terça-feira, 19 de abril de 2016

Algumas alterações, como não, em "Educar para conviver com diferenças"!

A difícil arte de "educar para conviver com diferenças"



Há tempos tenho tentado compreender a dinâmica da agressividade que envolve a sociedade contemporânea, cuja violência cada vez mais se reveste de requintes de crueldade que se afastam do processo civilizatório.

Para os que se interessam indico a leitura do livro de Joel Birman "O Sujeito na Contemporaneidade:espaço, dor e desalento na atualidade" - Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012. No YouTube também estão disponíveis palestras de Birman sobre essa temática, é só procurar por "Caos e trauma no mundo contemporâneo" palestra publicada em 2014, e ""O Mal-Estar do Sujeito na Contemporaneidade".

Birman aborda a "viragem no ser da subjetividade": redistribuição de valências no campo dos saberes e subversão no processo de mudar a subjetividade. Antes "sofrimentos centrados no conflito psíquico", gerados pelas pressões dos imperativos das pulsões e interdições morais, repressões eróticas traumatizantes. Hoje vivemos na era das compulsões, dos "padecimentos evidenciados como dor e desalento, inscrevendo-se nos registros psíquicos do corpo, da ação, das intensidades (sentimentos)".

Para esse pensador, médico e psicanalista,  a Psicanálise perdeu parte do poder social (tradição cultural) e a Psiquiatria passou a ocupar outra posição no espaço social, não mais subalterna a ela. "Pensamento e linguagem tendem a desaparecer como eixos ordenadores do mal-estar na atualidade". Nas queixas circulantes no social e predominantes nos consultórios, o "corpo se transforma em caixa de ressonância" (p. 67). Na exigência de maior performance corpórea, aquém do desejado, somos sempre culpados. Vivemos "sempre em dívida conosco mesmo" em busca de um ideal inatingível (p.56).

Sem dúvida, pensar sobre as ideias de Birman e constatar sua veracidade, levam a introspecção profunda e reflexões acuradas sobre o psiquismo nos dias atuais da imprevisibilidade e pressa, da incerteza e insegurança, da mutabilidade de estilos de vida, alternativas para se adequar a um constante renovar e inovar com a finalidade primordial, no entanto, de manter espaço como sujeito no social globalizado padronizado.

Birman faculta novo pensar sobre a agressividade nos dias atuais, e em seus requintes insanos de crueldade, realçando que na contemporaneidade ocorre "passagem ao ato e suspensão ou ausência do pensamento e da linguagem, da fala". Diferencia o "acting-out" psicótico da "passagem ao ato", decorrente da não contenção do excesso de excitabilidade angustiante, onde o conflito está na escolha entre "implosão por angústias internas ou explosão de reações impulsivas", que levam a transtornos somáticos e a várias reações ansiosas compulsivas. Discorre sobre cada uma delas. Vale a leitura sobre a dinâmica compulsiva!

Birman nos leva a pensar, sob a perspectiva de uma nova compreensão, as várias facetas das compulsões (que chamo ações da "desrazão" e não de operações defensivas de um ego frágil). Aborda a multiplicidade da camaleônica face do mal-estar da contemporaneidade, inclusive a angústia do empreendedor eficaz, em seu buscar compulsivo de resultados, não mais tendo por meta primeira uma autorrealização pessoal. "Mostra como hoje vivemos uma era da pressa, do intempestivo, da surpresa permanente, abolindo as fronteiras entre o interior e o exterior. As figuras do caos e do trauma representam o sujeito contemporâneo, na medida em que este tem sua existência pautada no desalento."

Suas inquietações me levaram a pensar na difícil arte de "educar para conviver com diferenças" e no acúmulo de dúvidas dos pais e professores para ensinar a entrada no mundo digital das redes sociais, onde para eles deve existir um equilíbrio entre o virtual e o real. O contato físico deve fazer parte do crescimento. O sujeito em formação não deve ficar apenas escondido e tentando preencher um perfil virtual desejado, nem sempre adequado à uma realidade prática. O questionamento recai sobre a dificuldade de saber encontrar este equilíbrio. Erroneamente, por amor e buscando preservar sua prole, muitos pais evitam inserir os filhos nas redes sociais... mas podem deixá-los em frente de uma telinha (games, vídeos infantis selecionados...) por horas a fio. Oferecem a seus filhos um mundo fictício, tentando preservá-los da corrosão e violência social. Será isto possível? E eis que a geração "y" já cede lugar à geração "z"... e muitos nem se inteiraram de suas características.

Algum dia os filhos e alunos vão crescer e se inserir dentro da geração deles, com mais dificuldades, mas vão! As redes sociais vieram para ficar. O autodidatismo, visão empreendedora do milênio que demanda inovação e criatividade constante não nos deixam mentir. O que foi descoberto, já está obsoleto!

O papel dos pais e professores é ensinar aos filhos e alunos a fazerem bom uso dos instrumentos de interatividade digital, separar e bancar o que é bom para si dentre tantas alternativas de escolhas que fazem parte do dinamismo renovador incessante do milênio. Como formadores de personalidades e de caráter íntegro, se capacitarem para mostrar como as redes sociais podem se tornar em ferramentas de inclusão do sujeito no mercado de produção inovadora, em qualquer faixa etária. Por exemplo, sites podem ser montados voltados a pesquisas sobre matérias escolares. Redes sociais não servem para estimular reações invasivas e agressivas, e não devem servir, apenas para piadas e baixarias, ou para entretenimento com games. O importante é ter disciplina e determinação?  Então que se ensine a essas gerações a gerenciar e administrar o tempo gasto na frente das telinhas, e conservarem a atenção e o foco sem dispersarem,como alienadas, da realidade que os cerca.

O século 21 tem essa forma de comunicação e não é justo para "proteção" e "por amor", manterem as crianças numa redoma. Geração "y", agora geração "z", amanhã geração "...", vão sempre, sucessivamente, seguir outras culturas. Logo essas crianças vão estar confrontando valores sociais e culturais que os pais querem impor. Agora é questão de tempo! Caiu por terra o referencial vindo de tradições estáticas com sua segura sinalização atemporal.

Contato físico afetuoso e aconchegante auxilia aos filhos a conter suas angústias inatas, aquelas que fazem parte de sua constituição e que são acrescidas pelas que os pais lhes passam, querendo "domá-los" para que se enquadrem ao "status quo social" e se tornem adequados a viver em sociedade. Buscam "subjugá-los" para reforçar sua força paterna e poder pessoal; ou "humilhá-los" sadicamente com deboches, zombarias, desqualificações de suas subjetividades e formas de agir peculiares que fujam ao esperado comportamento familiar padrão, comum a todos.

O importante é que os pais e professores aceitem as diferenças e aprendam a conviver com a riqueza do convívio com as diferenças. Não queiram engaiolar filhos e alunos em padrões obsoletos para o momento atual, e currículos engessados ao passado, distantes de serem aplicados na prática de vida.

Educar para conviver com diferenças pressupõe auxiliar as crianças para que suportem suas frustrações e convivam com suas ansiedades; conheçam seus pontos fracos e fortes e se apoiem nesses para se equilibrar internamente; se coloquem no mundo inovando, criando conforme suas potencialidades, tendo como referencial prazeroso a própria satisfação, advindo do fato de se sentirem auto realizados no que fazem, e não de estarem na frente da corrida competitiva com os outros.

Não se pode mais educar para manter o "status quo vigente", não se pode mais incentivar a competir por poder, a estimular a arrogância e a prepotência que embasam o "se impor humilhando" e submetendo o outro. Concorrentes não são mais adversários. Isso não cabe mais na construção de uma sociedade humanista, fraterna e solidária, inclusiva, que prima por igualdade de direitos e deveres.

