interne e se ela não tomar responsabilidades até lá ou precisar de uma tutora kkk... além do pai ser responsável... claro... pq ele ama os 3 filhos acima de tudo, os 3... mas, se ela não criar jeito até lá, mando ele pra madrinha dele... as duas são maiores e ficam cuidando do pai... Nossa, mãe, como estou triste... que engraçado, não é falta de amor... meu marido e meus filhos me amam eu sei... mas não sei o que é isso... vem lá do fundo...
                          - Uma vez perguntei a vc se me culpava por não ter sido menino ... vc disse que não, lembra???... mas meu pai disse que ele não, mas vc ficou triste por eu ter sido menina... que engraçado, mãe, me sinto perdida aos 43 anos... me sinto cada vez mais vazia... a medida que meus filhos crescem eu não sei mais quem sou... queria poder engravidar agora, é tão supremo... adorooo... criar uma vida dentro de mim, me faz tão bem... sou tão completa quando estou grávida kkk ... sou até completa com dois de meus filhos, um é tão individualista, como o pai...
                        - É claro que bebi um pouco a mais, se não teria ido dormir e não teria falado nada disso, mas mais cedo ou mais tarde isso ía surgir... Mãe, por favor, quero voltar pro seu colo e dormir na sua cama... não sou ninguém sem vc... se eu pudesse voltar atrás, casaria com o mesmo homem e teria os mesmos filhos, mas mudaria quem eu sou... é isso que eu não entendo... sou tão satisfeita com tudo que tenho... mas infeliz comigo ao mesmo tempo... talvez só esperando a morte pra me dar outra opção de mim...
                       - Mãe fala comigo, já tá na hora de vc acordar... mãe por favor fala comigo... parece quando eu era pequena e pedia pra vc abrir a porta pra eu deita com vc... mãe posso não ter sido menino, mas só vc me dá segurança... mãe abre a porta deixa eu deita com vc... por favor mãe... eu tenho medo... afff o que tá acontecendo? ... mãe, vou ficar qui no corredor, abre a porta pra mim... eu não tenho culpa... mãe acorda, abre a porta pra mim... o corredor é tão frio... mãe quero dormir com vc, não me deixe aqui sozinha... MÃE MÃE SOU ADULTA AGORA, MAS TÃO SOZINHA... mãe mãe, mãe... eu não tenho culpa... mãe desculpe... mãe fala comigo... mãe mãe... por favor... to tão triste... será que se eu fosse um menino vc e meu pai teriam ficado junto? ... mãe fala comigo, mãe to sozinha, pode falar... será que essa culpa interior que levo comigo é isso?... se eu tivesse sido menino vcs não tinham se separado? ... mãe respondeeeeee...
                        - O dia vai clarear, vcs vão acordar... minha bebedeira vai passar... mas tudo que escrevi tá aí... Mãe quero ser filha, me deixe dormir com vc... mãe por favor eu não tenho culpa de ser menina, me acolhe por favor... eu não quero ter responsabilidade... quero ser sua filha... apesar de querer ter um menino... abre a porta mãe deixa eu deitar com vc... sem hr ne compromisso pra acordar... mãe abre a porta... é muito frio aqui... mãe tó sózinha... por favor tá frio... mãe não me deixe aqui no corredor... mamãezinha eu te amo abre a porta... mãe abre a porta por favor... quero ficar com vc... mãe o corredor é frio... abre a porta... mãe acorda... mãe... mãe... "

Resposta 1 dia após, quando foi lida a mensagem pela mãe (psicóloga)

" - Filha... tava caindo na depressão há tempos, mas agora é sério. Acredito que precise da dupla psiquiatra e psicóloga. Sem medicamento não consegue sair dessa crise. De meu lado, como te disse outro dia 'To de braços abertos, mas com tantas limitações... por estar fazendo parte desse seu cenário de dor  e sofrimento, sem poder ser de ajuda efetiva.' Ajuda financeira nada representa nesse quadro depressivo, pois acredito envolver aspectos orgânicos também.

Estou muito preocupada agora, sofrida e grata por ter me permitido acompanhar sua descida depressiva. É de uma dor intensa, fundo do poço mesmo. Só posso reforçar que estou por aqui, reforçando sua proteção nessa descida infernal para dentro de si mesmo, da parte insana dentro de cada um nós. O importante é que se agarre a seu lado saudável e procure, nas pequenas coisas ao seu redor, resgatar do que você é capaz... fortalecer esse lado, se prendendo à realidade externa, não à realidade interna desestruturante, nesse momento depressivo, de sua força.