Cai por terra no milênio atitudes que se valem, para ensinar, da imposição de precoces responsabilidades que a cognição infantil não tem condições de assimilar a contento; obrigações irracionais manifestadas no "faça porque eu estou mandando", "sei o que é melhor para você", "não pense eu penso por você", "existe um currículo e temos que seguir com essas matérias independente de sua curiosidade abarcar e demandar por novos conhecimentos", "não questione apenas cumpra as tarefas e aprenda o que lhe for mandado, ou será reprovado"... e as séries de mensagens subliminares com o mesmo intuito, opressivo e repressor.

O importante é ensinar as crianças a serem livres e felizes, aceitando serem diferentes e únicas, sabendo pensar por si, discriminar o que bom para si, que nem sempre é o bom que os pais e professores, em seus limites e suas grades curriculares, idealizaram e padronizaram para eles. Não é fácil se educar para bem conviver com o reconhecimento da própria unicidade e se valorizar e respeitar ao lutar por preservar essa integridade interna.

Quando obrigados a reprimir seu potencial e não lhes é ensinado a alinhar o que lhes é inato e único (sua essência) com seu estilo de viver (seu existir), as crianças tornam-se ansiosas e abafam suas curiosidades espontâneas e singulares; mais ainda, padecem de enfado e desinteresse, se caírem em eternas cobranças compulsivas e culpas perfeccionistas buscando se encaixar no lugar que os outros esperam dele, para que não sejam rejeitados se revelarem seu verdadeiro "eu".

Esse é o caminho direto para desenvolverem, muitos pela vida afora, baixa autoestimas e, no extremo oposto tiques nervosos, que indicam não sabendo gerenciar seus impulsos adequadamente. Muitos vão expressar suas dificuldades nas relações afetivas através de rebeldia, não aceitação de ordens de autoridades, baixo desempenho escolar, desatenções e desmotivações, bem aquém de disfunções orgânicas.

Não é fácil se construir uma autoestima favorável, para se tornar um adulto íntegro, com um autorreferencial fortalecido, necessário para bancar sua unicidade e dignidade ética, reflexões além das regras morais, e bem conviver com diferenças nas interações sociais, se os pais e profissionais não direcionarem as crianças para que sejam independentes, pensem por si, descubram alternativas que solucionem problemas, desenvolvam bom senso e autocrítica.

A geração atual vai se pautar por inclusão social, solidariedade, humanismo e por aí vai...  A meu ver, humanismo é um termo mau empregado. Penso que envolve ações empáticas em favor do outro e por amor a um coletivo, que abrange igualmente todos os indivíduos, sem critérios hierárquicos e favoritismos outros, que o fato de existirem nesse momento histórico como ser humano singular, diferenciado, que têm o direito de construir sua própria história, por respeito a si mesmo como cidadão, que quer ocupar seu lugar dentro do coletivo.

Nesse sentido, se afastar das redes sociais é se excluir das novas formas de comunicação digital do milênio, é optar por não pertencer ao grupo humano, robotizado, mas se incluir como sujeito livre e singular no coletivo, e se erguer triunfante em sua dignidade conquistada, e orgulhoso de produzir, empreender, criar e inovar, abrindo espaço próprio em terreno social tão árduo.

Essa é a minha luta... esse é o meu sonho!

Lúcia Thompson


domingo, 10 de abril de 2016

Recado de uma avó ante turbulências!

Nossa, que turbulência ao redor de vocês!

O que posso dizer a você, minha neta, a não ser, foco no "presente", que é o "seu presente da vida", embrulhadinho "só para você"... veja como vivê-lo melhor, lhe dê o colorido que lhe traga mais satisfação ... o "bem-estar é seu, vem da qualidade que imprimir ao seu estilo de viver. Você é que escolhe e decide isso!

A vida é "sua", para "você cuidar", e não esperar que ninguém cuide dela para você!

Na casa de sua mãe está de passagem, ocupando um lugar dentro da família dela. Algum dia vai comandar a sua casa e a sua família: marido e filhos. Com seus quase 21 anos, "eta nóis, tamo quase lá!"

Nada como um dia depois do outro. O tempo é nosso maior aliado, desde que aguentemos o sofrimento de "acolher mentalmente" o que nos aborrece e nos frustra.

Lição que todos vão aprender: "ter o tempo como aliado e confiar que as coisas vão se resolver no encaixe certo, que a vida determinar para nós. Cada um tem o seu aprendizado para evoluir como pessoa, que vem no tempo certo para a vida, que nem sempre é o que queremos.

Vai ter que descobrir qual é o seu aprendizado e ter paciência e tolerância para suportar as vivências de circunstâncias desfavoráveis, como as que a cercam agora.

Muitos aprendem dentro de um caminhar só, por anos, a propiciar o encontro consigo mesmo; a ir se autoconhecendo aos poucos; a enfrentar as próprias forças antagônicas internas; a separar "o joio do trigo" - traduzo melhor: o que verdadeiramente lhes serve, do superficial, que lhes é inútil manter pró-ativo em seu viver, que pode só intoxicar com mágoas e ressentimentos e causar desgaste em nossa energia vital. Mais ainda, vão aprender a fortalecer o equilíbrio e a conviver com a serenidade do seu lado autêntico, que chamam "alma", e a difícil missão de se harmonizar interiormente ao alinhar essa sua singular essência, e os imperativos éticos que lhe são próprios, com a maneira de sua existência em seu dia a dia, que traz consigo regulamentos e padrões morais sobre um bem viver em comunidade. "Não são os papéis sociais que determinam os nossos afetos amorosos!"

O perigo, no entanto, está em tentar manipular imaturamente as relações, que significam algo para o mundo afetivo de cada um. Sendo as pessoas de nosso convívio importantes para nós, não merecem isso! Não merecem nosso descuido amoroso, muito menos nossa desconsideração ao atacar a qualidade do vínculo que nos unia!

É preciso estar atenta! Afetos amorosos também "se desgastam com o tempo", ainda mais sofrendo constantes atritos destruidores da modalidade de interação que chamam de "amor". O amor se constrói, se conquista na convivência íntima e na ultrapassagem de supérfluos detalhes, e a força do sentimento preserva o elo afetivo, no cotidiano desgastante que, por vezes, envolve pessoas queridas.

Portanto, atenção meu amor, para não marcar "a ferro e fogo" a interação com quem ama, pois existem marcas profundas, que tornam-se feridas que não se cicatrizam com o passar do tempo, impedindo o retorno aconchegante de antes, principalmente entre familiares diretos. Muitas vezes não há retornos ante escolhas e decisões tomadas em momentos impulsivos, colocando de escanteio nossa "razão"... outra aliada imprescindível para a vida toda, que vai nos servir de lanterna para tomarmos o caminho, sob nosso prisma racional, correto. Essa certeza, advinda do apoio da razão, é que vai propiciar o alívio interno, ante erros nas escolhas e fracassos nas decisões; vai facultar um levantar interno com mais rapidez e o enfrentar as mudanças em nosso agir com mais coragem.

Mas essa já é uma outra história, que fica para uma outra vez!

Ainda vai ter que se equilibrar para o firme atravessar de cabeça erguida, com dignidade e integridade ética, a ponte que vai levá-la a ocupar seu espaço no mundo, a "tornar-se você dentro de seu existir". Isso vai ocorrer espontaneamente depois que aprender a "respeitar e se orgulhar de quem você realmente é" - que só você vai conhecer e ninguém mais!

Sei que você é capaz, e que está pronta para isso!
Permaneço na torcida.
Sua avó ... sua "única" avó ...  

Lúcia Thompson

terça-feira, 15 de março de 2016

A difícil arte de "educar para conviver com diferenças"

Há tempos tenho tentado compreender a dinâmica da agressividade que envolve a sociedade contemporânea, cuja violência cada vez mais se reveste de requintes de crueldade que se afastam do processo civilizatório.

Para os que se interessam indico a leitura do livro de Joel Birman "O Sujeito na Contemporaneidade:espaço, dor e desalento na atualidade" - Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012. No YouTube também estão disponíveis palestras de Birman sobre essa temática, é só procurar por "Caos e trauma no mundo contemporâneo" palestra publicada em 2014, e ""O Mal-Estar do Sujeito na Contemporaneidade".

Birman aborda a "viragem no ser da subjetividade": redistribuição de valências no campo dos saberes e subversão no processo de mudar a subjetividade. Antes "sofrimentos centrados no conflito psíquico", gerados pelas pressões dos imperativos das pulsões e interdições morais, repressões eróticas traumatizantes. Hoje vivemos na era das compulsões, dos "padecimentos evidenciados como dor e desalento, inscrevendo-se nos registros psíquicos do corpo, da ação, das intensidades (sentimentos)".

Para esse pensador, médico e psicanalista,  a Psicanálise perdeu parte do poder social (tradição cultural) e a Psiquiatria passou a ocupar outra posição no espaço social, não mais subalterna a ela. "Pensamento e linguagem tendem a desaparecer como eixos ordenadores do mal-estar na atualidade". Nas queixas circulantes no social e predominantes nos consultórios, o "corpo se transforma em caixa de ressonância" (p. 67). Na exigência de maior performance corpórea, aquém do desejado, somos sempre culpados. Vivemos "sempre em dívida conosco mesmo" em busca de um ideal inatingível (p.56).

Sem dúvida, pensar sobre as ideias de Birman e constatar sua veracidade, levam a introspecção profunda e reflexões acuradas sobre o psiquismo nos dias atuais da imprevisibilidade e pressa, da incerteza e insegurança, da mutabilidade de estilos de vida, alternativas para se adequar a um constante renovar e inovar com a finalidade primordial, no entanto, de manter espaço como sujeito no social globalizado padronizado.

Birman faculta novo pensar sobre a agressividade nos dias atuais, e em seus requintes insanos de crueldade, realçando que na contemporaneidade ocorre "passagem ao ato e suspensão ou ausência do pensamento e da linguagem, da fala". Diferencia o "acting-out" psicótico da "passagem ao ato", decorrente da não contenção do excesso de excitabilidade angustiante, onde o conflito está na escolha entre "implosão por angústias internas ou explosão de reações impulsivas", que levam a transtornos somáticos e a várias reações ansiosas compulsivas. Discorre sobre cada uma delas. Vale a leitura sobre a dinâmica compulsiva!

Birman nos leva a pensar, sob a perspectiva de uma nova compreensão, as várias facetas das compulsões (que chamo ações da "desrazão" e não de operações defensivas de um ego frágil). Aborda a multiplicidade da camaleônica face do mal-estar da contemporaneidade, inclusive a angústia do empreendedor eficaz, em seu buscar compulsivo de resultados, não mais tendo por meta primeira uma autorrealização pessoal. "Mostra como hoje vivemos uma era da pressa, do intempestivo, da surpresa permanente, abolindo as fronteiras entre o interior e o exterior. As figuras do caos e do trauma representam o sujeito contemporâneo, na medida em que este tem sua existência pautada no desalento."

Suas inquietações me levaram a pensar na difícil arte de "educar para conviver com diferenças" e no acúmulo de dúvidas dos pais e professores para ensinar a entrada no mundo digital das redes sociais, onde para eles deve existir um equilíbrio entre o virtual e o real. O contato físico deve fazer parte do crescimento. O sujeito em formação não deve ficar apenas escondido e tentando preencher um perfil virtual desejado, nem sempre adequado à uma realidade prática. O questionamento recai sobre a dificuldade de saber encontrar este equilíbrio. Erroneamente, por amor e buscando preservar sua prole, muitos pais evitam inserir os filhos nas redes sociais... mas podem deixá-los em frente de uma telinha (games, vídeos infantis selecionados...) por horas a fio. Oferecem a seus filhos um mundo fictício, tentando preservá-los da corrosão e violência social. Será isto possível? E eis que a geração "y" já cede lugar à geração "z"... e muitos nem se inteiraram de suas características.

Algum dia os filhos e alunos vão crescer e se inserir dentro da geração deles, com mais dificuldades, mas vão! As redes sociais vieram para ficar. O autodidatismo, visão empreendedora do milênio que demanda inovação e criatividade constante não nos deixam mentir. O que foi descoberto, já está obsoleto!

O papel dos pais e professores é ensinar aos filhos e alunos a fazerem bom uso dos instrumentos de interatividade digital, separar e bancar o que é bom para si dentre tantas alternativas de escolhas que fazem parte do dinamismo renovador incessante do milênio. Como formadores de personalidades e de caráter íntegro, se capacitarem para mostrar como as redes sociais podem se tornar em ferramentas de inclusão do sujeito no mercado de produção inovadora, em qualquer faixa etária. Por exemplo, sites podem ser montados voltados a pesquisas sobre matérias escolares. Redes sociais não servem para estimular reações invasivas e agressivas, e não devem servir, apenas para piadas e baixarias, ou para entretenimento com games. O importante é ter disciplina e determinação?  Então que se ensine a essas gerações a gerenciar e administrar o tempo gasto na frente das telinhas, e conservarem a atenção e o foco sem dispersarem,como alienadas, da realidade que os cerca.

O século 21 tem essa forma de comunicação e não é justo para "proteção" e "por amor", manterem as crianças numa redoma. Geração "y", agora geração "z", amanhã geração "...", vão sempre, sucessivamente, seguir outras culturas. Logo essas crianças vão estar confrontando valores sociais e culturais que os pais querem impor. Agora é questão de tempo! Caiu por terra o referencial vindo de tradições estáticas com sua segura sinalização atemporal.

Contato físico afetuoso e aconchegante auxilia aos filhos a conter suas angústias inatas, aquelas que fazem parte de sua constituição e que são acrescidas pelas que os pais lhes passam, querendo "domá-los" para que se enquadrem ao "status quo social" e se tornem adequados a viver em sociedade. Buscam "subjugá-los" para reforçar sua força paterna e poder pessoal; ou "humilhá-los" sadicamente com deboches, zombarias, desqualificações de suas subjetividades e formas de agir peculiares que fujam ao esperado comportamento familiar padrão, comum a todos.

O importante é que os pais e professores aceitem as diferenças e aprendam a conviver com a riqueza do convívio com as diferenças. Não queiram engaiolar filhos e alunos em padrões obsoletos para o momento atual, e currículos engessados ao passado, distantes de serem aplicados na prática de vida.

Educar para conviver com diferenças pressupõe auxiliar as crianças para que suportem suas frustrações e convivam com suas ansiedades; conheçam seus pontos fracos e fortes e se apoiem nesses para se equilibrar internamente; se coloquem no mundo inovando, criando conforme suas potencialidades, tendo como referencial prazeroso a própria satisfação, advindo do fato de se sentirem auto realizados no que fazem, e não de estarem na frente da corrida competitiva com os outros.

Não se pode mais educar para manter o "status quo vigente", não se pode mais incentivar a competir por poder, a estimular a arrogância e a prepotência que embasam o "se impor humilhando" e submetendo o outro. Concorrentes não são mais adversários. Isso não cabe mais na construção de uma sociedade humanista, fraterna e solidária, inclusiva, que prima por igualdade de direitos e deveres.