Estou aqui, filha, estou por perto... pela falta de minha presença não tenha medo... e acredito na sua força interna atuando novamente com a parte química de seu organismo equilibrada por medicamentos apropriados ao quadro depressivo. Estou perto, como estive quando não podia enxergar após o acidente de carro, correndo o risco de permanecer na escuridão da cegueira, se o coágulo não fosse incorporado pelo seu organismo, não se dissolvesse... lembra?

Estou perto... se prenda ao real à sua volta quando vier essa angústia toda...
Sinta o meu amor e aconchego...
Preencha sua mente com minha imagem de mãe, de braços abertos para te acolher e proteger até aliviar a angústia... ela é passageira, mas a dor é infernal... nesses momentos o importante é tirar o foco mental dela, senão como sereia ela nos puxa para sua profundeza e a dor rasga o peito da gente mesmo.

Não contando com remédios para aliviar o quadro, vai ter que fazer esse "parto interno" e resgatar seu lado psíquico saudável do lado sombrio que, no momento depressivo, nos remete ao mar de dúvidas sobre quem somos, com cobranças e acusações nos desqualificando, nos jogando na cara um quadro irreal de menos valia... nada valemos em meio ao fracasso sentido nos picos da depressão... e de nada valem palavras outras otimistas tentando levantar nosso ânimo. Nada nos tira da areia movediça da angústia que consome, a não ser uma aliança com a própria angústia depressiva, buscar estabelecer um diálogo e tentar descobrir e compreender o que tenta nos dizer, onde a pressão atual se acumulou... aí podemos tentar alterar o quadro.

Tô aqui para te dar força e te acompanhar... até a possibilidade de mais um profissional da área da psiquiatria e da psicologia se agregar a nós. Você toma fluoxetina, segundo disse, prescrita pela endócrino, cuja dose você mesma aumentou para dois comprimidos diários... e não aceita psicoterapia. O uso e dosagem desses medicamentos tem que ser controlados em consultas periódicas a um psiquiatra, até estabilizar o quadro. Sendo inadequados pioram o quadro dos pacientes, ainda mais se tiver seu potencial alterado com o uso contínuo e excessivo de álcool.

Poucas pessoas conseguem acompanhar a dinâmica (movimento) da energia psíquica como você faz, e têm facilidade para descrevê-la de forma clara. Após a crise, lendo e refletindo já tem algumas pistas de onde começar a mudar. O álcool só ajuda a tornar tudo nebuloso e amortecido por um tempo... não é o caminho, aliás é o seu pior aliado nesse momento, pois o sofrimento interno passando seus efeitos, fantasmas infantis de culpas que nos assolam e fantasias mobilizadas por ilusões retornam com maior força. Precisa de terapia, filha, para elaborar, incorporar e dissolver tudo isso que machuca ainda dentro de você ... e como, quando da época do acidente de carro... estou por perto e de braços abertos para lhe dar abrigo quando precisar... e estiver disponível internamente para acolher a menininha que você foi, que dormia no frio do corredor... essa é você mesma que pode dar acolhimento agora... é a sua criança interna pedindo colo de sua maternagem interna..."

RE - Resposta da filha ao ler esse retorno da mãe...

"- Oi mãe. Estou triste. Muito triste e nem sei pq, mas ..."
No dia seguinte: "Que engraçado, mãe, hj estou bem, muito bem... aff parece que estou sempre numa montanha russa..."

Prefiro encerrar por aqui por falta de palavras, não saberia o lugar delas... mas acredito em grandes transformações nos aparatos das psicoterapias, vínculos terapêuticos e "settings"... Já podemos constatar, por um lado, quedas de teorias que envolvem o psiquismo e o apressar do apagar do crepúsculo de ídolos fabricados ... e por outro lado, o nascer de novas formas de atendimento (como as online), e esplendorosas auroras compreensivas no campo da psique (alma).
Aurora Gite

P.S.: Andrea faleceu em 12 de julho de 2015, por volta das 9 horas da manhã de um domingo. Marido jogando futebol, seus 3 filhos aboletados em sua cama. Forte dor de cabeça, desmaio, infarto fulminante. Seus filhos apoiaram sua cabeça, enquanto seus sinais vitais estavam definhando.

Como ouvi de sua mãe: "Como não agradecer o tapete vermelho que estenderam para receber a energia de minha filha. Só posso ter gratidão, em 23 de março de 1972, despertaram a centelha que a fez nascer e a colocaram sob meus cuidados. Da mesma forma, em 12 de julho de 2015, interromperam sua vida a meu lado. Sinto muita tristeza, mas muita tranquilidade interna pois demos nosso melhor uma à outra. Vivo persiste a qualidade de nosso vínculo amoroso (sem culpas a resgatar) me dando força pela minha vida à fora."