Cai por terra no milênio atitudes que se valem, para ensinar, da imposição de precoces responsabilidades que a cognição infantil não tem condições de assimilar a contento; obrigações irracionais manifestadas no "faça porque eu estou mandando", "sei o que é melhor para você", "não pense eu penso por você", "existe um currículo e temos que seguir com essas matérias independente de sua curiosidade abarcar e demandar por novos conhecimentos", "não questione apenas cumpra as tarefas e aprenda o que lhe for mandado, ou será reprovado"... e as séries de mensagens subliminares com o mesmo intuito, opressivo e repressor.

O importante é ensinar as crianças a serem livres e felizes, aceitando serem diferentes e únicas, sabendo pensar por si, discriminar o que bom para si, que nem sempre é o bom que os pais e professores, em seus limites e suas grades curriculares, idealizaram e padronizaram para eles. Não é fácil se educar para bem conviver com o reconhecimento da própria unicidade e se valorizar e respeitar ao lutar por preservar essa integridade interna.

Quando obrigados a reprimir seu potencial e não lhes é ensinado a alinhar o que lhes é inato e único (sua essência) com seu estilo de viver (seu existir), as crianças tornam-se ansiosas e abafam suas curiosidades espontâneas e singulares; mais ainda, padecem de enfado e desinteresse, se caírem em eternas cobranças compulsivas e culpas perfeccionistas buscando se encaixar no lugar que os outros esperam dele, para que não sejam rejeitados se revelarem seu verdadeiro "eu".

Esse é o caminho direto para desenvolverem, muitos pela vida afora, baixa autoestimas e, no extremo oposto tiques nervosos, que indicam não sabendo gerenciar seus impulsos adequadamente. Muitos vão expressar suas dificuldades nas relações afetivas através de rebeldia, não aceitação de ordens de autoridades, baixo desempenho escolar, desatenções e desmotivações, bem aquém de disfunções orgânicas.

Não é fácil se construir uma autoestima favorável, para se tornar um adulto íntegro, com um autorreferencial fortalecido, necessário para bancar sua unicidade e dignidade ética, reflexões além das regras morais, e bem conviver com diferenças nas interações sociais, se os pais e profissionais não direcionarem as crianças para que sejam independentes, pensem por si, descubram alternativas que solucionem problemas, desenvolvam bom senso e autocrítica.

A geração atual vai se pautar por inclusão social, solidariedade, humanismo e por aí vai...  A meu ver, humanismo é um termo mau empregado. Penso que envolve ações empáticas em favor do outro e por amor a um coletivo, que abrange igualmente todos os indivíduos, sem critérios hierárquicos e favoritismos outros, que o fato de existirem nesse momento histórico como ser humano singular, diferenciado, que têm o direito de construir sua própria história, por respeito a si mesmo como cidadão, que quer ocupar seu lugar dentro do coletivo.

Nesse sentido, se afastar das redes sociais é se excluir das novas formas de comunicação digital do milênio, é optar por não pertencer ao grupo humano, robotizado, mas se incluir como sujeito livre e singular no coletivo, e se erguer triunfante em sua dignidade conquistada, e orgulhoso de produzir, empreender, criar e inovar, abrindo espaço próprio em terreno social tão árduo.

Essa é a minha luta... esse é o meu sonho!

Lúcia Thompson


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Eu, Tu e Nós...todos robôs!

Bem mais perto agora está o perigo:

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Automatismo Cibernético X Raça Humana

Não sei quem, entre vocês leitores, teve a oportunidade de visitar a Bienal de Arte e Tecnologia em São Paulo cujo tema é "Autonomia Cibernética". Aqueles que não tiveram essa oportunidade em "g1.com.br/globonews" podem conferir a reportagem em "Espaço Aberto: Ciência e Tecnologia". Vale a pena!

Só não se espantem ao constatarem que o que era ficção ontem já está na categoria de realidade hoje. "Máquinas interativas se autorreprogramam." É isso mesmo. Máquinas já estão reescrevendo seus programas sem a intervenção do homem.

A ciência já comprova o surgimento de uma neo-consciência robótica. Preocupada, lanço um alerta de perigo. Se essas máquinas interagem entre si, dialogam, ganham a habilidade de alterarem suas programações a ponto da raça humana não mais saber como vão reagir, em que lugar estamos nos colocando em futuro próximo?

Lembram da história da criação se tornar superior ao criador? Trouxemos ao mundo a raça robótica que cada vez mais ganha autonomia e nos colocamos em sua dependência. Essa raça vai entrelaçando seus conhecimentos computadorizados e, em ritmo acelerado, vai construindo uma inteligência e poder superior a própria raça humana. Humanóides sem a capacidade de se humanizar. Seus sensores, inclusive, captando uma aproximação humana, podem agredir as pessoas, como podem verificar no site acima citado.

Já não me sentia bem com a ocultação do humano em atendimentos eletrônicos na maioria das instituições, terapias virtuais, cirurgias à distância, comandos automáticos computadorizados em vários meios de transportes terrestres, aquáticos, aéreos. Agora então me sinto lesada em minha privacidade e direito de ir e vir, ante o mau uso e perversa fiscalização instalada por um manipulado "Big Brother" visível nos sistemas de GPS, câmeras espalhadas em diversos locais - inclusive em banheiros escolares femininos, ato que veio a público em reportagem de semanas atrás, tendo como justificativa controle do uso de drogas -, sistemas de telefonia e registros de locais de onde a pessoa possa estar pela consulta a antenas de telefonia celular; instalação de microships, dispositivos intervencionistas que deixam muito atrás George Orwell e seu "1984".

Paramos por aí? Não. Tecnologia e autonomia cibernética estão ficando muito a frente da Justiça e das virtudes, que acoplariam a salvação do "humano" contendo o homem e seu lado sombrio de serem solapados pela frieza robótica.

Os psicoterapeutas que estejam a postos! Só vai dar terapia ante essas novas formas de coexistência. Não há psíquico que aguente ter máquina como chefe. Ou há? Não se esqueçam que são sensores que vão detectar os movimentos humanos, já tendo prévio conhecimento da ação humana pois surgiram das idéias e suas sinapses interativas colocadas nos programas digitais e se insurgiram ao comando computadorizado, criando novas sinapses cibernéticas. "Novos padrões de comportamento nascem das relações entre as máquinas, que dialogam entre si, com aquilo que as cercam, já interpretam e ditam regras". Epa! E nós como ficamos?

Gostaria de destacar ainda desse site, no que se refere a pesquisas de ponta, a entrevista com o neurocientista Dr. Miguel Nicolelis, sob o título " Cientistas trabalham para fazer ligações diretas do cérebro a artefatos robóticos".

Visando a área da saúde, pesquisas estão aceleradas, inclusive comprovando que o cérebro independe dos limites do corpo, da interpretação corpórea de sinais advindos dos órgãos dos sentidos e das mensagens musculares, para "atuar no mundo" . Já está constatada a força do pensamento e seu controle, inclusive a distância, de vestes robóticas. É interessante o relato de Nicolelis sobre a macaca "Aurora" (podem rever a entrevista no site) . O nome é mera coincidência. Vejam o vídeo da experiência. Vale a pena!

No entanto, ouso pontuar outro perigo ante o despreparo ético de nossa sociedade. Nicolelis fala sobre seu ideal e expõe seu projeto pessoal, já em andamento com algumas parcerias governamentais e alianças com instituições hospitalares. "Ciência como agente transformador do social, catalizador do potencial humano". Formação da geração do novo milênio com acompanhamento gestacional e posterior educação continuada de mães e crianças. Em seu desenvolvimento estariam em contato direto com laboratórios de computação, criações robóticas, com ambientes estimulantes a despertar a curiosidade científica. Para tal coloca a necessidade de treino de professores para esses alunos inquiridores.

Tal projeto me fez retroceder na História e me assustou. Ainda é grande a relativização da ética por grupos que colocam em primeiro plano seus interesses particulares e acima de tudo financeiros, e que poderiam se apropriar do modelo de Nicolelis. E quantos projetos não surgem de boas intenções e acabam se transformando em verdadeiras "bombas atômicas"!

Novas formas de coexistência... novas formas de interação com o cérebro... novos modelos de existir para o ser humano... "enquadramento de nova geração" em "moldes educacionais"...

E eu fico na torcida para que as investigações espiritualistas consigam acelerar suas pesquisas e registrar suas constatações para que ganhem embasamento científico a ação e o poder da "mente", e que ganhe em plenitude sua diferenciação do "cérebro" e nosso grande mas humilde papel dentro da raça humana.

Ops! Tem mais... Em cartaz até dia 15, no Itaú Cultural, a peça " O Nascimento do Robô". O que tem de diferente? Humanos e robôs, ambos como atores, contracenando juntos em uma peça de teatro. E não é ficção científica, mas realidade. Essa notícia apareceu em VEJA.com.
Pode ser conferida emhttp://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/robos-atores-assumem-papeis-pela-primeira-vez

Será que estavam duvidando dessa interação tão próxima?

Aurora Gite
postado às 19:40

Eu estou atenta a eles, em meio a tantas transformações luto por não me desumanizar e conquistar, a cada minuto, um  bem viver dignificante preservando, com orgulho, minha subjetividade integrada à minha alma , e vocês? 
Ass: Lucia Thompson

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Consciência Quântica,Criatividade,Salto Quântico Aplicados

TERÇA-FEIRA, 9 DE DEZEMBRO DE 2008

Consciência, criatividade, salto quântico?

Novos rumos, ventos solares e pássaros quânticos...e minha mente borbulhando de idéias, esperando "trocas"!

E lá vou eu, outra vez, me debruçar na "janela visionária" de meu castelo profissional, observar a natureza, os novos paradigmas envolvendo o ser humano, e contar com a aproximação de um físico quântico, na iluminação desse novo alvorecer. tal a proporção das novas descobertas. Dessa vez, me faço acompanhar por Amit Goswami e seu livro "A Janela Visionária" (Cultrix 2006).

Não posso negar o misto de tesão e ansiedade na retomada desse trilhar. Alguns pacientes surgem em minha memória e minha "consciência", lhes dá a condição de presença viva em meu aqui e agora.

Recordo nosso caminhar juntos. Ao me permitirem a entrada em sua mente, buscando a compreensão do funcionamento de seu mundo psíquico e da dinâmica mobilizadora de suas ações, eles também foram incorporados em meu mundo interno e me facultaram muitas auto-descobertas. E assim se ultrapassa a ponte do mundo físico (material) ao psíquico (energético), num constante ir e vir.

Quantas vivências compartilhadas... transferências e contratransferências... energias se misturando e se separando ante "insights" que ocorriam... quantas mudanças contínuas e descontínuas.

Para quem não sabe, transferência se refere aqui aos sentimentos que o paciente inconscientemente vincula (transfere) ao terapeuta, mas que, na verdade, se originam de relacionamentos anteriores. Contratransferência é o reverso, ou seja, sentimentos irracionais que o terapeuta tem em relação ao paciente. Esses fenômenos inconscientes também fazem parte de nosso dia-a-dia e são muito comuns na vida de relação, ocasionando grandes distorções na realidade dos envolvidos.

Mas lá estava eu surfando, no encontro terapêutico, entre as ondas de possibilidades e probabilidades, contando com minha intuição e criatividade, para ajudar cada paciente em seu encontro com sua consciência auto-referente.

E lá estava eu buscando, através de uma observação consciente e atenção flutuante, provocar o colapso da onda de possibilidades passadas e futuras, trazendo o paciente para seu aqui e agora, integrando-o ao seu propósito criativo de vida, criatividade que lhe é imanente.

E lá estava eu questionando, tanto o efeito temporário de mudanças contínuas ( de causas e efeitos em espaço e tempo definidos), quanto as interpretações que vinculavam os pacientes à cabeça (ao pensar) de seu terapeuta. Não desconsidero a importância do espaço terapêutico e da qualidade do vínculo estabelecido, mas eu almejava a integração da pluralidade de teorias, para que o homem em si emergisse em sua unidade, e fosse compreendido sob vários pontos de vista.

Lembram do papel atribuído ao observador consciente pela física quântica, que ocasiona o afunilamento do espectro das possibilidades, para sua convergência num ato ou objeto único?
Segundo Goswami, toda escolha a partir das possibilidades, vem da intervenção de nossa "consciência" . Sendo assim, ela é que cria a realidade. E eis minha intuição gritando: "É por aí, vai atrás desse conhecimento!"

E lá estava eu enfatizando a vida relacional como experiência emocional corretiva, buscando saber mais sobre a dinâmica energética da rede inter-relacional.

Faço minhas algumas das indagações de Goswami:
Que força imaterial poderia interagir com a matéria?
Como obter essa interação imaterial?
Empatia e aversão...atração e rejeição...campos de energia e de força? Integração do indivíduo com o cosmo?

Tudo me encaminhava para uma leitura energética dentro de uma visão holística ( integrada) de mundo. O ser humano é bem mais que um sintoma. Seu sintoma é um ato criativo para indicar alguma disfunção. E essa, na maioria das vezes traduz seu sofrimento existencial.

Com avidez fui em busca dos conhecimentos da física quântica. Queria mais que o contato entre intelectos. Já reconhecia que a consciência tem um papel decisivo na configuração da realidade. Mas queria a experiência, queria através de uma vivência pessoal comprovar.

E lá estava eu não atrás do silêncio, mas do diálogo. Não buscava monólogos e atitudes separatistas. Meu coração me integrava na relação (eu-outro se transformando em "uno"). Não me bastava minha capacidade racional ou facilidade no cruzamento de dados. E o diálogo interno no contato com o paciente se aquietou, e se estendeu para a vida pessoal de relação.

A palavra "diálogo" deriva de "dia" ( palavra grega que significa "por meio de") e de "logos" que significa palavra) e vai além da comunicação por meio de palavras, envolve uma troca de sentido entre os que se comunicam, outra dimensão do psíquico humano.

E é aqui que tudo se complica. Querem ver?
Eis um fato que poderia ocorrer no cotidiano de qualquer um.

Lá estava eu numa sala de espera, quando uma mulher se aproximou e começou a se queixar da relação com o marido, onde não havia diálogo, embora muita tentativa da parte dela para que ele ocorresse. E ela continuou, ao me perceber como ouvinte atenta: " Imagine que hoje pela manhã, ele pediu a minha opinião sobre se devia ir ou não no casamento de um parente. Logo retruquei, que agora é que ele queria saber o que eu achava? Por que não me consultou quando o parente ligou há dois dias? E ficou em silêncio, veja só! Nem continuou a conversa. Ele não sustenta um diálogo."

Que diálogo? Existiu uma comunicação, um fluxo de sentido entre eles?
Em que clima transcorreu o contato? Existiu um campo energético entre eles que propiciasse um vínculo aconchegante a uma cumplicidade na comunicação?

Ele chega e se aproxima, de peito aberto a coloca na relação. Ela "pisa na bola, dentro de seu egocentrismo", o exclui da relação. E ainda reclama da atitude defensiva dele e de seu afastamento.

Haja "Física Quântica" para iluminar nossa rede de convivências, ou como muitos a consideram, de conveniências!
Aurora Gite

Lembram de Drummond " Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra". Pois é ao reler esse texto me veio: "E lá vou eu, buscando, surfando, questionando, enfatizando... e no buscar, surfar, questionar, enfatizar ... lá estava eu (Consciência)".

Em tempo:
As constatações de Jill Bolte Taylor, expressas em seu livro "A cientista que curou seu próprio cérebro", são muito importantes. Novas perspectivas se abrem ante a nova comprovação científica das funções dos dois hemisférios cerebrais.
No entanto, coloco mais um patamar, que acredito advir da desativação das funções do hemisfério esquerdo e predomínio total operacional do hemisfério direito.
A sensação foi de uma mola elevando, não o meu corpo, mas a minha mente (salto quântico?). O impulso de propulsão não foi voluntário. Uma conexão foi estabelecida. O outro polo é que direcionava esse movimento interno. A percepção do real não desapareceu, mas perdeu o foco. Eu sabia onde estava, mas intuitivamente, não pela via perceptível que nos é conhecida. Tempo e espaço se diluem. Fui tomada por uma sensação de prazer intenso, calor e claridade, paz e harmonia, quietude e suavidade, plenitude e infinito - sensações de uma amplitude diferente da que captamos através dos sentidos que nos são conhecidos. Experiência indescritível. Nossa compreensão não abarca com palavras. De repente, a imagem de minhas filhas, precisava voltar (intervenção do hemisfério esquerdo). E o brusco rompimento da conexão.
O que me restou? As sensações paradoxais de uma perda feliz e de uma saudade alegre, e a constatação de muita força interna ( sensação de um recarregar de pilhas). Anos e anos se passaram, e essas sensações persistem.
Por que comigo? Porque estava num momento existencial, que correspondia ao cume da parte superior da ampulheta. Lembram da postagem anterior "Quer receber um presente meu?"
Por que só ocorreu uma vez? O caminho está na postagem acima e a dificuldade de se manter íntegra para o estabelecimento da conexão também. Agora é correlacionar na história quem conseguiu atingir esse estágio.
Após 30 anos, só agora estou chegando mais próximo de entender o que ocorreu. De duas coisas tenho certeza: a humanidade entrou em "nova era", e que se preparem os "físicos quânticos"!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Em 17 de outubro de 2008 e 16 de fevereiro de 2016?


Continuo sustentando as mesmas posições, parece que o tempo não passou...e lá se vão 8 anos!
Confiram aí e articulem com as novas descobertas dos fenômenos microscópicos subatômicos!

Física, Psicologia, Direito,Ética sobem no século 21

Primeira parte:

Aceleradas descobertas no campo biotecnológico, biogenético e biomolecular possibilitaram a quebra de paradigmas obsoletos , realçando a necessidade de uma série de investigações, inferências e reflexões, que reportem a novos conjuntos teóricos, para dar conta dos recentes fenômenos observados.

A nova era que se inicia, com tantas e aceleradas transformações, ao mesmo tempo que fascina, também amedronta. O quadro social, abrangendo aspectos políticos, econômicos e culturais nos confronta com catastróficas previsões, inclusive anunciadoras, segundo as profecias de Nostradamus, de um fim de mundo. Sob uma perspectiva arrojada, poderíamos compreender essa mudança de século como tendo sido fim de um ciclo realmente, com novas formas de viver e conviver. Para evidenciar tal fato aí estão as novas formas de comunicação e diferentes interações, propiciadas pela linguagem computadorizada globalizada e relações impessoais online ou inter-clonadas, que demandam reprogramações cerebrais e grandes mudanças culturais . É um "admirável mundo novo" que se delineia, só espero que se distancie do descrito por Huxley.

Descobertas avançadas em Genética Molecular e Física Quântica, além das realizadas na área de diagnóstico por imagens têm possibilitado observar o funcionamento mental sob outro prisma e reconhecer novas formas de interação mental .

O desconhecimento sobre a energia mobilizadora do dinamismo psíquico, as várias construções teóricas complexas em suas conceituações e excludentes das demais teorias, trazem como consequência o descrédito sobre a inclusão da Psicologia no campo científico. Há anos defendo a busca de uma linguagem psicológica mais integrativa e uma visão mais vitalista, considerando a força do biomagnetismo humano. Uma observação atenta do campo vincular relacional e de sua qualidade servindo mesmo como experiência emocional corretiva para os envolvidos, nos direciona para uma leitura energética do ser humano. Não se pode mais negar a memória e comunicação inter e intracelular, nem a atuação de leis universais como a de atração e reação. Nesse sentido, urge melhor consideração sobre o mistério da consciência em seu espectro diferenciado que nos coloca em vários campos dimensionais da matéria visível à invisível, não tão oculta agora.

Gleiser (A Dança do Universo,1997) nos confronta com possíveis consequências do poder do eletromagnetismo e do fenômeno da reversibilidade do tempo, com a geração da matéria e anti-matéria sob altas energias: " Devido a essas flutuações de energia do vácuo quântico, vários fenômenos muito interessantes tornam-se possíveis... sabemos pela relatividade espacial que energia e matéria podem ser convertidas em partículas de matéria... Essas partículas que surgem como flutuações do vácuo são conhecidas como partículas virtuais..." O autor diferencia o vácuo ou "Nada quântico" do "Nada Metafísico", representante do vazio absoluto, que abordo proximamente, visto não podermos mais deixar de considerar a dimensão espiritual do homem, sua faculdade intuitiva, sua fé terapêutica, daí advindo.

É inegável o poder de forças eletromagnéticas, despertadas pela estimulação da faculdade de imaginar , na qual participariam várias operações mentais e alterações bioquímicas. Reagrupamentos energéticos seriam gerados pelo aumento de sinapses neuronais e por possíveis transformações ocasionadas pela concentração conectiva (associação de idéias e imagens em ação). A união de afetos e estados alterados de consciência em diferentes graus de condensações de matéria, e sua valiosa força catártica e terapêutica, demandam para melhor eficácia uma leitura interdisciplinar Psicologia e Física Contemporânea.

Ante as novas descobertas é preciso questionar paradigmas ultrapassados "sem estigmas", não cabendo mais a compreensão do ser humano através de ajustes e enquadramentos a corpos teóricos já existentes. É importante, ainda, realçar que entre os atributos de um "cientista" estão sua liberdade de criar e a flexibilidade para investigar e pensar sobre o fenômeno humano, se utilizando de dados colhidos na realidade vivencial de seu aqui e agora , pois, embora seu mundo de significados possa estar deslocado dinamicamente na dimensão tempo-espacial, a forma de interferência no presente deve adquirir maior peso e deve ser o foco da atenção e atuações.

E continuamos nós, com humildade e ousadia, a mergulhar na Teoria Quântica e nas novas descobertas sobre os fenômenos do mundo subatômico, buscando articulá-los aos processos psíquicos. Cada vez mais nos fascina a constatação dos físicos da interferência das intenções do observador no mundo subatômico e seu foco com potencial de mudança ao transformar ondas de probabilidades (opções de escolha), em partículas subatômicas ou energia sutil concentrada (decorrente do fim do processo decisório).

Para os que se interessem pela dinâmica subjacente aos principais problemas de nosso tempo, indico a leitura do livro de Fritjov Capra, que nos apresenta nova visão de realidade - e que assistam ao filme (YouTube) com mesmo título: " O Ponto de Mutação".

Outro livro desse físico, que vale a pena ser lido é "O Tao da Física": um paralelo entre a Física Moderna e o Misticismo Oriental , Editora Cultrix, São Paulo, SP. Copyright 1975; com revisão em 1983 após a publicação do livro "O Ponto de Mutação" , Ed.Cultrix, São Paulo, SP, 1982.

Capra em seu livro "O Ponto de Mutação" aborda os padrões cíclicos históricos de ascensão e queda onde pode-se observar sempre, crises de percepção e, após a decadência, o ponto de mutação. A transformação ocorre dentro de um movimento espontâneo e natural. O velho é descartado e o novo é introduzido. Revendo o que acontece nesse início de século 21, não há mais como sustentar o estado interno de anomia indisciplinar, que distorce percepções e desafia a razão. Não há mais regras éticas e bom senso, dentro do raciocínio lógico, que expliquem e sustentem crenças disfuncionais e ideias obsoletas. A demanda é por novos paradigmas. Novos modelos de mundo e de homem, que demandam, por sua vez, novas configurações no agir de um ser humano, e novo design de interações sociais.

No "O Tao da Física", Capra traça um paralelo entre a Física Moderna e o Misticismo Oriental, analisando, de forma original, semelhanças conceituais. Tao significa "caminho"; nele o autor nos leva à descrição do processo de contínuo fluxo e mudança, reflexo do desenvolvimento e evolução pessoal.  Em "O Ponto de Mutação" busca nova visão de mundo ante o que chama de profunda crise de percepção e propõe a reconciliação da ciência com o espírito humano. Mostra como a revolução da Física Moderna prenuncia a revolução iminente nas ciências e uma transformação nos valores: decadência e ponto de mutação. Escrito no final do século 20, parece retratar a profunda crise de percepção que vivemos atualmente nesse início do século 21. É estarrecedor!

É estarrecedor como ideias e pensamentos são relegados, e mesmo desconsiderados, se não houver a devida leitura e interpretação, por ignorância sobre essas ideias e pensamentos, que transmitem e buscam divulgar perspectivas novas, para reflexões e compreensões futuras dos leitores e pensadores. Assim coloca o autor: "As últimas duas décadas de nosso século vêm registrando crise mundial complexa e multidimensional: saúde, modo de vida, qualidade de relações sociais, economia, tecnologia, política. É crise de dimensões intelectuais, morais, espirituais, de escala sem precedentes na história da humanidade."

Assim começa Capra a montar o painel do que ocorria em seu entorno por volta de 1980. Relendo o livro em 2016 nos perguntamos se o "design" não é atual. Refletindo sobre a nova visão de mundo que propõe ante a incorporação da Física Subatômica às suas ideias, me questiono se não é esse o caminho, se não está na hora da alteração para paradigmas (modelos) que incluam visões sistêmicas (orgânicas e ecológicas) holísticas de mundo e de homem. Em 1982, Capra já vislumbrava o novo design em rede do tecido social, da função da interconectividade transformando as estruturas sociais e políticas.

Buscando parear com a dinâmica psíquica, revejo os processos de autoconhecimento, valorização da autoestima e autorrespeito se alinhando à nossa moral intrínseca. Ao identificar nossa maneira de existir e alinhá-la às forças ético-morais de nosso caráter, como seres humanos, produzimos o encontro entre nossa vontade e o autêntico querer proveniente de nossa alma. Assim emerge o homem, agente do processo e progresso histórico de seu "vir-a-ser", responsável pela construção de suas forças internas; diferindo do que se deixa levar pelas circunstâncias a seu redor e pela influência das opiniões de outras pessoas que o circundam.

Capra busca descrever fenômenos submicroscópicos (subatômicos) e a emersão da consciência no que chamam de "iluminação", enfatizando que faz parte de uma "dinâmica psíquica além do self (si mesmo)", e que "não é apenas um ato intelectual". Acaba brindando o leitor com muito material para reflexão e análise; muitas e muitas associações e articulações... se posicionando como um empreendedor ao externar, com minúcias, suas ideias futuristas. Reconhece, no entanto, que, estando aquém da compreensão de sua época, nem sempre elas terão plena aceitação de uma maioria de pensadores, principalmente no momento histórico conflitivo em que as coloca no social.

Não é o que aconteceria com qualquer um de nós?
Mas que estamos vivendo as contradições, paradoxos e transições que descreve, estamos!

Lúcia Thompson




































































quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Como a alma humana continua a reclamar?

Cada um tem condições de fazer recortes sobre as circunstâncias que o cercam, lembrando sempre que lhe cabe arcar com a responsabilidade sobre as consequências de possíveis leituras interpretativas sobre os mesmos e que isso implica reaprender a ouvir as queixas de sua alma, ante a percepção do desequilíbrio e desalinhamento de suas energias internas eletroquímicas e "magnetosubatômicas" (ou "vibracionalquântica").

O mesmo cabe à representação de cada data estipulada socialmente, que ganha peso para uma pessoa, conforme a amplitude de significados, que ela possa lhe atribuir. Por exemplo, a meu ver,  uma data a ter comemoração digna, e que deveria ser mais significativa e duradoura, como elo integrador de um casal que se ama, seria o namoro. Relegada ante a correria,ou possível monotonia, da vida cotidiana e menosprezo do cultivo constante da vida a dois, poucos a ela se dedicam e a consideram como "afrodisíaco", a incrementar positivamente a relação do casal.

Outra seria a data comemorativa dos aniversários, como representante da passagem de mais um ano de vida e a possibilidade de poder avaliar a página virada na história de vida pessoal; ao mesmo tempo que faculta ao aniversariante se defrontar com a página em branco, que corresponde à do próximo ano de vida ainda a ser trilhado, página vazia a ser escrita pelo aniversariante... e só por ele. Vale, no entanto, sempre a torcida para que suas escolhas - e são só dele - lhe tragam felicidade. Nesse sentido, cumprimentos deveriam agregar também a "torcida para que escolhas possam trazer alegria para a alma do aniversariante, sem a qual mais um 'níver' não é nada", não passa a ter significado relevante para quem o comemora!

Ao pensar na aquisição de sabedoria do viver em meio à "crise de conflitos vários nos dias atuais", não há como não relembrar dos gregos, em suas reflexões sobre a conquista interior de uma boa vida, em especial Platão. Destaco o Mito da Caverna e justifico a seguir. É visível, no mundo atual, a carência de verdadeiros filósofos e políticos. É evidente para ocultar tal fato, a destruição dos patrimônios culturais, o assassinato de parte da História, a prisão de cidadãos acorrentados por leis obsoletas e protegidos por uma Justiça cega e parcial, opressiva e desumana.

Muitos não ousam se enquadrar na categoria de "filósofos", embora aí se enquadrem pelo "Amor à Verdade" e "Sabedoria no Viver sob as leis da Ética". Ser filósofo se é por natureza, como se é músico ou poeta. "A filosofia é música, que se faz com a alma, na dimensão insonora do invisível", é uma frase que muito me marcou, cuja autoria desconheço. Minhas reflexões, articulando com o pessimismo que cerca nossa visão de mundo e de homem, no momento atual pleno de catástrofes naturais e violência contra a humanidade, me encaminham a aproximar o filósofo do político, do verdadeiro político, responsável pelo bem estar da polis, por bem administrar os interesses do coletivo.

O "ente político" é conquista do conteúdo cultural humano, "fruto da consciência madura"; não nasce político e sim "se faz"; não é espontâneo, é "factível". Ser realmente político é se preocupar com o bem coletivo, e decorre do alcance de processos de autoconhecimento, formação moral e liberdade.

Sendo assim, o filósofo é aquele que consegue se soltar das correntes que o mantinham preso dentro caverna imaginada por Platão. Aquele que liberto, ousasse sair (da letargia e massificação), caminhasse em direção ao feixe de luz ( tomasse consciência da Verdade de sua existência), e com audácia descobrisse que o que observava e julgava como Real dentro da caverna, nada mais era que Ilusão de sombras e sons projetados ( como ocorre no cinema dos dias atuais).

Filósofo é aquele que, com coragem, suportasse a angústia do encontro com a Verdade pelo confronto com o mundo exterior que o desconcertaria, cegaria pela amplitude das luzes, que poderia enlouquecê-lo. A esse dois caminhos restaria, voltar à escravidão e se acomodar novamente às sombras e aos ecos, acalentando a dor angustiante de suas reflexões; ou, por "amor a seus semelhantes", procuraria adaptar seus olhos à luz pura e seus ouvidos aos sons e vozes reais, retornaria à caverna e buscaria explicar aos demais a ilusão em que viviam, procurando que "acordassem para a realidade que existia à sua volta". Para Platão, esse é aquele que, além de filósofo, resolveu ser político pelo bem de seus semelhantes, na luta por uma sociedade de seres, que pudessem libertar suas almas do cativeiro interior, e mais felizes e livres pudessem realizar suas próprias escolhas, alinhando-as à conquista da alegria espontânea de suas almas.

A História nos evidencia, no momento atual, as regressões na evolução humana, chegando as vias de involução do ser racional que a caracteriza. A História, que políticos buscam assassinar com suas distorções dos fatos reais e suas montagens fictícias, nos faz refletir se o mundo atual justifica o pessimismo. E não é que parece que o tempo parou, ao reler postagens de 2010, de 2009... Novas tecnologias, máquinas do tempo, proximidade de teletransportes, robôs humanóides substituindo verdadeiras funções e emoções do homem neste século 21... para quê? Primeiro torna-se emergente usar com sabedoria nossa capacidade de imaginar, para depois criar e inovar...


Reforço de: O mundo atual justifica o pessimismo?

Muitos justificam seu pessimismo ante o mundo atual, realçando aspectos de nossa sociedade como: a violência e a falta de amor, a corrupção e devida impunidade, a descrença no ser humano robotizado... (A primeira postagem com esse título data de 09.12.09).

Interrompo parte dos discursos negativos e desesperançados, e recorto contextos dessa paisagem para refletir sobre alguns aspectos, como sobre o reconhecimento da lavagem cerebral das pessoas que se permitem viver a vida sob a perspectiva da rede televisiva, imóveis em seus sofás, sentindo emoções -reais para si -ante cruéis noticiários de catástrofes e perversões, várias no leque de assassinatos e estupros, descritos detalhadamente e perversamente.

A meta visada é, acima de tudo,  manter acesa as curiosidades mórbidas e prender a atenção daqueles responsáveis pelo ibope da emissora. Em segundo plano está a preocupação com o bem estar do telespectador. É uma pena que, cada vez mais, aumente a parcela de pessoas que se sente atraída pela espetacularização acima da veracidade dos fatos.

Por que muitos aí permanecem sem emitir nenhuma reação humana de crítica e bom senso, se contaminam e se intoxicam com a morbidez dos noticiários?

Aí vem a queixa: "Este programa está me fazendo mal!" ; "Estava me sentindo bem, agora me sinto aflita e preocupada." ; " Como viver nessa sociedade?" e por aí vão os lamentos.

Mesmo percebendo suas alterações metabólicas, as pessoas não ousam ações mais contundentes como interromper no momento o contato, desligando a televisão. Mais grave ainda, permanecem na inércia, como que hipnotizadas mesmo tendo a percepção de que lhes é passada uma visão imperfeita do quadro social. A bola de neve da sociedade virtual em que vivemos é inflada pelos julgamentos distorcidos decorrentes de interpretações discrepantes do contexto focado.

O grande perigo é que além da inércia mental, responsável pela formação de robôs humanos, e do envenenamento psíquico, por muitos quadros depressivos, os programas televisivos passam a dar sentido as suas vidas.

Mas por que preencher assim o vazio de suas existências e entorpecer sua alma?

Será que a resposta não está no "para que ela não reclame de sua exclusão no viver dessas pessoas"? É da alma que vem nossa alegria de viver, nosso amor pela vida e pelas pessoas, nossa esperança. É dela que vem nossa sensação de liberdade e de felicidade. Atualmente as pessoas preferem amordaçá-la e tampar seus ouvidos a seus apelos. E quantos não evitam ouvir esse lado do seu "querer" inato e autêntico!

Então, como sua alma reclama?

Já sentiu sensações de desconfortos e angústias mais profundas, que surgem do "nada"? Já se viu tomado por quadros sintomáticos de doenças físicas ou psíquicas, sem causas tão aparentes?

Observe o que se passa dentro de você. Sei que não é fácil adotar uma postura introspectiva e ainda se permitir uma autorreflexão sobre o que lhe ocorre; sobre como pode mudar para viver melhor e efetuar as alterações necessárias para isso.

Grande parte da mídia busca maior envolvimento popular através de enfoques apelativos, refletindo uma realidade que parece não ceder lugar para o otimismo e a esperança de um mundo melhor. Essa reclamação é constante nos consultórios e mesmo em conversas do cotidiano das pessoas. Mas por que as pessoas se permitem ser envolvidas, ou melhor, se envolver e fazer parte como atores do espetáculo social? Por que não atuam como agentes sociais de mudança contribuindo para alterar esse quadro desgastante ao ser humano?

Como profissional, eu a ouço mais como um grito de socorro e a observo como uma constatação do desamparo interno do homem, sua fragilidade e insegurança sobre sua capacidade de se bancar em suas mudanças.

Como toda moeda, grande impotência manifesta também traz grande potência encoberta. Eu preferi reconhecer o lado cara, necessários aos papéis que desempenhamos no palco da vida, mas me aproximar da coroa, e nesse lado humano reconhecer minha hierarquia como indivíduo.

Aí é avaliar os custos e os benefícios. A economia da matéria psiquica não difere tanto da matéria visível (vide minha primeira postagem de 2008 "Otimização dos recursos humanos").

Muitas vezes sou considerada idealista ao refutar duramente assertivas que endoçam o desamparo humano e a posição de vítima ante uma sociedade tão inimiga do homem. Será?

Como não, se o aprisiona nas algemas da impotência pela falta de uma defesa social e pessoal eficazes, e meios mais ativos de preservação de seus direitos como cidadãos?

Reconheço que a Justiça ainda está vendada pelos instrumentos burocráticos, que aumentam as distorções da realidade.

Observo que a lentidão de soluções legais, é reforçada pelo desrespeito e descrédito na justiça dos homens, atualmente sem forças para desatar suas mãos de leis e códigos obsoletos e novamente segurar a balança do equilíbrio.

Constato a dificuldade no empenho da manutenção de atuações transparentes, justas e equânimes, em busca da verdade e preservação de uma sociedade humanística.

Reconheço que ainda se privilegia o cuidado de uma máquina social que, há muito tempo, solapou de suas engrenagens a figura humana.

Porém, também reconheço que o mundo é feito por todos nós "seres humanos e pensantes". Mais ainda, que acima do pensar está o sentir humano, ambos atrelados a uma inteligência e a uma consciência, com seus respectivos níveis de entendimento e compreensão.

E não me canso de repetir que cabe a cada um de nós estar em constante vigilância sobre nosso mundo interno, controlar nosso agir, comandar nossas atitudes e pensamentos, tolerar nossos afetos, respeitar nossas emoções e aprender a conviver pacificamente com elas.

Cada vez que desativamos esse controle, deixando-nos envolver pela realidade que nos é imposta, nossa visão é turvada e nossa percepção é distorcida, passamos a lidar com a qualidade negativa de energia que permitimos que nos envolva, e reagimos de acordo com ela.

No entanto, ao entrar em sintonia, buscando equilíbrio e paz interior, passo a considerar com maior atenção meu papel na sociedade, minha liberdade de escolha sobre como atuar dentro dela, minha responsabilidade espalhando amor, união, credibilidade, ou incrementando a discórdia, a rivalidade, a competição... ou cruzando os braços e passivamente contribuir para a manutenção do caos mundial, que já se alastra tão aceleradamente sem barreiras contensivas representativas até o momento.

O ser humano tem o potencial de força, que mobiliza o seu querer, e a autonomia criativa para interromper e superar o processo de desumanização que o cerca.

É alcançar sua liberdade interna e partir ao encontro de se dar um presente feliz. Vale o duplo sentido!

Aurora Gite
14.04.2010
10:55